Cerco e Conquista de Lisboa aos Mouros

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Cerco e Conquista de Lisboa aos Mouros
« em: Junho 19, 2007, 10:19:34 am »
Cerco e Conquista de Lisboa aos Mouros

A primeira tentativa de conquista da cidade por D. Afonso Henriques deu-se em 1142. Esta tentativa saiu gorada e nova oportunidade só surgiu a 16 de Junho de 1147 quando uma frota de 160 navios, transportando 12 a 13 mil cruzados, atracou no Porto. O Bispo apresentou-lhes um convite para auxiliarem o monarca na conquista de Lisboa. Foram acordadas as condições e, a 28 de Junho a frota de alemães, ingleses, normandos e galeses, entre outros, pôs cerco à cidade, tendo-se-lhes juntado D. Afonso Henriques com cerca de 5 mil homens.

O cerco de Lisboa dependia fortemente da presença dos cruzados pela própria constituição do exército Português da época (semelhante de resto aos restantes exércitos medievais). Este era composto por uma elite de cavaleiros provenientes da nobreza e pelos seus vassalos que combatiam como infantaria e que não eram soldados profissionais. Uma vez que um cerco exigia combates apeados no interior de cidades e longos períodos de espera, a cavalaria servia apenas para contrariar contra-ataques fora das muralhas, tendo os cavaleiros que desmontar para combater nas fortificações e ruas estreitas de Lisboa e sendo a infantaria mal treinada de pouco valor militar. Por isso, a adição à hoste de um grande número de soldados profissionais, capazes de combater montados ou não, e imbuídos de um espírito de cruzada contra o Islão, era fortemente aplaudida.

Após o desembarque, ocorreram escaramuças e a cidade foi intimada a render-se. Foram então conquistadas as zonas ocidental e oriental (actual Baixa) fora da muralha, tendo sido encontradas na última, grandes reservas de alimentos. Os quinze dias seguintes foram de expectativa tendo ocorrido alguns encontros dos quais resultaram baixas para ambos os lados. Seguiu-se a tentativa de construção de engenhos de cerco. Alemães e ingleses construíram duas torres de assalto e os flamengos construíram cinco catapultas. Os ataques lançados foram infrutíferos, resultando deles a destruição de alguns dos engenhos.

O período seguinte foi de espera até que, no final de Agosto, foi capturado um batel no qual alguns Mouros iam pedir auxílio ao alcaide de Évora, declarando que na cidade se passava fome. Preparou-se então novo ataque com a construção de uma mina sob as muralhas, bem como nova torre.

Entretanto os cruzados realizaram um ataque a Sintra e outro a Almada, matando centenas de pessoas e expondo às muralhas algumas cabeças espetadas em lanças. A torre acabou por ter um uso limitado, não conseguindo o assalto ao castelo e a mina escavada fez cair parte da muralha a 17 de Outubro, mas a brecha foi fortemente defendida. Devido à fome, a cidade rendeu-se a 21 de Outubro
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André

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« Responder #1 em: Setembro 15, 2007, 02:13:33 am »
Para completar este tópico deixo duas imagens.




Rendição dos Muçulmanos a D.Afonso Henriques.
« Última modificação: Novembro 17, 2007, 07:17:41 pm por André »

 

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HELLAS

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« Responder #2 em: Setembro 17, 2007, 06:53:36 pm »
Da mesma forma que o resto dos reinos hispanicos, é una honra que o Reino de Portugal lutara ate vencer e fizera fronte como historicamente sempre fizeram.
 

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HELLAS

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« Responder #3 em: Setembro 18, 2007, 06:04:32 pm »
Ontem lei que o reino Asturleones, foi ate lisboa para lutar contra o invasor mouro. Pemso que una boa nota para perceber que naquelos tempos existia una conscença da hispania uniforme. Alem tambem existiram batalhas contra os mouros em Viseu, Guimaraes ou Porto. isso diz o libro.
 

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PereiraMarques

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« Responder #4 em: Setembro 18, 2007, 10:16:18 pm »
Muito obrigado pela ajuda, não queremos é estrangeiros a mandar no nosso país, se os restantes povos penínsulares quiserem estar unidos (ou não) tudo bem, não nos envolver nas vossas questões ibéricas/espanholas.

Vão chatear Andorra c34x
 

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papatango

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« Responder #5 em: Setembro 19, 2007, 01:45:15 am »
Citar
Ontem lei que o reino Asturleones, foi ate lisboa para lutar contra o invasor mouro. Pemso que una boa nota para perceber que naquelos tempos existia una conscença da hispania uniforme. Alem tambem existiram batalhas contra os mouros em Viseu, Guimaraes ou Porto. isso diz o libro.


Hellas: O reino Astur-Leonês representava em parte a reconstrução da nobreza visigótica germânica. Por isso a ideia de que havia uma Hispania uniforme não existia. O que poderia haver era a intenção da nobreza visigótica em recuperar o poder que tinha sobre os vários povos da peninsula que haviam escravizado.

É claro que para a nobreza de origem germânica era conveniente haver uma uniformidade que justificasse o seu dominio sobre diferentes povos (os povos peninsulares, ou Hispanicos se quiser).

Mas uma coisa é o que pensavam os herdeiros dos Visigodos e outra coisa muito diferente era a realidade no terreno, que sempre foi constituida por povos diferentes, que nunca se entenderam e que sempre tiveram interesses diferentes.

Os Visigodos foram derrotados em 711, não porque os muçulmanos fossem muitos, mas porque além de dividida por uma guerra civil entre pretendentes germanicos ao trono de um país que eles tinham inventado, a monarquia visigótica era vista pelo povo como tirânica.

Os vários povos da peninsula, entre os visigodos que os tratavam como escravos e os muçulmanos que apareciam com uma religião muito mais equalitária, pura e simplesmente abandonaram a monarquia visigótica à sua sorte.

Ninguém lutou pelos visigodos, porque o reino visigodo só existia para as elites germânicas que exploravam os vários povos peninsulares.

Posteriormete, muitos reis se declararam "Imperator" das Hispanias, com o objectivo de reclamar o direito que os visigodos tinham estabelecido com as suas leis. O que os monarcas pretendiam, mais uma vez não era governar nenhuma nação Hispanica unificada, que todos sabiam nunca ter existido, mas sim justificar o seu direito a serem senhores dos vários povos da peninsula.

Por isso se declaram imperadores e não reis. Quando um monarca se declara Imperador, ele está a reconhecer que quer governar vários países diferentes, onde cada um pode até ter o seu próprio rei.

Como sabemos, os imperadores acabaram acabando. Nem sequer havia condições para haver um Império, porque as várias nações peninsulares eram muito diferentes, como aliás os próprios romanos tinham entendido ao separar a peninsula em várias províncias.

Não houve nunca uma nação Hispanica, a não ser na cabeça de imperadores que queriam extender o seu poder.

Eu não tenho nenhum problema em afirmar que existia uma Hispania, sim, pelo menos até 1714.

Mas essa Hispania nunca foi uma nação e nunca teve consciência de o ser por uma razão simples: É habitada por povos diferentes.

A ainda bem que é assim.

Nessa Hispânia, que já Camões dizia que "com nações diferentes se engrandece", os Portugueses limitaram-se a cumprir a tradição.

Só temos que esperar, que os outros povos sigam o mesmo caminho, porque se a tal Hispania se engrandece com nações diferentes, inevitavelmente definhará se insistir em ser apenas uma.

Cumprimentos
 

Re: Cerco e Conquista de Lisboa aos Mouros
« Responder #6 em: Setembro 17, 2010, 06:19:29 pm »
Só uma coisa.... a torre não teve um uso limitado, como se costuma pensar. A torre era para ser usada perto de onde a muralha ruíu devido às minas, mas quem a empurrava/puxava moveu o aparelho em volta a uma torre que "saía" da muralha e deixou-a afastada das muralhas. Durante uma noite e resto da manhã do dia seguinte, a torre foi defendida por cerca de 200 cruzados dos violentos ataques dos mouros, provenientes da porta alí perto. No dia seguinte, a ponte da torre foi baixada sobre a muralha e os soldados cristãos saltaram para lá. Os mouros daquela secção renderam-se imediatamente!
Houve depois um dia de tréguas (24 Outubro) em que as duas forças não se atacariam e apenas no dia 25, El-Rei D. Afonso entrou com os seus soldados em Lisboa.

Mas sim, a fome também teve um papel decisivo na vitória portuguesa. :)
 

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João Vaz

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Re: Cerco e Conquista de Lisboa aos Mouros
« Responder #7 em: Setembro 21, 2010, 05:43:48 pm »
Sobre isto:



Vejam-se dois estudos recentes:


- Pedro Gomes Barbosa, Conquista de Lisboa, 1147: a Cidade Reconquistada aos Mouros, Lisboa: Tribuna da História, 2004.


- José da Felicidade Alves, Conquista de Lisboa aos Mouros (2.ª ed.) Lisboa: Livros Horizonte, 2004.
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

 

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