Apetece-me gritar bem alto, FO...

  • 3814 Respostas
  • 887264 Visualizações
*

P44

  • Investigador
  • *****
  • 22760
  • Recebeu: 8182 vez(es)
  • Enviou: 9311 vez(es)
  • +8247/-14464
Re: Apetece-me gritar bem alto, FO...
« Responder #3810 em: Fevereiro 24, 2026, 10:17:56 am »
E eu a ler "fãs de Therion? Porque carga de água o @P44 está chateado e mete isso neste tópico?!"  :mrgreen:

Piadista  :G-bigun:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: LM

*

P44

  • Investigador
  • *****
  • 22760
  • Recebeu: 8182 vez(es)
  • Enviou: 9311 vez(es)
  • +8247/-14464
Re: Apetece-me gritar bem alto, FO...
« Responder #3811 em: Fevereiro 25, 2026, 01:59:38 pm »
Os "diferentes"

Ministro da Agricultura tem duas casas na capital e €43.660 em rendimentos prediais, mas pediu (e está a receber) subsídio de alojamento de €724. Dezanove ministros e secretários de Estado pediram o mesmo apoio.

👉Leia mais no link na bio e na edição impressa.

📸Lusa, Miguel Baltazar, André Azevedo e João Pedro Domingos
https://www.facebook.com/100064632946246/posts/pfbid0fXHgKExScqi7Q7q9dR83JFiP2JEnHkfx7eZu4vqvkb9qfCuGsYwgXuwsTnvdKuJ7l/

Apoiem garotões
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

*

LM

  • Investigador
  • *****
  • 4015
  • Recebeu: 2043 vez(es)
  • Enviou: 5100 vez(es)
  • +3112/-240
Re: Apetece-me gritar bem alto, FO...
« Responder #3812 em: Fevereiro 25, 2026, 02:25:37 pm »
Mas as casas que ele tem estão desocupadas? Ou - pior - já lá vivia / a usava?

Sendo que "duplicar" a residência, deixando a família para trás, implica mais despesas.
« Última modificação: Fevereiro 25, 2026, 02:26:55 pm por LM »
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 

*

PTWolf

  • Investigador
  • *****
  • 1615
  • Recebeu: 829 vez(es)
  • Enviou: 4057 vez(es)
  • +1459/-409
Re: Apetece-me gritar bem alto, FO...
« Responder #3813 em: Fevereiro 25, 2026, 06:39:12 pm »
Mas as casas que ele tem estão desocupadas? Ou - pior - já lá vivia / a usava?

Sendo que "duplicar" a residência, deixando a família para trás, implica mais despesas.

Acho que o ponto deverá ou deveria ser este.
 

*

P44

  • Investigador
  • *****
  • 22760
  • Recebeu: 8182 vez(es)
  • Enviou: 9311 vez(es)
  • +8247/-14464
Re: Apetece-me gritar bem alto, FO...
« Responder #3814 em: Hoje às 12:19:54 pm »
Citar
O Estado português tem sempre dinheiro. Só não tem para os portugueses.

Seis meses. Foi há seis meses que um homem morreu no Elevador da Glória. Trabalhador da Carris. Pai de família. Esmagado enquanto cumpria o seu turno. Seis meses depois, os filhos continuam sem bolsa de estudo.
E o Governo? O Governo prometeu um relatório de investigação no próprio dia da tragédia. "Resultados divulgados com a maior celeridade possível", garantiram .

Passaram-se seis meses. O relatório nunca existiu.

A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) reconheceu, após insistência do jornal Público e uma queixa à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, que não fez nenhum relatório.
A desculpa? "Aguardámos pelas investigações de outras entidades. Depois de lermos o relatório preliminar do GPIAAF, entendemos que as principais questões já estavam esclarecidas. Não fazia sentido avançar com diligências adicionais" .

Tradução: um homem morreu, mas investigar dá trabalho. Arquiva-se.

OS ESQUECIDOS DE SEMPRE

Este padrão não é novo. É a cara do Estado português.

Entre-os-Rios, 4 de março de 2001. A ponte Hintze Ribeiro cai. 59 pessoas morrem. 36 corpos nunca foram encontrados. As famílias continuam, 25 anos depois, a rezar o terço à beira-rio. Não têm corpos para enterrar. Não têm culpados: os engenheiros foram absolvidos. Não têm justiça .

Pedrógão Grande, 17 de junho de 2017. 66 pessoas ardem vivas. 253 ficam feridas. Centenas de casas destruídas. Oito anos depois, ainda há 21 casas por reconstruir. Uma família esperou oito anos por uma indemnização de 150 mil euros. Avelino Ferreira, operador de máquina que morreu a combater incêndios em Oleiros, não estava nas datas "certas" do calendário governamental. A mulher e os filhos tiveram de ir a tribunal. Oito anos à espera.

Tiago Cacais, outubro de 2024. Motorista da Carris Metropolitana. Queimado vivo dentro do autocarro durante os tumultos em Santo António dos Cavaleiros. Segundo e terceiro graus na cara, pulmões, mãos, pés. Coma induzido. Um ano e meio depois, continua de baixa. Queixa-se de abandono. "O homem esquecido porque não pertence aos grupos certos, apenas um português trabalhador comum", escreveu uma página de apoio .

Elevador da Glória, setembro de 2025. Um guarda-freio morre. Os filhos esperam por bolsa. O relatório nunca existiu.

A TEMPESTADE KRISTIN: 2,5 MIL MILHÕES EM DIAS

A 26 de janeiro de 2026, a tempestade Kristin atingiu Portugal. Em fevereiro, o Conselho de Ministros já tinha aprovado um pacote de 2,5 mil milhões de euros em medidas de apoio .

Vamos ver o que está lá dentro:

· 400 milhões para estradas e ferrovia
· 200 milhões para autarquias
· 20 milhões para património cultural
· 500 milhões em linhas de crédito
· 1.000 milhões para reconstrução

A Caixa Geral de Depósitos disponibiliza linhas de crédito com taxa fixa de 2,15% no primeiro ano, spread 0%, isenção de comissões (poupa cerca de 1.260 euros) e carência de capital até 6 meses .

Parece bonito. Agora leiam com atenção: é um crédito. É uma dívida. As pessoas que perderam a casa vão ter de a pagar outra vez, com juros.

Para as empresas, a mesma história. Linhas de apoio que são dívida. Indexadas à Euribor. Com um ano de carência. Depois, pagam durante cinco anos.

E o melhor de tudo: um ministro disse, sobre as vítimas da tempestade: "É suposto terem recebido o ordenado do mês passado".

Tradução: "Não se queixem. Se estão sem casa, usem o salário de janeiro. Se acabou, problema vosso."

2,5 mil milhões em linhas de crédito para as pessoas se endividarem, e um ministro a mandar as vítimas viverem com o ordenado do mês passado.

E AS ASSOCIAÇÕES? QUANTO CUSTAM?

A Câmara de Lisboa aprovou, em maio de 2025, um apoio de 175 mil euros à associação Variações para a realização do EuroPride 2025 . A proposta foi assinada por Carlos Moedas (PSD) e aprovada com abstenção do PS e PCP. A oposição (Livre, Cidadãos Por Lisboa, BE) votou contra.

Porquê?
Porque a associação Variações estava envolvida em polémicas. A ILGA, a AMPLOS e a rede ex aequo abandonaram a organização. O Turismo de Portugal abriu uma auditoria à Variações.
O presidente da associação, Diogo Vieira da Silva, estava a ser investigado por desvio de dinheiro, abuso de confiança e burla .

Mesmo assim, a Câmara deu 175 mil euros. E há mais: os vereadores do Livre estimaram que os apoios não financeiros (logística, espaços, etc.) poderiam ascender a mais de 300 mil euros .

Ou seja: meio milhão de euros para um evento cuja organização estava sob investigação.

Trata-se de perguntar: com que critérios se gasta o dinheiro público?

Porque, entretanto, o primeiro-ministro vê futebol com 20 mil euros em três anos de Sport TV paga por nós. A factura: 7.023 euros em 2026, outros 7.023 em 2027, 4.682 em 2028.
Tudo para que o primeiro-ministro e os seus assessores possam ver a bola sem sair do gabinete.

E os filhos do guarda-freio continuam sem bolsa.

AS CIRURGIAS DE REDESIGNAÇÃO SEXUAL: QUANTO CUSTA

O SNS financia cirurgias de redesignação sexual.

Desde 2017, foram realizadas 408 cirurgias de redesignação sexual no SNS.
Apenas dois hospitais públicos fazem estas operações: o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e o Hospital de Santo António, no Porto.
No CHUC, foram realizadas 364 cirurgias entre 2017 e julho de 2024. No Hospital de Santo António, 44 cirurgias desde 2022.

Ou seja: o SNS financia, mas e as  esperas com os doentes oncológicos. Como esperam os que precisam de próteses. Como esperam todos os portugueses que dependem do SNS e que nascem em ambulâncias ou morrem enquanto esperam por socorro.

Estas cirurgias custam dinheiro. Muito dinheiro. E ninguém sabe ao certo quanto. Os valores estão escondidos em contratos, em protocolos, em "produção adicional" paga a hospitais privados.

O que se sabe é que um único dermatologista do Hospital de Santa Maria recebeu cerca de 700 mil euros em três anos por cirurgias adicionais. Setecentos mil euros. Para um médico. Em três anos.

O PADRÃO: MORTOS, ESQUECIDOS E ENDIVIDADOS

Vamos fazer contas.

· EuroPride 2025: 175 mil euros diretos + 300 mil em apoios não financeiros = 475 mil euros para um evento cuja organização estava sob investigação .

· Sport TV no Parlamento: 20 mil euros em três anos para o primeiro-ministro ver futebol.

· Cirurgias de redesignação sexual: 408 operações.

Agora comparem:

· Entre-os-Rios (2001): 36 mortos. 25 anos depois, sem corpos, sem culpados. Indemnização: 50 mil euros por vítima na altura. O mesmo que a Sport TV durante três anos.

· Pedrógão Grande (2017): 66 mortos. Oito anos depois, ainda há 21 casas por reconstruir. Uma família esperou oito anos por uma indemnização de 150 mil euros.

· Tiago Cacais (2024): motorista queimado vivo. Um ano e meio depois, ainda espera.

· Filhos do guarda-freio do Elevador da Glória (2025): seis meses depois, zero. Nem relatório, nem bolsa.

E para as vítimas da tempestade Kristin (2026): crédito. Dívida. Euribor. E um ministro a sugerir que usem o ordenado do mês passado.

A PERGUNTA QUE FICA

Se há 475 mil euros para uma festa sob investigação, 20 mil para o primeiro-ministro ver futebol, e 2,5 mil milhões em linhas de crédito para as pessoas se endividarem...

Onde estão os 50 mil euros para as famílias de Entre-os-Rios?
Onde estão os 150 mil euros para as vítimas de Pedrógão que ainda esperam?
Onde está a bolsa de estudo para os filhos do guarda-freio?
Onde está o relatório do Elevador da Glória, que nunca existiu?

A resposta é simples: não há.

Não há porque o dinheiro acabou. Acabou nas associações e nas ideologias. Acabou nas festas. Acabou nos protocolos. Acabou na Sport TV.

Para os portugueses comuns, para os que morrem a trabalhar, para os que ardem vivos, para os que perdem a casa e ouvem "use o ordenado do mês passado"...

Para esses, nunca há.

---

É esta a alma do governo português.
É este o respeito por quem perde tudo.
É esta a prioridade: linhas de crédito, Euribor, e um conselho para se desenrascarem.

O ordenado do mês passado.
Guarda essa frase. Grava-a a ferros na memória.

Porque da próxima vez que um ministro aparecer na televisão a falar de "apoios" e "solidariedade", tu já sabes o que ele quer dizer:

"Use o ordenado do mês passado. E se não chegar, vá ao banco. Nós temos linhas de crédito à sua espera."

Os filhos do guarda-freio, esses, que esperem. Que usem o ordenado do pai. Ah, esperem. O pai morreu. Não tem ordenado.

Pois. Esqueci-me desse pormenor.

O governo também.

A crítica é aos sucessivos Governos, à máquina, à hipocrisia de quem gasta com futebol e esquece os mortos.
A crítica é à falta de prioridades.
A crítica é a um Estado que sabe ser rápido quando quer — mas só para uns. De preferência com cartão do partido e quotas em dia.

Partilha este texto.
Para que não digam que não avisámos.
Para que os politicos como o ministro do ordenado saiba que há gente que não esquece.
Para que as 36 almas de Entre-os-Rios, os 66 mortos de Pedrógão, o Tiago Cacais e os filhos do guarda-freio saibam que alguém, pelo menos alguém, ainda se lembra que eles existem.

WHISTLEBLOWER.Pt

"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas