Factualmente a primeira frase não é de todo verdade. Olhemos para os ultimos 10 anos:
Ano Gasto (Milhões de USD*) % do PIB (NATO)
2025 ~3.240 (est. €3.065M) ~2,00% (Meta)
2024 4.641 1,58%
2023 4.236 1,52%
2022 3.566 1,35%
2021 3.882 1,50%
2020 3.267 1,45%
2019 3.298 1,38%
2018 3.238 1,33%
2017 2.766 1,19%
2016 2.573 1,22%
2015 2.502 1,24%
Entre 2022 e 2024, houve um aumento nominal de quase mil milhões de dólares para cumprir as novas exigências da NATO face à instabilidade na Europa de Leste. Dizer que não é por nada ai além não é verdade. Este investimento de mais mil milhões dava para construir muitos hospitais e isso daria muitos mais votos a quem governa.
Factualmente também não existe período de 2000 para cá em que o investimento em % do PIB seja maior do que agora.
Os 1.58% são uma falácia. Incluem gastos com a GNR.
O valor real gasto na Defesa tem sido de 0.9-1.1%.
Os valores vão crescendo também por consequência dos salários mais altos.
A isso acresce que, se fores a comparar a % do PIB em 2015, altura em que ainda se andava numa de cortes, com a percentagem de 2024, só ganhaste 0.3%. É esta a diferença entre um ano de duros cortes (2015) e um ano em que há guerra na Europa, e em que todos os países começam a incestir muito mais na Defesa.
O valor que conta, é o valor alocado à LPM, em que os ganhos de um ano para o outro rondam os 100/200M nos melhores dos anos.
De 2022-2024, temos que nos lembrar que é contabilizado o apoio à Ucrânia, e ainda o acréscimo de custos devido à inflação - basicamente tudo ficou mais caro.
Em cima disto, temos ainda que olhar para a taxa de execução dos programas, em que muitos deles estão atrasados. Muito do que tens investido nos últimos 2 ou 3 anos, é em programas que foram sendo adiados da LPM de 2019. Por exemplo o programa NPO está atrasado uns 3 anos face ao planeado na LPM.
Estes atrasos significam que nos anos anteriores, houve investimento que ficou por fazer.
Sobre os salários, é verdade que existiu aumento do vencimento dos militares, aumento esse que era necessário para travar a sangria de efetivos que sai para outras forças de segurança. Podemos até condenar que esse valor entre nas contas, mas entra nas contas portuguesas como dos outros países todos. Não somos nós que somos chico-espertos (pelo menos nisto) os outros fazem todos o mesmo, existindo por isso um certo equilíbrio.
Ninguém está a dizer que não eram necessários. O facto é que quando aumentas os salários, estás a inflacionar o investimento na Defesa, sem de facto investires em reequipamento e consequentemente ganhos de capacidades.
Além disso, estão incluídos salários da GNR, logo os aumentos têm um peso ainda maior.
Concordo mas duvido que a LPM tenha margem para adquirir F35 por si só e acautelar as outras necessidades
Com um hipotético SAFE 2.0, podias acautelar as outras necessidades quase todas.
Incluir caças no SAFE 2.0, e depois investir nas outras necessidades com a LPM, ou inverter a proveniência das verbas, ia dar ao mesmo.
Os caças europeus ao abrigo do SAFE custariam o mesmo que F-35 fora do SAFE.
Dava perfeitamente para comprar os F-35 com a LPM, e usar os hipotéticos 5800M de um SAFE 2.0 para comprar o resto.
Se não há dinheiro para F-34 na LPM, então continuar com F-16, modernizados ou em segunda-mão para desenrascar sem gastar muito dinheiro.