Empresas de Defesa Portuguesas

  • 245 Respostas
  • 126969 Visualizações
*

miguelbud

  • Especialista
  • ****
  • 1054
  • Recebeu: 201 vez(es)
  • Enviou: 77 vez(es)
  • +88/-442
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte

*

Malagueta

  • Analista
  • ***
  • 882
  • Recebeu: 349 vez(es)
  • Enviou: 438 vez(es)
  • +193/-167
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #241 em: Janeiro 07, 2026, 10:31:07 am »
https://eco.sapo.pt/2026/01/07/inovacao-nacional-voa-mais-alto-na-defesa-com-drones-satelites-e-avioes/

Inovação nacional voa mais alto na defesa com drones, satélites e aviões

Setor da Defesa desperta o interesse das empresas portuguesas, que encaram o mercado como uma oportunidade estratégica. Conheça alguns dos projetos made in Portugal.

Osetor da Defesa saltou para os holofotes e é hoje uma das áreas de investimento estratégicas a nível europeu e nacional num momento em que o país está a fazer, com os 5,8 mil milhões de euros do programa de empréstimos europeu SAFE, o “maior investimento de uma só vez” nas Forças Armadas. As empresas portuguesas estão a olhar para o setor como uma “oportunidade” de negócio, sejam drones, aviões militares, satélites, veículos anti-motim, placas de proteção balística ou têxtil.

Drones made in Portugal nos céus da Europa
A Tekever é um exemplo de uma empresa portuguesa que desenvolveu sistemas e tecnologias avançadas de defesa, atualmente utilizados por organizações, governos e agências de segurança em todo o mundo. Desbravou terreno até chegar ao estatuto de unicórnio, na mesma altura que anunciou um investimento de mais de 400 milhões de euros no Reino Unido e, mais tarde, de que iria construir neste mercado a sua quarta unidade de produção. França é igualmente um mercado aposta da empresa, com a unidade de Cahors a ter abertura prevista no “último trimestre” de 2026, projeto que “concentra parte muito substancial do plano de investimento de 100 milhões de euros em França até 2030”.

Em Portugal, a empresa tem vários escritórios, tendo recentemente, apostado em Leiria, onde instalou um hub.

A empresa liderada por Ricardo Mendes, que através do seu acordo com as Forças Armadas britânicas tem drones a voar os céus da Ucrânia, fechou recentemente um contrato no valor de 30 milhões com Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA) para vigiar as águas europeias através de drones.

No âmbito deste contrato-quadro com a ESMA, a unicórnio nacional vai fornecer dois sistemas aéreos não tripulados (UAS) AR5, cada um composto por duas aeronaves não tripuladas, para apoiar operações multirregionais simultâneas em águas europeias.

Na área de drones está igualmente a Beyond Vision. A startup, cofundada por Dário Pedro, está entre as 50 startups de maior crescimento, e vai construir uma fábrica de 50 milhões de euros nos EUA, depois de ter fechado um contrato de “no mínimo” 15 milhões de euros nos EUA para fornecer 300 drones de emergência.

Para além dos EUA, tem ainda na mira de expansão o Brasil, Médio Oriente e Europa, avançou ao ECO/eRadar o líder da empresa, apontando a Polónia como um mercado aposta da companhia que, está a expandir a sua unidade de produção em Alverca, dos atuais 2.000 metros quadrados, para 4.000 metros quadrados, num investimento na ordem dos 5 milhões.



Ainda neste setor, atua a Connect Robotics quer desenvolver e dar maior robustez na área de logística de defesa através do uso de drones. A startup é uma das duas nacionais selecionadas para o mais recente cohort do acelerador da NATO, o DIANA.

“O nosso propósito principal é levar a tecnologia que já provamos ser um sucesso e uma necessidade na área civil, nomeadamente nas entregas médicas e logísticas e mais recentemente numa nova vertical de inspeção e provar que é indispensável no setor da Defesa. No fundo, queremos provar que a complexidade logística pode ser superada com recurso à tecnologia. A tecnologia serve para isso, para melhorar a vida das pessoas e a segurança das nossas nações”, explicou Ana Manuel Martins, chief operating officer (COO) da Connect Robotics, ao ECO/eRadar.

“A nossa solução é drone agnostic, o que significa que qualquer drone no mercado pode ser utilizado, adicionando o nosso computador de bordo e os nossos sistemas de gestão de drones transformando drones industriais numa plataforma logística”, explica. Isso faz com que, quando há substituição de drones, não seja necessário formação adicional dos operadores, bastando transferir os sistemas da Connect Robotics para o novo equipamento. Algo “fundamental para a soberania nacional”. Ana Manuel Martins explica porquê. “Significa que não nos prendemos a um único sistema proprietário e em vez disso, permitimos que se integre rapidamente a melhor e mais atual tecnologia de drones pronta a usar. Isto assegura que cada Estado-membro pode construir as suas próprias capacidades logísticas resilientes e adaptáveis, reforçando a sua postura individual de Defesa e, por extensão, toda a Aliança”, explica.

Na mesma lógica de tecnologia de uso dual, destaque para a NeuroSpace. A startup do setor aeroespacial também foi uma das escolhidas para fazer parte do DIANA vai, no âmbito da sua participação no acelerador da NATO, “evoluir o NeuraspaceDEF, a nossa plataforma de defesa de Consciência Situacional do Domínio Espacial/Gestão do Tráfego Espacial, baseada em IA explicável, fusão de sensores e autonomia de comunicação a bordo dos satélites, demonstrando impacto operacional real e adoção pela NATO e Nações Aliadas”, detalha Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace, ao ECO/eRadar.

Outro dos exemplos no setor aeroespacial é a Spotlite. A startup levantou 3,5 milhões de euros para escalar a sua plataforma de monitorização de risco em infraestruturas por satélite e a sua presença internacional. Presente em Europa, Estados Unidos e América do Sul, com esta injeção de capital, a empresa quer expandir para “novos mercados estratégicos, incluindo a América do Norte”.

“A Spotlite está atualmente a operar com clientes em vários mercados na Europa, Estados Unidos e América do Sul, incluindo Portugal, Colômbia e Brasil. Com o novo investimento, vamos acelerar a nossa presença comercial nestas regiões e expandir para novos mercados estratégicos, incluindo a América do Norte e outras geografias com grandes redes de infraestrutura crítica. O plano de expansão está em curso e será executado de forma faseada ao longo dos próximos 12 a 18 meses”, adianta Ricardo Cabral, CEO da Spotlite, ao ECO/eRadar.

Primeiro avião militar português
E também no setor do espaço, realce para o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Geosat no âmbito da “Constelação do Atlântico”, para criar uma constelação de satélites de observação da Terra de alta resolução (VHR/HR), focada em defesa, segurança, proteção ambiental e gestão de recursos, visando uma presença europeia mais soberana no espaço, colaboração de entidades como o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA) e a Força Aérea Portuguesa.

Estas três entidades — Geosat, CEiiA e Força Aérea Portuguesa — estão igualmente envolvidas no desenvolvimento do primeiro avião civil militar projetado e fabricado em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028. Batizada de LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira. O projeto poderá criar até 300 empregos diretos e os últimos números apontam para um investimento total de 220 milhões de euros. Só para a fábrica são mais de 30 milhões.

O avião terá a capacidade de transportar 19 passageiros ou até duas toneladas de carga, podendo atuar em missões militares, missões de busca e salvamento e também na aviação comercial regional. A aeronave terá um alcance de até 2.100 quilómetros e poderá atingir velocidade de até 370 quilómetros por hora.



Na áreas dos materiais e têxtil, a indústria nacional também tem vindo a apresentar projetos. É o caso da Beyond Composite. Com sede em Canelas, Vila Nova de Gaia, a empresa desenvolve produtos para o setor da Defesa, nomeadamente placas de proteção balística para serem inseridos em coletes balísticos, capacetes e escudos com proteção balística para os soldados.

A empresa, fundada por investigadores da Universidade do Minho e adquirida pela Sonae Capital Industrials, continua empenhada no negócio da defesa. Estão a “desenvolver e implementar uma estratégia de investigação e desenvolvimento a curto, médio e longo prazo que passará por desenvolver produtos mais leves, com melhor performance e com novas funcionalidades, tais como monitorização do impacto balístico e proteção eletromagnética”, conta Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite.

Veículos anti-motim e defesa militar
Fundada há 71 anos pelo bombeiro voluntário Jacinto Marques de Oliveira, a Jacinto começou a produzir, na década de 80, em parceria com a Salvador Caetano, veículos de combate a incêndio, até que no final de 2016 começaram a olhar para a Defesa com outros olhos. Iniciaram o percurso no setor com a produção de um veículo anti-motim para a GNR, um contentor para o exército português e no final do ano passado cinco veículos anti-motim para a República Dominicana.

A empresa de Esmoriz, que emprega 170 pessoas e fatura 50 milhões de euros, quer estar na linha da frente da Defesa e lançou em abril do ano passado uma linha de produtos direcionados à defesa e segurança nas áreas militares e polícia.



“Esperamos que esta aposta possa alavancar a entrada de uma empresa portuguesa na produção de veículos de defesa militar que muito elevaria esta indústria em Portugal”, diz o diretor-geral, Jacinto Reis, que pertence à quarta geração da família.
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte, PTWolf, yuwanko

*

miguelbud

  • Especialista
  • ****
  • 1054
  • Recebeu: 201 vez(es)
  • Enviou: 77 vez(es)
  • +88/-442
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte, Lightning, Malagueta

*

Duarte

  • Investigador
  • *****
  • 6818
  • Recebeu: 1354 vez(es)
  • Enviou: 3188 vez(es)
  • +3785/-1736
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #243 em: Janeiro 09, 2026, 10:24:40 pm »
Portugal vai receber e testar tecnologia de defesa em exercício militar europeu
Portugal vai acolher entre os meses de setembro e outubro o exercício de experimentação operacional (OPEX) da Agência Europeia de Defesa (EDA), em que será testado armamento desenvolvido por empresas europeias e nacionais.

https://executivedigest.sapo.pt/portugal-vai-receber-e-testar-tecnologia-de-defesa-em-exercicio-militar-europeu/
слава Україна!
“Putin’s failing Ukraine invasion proves Russia is no superpower".
"Every country has its own Mafia. In Russia the Mafia has its own country."
"Even the dumbest among us can see the writing on the wall for Putin"
 

*

Malagueta

  • Analista
  • ***
  • 882
  • Recebeu: 349 vez(es)
  • Enviou: 438 vez(es)
  • +193/-167
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #244 em: Janeiro 12, 2026, 02:32:45 pm »
https://eco.sapo.pt/opiniao/a-participacao-da-industria-nos-investimentos-em-defesa/

A participação da indústria nos investimentos em Defesa

A afirmação internacional das nossas empresas é um passo necessário para a criação de resiliência na Defesa Nacional e para um apoio de proximidade aos Ramos militares no desempenho das suas missões.

Ogoverno de Portugal que tomou posse em 2024 assumiu como prioridade política a Defesa Nacional. Esta prioridade significou que Portugal recuperou, após décadas de secundarização da segurança, o que a História nos ensina sobre o retorno do investimento nesta área: em soberania e independência nacional; num futuro com paz; e na prosperidade da comunidade.

Como o investimento em Defesa realizado por cada país tem uma forte correlação com a dimensão da sua indústria, uma vez que o Estado é o seu principal cliente, uma das prioridades do Ministério da Defesa Nacional é potenciar a participação das empresas portuguesas como forma de acelerar o desenvolvimento económico e aumentar o emprego. A opção pelo investimento em Defesa e o duplo uso militar e civil que a tecnologia potencia é, por isso, uma aposta na criação de riqueza.

As cimeiras de Washington, em 2024, e a de Haia, em 2025, consolidaram a expansão das capacidades militares de Portugal dentro da NATO, estabelecendo um compromisso com a produção e o reforço da indústria para garantir o efeito dissuasor baseado em vantagens tecnológicas. Neste âmbito, os investimentos em produtos e no equipamento das Forças Militares previstos até 2030 — onde se incluem navios, blindados, viaturas tácticas, sistemas não tripulados e anti-drone, satélites, munições e sistemas de artilharia e de antiaérea — são uma excelente oportunidade para a indústria Nacional.

O envolvimento da indústria está a ser concretizado de quatro diferentes formas:

Compras diretas de equipamentos e sistemas a empresas portuguesas;
Atração de investimento estrangeiro na construção de capacidades na Defesa que incluem fornecimentos nacionais;
Compras a empresas portuguesas de componentes e produtos que são integrados nas aquisições realizadas pelos Ramos militares;
Encontros entre empresas portuguesas e grandes fabricantes facilitando a sua entrada nas cadeias de fornecimento a nível internacional.
Desenvolvendo a visão estratégica do Ministério da Defesa Nacional, a idD Portugal Defence tem a missão de promover o papel da Indústria na construção de capacidade e de resiliência na Defesa, reforçando a ligação entre as necessidades dos Ramos militares e o conhecimento, a tecnologia e as capacidades disponibilizadas pela Indústria. Para garantir o envolvimento da indústria atua em duas dimensões — aquisições e desenvolvimento tecnológico — que refletem a orgânica da NATO — Comando Aliado Operacional na Europa e o Comando Aliado para a Transformação nos EUA — e dos próprios Ramos nacionais — planeamento e logística, por um lado, e inovação tecnológica, por outro.

Nos investimentos previstos, a idD promove a participação da indústria em cinco fases:

Atualização de contactos das empresas para garantir que pudessem ter acesso a estas oportunidades — o que aconteceu com todas as que fizeram a atualização;
Manifestação de interesse que incluiu a forma como cada entidade poderia integrar o fornecimento dos equipamentos e produtos previstos;
Organização da informação recebida de várias dezenas de empresas sobre a sua capacidade de fornecimento por tipo de equipamento e produto a adquirir;
Envio desta informação aos Ramos para ser considerada nas aquisições a realizar;
Integração na lista de possíveis fornecedores entregues aos potenciais fabricantes dos equipamentos a adquirir.
A concretização destas aquisições pelo Estado português serão o passo seguinte neste processo que visa integrar ao máximo a indústria de Defesa Nacional. Note-se, contudo, que este processo não garante, só por si, as vendas de qualquer uma das 420 empresas e centros de investigação nacionais. A participação da indústria que atua na Defesa, e de novas empresas, está, antes de mais, dependente da posse de tecnologia e de capacidade produtiva que respondam às necessidades militares.

Uma vez que a indústria de Defesa Nacional, na maioria de pequena e média dimensão, não está atualmente preparada para fabricar todos os sistemas de armas necessários para equipar os Ramos militares, o seu desenvolvimento futuro passa também pela maior afirmação internacional de áreas de especialização para ganhar escala, desenvolver tecnologias, estabelecer parcerias, controlar as diferentes fases das cadeias de valor e obter custos de produção médios mais baixos de modo a poder praticar preços e condições de venda competitivos.

A afirmação internacional das nossas empresas é, por isso, um passo necessário para a criação de resiliência na Defesa Nacional e para um apoio de proximidade aos Ramos militares no desempenho das suas missões. As grandes áreas de especialização e de maior competitividade da Indústria de Defesa portuguesa são as seguintes:

Consultoria e programação informática: sistemas de Comando e Controlo, Simulação, Cibersegurança e outras aplicações no Espaço e submarinas;
Reparação, manutenção e remodelação naval, aérea e terrestre;
Engenharia e design: materiais compósitos, mecânica de precisão, aeronáutica militar, etc.;
Equipamento elétrico e eletrónico: comunicações, sensores, fontes de energia autónomas e componentes diversos;
Têxtil, vestuário e calçado como botas, fardamento e proteção operacional;
Sistemas não tripulados em vários domínios: aéreos, de superfície, submarino e terrestre.
O reforço destas vantagens competitivas complementa as oportunidades geradas pelo novo investimento em Defesa, tanto o nacional como o dos aliados, e ajuda a criar condições para que a indústria nacional avance para a produção de novas plataformas aéreas, terrestres e navais, alargue o desenvolvimento de sistemas não tripulados em ar, terra, mar e submarinos, e incorpore mais tecnologia inovadora como Inteligência Artificial, já usada em drones, ou física quântica aplicada em comunicações encriptadas.

Mais do que um benefício imediato, os investimentos que Portugal está a fazer vão potenciar a indústria e alargar a autonomia futura da Defesa Nacional.
 

*

Malagueta

  • Analista
  • ***
  • 882
  • Recebeu: 349 vez(es)
  • Enviou: 438 vez(es)
  • +193/-167
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #245 em: Hoje às 09:30:39 am »
Constelação do Atlântico coloca mais três satélites em órbita até junho

Os mais recentes cinco satélites a juntarem-se à Constelação implicaram uma aposta de 67 milhões de euros, num investimento global previsto de 110,6 milhões.

AConstelação do Atlântico vai colocar durante o primeiro semestre mais três satélites em órbita, elevando para seis o número de equipamentos a orbitar a Terra. O projeto, que integra a Agenda NewSpace, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pode evoluir até 16 satélites. Os mais recentes cinco satélites a juntarem-se à Constelação implicaram uma aposta de 67 milhões de euros, num investimento global previsto de 110,6 milhões.

“A aceleração da entrada em operação da Constelação do Atlântico constitui um fator crítico para assegurar o seu papel estratégico no sistema europeu de Observação da Terra. Foi com este objetivo que foi lançado um concurso público internacional que envolve também uma componente abrangente e estruturada de transferência de conhecimento e capacitação, para além do fornecimento de satélites óticos, em linha com os objetivos aprovados de reforço e consolidação industrial da Agenda New Space Portugal”, explica fonte oficial do CEiiA, entidade que lidera o projeto que envolve ainda a Força Aérea Portuguesa, o CTI Aeroespacial, a N3O e a GEOSAT, ao ECO/eRa

O concurso público internacional realizou-se no último trimestre do ano passado, tendo sido avaliadas 34 propostas. “Em particular, foram submetidas propostas pelas seguintes entidades: Deimos Engineering, OHB Sweden, Open Cosmos, Iceye, Telespazio Iberica, Satlantis, Satellogic e Endurosat”, detalha a mesma fonte.

A Iceye ganhou os lotes 1 e 4, “referentes ao desenvolvimento de um satélite VHR NexGen e de dois satélites VHR NexGen —, tendo a Satellogic vencido o lote 7, “referente ao desenvolvimento de dois satélites VHR Light NexGen”, explica fonte oficial.

“Com este modelo de gestão da cadeia de valor foi possível assegurar um investimento de 67 milhões de euros, no quadro da reprogramação da Agenda NewSpace Portugal, que prevê para este conjunto de cinco satélites de nova geração um volume de investimento global de 110,6 milhões euros“, informa fonte oficial do CEiiA.

Destes cinco equipamentos, três irão até junho juntar-se aos equipamentos da Constelação já em órbita. “A Constelação do Atlântico tem neste momento em órbita três satélites — o Geosat2 e dois satélites VHR Light da Agenda New Space Portugal — e durante o primeiro semestre de 2026 será reforçada com mais três satélites (um VHR Light e dois SAR)”, detalha.

Constelação do Atlântico na Defesa da Europa
A Constelação do Atlântico foi destacada por Ursula Von der Leyen no seu discurso do Estado da União em setembro do ano passado, apontado como o exemplo do novo momento da aposta na defesa europeia. “É o maior projeto no setor espacial da história portuguesa, com dois satélites já em órbita e mais em desenvolvimento.”

As capacidades que o país está a desenvolver no setor do espaço foram igualmente realçadas pelo comissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, durante a sua visita. “Portugal tem demonstrado ótimos exemplos de como usaram o dinheiro da União Europeia, por exemplo, para desenvolver uma constelação de satélites, como a constelação Atlantis”, afirmou Andrius Kubilius, em entrevista ao ECO/eRadar

“Portugal está a fazer um excelente trabalho em várias frentes. Fiquei particularmente impressionado com o que estão a fazer no setor espacial. Tive a oportunidade de visitar o centro de comando espacial militar e, realmente, é notável. Portugal está a sair-se muito bem na produção de drones, bem como na área da aeronáutica. O que vi no centro de engenharia e desenvolvimento CEiiA são exemplos realmente muito bons”, afirmou ainda.

“Portugal desempenha um papel muito relevante devido à sua posição geográfica estratégica, tanto no Mediterrâneo como no Atlântico. Os Açores desempenham um papel muito relevante e podem desempenhar um papel ainda mais importante com o desenvolvimento de capacidades de lançamento espacial”, referiu ainda o comissário europeu.

“Temos vindo a discutir a possibilidade de criar aquilo a que chamamos uma vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Atualmente, a União Europeia está a desenvolver, com os Estados-Membros da Europa de leste, na região fronteiriça, um projeto emblemático conhecido como vigilância do flanco oriental. Sugeri às autoridades militares e governamentais [portuguesas] que analisassem a possibilidade de desenvolver também um projeto regional comum semelhante, que pudéssemos chamar de vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Existem algumas questões de defesa que unem muito dos países da região, como por exemplo, a proteção de cabos submarinos ou o controlo de uma grande parte da área atlântica. Há muitas questões em que Portugal pode ter grande influência”, apontou.

A Constelação do Atlântico faz parte da agenda “NewSpace Portugal” que, inicialmente, tinha um apoio do PRR de 137,36 milhões de euros, e viu o seu nível de ambição aumentar com a reprogramação das agendas mobilizadoras, com um aumento dos incentivos de 279 milhões de euros.
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte