Portugal Ultramarino

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Lancero

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« Responder #255 em: Abril 01, 2009, 02:59:32 pm »
Por estar aqui o debate ideológico,,,

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Cultura: Severiano Teixeira elogia lado humano de Marcelo Caetano

Lisboa, 31 Mar (Lusa)- O ministro da Defesa, Severiano Teixeira, elogiou  hoje o lado humano do antigo Presidente do Conselho de Ministros Marcelo  Caetano e considerou que "houve sempre uma contradição entre a sua formação  de jurista" e o "autoritarismo do Estado Novo".  

 

   "Houve sempre uma contradição entre a formação de jurista de Marcelo  Caetano com o autoritarismo do Estado Novo", afirmou Nuno Severiano Teixeira,  citando como exemplo a "intervenção da polícia política na Faculdade de  Medicina em 1947", à qual Marcelo se opôs.  

 

   O governante falava na apresentação do livro "Marcelo Caetano -- O Homem  que perdeu a fé", da jornalista Manuela Goucha Soares, na Sociedade Portuguesa  de Geografia, em Lisboa, perante uma audiência de mais de uma centena de  pessoas que contou com a presença do antigo Presidente da República general  Ramalho Eanes e dos secretários de Estado da Defesa, João Mira Gomes, e  dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.  

 

   "O interesse e o valor deste livro está nas entrelinhas, naquilo que  escapou aos historiadores (...) o lado humano do personagem, a sua relação  com a vida e com o trabalho, a sua organização metódica e o seu rigor",  acrescentou Nuno Severiano Teixeira.  

 

   O responsável pela pasta da Defesa Nacional disse ainda que esta obra  vem "atenuar" a carga negativa que habitualmente está associada ao exílio  de Marcelo Caetano no Brasil, a seguir à revolução do 25 de Abril.  

 

   "Ironia das ironias, o homem que alargou a Segurança Social em Portugal  nunca teve reforma", disse, acrescentando contudo que o emprego que lhe  foi oferecido na universidade e a companhia da família e dos amigos facilitou  a Marcelo Caetano a vida do outro lado do Atlântico.  

 

   O ministro português defendeu ainda que o exílio permitiu ao ex-Presidente  do Conselho de Ministros "encontrar-se a si próprio".  

 

   "Tendo começado monárquico, acabou republicano, tendo começado católico,  tornou-se descrente", declarou Severiano, considerando no entanto que o  título do livro -- "O Homem que perdeu a fé" - indicia a "tendência jornalística  de por vezes tomar a parte pelo todo".  

 

   A autora do livro "Marcelo Caetano -- O Homem que perdeu a fé", Manuela  Goucha Soares, formou-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade  Nova de Lisboa e é jornalista do semanário "Expresso", tendo sido assessora  de Severiano Teixeira aquando da sua passagem pelo ministério da Administração  Interna, no final da década de 90.  

 
 
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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Cabeça de Martelo

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« Responder #256 em: Abril 01, 2009, 03:09:15 pm »
Marcelo Caetano é outra história, apesar de não ter tido a coragem de reformar o regime, sempre foi fazendo algumas coisas para melhorar as condições de vida da população. É pena ele não ter dado aquele passo que poderia ter-nos poupado do caos do pós-25 de Abril.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Ataru

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« Responder #257 em: Abril 01, 2009, 04:43:30 pm »
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Já agora, vocês são povo ou são elite?

Define ambos e logo te digo...

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Não sou nem uma coisa nem outra, sou democrata...ah pois, isso também é mau para vocês...

um democrata é o defensor da democracia, mas há muitos graus de democracia, o ideal nem é ser 100% democrata nem 0%, mas algo no meio, só o equilibrio pode trazer algo próspero.

Eu não sou contra democratas, sou contra esquerdistas.

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O PCP não conquistou o poder nos anos 70 quando estavam mais fortes do que nunca (muito graças à guerra colonial e à repressão) e iam conquitar o poder nos anos 40/50?


o PCP não conquistou o poder graças ao 25 de Novembro se não se calhar eramos hoje a Bielorrusia da Europa ocidental...
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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Cabeça de Martelo

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« Responder #258 em: Abril 01, 2009, 05:09:02 pm »
Então não conquistaram, pois não?!
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Duarte

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« Responder #259 em: Abril 01, 2009, 07:07:35 pm »
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Então não conquistaram, pois não?!


Mas foi por pouco.. Este foi sempre um dos perigos reais sob o qual Portugal existiu, uma ameaça real, desde os anos 30 até aos anos 70.


Falando em democracia, eu sempre admirei o sistemo Suiço. É único no mundo, mas eles andam a fazer algo correctamente. Tiveram também a sensatez de proibir o partido comunista em 1948.

Um caso a estudar. Portugal, restituída a monarquia para a chefia do estado,  e com um sistema representativo directo baseado no Suiço, seria uma possibilidade que eu defenderia.


http://en.wikipedia.org/wiki/Swiss_democracy
 

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Ataru

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« Responder #260 em: Abril 01, 2009, 07:48:06 pm »
O modelo americano também é muito eficiente, um Presidente com muitos poderes e 2 grandes partidos, com o obviamente partido comunista fora das contas.
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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FoxTroop

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« Responder #261 em: Abril 01, 2009, 08:43:48 pm »
O modelo americano é tão eficiente que até está no top das tabelas de bem estar humano e de igualdade e distribuição de riqueza  :roll:   :roll:   :roll:

O querido lider "Botas" tal como qualquer outro querido lider (Mao, Kim, Adolfo, Franco, Fidel, Chavez, etc) assim como essa oligarquia manhosa que anda a ver se mete isto outra vez na base do senhorio feudal não quer nem nunca quis dinheiro. Não precisam de amealhar tusto porque o que qualquer "animal" desse calibre deseja é poder. Nada mais que poder. Todos nós, na mão dessa corja não somos nada, nem temos nada que entender ou ter voto sejaa no que for. É esse tipo de vida que querem para vós proprios os que defendem tão bondosos regimes?

É que se não querem ser responsaveis por vós e pelos vossos actos e querem um pai iluminado que vos resolva todas as coisas por vós então depois não se queixem que eles vos tratem como criancinhas sem cabecinha e sem direito a nada. Comem e calam.

Na entrevista aqui postada com o Prf. Adriano Moreira está lá isso bem assente a quem viu com olhos de ver. "Assim que a sentiu a sede do poder ameaçada, retraiu-se"

Mas também é bom de entender a parte em que afirma que em 1974 não existia outra alternativa ao que veio a acontecer (12:34)

Sobre o Ultramar também é bem explicito (7)

Até o "guru" de muitos aqui (MC), afirmou em entrevista que a nossa situação actual se está a aproximar da que se vivia em 1973. Comentava ele que nessa altura dizia que as coisas não podiam continuar assim, que não havia solução naqueles moldes.

Só uma grande falta de informação (culpa da nossa educação em que os alunos nunca estudam o Estado Novo nem o conflito ultramarino, para não dizer que não estudam História) é que permite que coisas dessas voltem á tona.

Os partidos fascistas nunca deveriam ter sido banidos. Assim talvez muitos aqui vissem realmente o que ali está. Se pudemos viver com o fantasma comunista (que nos abriu os olhos para a realidade vermelha) também deveriamos ter tido a podssibilidade de viver com o fantasma fascista (pelas mesmas razões)
 

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Duarte

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« Responder #262 em: Abril 01, 2009, 09:44:02 pm »
Pai iluminado?  c34x

Precisamos é de mais maçons, de um estado mais laico, com mais escândalos, e mais partidos que servem só os seus intereses e interesses estrangeiros nebulosos. Precisamos de prolongar a moribunda república dos bananas mais tempo, porque ainda há algum suor e sangue a extrair do povo Português. Precisamos de mais deputados, porque ainda são poucos à mama. Precisamos de mais corrupção, porque ainda há pouca... Precisamos de uma maior e mais potente lavagem cerebral, porque ainda restam alguns que se lembram de um tempo em que Portugal não era apenas uma província de Bruxelas. :roll:
 

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FoxTroop

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« Responder #263 em: Abril 01, 2009, 09:57:58 pm »
Sr. Duarte, onde é que nos meus post's está escrito que eu considero o estado actual das coisas, como algo que está bem?!! Onde é que eu afirmo o que o sr. escreve aí? Se não estivessemos na CEE estavamos agora era na PEE (Penuria Economica Extrema). Ou o sr. também é daqueles que enquanto a teta deu leite dava vivas á CEE e agora que secou e temos compromissos assumidos, abaixo a CEE?

Crianças incapazes de assumir os compromissos da nação. Em vez de olhar em frente e dizer "isto está mal, vamos unir-nos e dar a volta a isto, porque isto é nossa responsabilidade e o futuro somos nós a faze-lo", olha para trás e diz "como era bom dantes, era quase escravo, não tossia nem mungia mas, na minha ignorancia, era feliz, volta paizinho"

E pior é ver que as nossas supostas "elites" que nos dirigem pensam tão tacanho, ou ainda pior que as suas "bases". Vamo bem encaminhados, sim senhor.....
 

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P44

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« Responder #264 em: Abril 02, 2009, 11:36:04 am »
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Citação de: "Ataru"
Deixa lá Duarte que se eu fosse velhote já tinha tido aqui uns quantos enfartes com o que dizes esses defensores do comunismo do socialismo do anarquismo...

Não sou nem uma coisa nem outra, sou democrata...ah pois, isso também é mau para vocês... :twisted:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Cabeça de Martelo

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« Responder #265 em: Abril 02, 2009, 01:05:23 pm »
Aqui sou chamado de Comuna, no DB sou chamado de Fascista... c34x  c34x
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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teXou

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« Responder #266 em: Abril 02, 2009, 02:21:27 pm »
Citação de: "Duarte"
... sempre admirei o sistemo Suiço. É único no mundo, mas eles andam a fazer algo correctamente.  ...

Na Suiça não á corrupção, criminalidade, minorias, pobreza, lacunas no sistema de saúde, ...... é um paraíso ....
 :rir:  :rir:  :rir:
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
-------------------------------------------------------
" Não Apaguem a Memória! "

http://maismemoria.org
 

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Duarte

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« Responder #267 em: Abril 02, 2009, 11:16:52 pm »
Citação de: "teXou"
Citação de: "Duarte"
... sempre admirei o sistemo Suiço. É único no mundo, mas eles andam a fazer algo correctamente.  ...
Na Suiça não á corrupção, criminalidade, minorias, pobreza, lacunas no sistema de saúde, ...... é um paraíso ....
 :rir:  :rir:  :?: Sr. Texou, mas quem é que disse que não havia corrupção, criminalidade, minorias, pobreza, lacunas no sistema de saúde na Suiça?
Existem em qualquer país. Agora, que na Suiça são um muito menos preocupantes, e que é um país democrático, neutro, com um nível de vida muito superior ao Português, com um sistema de defesa forte, ninguém pode duvidar.

Mudando de assunto, estes seus episódios frequentes de riso incontrolável sem nexo, não acha isto um pouco preocupante?  Há alguma patologia por diagnosticar?  :?:
 

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Duarte

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« Responder #268 em: Abril 02, 2009, 11:38:43 pm »
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Aqui sou chamado de Comuna, no DB sou chamado de Fascista... c34x  c34x



 :mrgreen:
 

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TOMSK

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« Responder #269 em: Abril 20, 2009, 11:06:35 am »
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Mário Soares e Angola


Por António Marinho (advogado e jornalista) in «Diário do Centro», de 15 de Março de 2000

A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos.

Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares ), pensadores profissionais, autarcas, «comendadores» e comentadores de serviço, etc?

Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel.

Sei que Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares , os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de versão portuguesa da antiga dupla haitiana «Papa Doc» e «Baby Doc».

Vejamos então por que é que eu não gosto dele (s).

A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas sim fins.

É-lhe atribuída a célebre frase: «Em política, feio, feio, é perder». São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.

Já depois do 25 de Abrol, assumiu-se como o homem dos americanos e da CIA em Portugal e na própria Internacional Socialista.
Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.

Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e foi amigo de Nicolau Ceascescu, figura que chegou a apresentar como modelo a ser seguido pelos comunistas portugueses.

Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem « Partido Socialista, Partido Marxista », mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em atraso.

INSULTO A UM JUIZ

Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares , mas sua excelência não foi incomodado.

Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.

Soares é arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que dirigiu, perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que cumpria a missão de lhe fazer escolta enquanto presidente da República durante a Presidência aberta em Lisboa : « Ó sr. Guarda desapareça ». Nunca, em Portugal, um agente da autoridade terá sido tão humilhado publicamente por um responsável político, como aquele pobre soldado da GNR.

Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro democrata. Ou melhor é muito democrata se fôr ele a mandar. Quando não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele sabe-o; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem o que ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações. Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições pessoais.

Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio país. Em 1980, não hesitou em apoiar objectivamente o General Soares Carneiro contra Eanes, não por razões políticas mas devido ao ódio pessoal que nutria pelo General Eanes. E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha.

Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo, apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares. Na altura todos meteram a cabeça na areia, incluindo o próprio clâ dos Soares, e nem tugiram nem mugiram, apesar de as acusações serem então bem mais graves do que as de agora.
Porque é que Jorge Sampaio se calou contra as calúnias de Rui Mateus?

«DINHEIRO DE MACAU».

Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por Mário Soares , Rosado Correia, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. *A proveniência do
dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, António Vitorino, foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era esse dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecido.
O caso EMAUDIO e o célebre fax de Macau é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista. Menano do Amaral chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no estrangeiro

Não haveria seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos, com esta peculiaridade (que não é inédita) judicial : os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos. Aliás, no que respeita a Macau só um país sem dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa daquele território, com os chineses pura e simplesmente a chamar ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele território.

Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o caso de Betino Craxi, o líder do PS italiano, condenado a vários anos de prisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção. Soares fez questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia.

Veja-se também a amizade com Filipe Gonzalez, líder do Partido Socialista de Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver o problema político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os piores mercenários do lumpen e da extrema direita da Europa para assassinar militantes e simpatizantes da ETA.

Mário Soares utilizou o cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto Primeiro Ministro, gastou, como Presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos desses « viajantes » que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas declarações dos governantes angolanos.

Enquanto Presidente da República, Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto as mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu «reinado». Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário, e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo Mário Soares , da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com o antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho só veio a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência da República, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma : Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de condecorações.

FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS

 A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal. Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se os seus documentos pessoais tinham valor histórico Mário Soares deveria entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não. Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele pretendia era outra coisa. Porque as suas ambições não têm limites ele precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida política do país. A Fundação Mário Soares está a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa.»


Nojento!
Como é que este animal ainda anda aparece por aí a ladrar umas quantas "recomendações" de moral ?