De volta à escassez: Rússia procura controlo de preços dos alimentos ao estilo soviéticoPor Francisco Laranjeira
O Kremlin está a preparar-se para reintroduzir controlos rígidos de preços em produtos alimentícios básicos, num esforço para conter a inflação alimentada por más colheitas e pelos altos gastos em tempos de guerra, indicou a publicação ‘The Moscow Times’
O Ministério da Agricultura da Rússia enviou um pedido de feedback às maiores associações industriais do país sobre as propostas de emendas à lei de regulamentação do comércio estatal.
As autoridades russas estão considerando duas opções:
– a partir de 2026, pelo menos 80% das vendas de alimentos serão realizadas através de contratos diretos de longo prazo, com preços fixos, que podem ser ajustados apenas uma vez por ano. A rescisão antecipada desses contratos fora do tribunal será proibida.
– o Governo estabeleceria limites mínimos e máximos de preços — o chamado corredor de preços — para 80% dos produtos alimentícios.
As medidas propostas afetariam produtos como batatas, cenouras, repolho, beterrabas, tomates, cebolas, leite, ovos, açúcar, maçãs, pepinos e óleo de girassol.
A Rússia atravessa, atualmente, picos recordes de preços: em maio último, o preço das batatas mais do que duplicou, enquanto o custo dos vegetais no tradicional “borscht” – feita a partir da beterraba – aumentou de 57 para 87% face ao ano anterior.
No entanto, os produtores e redes de retalho têm rejeitado o plano do Kremlin, garantindo que é inviável fixar preços no atacado com um ano de antecedência nas condições atuais: alertaram mesmo que uma regulamentação agressiva pode tornar a produção não lucrativa e forçar o fecho de empresas.
As mudanças propostas entrarão em vigor a 1 de março de 2026. Se a primeira opção for adotada, a participação das vendas sob contratos de longo prazo aumentará gradualmente — para 85% em 2027 e 90% até 2028.
https://executivedigest.sapo.pt/noticias/de-volta-a-escassez-russia-procura-controlo-de-precos-dos-alimentos-ao-estilo-sovietico/