Engesa EE-9 Cascavel MK III

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Vitor Santos

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Engesa EE-9 Cascavel MK III
« em: Julho 23, 2019, 08:13:11 pm »
Viatura Blindada de Reconhecimento EE-9 Cascavel


História e Desenvolvimento

As primeiras experiências do Exército Brasileiro na operação de veículos blindados de combate com tração 6X6 teve início em 1942 com a celebração do acordo Leand & Lease Act. Este acordo proporcionou a cessão de carros blindados, inicialmente com os T-17 Deerhound e posteriormente M-8 Greyhound, cabendo a este último a experiencia de operação em combate real durante a campanha da Itália na Segunda Guerra Mundial. Tanto a experiencia do emprego deste tipo de veiculo na Europa quando no Brasil pós-guerra, tornaram este modelo de veiculo muito bem aceito entre as unidades mecanizadas brasileiras. Em fins da década de 1960 a obsolência do conjunto mecânico dos M-8 levaria o Parque Regional de Motomecanização da Segunda Região Militar de São Paulo – PqRMM/2 a desenvolver um programa remotorização, trocando o motor original a gasolina por um nacional Mercedes Benz OM321. Os resultados positivos levariam a equipe de projetos do PqRMM/2 a ir além, visando desenvolver o projeto de uma viatura blindada sobre rodas com tração 4X4. O processo de desenvolvimento, da maquete ao protótipo funcional, foi realizado entre o segundo semestre de 1968, e o primeiro semestre de 1970. Este carro denominado VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira 1), foi extremamente testado, nas mais severas condições, no entanto o interesse real do Exército Brasileiro estava focado na aquisição de um veículo 6X6, levando assim a equipe a retornar a prancheta de projetos.

Para atender os anseios do Exército Brasileiro, inicialmente considerou em estender a carroceria do protótipo do VBB-1 e transforma-lo em um 6X6, esta iniciativa, no entanto foi descartada partindo para o desenvolvimento de um novo veículo. Desta maneira a Diretoria de Motomecanizaçao definiu  especificações para o desenvolvimento de um veículo blindado de reconhecimento de reconhecimento com tração 6X6, dando início ao projeto VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2), cabendo novamente ao PqRMM/2 sua execução. Com o projeto finalizado, principalmente na parte estrutural da carcaça foi acrescentada uma das torres do VBB-1 (baseada na torre original do T-17 Deerhound), armada com um canhão de 37mm. A partir deste momento a designação do veículo passou a ser Carro de Reconhecimento sobre Rodas, tendo sua configuração sofrido pequenas modificações, principalmente nas linhas básicas, até a construção do primeiro protótipo, em 1970.  Este modelo foi totalmente construído nas instalações do PqRMM/2. Mas, como era necessário estudar melhor à sua suspensão, foi adotado o sistema “boomerang” criado pela Engesa (Engenheiros Especializados S/A) a qual o aplicava em veículos civis das categorias ¼, ½ e 5 toneladas.

O principal calcanhar de Aquiles do projeto era representado pela carência de torres, desta maneira optou se por desenvolver uma nova, tendo como base as torres do M8 Greyhound. Com a produção de oito unidades ficando a cargo da Companhia Siderúrgica Nacional, esta nova peça em relação a original apresentava um alongamento na parte traseira para assim abrigar o sistema de rádio, tinha ainda a previsão para receber um canhão de 37mm e uma metralhadora coaxial .30. Após testes práticos, elaborados pelo Exército Brasileiro e supervisionados pela equipe do PqRMM/2, foi decidida a construção de cinco veículos pré serie, sendo elevado para oito no ato da assinatura do contrato com a Engesa em 1971. A produção foi iniciada no ano seguinte, sendo concluída em setembro de 1975. Estes veículos contavam com uma nova torre, uma versão modificada do modelo utilizado no carro de combate leve M-3 Stuart. Estes oito veículos foram submetidos a um intensivo programa de testes e avaliação, englobando 32.000 km de rodagem entre as cidades de São Paulo, Uruguaiana, e Alegrete, as provas consistiram em andar 24 horas por dia, parando apenas para a troca equipe e abastecimento, se avaliando os defeitos que iam surgindo ao longo deste processo. Depois de reparados e corrigidas as falhas, os blindados voltavam a campo.

A partir desta etapa inúmeras alterações foram implementadas, incluindo a troca da torre, incorporando se novamente uma peça derivada do M-8 Greyhound, com alongamentos laterais e traseiros. Essa versão foi sendo aprimorada gradativamente, culminando numa torre mais moderna, com visores laterais e baixo perfil. Aprovado nos testes, o projeto recebeu a nova designação de Carro de Reconhecimento Médio (CRM), permanecendo a sua base como padrão de produção seriada, neste estagio o blindado começou a despertar o interesse no mercado internacional. O CRM passou a ser denominado como EE-9 Cascavel, sendo o EE uma abreviatura de Engenheiros Especializados S/A , e o número 9 a representação de sua tonelagem e Cascavel por ser o nome de uma cobra venenosa brasileira. Além da encomenda brasileira, o modelo receberia seu primeiro grande contrato de exportação em 1976, com uma encomenda de 200 unidades, tendo como exigência básica que os carros fossem armados com canhões de 90mm, o que foi sanado com a importação de torres e canhões franceses, recebendo o batismo de EE-9 Cascavel MKII. O próximo cliente seria o Exército Chileno com 106 unidades vendidas, novamente a Líbia assinaria um novo contrato para o fornecimento de mais 200 carros agora equipados com torres nacionais e canhões belgas Cockerill de 90mm, recebendo a denominação de Cascavel MKIII.


O batismo de fogo do Cascavel ocorreu em 1977 quando forças líbias confrontaram o exército egípcio, conquistando papel decisivo nesta batalha devido a sua mobilidade e velocidade, conseguindo chegar a frente de batalha na metade do tempo gasto pelos carros de combate russos T-62, este êxito na batalha serviu de ferramenta de propaganda internacional do modelo de carros de combate leve sobre rodas 6X¨6 da Engesa, levando a novas encomendas para o Iraque, Burma, Colômbia, Chipre, Congo, Equador, Gabão, Gana, Ira, Nigéria, Paraguai, Catar, Togo, Uruguai, Zimbabwe, Tunísia, Suriname e Burkina Faso. Ao todo foram produzidas 1.738 unidades dispostas em 4 versões, versões modernizadas estão ainda em uso em diversos países no mundo.

Emprego no Brasil

A conclusão dos testes de campo com os oito carros pré-série em 1976, levou a formatação da versão final designada EE-9 Cascavel MKI, umas das principais diferenças visuais observada foi a evolução da torre do canhão que originalmente empregava um modelo alongado derivado da torre do M3 Stuart, e passou a incorporar uma nova estrutura baseada na torre do M-8 Greyhound, com alongamentos laterais e traseiros. Esta versão foi aprimorada gradativamente, culminando numa mais torre mais moderna, com visores laterais e baixo perfil. Nesta etapa deu se a formalização do primeiro contrato de produção, englobando a produção de mais 102 carros, totalizando 110 veículos, incluindo os oito protótipos iniciais. O novo carro blindado recebeu no Exército Brasileiro a designação de Carro de Reconhecimento Médio 6X6 (CRM). Devido a seu canhão de 37 mm, esta versão viria a receber entre as fileiras do Exército Brasileiro a denominação de Cascavel Magro. Este modelo inicial adotado pelo Exército Brasileiro possuía 6,20 m de comprimento, 2,64m de largura, 2,95m de altura, peso de 13,7 ton, velocidade máxima de 100km/h e autonomia de 750 km. Empregava um motor nacional Mercedes Benz OM 352A de seis cilindros em linha e 174hp. Possuía um nível de blindagem aceitável para as ameaças da época, sendo uma proteção frontal incluindo a torre de 16 mm e lateral de 8,5 mm.

A introdução do Cascavel MKI a partir de 1974, junto aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada e Esquadrões de Cavalaria Blindada Exército Brasileiro, promoveu na força blindada um elevado salto quantitativo e qualitativo. Neste mesmo período o modelo começou a despertar o interesse de clientes internacionais, entre estes a Líbia que viria a encomendar 200 unidades, porém exigências contratuais demandavam que o blindado fosse equipado com canhões de 90 mm e torres de origem francesa. Esta nova configuração viria a gerar interesse do Exército Brasileiro verificando a significativa melhoria deste novo canhao de maior calibre. Contando com uma frota de cerca de 102 EE-9 Cascavel MK-I operacionais em seus regimentos de cavalaria mecanizada, o comando do Exército desenvolveu estudos visando implementar um programa de modernização tendo com principal foco a troca do antigo canhão de 37 mm, por uma arma de cano de 90 mm. Entre as opções de armamentos analisadas, optou-se pela adoção do canhao belga Cockerill de 90mm, que apresentava a melhor condição de custo benefício, também os requisitos técnicos favorecem este escolha. Sempre em busca da redução da dependência externa, a Engesa optou por comprar o projeto deste canhão, enviando engenheiros para aprender como fabricá-lo, bem como adquirir as máquinas necessárias para sua produção. Este processo envolvia também a substituição da torre, inicialmente pensou em se adotar a mesma torre usada nos carros destinados ao exército líbio, opção descartada em detrimento da adoção de uma torre de fabricação nacional.


As principais evoluções apresentadas nas versões designadas  Cascavel MKII e MKIII estavam baseadas a adoção do novo canhão CMI Defense Cockerill Mk2 de 90 mm nacionalizado pela Engesa torre reprojetada, novos sistemas diretores de tiro, telêmetro laser e comunicação. Assim desta maneira no início de 1977, oito veículos da versão Cascavel MKI pertencentes aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada, foram encaminhados a Engesa para servirem de protótipo a um processo de atualização para a versão MKIII. Inicialmente a primeira mudança básica foi a substituição da torre original pela nacional destinada a acomodar o novo canhao de 90 mm, nascendo assim o Modelo M2 Serie 3 o qual seriam convertidas cerca de 60 unidades. Ao longo dos anos de produção seriada, novos melhoramentos foram incorporados, gerando os veículos Modelo 2 Serie 7 em 1980 com 07 unidades recebidas, Modelo 6 nas séries 3, 4 e 5 com 37 unidades adquiridas e finalmente o modelo 7 nas séries 8 e 9 com 215 unidades recebidas. Em meados da década de 1980 relegaram os EE-9 do primeiro lote para atividades de treinamento nas unidades do Exército Brasileiro, sendo que as últimos carros foram retiradas do serviço ativo no início da década de 1990.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil adquiriu também seis unidades em 1977, e por mais de 20 anos estes carros apesar de  suas limitações relativas à mobilidade (por ser uma viatura sobre rodas), e  poder de fogo, foram essenciais para a tarefa de servir como embrião da mentalidade de utilização de carro de combate para a Marinha. Em fins da década de 1990 os EE-9 Cascavel foram  substituídos por novos blindados sob lagartas Sk105A2S Kürassier, mais indicados para operações de desembarque anfíbio. No Exército foram empregados com sucesso também em missões de Paz (Contingentes da ONU), em Angola - UNAVEM III e Moçambique - ONUMOZ entre os anos de 1995 e 1997 sendo imersos em uma situação real de conflito de longa duração. Aplicado como equipamento padrão de todos os Esquadrões e Regimento de Cavalaria Blindados, os quase 25 anos de operação geraram um cenário de alto índice de indisponibilidade, principalmente devido a não realização de manutenções de grande porte devido a falência de seu fabricante em 1990. Para reverter este quadro em 2001 foi iniciado um grande programa de repotenciamento e modernização pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) visando envolver 213 dos carros em pior estado de conservação, envolvendo completa desmontagem dos veículos, revisão estrutural, retificação e substituição de componentes, melhorias nos motores Detroit Diesel 6V-53N 6 cilindros, com 212HP de potência, e a troca de canbagens e sistemas rádios obsoletos por outros mais modernos e confiáveis. Este processo gerou uma sobrevida ao modelo visando assim cobrir o gap para a introdução de uma versão armada do Iveco Guarani 6X6.


Em meados de 2015 o Centro Tecnológico do Exército, do Arsenal de Guerra de São Paulo decidiu em conjunto com a empresa privada Equitron, de São Carlos desenvolver um projeto radical de modernização para os EE-9, visando também almejar o mercado internacional onde muitas nações ainda empregam o modelo. Inicialmente foi contratado a modernização de dez carros com o primeiro protótipo designado EE-9U (MX8), sendo apresentado em novembro de 2016. Este programa contempla a instalação de um novo motor Mercedes Benz MTU de gerenciamento eletrônico, inclusão de transmissão automática ZF Alemã, nova suspensão tipo boomerang, freios a disco, cabine com ar-condicionado, controle de tração 6x6 e maior capacidade de estocagem da munição do canhão 90 mm, adoção de acessórios digitais óticos como câmeras e visores diurno-noturno e um designador laser de tiro, sistema de giro eletro-hidráulico da torre que foi reprojetada e elevação do canhão. Este projeto pode possibilitar também o novo carro a operar com misseis antitanque, melhorando em muito sua capacidade de combate, a ideia e estender a vida útil dos carros até pelo menos o ano de 2030.

FONTE: http://www.armasnacionais.com/2017/10/engesa-ee-9-cascavel-mk-iii.html
« Última modificação: Julho 23, 2019, 08:23:51 pm por Vitor Santos »
 

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Re: Engesa EE-9 Cascavel MK III
« Responder #1 em: Julho 23, 2019, 08:20:36 pm »







 

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Re: Engesa EE-9 Cascavel MK III
« Responder #2 em: Julho 31, 2019, 03:22:52 pm »
Carro de Combate Cascavel dos Fuzileiros Navais



 

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Re: Engesa EE-9 Cascavel MK III
« Responder #3 em: Maio 21, 2020, 04:27:39 pm »
O Cascavel modernizado pela Equitron – O futuro do Cascavel?


Por Paulo Bastos, Hélio Higuchi e Reginaldo Bacchi

INTRODUÇÃO

Devido as recentes publicações feitas pelo Estado-Maior do Exército (EME), os documentos EB20-RO-04.013 e EB20-RTLI-04.001, referentes a modernização da viatura blindada de reconhecimento média sobre rodas 6×6 CASCAVEL, dentro no âmbito do GT NOVA COURAÇA, cujo matéria se encontra na atual edição da Revista Tecnologia & Defesa, de nº 160, resolvemos republicar no site a matéria da edição nº 147 (publicada originalmente em dezembro de 2016), por considera-la extremamente importante para a compreensão do tema atual, bem como para homenagear um dos maiores pesquisadores militares da história desse país: o Professor Reginaldo José da Silva Bacchi.

VIDA NOVA PARA O CASCAVEL?

A história real e as possibilidades

A maior atração da 4ª Mostra BID Brasil, realizada no final de setembro de 2016, em Brasília (DF), foi o protótipo da modernização da VBR Cascavel, do Exército Brasileiro (EB), Entretanto, desde a sua apresentação a até os dias de hoje, esse programa vem sendo divulgado com muitas informações equivocadas e que até mesmo carecem de qualquer fundamento. Assim, Tecnologia & Defesa foi a fundo no assunto, realizando visitadas e conhecendo os locais onde o “novo carro” foi concebido e teve acesso a todo o projeto.

COMO SURGIU

No início da década de 2010, o 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada (13º RCMec), em Pirassununga (SP), estava com dificuldades para solucionar diversos problemas de manutenção nos freios das viaturas Engesa EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, por serem um sistema antigo, projetado nos anos de 1970, que sofria uma manutenção não padronizada (devido à política então praticada), o que acarretava uma grande indisponibilidade desses veículos, bem como alguns incidentes potencialmente graves. Nessa época, o professor doutor engenheiro José Guilherme Sabe, proprietário da Equitron Automação Eletrônico Mecânica Ltda, que também atua no ramo automotivo, se dispôs, de forma voluntária, a buscar soluções modificando o sistema de uma VBTP Urutu.

A Equitron, com sede em São Carlos (SP), é uma empresa especializada em automação de processos de manufatura, destacando-se como criadora de soluções, produzindo linhas de montagens, células robotizadas e equipamentos especiais para soldagem e testes não destrutivos. Os maiores nomes da indústria automobilística instalada no Brasil estão entre seus clientes.

Tendo em sua carteira a TRW Automotive Ltda, sucessora da fábrica dos freios originais do veículo, o Dr. José Guilherme levantou, dentro de seu portfólio de peças, quais as que substituíram as antigas. Dessa forma, todo o sistema foi refeito pela Equitron, tendo seus principais componentes, como os discos e pinças, trocados e sanando a questão. Tempos depois, o serviço foi feito em outra VBTP que deveria participar de uma operação na Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações (MG), com o deslocamento ocorrendo sem a utilização de uma prancha de transporte, e era preciso dar muito mais segurança à tripulação.

Constatada a grande melhora no desempenho e na segurança das viaturas modificadas, a Equitron foi convidada pela Diretoria de Materiais (DMAT), em Brasília (DF), para apresentar as soluções utilizadas, visando seu aproveitamento nas viaturas Urutu e Cascavel que estavam sendo recuperadas no Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP). Comprovando sua capacidade técnica, já em 2013, a empresa foi convidada a participar do processo licitatório nº 64.005.005.219/2013-61, para a contratação de serviços técnicos especializados em engenharia automotiva para desenvolvimento de projeto de manutenção modificadora da VBR EE-9 Cascavel, Modelo M2, com entrega de um protótipo ao AGSP. Mesmo diante do grande desafio em algo tão complexo como uma viatura blindada, a Equitron decidiu participar pois já dispunha de toda a documentação necessária, por conta do projeto de um canhão d’água antiexplosivos desenvolvido para a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), e acabou vencendo a concorrência pelo menor preço. Em meados de 2014 foi entregue a VBR a ser modernizada.

VBR 6×6 EE-9 M2S3 Cascavel, no Pq R Mnt/5, em 2008. Foi um modelo similar a esse que foi utilizado pela Equitron em seu protótipo.

O veículo disponibilizado pelo EB para servir como protótipo foi o Engesa EE-9 Cascavel, Modelo II, matrícula EB 3425211909, um dos primeiros exemplares recebidos pela Força, há mais de 40 anos, ainda com transmissão mecânica e os faróis colocados acima do chassi, característica marcante dos modelos mais antigos. Em 2015, enquanto o projeto da Equitron tomava corpo, o AGSP, idealizou uma modernização mais radical para a VBR Cascavel, propondo uma completa automação em sua torre e, para tal, foi lançado o processo licitatório nº 64.005.006.523/2014-14, que também foi ganho pela empresa.

Desde o primeiro programa (2013), a Equitron resolveu apresentar diversas soluções modulares, que poderiam servir não só ao Modelo II, mas, com pequenas alterações, a todas as versões do Cascavel, permitindo que o EB implemente apenas as que melhor atendam às suas necessidades, ou que as faça em etapas, conforme sua demanda ou disponibilidade de recursos. Depois da segunda licitação o projeto foi totalmente unificado, apresentando diversas soluções modernas, criativas e utilizando o máximo de componentes disponíveis no mercado automotivo industrial de alta confiabilidade, por sinal, o mesmo que fazia a Engesa em seus produtos e que fez tanto sucesso entre seus operadores.

Utilizando a filosofia modular, com o máximo de automação possível, e buscando não só a melhoria de desempenho e da logística da VBR Cascavel como um todo, mas também a segurança de seus ocupantes, a empresa recriou a VBR Cascavel, com um projeto próprio e muito inovador, totalmente executado por seus engenheiros e técnicos, em suas instalações, superando os requisitos básicos apresentados nos documentos da licitação. Surgiu, dessa maneira, o protótipo chamado de EQ-12, pela Equitron; MX-8, no AGSP; e EE-9U, na Cavalaria do Exército.

PRINCIPAIS IMPLEMENTOS

_ Chassi, Motor e Transmissão

Como o EB permitiu a completa mudança em toda a carcaça, o chassi foi cortado longitudinalmente, tendo toda sua estrutura interna modificada e aberta. Nas palavras do Dr. José Guilherme “o trem de força e transmissão do veículo ocupa proporcionalmente quase a mesma porção da motorização de um avião de caça”. Essa mudança possibilitou um motor maior e mais potente, com uma mudança total na sua configuração permitindo que seja retirado e substituído, junto com a transmissão, em cerca de uma hora, “semelhante ao dos Leopard”, o que facilita em muito a logística, principalmente em ambientes operacionais, ou seja, fora das oficinas.

O chassi sendo remontado na sede da Equitron

O novo motor, um MTU 6R926, eletrônico, com curva de torque plana na faixa operacional de rotação, é capaz de manter um patamar constante de torque, na baixa e na alta rotação, com uma transmissão eletrônica ZF 6HP504C, automática.

A parte traseira do chassi foi alterada, criando uma espécie de protuberância, a qual o Dr. José Guilherme chama de o Guizo da Cascavel, para comportar o novo motor e transmissão, assim como para melhorar a refrigeração e diminuir a assinatura térmica. O carro não tem freio motor, mas um freio hidrodinâmico no câmbio. O farol externo foi retirado e a carroceria foi cortada para que ele pudesse ser inserido, como nos modelos mais modernos produzidos pela Engesa.

_ Suspensão e Diferencial

O famoso sistema Engesa Boomerang, tão aclamado quando de sua adoção, notadamente por sua capacidade de superar obstáculos, é considerado um dos “Calcanhares de Aquiles” do Cascavel e do Urutu, obsoleto e não mais aceitável para os padrões atuais. Quando comparado aos sistemas modernos, é muito pesado, devido ao elevado valor de massas suspensas, não permitindo o aproveitamento de um aumento de potência do motor e contribui para dar ao carro uma velocidade de deslocamento baixa em condições de qualquer-terreno (QT).

O chassi alterado aguardando a montagem dos componentes

Outro problema corriqueiro, especialmente nas primeiras versões desses blindados, devido a desgastes mecânicos e algumas tentativas de correção, é o diferencial dianteiro desconectado, transformando o veículo em um 6X4, como no veículo entregue à Equitron.

Para solucionar essas e outras questões foi retirado o bloqueio e trocado todo conjunto diferencial interno do boomerang, preservando somente os facões laterais, e foram feitas novas pontas de eixo. Com isso diminuiu-se consideravelmente a massa e a taxa de quebras, facilitando a manutenção e aumentando a eficiência na transmissão de força.

Também está em estudos o funcionamento da roda dianteira do boomerang como roda-livre, melhorando assim a manobrabilidade do carro em ambientes mais confinados e com piso mais aderente, como os encontrados em missões urbanas de Garantia de Lei e Ordem (GLO), e reduzir o desgaste dos componentes mecânicos.


_ Torre e Sistema de Armas

De acordo com o Dr. José Guilherme, a torre original do Cascavel M2 foi totalmente desmontada e reconstruída, mantendo os mesmos ângulos de inclinação, mas com um novo sistema de tiro com telêmetro e um sistema de controle de servo-posicionamento, para giro e azimute, controlado por joystick.

A parte traseira foi cortada e ampliada para acondicionar sistema de energia e potência para alimentação dos servomotores, para que a torre opere independentemente. As baterias permitem que, com o carro desligado, a torre possa atuar por 10 minutos contínuos ou 30 minutos, de forma intermitente. A torre pode ainda ser removida e colocada em uma estrutura fixa, transformando-se em uma casamata.

Para aumentar a segurança do motorista, retirar o motor e a transmissão de forma rápida e acomodar os servos, a torre foi elevada com a inclusão de um anel com capacidade de resistência balística similar à sua parte frontal.

Foi mantido o canhão EC-90, de 90mm, com mira ótica DF Vasconcelos, assim como as metralhadoras de 7,62mm, coaxial e antiaérea, e os lançadores de granadas fumígenas, de 76mm. A peça principal está agora assistida por um inclinômetro que corrige automaticamente a posição do canhão fazendo com que fique referenciado em relação ao nível horizontal. Foram incluídos um sensor multiespectral de observação, da Opto Eletrônica S/A, com câmeras LCD com zoom, para uso diurno; câmera infravermelha, para noturno; e o sistema MILMOS COTS, da holandesa Orlaco Products B.V., composto por quatro câmeras compactas que cobrem um arco de 360º, dando ao comandante do veículo um incremento na consciência situacional. Tudo integrado pela Equitron, em uma interface touch screen nacional e em português. O sistema de comunicação foi substituído, sendo o protótipo equipado com o rádio tático Harris Falcon III e o sistema Thales SOTAS para intercomunicação digital, ambos utilizados no VBTP Guarani.

Sensor multiespectral, desenvolvido pela Opto Eletrônica, que é integrado aos monitores da torre

Uma das quatro câmeras do sistema MILMOS COTS que garantem uma visão de 360º. Uma solução que poderia ser utilizada em outras viaturas como o VBTP Guarani

Posição do motorista, com destaque para o monitor integrado às câmeras

Faltando cerca de 40 dias para o veículo ser oficialmente apresentado na 4ª BID Brasil, e em face à modularidade das suas soluções, foi sugerida a possibilidade de disparar mísseis MSS 1.2 AC, da brasileira Mectron Engenharia. A ideia foi discutida e aceita pela equipe de engenheiros da companhia que, em tempo recorde, alterou o sistema de tiro, incluindo mais dois servos para controle e um sistema de estabilização independente do canhão (ainda em desenvolvimento), que comandam um tubo lançador com guiagem totalmente integrada ao sistema de armas do veículo. Além do MSS 1.2 AC, a laser, também podem ser integrados sistemas do tipo “dispare-e-esqueça”, como o israelense Spike, de forma ainda mais fácil, pois não requer qualquer tipo de orientação após o lançamento.

TESTES E O FUTURO

A avaliação inicial ocorreu no primeiro semestre de 2016, quando o protótipo foi enviado ao Campo de Provas da Marambaia (CPrM), para testes de deslocamento e guiagem. Embora tendo o seu peso aumentado de 9 para cerca de 13 toneladas, alcançou facilmente uma velocidade de 100 km/h.

O protótipo em testes

Em 20 de outubro de 2016, foi a vez de uma seção de tiro técnico no 2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve (2º GAC L), em Itu (SP), onde foram efetuados 10 disparos unicamente para avaliar a segurança, robustez e confiabilidade do sistema de armas, com bom resultado, sendo que um teste de precisão será feito no CPrM, mas ainda não existe uma data fixada.

No momento o carro está na 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (2ª Bda C Mec), em Uruguaiana (RS), onde estão sendo formadas tripulações para operá-lo e testá-lo intensamente, por tempo indeterminado, para validar as soluções implementadas.

As inovações propostas e introduzidas pela Equitron, caso forem implantadas em sua totalidade (suspensão, motorização, transmissão, sistemas de armas e torre), significariam uma modernização total da VBR Cascavel, mas a um custo elevado. Conhecedores desse fato, o Dr. José Guilherme e sua equipe, projetaram o protótipo com o uso de soluções modulares, que utilizam slots para conectar seus diversos elementos e interfaces, permitindo assim sua fácil integração e que faz com que cada módulo possa ser feito separadamente, de acordo com as necessidades do EB, e também de forma paulatina.

O protótipo é um VBR conceitual, mostrando o que a empresa pode inovar para manter a frota desses veículos na ativa até a introdução de um substituto. Os componentes escolhidos foram preferencialmente os disponíveis na indústria nacional, visando facilitar a manutenção, e os componentes novos foram desenhados pela própria Equitron, com seus protótipos produzidos pela indústria brasileira. Isso só foi possível porque a empresa já possui uma cadeia logística consolidada por ser uma grande fornecedora de linhas de montagens, automação e soluções para produções de componentes, para praticamente toda a indústria automotiva instalada no Brasil.

Ao contrário do que tem sido divulgado, não há ainda nenhuma encomenda por parte do Ministério da Defesa para modernização das VBR Cascavel, muito menos uma pré-série. Entretanto, caso isso se torne realidade, a Equitron pretende se candidatar ao trabalho já que possui toda a capacidade e ferramental para isso, independentemente de quais módulos venham a ser selecionados pelo Exército.

 :arrow:  https://tecnodefesa.com.br/o-cascavel-modernizado-pela-equitron-o-futuro-do-cascavel/
 
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Vitor Santos

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Re: Engesa EE-9 Cascavel MK III
« Responder #4 em: Agosto 15, 2020, 03:54:34 am »
 
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Re: Engesa EE-9 Cascavel MK III
« Responder #5 em: Outubro 16, 2020, 01:53:58 pm »
Citar
Entre os dias 12 e 14 de outubro, o 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado, “Regimento Conde de Porto Alegre”, conduziu tiro técnico de canhões 90mm recuperados pela FT de Manutenção da 2ª Bda C Mec. 9 VBR Cascavel do 8° RCMEC e 3 VBR do 5° RCMEC participaram da atividade apoiada pelo 10° B Log.




 

 

Protótipo MBT Engesa EE-T1 Osório

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Última mensagem Abril 29, 2020, 05:49:05 pm
por Vitor Santos
Engesa EE-11 Urutu

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Última mensagem Julho 23, 2019, 08:49:25 pm
por Vitor Santos