Absolutamente de acordo! Já fui a favor da aquisição do F-35 mas agora, pelos motivos que indicas, considero essa opção insustentável.
ALém de que nada nos garante que, em termos técnicos, não aparece qualquer dia um sistema qualquer capaz de apanhar caças furtivos tão bem como os outros (actualmente já podem ser rastreados mas é mais complicado fixar o alvo, muitas vezes)
Se surgir um sistema capaz de detectar e obter soluções de tiro contra caças furtivos com eficácia, essa capacidade também se vai fazer sentir contra caças 4.5G.
A grande diferença, é que um caça furtivo continua a ter vantagens face aos sistemas de detecção radar já conhecidos.
Simplificando, um caça 4.5G é susceptível a ameaças convencionais como defesas AA e combate BVR, um 5G é quase "imune" a ambas.
Ao surgir uma nova tecnologia capaz de detectar e abater um caça 5G, o 5G ganha uma nova ameaça. No entanto o 4.5G também ganha esta nova ameaça. Ou seja, existiria 1 ameaça para o 5G vs 3 ameaças para o 4.5G.
Ou seja, o 5G continua a levar larga vantagem.
Agora, se a opção F-35 é insustentável, que outra opção é que seria sustentável?
Sabendo que os eurocanards custam o mesmo e apresentam limitações sérias. Sabendo que os 6G ainda vão demorar. Sabendo que mesmo um eurocanard em segunda-mão seria caro e provavelmente precisaria de modernização, e ficando a FAP dependente da disponibilidade dos Governos investirem ainda mais no 6G já na década de 40.
Qual é que é a alternativa?
Porque é que o Kaan e KF-21 supostamente mais baratos estão automaticamente excluídos, mas eurocanards obsoletos e caros não estão?
Eu vejo 4 grandes opções, alternativas a uma compra imediata de F-35:
-aguentar por 3/4 anos os F-16 e ver o que se sucede na geopolítica mundial, para tomar uma decisão;
-tomar uma decisão já, comprando F-16 usados e/ou modernizando os nossos, para manter a aviação de caça, e entrar de imediato num programa 6G, para garantir participação industrial e entregas o mais cedo possível;
-comprar uma solução boa, mas não ideal, com KF-21 ou Kaan, com envolvimentos industrial, oferecendo à FAP um meio termo entre os 4.5G e os 5G;
-comprar eurocanards em segunda-mão, e entrar no programa 6G - opção muito mais cara e de alto risco, com total dependência da "bondade" de futuros governos (pior solução para a realidade portuguesa, devido aos riscos de nenhum governo querer pagar os 6G).
Com estas 4, organizadas de melhor/mais exequível para pior/menos exequível, não é preciso inventar com aviões 4.5G novos.
A tua análise sobre furtividade vs. futuras tecnologias de detecção está certíssima. Qualquer avanço que torne um 5ª geração mais vulnerável torna um 4.5G ainda mais vulnerável, porque estes já são detectáveis e engajáveis hoje por múltiplas ameaças. A furtividade não é um “escudo mágico”, mas reduz drasticamente a ameaça, e isso continua a ser verdade mesmo que surjam novos sensores.
Mas o ponto central aqui é outro: se o F‑35 é “insustentável”, então qual é a alternativa realista?
E é aqui que o argumento anti‑F‑35 normalmente colapsa, porque não existe uma opção que seja simultaneamente:
- mais barata
- mais capaz
- mais soberana
- mais integrada na NATO
- mais sustentável a 30 anos
…do que o F‑35.
Os eurocanards não são alternativa “sustentável”. São mais caros na aquisição e operação, têm menor integração NATO, e estão no fim da linha evolutiva.
E como disseste bem, comprar usados implica:
- modernização cara
- dependência de governos estrangeiros
- risco de ficarmos presos a uma plataforma que morre antes de 2050
Ou seja, não resolvem nada, apenas adiam o problema.
2KF‑21 e Kaan não são opções maduras
Não é uma questão de “excluir automaticamente”. É uma questão de risco tecnológico e operacional:
- não estão certificados
- não têm IOC real
- não têm integração NATO
- não têm histórico de fiabilidade
- não têm cadeia logística estabelecida
- não têm armamento ocidental totalmente integrado
- não têm garantias de preço ou prazos
Portugal não pode ser "cliente beta" de um caça que ainda não existe operacionalmente. Entrar já num programa 6ª geração é fantasia
FCAS e GCAP são:
- programas de 300–400 mil milhões
- com entrada mínima de vários milhares de milhões
- com prazos de entrega pós‑2045
- com risco político gigantesco. E se a França ou Alemanha fiquem sob um regime de extrema-direita alinhado com Moscovo?
- com incerteza tecnológica enorme
Portugal não tem escala industrial, nem orçamento, nem massa crítica para entrar como parceiro pleno.
No máximo seria “cliente tardio”, como no Eurofighter.
As tuas quatro opções são sensatas, mas têm limites
Opção 1 Agarrar os F‑16 por 3–4 anos
É razoável.
Mas não resolve o problema estrutural: os F‑16 acabam em 2030–2032. E esperar não torna as alternativas melhores, só mais caras.
Opção 2 Comprar F‑16 usados e entrar num programa 6G
F‑16 usados são caros, escassos e exigem modernização. E entrar num programa 6G parece irrealista para Portugal.
É uma solução temporária que custa quase tanto como uma definitiva.
Opção 3 KF‑21 ou Kaan
Boa no papel, má na prática.
Portugal não pode apostar o futuro da FAP num caça sem certificação, sem integração NATO e sem histórico.
Opção 4 Eurocanards usados + 6G
A pior de todas.
Caro, arriscado, dependente de política externa e com horizonte de vida curto.
Então qual é a alternativa realista ao F‑35? Se formos honestos, só existem duas:
Comprar F‑35 mais tarde (2030–2032)
— a opção mais lógica
— evita decisões precipitadas
— mantém a FAP alinhada com a NATO
— garante disponibilidade industrial
— apanha o Block 4 já maduro
— evita pagar o pico de inflação atual
Comprar F‑16 usados como “ponte” e depois F‑35
— mais caro no ciclo de vida
— mas operacionalmente seguro
— e sem riscos tecnológicos
Tudo o resto é wishful thinking. O debate só faz sentido se for honesto:
não existe hoje nenhuma alternativa mais sustentável, mais madura, mais integrada e mais futura do que o F‑35.
A única discussão válida é quando comprar, não "se" comprar. E nisso concordo contigo:
esperar 3–4 anos é sensato.
Mas no fim desse período, a resposta continuará a ser a mesma, porque o mercado não vai magicamente produzir um caça europeu barato, capaz, maduro e pronto para entrega antes de 2040.
No entanto, temos que ser realistas. O orçamento não é ilimitado. As razões políticas e geo-estratégicas não podem ser "varridas debaixo do tapete".
Se aplicarmos a tua lógica de que "o F-35 é melhor e só devemos comprar o caça melhor, porque não fazê-lo põe os pilotos em risco" a todos os caças que Portugal já operou, faz sentido?
No caso dos F-16 havia opções melhores, mais eficazes e mais caras. Será que a compra F-16 foi má e não prestou? Segunda a tua lógica, sim foi a decisão errada...
No caso dos A-7 foi uma péssima escolha; havia muito melhor e mais adequados às nossas necessidades. De acordo neste caso. Mas fez-se a compra por razões de...?
No caso dos Fiat G-91? Havia melhor. Mas o regime comprou-os na mesma. Porquê? Por razões políticas, embargo, preço, disponibilidade, etc.
No caso dos F-86? Havia melhor. Mas vieram como ajuda militar. Claro que o regime aceitou.
F-84? O mesmo.
etc..
Há muitos factores a ter em conta: políticos, orçamento, capacidade real de operar um caça, soberania e não dependência de terceiros, etc. Toda a tecnologia torna-se obsoleta com o tempo. Este processo acelera cada vez mais.
Termos o melhor caça do mundo (hoje) de nada serve se estão parados por falta: de peças, de update, de dinheiro, de cooperação e boa vontade dos nossos "aliados".