Canadá propõe mega-aliança anti-Trump, incluindo a União EuropeiaNum contexto internacional marcado por tensões comerciais, uma nova iniciativa parece estar a ganhar forma. Em conversações com a União Europeia (UE) e outras nações, o Canadá quer criar uma das maiores alianças económicas do mundo, em resposta às políticas protecionistas de Donald Trump.

O Canadá estará a assumir um papel central ao promover um diálogo estratégico entre a UE e um vasto bloco comercial do Indo-Pacífico, numa tentativa de aproximar economias influentes e reforçar a cooperação entre potências.
A aproximação surge como resposta direta à política comercial norte-americana, e procura abrir o caminho à possível criação de uma das maiores alianças económicas do mundo.
Canadá quer erguer uma frente económica global, sem os Estados UnidosNuma informação avançada em exclusivo pela POLITICO, citando várias pessoas com conhecimento das conversações, a UE e um bloco Indo-Pacífico composto por 12 países estão a iniciar negociações para explorar propostas destinadas a formar uma das maiores alianças económicas globais.
O Canadá estará a liderar as discussões, depois de o primeiro-ministro, Mark Carney, ter apelado às potências para resistirem à coerção das guerras comerciais.
O discurso de Carney, no mês passado, aconteceu poucos dias após o Presidente dos Estados Unidos ter ameaçado aumentar as tarifas sobre os aliados europeus da Dinamarca caso o país não cedesse a Gronelândia.

Segundo avançado pela POLITICO, as potências intermédias estão a agir: este ano, a UE e o CPTPP vão iniciar negociações para alcançar um acordo que interligue as cadeias de fornecimento de membros como Canadá, Singapura, México, Japão, Vietname, Malásia e Austrália com a Europa.
A concretizar-se, esta iniciativa aproximará cerca de 40 países situados em lados opostos do globo, com o objetivo de alcançar um acordo sobre as chamadas regras de origem (em inglês, rules of origin).
O que são as regras de origem
Tendo em conta estas regras, que determinam a nacionalidade económica de um produto, um acordo permitiria às fabricantes dos dois blocos comercializar bens e componentes de forma mais fluida, através de um processo de baixas tarifas conhecido como acumulação de origem (em inglês, cumulation).
No início deste mês, Carney enviou o seu representante pessoal junto da UE, John Hannaford, para Singapura, com o objetivo de recolher as opiniões dos líderes regionais sobre o possível acordo.
O trabalho está claramente a avançar. Tivemos discussões muito produtivas sobre o tema com outros parceiros em todo o mundo.
Afirmou um responsável do governo canadiano, à POLITICO.
Líderes europeus veem acordo como uma vantagemA UE e o bloco Indo-Pacífico, conhecido como Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica, decidiram unir forças económicas, em novembro do ano passado, para contrariar a fragmentação do comércio livre após as tarifas do Liberation Day impostas por Donald Trump, em abril.
Vemos grande valor em aumentar o comércio entre a UE e as partes do CPTPP, o que também contribuiria para reforçar a resiliência das cadeias de fornecimento.
Afirmou um responsável japonês do comércio, citado pela POLITICO, acrescentando que um acordo sobre regras de origem "seria um tema interessante a explorar", ainda que "não se espere um resultado concreto a curto prazo".
Na mesma linha de pensamento está um diplomata comercial de outro país do CPTPP, também citado pela organização de jornalismo político: "Se a UE estiver disponível para essa conversa, então isso tornaria a situação realmente muito interessante".

Um alto representante empresarial informado sobre o assunto terá assumido que, dentro da UE, alguns responsáveis mostram-se "muito interessados" em avançar.
De qualquer forma, embora o acordo "faça efetivamente parte do âmbito geral da cooperação UE-CPTPP", o responsável europeu disse que "não é, por agora, uma prioridade de ação".
Em vez disso, as discussões mais imediatas dão prioridade a "resultados concretos", nomeadamente aproximar as cadeias de fornecimento dos blocos e reforçar a diversificação comercial entre os seus membros.
Além disso, a UE tem acordos de comércio livre com a maioria dos membros do CPTPP, incluindo Nova Zelândia, Japão, Reino Unido e Canadá, conforme recordado por Klemens Kober, diretor de política comercial, uniões aduaneiras da UE e relações transatlânticas, na DIHK.
Ter a possibilidade de acumular origem entre diferentes acordos de comércio livre é muito útil.
Na sua perspetiva, "quando mais, melhor", esperando que "se forem visíveis benefícios concretos em diferentes áreas, isso também possa incentivar outros países a aderirem e a cooperarem de forma positiva".
https://pplware.sapo.pt/informacao/canada-propoe-mega-alianca-anti-trump-incluindo-a-uniao-europeia/comment-page-1/