Expansão portuguesa

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #45 em: Fevereiro 18, 2020, 09:35:14 am »
O fabuloso tesouro português com 500 anos que o Brasil deseja
14.02.2020 07:55 por Sara Capelo

São 14 folhas num papel de trapo, com fibras resistentes em linho. Na frente e verso de cada uma delas, Pero Vaz de Caminha fez um relato "rigoroso" em tinta ferrogálica do que encontrou no Novo Mundo



A porta da caixa-forte tem cerca de 50 centímetros de espessura. No seu interior estão algumas preciosidades. Uma delas está numa capilha, em cartolina alcalina, para proteger este que é um dos tesouros nacionais da Torre do Tombo e um Registo de Memória do Mundo da Unesco. São 14 folhas num papel de trapo, com fibras resistentes em linho. Na frente e verso de cada uma dessas folhas, está o registo, em tinta ferrogálica, da descoberta do Novo Mundo, feito a 1 de maio de 1500 por Pero Vaz de Caminha. 

Esta Carta de Pero Vaz de Caminha foi agora identificada à SÁBADO pelo Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram) como "um objeto de desejo" brasileiro. Caso o país decida avançar para um pedido de restituição histórica, disse fonte oficial deste organismo, esta é um exemplo de bem desejado. Todavia, a discussão sobre a restituição de bens culturais ainda é "embrionária" no Brasil (também o é em Portugal, como revelou a SÁBADO em exclusivo na edição desta semana). Não existe um "grupo institucionalizado" para a pensar, nem "consensos acerca de pedidos formais de repatriação", continuou o Ibram, num email.

Até hoje, repetem à SÁBADO tanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), nenhum "tem registo" nesse sentido. De nenhum país.

"Há muita gente no Brasil envolvida no património índio e africano que deve ficar pasmada com este pedido", refere Francisco Bethencourt, antigo diretor da Biblioteca Nacional. "Este pedido é típico de um país com independência declarada pelos brancos, que queriam autonomia, nomeadamente para perpetuar o tráfico de escravos e a escravatura, mas não pretendiam qualquer rutura com o sistema social colonial. A referência que lhes ocorre, ao nível institucional, é a carta do navegador português que reportou as primeiras impressões da costa e dos nativos ao rei português", explica à SÁBADO por email o agora professor no King's College.

O debate centrado em África
Francisco Bethencourt considera que "este tipo de discussão sobre a carta de Pero Vaz de Caminha não podia ser mais deslocada" isto porque "o debate da devolução que se desenvolve na Europa tem a ver com pedidos concretos de países africanos que reclamam objetos considerados importantes para a reconstituição do passado das culturas locais." O especialista centra, portanto, geograficamente o debate em África: no caso português, "os pedidos têm que ser feitos pelos países independentes interessados, seguidos de constituição de comissões de inventariação e identificação de objetos que se enquadrem no proposto atrás descrito." 

Caso o Brasil avançasse com este pedido (e já listámos acima os muitos senãos), dificilmente seria atendido, acrescenta o historiador José Manuel Garcia.
"A carta é um documento português, que sempre foi português e nunca deixou de ser português. Enquanto que há coisas gregas do Partenon que foram para Londres indevidamente. Aquela carta sempre foi portuguesa. Ela não pode ser repatriada porque nunca deixou de estar em Portugal desde o momento em que o Pero Vaz de Caminha a enviou."

Este especialista na época da expansão portuguesa aponta uma solução: "Seria um gesto muito simpático cedê-la ao Brasil. Mas para Portugal é uma marca dos seus Descobrimentos. Tirando empréstimos eventualmente prolongados, a doação da carta parece-me muito difícil de aceitar, porque é património nacional, da Unesco."

Um tesouro "fabuloso"
A Carta de Pero Vaz de Caminha, como ficou conhecida, raramente sai da Torre do Tombo. E mesmo ali, os investigadores que queiram estudá-la têm que primeiro fazer um pedido de consulta e esperar que este seja autorizado. E a consulta só é possível em horário restrito.

Quando a teve nas suas mãos (obrigatoriamente protegidas por luvas), o historiador José Manuel Garcia sentiu "o peso da história": "Pensar que há mais de 500 anos [o documento] estava no Brasil. Eu já o conhecia, por o ter estudado, mas a sensação de que o documento foi escrito num ambiente virgem, de descoberta: a ideia de que eu estava a descobrir um documento em que se descobriu o Brasil teve um significado emocional", relata este especialista em Descobrimentos à SÁBADO.
Pero Vaz de Caminha, natural do Porto, partiu com Pedro Álvares Cabral em direção à Índia como escrivão. A sua missão era "relatar oficialmente o que se passava" a D. Manuel. As 28 páginas que enviou ao rei acabaram por se revelar "um documento fabuloso": "Ele era um escrivão muito bom e que ultrapassou a sua função normal, porque teve uma inspiração literária e um registo fotográfico do que aconteceu." Quase como um jornalista? Sim, confirma José Manuel Garcia. "Historiadores e jornalistas disseram que era um autêntico repórter, que aproveitou a oportunidade."

A capacidade e a riqueza descritiva de Pero Vaz de Caminha, que tinha então 50 anos, são em si já motivo suficiente para este ser um tesouro nacional. "Tem um rigor muito maior do que aquele com que os italianos escreviam. O Américo Vespúcio, que deu o nome à América, também descreveu viagens ao Brasil a seguir ao Pedro Álvares Cabral. Tinha muita imaginação e erros. E o Pedro Vaz de Caminha não deu erros e não mentiu. O Américo é mais fantasioso e falso", continua o historiador.

Há outras razões: antes de mais, a carta na Torre do Tombo é "100% original". É conhecido outro relato, de um anónimo, que escreveu um diário da viagem até às Terras de Vera Cruz. Mas "só se conhece uma tradução italiana, não existe versão portuguesa."

Depois, é pormenorizada, muito rigorosa. Na Torre do Tombo há outra carta original, de um cirugião, o mestre João, que também fez a viagem. "Mas é de duas páginas, pequenina, com apontamento científico e técnico da viagem. Tem um apontamento do desenho do Cruzeiro do Sul (que é um conjunto de estrelas). É engraçada a ilustração, mas é um documento técnico", continua José Manuel Garcia.

Humidade, temperatura, exposição
Depois de guardada cuidadosamente por D. Manuel, José Manuel Garcia aponta para 1817 como o ano da primeira notícia da existência da carta, quando foi publicada num livro, no Brasil.

E a Carta só regressaria a esse Mundo Novo em 2000, para uma exposição que celebrava precisamente o que relata: "o achamento" deste território. Fora essa exposição, só há registo de outra saída da Torre do Tombo, em 2016, para ser exposta em Belmonte, a terra natal do navegador que levou a armada até ao Brasil, Pedro Álvares Cabral.

A sala de 30 metros quadrados, na Torre de Menagem de Belmonte que a recebeu, foi alvo de obras para garantir uma temperatura entre os 18ºC e os 22ºC e com níveis de humidade entre os 45% e os 55%. As janelas foram anuladas, para controlar "em absoluto" as condições do ar, escreveu na época o Diário de Notícias.

A vitrina onde a Carta esteve exporta era monitorizada em permanência para evitar alguma desregulação que danificasse o documento. Passados seis meses, regressou à capilha alcalina na caixa-forte do Tombo.

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/o-fabuloso-tesouro-portugues-com-500-anos-que-o-brasil-deseja
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #46 em: Maio 03, 2020, 04:14:29 pm »

Os relatos dos japoneses ao primeiro contacto com europeus.
Sim, Portugueses.
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Re: Expansão portuguesa
« Responder #47 em: Maio 10, 2020, 06:20:01 pm »


Na imagem, representação das Armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves feita em 1822, homenageando Dom João VI no cadeiral da Capela de São Jorge no Castelo de Windsor.

O projecto perdido: O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

A constituição de um Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, se arquitectado nos moldes da tradição portuguesa ultramarina de integração de povos e territórios, não deixou, ao mesmo tempo, de revelar uma particular originalidade da geopolítica portuguesa, para o qual o contributo do rei D. João VI se revelou excepcional.
Contudo, um projecto ferido de incerteza, pois ali polarizavam-se dois poderes, um centrado em Lisboa e outro no Rio de Janeiro. No final, uma ambição perdida nas intempéries da revolução.

Desde a permanência da Família Real no Brasil e da elevação deste a reino que se digladiavam perspectivas e projectos opostos.
No efervescer dos novos tempos confrontavam-se o Portugal Antigo, na manutenção dos privilégios históricos, e, por outro lado, as ideias que pela Europa despertavam sentimentos eufóricos, a revolução trazia para o direito e para o Estado novas concepções, o princípio da nacionalidade esperançava os povos e alertava a América, na oposição ao princípio da legitimidade, com o qual o Congresso de Viena fez bandeira.

Na confusão em que agiam as Cortes em Lisboa antecipava-se o pior.
De um lado os deputados brasileiros que almejavam salvaguardar a unidade e, acima de tudo, desejando ser recebidos em pé de igualdade com os deputados da metrópole; e, na oposição, os deputados da metrópole, apenas vociferando agressividade contra estes.

Não só por incompetência ou inércia das Cortes, ali concorriam também factores internacionais, com a França e a Inglaterra a conspirar influências e manobras nas Américas.
D.João VI adverte o filho, Pedro: " tempo é já de se pôr termo às funestas discórdias que tem desunido os dous reinos de Portugal e Brasil" e por isso "espero que concorras da tua parte para que se restabeleçam prontamente (as relações) dos Portugueses de ambos os hemisférios".

Nem a advertência do monarca (verdadeiro artífice político e diplomata hábil), nem o projecto de derradeira afirmação jurídica e política desenhada por Antonio d'Oliva de Sousa Sequeira, nem a eloquência de Luís Paulino d'Oliveira Pinto da França, nem o bloco patriótico dos brasileiros que acreditavam na União dos dois Reinos, conseguem parar a marcha dos eventos, que por detrás teve a manobra de agentes britânicos.
No fundo a independência do Brasil arquitectou-se nos bastidores da diplomacia internacional, uma manobra diplomática montada pelas potências, com a Inglaterra à cabeceira.

Aqueles que se posicionavam quer em sentido oposto aos independentistas mais extremos, quer contra os detractores que queriam voltar a um status quo ante e à restituição de antigos privilégios, sem entender as novas exigências da política nacional (não havia como voltar ao mundo anterior a 1807), viram as suas expectativas frustradas.

Mas não devemos relativizar o feito. Como as próprias Cortes constataram havia algo de particular que distinguia o Brasil das restantes possessões ultramarinas. Desde logo porque um príncipe de Portugal proclamara a sua independência, apoiado e suportado por um escol educado em Portugal e uma população de matriz portuguesa. Nos termos mais contemporâneos diríamos que os colonizadores proclamavam a ruptura com a metrópole. Violação das leis fundamentais do reino, uma manobra das potências europeias na manipulação do direito internacional? Poder-se-ia argumentar.
O certo é que consumada ficou a ruptura e um novo Estado nasceu. Para Portugal apenas antecipou a crise e, com a morte de D. João VI, ficava aberto caminho para a disputa e para a guerra civil.

Face a estes eventos determinou-se também que os restantes domínios ultramarinos deveriam permanecer intocáveis, sendo que o Brasil deixaria de ter direitos sobre estes uma vez rompida a União com Portugal.

Perdia-se também o sonho de um grande projecto Atlântico da união dos reino do Brasil e de Portugal.

Daniel Sousa


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Re: Expansão portuguesa
« Responder #48 em: Julho 05, 2020, 12:49:43 am »


Em meados do século XVIII, o Estado Português da Índia passa por um processo de reorganização que termina com uma expansão territorial significativa a que se dá o nome de Novas Conquistas, aproveitando o clima de guerra entre as potências europeias e asiáticas, como o reforço e aumento territorial da Companhia Britânica das Índias Orientais.

Até ao fim do mesmo século, os portugueses conseguiram, por via militar e diplomática, quadruplicar as províncias do Salsete, Ilhas e Bardez com a incorporação de sete novos concelhos: Quepém, Pondá, Perném, Canácona, Bicholim, Satari e Sangué, dando uma maior dimensão continental ao Estado da Índia, embora o contraste entre as regiões das Velhas Conquistas e das Novas Conquistas logo se fizessem notar em termos de lógica e organização local, sendo os últimos mais afastados do poder central, criando uma zona-tampão de maioria hindu.

Entretanto, a cidade de Goa (capital do Estado da Índia) ía perdendo população desde o século XVII devido a epidemias, o que incentivou o então Vice-rei, Manuel de Saldanha de Albuquerque e Castro, a mudar-se para perto da aldeia de Taleigão (local que se tornou na Vila de Pangim) em 1759, transformando a antiga fortaleza do Idalcão em palácio, tornando esta de facto no novo centro da Índia Portuguesa, embora oficialmente Goa Velha (nome com o qual ficou conhecido o antigo centro administrativo) se mantivesse como capital até 1843, passando a nova capital a ser conhecida como Nova Goa.

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #49 em: Julho 21, 2020, 12:35:29 am »



Outro mito que importa destruir.

O mito da soberania portuguesa limitada à costa africana é tão velho como a Conferência de Berlim (1884-85), aquele encontro pelo qual alguns estados europeus dividiram entre si a régua e esquadro o continente negro.
Portugal sobreviveu a essa barganha, não porque se pudesse opor militarmente a britânicos, franceses, alemães e belgas, mas porque estava em África desde o século XV e também era, como sempre lembramos, uma nação africana governada por filhos da terra - isto é, naturais negros e mestiços. Repete-se ad nauseam que os portugueses não estavam no hinterland e que para além de uma ou outra povoação costeira, os únicos portugueses que se encontravam internados nas vastas e "desconhecidas" regiões do interior eram pombeiros, caçadores e aventureiros.
Assim, para quantos acreditam nessa lenda intencionalmente criada por outros europeus, Portugal reclamava "direitos históricos" privados de substância, ou seja, de presença efectiva e povoamento.

Qualquer criança que tenha perante si um mapa onde se inscrevam os monumentos existentes em Angola pode, sem quaisquer dificuldades, verificar que assim não é. Para lá de Luanda, de São Salvador do Congo, de Benguela e do Lobito, bem longe da costa, no norte, no centro e centro-sul de Angola, subsistem, bem conservados uns, em ruínas outros, vestígios de uma presença militar, religiosa e económica que recuam ao século XVII, tal como Caconda, situada a 300 km da costa, no fim do sertão de Bengela, onde se inicia o Planalto Central.
Em Caconda floresceu um posto comercial de grande pujança a partir de 1604, assim como uma comunidade cristianizada que em inícios do século XIX contaria com cerca de 15.000 habitantes, governados pela elite local negra e mestiça.

O que pareceu, sim, inadmissível aos europeus reunidos em Berlim era o facto de Portugal estar bem implantado em África, não com tropa branca entrincheirada em fortes, mas pelo facto de os portugueses que dominavam aquelas extensas regiões do interior - tão distantes que de Caconda a Benguela se exigiam sete ou oito dias de viagem - eram negros e mestiços portugueses, nomeados pela Coroa Portuguesa, falando e escrevendo português e professando a religião católica. Para os portugueses, não havia, nem "feitiço africano", nem a "África misteriosa".

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #50 em: Julho 24, 2020, 11:47:28 pm »


Um Retrato Autêntico de Jorge Cabral, 15.º Governador da Índia Portuguesa, entre 1549 e 1550.
Museu Arqueológico de Goa, India.
Jorge Cabral era filho de João Fernandes Cabral, Senhor de Azurara, com Joana de Castro.
Era sobrinho de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.
Sua esposa, Lucrécia Fialho, foi a primeira esposa de um governador da Índia a morar no país.
Combateu por muitos anos os turcos na Índia, antes de tornar-se Governador, por ocasião da morte de Garcia de Sá.
Durante seu governo os Portugueses derrotaram o poderoso exército de 140,000 homens do Samorin e do "Rei da Pimenta" Raja Bardela, consolidando a soberania Portuguesa em Goa e em Malabar.

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #51 em: Agosto 07, 2020, 07:30:22 pm »
Martim Afonso de Sousa, o português que ajudou a estruturar o Brasil



Martim Afonso de Sousa nasceu em Vila Viçosa, por volta do ano de 1500. Oriundo de família nobre, foi amigo de infância de D. João III. Na sua juventude, estudaria matemática, cosmografia e navegação. Com a morte do Rei D. Manuel I, em 1521, é enviado para Castela com a missão de acompanhar Dona Leonor, viúva do falecido Rei, que retornava à sua terra natal.

Em terras espanholas, acompanha Carlos V nas lutas contra a França e casa-se com Dona Ana Pimentel, fidalga oriunda de uma família de grande prestígio. Em 1525 torna a Portugal, acompanhando a infanta espanhola Dona Catarina, irmã de Carlos V, que iria casar-se com Dom João III.

Em 1530, o rei Dom João III organiza uma expedição com o intuito de colonizar as terras brasileiras, entregando o comando da mesma a Martim Afonso de Sousa.

No dia 3 de dezembro de 1530, partia de Lisboa a nau capitânia com Martim Afonso e o seu irmão Pero Lopes de Sousa, o galeão São Vicente, a caravela Rosa e a caravela Princesa, com uma tripulação conjunta de cerca de quatrocentas pessoas, na sua maioria navegadores, padres e soldados.

A missão principal de Martim Afonso de Sousa era instalar no Brasil a administração portuguesa, colocando os marcos indicativos de posse, doando as terras e definindo quem as administraria. Já no Brasil, mais concretamente na costa pernambucana, combateria os franceses que contrabandeavam pau-brasil, tomando-lhes os navios, que seriam incorporados na esquadra portuguesa.

Seguindo para o sul, chegaria ao Rio de Janeiro no dia 30 de abril de 1531. No dia 20 de janeiro de 1532, Martim Afonso de Sousa manda instalar o primeiro marco real da colonização na capitania de São Vicente, onde é construído um forte e, com a preciosa ajuda de João Ramalho, português casado com uma índia, fixa a primeira povoação permanente. Lá, iniciou a cultura da cana-de-açúcar e ordenou a instalação do engenho dos Erasmos, que ajudou na crescente prosperidade da região.

Aos poucos, Martim Afonso de Sousa ia cumprindo a importante missão para a qual fora destacado, instituindo o domínio português no Brasil. Em outubro de 1532, D. João III decide dividir o território em 14 capitanias hereditárias, doadas a 12 donatários. Martim Afonso de Sousa recebe São Vicente, posteriormente denominada Vila de São Paulo e seu irmão Pedro Lopes de Sousa é agraciado com Sant’Ana.

Retornando a Portugal em 1533, Martim Afonso de Sousa é, apenas quatro meses depois, nomeado Capitão-Mor do mar das Índias, sendo-lhe confiada uma armada de cinco naus, ficando assim encarregue de proteger as possessões portuguesas no Oriente.

Logo ao chegar, prestaria ajuda militar ao sultão de Cambaia, em troca da construção de uma fortaleza portuguesa em Diu. Derrotaria ainda o Marajá de Calecute e combateria os corsários que saqueavam as embarcações portuguesas na região. Seria nomeado em 1542, por Dom João III, “governador das partes das Índias”, o equivalente ao mais comummente falado Vice-Rei da Índia, posto onde permaneceria até o ano de 1545.

Retornado a Portugal, Martim Afonso de Sousa tornar-se-ia Conselheiro de Estado, acabando por falecer em Lisboa, no ano de 1571, tendo sido enterrado no Convento de São Francisco da Cidade.

Miguel Louro

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #52 em: Agosto 10, 2020, 09:33:24 pm »


Companhia da Ásia Portuguesa (1753-1760): uma iniciativa infelizmente gorada


Ao iniciar-se a década de 1750, adensando-se os sinais de uma muda crise económica, fiscal e alfandegária em germinação, consequência da baixa de receitas oriundas da exploração aurífera brasileira - pedra angular da economia portuguesa – mas igualmente da quebra das exportações de vinho, açúcar e tabaco destinados aos mercados europeus, a governação portuguesa retomou a fórmula da política proteccionista.

Por forma a fomentar indústrias que suprissem as necessidades do mercado interno, diminuir as importações e reequilibrar a balança comercial, Sebastião José de Carvalho e Melo apostava na revitalização do comércio internacional português periférico, mas também ultra-periférico. Para além da dualidade Portugal-Brasil, tal plano envolvia novo interesse pela Ásia.

O sucesso de tal estratégia implicava, necessariamente, o combate ao comércio livre, mercê do estímulo à criação de companhias comerciais monopolistas abertas a accionistas, assim como ao envolvimento de grandes mercadores que operassem em harmonia com os interesses da Coroa.
É neste quadro que se funda a Companhia da Ásia Portuguesa (1753-1760), mimetizando as práticas e rotas da bem-sucedida East India Company.
Coube a Feliciano Velho Oldemberg (1689-1767) a missão de estabelecer essa nova quadrícula comercial.
Autorizado a poder enviar por um prazo de dez anos onze navios a Goa, Golfo de Bengala e “mais portos da Ásia”, trazendo no torna-viagem ao Reino salitre destinado à Fábrica da Pólvora, mais quatro naus a Macau por um prazo de seis anos, trazendo encomendas feitas pela Real Fábrica da Seda, pagas à chegada segundo as tabelas em vigor em Amesterdão, assumia o mercador a responsabilidade de na ida transportar contingentes de tropas destinadas às guarnições dos domínios orientais da Coroa.

A Companhia operaria nas rotas da Índia e China até 1758, mas em 1760, não se tendo realizado os lucros previstos, declarou insolvência.

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Re: Expansão portuguesa
« Responder #53 em: Outubro 20, 2020, 07:34:03 pm »

Why the Ottomans Never Colonized America?
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Re: Expansão portuguesa
« Responder #54 em: Novembro 23, 2020, 10:55:03 pm »


Principais linguas faladas no mundo.
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