O Reino Unido acabou só ainda ninguem o disse em voz alta.
Nenhum dos novos "britanicos" vai lutar por coisa nenhuma. Alias, se lutarem será por uma questão religiosa e não politica
Discordo. O “Reino Unido acabou” é daquelas frases que só sobrevive enquanto ninguém lhe pede factos.
O Exército britânico já passou por períodos mais baixos e, mesmo assim, continuou a projetar força onde muitos países nem conseguem chegar. A capacidade militar não se mede apenas pelo efetivo, mede‑se por orçamento, indústria, alianças, logística estratégica e capacidade expedicionária. E nessas métricas, o Reino Unido continua muito acima da média europeia.
Quanto aos “novos britânicos”, essa narrativa é confortável mas não corresponde à realidade: as Forças Armadas britânicas têm recrutamento multiétnico há décadas e continuam a ter níveis de adesão suficientes para manter as unidades operacionais. Aliás, quando há conflito real, a história mostra que os britânicos, todos eles, aparecem sempre.
É fácil decretar o fim de um país a partir de memes do X. O difícil é olhar para dados sérios e perceber que o RU continua a ser uma das potências militares mais relevantes da Europa, mesmo com um exército mais pequeno.
Ok vamos a factos, quantos desses militares são "novos" britanicos ou descendentes dos mesmos?
Dizer que a história "mostra que quando há conflito real, a história mostra que os britânicos, todos eles, aparecem sempre." é ignorar precisamente o meu argument! Históricamente foi assim de facto, mas isso não significa que será assim no futuro ou no presente.
Volto a dizer: Se for preciso lutar pela democracia, esses novos britanicos vão lutar? Se sim, porque as suas comunidades tem demonstrado comportamentos pouco democraticos? Vão dar a sua vida por isso?
Gostaria de acreditar que sim mas não acredito nisso. Na guerra as pessoas lutam pela sua pátria e pelos seus. A existir uma guerra na Europa, a não ser que chegue dentro do Reino Unido e ai toca no segundo ponto (lutar pelos nossos), esses novos britanicos não vão lutar e morrer por uma terra a que não chamam pátria.
A pergunta “quantos são novos britânicos?” parte logo de um pressuposto errado: que a coesão militar depende de etnia ou origem. Não depende. Depende de disciplina, treino, comando, enquadramento institucional e identidade funcional — e isso o RU tem, e muito.
Se quer factos: as Forças Armadas britânicas têm recrutamento multiétnico desde os anos 50.
Os Gurkhas, por exemplo, não são “britânicos de raiz” e têm um histórico de combate que envergonha metade da Europa. O mesmo para caribenhos, indianos, africanos e descendentes que serviram em todas as guerras britânicas do século XX. A ideia de que só luta quem tem oito gerações de avós no mesmo código postal é simplesmente falsa.
Depois, confunde duas coisas diferentes:
comportamentos comunitários (que variam, sim, e às vezes são problemáticos)
com comportamento militar dentro de uma cadeia de comando.
Um soldado não é uma extensão sociológica do bairro onde cresceu. É um profissional enquadrado, treinado e sujeito a disciplina militar. É por isso que exércitos funcionam.
E quanto ao argumento “não vão lutar pela democracia”: ninguém luta por abstrações filosóficas.
Os britânicos, novos ou velhos, lutam pelo regimento, pelos camaradas, pela missão e pela família, pela aldeia, vila ou cidade, pela instituição. É assim em todos os exércitos modernos. A pátria é um conceito útil, mas não é o motor operacional.
A ideia de que milhões de pessoas com cidadania britânica “não consideram o RU a sua pátria” é mais um slogan do X do que uma análise séria. Se um conflito chegar ao RU, não vai haver distinção entre “novos” e “velhos” britânicos , vai haver quem está na estrutura militar e cumpre ordens, e quem não está. Voluntários não hão-de faltar, ou conscritos.

A história não garante o futuro, claro. Mas este argumento também não: é apenas uma previsão baseada em perceções culturais, não em dados militares, históricos ou institucionais.