Política em Portugal

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Re: Política em Portugal
« Responder #180 em: Agosto 29, 2020, 12:49:06 pm »
Triste.

https://sicnoticias.pt/pais/2020-08-28-Marcelo-responde-a-popular-Diga-aos-portugueses-para-votarem-noutro-Governo

Ui, deixa os comissários políticos do forum chegar que já vais comer. Vai ser tanto "ismo" que até vais andar de lado...  :mrgreen: :mrgreen:


Abraço!
"Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma."
 
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Re: Política em Portugal
« Responder #181 em: Agosto 29, 2020, 05:19:24 pm »
Triste.

https://sicnoticias.pt/pais/2020-08-28-Marcelo-responde-a-popular-Diga-aos-portugueses-para-votarem-noutro-Governo

Ui, deixa os comissários políticos do forum chegar que já vais comer. Vai ser tanto "ismo" que até vais andar de lado...  :mrgreen: :mrgreen:


Abraço!



quantus saum? Quantus saum? :mrgreen:
« Última modificação: Agosto 29, 2020, 05:19:56 pm por P44 »
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Re: Política em Portugal
« Responder #182 em: Agosto 31, 2020, 06:03:02 am »
 

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Re: Política em Portugal
« Responder #183 em: Agosto 31, 2020, 07:21:05 am »
É já no próximo fim de semana garotões

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Re: Política em Portugal
« Responder #185 em: Setembro 05, 2020, 10:16:11 am »
A Nova Mocidade Portuguesa: de pequenino se torce o menino

Se “neutra” e “consensual”, a “Cidadania” não seria louvada pelos que a louvam. Dos que vi, não vi um só sujeito habilitado a ensinar fosse o que fosse a um hipotético

Há muitos motivos para simpatizarmos com a luta de um cidadão para que os seus filhos não frequentem a “disciplina” de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento (as fontes variam e, dada a cretinice do tema, não serei eu a torturá-las para apurar a verdade: fica “Cidadania”).

O primeiro motivo, um tanto aborrecido, é constitucional: “Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos” e “O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”, diz o Texto, Sagrado para umas coisas e absolutamente desprezível no que toca a outras. Parece uma questão de bom senso. Para os estatistas, é um ultraje. Um secretário de Estado, o sr. Galamba, acha que os pais decidirem o que é melhor para os filhos é delírio de “libertários”, e que compete ao Estado, leia-se a vultos do gabarito do sr. Galamba, a tarefa de corrigir a péssima influência de certos progenitores. No mundo real, suspeito que até progenitores alcoólicos, xenófobos e praticantes da bisca são preferíveis à catequese de frei Galamba.

Aqui chegamos ao segundo motivo. Não há regime sem tentação de educar as massas. Nos regimes democráticos, o esforço é subtil e, na pior das hipóteses, um bocadinho traumático. Nos regimes de tendência autoritária, como o vigente neste lugar sem sorte, o esforço é brutal. E perigoso. Da Juventude Hitleriana ao Komsomol soviético, nenhum governo totalitário dispensou a criação do “jovem ideal”, ou seja, de encher as cabecinhas das crianças com restolho doutrinário. O objectivo era a produção de cidadãos exemplares, naturalmente incapazes de questionar os crimes dos seus superiores e capazes de lhes obedecer com alegria. As ditaduras moderadas (ver “salazarismo”) tinham versões moderadas disto (ver “Mocidade Portuguesa”). Sucede que nações decentes não ambicionam modelar súbditos, e sim constatar a coexistência livre de pessoas livres. E por “livres” entenda-se a faculdade de, caso queiram, detestar zulus ou admirar o dr. Costa – a liberdade não se mede pela sensatez.

Eis o terceiro motivo. Dado que, num membro da UE e em 2020, seria talvez excessivo enfiar farda nas crianças e pô-las aos “vivas!” ao governo, em marcha acesa e punho erguido, o “ensino”, ou o conjunto de atrocidades que passa por “ensino”, serve para compensar esse desagradável revés. Já há trinta e tal anos, tive professoras de liceu que tocavam discos de “Zeca” Afonso nas aulas (o “tiriririri” de “Venham Mais Cinco” é fundamental à fruição da língua). Imagino as palhaçadas que hoje acontecem por aí. Pelos vistos, não aconteciam as suficientes e houve que inventar a cadeira de “Cidadania”, para as palhaçadas se explanarem com à-vontade. Convém notar que o cenário para as ditas não é a escola, mas o Chapitô.

E cá está o quarto motivo. Como a função da escola, a verdadeira, é fornecer conhecimentos técnicos e rudimentos para pensar, ao contrário de evangelhos para repetir, as “matérias” devem ser o mais impermeáveis possível à subjectividade, a do professor e a das criaturas que concebem os programas. Claro que isto é relativamente simples de conseguir nas ciências de facto, Matemática, Física, etc., onde os discos do “Zeca” ou do padre Fanhais soariam esquisitos. E menos simples de assegurar nas aulas de Português, História ou Economia, onde os docentes podem, ocasionalmente, emitir palpites que ninguém lhes pediu. Na disciplina de “Cidadania”, porém, a subjectividade é o programa completo e a “matéria” inteira. Os alunos não saem dali prontos a debater: sobretudo se não beneficiarem de contraponto caseiro, saem prontos a reproduzir uma cartilha, para cúmulo uma cartilha pensada por “activistas” de esquerda ou ociosos sortidos. É a religião deles, e a moral idem.

Vamos ao quinto motivo. Os “conteúdos” da “Cidadania” oscilam entre o mofo das regras de trânsito (e da economia doméstica) e o “progressismo” beato da “identidade de género” (e das “alterações climáticas”). Um pirralho de 12 anos precisa que a escola o ensine a atravessar a rua ou a ponderar uma mudança de sexo aos 16? Não precisa. Precisa de saber ler, escrever e contar e, com sorte, raciocinar, tarefas que os espécimes entusiasmados com a tralha das “causas” não dominam – donde o entusiasmo por “assuntos” simples. Um senhor João Costa, sec. da Educação, escreveu a propósito um artiguito no “Público” onde evidencia as carências citadas: se devidamente educado, nem o pirralho de 12 anos assinaria tamanha miséria lexical e argumentativa. Segundo o indivíduo, quem discorda da “Cidadania” não é bom cidadão, no sentido em que quem não janta no Petiscos da Avó morre de fome. Uma das Manas Mortágua defende a “Cidadania” a pretexto da defesa dos “direitos humanos”, também incluídos naquilo. Lembro que, no que respeita aos “direitos humanos”, as Manas Mortágua partilham o conceito de Lenine.

Olhem o sexto motivo, para mim decisivo e bastante. Se “neutra” e “consensual”, a “Cidadania” não seria louvada pelos que a louvam. Autoritários e intolerantes, os partidários da “Cidadania” são os cidadãos de que o país se poderia livrar sem qualquer prejuízo. Dos que vi, não vi um só sujeito habilitado a ensinar fosse o que fosse a um hipotético miúdo (excepto a título preventivo, para que o petiz aprendesse, com o susto, os resultados da ignorância e do fanatismo). De matarruanos socialistas aos transtornados do BE, passando pelo espectacular Nogueira sindical, juntou-se aqui o exacto tipo de gente de que uma família consciente mantém a prole à distância. Puros resíduos, desgraçadamente não recicláveis. O bolor dos Grandes Educadores tem um cheirinho a sacristia que nem vos digo. Eles dizem.

Resta um pormenor: o homem que impediu os filhos de engolir a gosma do “pensamento” único e que, sozinho, enfrenta as garras prepotentes deste Estado chama-se Artur Mesquita Guimarães. Vive em Famalicão e é um raríssimo herói. E, ele sim, um cidadão a sério.

https://observador.pt/opiniao/a-nova-mocidade-portuguesa-de-pequenino-se-torce-o-menino/
 
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Re: Política em Portugal
« Responder #186 em: Setembro 14, 2020, 02:33:33 pm »
Sondagem para o “Jornal de Negócios” e “Correio da Manhã”

PS 37,4%

PSD 24,3%

BE 9,9%

Chega 7,4%

PCP 5,5%

PAN 4,1%

CDS 4,3%

Inciativa Liberal 2,1%
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Re: Política em Portugal
« Responder #187 em: Setembro 14, 2020, 03:06:52 pm »
A Nova Mocidade Portuguesa: de pequenino se torce o menino

Se “neutra” e “consensual”, a “Cidadania” não seria louvada pelos que a louvam. Dos que vi, não vi um só sujeito habilitado a ensinar fosse o que fosse a um hipotético

Há muitos motivos para simpatizarmos com a luta de um cidadão para que os seus filhos não frequentem a “disciplina” de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento (as fontes variam e, dada a cretinice do tema, não serei eu a torturá-las para apurar a verdade: fica “Cidadania”).

O primeiro motivo, um tanto aborrecido, é constitucional: “Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos” e “O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”, diz o Texto, Sagrado para umas coisas e absolutamente desprezível no que toca a outras. Parece uma questão de bom senso. Para os estatistas, é um ultraje. Um secretário de Estado, o sr. Galamba, acha que os pais decidirem o que é melhor para os filhos é delírio de “libertários”, e que compete ao Estado, leia-se a vultos do gabarito do sr. Galamba, a tarefa de corrigir a péssima influência de certos progenitores. No mundo real, suspeito que até progenitores alcoólicos, xenófobos e praticantes da bisca são preferíveis à catequese de frei Galamba.

Aqui chegamos ao segundo motivo. Não há regime sem tentação de educar as massas. Nos regimes democráticos, o esforço é subtil e, na pior das hipóteses, um bocadinho traumático. Nos regimes de tendência autoritária, como o vigente neste lugar sem sorte, o esforço é brutal. E perigoso. Da Juventude Hitleriana ao Komsomol soviético, nenhum governo totalitário dispensou a criação do “jovem ideal”, ou seja, de encher as cabecinhas das crianças com restolho doutrinário. O objectivo era a produção de cidadãos exemplares, naturalmente incapazes de questionar os crimes dos seus superiores e capazes de lhes obedecer com alegria. As ditaduras moderadas (ver “salazarismo”) tinham versões moderadas disto (ver “Mocidade Portuguesa”). Sucede que nações decentes não ambicionam modelar súbditos, e sim constatar a coexistência livre de pessoas livres. E por “livres” entenda-se a faculdade de, caso queiram, detestar zulus ou admirar o dr. Costa – a liberdade não se mede pela sensatez.

Eis o terceiro motivo. Dado que, num membro da UE e em 2020, seria talvez excessivo enfiar farda nas crianças e pô-las aos “vivas!” ao governo, em marcha acesa e punho erguido, o “ensino”, ou o conjunto de atrocidades que passa por “ensino”, serve para compensar esse desagradável revés. Já há trinta e tal anos, tive professoras de liceu que tocavam discos de “Zeca” Afonso nas aulas (o “tiriririri” de “Venham Mais Cinco” é fundamental à fruição da língua). Imagino as palhaçadas que hoje acontecem por aí. Pelos vistos, não aconteciam as suficientes e houve que inventar a cadeira de “Cidadania”, para as palhaçadas se explanarem com à-vontade. Convém notar que o cenário para as ditas não é a escola, mas o Chapitô.

E cá está o quarto motivo. Como a função da escola, a verdadeira, é fornecer conhecimentos técnicos e rudimentos para pensar, ao contrário de evangelhos para repetir, as “matérias” devem ser o mais impermeáveis possível à subjectividade, a do professor e a das criaturas que concebem os programas. Claro que isto é relativamente simples de conseguir nas ciências de facto, Matemática, Física, etc., onde os discos do “Zeca” ou do padre Fanhais soariam esquisitos. E menos simples de assegurar nas aulas de Português, História ou Economia, onde os docentes podem, ocasionalmente, emitir palpites que ninguém lhes pediu. Na disciplina de “Cidadania”, porém, a subjectividade é o programa completo e a “matéria” inteira. Os alunos não saem dali prontos a debater: sobretudo se não beneficiarem de contraponto caseiro, saem prontos a reproduzir uma cartilha, para cúmulo uma cartilha pensada por “activistas” de esquerda ou ociosos sortidos. É a religião deles, e a moral idem.

Vamos ao quinto motivo. Os “conteúdos” da “Cidadania” oscilam entre o mofo das regras de trânsito (e da economia doméstica) e o “progressismo” beato da “identidade de género” (e das “alterações climáticas”). Um pirralho de 12 anos precisa que a escola o ensine a atravessar a rua ou a ponderar uma mudança de sexo aos 16? Não precisa. Precisa de saber ler, escrever e contar e, com sorte, raciocinar, tarefas que os espécimes entusiasmados com a tralha das “causas” não dominam – donde o entusiasmo por “assuntos” simples. Um senhor João Costa, sec. da Educação, escreveu a propósito um artiguito no “Público” onde evidencia as carências citadas: se devidamente educado, nem o pirralho de 12 anos assinaria tamanha miséria lexical e argumentativa. Segundo o indivíduo, quem discorda da “Cidadania” não é bom cidadão, no sentido em que quem não janta no Petiscos da Avó morre de fome. Uma das Manas Mortágua defende a “Cidadania” a pretexto da defesa dos “direitos humanos”, também incluídos naquilo. Lembro que, no que respeita aos “direitos humanos”, as Manas Mortágua partilham o conceito de Lenine.

Olhem o sexto motivo, para mim decisivo e bastante. Se “neutra” e “consensual”, a “Cidadania” não seria louvada pelos que a louvam. Autoritários e intolerantes, os partidários da “Cidadania” são os cidadãos de que o país se poderia livrar sem qualquer prejuízo. Dos que vi, não vi um só sujeito habilitado a ensinar fosse o que fosse a um hipotético miúdo (excepto a título preventivo, para que o petiz aprendesse, com o susto, os resultados da ignorância e do fanatismo). De matarruanos socialistas aos transtornados do BE, passando pelo espectacular Nogueira sindical, juntou-se aqui o exacto tipo de gente de que uma família consciente mantém a prole à distância. Puros resíduos, desgraçadamente não recicláveis. O bolor dos Grandes Educadores tem um cheirinho a sacristia que nem vos digo. Eles dizem.

Resta um pormenor: o homem que impediu os filhos de engolir a gosma do “pensamento” único e que, sozinho, enfrenta as garras prepotentes deste Estado chama-se Artur Mesquita Guimarães. Vive em Famalicão e é um raríssimo herói. E, ele sim, um cidadão a sério.

https://observador.pt/opiniao/a-nova-mocidade-portuguesa-de-pequenino-se-torce-o-menino/
Sabem o que realmente me choca?
É que na Alemanha nos anos 90 tive uma disciplina chamada Politik que ensinava tudo o que vem nesta disciplina de Cidadania, tirando a questão da sexualidade. Esse tema era abordado em Biologia e comparado com o que é suposto ser ensinado nesta disciplina, perante a indignação beata relativamente a esta disciplina, acho que incendiavam as escolas por cá.
Ou seja passados 30 anos ainda cá andamos a discutir merdas que na Alemanha são dadas por adquiridas e que não vejo que façam da Alemanha uma país pior do que o nosso. Ensinar questões elementares de cidadania a uma criança parece-me algo de profundamente elementar.
Esta indignação bacoca sobre algo tão básico faz-me lembrar a revolta que se fez por causa de não poder enterrar mortos dentro das igrejas há quase dois séculos atrás. Mas hoje todos tomamos como adquirido que os cemitérios são os locais apropriados para enterrar os mortos.
Eu consigo perceber que se possa debater o facto de determinados temas serem ou não incluídos na disciplina, agora criticar uma disciplina por causa dum pai que não quer aceitar os temas que são ensinados numa disciplina é um hino à ignorância.
Então e se de repente os criacionistas não quiserem que os seja ensinado aos seus filhos as teorias da evolução? O filho deixa de ter de ir às aulas de ciências da vida? E se os terraplanistas não quiserem que os filhos vão às aulas de Geografia? Também devemos dar-lhes passagem administrativa de ano? E se alguém se lembrar de dizer que a química é bruxaria, os meninos também deixam de ir às aulas?

Infelizmente isto é mais uma daquelas aberrações que nós gostamos de copiar dos EUA e qualquer dia ainda vemos currículos escolares completamente obscurantistas.
 

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Re: Política em Portugal
« Responder #188 em: Setembro 14, 2020, 03:55:45 pm »

Infelizmente isto é mais uma daquelas aberrações que nós gostamos de copiar dos EUA e qualquer dia ainda vemos currículos escolares completamente obscurantistas.

Eu tive "Religião e Moral" nos inícios dos 80.
Absolutamente irrelevante.

Contudo, a coisa absolutamente obscurantista e perigosa foi o conceito da "informação pela comunicação social", da "isenção dos jornalistas" e que estes devem ser isentos (e que um bom jornalista é isento, logo os jornalistas dos "bons jornais" e da televisão são os melhores jornalistas, logo os mais isentos.
Sobre o conceito de propaganda nicles, excepto em história onde a única propaganda era a do Estado Novo.
Mais obscurantista e perverso que isto só mesmo considerar que a paneleiragem e a pedo (será que falarão de bestialidade?) é que normal e bom.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Re: Política em Portugal
« Responder #189 em: Setembro 14, 2020, 07:07:53 pm »
Sabem o que realmente me choca?
É que na Alemanha nos anos 90 tive uma disciplina chamada Politik que ensinava tudo o que vem nesta disciplina de Cidadania, tirando a questão da sexualidade. Esse tema era abordado em Biologia e comparado com o que é suposto ser ensinado nesta disciplina, perante a indignação beata relativamente a esta disciplina, acho que incendiavam as escolas por cá.
Ou seja passados 30 anos ainda cá andamos a discutir merdas que na Alemanha são dadas por adquiridas e que não vejo que façam da Alemanha uma país pior do que o nosso. Ensinar questões elementares de cidadania a uma criança parece-me algo de profundamente elementar.
Esta indignação bacoca sobre algo tão básico faz-me lembrar a revolta que se fez por causa de não poder enterrar mortos dentro das igrejas há quase dois séculos atrás. Mas hoje todos tomamos como adquirido que os cemitérios são os locais apropriados para enterrar os mortos.
Eu consigo perceber que se possa debater o facto de determinados temas serem ou não incluídos na disciplina, agora criticar uma disciplina por causa dum pai que não quer aceitar os temas que são ensinados numa disciplina é um hino à ignorância.
Então e se de repente os criacionistas não quiserem que os seja ensinado aos seus filhos as teorias da evolução? O filho deixa de ter de ir às aulas de ciências da vida? E se os terraplanistas não quiserem que os filhos vão às aulas de Geografia? Também devemos dar-lhes passagem administrativa de ano? E se alguém se lembrar de dizer que a química é bruxaria, os meninos também deixam de ir às aulas?

Infelizmente isto é mais uma daquelas aberrações que nós gostamos de copiar dos EUA e qualquer dia ainda vemos currículos escolares completamente obscurantistas.

Caro Lusitan, era o que faltava o governo, composto por pessoas que não são isentas, têem um partido por trás, uma agenda que não se sabe nem se discute abertamente, alguns até usam avental……. Era o que faltava eu aceitar tudo e sem poder discutir sequer a legitimidade ou não das medidas, muitas das vezes que eu considero absurdas e claro outros achem perfeitamente normal.

Era o que faltava estar calado pela implementação do “aborto” ortográfico, que recuso utilizar, que inclusivamente comunico com o Ministério da Educação (área onde trabalho) sem usar o novo acordo ortográfico. Se suas excelências não entenderem o que escrevo, podem sempre utilizar o Google translator ou o Bing!

Era o que faltava ficar calado e permitir uma importação infeliz do Halloween, que aos portugueses nada diz, e ao mesmo tempo as mesmas pessoas que nos pedem para comemorar o Halloween (professores), nem se lembrem que trabalham numa região onde a Castanha é muito importante e nem sequer pensam num mero magusto (essa sim uma tradição nossa que deve ser preservada! Querem falar no Halloween (está no currículo pedagógico escrito na “pedra” para nos evangelizar e retirar os nossos maus costumes em troca de outros obtusos), podem fazê-lo dentro da sala de aulas, mas a Escola não comemora o Halloween coisa nenhuma, nem colar porcarias pela Escola. Se quiserem comemorar o magusto e a castanha, apoiamos e incentivamos!!!!! Até temos o chá inglês (disciplina de Inglês), quando até fomos nós os portugueses que levamos a conhecer o chá aos ingleses. O único chá que os ingleses conheciam era o de malte!!!!!

Em relação à disciplina de religião e moral, confesso que não sei como era antes de 74, mas desde essa data que é uma disciplina facultativa e só vai para as aulas quem quer. Quem não quiser não vai e nem reprova por faltas!!!!!

Quanto à doutrinação da educação das nossas crianças e jovens, que ninguém tenha dúvidas de que está a acontecer. Espero nunca caírmos na estupidez do que acontece no Brasil, onde a esquerda radical mete na cabeça dos brasileiros de que os portugueses são os piores seres humanos do mundo, que eles tiveram um enorme azar de termos sido nós a descobrir o Brasil, que todos os problemas deles actuais é por nossa culpa, a corrupção actual é nossa culpa, escravizamos todo o mundo……..

Olhe, por fim, eu nem vou pegar na disciplina de cidadania, vou pegar noutra que se chama História. Vou colocar aqui excertos do referencial de História para o 3º ciclo (7º ao 9º ano), directamente do site do MEC (Ministério da Educação): https://www.dge.mec.pt/historia e depois tire as suas ilações, se de facto a extrema esquerda está bem patente na doutrinação das crianças, para além das greves marcadas pelo Mário Nogueira, que pode ir ao Avante, mas dar aulas é muito perigoso!!!!!!

Página 6: “Reconhecer a situação de subalternidade das mulheres nas cidades-estado gregas, problematizando a questão com os debates atuais sobre a igualdade de género.” – Portanto, até já metem a igualdade de género no estudo da civilização Grega!!!!!

Página 14: “Compreender os séculos XV e XVI como período de ampliação dos níveis de multiculturalidade das sociedades” ……..
“Caracterizar a escravatura nos séculos XV e XVI e as atitudes dos europeus face a negros e índios.”
“Constatar a permanência e a universalidade de valores e atitudes racistas até à atualidade.”

Página 20: “Conhecer e compreender as implicações ambientais da atividade das comunidades humanas e, em particular, das sociedades industrializadas
1. Problematizar a proposta interpretativa segundo a qual apenas na Época Contemporânea as sociedades humanas geraram problemas ambientais graves.
2. Relacionar industrialização com agravamento de condições de higiene e segurança no trabalho, com poluição e com degradação das condições de vida em geral.
3. Relacionar a industrialização com consumo intensivo de recursos não renováveis e com alterações graves nos equilíbrios ambientais.” – Portanto a industrialização, que permitiu ao mundo enriquecer e permitiu um grande boom da população mundial……. Não cumpria os requisitos ambientais!!!! Tenham dó!!!!!
Além de serem mentirosos os pressupostos, antes da industrialização, as pessoas viviam essencialmente da agricultura e do que a terra dava. Com a industrialização, a população abandonou a agricultura e começou a fixar-se nos subúrbios das grandes cidades. Com certeza que não pagavam pior do que na agricultura!!!!!! Nem tinham piores condições, nem na altura nem agora!

Página 23: “Conhecer e compreender a evolução do operariado
1. Descrever os processos de proletarização dos artesãos e dos trabalhadores das grandes manufacturas fruto da introdução das máquinas, da revogação da regulamentação corporativa e do aumento da concorrência por parte de trabalhadores recém-chegados das zonas rurais ou de outros países.
2. Descrever as condições-tipo de vida do operariado no século XIX.
3. Relacionar liberalismo económico e as crises do capitalismo com os baixos salários e a
precariedade das condições de emprego.
4. Relacionar as condições de vida e de trabalho do proletariado com o surgimento de
sindicatos e de formas de luta organizada.
5. Enumerar conquistas do movimento sindical.
6. Relacionar as condições de vida e de trabalho do proletariado com o surgimento das
doutrinas socialistas.
7. Caracterizar sucintamente as propostas das doutrinas socialistas.”
         - Esta podia vir num panfleto do PCP que nem notávamos a diferença!!!!!


Na página 28, e apesar de parágrafos antes classificar o regime estalinista como totalitário, não referem por exemplo um simples facto das URSS ser aliada de Hitler entre 1939 e 1941 e façam apenas referência à importância da entrada na guerra da URSS e EUA: “Explicar as razões e importância da entrada da URSS e dos EUA na 2.ª Guerra Mundial.” – A URSS em Setembro de 1939 invadiu a Polónia, ao lado de Hitler……..


Página 31: “Conhecer e compreender a evolução ocorrida desde as “crises petrolíferas” até ao colapso do bloco soviético
1. Referir as consequências das “crises petrolíferas” nos países capitalistas
(desenvolvidos e subdesenvolvidos) e nos países comunistas.
2. Referir a substituição do modelo keynesiano pelo modelo monetarista e a
introdução das primeiras medidas neoliberais em países capitalistas
desenvolvidos (EUA e Reino Unido).
3. Confrontar os princípios básicos do “Estado Providência” com os do “Estado
Neoliberal”.

A história está a ser reescrita, ninguém tenha dúvidas.
O que nunca podemos equivocar-nos é nas tarefas já muito grandes de cada um, o das Escolas é o de ensinar (livre de ideologias) e a dos pais é educar os filhos, para que estes sejam “domesticados” pelos nossos valores e regras e aí sem dúvida dizer às crianças que cá não se tratam as mulheres como animais, têem direitos, ……. Mas daí a que cada um de nós não posso criticar o que tentam-nos impingir!!!!!!!!
 
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Re: Política em Portugal
« Responder #190 em: Setembro 14, 2020, 10:42:14 pm »
 :palmas:
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Re: Política em Portugal
« Responder #191 em: Setembro 15, 2020, 02:28:29 pm »
Sabem o que realmente me choca?
É que na Alemanha nos anos 90 tive uma disciplina chamada Politik que ensinava tudo o que vem nesta disciplina de Cidadania, tirando a questão da sexualidade. Esse tema era abordado em Biologia e comparado com o que é suposto ser ensinado nesta disciplina, perante a indignação beata relativamente a esta disciplina, acho que incendiavam as escolas por cá.
Ou seja passados 30 anos ainda cá andamos a discutir merdas que na Alemanha são dadas por adquiridas e que não vejo que façam da Alemanha uma país pior do que o nosso. Ensinar questões elementares de cidadania a uma criança parece-me algo de profundamente elementar.
Esta indignação bacoca sobre algo tão básico faz-me lembrar a revolta que se fez por causa de não poder enterrar mortos dentro das igrejas há quase dois séculos atrás. Mas hoje todos tomamos como adquirido que os cemitérios são os locais apropriados para enterrar os mortos.
Eu consigo perceber que se possa debater o facto de determinados temas serem ou não incluídos na disciplina, agora criticar uma disciplina por causa dum pai que não quer aceitar os temas que são ensinados numa disciplina é um hino à ignorância.
Então e se de repente os criacionistas não quiserem que os seja ensinado aos seus filhos as teorias da evolução? O filho deixa de ter de ir às aulas de ciências da vida? E se os terraplanistas não quiserem que os filhos vão às aulas de Geografia? Também devemos dar-lhes passagem administrativa de ano? E se alguém se lembrar de dizer que a química é bruxaria, os meninos também deixam de ir às aulas?

Infelizmente isto é mais uma daquelas aberrações que nós gostamos de copiar dos EUA e qualquer dia ainda vemos currículos escolares completamente obscurantistas.

Caro Lusitan, era o que faltava o governo, composto por pessoas que não são isentas, têem um partido por trás, uma agenda que não se sabe nem se discute abertamente, alguns até usam avental……. Era o que faltava eu aceitar tudo e sem poder discutir sequer a legitimidade ou não das medidas, muitas das vezes que eu considero absurdas e claro outros achem perfeitamente normal.

Era o que faltava estar calado pela implementação do “aborto” ortográfico, que recuso utilizar, que inclusivamente comunico com o Ministério da Educação (área onde trabalho) sem usar o novo acordo ortográfico. Se suas excelências não entenderem o que escrevo, podem sempre utilizar o Google translator ou o Bing!

Era o que faltava ficar calado e permitir uma importação infeliz do Halloween, que aos portugueses nada diz, e ao mesmo tempo as mesmas pessoas que nos pedem para comemorar o Halloween (professores), nem se lembrem que trabalham numa região onde a Castanha é muito importante e nem sequer pensam num mero magusto (essa sim uma tradição nossa que deve ser preservada! Querem falar no Halloween (está no currículo pedagógico escrito na “pedra” para nos evangelizar e retirar os nossos maus costumes em troca de outros obtusos), podem fazê-lo dentro da sala de aulas, mas a Escola não comemora o Halloween coisa nenhuma, nem colar porcarias pela Escola. Se quiserem comemorar o magusto e a castanha, apoiamos e incentivamos!!!!! Até temos o chá inglês (disciplina de Inglês), quando até fomos nós os portugueses que levamos a conhecer o chá aos ingleses. O único chá que os ingleses conheciam era o de malte!!!!!

Em relação à disciplina de religião e moral, confesso que não sei como era antes de 74, mas desde essa data que é uma disciplina facultativa e só vai para as aulas quem quer. Quem não quiser não vai e nem reprova por faltas!!!!!

Quanto à doutrinação da educação das nossas crianças e jovens, que ninguém tenha dúvidas de que está a acontecer. Espero nunca caírmos na estupidez do que acontece no Brasil, onde a esquerda radical mete na cabeça dos brasileiros de que os portugueses são os piores seres humanos do mundo, que eles tiveram um enorme azar de termos sido nós a descobrir o Brasil, que todos os problemas deles actuais é por nossa culpa, a corrupção actual é nossa culpa, escravizamos todo o mundo……..

Olhe, por fim, eu nem vou pegar na disciplina de cidadania, vou pegar noutra que se chama História. Vou colocar aqui excertos do referencial de História para o 3º ciclo (7º ao 9º ano), directamente do site do MEC (Ministério da Educação): https://www.dge.mec.pt/historia e depois tire as suas ilações, se de facto a extrema esquerda está bem patente na doutrinação das crianças, para além das greves marcadas pelo Mário Nogueira, que pode ir ao Avante, mas dar aulas é muito perigoso!!!!!!

Página 6: “Reconhecer a situação de subalternidade das mulheres nas cidades-estado gregas, problematizando a questão com os debates atuais sobre a igualdade de género.” – Portanto, até já metem a igualdade de género no estudo da civilização Grega!!!!!

Página 14: “Compreender os séculos XV e XVI como período de ampliação dos níveis de multiculturalidade das sociedades” ……..
“Caracterizar a escravatura nos séculos XV e XVI e as atitudes dos europeus face a negros e índios.”
“Constatar a permanência e a universalidade de valores e atitudes racistas até à atualidade.”

Página 20: “Conhecer e compreender as implicações ambientais da atividade das comunidades humanas e, em particular, das sociedades industrializadas
1. Problematizar a proposta interpretativa segundo a qual apenas na Época Contemporânea as sociedades humanas geraram problemas ambientais graves.
2. Relacionar industrialização com agravamento de condições de higiene e segurança no trabalho, com poluição e com degradação das condições de vida em geral.
3. Relacionar a industrialização com consumo intensivo de recursos não renováveis e com alterações graves nos equilíbrios ambientais.” – Portanto a industrialização, que permitiu ao mundo enriquecer e permitiu um grande boom da população mundial……. Não cumpria os requisitos ambientais!!!! Tenham dó!!!!!
Além de serem mentirosos os pressupostos, antes da industrialização, as pessoas viviam essencialmente da agricultura e do que a terra dava. Com a industrialização, a população abandonou a agricultura e começou a fixar-se nos subúrbios das grandes cidades. Com certeza que não pagavam pior do que na agricultura!!!!!! Nem tinham piores condições, nem na altura nem agora!

Página 23: “Conhecer e compreender a evolução do operariado
1. Descrever os processos de proletarização dos artesãos e dos trabalhadores das grandes manufacturas fruto da introdução das máquinas, da revogação da regulamentação corporativa e do aumento da concorrência por parte de trabalhadores recém-chegados das zonas rurais ou de outros países.
2. Descrever as condições-tipo de vida do operariado no século XIX.
3. Relacionar liberalismo económico e as crises do capitalismo com os baixos salários e a
precariedade das condições de emprego.
4. Relacionar as condições de vida e de trabalho do proletariado com o surgimento de
sindicatos e de formas de luta organizada.
5. Enumerar conquistas do movimento sindical.
6. Relacionar as condições de vida e de trabalho do proletariado com o surgimento das
doutrinas socialistas.
7. Caracterizar sucintamente as propostas das doutrinas socialistas.”
         - Esta podia vir num panfleto do PCP que nem notávamos a diferença!!!!!


Na página 28, e apesar de parágrafos antes classificar o regime estalinista como totalitário, não referem por exemplo um simples facto das URSS ser aliada de Hitler entre 1939 e 1941 e façam apenas referência à importância da entrada na guerra da URSS e EUA: “Explicar as razões e importância da entrada da URSS e dos EUA na 2.ª Guerra Mundial.” – A URSS em Setembro de 1939 invadiu a Polónia, ao lado de Hitler……..


Página 31: “Conhecer e compreender a evolução ocorrida desde as “crises petrolíferas” até ao colapso do bloco soviético
1. Referir as consequências das “crises petrolíferas” nos países capitalistas
(desenvolvidos e subdesenvolvidos) e nos países comunistas.
2. Referir a substituição do modelo keynesiano pelo modelo monetarista e a
introdução das primeiras medidas neoliberais em países capitalistas
desenvolvidos (EUA e Reino Unido).
3. Confrontar os princípios básicos do “Estado Providência” com os do “Estado
Neoliberal”.

A história está a ser reescrita, ninguém tenha dúvidas.
O que nunca podemos equivocar-nos é nas tarefas já muito grandes de cada um, o das Escolas é o de ensinar (livre de ideologias) e a dos pais é educar os filhos, para que estes sejam “domesticados” pelos nossos valores e regras e aí sem dúvida dizer às crianças que cá não se tratam as mulheres como animais, têem direitos, ……. Mas daí a que cada um de nós não posso criticar o que tentam-nos impingir!!!!!!!!

Bom dia! Vejo que acordou para a realidade. Mas por acaso discutiu alguma vez as mil e uma disciplinas e indicações dos ministérios nas últimas décadas? Nos governos de direita não havia gente de avental? E da Opus Dei também não havia? Alguma vez questionou o impacto da Igreja nos currículos escolares das últimas décadas? Ou só são questionáveis currículos de partidos que não gostamos?
É normal discutirem-se matérias escolares. Isso não é um problema para mim. Eu também não acho que sexualidade seja um tema que deva ser discutido numa aula de Cidadania a não ser que seja para falarmos na questão de respeito por outras pessoas e as suas escolhas (desde que dentro da lei) - algo que por exemplo teria feito muita falta a gente como o Luso.
O que me cria revolta não é ser contra determinadas matérias leccionadas, é o facto de se achar que qualquer um pode escolher o que os seus filhos aprendem na escola. Ou que se questione o facto de se ensine a uma criança valores de cidadania e convivência em sociedade. Ainda para mais quando a matéria em causa apenas ensina os valores básicos que regem uma sociedade democrática.

https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/ECidadania/Docs_referencia/educacao_para_cidadania_linhas_orientadoras_nov2013.pdf

https://www.dge.mec.pt/educacao-para-a-cidadania/documentos-de-referencia

Se o problema é o algum tipo de conteúdo, converse-se para que se possa criar uma disciplina que reflicta o que a maioria da população acha que deve ser boa cidadania. Agora atacar a disciplina por completo baseando-se em preconceitos ideológicos é fazer exactamente o que se acusa "os do avental" de fazer.

https://dge.mec.pt/sites/default/files/Esaude/referencial_educacao_saude_original_4julho2017_horizontal.pdf

Por favor indique qual a área que acha que é ofensiva e que não deve ser ensinada a uma criança porque está a endoutrinar a pobre criança. Assim podemos ter um debate construtivo.

Eu também sou contra o acordo ortográfico, mas também sei que a língua que falo e escrevo hoje também resulta dum acordo ortográfico nascido em 1945. Mas sou dos que acha que a evolução das línguas deve ser fluída e não balizada por acordos ortográficos entre países cuja língua terá forçosamente evolução diferente.

A importação do Halloween não é imposta de cima para baixo. É antes uma tendência de uniformização cultural existente no Ocidente imposta de baixo para cima devido à supremacia cultural vigente dos países anglófonos no mundo ocidental. Eu também gosto das nossas tradições e acho que não estão valorizadas, mas um magoito implica colocar as crianças perante fogo. Consegue imaginar as manchetes da CM-TV quando a primeira criança chamuscar os cabelos?

Sabe que eu tenho boas memórias das minhas aulas de Religião e Moral. Talvez tenha tido sorte e tenha tido excelentes professores, mas as aulas eram sempre locais de debate e conhecimento pessoal e de grupo, e talvez por isso eu ainda hoje me considere católico (apesar de não praticante). Já alguns dos meus colegas optavam por outras aulas opcionais em que não faziam nada (uma espécie de aulas de cidadania em que os professores nem fingiam que não davam aulas).

A escola pública desde a sua fundação sempre teve função de doutrinar. Os valores endoutrinados podem variar no tempo e entre regimes, mas acho engraçado que só agora se ache que há endoutrinação. Toda a gente fala em doutrina sem perceber o que significa. Se acham que o que aprenderam os programas escolares que estudaram não se basearam em doutrinas é porque ainda não perceberam o que é o ensino obrigatório.
https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/doutrina
Há áreas de governação em que defendo pactos de regime entre a maioria de partidos possíveis interessados em manter um regime democrático. A educação é uma delas. Porque a escola pública deve ensinar os valores que queremos para o país. Deve criar cidadãos capazes com espírito crítico, capazes de raciocinar e entender factos, respeitadores da lei, mas também exigentes da lei. O facto de cada governo alterar as regras e os currículos só porque quer é contraproducente (tanto serve para a esquerda como para a direita). E estas guerrinhas por causa dum pai que acha que pode simplesmente decidir sobre quais as disciplinas que os filhos devem poder frequentar num regime de escolariedade obrigatória da escola pública é absolutamente a imagem do rídiculo do quadro político portugês. Os miúdos até podiam ir às aulas e faltar à parte que ofende o paizinho, mas preferiu brincar com a vida dos filhos e armar-se em tiranete que acha que as leis não se aplicam a ele nem aos seus.

A História é uma interpretação do passado segundo o espírito da época vigente. Sempre o foi. A disciplina de História dos nossos pais é diferente da História que nós aprendemos e esta é completamente diferente da História da Guerra do Peloponeso de Tucídides, porque a forma como interpretamos determinados acontecimentos mudou, porque novos dados foram descobertos relativamente à História que aprendemos, porque o aumento das fontes estrangeiras acerca de determinados eventos nos permite julgar doutra forma esses mesmos eventos.
Dou-lhe o exemplo da invasão muçulmana da Península Ibérica. O meu pai estudou que os mouros invadiram tudo por aí acima, matanto ou obrigando a converter-se os cristãos. A verdade é que a sua invasão só foi possível depois de décadas de lutas internas visigóticas (à altura da invasão parece ter existido uma guerra civil) e devido aos visigodos representarem apenas cerca de 2% da população o que tornava dificil o controlo do reino. Com a vitória sobre Rodrigo basicamente os muçulmanos decapitaram a cúpula visigótica e criaram um vazio de poder que lhes permitiu através de conquista ou meramente de alianças locais conquistar a península sem grande resistência. Existem referências, por exemplo, de os muçulmanos terem permitido a um líder visigótico da zona de Murcia de se manter autónomo em troca da capitulação, por exemplo. Também em Portugal é sabido que existiam cidades cristãs sob domínio muçulmano. Até ao século X a maioria da população no Al Andalus era cristã, o que indica que a conquista foi relativamente rápida e sem grande oposição local. O facto de haver disputas confessionais entre donatistas e católicos permitiu também que a conquista muçulmana do Norte de África e da Península fosse mais rápida, já que os donatistas eram maioritários no Norte de África e em boa parte da Península e estes reviam-se mais na tolerância e dogmas dos muçulmanos do que na Ortodoxia do Catolicismo. Alguma vez leu isto num manual escolar? Alguma vez leu num manual escolar sobre as diferentes heresias cristãs que se opuseram à doutrina de Roma? Porquê se estas questões foram fulcrais na evolução do pensamento ocidental? Eu ainda aprendi um pouco sobre estas questões na escola na Alemanha, em Portugal, no meu tempo nunca vi nada escrito nos livros. Lá está... doutrinas...

Todas as questões históricas, tal como a industrialização, tiveram coisas boas e coisas más. A História não é uma bolha estanque em que temos de olhar sem poder interpretar. Para mim, como apaixonado por História (e porque foi assim que aprendi a gostar de História na Alemanha), a sua função não é dar-nos factos. É ensinar-nos a pensar. Tucídides quando escreveu a sua História da Guerra do Peloponeso, não estava simplesmente a dar-nos factos e datas. Estava a explicar-nos a sua interpretação das causas e acontecimentos que levaram à guerra, estava a dar-nos as razões para determinados eventos. Por isso é que é importante que as crianças saibam interpretar a história, mais do que decorem os acontecimentos e datas. Se uma criança não souber a data do inicio da Segunda Guerra Mundial, ninguém morre. Se uma criança não perceber que o totalitarismo e o racismo mataram milhões de pessoas ao longo dos séculos, aí já podemos voltar a repetir os erros do passado.

Está enganado se acha que eu critico o facto de criticarem a disciplina ou até o currículo das diferentes disciplinas. Eu critico há anos a maneira como se ensina em Portugal. O que não quero é que se chegue ao ponto que ocorre em vários estados dos EUA, onde os pais decidem o que se ensina nas escolas. Onde, por exemplo, os evangélicos conseguiram dominar os currículos escolares de muitas escolas. Critico também quem critica uma disciplina de cidadania, num país onde ela tanto faz falta. Na Alemanha ninguém questiona a disciplina de Politik porque há um entendimento colectivo de que é essencial a educação das crianças para serem bons cidadãos. O facto de não conseguirmos sequer chegar a acordo sobre esta questão diz muito sobre o país que temos.
 

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zawevo

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Re: Política em Portugal
« Responder #192 em: Setembro 17, 2020, 04:33:35 pm »
Nem o Ricardo Araújo Pereira conseguia escrever um texto humorístico tão bom.


Investimento na Defesa com "papel fundamental" na recuperação pós-pandemia
13 set, 2020 - 20:21 • Lusa

Governo reconhece como fundamental o investimento em equipamento para que as Forças Armadas possam continuar a cumprir as suas missões.

Conheça as Grandes Opções do Plano do Governo para 2021

O investimento na economia da Defesa poderá ter "um papel fundamental na tarefa prioritária de recuperação da crise pandémica" a partir de 2021, assinala o Governo nas Grandes Opções do Plano (GOP), prometendo "continuar a investir" nas Forças Armadas.

"A despesa em defesa é, em primeiro lugar, um investimento nas capacidades necessárias para garantir a liberdade, a segurança e a salvaguarda da vida dos portugueses, mas é igualmente um investimento no tecido económico, na inovação tecnológica, em empresas pequenas, médias e grandes, em novos empregos, e numa maior capacidade exportadora", lê-se no documento que será debatido e votado no parlamento em conjunto com o Orçamento de Estado para 2021.

O Governo considera "fundamental continuar a investir em meios e equipamentos para que as Forças Armadas possam cumprir cabalmente as suas missões" e se assumam como "um eficaz garante último da segurança e do bem-estar da população e atuem como uma reserva estratégica indispensável à resiliência do Estado face a emergências complexas".

No documento, o executivo realça que a política de Defesa Nacional é "um indispensável instrumento da política externa e de afirmação de Portugal no mundo".

A nível bilateral, o executivo destaca "o papel da política de Cooperação no Domínio da Defesa, principalmente no relacionamento com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e com a República Democrática de Timor-Leste, para a eficácia e a unidade da política externa portuguesa e para o reforço da credibilidade e visibilidade de Portugal no quadro internacional".

Por outro lado, as GOP sublinham a necessidade de "prosseguir a adaptação da Defesa Nacional e a transformação das Forças Armadas, por forma a responder tanto aos desafios da inovação tecnológica cada vez mais acelerada, incluindo as novas ameaças decorrentes da utilização abusiva do ciberespaço, como aos compromissos assumidos com os nossos aliados, que representam uma garantia coletiva vital na dissuasão de ameaças à nossa segurança".

"O investimento em defesa gerará também valor acrescentado na investigação, na indústria e na inovação e contribuirá para a recuperação, a renovação e a internacionalização da economia portuguesa" e "será ainda crucial na projeção internacional do país, assegurando a interoperabilidade com aliados e o cumprimento cabal das missões de paz e segurança internacionais com que nos comprometemos, nomeadamente no quadro da ONU, da UE e da NATO".

No documento, o Governo reitera a intenção de promover o alargamento do Regime de Contrato Especial e a conclusão do estudo de viabilidade sobre a criação de um quadro permanente de Praças no Exército e na Força Aérea, assinalando também a importância de procurar "novas soluções de recrutamento, retenção e requalificação, a par da aposta na formação, que permitam dar resposta nomeadamente às exigências de áreas tecnologicamente mais densas, como a ciberdefesa e o domínio espacial".

Na área do património, as GOP manifestam a intenção do executivo em ampliar a relação com as autarquias, uma vez que "os municípios são um parceiro privilegiado para que os imóveis disponíveis para rentabilização continuem a servir o interesse público, e a sua rentabilização possa prosseguir os interesses, protegidos por lei, das Forças Armadas".

Além do investimento em meios, equipamentos e nos recursos humanos, o Governo sublinha que a Lei de Programação Militar será executada de forma a gerar valor que se "traduza num efeito multiplicador da capacidade operacional, nomeadamente apostando em programas conjuntos e de duplo uso, isto é, que tenham uma aplicabilidade em missões civis, como a experiência da resposta à Covid-19 mostrou ser fundamental".

https://rr.sapo.pt/2020/09/13/politica/investimento-na-defesa-com-papel-fundamental-na-recuperacao-pos-pandemia/noticia/206908/
 

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Luso

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Re: Política em Portugal
« Responder #193 em: Setembro 17, 2020, 05:02:20 pm »
Magnífico texto, Viajante.
A parte socialista da geringonça está apenas interessada em esquemas e corrupção (e fazer algum frete ao Soros) enquanto que aos Comunistas e o Bloco é-lhes dada a liberdade para fazer subversão.
E como temos a direita mais estúpida da Europa, tudo isto passa em claro.

Por isto é que, depois de ouvir o Ventura (de quem muito desconfio) vou nele votar. Ouçam as intervenções no Parlamento e as do João Tilly no youtube.
Podem ser toscos de estilo mas ao menos dizem mais verdades que os bem falantes dos outros fiteiros.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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P44

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Re: Política em Portugal
« Responder #194 em: Setembro 17, 2020, 06:29:16 pm »
Como dizem os brasileiros, "conversa mole para boi dormir"

Tudo tretas
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

 

"Portugal é apenas esperança"-Hernâni Carvalho

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por P44
«Barco do aborto» parte esta segunda-feira rumo a Portugal

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Última mensagem Agosto 27, 2004, 10:18:06 am
por P44
Portugal entre os países que mais reduziram mortes/estrada

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Última mensagem Setembro 28, 2006, 03:37:14 am
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História de Portugal usada como exemplo no Parlamento alemão

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Protectorado de Portugal 2020-Artigo de José Pacheco Pereira

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