Só vamos ter um modelo? Nunca vamos ter caças 6G europeus? Vamos ficar pelo 5G até 2070 ? Se entrarmos num programa 6G daqui a 20 anos teremos dois modelos de caça, não? E quando os F-16 forem retirados? Não haverá outras opções pelo caminho até os 6G?
Se olharmos para as probabilidades, para a realidade financeira do país, para o apetite político e público em investir paletes de dinheiro na Defesa, e para o número provável de caça que poderemos realisticamente ter (até pelo número limitado de pilotos), o mais provável é teres só 1 modelo de caça.
Comprando F-35, o mais provável é nem cheirarmos nos 6G, porque não vai haver dinheiro para tal, nem compensa entrar num programa desses para adquirir um número simbólico.
Depois, vocês argumentam que não precisamos de F-35 porque não vamos combater com ninguém. Se não vamos combater com ninguém, porque precisamos de 6G ainda mais caros que o F-35?
Se Portugal comprasse F-35, comprasse eurocanards novos, e ainda entrasse num programa 6G, estaríamos a falar de um investimento bem acima dos 15000M, para no máximo 40 caças. Com esse dinheiro, compravas uns 70 F-35 ou perto disso.
Não esquecer que já vai ser uma trabalheira dos diabos conseguir aprovação interna para gastar uns 5000M...
Não foi com Mig 21 nem sequer com meios aéreos que o Vietname venceu os americanos. Nem foi com avanços tecnológicos, que o material russo e chinês, salvos algumas exceções era inferior de todo.
Pois, mas a diferença é que os Mig-21, tal como as defesas AA soviéticas fizeram estragos. Sem nenhum destes, a guerra de guerrilha seria mais difícil para os vietnamitas. A diferença tecnológica era muito mais pequena do que hoje. Aliás, a existência hoje de visão noturna e sensores IR faziam uma grande diferença num conflito daqueles.
O Vietname não venceu nada. Jogou para o empate, ficando dependente da perda de apoio público nos EUA. Quando o teu país fica em ruínas, não é propriamente uma vitória, o adversário é que se cansou ou foi precionado a deixar de lutar.
Novamente, Portugal não tem qualquer capacidade de combater uma guerra de guerrilha ao mesmo nível que o Vietname. Falta dimensão geográfica, falta uma população enorme, e apoio militar ao mesmo nível. Portugal ainda por cima tem 2 arquipélagos, que seriam inevitavelmente perdidos se estivéssemos dependentes de guerrilha.
Não precisamos de atacar o Irão. Precisamos de QRA para defesa aérea do TN e missões NATO.
Se as nossas missões são assim tão básicas, porque raio vamos comprar caças obsoletos, que custam o mesmo que o F-35?
Isto era o mesmo que alguém dizer que Portugal só precisa de fazer ASW e enviar uma fragata para a NATO, e portanto em vez de comprarmos as FREMM EVO, íamos comprar umas Sigma 10514 (muito piores) pelo mesmo valor.
Isto seria estúpido em todos os programas, mas nos caças já é aceitável?
Ninguém está a questionar o valor do poder aéreo, mas não é só com poder aéreo que se ganham guerras. O Irão já se rendeu?
Segundo esta lógica também temos que ter um PA?
Para um país pequeno, de poucos recursos e com uma área marítima enorme há meios mais prioritários para a dissuasão e a defesa nacional: mais submarinos, fragatas, MPA, meios de defesa AA que atualmente não temos sequer! para mim é tão ou mais prioritário do que termos F-35. Armamento para mobilizar unidades suficientes não só para os compromissos NATO, mas para defesa do TN, como fazem outros pequenos países.
O Irão é um país enorme que durante décadas se preparou para este tipo de guerra, e cuja defesa depende da loucura de mártires que foram desde pequenos alvos de lavagem cerebral. Qualquer paralelismo com Portugal é absurdo.
O poder aéreo pode definitivamente ganhar-te uma guerra. E na pior das hipóteses, ser parte predominante da vitória. Nada é garantia de uma vitória, até porque a definição de vitória vai depender dos objectivos traçados por cada lado.
Os caças permitem-te cobrir uma aérea muito mais depressa, e ainda te permitem várias soluções ofensivas/de retaliação. É também mais fácil integrar armamento diversificado num caça, do que num submarino ou fragata, que vão estar sempre dependentes dos sistemas de lançamento.
E tu dizes que Portugal é um país pequeno com pouco dinheiro, mas depois fantasias com 2 modelos de caça, incluindo 6G.

E agora estou à espera que me expliques, como é que não comprar F-35, mas comprar um eurocanard que custa o mesmo, vai permitir tratar das restantes prioridades.
Lá está, são contradições umas atrás das outras.
Devemos depender de aliados fiáveis.
Não estou a dizer que devemos abdicar de caças, isto é um exagero. Não foi o que eu disse. Claro que precisamos de caças. Apenas disse que devemos depender de aliados e fornecedores mais estáveis e fiáveis. Não colocar os ovos todos no mesmo cesto. Se é para termos F-35, devemos ter outro caça por razões estratégicas (até podem ser os F-16 por uns tempos). O risco de ficarmos dependentes de uma frota única de caças (e reconheço o óbvio benefício de logística, etc.) é um risco quase tão grande como abdicar de termos caças, porque é precisamente o que poderá acontecer. Ignorar esta realidade é um perigo.
Nem todos os países NATO pertencem ao clube dos F-35. Alguns não podem, outros não querem por razões políticas, estratégicas, etc.. Será que estão todos errados também? As soluções "one size fits all" são as melhores?
E que aliados fiáveis são esses? Qualquer um deles pode a qualquer momento ter uma mudança radical internamente.
Ter 2 modelos de caça reduz-te a dependência de 1 país, mas aumenta drasticamente as dificuldades de sustentar as 2 frotas, algo que pode ser tão ou mais grave do que depender de um país.
Depois, já apresentei a solução que fazia mais sentido, que era procurar UCAVs/loyal wingman de origem diferente, para que assim conseguisses ter sempre um meio alternativo, sem causar problemas financeiros.
Quando a solução "one size fits all" é claramente superior ao resto, e por um preço idêntico, sim é a melhor opção.
Para um país pequeno e com orçamento limitado, a opção que permite servir de multiplicador de força é a que mais sentido faz.
Já agora, faço uma pergunta também. Se hipoteticamente o caso da Gronelândia tivesse sido sobre os Açores, ainda deveríamos comprar caças a um país que ameaça a nossa soberania? Ou procuramos outra solução?
O caso da Suécia e a guerra colonial não interessa ao assunto porque não somos uma ditadura com desígnios imperialistas e colonialistas
˙há mais de cinco décadas. Isto foi outra realidade geopolítica. Se é para ir por este caminho, a França foi dos poucos países que nos vendeu material militar. A Alemanha também.
Se isso tivesse acontecido, o mais sensato era adiar qualquer compra de caças. Estourar 5000M em eurocanards era atirar dinheiro ao rio, sem fazer qualquer diferença na equação.
Se houvesse pressa em adquirir alguma coisa, a opção óbvia seria o KF-21 Block II, que na pior das hipóteses tem preço competitivo, e um design mais moderno que os europeus. Pelo menos assim tinhas uma evolução tecnológica, não um sidegrade. E complementava os KF-21 com Kizilelma, para fazer número.
Mas não foi isso que aconteceu.