Presença militar nos Arquipélagos

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dc

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Presença militar nos Arquipélagos
« em: Janeiro 21, 2026, 06:47:16 pm »
Não me lembro de haver algum tópico com este tema.

O objectivo é simples, debater a presença militar portuguesa nos arquipélagos.

Presença dividida entre:
-permanente;
-destacamento temporários/sazonais (e em que moldes);
-exercícios.

Que se discuta esta presença com base em conceitos realistas (nada de colocar 1 bateria BMD em cada ilha, ou destacar 20 caças em cada arquipélago).

E que se divida a discussão entre:
-realidade actual - meios, recursos humanos, recursos financeiros e capacidades existentes;
-realidade a curto prazo - com base nos meios que estão planeados;
-ambição futura - meios a adquirir, novas doutrinas, reorganização estrutural, infraestruturas, etc.
 

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Ghidra

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Re: Presença militar nos Arquipélagos
« Responder #1 em: Janeiro 21, 2026, 09:48:09 pm »
É preciso analizar o problema em 2 sentidos do meu ponto de vista ameaças e geografia.
Ao nível de ameaças que são por mar e ar capacidade anti navio e anti aéreo é o principal. E a outra area é geográfica que apesar serem 11 ilhas habitadas algumas delas estão próximas criando grupos. A Madeira um grupo ( Madeira, Porto Santo) e depois a situação mais complicada que são os Açores porque são 3 grupos ai secalhar é preciso fazer escolhas...

Já em relação aos caças apenas vejo necessidade de os ter em permanência nos Açores dada a proximidade da Madeira das Canárias ( eu sei que existe o conflito das selvagens mas dado o momento do mundo esse assunto é menor das preocupações dos dois países).
 

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LM

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Re: Presença militar nos Arquipélagos
« Responder #2 em: Janeiro 21, 2026, 10:10:31 pm »
Antes de termos lá caças temos de ter estruturas para os receber e manter; depois planos, treinados, para projectar forças (caças, infantaria, baterias SAM, etc).

Em permanência temos de ter P-3C CUP+ Block II, com capacidade de armamento - e depressa. E condições decentes para os NPO (que têm de estar "ligados" em permanência porque o Porto da Praia da Vitória não tem abastecimento de eletricidade), para fragatas, para poder receber sistema de carregamento de AIP, etc.   
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 

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Duarte

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Re: Presença militar nos Arquipélagos
« Responder #3 em: Hoje às 02:19:43 am »

Um pouco de contexto histórico ajuda a perceber onde estamos e o que é (ou não) realista no futuro.

Antes de 1993 (Guerra Fria)
Açores

Exército

QG ZMA

2 Regimentos de Infantaria (Angra e Ponta Delgada), cada um com um BI “quase completo”

Grupo de Artilharia de Guarnição (AA + costa): Bofors 40 mm, quad 12,7 mm, peças de 150 mm

Destacamentos em Santa Maria e Faial capazes de gerar BI e ou baterias AA em mobilização

Reforços planeados: 1 BI do RI Porto + 1 Companhia de Comandos

Força Aérea

BA4 / Lajes

Esq. 303: 10–12 Fiat G-91

Esq. 752: 4 SA-330 Puma

Esq. 503: 5 C-212 Aviocar

Marinha

1 corveta destacada

➡️ Defesa territorial relativamente pesada, com artilharia, AA e maior autonomia.

Madeira

Exército

QG ZMM

RI Funchal com 1 BI incompleto

Grupo de Artilharia de Guarnição (AA + costa)

Destacamento em Porto Santo capaz de gerar BI e bateria AA

Reforços planeados: 1 BI do RI Queluz + 2 Companhias de Comandos

Força Aérea

Sem meios permanentes

Apenas destacamentos (C-212, Alouette III, raramente P-3)

Marinha

1 navio patrulha (classe Cacine)

Premissas estruturantes (ontem e hoje)

Portugal não tem massa crítica para defesa insular simétrica
→ Defesa dissuasora, negativa e retardadora.

Os arquipélagos não se defendem sozinhos
→ Aguentam até chegarem reforços nacionais ou aliados.

O principal “multiplicador” é político-estratégico
→ NATO, UE, acordos bilaterais (sobretudo Açores).

Realidade atual
Açores

Exército: 2 Regimentos de Guarnição, 2 BI ligeiros (-), 1 pelotão AA

FAP: BA4 com meios rotativos (C-295, EH-101), caças só em destacamento

Marinha: NPOs de forma intermitente

➡️ Força ligeira, territorial, sem artilharia pesada nem blindados.

Madeira

Exército: 1 Regimento, 1 BI (-), pelotão AA

FAP: sem base aérea militar permanente

Marinha: capitania + escalas ocasionais de NPO

➡️ Defesa essencialmente política, não militar.

Fragilidades atuais

Quase inexistência de presença rotativa

Exercícios pouco frequentes e pouco integrados

Forte dependência de crises ou exercícios NATO

Meios limitados e envelhecidos

O que faz sentido melhorar (realista)

Presença rotativa nos Açores (companhia reforçada, 1–2x /ano)

NPO  permanente nos Açores

Destacamentos regulares de caças
Melhor C2, ISR, drones, SHORAD/C-UAS, ST5, morteiros modernos

Exercício conjunto anual pequeno mas sério nos Açores

Ideia-chave

Portugal não precisa de transformar os arquipélagos em fortalezas.
Precisa de garantir que ninguém os toma sem custos políticos, militares e diplomáticos elevados.

Presença, rotina, previsibilidade e aliados — mais do que números ou sistemas complexos.
слава Україна!
“Putin’s failing Ukraine invasion proves Russia is no superpower".
"Every country has its own Mafia. In Russia the Mafia has its own country."
"Even the dumbest among us can see the writing on the wall for Putin"