Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?

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papatango

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #75 em: Dezembro 19, 2011, 10:27:16 pm »
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Relembro que A Batalha de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385, colocou em confronto 30.000 castelhanos contra pouco mais de 5.000 portugueses, seguindo esta lógica ´´da batata´´ o melhor tinha sido enfiar a cabeça na terra e rendermos-nos.

O problema é que a analogia não procede.
Em Aljubarrota, as forças em presença do lado do inimigo, representaram o máximo que a coroa castelhana previsivelmente poderia juntar.
Foi um esforço supremo.
Os portugueses, assegurando a vitória poderiam respirar durante muitos anos (como veio a acontecer).

Já na India, o problema não era a desproporção efectiva que resultou da colocação das tropas indianas no terreno, mas o facto de os indianos poderem multiplicar por um numero muito grande, a já de si grande desproporção.

O resultado era por isso inevitável.
É claro que era possível ter feito muito mais, esperando (e é preciso frisar isto) infligir ao inimigo um numero de baixas tal, que este tivesse que recuar, mesmo que apenas numa primeira fase.

Mas para isto, precisávamos de ter lá equipamento e uma força militar que não achasse que ía ser triturada.
Havia uma meia duzia de peças de 57mm anti-tanque, com cerca de 20 anos (o que é equivalente a ter hoje material de 1991) mas não havia quem soubesse opera-las, mas também (aparentemente) ninguém tentou.

A idade das munições também foi determinante. Muito do material inglês e americano sofria com o problema do tempo e do acondicionamento.
É curioso analisar a quantidade de militares que disseram que as armas tinham encravado.

De resto teria sido possível fazer alguma coisa, mas a superioridade aérea da India seria sempre determinante. A distância a que a India se encontrava de outro território português (sul de Moçambique) também tornava inviável o envio de outros navios de guerra, nomeadamente de submarinos, que nós tínhamos mas que não podiam operar a distâncias tão grandes da base.

Os indianos já utilizavam aviões a jato e contra aeronaves a jato, os canhões começavam a mostrar-se demasiado lentos.
Estamos no tempo em que os exércitos começaram a estudar os mísseis anti-aéreos ligeiros. O Redeye americano ainda não estava disponível e mesmo que estivesse os americanos não nos vendiam.

Enfim.
A maior parte dos fatores jogavam a nosso desfavor.
 

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urso bêbado

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #76 em: Abril 21, 2012, 07:08:41 pm »
Por se alguém não sabe deste livro, e acho que não sobejam sobre o conflito:



http://www.pglingua.org/sites-associado ... oi-vasques

 

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mafets

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #77 em: Dezembro 17, 2013, 10:07:15 pm »
Quinquagésimo segundo aniversário da invasão indiana de Goa, Damão e Diu.

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Saudações
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mafets

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #78 em: Dezembro 17, 2014, 12:29:06 pm »
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%A3o_de_Goa
Citar
Forças
Exército Português
3 300 soldados
Marinha Portuguesa
1 aviso e 3 lanchas de fiscalização

Exército Indiano
45 000 soldados
Marinha Indiana
1 porta-aviões, 1 cruzador, 3 contra-torpedeiro e 4 fragatas
Força Aérea Indiana
50 caças e bombardeiros

Vítimas

Portugal
31 mortos em combate
57 feridos em combate
3306 prisioneiros de guerra
1 aviso   

India
34 mortos em combate
51 feridos em combate
Mais um aniversário da invasão de Goa, Damão e Diu. Numa altura que se fala tanto de invasões e anexações, seja da Crimeia à Ucrânia, da Geórgia ao Kosovo, por norma esta fica esquecida.  :?





Cumprimentos
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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #79 em: Dezembro 18, 2016, 10:53:53 pm »
Uma data para ser lembrada.
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A INVASÃO DO ANTIGO ESTADO PORTUGUÊS DA ÍNDIA > 47 Anos depois
"Acção da Marinha Durante a Invasão do Estado da Índia (1961) Introdução Na noite de 17 para 18 de Dezembro, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. Apesar da dimensão avassaladora do ataque, as tropas portuguesas portaram-se com grande dignidade, tendo estado muito longe da imagem de debandada que se generalizou na opinião pública portuguesa. [NRP “Afonso de Albuquerque”. ] Embora se tenham registado alguns casos de pânico e de rendição prematura, também se verificaram situações de tenaz resistência, como sucedeu na ilha de Angediva e, de um modo geral, nos territórios de Damão e Diu. Talvez a falta de meios de comunicações e de uma eficiente rede de comando e controlo tenham reduzido a eficácia da resistência portuguesa (sem falar da esmagadora desproporção de efectivos), mas quando o prolongamento da luta apenas pode conduzir ao inútil sacrifício de vidas (muitas das quais civis) e a uma gratuita destruição de um património histórico milenar, a rendição torna-se a única opção inteligente. Não foi, porém, esse facto que impediu a nossa Marinha de se bater com grande brio e honrar, de forma heróica, a gloriosa tradição naval dos nossos antepassados.

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NRP Sirius (1959-1961) Auto-afundada em Dezembro de 1961

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NRP Vega (1959-1961) Afundada em combate em Dezembro de 1961

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NRP Antares (1959-1975) Cedida a Moçambique

Saudações
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Lightning

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #80 em: Abril 05, 2017, 09:33:13 am »
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Nessa carta, Suleimão prometia livre saída de pessoas e bens, desde que entregassem a fortaleza e as armas. E prometia esfolar vivos todos os que não o fizessem, gabando-se de ter com ele muitos guerreiros que ajudaram na conquista de Belgrado, a Hungria e a Ilha de Rhodes. Perguntava no fim a Silveira, como se iria defender num “curral com tão pouco gado!”

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“Muito honrado Capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rhodes tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por Capitão António da Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem não os tenha!”

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Esta foi a resposta que deu António da Silveira, Capitão de Diu, à carta que Suleimão Paxá, Comandante turco (que era eunuco), que com 70 galés e 23.000 homens cercava a cidade, defendida por 600 portugueses.

https://jornaldiabo.com/destaque/quem-esta-louco-erdogan-ou-os-europeus/
 

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Luso

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #81 em: Março 13, 2020, 11:23:54 am »
Apesar do contexto actual impor outras prioridades, entendo que deveria deixar registado no fórum um registado retirado do blog "A Bem da Nação" e que pode indicar pistas para explicar o inexplicável nesse ano de 1961...

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/em-tardia-defesa-dos-goeses-1746505

Citar
EM TARDIA DEFESA DOS GOESES
Henrique Salles da Fonseca 24.11.16

São Francisco Xavier ainda não foi substituído por uma vaca, como fingia recear o Doutor Adriano de Sousa, grande advogado do pretório de Lourenço Marques, para levantar o orgulho dos seus patrícios, mas Goa está amoxamada... É o que observa quem lá vai.  Há um debate para saber se a insidiosa perda dos valores ocidentais é culpa dos que já estão fora e dos que vão para fora ou dos que ficam lá em Goa.
 
Na realidade dos factos históricos, a culpa está muito bem definida e identificada. Não é dos Indo-portugueses, nem dos Goeses.
 
Tudo foi combinado fora de Goa, pelo PCP, que começou em Moscovo e acabou por conseguir fazer programar tudo em Nova Delhi e em Goa.  Depois foi tudo executado, dentro de Goa e de Portugal, pelos marxistas-leninistas infiltrados, pelo PCP, no exército português, o marechal Francisco da Costa Gomes, cognominado Rolha durante o PREC, a instalar como governador o humanista general Vassalo e Silva, que não era vassalo de Portugal e só queria salvar a pele bem curtida nas praias de Goa, em desmentido do juramento que tinha feito na sua carta militar.

O Professor Doutor Oliveira Salazar nem teve tempo para mudar de ideias e fazer um referendo, que os goeses não teriam hesitado em votar em massa para ficarem portugueses.

Se houve tiros contra o exército e marinha do invasor, foram disparados por uns poucos goeses, entre eles o comandante duma instituição militar, que devia ser libertada por um grupo de blindados, pelo subchefe Aniceto do Rosário, que morreu, no seu posto defendendo Dadrá, pelos descendentes dos escravos de armas caboverdeanos de Diu, que só içaram uma bandeira branca depois de esgotadas as munições contra a marinha de guerra da União Indiana, e pela marinha portuguesa, nomeadamente a lancha Vega comandada pelo segundo-tenente Oliveira e Carmo fardado de branco e morto em combate, em Diu, pelo aviso Afonso de Albuquerque, com o seu comandante gravemente ferido, em Mormugão.  Também em Damão houve tiros.  Em Damão, nas festividades do dia feriado pela libertação ou invasão, antigos oficiais do exército português também vão pôr coroas pelos caídos, em Dadrá e Nagar Aveli.  Para quem não acreditar, há um filme, na Internet.

Segundo os invasores, a conquista de Goa (ou de Goa com Damão e Diu) durou 36 horas e, em Goa, as tropas portuguesas foram recuando até Vasco da Gama, na península de Mormugão, onde o governador humanista trazido para Goa pelo marechal Rolha, que dali levou tropas e armamentos, por serem necessários em Angola, solicitou o cessar fogo, sem condições, aos Excelentíssimos Senhores seus Inimigos e Amigos, depois da rendição incondicional do Comandante Chefe das Forças Armadas do Estado Português da Índia, ele próprio e a mesma pessoa (Valentino Viegas, 2012, Goa, o preço da identidade, Lisboa, Livros Horizonte, Lda, 165 p.).  Antes disso o general Vassalo e Silva, para afastar qualquer dúvida sobre o cabal cumprimento da sua missão, tinha já combinado com o seu Inimigo e Amigo, general Chaudhury, comandante do exército invasor, como devia fazer, para entregar Goa à União Indiana.  Quem ficou irritado com essa formalização, foi Krishna Menon, ministro dos negócios estrangeiros, que desejava confinar a aparatosa invasão a um problema interno da União Indiana e daí lavar as suas mãos, mas, agora o seu exército tinha recebido e deferido um requerimento a pedir rendição de um exército, que para ele era estrangeiro (Mariana Manuel Stocker, 2011, Xeque-Mate a Goa, O Princípio do Fim do Império Português, Alfragide, TextoEditora Lda., 440 p.). 

Quanto aos jornalistas e outras personalidades, que tinham estado presentes, o jornalista brasileiro Leopoldo de Melo declarou em Caráchi, que a rendição das forças portuguesas lhe parecera “vergonhosa” e que estas forças “actuavam como se estivessem privadas de comando, deslocando-se continuamente sem aparente finalidade, acabando por retirar-se em direcção a Vasco da Gama”.  O Patriarca José Alvernaz desmentiu ter dado qualquer conselho de rendição e afirmou, que desde o primeiro dia da invasão, quando se encontrou com ele, o governador já tinha decidido que os portugueses se deviam render.  Os jornalistas americanos regressaram de Goa frustrados.  Só poucas pontes tinham sido cortadas à última da hora.  Não tinha havido praticamente combates e os tiros tinham escasseado.  Do lado português vinte mortos, entre eles o telegrafista Piedade do aviso Afonso de Albuquerque e o segundo-tenente Oliveira e Carmo da lancha Vega, do lado indiano vinte e uma baixas (Mariana Manuel Stocker, 2011), entre elas o oficial indiano ingénuo que comandava os tanques que foram atacar uma instituição militar de Goa guarnecida por goeses.  Saiu a peito descoberto para negociar a libertação com o oficial goês, que comandava esse quartel ou forte, o qual, sem hesitar, o abateu (Valentino Viegas, 2010, A morte do Herói Português, da guerra em Angola à invasão de Goa, um testemunho, Lisboa, Livros Horizonte, Lda.).   Este infeliz oficial sabia que a guarnição era goesa e julgava que os goeses se queriam libertar de Portugal, como a Índia se tinha libertado do imperialismo britânico.  Como oficial superior, estava no segredo dos deuses e sabia que o general Vassalo e Silva obedecia ao PCP e ao KGB, não obedecia às ordens de Salazar.  Não tinha reparado, que o general tinha deixado de comandar, abandonando as suas tropas à sua sorte, por motivos de grande humanismo marxista-leninista.  Também não sabia, que, quando Ghandi dirigia o partido do Congresso, uns goeses líricos lhe tinham escrito de Bombaím, pedindo para trabalharem pela libertação com o Congresso Indiano, porque tinham em Goa a mesma luta e a mesma situação de colonizados.  Ghandi tinha iniciado a sua carreira de advogado, em Durban, onde lutou para ser considerado sujeito do Reino Unido e seu Commonwealth e deixar de ser discriminado pela lei do apartheid da África do Sul, votada pelo parlamento britânico, no início do século XX.  Ghandi respondeu aos líricos goeses de Bombaím, que estavam muito enganados e que, em Goa, só o governador era português e que tudo o resto, incluindo o poder judiciário estava nas mãos dos goeses, situação muito diferente daquela, que vigorava na Índia Inglesa, onde os indianos até estavam impedidos de frequentar lugares públicos reservados aos Ingleses.

O aviso Afonso de Albuquerque afrontou sozinho três fragatas indianas acompanhadas por um cruzador e um porta-aviões, na baía de Mormugão:  “… muitos foram aqueles que observaram com os seus próprios olhos, assistindo à distância à batalha naval travada…  Com extraordinária coragem, grande determinação e invulgar valentia, os marinheiros portugueses enfrentaram as modernas fragatas inimigas (…), sabendo de antemão que a qualquer momento elas podiam ser apoiadas pelo cruzador (…) e pelo porta-avões (…).  Apesar de o comandante do navio, o capitão-de-mar-e-guerra António da Cunha Aragão, ter sido dos primeiros a ser alvo do fogo inimigo e estar gravemente ferido, pois logo na fase inicial do ataque fora atingido por um estilhaço junto ao coração, o aviso Afonso de Albuquerque deu grande luta e conseguiu acertar e danificar fragatas indianas.  Combateu enquanto pôde, enfrentando o inimigo numa peleja desigual.  Com as máquinas destruídas, impossibilitado de continuar a travar a batalha que vinha travando, cerca das treze horas do dia 18 (de Dezembro de 1961) o aviso Afonso de Albuquerque foi encalhado pela tripulação não muito longe do cais de D. Paula” (Valentino Viegas, 2012), onde, já depois de encalhado, continuou a defender o acesso ao canal do porto de Mormugão, disparando com a única peça de artilharia que lhe restava (Mariana Manuel Stocker, 2011).

O general Vassalo e Silva era engenheiro militar, tal como o seu ilustre colega Vasco dos Santos Gonçalves.  Foi trazido para Goa pelo ilustre marechal Francisco da Costa Gomes por duas razões:  era um tubarão do PCP e tinha sido aceite pelo Ministro da Guerra Salazar, só por ser engenheiro militar.  Estava incumbido de preparar Goa para a invasão, criando o maior número possível de obstáculos à progressão do exército invasor.  Teve tempo para cumprir a sua missão, mas não fez nada ou praticamente nada, só ficou documentada a falta de comando, ordens e instruções às tropas portuguesas e a sua fidelidade ao PCP e traição a Portugal.  Com o pouco ou nada que fez na sua especialidade de engenharia militar, sobrou-lhe tempo para praia e festas (J., 2007, O último Imperador de Portugal, Volume I, Uma história verídica, Lisboa, Enke Editions, 400 p.), no dia anterior ao da invasão estava numa festa de casamento. 

A estratégia de Salazar, no Estado da Índia, consistia em atrasar o inimigo, ganhando tempo, para poder mobilizar os aliados de Portugal e fazer queixas nos areópagos internacionais.  Porque, no subcontinente indiano, por exemplo, Portugal tinha um poderoso aliado e muitos pequenos, mas activos aliados.  Ainda hoje, no Paquistão, os goeses, que não quiseram submeter-se aos libertadores, ocupam postos de relevo, como funcionários do estado.  Ainda hoje, emigrantes de nações da União Indiana emigram para a Europa, via Portugal, em vez de irem para o Reino Unido.  A fronteira do Caxemira não é a única fronteira do Paquistão disputada com a Índia.  A fronteira do Gujarate, ao norte de Diu, também é disputada.  Com a guerra relâmpago do exército indiano retardada, o Paquistão tinha uma oportunidade única para avançar, no Gujerate e Diu podia passar para o outro lado da fronteira.

Segundo Franco Nogueira, o pandita J. Nehru teria ficado arrependido por ter usado a força em Goa, Damão e Diu.  A verdade é que ele só respondeu afirmativamente à pressão de militares do seu exército, porque tinha garantias diplomáticas secretas, duma das duas grandes potências, de que o PCP controlava a situação em Goa e que tudo se passaria rapidamente. Em Setembro de 1961 Nehru tinha visitado a URSS e em Dezembro, antes da invasão, foi a vez de Nikita S. Khruchtcov visitar a União Indiana.  Na primeira edição incompleta do seu livro, Maria Manuel Stocker (2011) prometeu esclarecer definitivamente este ponto pela “análise dos arquivos soviéticos”.  Parece que já deviam estar disponíveis e até temos, em Portugal, um grande e bom especialista, que já esclareceu vários mistérios das histórias recentes de Moçambique e Angola, graças às fontes soviéticas.   

Numa carta de Goa a um dos seus amigos, em Lisboa, Luís de Camões (Carta II, 1948, Obras Completas com prefácio e notas do Prof. Hernâni Cidade, Volume III, Autos e Cartas, Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 379 p.), já, há muito tempo, tinha pedido meninas feias lisboetas, mas corajosas para fazerem uma viagem a enjoar durante seis meses. Segundo Camões as venerandas meninas reinóis de Goa tinham ultrapassado a idade da reforma. A sua experiência pessoal também lhe tinha mostrado que as meninas que a terra dava, as meninas goesas estavam amoxamadas. Para ele, ninguém havia como as meninas do reino para chiarem, na fervura, como “pucarinho novo”. Parece que, só agora, o nosso príncipe dos poetas e dos amores infelizes e tristes foi ouvido pelas meninas russas bonitas, segundo os padrões do Renascimento e do “povo vão” (Endechas à Bárbara Escrava, 1948, Volume I):  pele branca como a neve sem melanina, olhos azuis de azurite ou verdes de malaquite, cabelos de ouro.
 
Goa tornou-se um estado da União Indiana separado de Damão e Diu, território da União Indiana.  Assim, em Damão e Diu, os descendentes de caboverdeanos, que não se deixam amoxamar, como provaram sobejamente, em Timor Leste, ficaram mais isolados.
 
Para ser completo, este sítio sobre Goa, a bem da Nação, só precisava ainda de um relato ou entrevista a um tripulante do navio escola Sagres sobre a festa de despedida, que lhe foi feita, uma surpresa dos goeses, a 14 de Novembro de 2010. Essa festa parece ter ultrapassado de longe a cerimoniosa recepção dos canecos do século XIX a um príncipe de Portugal, o único da história, que foi visitar os seus fidelíssimos vassalos do vice reino. Para essas grandes festas, não faltaram recursos, em Goa, tolerância de ponto, canecos (= chapéus altos) e fraques para todos os funcionários sem distinção, no século XIX, barcos e motas, bandeiras das quinas verdes e encarnadas, música e vinho espumante para todos, juventude e trabalhadores, assim como liberdade de palavra para os auto-proclamados combatentes da liberdade, no início do século XXI. 
 

Moçambique, 30.11.2016
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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #82 em: Abril 13, 2020, 02:27:30 pm »
Encontrei isto...


Ver aos 7´30"...

Ao que parece, Diu, em 1961 estava equipada com peças de artilharia de 1916...

Demonstrativo de uma negligênciaque se mantém até hoje e que obriga a ponderar se toda uma instituição não estará minada, desde há muito por interesses estranhos à Pátria.

Insisto: com a abundância de surplus desde 1945, não se justificava a pelintrice criminosa de meios. E não me venham com tretas que a culpa é da avarice de Salazar.
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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #83 em: Abril 13, 2020, 10:57:24 pm »
Até se poderia dizer que a negligência era resultado dos interesses ocultos dos sociedades que chegaram ao poder com a republica.
Mas a situação não era muito diferente com a monarquia, ou talvez ainda pior.

Talvez por militarmente estes territórios não serem defensáveis sendo a melhor estratégia a diplomacia. 
http://www.youtube.com/profile_videos?user=HSMW

"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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Lusitaniae

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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #84 em: Outubro 06, 2020, 03:04:19 pm »
Está um thread aberto no twitter que podem merecer a vossa atenção!

https://twitter.com/Advaidism/status/1313324595076685824
Abbati, medico, potronoque intima pande
 
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Re: Invasão de Goa, Damão e Diu - A guerra esquecida?
« Responder #85 em: Outubro 07, 2020, 09:42:18 pm »
Está um thread aberto no twitter que podem merecer a vossa atenção!

https://twitter.com/Advaidism/status/1313324595076685824

Muito interessante.
Só demonstra como estávamos completamente sós.
E quão de confiança são os EUA.
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"Memórias da Guerra - 1961-1974"

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