O que vem a ser invasões imaginárias?
Os russos... ou os imigrantes...ou os espanhóis?
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Milhões de emigrantes com uma cultura de valores religiosos, misóginos, completamente diferentes e hostis aos nossos, com cada cada homem a ter 4 filhos de cada mulher, a adquirirem a nacionalidade e direito ao voto - Invasão Imaginária.
A Rússia debilitada em homens, carros de combate, munições, que demora meses para conquistar uma vila na Ucrânia, mas que se está a preparar para invadir a Europa toda - Invasão Verdadeira.
É mais ou menos isto não é? 
A tentativa de pôr imigração e agressão militar no mesmo plano é tão esticada que já nem é comparação, é ginástica conceptual. A comparação é criativa, admito, mas não resiste a cinco segundos de análise séria.
Quando se fala em “invasões imaginárias”, fala‑se exactamente deste tipo de construção: pegar em fenómenos civis: imigração, demografia, integração, etc. e tratá‑los como se fossem operações militares clandestinas, com números
inflacionados, coordenação conspirativa e invisível e intenções estratégicas que ninguém consegue demonstrar. É transformar política pública em ficção geopolítica de bolso. Problemas reais? Sim. Operação militar silenciosa com “milhões” a marchar? Não.
Já a Rússia não é “invasão verdadeira” porque alguém acredita que vai marchar até ao Atlântico. É ameaça porque já invadiu países, já anexou território e já demonstrou que usa força militar para redesenhar fronteiras. Não é preciso acreditar em colunas de T‑90 a descer a A1 para perceber isto, basta olhar para os últimos quinze anos de história.
A comparação, quando se tira o dramatismo e a hipérbole e se deixa só o conteúdo, reduz‑se a isto:
• Imigração: fenómeno civil complexo, com desafios reais, mas que não é uma operação militar silenciosa.
• Rússia: actor estatal com histórico recente de agressão armada.
A verdade óbvia, conhecida e reportada por serviços de informações ocidentais é que a Rússia está envolvida numa guerra cinzenta contra a Europa e financia, influencia, manipula e promove partidos políticos extremistas em toda a Europa para minar as democracias ocidentais, espalhando exatamente este tipo de desinformação.
Misturar os dois como se fossem equivalentes não é análise; é só baralhar conceitos até nada fazer sentido.
Portanto, não, não é “mais ou menos isto”.
É mais ou menos o contrário: transformar desafios civis em invasões, e transformar ameaças militares reais em fantasias.
A ironia é que, no fim, quem mais fala de “defesa” mas nem distingue entre política, demografia e guerra, demonstra uma forma curiosa de preocupação com a segurança nacional.