Turquia

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Re: Turquia
« Responder #270 em: Setembro 05, 2019, 07:42:02 pm »
Nuclear: Erdogan não aceita pressão de outros países


 

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Lusitano89

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Re: Turquia
« Responder #271 em: Outubro 30, 2019, 09:22:51 am »
Congresso dos EUA reconhece genocídio arménio



 

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legionario

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Re: Turquia
« Responder #272 em: Novembro 03, 2019, 04:52:00 pm »
A Turquia não é o único ex-Império a esbracejar para regressar às glorias e ao prestigio do passado. Os Persas, actual Irão, perderam ao longo dos séculos influência e poder mas continuam a não abdicar dos seus pergaminhos e a querer impor-se como potência regional.  Muito mais discretamente, e mais perto de nos, o antigo império cherifiano, actual Marrocos,  procura recuperar a influência perdida no espaço que já foi seu. Mesmo o decadente império britânico continua a ter os seus ferventes adeptos e um dos argumentos dos partidários do Brexit, é o regresso às glorias e à suficiência passadas. Na Europa continental, estamos a assistir , através da UE, ao ressurgimento do antigo Império Romano, com outras formas politicas e burocráticas  mas pelo menos, com a mesma geografia  e frequentemente com os mesmos designios .

A Turquia e a Europa fazem parte de equipas diferentes.  Jogamos no mesmo campeonato com as mesmas regras pois Erdogan da a impressão de querer promover os mesmos valores da democracia e da laicidade e  a Turquia pertence à OTAN, mas jogamos em campos adversos.
Os conflitos com outro estado membro da OTAN, a Grécia, e mais recentemente na questão com os curdos, mostram alguns dos limites nas convergências entre a Turquia e a UE que vão para além dos limites de ordem geográfica e cultural.

O Novo Império Romano em que se vai transformar a UE não vai ser o único império renascido das cinzas. Teremos também um Novo império Otomano que provavelmente voltara  a ser um adversário :)


A pior das ditaduras é a que se disfarça de democracia
 

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Re: Turquia
« Responder #273 em: Novembro 04, 2019, 05:24:16 am »
Na Europa continental, estamos a assistir , através da UE, ao ressurgimento do antigo Império Romano, com outras formas politicas e burocráticas  mas pelo menos, com a mesma geografia  e frequentemente com os mesmos designios .

A Turquia e a Europa fazem parte de equipas diferentes.  Jogamos no mesmo campeonato com as mesmas regras pois Erdogan da a impressão de querer promover os mesmos valores da democracia e da laicidade e  a Turquia pertence à OTAN, mas jogamos em campos adversos.
Os conflitos com outro estado membro da OTAN, a Grécia, e mais recentemente na questão com os curdos, mostram alguns dos limites nas convergências entre a Turquia e a UE que vão para além dos limites de ordem geográfica e cultural.

O Novo Império Romano em que se vai transformar a UE não vai ser o único império renascido das cinzas. Teremos também um Novo império Otomano que provavelmente voltara  a ser um adversário :)

A UE é o ressurgimento do Império romano?Confesso não ter captado em que sentido isso seria?
Se considerarmos o mapa do império romano no seu apogeu com o imperador Trajano não me parece haver qualquer ponto de contacto.Como é sabido a maior economia europeia nunca fez parte do império romano e o Sacro império romano-germânico só aparece na idade média já Roma tinha desaparecido.mais se reunissemos todos os países que compunham tal império a língua mais falada seria o árabe ,o turco seria a terceira e a religião principal seria a islâmica ora na UE nem temos sequer um país que tenham tais características.Será que não confundiste com o Império Bizantino também conhecido como Império romano do Oriente que surgiu após o declinio do Império romano ocidental?Se for mesmo assim e embora ele tenha perdurado até a idade média penso que culturalmente faz a demarcação que até hoje perdura a todos os níveis com os valores ocidentais.
Quanto á matriz idêntica entre a Turquia e a restante Europa pode até haver algumas semelhanças em países que fizeram parte do Império otomano mas pára por aí o único ponto de contacto entre a Turquia e a Europa Ocidental é a OTAN e não sei até quando pois me parece claro que existe uma diferença abismal em termos de objetivos e propósitos entre a Túrquia e os restantes membros da Aliança e estão bem visiveis.
Quanto ao Erdogan ser um promotor de valores culturais e da laicidade é uma perspetiva airosa que dás sobre o personagem que eu não consigo enxergar para mim ele e um ditadorzeco latiino-americano não faz muita diferença,mas são opiniões.
« Última modificação: Novembro 04, 2019, 05:35:41 am por zocuni »
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Re: Turquia
« Responder #274 em: Novembro 04, 2019, 03:19:36 pm »
Caro Zocuni,

Tu agarraste no martelo e começaste às marteladas no ar em todas as direcções . Nem sei por onde hei-de pegar mesmo com a maior das boas vontades... porque as boas-vontades não chegam para alguém, como eu, que tem muitas  lacunas em termos de Historia.
Ja agora ajuda-me , tu dizes que :
"Como é sabido a maior economia europeia nunca fez parte do império romano "       De que economia falas ?

e ainda :
"se reunissemos todos os países que compunham tal império a língua mais falada seria o árabe "    (eu pensava que era o latim...)

O Sacro Império Romano Germânico é outro império (ano 962 até 1806). Eu  referia-me ao Império Romano do Ocidente.
Dito isto, já estamos completamente fora de tópico.

Ps desde que te naturalizaste português começaste a abusar um bocadinho do "tu cá, tu la" . Quando ainda eras brasileiro , era "você para aqui...você para ali"   .   Tu és o mesmo Zocuni brasuca que eu conheci neste fórum ha uns anos , não és ? se calhar estou a fazer confusão ; neste caso peço desculpa  c56x1
« Última modificação: Novembro 04, 2019, 03:22:02 pm por legionario »
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Re: Turquia
« Responder #275 em: Novembro 04, 2019, 04:15:30 pm »
Caro Zocuni,

Tu agarraste no martelo e começaste às marteladas no ar em todas as direcções . Nem sei por onde hei-de pegar mesmo com a maior das boas vontades... porque as boas-vontades não chegam para alguém, como eu, que tem muitas  lacunas em termos de Historia.
Ja agora ajuda-me , tu dizes que :
"Como é sabido a maior economia europeia nunca fez parte do império romano "       De que economia falas ?

e ainda :
"se reunissemos todos os países que compunham tal império a língua mais falada seria o árabe "    (eu pensava que era o latim...)

O Sacro Império Romano Germânico é outro império (ano 962 até 1806). Eu  referia-me ao Império Romano do Ocidente.
Dito isto, já estamos completamente fora de tópico.

Ps desde que te naturalizaste português começaste a abusar um bocadinho do "tu cá, tu la" . Quando ainda eras brasileiro , era "você para aqui...você para ali"   .   Tu és o mesmo Zocuni brasuca que eu conheci neste fórum ha uns anos , não és ? se calhar estou a fazer confusão ; neste caso peço desculpa  c56x1

Caro,legionário

Como diria o "jack Estripador" vamos por partes e começo pelo fim pois me diz respeito a nível pessoal e identitário e não gosto de ver pessoas com qualquer tipo de dúvidas.
Sim eu sou português pois quanto me consta nasci na cidade do Porto,na freguesia de Massarelos,prestei SMO como fazia parte ne minha época pois tenho 53 anos,também é verdade que saí de Portugal tem 29 anos e nunca mais retornei ,mas em breve estarei de volta para minha casa.
É também verdade que toda minha família por parte de pai é de origem portuguesa no entanto isso não ocorre por parte materna onde minha mãe sendo brasileira de nascimento é descendente de pai turco (curiosamente nascido em Damasco ainda nos finais do Império Otomano onde meu bisavô era oficial de Cavalaria) e mãe alemã,e pós a queda do Império Otomano meu bisavô foi para a Alemanha e meu avô conheceu minha avó e casaram e dado ao recrudescimento do nazismo na Alemanha pós  1ª Guerra Mundial fugiram para o Brasil.Portanto está aí a história de minha família pelo menos a origem.
Quanto aos aspectos mais históricos em si,pelo que dizes não tens muitos conhecimentos e isso não tem problema alguma também não estás a falar com um doutorado na matéria apenas uma pessoa que gosta do tema e até pela minha diversidade cultural vivida em minha família procurei saber algo mais a título pessoal do tipo cultura algo inútil diriam muitos.
Posto isto.a grande potência económica da Europa é óbvio que é a Alemanha e essa jamais fez parte do império romano tanto que sua origem linguistica é germânica e não latina como é sabido.
Como é sabido o império romano remonta a a.c. e vai até ao ano de 395 d.c e curiosamente é onde com o surgimento do Império Bizantino denominado o império romano do Oriente e o ImpÉrio Sacro Romano-Germânico aparece seis séculos após por medos dos anos de 900 d.c. e denominado de império Romano do Ocidente isso mesmo após os mesmos 6 séculos de seu declínio,contudo o do Oriente vulgo Império Bizantino foi-se consolidando,por sua vez o Império Otomano vai do século XXIII ao Século XX.
Existem questões identitárias entre Império Bizantino e Otomano claro que sim mas são bastante diferentes até pelas geografias envolvidas.Por exemplo as invasões Napoleónicas são claramente para derrubar o Império Sacro Romano-Germânico na sua essência e de certa forma conseguiu.
Sim se vires no mapa do Império Romano em seu auge podes e ver os países envolvidos facilmente constatarás  que a grande maioria são países árabes e por inerência sua língua será o árabe e não o latim que a bem da verdade envolvia apenas a Gália,a Ibéria,a peninsula itálica e Roma evidentemente e a hoje denominada Roménia que na época tinha outro nome salve o erro a Dácia.
Eu não fiquei furioso ,incrédulo ou algo do género só achei excessivo a comparação em que dizes que a UE procura refazer o mapa do Império Romano ,sinceramente não vejo qualquer ponta de analogia.
Que pode eventualmente ser uma expansão do Império Sacro Romano-Germânico fazendo até um exercício imaginativo até poderá ser mas mesmo assim.
Aqui estou tranquilo e nada se passa apenas estou a dar uma cronologia histórica da situação nada além disso,não tem evidentemente nada de pessoal era o que havia de faltar,nada a ver.
agora uma opinião pessoal a UE não visa nada do que já vimos tanto que a via militar nem existe apenas a económica e penso que aí está um dos grandes erros de estratégia e pode comprometer a UE,de tal maneira de acabar em antes de existir de uma forma concreta embora hajam indício que anda por aí.
zocuni
 

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Re: Turquia
« Responder #276 em: Novembro 04, 2019, 04:58:31 pm »
Muito obrigado pela tua explicação caro Zocuni. Realmente tenho que passar algum tempo de volta da Historia da Europa.
Seja como for, a UE caminha para uma organização imperial que desta vez vai englobar os bárbaros germânicos e até pô-los no comando do império. Francamente, ja deixei de me preocupar com isso, se é que alguma vez me preocupei... :G-beer2:


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Re: Turquia
« Responder #277 em: Novembro 04, 2019, 06:42:18 pm »
Muito obrigado pela tua explicação caro Zocuni. Realmente tenho que passar algum tempo de volta da Historia da Europa.
Seja como for, a UE caminha para uma organização imperial que desta vez vai englobar os bárbaros germânicos e até pô-los no comando do império. Francamente, ja deixei de me preocupar com isso, se é que alguma vez me preocupei... :G-beer2:

Legionário.Mas é claro que a UE apenas é assente na via económica e isso na falta do vil metal pode ser a causa de sua implosão.A ideologia havia em seus fundadores hoje em ditam as regras e  são as contas bancárias e saldos comerciais que contam o resto é treta.
Mas o problema e que muita gente não quer ver é esse tirando o plano económico resta muito pouco,ações esporádicas e movidas a fundos a perder de vista mas isso porque há muito.
Eu nada tenho contra a UE apenas acho que isso não esgota nosso país como nação independente ,nosso história dentro da Europa é residual e quase diria que se resume a nossos emigrantes,nossa vocação é Atlântica e global e esse não deixa de ser um dilema.
Somos periféricos na Europa e centrais em termos globais também temos de saber jogar com isso mas só com conversa não iremos lá,claro que nunca mais teremos os meios bélicos de nossa Era gloriosa dos Descobrimentos nem mesmo da Guerra do Ultramar sobretudo em termos humanos,mas nesse domínio o que vemos não fazer é puramente lamentável até porque eu não nasci com complexo de inferioridade em relação a ninguém mas não somos assim tão pobre,pior por vezes passamos uma imagem de indigentes é preciso tomar vergonha na cara.
Eu não quero e/ou pretendo invadir seja lá quem for mas não estou disposto a que passem por cima de nós por dá cá aquela palha.
E como observação podes meter o pau no que quiseres até na Turquia sobretudo nesse retardado do Erdogan mas ele assim como apareceu também desaparece,ele é deprimente se achares que não é tens todo o direito e sim a Turquia na UE nada tem a ver assim como na OTAN está na hora de se retirar,a menos que Erdogan desapareça.
zocuni
 

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Re: Turquia
« Responder #278 em: Agosto 03, 2020, 10:40:24 am »
Erdogan, Santa Sofia e o retorno do Califado

Por aqui, neste cantinho à beira mar plantado, continuamos a ignorar as relações de força, deduzindo que fazendo-o, elas vão acabar por se dissipar. Erro funesto.

Quando Constantinopla caiu para os turcos em 1453, o fim do Império Romano Oriental estava oficialmente consumado. Este império bizantino havia resistido mais mil anos do que o seu primo ocidental, que desapareceu em 410 quando Alarico saqueou Roma. René Grousset – brilhante historiador – conta, nos seus escritos sobre as Cruzadas, que sem a iniciativa militar do papa Urbano II e as consequentes expedições, Constantinopla teria caído muito antes, abrindo assim o caminho à islamização do Velho Continente.

Afortunadamente, para nós, desafortunadamente, para eles, em 1453, a Europa romano-germânica já estava bem mais estruturada e já era bem mais poderosa do que no século XI; assim sendo, o cerco a Viena de 1529 não conseguiu vergar a cidade, que serviu de baluarte a um espaço ocidental que já havia começado a fracturar-se com Lutero, e se fracturaria ainda mais com Calvino.

Os mais desatentos descobriram recentemente que o Estado turco decidiu transformar a Santa Sofia em mesquita, outra vez. Ouvimos o descontentamento de muitos, mas a verdadeira questão é a seguinte: podemos impedir um Estado soberano de fazer o que quer no seu território? Se formos partidários da soberania, no sentido vestefaliano da palavra, a resposta é não. A UNESCO já deplorou a decisão do Estado turco, deixando claro que lamentava que a mesma tivesse sido tomada “sem nenhum tipo de diálogo ou aviso prévio.” É também dito que a Santa Sofia “é uma obra-prima arquitectural e um testemunho único quanto às interacções entre a Europa e a Ásia durante séculos.” Asserção duvidosa, a Santa Sofia é, acima de tudo, um testemunho da genialidade grega e a última vez que verifiquei, os gregos eram europeus.

Esta decisão do governo de Erdogan inscreve-se numa estratégia imperial bem mais lata, que vai da Alemanha à Síria e da Líbia à Etiópia. Analistas pouco cautos disseram que a Turquia interagiu com o Estado Islâmico essencialmente para comprar petróleo a baixo custo. Foi uma das razões, mas não a única. Não ver nessa interacção uma vontade de legitimação do Califado, que,lembremo-nos, foi turco até à sua abolição, demonstra um conhecimento superficial da identidade otomana. Recentemente, o Estado francês retirou-se de uma operação da NATO no Mediterrâneo devido à insolência turca, um movimento que, se seguido por outros, poderá levantar uma questão importante: a Turquia partilha os objectivos dos outros membros da Aliança? A resposta é bem clara: não.

Mas isto só é problemático num pensamento idealista europeu, que vê a Aliança como protectora de determinados valores. A Turquia entrou para a NATO, porque foi vista pelos estrategas norte-americanos como uma mais-valia contra o comunismo. Hoje, continua na NATO, porque é um rival estrutural da Rússia naquela zona do globo, recebendo carte blanche por parte dos americanos, numa estratégia de containment anti-russa. Não obstante, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro – convém relembrar que Bin Laden foi outrora homenageado como um freedom fighter e acabou como um adversário resoluto dos Estados Unidos.

Desenganem-se os crentes que pensam que ao menos Erdogan está a reter as vagas migratórias que deterioram o ambiente altamente tenso em imensos países europeus. O Sultão aceitou o pagamento da U.E., mas mesmo que uma rota abrande, outras continuam bem vivas como denuncia regularmente Salvini – os barcos continuam a ancorar em Itália. Se pensarmos que imensos africanos, e muitíssimos asiáticos, querem vir para a Europa, esta questão vai continuar a dar pano para mangas.

Ainda há quem acredite nas resistências do kemalismo face ao otomanismo de Erdogan, pobres ingénuos. A estrutura kemalista foi instrumentalizada de uma maneira fenomenal para cumprir um projecto que é diametralmente oposto ao de Ataturk. A Anatólia dos nossos dias é a antítese daquela nação que se imaginava ocidentalizada e secularizada, que queria esquecer o seu passado sunita e oriental. O passado pode dormitar, mas mais cedo, ou mais tarde, acaba por ressurgir.

Nesta sexta-feira, dia 24 de Julho, a Santa Sofia volta a ser um reduto religioso maometano. A magnitude desta realidade será avaliada pelos historiadores vindoiros, eu limito-me a constatar o seguinte: há datas, como as no topo deste artigo, que revestem uma importância simbólica grandiosa. Eu pergunto-me se 2020 não será a data que os historiadores do futuro apontarão como o renascimento do Califado. Abolido, de facto, em 1923 com a instauração da República da Turquia, retornado em 2020 com a reapropriação de Santa Sofia.

Enquanto a omnipresente pandemia monopoliza as discussões e as preocupações, a Turquia continua a fazer o que bem lhe apetece, desta feita em águas gregas. Ancara enviou navios de guerra para as imediações de Castellorizo. A aventura turca na Líbia é pensada geopoliticamente como uma operação que limite a influência egípcia em África e a grega no Egeu. Os gregos são mais uma vez humilhados e deixados sós face a um poder turco que cresce diariamente, destronando todos os compromissos passados.

Também no Cáucaso se movem os turcos, esperando um enfraquecimento da Arménia e do Azerbaijão que lhes permita ganhar ainda mais influência na dita área. Não é de descartar que a recente escaramuça entre as duas nações tenha sido amplificada, ou mesmo atiçada, pela estratégia imperial que o expansionismo turco necessita.

Por aqui, neste cantinho à beira mar plantado, continuamos a ignorar as relações de força, deduzindo que fazendo-o, elas vão acabar por se dissipar. Erro funesto e talvez o maior pecado do pensamento em voga – pensar que o poder é uma coisa do passado, próprio de estados autoritários.

Há quem pense que o político é o parlamento, ou o voto, ou ambos. Deveriam ler o Conceito do Político de Carl Schmitt: “Quando um povo teme os incómodos e o risco duma existência política, ele encontra simplesmente outro povo que o descarga desses incómodos assumindo a sua protecção contra os inimigos exteriores e como consequência a soberania política; é então o protector que designa o inimigo em virtude da correlação constante entre protecção e obediência.” Abdicar de jogar o jogo não faz com que ele cesse, simplesmente faz com que sejamos sofredores da História em vez de fazedores.

https://observador.pt/opiniao/erdogan-santa-sofia-e-o-retorno-do-califado/

Análise muito pertinente e incisiva sobre a actual Turquia que tenta desestabilizar todos os seus vizinhos com o objectivo de erguer de novo o califado?
A França abandonar um exercício da NATO no Mediterrâneo por causa da Turquia........
« Última modificação: Agosto 03, 2020, 10:41:45 am por Viajante »
 
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Re: Turquia
« Responder #279 em: Agosto 11, 2020, 03:49:26 pm »
Erdogan, Santa Sofia e o retorno do Califado

Por aqui, neste cantinho à beira mar plantado, continuamos a ignorar as relações de força, deduzindo que fazendo-o, elas vão acabar por se dissipar. Erro funesto.

Quando Constantinopla caiu para os turcos em 1453, o fim do Império Romano Oriental estava oficialmente consumado. Este império bizantino havia resistido mais mil anos do que o seu primo ocidental, que desapareceu em 410 quando Alarico saqueou Roma. René Grousset – brilhante historiador – conta, nos seus escritos sobre as Cruzadas, que sem a iniciativa militar do papa Urbano II e as consequentes expedições, Constantinopla teria caído muito antes, abrindo assim o caminho à islamização do Velho Continente.

Afortunadamente, para nós, desafortunadamente, para eles, em 1453, a Europa romano-germânica já estava bem mais estruturada e já era bem mais poderosa do que no século XI; assim sendo, o cerco a Viena de 1529 não conseguiu vergar a cidade, que serviu de baluarte a um espaço ocidental que já havia começado a fracturar-se com Lutero, e se fracturaria ainda mais com Calvino.

Os mais desatentos descobriram recentemente que o Estado turco decidiu transformar a Santa Sofia em mesquita, outra vez. Ouvimos o descontentamento de muitos, mas a verdadeira questão é a seguinte: podemos impedir um Estado soberano de fazer o que quer no seu território? Se formos partidários da soberania, no sentido vestefaliano da palavra, a resposta é não. A UNESCO já deplorou a decisão do Estado turco, deixando claro que lamentava que a mesma tivesse sido tomada “sem nenhum tipo de diálogo ou aviso prévio.” É também dito que a Santa Sofia “é uma obra-prima arquitectural e um testemunho único quanto às interacções entre a Europa e a Ásia durante séculos.” Asserção duvidosa, a Santa Sofia é, acima de tudo, um testemunho da genialidade grega e a última vez que verifiquei, os gregos eram europeus.

Esta decisão do governo de Erdogan inscreve-se numa estratégia imperial bem mais lata, que vai da Alemanha à Síria e da Líbia à Etiópia. Analistas pouco cautos disseram que a Turquia interagiu com o Estado Islâmico essencialmente para comprar petróleo a baixo custo. Foi uma das razões, mas não a única. Não ver nessa interacção uma vontade de legitimação do Califado, que,lembremo-nos, foi turco até à sua abolição, demonstra um conhecimento superficial da identidade otomana. Recentemente, o Estado francês retirou-se de uma operação da NATO no Mediterrâneo devido à insolência turca, um movimento que, se seguido por outros, poderá levantar uma questão importante: a Turquia partilha os objectivos dos outros membros da Aliança? A resposta é bem clara: não.

Mas isto só é problemático num pensamento idealista europeu, que vê a Aliança como protectora de determinados valores. A Turquia entrou para a NATO, porque foi vista pelos estrategas norte-americanos como uma mais-valia contra o comunismo. Hoje, continua na NATO, porque é um rival estrutural da Rússia naquela zona do globo, recebendo carte blanche por parte dos americanos, numa estratégia de containment anti-russa. Não obstante, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro – convém relembrar que Bin Laden foi outrora homenageado como um freedom fighter e acabou como um adversário resoluto dos Estados Unidos.

Desenganem-se os crentes que pensam que ao menos Erdogan está a reter as vagas migratórias que deterioram o ambiente altamente tenso em imensos países europeus. O Sultão aceitou o pagamento da U.E., mas mesmo que uma rota abrande, outras continuam bem vivas como denuncia regularmente Salvini – os barcos continuam a ancorar em Itália. Se pensarmos que imensos africanos, e muitíssimos asiáticos, querem vir para a Europa, esta questão vai continuar a dar pano para mangas.

Ainda há quem acredite nas resistências do kemalismo face ao otomanismo de Erdogan, pobres ingénuos. A estrutura kemalista foi instrumentalizada de uma maneira fenomenal para cumprir um projecto que é diametralmente oposto ao de Ataturk. A Anatólia dos nossos dias é a antítese daquela nação que se imaginava ocidentalizada e secularizada, que queria esquecer o seu passado sunita e oriental. O passado pode dormitar, mas mais cedo, ou mais tarde, acaba por ressurgir.

Nesta sexta-feira, dia 24 de Julho, a Santa Sofia volta a ser um reduto religioso maometano. A magnitude desta realidade será avaliada pelos historiadores vindoiros, eu limito-me a constatar o seguinte: há datas, como as no topo deste artigo, que revestem uma importância simbólica grandiosa. Eu pergunto-me se 2020 não será a data que os historiadores do futuro apontarão como o renascimento do Califado. Abolido, de facto, em 1923 com a instauração da República da Turquia, retornado em 2020 com a reapropriação de Santa Sofia.

Enquanto a omnipresente pandemia monopoliza as discussões e as preocupações, a Turquia continua a fazer o que bem lhe apetece, desta feita em águas gregas. Ancara enviou navios de guerra para as imediações de Castellorizo. A aventura turca na Líbia é pensada geopoliticamente como uma operação que limite a influência egípcia em África e a grega no Egeu. Os gregos são mais uma vez humilhados e deixados sós face a um poder turco que cresce diariamente, destronando todos os compromissos passados.

Também no Cáucaso se movem os turcos, esperando um enfraquecimento da Arménia e do Azerbaijão que lhes permita ganhar ainda mais influência na dita área. Não é de descartar que a recente escaramuça entre as duas nações tenha sido amplificada, ou mesmo atiçada, pela estratégia imperial que o expansionismo turco necessita.

Por aqui, neste cantinho à beira mar plantado, continuamos a ignorar as relações de força, deduzindo que fazendo-o, elas vão acabar por se dissipar. Erro funesto e talvez o maior pecado do pensamento em voga – pensar que o poder é uma coisa do passado, próprio de estados autoritários.

Há quem pense que o político é o parlamento, ou o voto, ou ambos. Deveriam ler o Conceito do Político de Carl Schmitt: “Quando um povo teme os incómodos e o risco duma existência política, ele encontra simplesmente outro povo que o descarga desses incómodos assumindo a sua protecção contra os inimigos exteriores e como consequência a soberania política; é então o protector que designa o inimigo em virtude da correlação constante entre protecção e obediência.” Abdicar de jogar o jogo não faz com que ele cesse, simplesmente faz com que sejamos sofredores da História em vez de fazedores.

https://observador.pt/opiniao/erdogan-santa-sofia-e-o-retorno-do-califado/

Análise muito pertinente e incisiva sobre a actual Turquia que tenta desestabilizar todos os seus vizinhos com o objectivo de erguer de novo o califado?
A França abandonar um exercício da NATO no Mediterrâneo por causa da Turquia........

É estranho que este "geopolitólogo" cometa tantos erros básicos na sua análise. Mas tendo em conta que acha que Grousset foi um brilhante historiador, começo a perceber a análise.
Para quem não sabe Grousset foi um historiador francês que analisava tudo pelo prisma da superioridade do colonialismo francês e do cristianismo. Daí que veja as Crusadas como a primeira vaga da missão civilizadora da França.
O que autor se esquece, por exemplo, é que as Crusadas ajudaram a enfranquecer o Império Bizantino, tendo inclusivé ocupado e saqueado Constantinopla. Não é por mero acasi que ainda hoje os cristãos ortodoxos dos Balcãs vêem com maus olhos as Crusadas. Daí que a ideia de que estas tenham atrasado o avanço do Islão pela Europa é no mínimo discutível. Por exemplo, já antes o avanço do Islão tinha sido interrompido em Poitiers sem as Crusadas. Em Viena, o estado da Europa romano-germânica era ainda caótico, com centenas de pequenos estados em constante conflicto interno. Aliás foram os constantes conflictos internos nos estados dos Balcãs que permitiram o avanço dos Otomanos até Viena. Por exemplo, a rivalidade pelo trono hungaro que procedeu o cerco de Vienna levou a que metade da Hungria jurasse fidelidade à Austria e a outra a um candidato que jurou vassalagem aos Otomanos.
Factos que o "geopolitólogo" parece não conhecer para fazer uma análise tão básica.

Depois o autor fala da questão da autoria da Hagia Sophia. Os criadores da Hagia Sophia não se consideravam gregos (por muito que a Grécia se tente apoderar dessa autoria), mas sim romanos (Rhōmaîoi). Apesar da língua franca em grande parte do Império Romano do Oriente ser o grego, não quer dizer que estes se considerassem gregos, uma vez que dentro do Império do Oriente existiam vários povos e as zonas mais ricas se encontravam na parte asiática. Logo a Hagia Sophia não é de todo um testemunho da genialidade GREGA, mas sim romana no sentido de o Império ter muitas etnias e ter sido construída numa altura em que a Grécia constituía uma pequena fracção do Império Romano do Oriente.

Depois a questão da estratégia turca não se enquadrar na da NATO. Ora a estratégia da NATO é defensiva por natureza e não impõe aos países limitações no prosseguimento de estratégias nacionais. A França segue uma estratégia diferente dos interesses da Itália na Líbia, e até mesmo dos EUA ao apoiar um candidato apoiado pelos russos. E por acaso o autor acha que a França não deve fazer parte da Aliança? No entanto, a Turquia por tentar, tal como muitos outros actores, impôr a sua posição relativamente aos recursos energéticos no Mediterrâneo do Leste, está a ameaçar a Europa?

O autor, um suposto realista no sentido geopolítico, mas cuja análise tem muito pouco do realismo estratégico que defende, não faz uma análise em factos no terreno e dos tratados existentes, mas sim numa suposta segunda vaga de islamização da Europa. Por acaso não saberá que grande parte das ZEEs do Mediterrâneo Oriental não estão demarcadas. Que a Turquia não faz parte da UNCLOS e portanto não reconhece boa parte da ZEE da Grécia, que devido a ilhotas como Kastellorizo reclama uma ZEE que come grande parte duma possível ZEE turca?
E em relação ao Caucaso, não sabe o autor que a Turquia tem uma aliança com o Azerbeijão de defesa mútua desde 2010? Não sabe o autor que a Arménia é um estado vassalo russo e que tem tropas russas estacionadas no seu território?
Prefere antes falar de Califados e visões imperiais otomanas. Mas esquece-se que egipcíos e gregos fazem regularmente exercícios navais conjuntos, que a Rússia tem bases a norte, sul e leste do seu território. Sim, muitos destes problemas resultam de erros estratégicos turcos, mas uma boa parte da actuação do governo turco pode ser explicada facilmente com três pontos sem usar termos cliché como neo-otomanismo e Califado:
1. corrida por recursos energéticos.
2. posição geoestratégica terrível (completamente rodeado por inimigos).
3. sobrevivência política interna.
A questão da Hagia Sophia é o resultado da necessidade de assegurar o ponto 3. Erdogan prometeu durante muito tempo a reconversão da Hagia Sophia em mesquita. Nunca o fez antes, porque não precisava em termos de política interna. Agora que o seu poder interno começou a ser questionado devido a problemas económicos internos e começou a perder eleições nas grandes cidades, tirou esta carta da manga para galvanizar o eleitorado.

Depois achei engraçado falar em relações de força. Talvez no jogo de estratégia que o menino brinca em casa consiga conquistar o mundo com Portugal, mas tendo em conta as restrições de forças do nosso país, Portugal joga bem acima da sua liga em questões de geopolítica. Aqui ao lado em Espanha ainda há pouco se perguntavam como é que Portugal conseguia sempre tanta vitória diplomática. Conhecer as nossas fraquezas e forças e saber fazer as coisas sem grande alarido não é o mesmo que não fazer nada. Pena que o "geopolitólogo" não perceba muito da coisa.

https://elpais.com/internacional/2017/12/05/actualidad/1512470577_339531.html
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Re: Turquia
« Responder #280 em: Agosto 11, 2020, 09:07:06 pm »
1.   corrida por recursos energéticos.
Então mas nesse caso todos os países tentam defender os seus interesses. Mas está certamente a par das violações do espaço aéreo Grego pela Turquia, certo?

2.   posição geoestratégica terrível (completamente rodeado por inimigos).
Eu neste item vou utilizar o seu argumento. Então se a Turquia está completamente rodeada de inimigos (árabes, Israelitas, Cristãos ortodoxos….. acha que é a Turquia quem tem razão ou os outros todos?
3. sobrevivência política interna.
A questão da Hagia Sophia é o resultado da necessidade de assegurar o ponto 3. Erdogan prometeu durante muito tempo a reconversão da Hagia Sophia em mesquita. Nunca o fez antes, porque não precisava em termos de política interna. Agora que o seu poder interno começou a ser questionado devido a problemas económicos internos e começou a perder eleições nas grandes cidades, tirou esta carta da manga para galvanizar o eleitorado.
Essa também é a minha opinião, a maior agressividade actual Turca é apenas uma questão de sobrevivência do regime actual, que recordo, esteve a minutos que caír, com a prisão de Erdogan que escapou por escassos minutos!!!!

Depois achei engraçado falar em relações de força. Talvez no jogo de estratégia que o menino brinca em casa consiga conquistar o mundo com Portugal, mas tendo em conta as restrições de forças do nosso país, Portugal joga bem acima da sua liga em questões de geopolítica. Aqui ao lado em Espanha ainda há pouco se perguntavam como é que Portugal conseguia sempre tanta vitória diplomática. Conhecer as nossas fraquezas e forças e saber fazer as coisas sem grande alarido não é o mesmo que não fazer nada. Pena que o "geopolitólogo" não perceba muito da coisa.
https://elpais.com/internacional/2017/12/05/actualidad/1512470577_339531.html

Em relação a este ponto, sem dúvida que a nossa diplomacia está de parabéns, tenho a certeza de que trabalharam bem.
Mas depois desses pontos altos, tenho poucas dúvidas de que foram escolhidos portugueses para liderar essas instituições internacionais, não foi por causa da nossa poderosa diplomacia, mas sim porque não fazemos mal a uma mosca! Não temos atritos nem anticorpos com praticamente ninguém à face da terra, nem somos uma ameaça a ninguém e por esse motivo somos aceites para liderar as instituições internacionais, não tanto pela excepcional competência pessoal de políticos que até abandonaram os seus cargos, mas sim porque os “tubarões” convivem perfeitamente com os “cavalos marinhos” do calibre de Guterres, Durão Barroso, Centeno…….
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Re: Turquia
« Responder #281 em: Agosto 12, 2020, 12:25:17 pm »
1.   corrida por recursos energéticos.
Então mas nesse caso todos os países tentam defender os seus interesses. Mas está certamente a par das violações do espaço aéreo Grego pela Turquia, certo?

2.   posição geoestratégica terrível (completamente rodeado por inimigos).
Eu neste item vou utilizar o seu argumento. Então se a Turquia está completamente rodeada de inimigos (árabes, Israelitas, Cristãos ortodoxos….. acha que é a Turquia quem tem razão ou os outros todos?
3. sobrevivência política interna.
A questão da Hagia Sophia é o resultado da necessidade de assegurar o ponto 3. Erdogan prometeu durante muito tempo a reconversão da Hagia Sophia em mesquita. Nunca o fez antes, porque não precisava em termos de política interna. Agora que o seu poder interno começou a ser questionado devido a problemas económicos internos e começou a perder eleições nas grandes cidades, tirou esta carta da manga para galvanizar o eleitorado.
Essa também é a minha opinião, a maior agressividade actual Turca é apenas uma questão de sobrevivência do regime actual, que recordo, esteve a minutos que caír, com a prisão de Erdogan que escapou por escassos minutos!!!!

Depois achei engraçado falar em relações de força. Talvez no jogo de estratégia que o menino brinca em casa consiga conquistar o mundo com Portugal, mas tendo em conta as restrições de forças do nosso país, Portugal joga bem acima da sua liga em questões de geopolítica. Aqui ao lado em Espanha ainda há pouco se perguntavam como é que Portugal conseguia sempre tanta vitória diplomática. Conhecer as nossas fraquezas e forças e saber fazer as coisas sem grande alarido não é o mesmo que não fazer nada. Pena que o "geopolitólogo" não perceba muito da coisa.
https://elpais.com/internacional/2017/12/05/actualidad/1512470577_339531.html

Em relação a este ponto, sem dúvida que a nossa diplomacia está de parabéns, tenho a certeza de que trabalharam bem.
Mas depois desses pontos altos, tenho poucas dúvidas de que foram escolhidos portugueses para liderar essas instituições internacionais, não foi por causa da nossa poderosa diplomacia, mas sim porque não fazemos mal a uma mosca! Não temos atritos nem anticorpos com praticamente ninguém à face da terra, nem somos uma ameaça a ninguém e por esse motivo somos aceites para liderar as instituições internacionais, não tanto pela excepcional competência pessoal de políticos que até abandonaram os seus cargos, mas sim porque os “tubarões” convivem perfeitamente com os “cavalos marinhos” do calibre de Guterres, Durão Barroso, Centeno…….

1. As fronteiras entre a Turquia e a Grécia estão mal definidas. Existem ilhotas disputadas pelos dois países. Estes casos de "violação do espaço aéreo" estão na maior parte das vezes relacionados com isso.
https://greece.greekreporter.com/2015/07/17/turkish-fighter-jets-violate-greek-airspace-again/

2. Não é uma questão de ter razão. É uma questão de defesa dos seus interesses. As fronteiras entre ZEEs entre uma boa parte dos países no Mediterrâneo Oriental não estão definidas. Os turcos estão a tentar não ser excluídos do bolo dos recursos energéticos e por isso querem que a Grécia também ceda nas suas pretensões. Ora a Grécia acaba de delimitar com os Egipcios fronteiras marítimas que vão contra a pretensão turca, isto depois dos turcos terem acordado parar as pesquisas em zonas contestadas, de forma a negociarem fronteiras comuns. E se os egipcios não tivessem recusado negociar relativamente a Kastellorizo os gregos tinham literalmente enfiado uma faca nas costas dos turcos. Por isso aqui não há cá vítimas.



Agora que a Turquia tem cometido erros estratégicos constantes, isso tem.

3. Temo que não tivesse havido prisão. Os comandos que foram enviados tinham a missão de o eliminar.

Achar que tudo se deve a mera vontade dos outros é um erro. Portugal luta pelos seus interesses com as armas que tem. Ter um português como Secretário Geral da ONU numa fase em que temos pretensões de alargamento da ZEE, não é um acaso e não se deve a favor de ninguém. As caras de pouco importam quando o objectivo está bem delineado.
 
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Re: Turquia
« Responder #282 em: Agosto 14, 2020, 04:21:37 pm »
1.   corrida por recursos energéticos.
Então mas nesse caso todos os países tentam defender os seus interesses. Mas está certamente a par das violações do espaço aéreo Grego pela Turquia, certo?

2.   posição geoestratégica terrível (completamente rodeado por inimigos).
Eu neste item vou utilizar o seu argumento. Então se a Turquia está completamente rodeada de inimigos (árabes, Israelitas, Cristãos ortodoxos….. acha que é a Turquia quem tem razão ou os outros todos?
3. sobrevivência política interna.
A questão da Hagia Sophia é o resultado da necessidade de assegurar o ponto 3. Erdogan prometeu durante muito tempo a reconversão da Hagia Sophia em mesquita. Nunca o fez antes, porque não precisava em termos de política interna. Agora que o seu poder interno começou a ser questionado devido a problemas económicos internos e começou a perder eleições nas grandes cidades, tirou esta carta da manga para galvanizar o eleitorado.
Essa também é a minha opinião, a maior agressividade actual Turca é apenas uma questão de sobrevivência do regime actual, que recordo, esteve a minutos que caír, com a prisão de Erdogan que escapou por escassos minutos!!!!

Depois achei engraçado falar em relações de força. Talvez no jogo de estratégia que o menino brinca em casa consiga conquistar o mundo com Portugal, mas tendo em conta as restrições de forças do nosso país, Portugal joga bem acima da sua liga em questões de geopolítica. Aqui ao lado em Espanha ainda há pouco se perguntavam como é que Portugal conseguia sempre tanta vitória diplomática. Conhecer as nossas fraquezas e forças e saber fazer as coisas sem grande alarido não é o mesmo que não fazer nada. Pena que o "geopolitólogo" não perceba muito da coisa.
https://elpais.com/internacional/2017/12/05/actualidad/1512470577_339531.html

Em relação a este ponto, sem dúvida que a nossa diplomacia está de parabéns, tenho a certeza de que trabalharam bem.
Mas depois desses pontos altos, tenho poucas dúvidas de que foram escolhidos portugueses para liderar essas instituições internacionais, não foi por causa da nossa poderosa diplomacia, mas sim porque não fazemos mal a uma mosca! Não temos atritos nem anticorpos com praticamente ninguém à face da terra, nem somos uma ameaça a ninguém e por esse motivo somos aceites para liderar as instituições internacionais, não tanto pela excepcional competência pessoal de políticos que até abandonaram os seus cargos, mas sim porque os “tubarões” convivem perfeitamente com os “cavalos marinhos” do calibre de Guterres, Durão Barroso, Centeno…….

1. As fronteiras entre a Turquia e a Grécia estão mal definidas. Existem ilhotas disputadas pelos dois países. Estes casos de "violação do espaço aéreo" estão na maior parte das vezes relacionados com isso.
https://greece.greekreporter.com/2015/07/17/turkish-fighter-jets-violate-greek-airspace-again/

2. Não é uma questão de ter razão. É uma questão de defesa dos seus interesses. As fronteiras entre ZEEs entre uma boa parte dos países no Mediterrâneo Oriental não estão definidas. Os turcos estão a tentar não ser excluídos do bolo dos recursos energéticos e por isso querem que a Grécia também ceda nas suas pretensões. Ora a Grécia acaba de delimitar com os Egipcios fronteiras marítimas que vão contra a pretensão turca, isto depois dos turcos terem acordado parar as pesquisas em zonas contestadas, de forma a negociarem fronteiras comuns. E se os egipcios não tivessem recusado negociar relativamente a Kastellorizo os gregos tinham literalmente enfiado uma faca nas costas dos turcos. Por isso aqui não há cá vítimas.



Agora que a Turquia tem cometido erros estratégicos constantes, isso tem.

3. Temo que não tivesse havido prisão. Os comandos que foram enviados tinham a missão de o eliminar.

Achar que tudo se deve a mera vontade dos outros é um erro. Portugal luta pelos seus interesses com as armas que tem. Ter um português como Secretário Geral da ONU numa fase em que temos pretensões de alargamento da ZEE, não é um acaso e não se deve a favor de ninguém. As caras de pouco importam quando o objectivo está bem delineado.

Bem sei que os Gregos não são santos nenhuns, então para fazerem contas e enganarem Bruxelas.... são uns ases (com a ajuda de uns certos bancos americanos que parece que já nos esquecemos que orquestraram uma crise que nos colocou a pão e água à 12 anos atrás), mas também assistimos à chantagem Turca para sacar vários milhares de milhões de euros à UE:
https://www.publico.pt/2018/03/14/mundo/noticia/bruxelas-pede-mais-3-mil-milhoes-de-euros-para-o-programa-de-apoio-aos-refugiados-sirios-na-turquia-1806601

E também estamos todos recordados do gesto caridoso da Turquia ao enviar os refugiados contra as fronteiras Gregas: https://observador.pt/2020/03/10/migracoes-turquia-espera-ter-acordo-com-a-ue-ate-26-de-marco/
 
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Re: Turquia
« Responder #283 em: Agosto 14, 2020, 09:43:53 pm »
 

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Re: Turquia
« Responder #284 em: Agosto 17, 2020, 12:16:34 pm »
1.   corrida por recursos energéticos.
Então mas nesse caso todos os países tentam defender os seus interesses. Mas está certamente a par das violações do espaço aéreo Grego pela Turquia, certo?

2.   posição geoestratégica terrível (completamente rodeado por inimigos).
Eu neste item vou utilizar o seu argumento. Então se a Turquia está completamente rodeada de inimigos (árabes, Israelitas, Cristãos ortodoxos….. acha que é a Turquia quem tem razão ou os outros todos?
3. sobrevivência política interna.
A questão da Hagia Sophia é o resultado da necessidade de assegurar o ponto 3. Erdogan prometeu durante muito tempo a reconversão da Hagia Sophia em mesquita. Nunca o fez antes, porque não precisava em termos de política interna. Agora que o seu poder interno começou a ser questionado devido a problemas económicos internos e começou a perder eleições nas grandes cidades, tirou esta carta da manga para galvanizar o eleitorado.
Essa também é a minha opinião, a maior agressividade actual Turca é apenas uma questão de sobrevivência do regime actual, que recordo, esteve a minutos que caír, com a prisão de Erdogan que escapou por escassos minutos!!!!

Depois achei engraçado falar em relações de força. Talvez no jogo de estratégia que o menino brinca em casa consiga conquistar o mundo com Portugal, mas tendo em conta as restrições de forças do nosso país, Portugal joga bem acima da sua liga em questões de geopolítica. Aqui ao lado em Espanha ainda há pouco se perguntavam como é que Portugal conseguia sempre tanta vitória diplomática. Conhecer as nossas fraquezas e forças e saber fazer as coisas sem grande alarido não é o mesmo que não fazer nada. Pena que o "geopolitólogo" não perceba muito da coisa.
https://elpais.com/internacional/2017/12/05/actualidad/1512470577_339531.html

Em relação a este ponto, sem dúvida que a nossa diplomacia está de parabéns, tenho a certeza de que trabalharam bem.
Mas depois desses pontos altos, tenho poucas dúvidas de que foram escolhidos portugueses para liderar essas instituições internacionais, não foi por causa da nossa poderosa diplomacia, mas sim porque não fazemos mal a uma mosca! Não temos atritos nem anticorpos com praticamente ninguém à face da terra, nem somos uma ameaça a ninguém e por esse motivo somos aceites para liderar as instituições internacionais, não tanto pela excepcional competência pessoal de políticos que até abandonaram os seus cargos, mas sim porque os “tubarões” convivem perfeitamente com os “cavalos marinhos” do calibre de Guterres, Durão Barroso, Centeno…….

1. As fronteiras entre a Turquia e a Grécia estão mal definidas. Existem ilhotas disputadas pelos dois países. Estes casos de "violação do espaço aéreo" estão na maior parte das vezes relacionados com isso.
https://greece.greekreporter.com/2015/07/17/turkish-fighter-jets-violate-greek-airspace-again/

2. Não é uma questão de ter razão. É uma questão de defesa dos seus interesses. As fronteiras entre ZEEs entre uma boa parte dos países no Mediterrâneo Oriental não estão definidas. Os turcos estão a tentar não ser excluídos do bolo dos recursos energéticos e por isso querem que a Grécia também ceda nas suas pretensões. Ora a Grécia acaba de delimitar com os Egipcios fronteiras marítimas que vão contra a pretensão turca, isto depois dos turcos terem acordado parar as pesquisas em zonas contestadas, de forma a negociarem fronteiras comuns. E se os egipcios não tivessem recusado negociar relativamente a Kastellorizo os gregos tinham literalmente enfiado uma faca nas costas dos turcos. Por isso aqui não há cá vítimas.



Agora que a Turquia tem cometido erros estratégicos constantes, isso tem.

3. Temo que não tivesse havido prisão. Os comandos que foram enviados tinham a missão de o eliminar.

Achar que tudo se deve a mera vontade dos outros é um erro. Portugal luta pelos seus interesses com as armas que tem. Ter um português como Secretário Geral da ONU numa fase em que temos pretensões de alargamento da ZEE, não é um acaso e não se deve a favor de ninguém. As caras de pouco importam quando o objectivo está bem delineado.

Bem sei que os Gregos não são santos nenhuns, então para fazerem contas e enganarem Bruxelas.... são uns ases (com a ajuda de uns certos bancos americanos que parece que já nos esquecemos que orquestraram uma crise que nos colocou a pão e água à 12 anos atrás), mas também assistimos à chantagem Turca para sacar vários milhares de milhões de euros à UE:
https://www.publico.pt/2018/03/14/mundo/noticia/bruxelas-pede-mais-3-mil-milhoes-de-euros-para-o-programa-de-apoio-aos-refugiados-sirios-na-turquia-1806601

E também estamos todos recordados do gesto caridoso da Turquia ao enviar os refugiados contra as fronteiras Gregas: https://observador.pt/2020/03/10/migracoes-turquia-espera-ter-acordo-com-a-ue-ate-26-de-marco/

Está a confundir as táticas sujas do Erdogan com a estratégia turca. Isto que está a acontecer aconteceria independentemente do líder. A estratégia da "Mavi Vatan" foi criada por militares nacionalistas de esquerda seculares. As questões relativamente às ZEE turca estão fundamentadas em leis internacionais e antecendentes como a questão da ZEE das ilhas de Guernsey e Jersey junto à costa francesa. O grande problema é que se os gregos cedem, de repente a Turquia apodera-se de metade do seu território marítimo.
Depois temos múltiplos intervenientes a acicatar a situação. Temos os alemães a fingirem serem intermediadores neutros (quando a empresa de gás alemã ZMB detém 40% da empresa de gás turca responsável pela exploração nas zonas contestadas). Temos os franceses como "defensores dos gregos" (quando a Total tem acordos de exploração de gás com a Grécia e Chipre). Temos os americanos a oferecer a ajuda aos cipriotas na exploração de gás. Temos os israelitas e egípcios com um acordo com os gregos e cipriotas para construir um gasoduto que atravessa águas contestadas. Temos os russos a acicatar uma conflicto entre a Grécia e a Turquia com esperança de puxar a Turquia para a sua órbita, ao mesmo tempo que apoia inimigos árabes da Turquia.

E depois a Grécia também tem pretensões territoriais na Turquia. A Megali Idea continua fresca na cabeça de muito grego.

https://warontherocks.com/2020/06/blue-homeland-the-heated-politics-behind-turkeys-new-maritime-strategy/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Meg%C3%A1li_Idea
 
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