Preparar as FA para um conflito no curto prazo

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sivispacem

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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #630 em: Janeiro 18, 2026, 12:55:52 pm »
Dada a actual situação geoestratégica (ameaças de invasão à Gronelândia, chamar "governador" ao pm do Canadá, etc) espero que o governo português esteja a desenvolver planos que levem ao rápido reforço do dispositivo nas ilhas e nos Açores/Lajes em particular.

IMHO deveriam ser estacionados já alguns P-3, F-16 e uma parelha de UH 60, reforço dos meios de segurança da BA 4 e aumentar-se a guarnição do Exército nas ilhas
« Última modificação: Janeiro 18, 2026, 02:06:00 pm por sivispacem »
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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #631 em: Janeiro 18, 2026, 03:28:21 pm »
No DN de hoje:

https://www.dn.pt/opiniao/aprovao-em-bruxelas-do-programa-safe-para-portugal-com-incertezas-para-as-indstrias-de-defesa-nacional

Foi notícia esta quinta-feira a aprovação do envelope financeiro do Programa SAFE para que Portugal possa apetrechar de novas capacidades as Forças Armadas Portuguesas, mas vem acompanhada de preocupações.

Dias antes, em audiência na Comissão de Defesa, na Assembleia da República, a direção do AED Cluster dava conta da “falta de envolvimento da indústria” e que Portugal se arrisca a “não criar a Autoeuropa da Defesa”.

Foi com apreensão e estupefação que ouvi, em audiência na Comissão de Defesa Nacional, realizada na passada terça-feira, na Assembleia da República, José Neves.

O Presidente do AED Cluster afirmou que não tinham sido ouvidos, nem envolvidos pelo Governo Português ao longo de todo o processo de candidatura ao SAFE – programa para reforço da Defesa Europeia.

O AED Cluster representa mais de 170 empresas do sector da Defesa, com um volume de negócios superior a 2,1 mil milhões de euros anuais, sendo que 90% são produtos para exportação.

Este facto torna clara a importância do sector para a economia portuguesa. Em causa estão as capacidades de investigação, inovação, de criação de produtos com elevado valor acrescentado, mas também da capacidade de criar empregos altamente qualificados que tornam este sector económico capaz de ampliar a economia nacional no futuro.

O Partido Socialista ouviu com preocupação, na Comissão de Defesa, que Portugal corre o “risco de não criar a Autoeuropa da Defesa neste momento em que investimos 5,8 mil milhões de euros”, ao não envolver a Indústria de Defesa Nacional - IDN.

Sem isso, e sabendo que a adaptação e cooperação industrial leva tempo, considero que será impossível reduzir de 15 para 5 anos o investimento em Defesa em Portugal, bem como impulsionar a Base Tecnológica e Industrial de Defesa.

Não considero que a Indústria de Defesa Nacional deva ser parte ativa nas escolhas das capacidades a adquirir para cada um dos ramos das Forças Armadas, cabendo apenas a cada Ramo essa decisão. No entanto, parece óbvio a todos que se não forem ouvidas e envolvidas as IDN, não será possível contribuir e beneficiar deste envelope financeiro – o maior da nossa história democrática.

O mínimo que o Governo Português deveria ter feito era um levantamento de capacidades produtivas e de inovação das nossas IDN e cruzá-las com as escolhas estratégicas de cada um dos Ramos, sentando todos à mesa.

Por exemplo, o envolvimento das IDN para aquisição das anunciadas novas fragatas da classe EVO, permitiria estabelecer um plano de tudo o que nelas queremos produzido em Portugal, trazendo investimento para o País, gerando emprego e produzindo riqueza. Caso não aconteça, não estamos a falar de investimentos, mas de apenas despesas na Defesa Nacional.

Sabemos (pela imprensa) que Portugal inscreveu no SAFE novas fragatas, drones, satélites, sistemas de defesa e artilharia de longo alcance, blindados e carros de combate. Se optarmos por aquisições a países estrangeiros, em modelo “Chave na mão” limitamos o crescimento das IDN e, desta forma, desperdiçamos o empréstimo de 5,8 mil milhões do SAFE.

Um empréstimo que será pago por outros Governos que não o atual – sendo que falamos de um empréstimo de longo prazo com um período de carência de 10 anos e um pagamento até 45 anos, o que significa que Portugal poderá iniciar o pagamento deste empréstimo a partir de 2036 e até 2069.

Acompanho a preocupação do AED Cluster: num momento em que os indicadores da economia portuguesa parecem estagnar e em que ficaremos sem a alavanca do PRR, a Defesa pode ser um sector estruturante para a nossa Economia. Só integrando e envolvendo o ecossistema das IDN neste processo de Investimentos, poderemos concretizar uma oportunidade histórica de fazer da Defesa um sector de referência para a economia portuguesa. Aí sim…. Teremos investimentos em Defesa e não gastos! Seremos utilizadores finais e não produtores de capacidades!

Cumprimentos,
 

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Lightning

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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #632 em: Janeiro 18, 2026, 07:28:19 pm »
Dada a actual situação geoestratégica (ameaças de invasão à Gronelândia, chamar "governador" ao pm do Canadá, etc) espero que o governo português esteja a desenvolver planos que levem ao rápido reforço do dispositivo nas ilhas e nos Açores/Lajes em particular.

IMHO deveriam ser estacionados já alguns P-3, F-16 e uma parelha de UH 60, reforço dos meios de segurança da BA 4 e aumentar-se a guarnição do Exército nas ilhas

Submarinos amigo, submarinos é o pesadelo de qualquer frota.

Por alguma razão um americano qualquer (acho que era embaixador cá), não gostou que Portugal tivesse comprado os U209PN, eram "brinquedos caros".

O que ele não disse, é que são brinquedos que dão muita dor de cabeça para quem quer andar a mandar porta-avioes e LHD cheios de Marines de um lado para o outro.

Se tivéssemos uns 4, eles nem se aproximavam, passavam bem ao largo.

O nível seguinte deveria ser, misseis anti-navio em caças, radares de defesa aérea e capacidade anti-aerea por camadas.

No fundo aquilo que se anda a estudar dos chineses, o A2/AD, negação do uso do mar, pelo menos do mar próximo, para eles pensarem "Nem nos vamos aproximar dos Açores, dá menos trabalho dar a volta!".
« Última modificação: Janeiro 18, 2026, 07:29:41 pm por Lightning »
 
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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #633 em: Janeiro 18, 2026, 07:34:14 pm »
Então a Europa agora tem de se preparar para o exército russo, e a US Navy, é tranquilo   :mrgreen: :o

Vamos ter um século XXI interessante...
« Última modificação: Janeiro 18, 2026, 07:34:43 pm por Lightning »
 

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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #634 em: Janeiro 18, 2026, 08:58:24 pm »
Dada a actual situação geoestratégica (ameaças de invasão à Gronelândia, chamar "governador" ao pm do Canadá, etc) espero que o governo português esteja a desenvolver planos que levem ao rápido reforço do dispositivo nas ilhas e nos Açores/Lajes em particular.

IMHO deveriam ser estacionados já alguns P-3, F-16 e uma parelha de UH 60, reforço dos meios de segurança da BA 4 e aumentar-se a guarnição do Exército nas ilhas

Submarinos amigo, submarinos é o pesadelo de qualquer frota.

Por alguma razão um americano qualquer (acho que era embaixador cá), não gostou que Portugal tivesse comprado os U209PN, eram "brinquedos caros".

O que ele não disse, é que são brinquedos que dão muita dor de cabeça para quem quer andar a mandar porta-avioes e LHD cheios de Marines de um lado para o outro.

Se tivéssemos uns 4, eles nem se aproximavam, passavam bem ao largo.

O nível seguinte deveria ser, misseis anti-navio em caças, radares de defesa aérea e capacidade anti-aerea por camadas.

No fundo aquilo que se anda a estudar dos chineses, o A2/AD, negação do uso do mar, pelo menos do mar próximo, para eles pensarem "Nem nos vamos aproximar dos Açores, dá menos trabalho dar a volta!".

Concordo, caro Lightning. Mas olhando para os meios actuais (ou melhor, para a ausência deles...) bastariam 3 ou 4 C-17 com paraquedistas fazer uma aterragem de assalto nas Lajes e em meia hora ficaria a coisa resolvida. Depois os meios marítimos poderiam aproximar-se para descarregar algum material pesado.

O radar é uma necessidade crítica, assim como meios AA de curto e médio alcance. Mas também são precisos 'botas no chão' para dar margem de manobra (essencialmente) e meios anti-navio. E depois, ok, basear um submarino (ou dois, nunca se saberia...) na área, em caso de crise eminente.

ENfim, aguardemos os desenvolvimentos deste lamentável episódio EUA-Gronelândia e Canadá (parece que voltou à carga coom a necessidade de os EUA controlarem o Canadá..... : :bang: :bang: )
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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #635 em: Janeiro 18, 2026, 10:58:35 pm »
No DN de hoje:

https://www.dn.pt/opiniao/aprovao-em-bruxelas-do-programa-safe-para-portugal-com-incertezas-para-as-indstrias-de-defesa-nacional

Foi notícia esta quinta-feira a aprovação do envelope financeiro do Programa SAFE para que Portugal possa apetrechar de novas capacidades as Forças Armadas Portuguesas, mas vem acompanhada de preocupações.

Dias antes, em audiência na Comissão de Defesa, na Assembleia da República, a direção do AED Cluster dava conta da “falta de envolvimento da indústria” e que Portugal se arrisca a “não criar a Autoeuropa da Defesa”.

Foi com apreensão e estupefação que ouvi, em audiência na Comissão de Defesa Nacional, realizada na passada terça-feira, na Assembleia da República, José Neves.

O Presidente do AED Cluster afirmou que não tinham sido ouvidos, nem envolvidos pelo Governo Português ao longo de todo o processo de candidatura ao SAFE – programa para reforço da Defesa Europeia.

O AED Cluster representa mais de 170 empresas do sector da Defesa, com um volume de negócios superior a 2,1 mil milhões de euros anuais, sendo que 90% são produtos para exportação.

Este facto torna clara a importância do sector para a economia portuguesa. Em causa estão as capacidades de investigação, inovação, de criação de produtos com elevado valor acrescentado, mas também da capacidade de criar empregos altamente qualificados que tornam este sector económico capaz de ampliar a economia nacional no futuro.

O Partido Socialista ouviu com preocupação, na Comissão de Defesa, que Portugal corre o “risco de não criar a Autoeuropa da Defesa neste momento em que investimos 5,8 mil milhões de euros”, ao não envolver a Indústria de Defesa Nacional - IDN.

Sem isso, e sabendo que a adaptação e cooperação industrial leva tempo, considero que será impossível reduzir de 15 para 5 anos o investimento em Defesa em Portugal, bem como impulsionar a Base Tecnológica e Industrial de Defesa.

Não considero que a Indústria de Defesa Nacional deva ser parte ativa nas escolhas das capacidades a adquirir para cada um dos ramos das Forças Armadas, cabendo apenas a cada Ramo essa decisão. No entanto, parece óbvio a todos que se não forem ouvidas e envolvidas as IDN, não será possível contribuir e beneficiar deste envelope financeiro – o maior da nossa história democrática.

O mínimo que o Governo Português deveria ter feito era um levantamento de capacidades produtivas e de inovação das nossas IDN e cruzá-las com as escolhas estratégicas de cada um dos Ramos, sentando todos à mesa.

Por exemplo, o envolvimento das IDN para aquisição das anunciadas novas fragatas da classe EVO, permitiria estabelecer um plano de tudo o que nelas queremos produzido em Portugal, trazendo investimento para o País, gerando emprego e produzindo riqueza. Caso não aconteça, não estamos a falar de investimentos, mas de apenas despesas na Defesa Nacional.

Sabemos (pela imprensa) que Portugal inscreveu no SAFE novas fragatas, drones, satélites, sistemas de defesa e artilharia de longo alcance, blindados e carros de combate. Se optarmos por aquisições a países estrangeiros, em modelo “Chave na mão” limitamos o crescimento das IDN e, desta forma, desperdiçamos o empréstimo de 5,8 mil milhões do SAFE.

Um empréstimo que será pago por outros Governos que não o atual – sendo que falamos de um empréstimo de longo prazo com um período de carência de 10 anos e um pagamento até 45 anos, o que significa que Portugal poderá iniciar o pagamento deste empréstimo a partir de 2036 e até 2069.

Acompanho a preocupação do AED Cluster: num momento em que os indicadores da economia portuguesa parecem estagnar e em que ficaremos sem a alavanca do PRR, a Defesa pode ser um sector estruturante para a nossa Economia. Só integrando e envolvendo o ecossistema das IDN neste processo de Investimentos, poderemos concretizar uma oportunidade histórica de fazer da Defesa um sector de referência para a economia portuguesa. Aí sim…. Teremos investimentos em Defesa e não gastos! Seremos utilizadores finais e não produtores de capacidades!

Mas o SAFE não foi criado com o objectivo de investir nas Indústrias de Defesa locais. Foi feito para começar a tapar os buracos na Defesa de diversos países, de forma rápida e pragmática, e com recurso a produtos provenientes dos países elegíveis.

O investimento na indústria nacional, tem de vir é dos tais 3.5% que dissemos que íamos investir na Defesa, onde uma parte desse investimento pode e deve ser feito com envolvimento da nossa indústria.

Convém é que a indústria de defesa nacional produza material que as FA precisem, e não produzir tralha que depois as FA vão comprar só por comprar, sem reais ganhos operacionais.

O erro até agora, tem sido a falta de clarividência face aos sectores onde realisticamente queremos envolver a nossa indústria.
 
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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #636 em: Janeiro 18, 2026, 11:22:02 pm »
Então a Europa agora tem de se preparar para o exército russo, e a US Navy, é tranquilo   :mrgreen: :o

Vamos ter um século XXI interessante...

A Europa levava na pá bem fácil. Mas é que não há hipóteses, num cenário completamente maluco em aue o Trump decide usar força militar contra um aliado, de a Europa se safar.

A Europa não tem a capacidade de projecção de força, nem logística, nem defensiva, nem ofensiva, para se bater de igual para igual com os EUA.

O melhor a fazer é assegurar linhas de comunicação abertas com as FA americanas, mantendo uma relação favorável com as suas chefias, e assim dar mais força a estes para que recusem participar em qualquer acção militar,  caso o maluquinho laranja se lembre de o fazer.

Dada a actual situação geoestratégica (ameaças de invasão à Gronelândia, chamar "governador" ao pm do Canadá, etc) espero que o governo português esteja a desenvolver planos que levem ao rápido reforço do dispositivo nas ilhas e nos Açores/Lajes em particular.

IMHO deveriam ser estacionados já alguns P-3, F-16 e uma parelha de UH 60, reforço dos meios de segurança da BA 4 e aumentar-se a guarnição do Exército nas ilhas

A necessidade de reforçar a defesa das ilhas já existia, bem antes do boneco laranja andar a inventar.

E é como foi dito, A2/AD.

É por isso que muita gente aqui diz que é necessário desde logo começar por dar aos F-16 capacidade ASuW a sério. Incorporem os Harpoon, ou os JSM, ou o que seja, mas o primeiro passo já devia ter sido dado há muito.

Também convinha ter mais munições em geral para eles. É que actualmente, ter ou não ter F-16 destacados face a uma ameaça militar minimamente capaz, é quase irrelevante face ao número cómico de munições que temos.

O problema é que não conseguimos reforçar a defesa dos Açores rapidamente, porque não temos praticamente nada com que fazer o reforço, e as aquisições necessárias, iriam demorar 2/3 anos até gerar frutos.

Rápido, só se fosse a compra de material em segunda-mão e munições de stocks existentes dos aliados.

Por exemplo, integrar os Harpoon nos F-16, e ir buscar algumas dezenas. O mesmo para AMRAAMs e ESSM para as fragatas.

De resto, não estamos minimamente preparados para defesa dos arquipélagos de ameaças aeronavais.  ::)
 

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Re: Preparar as FA para um conflito no curto prazo
« Responder #637 em: Hoje às 12:18:24 am »
No DN de hoje:

https://www.dn.pt/opiniao/aprovao-em-bruxelas-do-programa-safe-para-portugal-com-incertezas-para-as-indstrias-de-defesa-nacional

Foi notícia esta quinta-feira a aprovação do envelope financeiro do Programa SAFE para que Portugal possa apetrechar de novas capacidades as Forças Armadas Portuguesas, mas vem acompanhada de preocupações.

Dias antes, em audiência na Comissão de Defesa, na Assembleia da República, a direção do AED Cluster dava conta da “falta de envolvimento da indústria” e que Portugal se arrisca a “não criar a Autoeuropa da Defesa”.

Foi com apreensão e estupefação que ouvi, em audiência na Comissão de Defesa Nacional, realizada na passada terça-feira, na Assembleia da República, José Neves.

O Presidente do AED Cluster afirmou que não tinham sido ouvidos, nem envolvidos pelo Governo Português ao longo de todo o processo de candidatura ao SAFE – programa para reforço da Defesa Europeia.

O AED Cluster representa mais de 170 empresas do sector da Defesa, com um volume de negócios superior a 2,1 mil milhões de euros anuais, sendo que 90% são produtos para exportação.

Este facto torna clara a importância do sector para a economia portuguesa. Em causa estão as capacidades de investigação, inovação, de criação de produtos com elevado valor acrescentado, mas também da capacidade de criar empregos altamente qualificados que tornam este sector económico capaz de ampliar a economia nacional no futuro.

O Partido Socialista ouviu com preocupação, na Comissão de Defesa, que Portugal corre o “risco de não criar a Autoeuropa da Defesa neste momento em que investimos 5,8 mil milhões de euros”, ao não envolver a Indústria de Defesa Nacional - IDN.

Sem isso, e sabendo que a adaptação e cooperação industrial leva tempo, considero que será impossível reduzir de 15 para 5 anos o investimento em Defesa em Portugal, bem como impulsionar a Base Tecnológica e Industrial de Defesa.

Não considero que a Indústria de Defesa Nacional deva ser parte ativa nas escolhas das capacidades a adquirir para cada um dos ramos das Forças Armadas, cabendo apenas a cada Ramo essa decisão. No entanto, parece óbvio a todos que se não forem ouvidas e envolvidas as IDN, não será possível contribuir e beneficiar deste envelope financeiro – o maior da nossa história democrática.

O mínimo que o Governo Português deveria ter feito era um levantamento de capacidades produtivas e de inovação das nossas IDN e cruzá-las com as escolhas estratégicas de cada um dos Ramos, sentando todos à mesa.

Por exemplo, o envolvimento das IDN para aquisição das anunciadas novas fragatas da classe EVO, permitiria estabelecer um plano de tudo o que nelas queremos produzido em Portugal, trazendo investimento para o País, gerando emprego e produzindo riqueza. Caso não aconteça, não estamos a falar de investimentos, mas de apenas despesas na Defesa Nacional.

Sabemos (pela imprensa) que Portugal inscreveu no SAFE novas fragatas, drones, satélites, sistemas de defesa e artilharia de longo alcance, blindados e carros de combate. Se optarmos por aquisições a países estrangeiros, em modelo “Chave na mão” limitamos o crescimento das IDN e, desta forma, desperdiçamos o empréstimo de 5,8 mil milhões do SAFE.

Um empréstimo que será pago por outros Governos que não o atual – sendo que falamos de um empréstimo de longo prazo com um período de carência de 10 anos e um pagamento até 45 anos, o que significa que Portugal poderá iniciar o pagamento deste empréstimo a partir de 2036 e até 2069.

Acompanho a preocupação do AED Cluster: num momento em que os indicadores da economia portuguesa parecem estagnar e em que ficaremos sem a alavanca do PRR, a Defesa pode ser um sector estruturante para a nossa Economia. Só integrando e envolvendo o ecossistema das IDN neste processo de Investimentos, poderemos concretizar uma oportunidade histórica de fazer da Defesa um sector de referência para a economia portuguesa. Aí sim…. Teremos investimentos em Defesa e não gastos! Seremos utilizadores finais e não produtores de capacidades!

Mas o SAFE não foi criado com o objectivo de investir nas Indústrias de Defesa locais. Foi feito para começar a tapar os buracos na Defesa de diversos países, de forma rápida e pragmática, e com recurso a produtos provenientes dos países elegíveis.

O investimento na indústria nacional, tem de vir é dos tais 3.5% que dissemos que íamos investir na Defesa, onde uma parte desse investimento pode e deve ser feito com envolvimento da nossa indústria.

Convém é que a indústria de defesa nacional produza material que as FA precisem, e não produzir tralha que depois as FA vão comprar só por comprar, sem reais ganhos operacionais.

O erro até agora, tem sido a falta de clarividência face aos sectores onde realisticamente queremos envolver a nossa indústria.

Mas o PS está ressabiado por não ter posto a mão no ...... errrrrr..... por não ter acompanhado o processo desde o início.

Claro que se isto tivesse passado pelas fases habituais da tugalândia ainda agora estaríamos a discutir a composição da comissão de instalação do grupo de acompanhamento da execução do draft da legislação pertinente para o processo em si, bem como da definição do quadro de pessoal auxiliar a equipa de apoio.

Foram - e muito bem! - postos fora do processo, é uma coisa de âmbito europeu. Além de que a Comissão de Defesa devia conhecer muito bem as lacunas, prioridades e a situação do dispositivo militar nacional. Porventura acham desajustadas as escolhas feitas????
Já não há pachorra!!!
Cumprimentos,