O futuro da Europa não está em extremismos? Estão a crescer por todo o lado, incluindo em Portugal… como se diz por aqui (States) “Hope is not a strategy”…
A conversa dever sobre o que realmente importa, escolhas políticas, não fatalismos inevitáveis.
O crescimento dos extremismos é real, mas não é inevitável. Crescem quando os partidos tradicionais falham, quando a governação se torna reativa em vez de estratégica, e quando se deixa o espaço público ser ocupado por simplificações e desinformação perigosas. ‘Hope is not a strategy’, concordo, mas também não é estratégia desistir da responsabilidade democrática. Eu ponho a minha esperança em algo com mais poder de fogo do que apenas palavras.
A Europa já passou por fases de radicalização e saiu delas precisamente porque houve quem recusasse a ideia de que ‘não há alternativa’. O futuro não está escrito; depende das escolhas que fazemos agora, não de profecias auto-realizadas.
Voltando ao F-35
pros:
Interoperabilidade NATO total. Portugal não pode operar fora da NATO. O F‑35 é o standard da Aliança para as próximas décadas.
Sustentabilidade industrial e logística. O F‑35 tem a maior cadeia logística do mundo, o maior número de operadores, o maior volume de peças e suporte, upgrades garantidos até 2070
Nenhum outro caça europeu tem esta massa crítica.
Missões reais da FAP
Portugal precisa de QRA, policiamento aéreo, ISR, integração com redes aliadas, capacidade de sobrevivência em ambiente contestado.
O F‑35 é literalmente desenhado para isto.
Para outros países, a resposta depende do contexto
Bom para países NATO, países que dependem de interoperabilidade com os EUA, países que querem relevância estratégica
Menos ideal para países que querem autonomia industrial total (como a França), países com orçamentos muito limitados, países que querem evitar dependência dos EUA por razões políticas
Mas mesmo nesses casos, a alternativa não é muito melhor: o Rafale: mais caro, menos stealth, menos interoperável; Eurofighter: excelente, mas envelhece mal em ambiente de sensores modernos e o Gripen E: barato, mas depende de motores e armas americanas.
Ou seja: não há um caça “não‑americano” que elimine a dependência total dos EUA.
Hoje.
Os EUA têm ciclos políticos turbulentos, mas o ecossistema F‑35 não
devia depender do humor de uma administração.
Devia depender do Congresso, o DoD (ou será DoW? agora), da USAF/USN/USMC, da cadeia industrial americana de defesa, dos 18 países parceiros e clientes, dos compromissos NATO. Se algo põe isto em causa devemos estar muito atentos.
Nenhum presidente, por mais imprevisível, consegue “punir” um aliado desligando um programa multinacional de centenas de milhares de componentes, dezenas de países e milhares de contratos,
esperemos! Ou a esperanca é um estratégia errada?

A dependência é real, mas não é arbitrária. Continuo a dizer, esperar 3 anos não será o fim do mundo.