«Invasões francesas aceleraram independência do Brasil»

  • 6 Respostas
  • 4760 Visualizações
*

Lancero

  • Investigador
  • *****
  • 4125
  • Recebeu: 29 vez(es)
  • +61/-0
«Invasões francesas aceleraram independência do Brasil»
« em: Novembro 20, 2006, 03:15:37 pm »
Citar
Portugal:Invasões francesas aceleraram independência do Brasil - Historiador

Porto, 20 Nov (Lusa) - O bloqueio de Napoleão Bonaparte à Grã- Bretanha, decretado a 21 de Novembro de 1806, "afectou profundamente Portugal", isolando-o da Europa, e acelerou a independência do Brasil, disse hoje à Lusa Jorge Martins Ribeiro, da Universidade do Porto.

   As consequências "profundas" das invasões francesas na História de Portugal vão ser abordadas por historiadores portugueses de renome, no Auditório do Museu Nacional de Soares dos Reis, terça- feira, data em que se completam duzentos anos do bloqueio ordenado por Napoleão

   Especialistas nacionais naquele período histórico vão fazer um ponto da situação dos trabalhos de investigação sobre aquele conturbado período da história de Portugal.

   Além da Universidade do Porto, organizadora do evento, estarão presentes investigadores das universidades de Coimbra, Madeira e Lisboa, assim como Abel Rodrigues, do Arquivo Distrital de Braga, e o general Carlos Azeredo, que vai dissertar sobre "O Reino de Portugal e o Bloqueio Napoleónico".

   A iniciativa ocorre no dia em que se cumprem 200 anos da assinatura por Napoleão, em Berlim, do decreto que declarava as ilhas britânicas em estado de bloqueio e proibia as trocas comerciais e de correspondência com aquele país.

   "Este acto, que viria a afectar profundamente Portugal e a sua história, ao isolar o país do resto da Europa, está na origem da Guerra Peninsular, que causou as três invasões francesas em território português, em 1807, 1808 e 1810", disse Jorge Martins Ribeiro.

   Aquele especialista considera que o estudo das circunstâncias que envolvem a Guerra Peninsular é de "primordial importância" pela série de consequências que desencadeou, conduzindo à derrota da França, ao aprofundamento da decadência de Portugal e à consolidação da hegemonia inglesa na Europa e no mundo.

   Ao eliminar a monarquia de Carlos IV de Bourbon na Europa, Napoleão abriu as portas que conduziram à independência da América espanhola (que teve importante apoio da Grã-Bretanha).

   O mesmo ocorreu com a saída de D. João VI para o Brasil, que viria a criar condições para a independência daquele país, cujos portos, até então, apenas podiam receber navios nacionais e comerciar com a metrópole, como acontecia com as colónias de outros países.

   O primeiro acto de D. João VI (então ainda Príncipe-Regente) ao chegar ao Brasil foi assinar o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, oferecendo aos britânicos, com tarifas alfandegárias privilegiadas, um mercado em três continentes, o que permitiu a hegemonia britânica nas relações comerciais entre ambos os países.

   Por outro lado, a permanência da corte portuguesa no Brasil (1807-1821) agravou a crise institucional nacional e fortaleceu as ideias liberais, conduzindo à Revolução do Porto (1820) e forçando o regresso do rei a Portugal, em 1821.

   A subsequente tentativa de recolonização do Brasil acabou por levar, em 1822, à independência deste país, onde entretanto tinha florescido uma burguesia alimentada pelo comércio internacional.

   Enquanto as potências europeias continuaram a desenvolver o seu comércio e indústria, Portugal, recém-saído das provações das invasões francesas e debilitado pela perda do Brasil, viria pouco depois a mergulhar numa longa guerra civil (1828-1834), atrasando significativamente o seu desenvolvimento face às restantes nações europeias.

   Na origem desta guerra está a crise de sucessão ao trono que se seguiu à morte de D. João VI, também ela uma sequela, embora indirecta, do Decreto de Berlim assinado por Napoleão Bonaparte a 21 de Novembro de 1806, que abriu caminho às Invasões Francesas.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

*

Get_It

  • Investigador
  • *****
  • 1849
  • Recebeu: 264 vez(es)
  • Enviou: 453 vez(es)
  • +15/-1
(sem assunto)
« Responder #1 em: Novembro 20, 2006, 04:07:44 pm »
Fogo, é preciso ser historiador para se conseguir chegar a essa conclusão?
Isto está mesmo mal.

Cumprimentos,
:snip: :snip: :Tanque:
 

*

pedro

  • Investigador
  • *****
  • 1436
  • +1/-0
(sem assunto)
« Responder #2 em: Novembro 20, 2006, 04:35:10 pm »
Realmente que grande noticia e a noticia do seculo.
Cumprimentos
 

*

Viriato - chefe lusitano

  • Membro
  • *
  • 140
  • +0/-0
(sem assunto)
« Responder #3 em: Novembro 20, 2006, 04:40:32 pm »
O mundo como está hoje (para o bem e para o mal) só foi possivel com o contributo muito importante desta grande nação que é PORTUGAL......
"Viriato, ao Pretor romano Caio Vetílio lhe degolou 4000 soldados; a Caio Lucitor matou 6000; a Caio Plaucio matou Viriato mais de 4000 e prendeu 2000 soldados, Pretor Cláudio Unimano lhe deu batalha e de todo foi destruído por Viriato da Lusitânia..."
 

*

pedro

  • Investigador
  • *****
  • 1436
  • +1/-0
(sem assunto)
« Responder #4 em: Novembro 20, 2006, 04:41:55 pm »
Isso e verdade mas parece que o mundo se esqueceu disso.
Cumprimentos
 

*

ricardonunes

  • Investigador
  • *****
  • 3572
  • Recebeu: 39 vez(es)
  • Enviou: 1 vez(es)
  • +12/-5
(sem assunto)
« Responder #5 em: Novembro 20, 2006, 04:54:54 pm »
Citação de: "Get_It"
Fogo, é preciso ser historiador para se conseguir chegar a essa conclusão?
Isto está mesmo mal.

Cumprimentos,


Não é só preciso ser-se historiador, é preciso ser-se historiador e ter uma legião de assistentes, organizar umas conferências nuns locais catitas, onde se convida mais uns quantos historiadores, e a sua legião de assistentes, para debater estes factos. Entretanto entre conferencias de luxo e reuniões para se descutir o que se já sabia, as faculdades entram em banca rota.
Potius mori quam foedari
 

*

Spectral

  • Investigador
  • *****
  • 1437
  • +4/-0
(sem assunto)
« Responder #6 em: Novembro 21, 2006, 07:13:45 pm »
Claro que o jornalista também ajudou à festa, escolhendo precisamente a afirmação mais óbvia possível  ;)
I hope that you accept Nature as It is - absurd.

R.P. Feynman