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Força Aérea Portuguesa / Re: 6ª Geração
« Última mensagem por Red Baron em Hoje às 10:42:41 am »
Se os EUA se mostrarem hostis com a Europa (rezemos que o laranja seja posto no olho da rua antes disso), só vai haver incentivo para acelerar os programas 6G, e provavelmente surgirão outros programas de primeira linha.

Os Eurocanards são inconsequentes. Produzir mais uns quantos não vai mudar nada no equilíbrio de forças. Adiar o desenvolvimento dos 6G para produzir mais eurocanards, seria um erro tremendo.

Até acho mais provável que dê aos países europeus uma de "a necessidade aguça o engenho", e se comece a acelerar o desenvolvimento de novos caças.
Mesmo que não surja logo um 6G, pode surgir um 5G, com tecnologia conhecida, que usa motores já em uso (os EJ200 dos Typhoon por exemplo), e que saísse dali um rival bimotor do F-35, usando know-how absorvido pelas nações/empresas que participaram no desenvolvimento deste último.

O desenvolvimento vai continuar, mas ninguém vai fechar linhas de produção neste momento ainda por cima com encomendas feitas.
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Marinha Portuguesa / Re: Fotos de Navios de Guerra Portugueses
« Última mensagem por mafets em Hoje às 10:41:16 am »

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Construída no Arsenal da Ribeira das Naus, a canhoneira Pátria foi aumentada ao efetivo dos navios da Armada em 27 de dezembro de 1903. Motivada pelo Ultimato Inglês de 1890, a sua construção foi financiada pelo dinheiro oriundo da Subscrição Nacional da comunidade portuguesa presente no Brasil.


Saudações

P.S.


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A canhoneira Beira a largar de São Vicente, durante a Grande Guerra (Biblioteca Central de Marinha)
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Exércitos/Sistemas de Armas / Re: Exército Chinês
« Última mensagem por mafets em Hoje às 10:30:39 am »
https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/china-testa-zbd-04-com-torre-n%C3%A3o-tripulada-e-abandona-canh%C3%A3o-de-100-mm/ar-AA1UxiTM?ocid=msedgntp&pc=LCTS&cvid=6970a892634b462b9120c6a701688330&ei=29

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As imagens indicam uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional, que utilizava uma torre tripulada equipada com um canhão de 100 mm.

O ZBD-04 original, também conhecido como Type 04 ou WZ502, possui armamento semelhante ao do BMP-3 russo, combinando um canhão de 100 mm com outro automático de 30 mm. No entanto, essa configuração exige o armazenamento de munições de grande calibre dentro do veículo, o que aumenta consideravelmente o risco de destruição total em caso de impacto por drones, armas antitanque ou foguetes.

Saudações
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Tu126 e Tu128



Saudações

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Conflitos do Passado e História Militar / Re: LAS MALVINAS SON ARGENTINAS
« Última mensagem por mafets em Hoje às 10:16:14 am »
https://www.aereo.jor.br/2019/04/22/malvinas-37-anos-interceptadores-sovieticos-tu-128-fiddler-quase-assumiram-a-defesa-aerea-argentina/

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Entretanto, conforme as hostilidades progrediam, a junta militar portenha comandada pelo General Leopoldo Galtieri (1926-2003) também recebeu por parte do governo soviético então liderada pelo Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética Yuri Andropov (1914-1984) uma oferta de defesa mais incisiva, na forma de nada mais nada menos que caças interceptadores que seriam baseados no continente argentino, a partir de onde se pretendia que decolassem em alertas de defesa aérea ou em patrulhas contra os caças British Aerospace Harrier GR.3 da Força Aérea Real e Sea Harrier FRS.1 da Arma Aérea da Frota, a aviação aeronaval do Reino Unido, bem como neutralizar os bombardeiros Avro Vulcan B.Mk2 em missões “Black Buck” de supressão da defesa aérea argentina.

De acordo com informações obtidas através de contatos deste autor com ex-pilotos da IA-PVO (a Aviação de Caça da Força de Defesa Aérea da Força Aérea soviética, subdivisão que deixou de existir em 1998), dentre as opções avaliadas estavam os modelos Mikoyan Gurevich MiG-21 “Fishbed”, MiG-23 “Flogger”, MiG-25 “Foxbat” e Tupolev Tu-128 “Fiddler”.



Saudações
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Conflitos do Presente / Re: Gronelândia: Apetites Laranjas
« Última mensagem por Malagueta em Hoje às 09:54:47 am »
Para os que creem na tal "Ordem Mundial Baseada em Regras", um poco de realidade fora da bolha.
Um sincericidio por um de seus actores, agora que a coisa não lhes vai tão bem assim:

Never thought we would hear this level of honesty from a Western leader, and certainly not Canada, given the direction of Canada in the past 25 years.

Canada's shift towards multialignment is quite clear - and this level of honesty from Carney on Western "fiction" about the old order will be warmly welcomed in much of the Global South:

"We knew that the story about the rules-based order was partially false...

We knew that international law applied with varying rigour depending on the identity of the accused and the victim.

This fiction was useful... So we placed the sign in the window. We participated in the rituals.

And we largely avoided calling out the gaps between rhetoric and reality.

This bargain no longer works. Let me be direct. We are in the midst of a rupture, not a transition...

You cannot live within the lie of mutual benefit through integration when integration becomes the source of your subordination."


Está o vídeo: https://x.com/tparsi/status/2013677260956402059

Claro, os inocentes sempre podem argumentar "Ah... isso é IA..."

Náo argumentam , mas esta incompleto....

https://expresso.pt/internacional/2026-01-20-a-velha-ordem-mundial-nao-vai-voltar-o-aviso-do-primeiro-ministro-do-canada-que-esta-ao-lado-da-dinamarca-e-da-gronelandia-7673ff48

“A velha ordem mundial não vai voltar”: o aviso do primeiro-ministro do Canadá, que está ao lado da Dinamarca e da Gronelândia

Mark Carney discorreu sobre a chamada "ordem internacional", admitindo que a narrativa era "parcialmente falsa" e favorável aos mais fortes, mas que deixou de ser útil ao Canadá e outros países

O Canadá está ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e opõe-se às tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra os países que se opõem aos planos de anexação da ilha, afirmou hoje o Governo.

Numa intervenção no segundo dia da 56.ª edição do Fórum de Davos, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, sublinhou que "apoia totalmente" o direito exclusivo da Gronelândia e da Dinamarca de determinar o futuro da ilha no Ártico.

"O Canadá opõe-se veementemente às tarifas sobre a Gronelândia e apela para negociações específicas para alcançar os nossos objetivos comuns de segurança e prosperidade no Ártico", disse.

O mundo está a sofrer "uma rutura" e não "uma transição" e "a velha ordem [mundial] não vai voltar". “As grandes potências começaram a usar a integração económica como arma, as tarifas como instrumento de pressão, a infraestrutura financeira como forma de coerção e as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a explorar”, afirmou Carney.

"Não devemos lamentar isso. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo", defendeu, garantindo que, pela sua parte, o Canadá está a "recalibrar as suas relações". Aliás, o país foi foi "dos primeiros a ouvir o sinal de alarme" de que a geografia e as alianças históricas deixaram de garantir estabilidade.

Sem nunca se referir explicitamente aos Estados Unidos, o primeiro-ministro do Canadá -- país que o Presidente norte-americano, Donald Trump, também já disse que gostaria que passasse a fazer parte dos Estados Unidos -- advertiu que, "numa época de grande rivalidade entre as potências", as "potências médias devem agir em conjunto", pois se não estiverem à mesa das discussões estarão "no menu".

Ordem internacional é uma ficção que deixou de ser útil
O chefe de Governo discorreu sobre a chamada "ordem internacional", admitindo que a narrativa era "parcialmente falsa" e favorável aos mais fortes, mas que deixou de ser útil ao Canadá e outros países.

“Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. E, graças a isso, pudemos prosseguir políticas externas assentes em valores, protegidos pelo seu enquadramento. Sabíamos que (..) os mais fortes se isentavam quando lhes era conveniente. Que as regras do comércio eram aplicadas de forma assimétrica. E sabíamos que o direito internacional era aplicado com rigor variável, dependendo da identidade do acusado ou da vítima", reconheceu, de acordo com uma transcrição do discurso completo, feita pela canadiana CBC.

A ficção era "útil", assume. "E a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: vias marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a mecanismos de resolução de litígios. Assim, colocámos a placa na porta. Participámos nos rituais. E, em larga medida, evitámos denunciar o fosso entre a retórica e a realidade. Este acordo deixou de funcionar”, concluiu.

A edição deste ano do Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre num contexto de grande instabilidade a nível global, e tem como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

A intervenção de Trump está marcada para o início da tarde de quarta-feira.

Trump tem ameaçado anexar a Gronelândia, território dinamarquês sob a égide da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica foram negligenciadas nos últimos anos e que o controlo desta poderia cair nas mãos da China ou da Rússia.

A tensão gerada na região pelas constantes ameaças de Trump levou vários países europeus aliados a enviar militares para a Gronelândia para a realização de exercícios militares.

Em resposta, no sábado, o Presidente norte-americano anunciou a imposição de taxas comerciais adicionais, a partir de fevereiro, sobre os produtos de oito nações europeias que se uniram em torno da Dinamarca, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, que seriam aumentadas para 25% a partir de 01 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo total da Gronelândia.
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Mundo / Re: Independência Tecnológica Europeia
« Última mensagem por Malagueta em Hoje às 09:36:30 am »
Uma dependência que é mais grave que a militar, neste momento


https://cnnportugal.iol.pt/cloud/dependencia-estrategica/ha-uma-nuvem-a-pairar-sobre-a-independencia-europeia-os-americanos-estao-nos-a-empurrar-para-uma-situacao-muito-mais-insegura-do-que-pensavamos/20260121/696a2030d34e92a344978aab

Há uma nuvem a pairar sobre a independência europeia. "Os americanos estão a empurrar-nos para uma situação muito mais insegura do que pensávamos"

Com mais de 70% da sua infraestrutura digital nas mãos de três gigantes americanos, a Europa enfrenta uma "armadilha" estratégica que vai muito além da economia. Especialistas alertam que a "nuvem" pode tornar-se uma arma geopolítica que arrisca colocar a Europa num dilema entre dois caminhos "difíceis"
Imagine uma manhã em que os hospitais perdem subitamente o acesso aos processos clínicos dos pacientes, as transações bancárias ficam congeladas e a máquina fiscal do Estado deixa de responder. Não houve um bombardeamento, nem uma catástrofe natural. Do dia para a noite, o "interruptor" que liga a Europa ao mundo foi desligado, mergulhando empresas e governos num caos administrativo sem precedentes. Esta consequência é um cenário hipotético "mas possível" de uma das principais dependências estratégicas da União Europeia que continua a intensificar-se e representa um risco real para o continente.

De todas as dependências europeias, uma é particularmente gritante: a Cloud (Nuvem). Este mercado é completamente dominado por três gigantes norte-americanos, a Amazon, a Microsoft e a Google. Ao todo, só estas três empresas controlam entre 70% de toda a capacidade de armazenamento e processamento de dados no continente. Só que os perigos desta dependência vão muito além de simples considerações económicas. Esta tecnologia tornou-se de tal forma vital para as empresas que, em caso de conflito diplomático ou de tensões bélicas, a Cloud americana pode transformar-se numa perigosa armadilha.

Para Diana Soller, especialista em Relações Internacionais, esta vulnerabilidade enquadra-se numa nova doutrina global a que "os americanos chamam de weaponization of everything [transformar tudo numa arma]". A investigadora alerta que, "num sistema internacional em que as armas convencionais já não são o único recurso dos Estados para forçarem outros Estados a fazer aquilo que querem", infraestruturas críticas como "as clouds podem efetivamente ser um problema se os Estados Unidos se tornarem efetivamente um rival da Europa".

O problema principal desta dependência ocorre a nível legal. Em 2018, os Estados Unidos aprovaram o CLOUD Act, um conjunto de leis com o intuito de clarificar questões legais em torno da utilização de dados no estrangeiro. Só que este programa criou um alçapão legal. Através desta lei, as autoridades norte-americanas podem exigir acesso a dados alojados por empresas dos EUA, mesmo que os servidores físicos estejam em Paris, Frankfurt ou Lisboa. Na prática, para a Europa, isto significa que não existe verdadeiro "sigilo de estado" ou segredo industrial

Este cenário é particularmente crítico, uma vez que parte das infraestruturas críticas europeias estão sustentadas nestes serviços. Áreas como a banca, a saúde, logística e até algumas matérias militares estão alojadas nestas empresas. Esta realidade coloca a Europa numa posição sensível, onde pode não ter capacidade de backup e migrar os dados de um dia para o outro, caso os norte-americanos suspendam o serviço alegando questões "de segurança nacional". O resultado seria um apagão digital que arriscaria paralisar administrativamente o velho continente.

Contudo, os números do mercado escondem uma realidade ainda mais dramática. Embora se fale em 70% de quota de mercado, a dependência funcional é quase total devido à falta de escala física das infraestruturas europeias para aguentar uma migração de emergência. Enquanto os data centers da Google ou Amazon são infraestruturas colossais, onde é necessário circular de "carrinho de golfe" lá dentro, os centros de dados europeus são comparativamente pequenos e fragmentados, incapazes de servir de backup para um continente inteiro, com mais de 400 milhões de habitantes

"Se formos ver isto do ponto de vista da resiliência, da continuidade do serviço, dos backups, então a dependência deve andar literalmente nos 90%. Temos ovos espalhados por todo lado. Nós não queremos fazer miniomeletes. Nós queremos fazer um superbolo. Se isto está tudo espalhado por todo o lado da Europa em pequenos data centers, nós não conseguimos fazer nada", avisa Nuno Mateus-Coelho, especialista em Cibersegurança.

A situação é explicada, em parte, também pelo facto de os fornecedores americanos desenharem as suas plataformas para serem difíceis de "largar" para os clientes. Estas plataformas operam numa lógica de vendor lock-in, onde a infraestrutura é desenhada para tornar qualquer saída tecnicamente complexa e financeiramente incomportável. Isto coloca a Europa numa posição de refém, ficando à mercê de uma decisão das autoridades norte-americanas.

A ideia de Washington carregar no "interruptor" e desligar a luz à Europa pode parecer um cenário tirado de um filme de ficção, mas existe um precedente. Em maio de 2025, o procurador do Tribunal Penal Internacional Karim Khan viu-se barrado do próprio email institucional do Outlook, após sanções americanas. Com apenas uma ordem, um procurador em Haia viu a sua vida ficar extremamente limitada. E, para muitos, isso é apenas uma pequena amostra daquilo que poderia acontecer caso os interesses europeus e americanos choquem em grande escala, como, por exemplo, na Gronelândia.

"Quando falamos em Kill Switch, não é só o acesso às tecnologias. Aquilo que nós temos por garantido deixa de existir. O Google deixa de existir, o Bing deixa de existir. Ninguém está a falar sobre isto", frisa Nuno Mateus-Coelho.

Para os especialistas, esta possibilidade coloca "uma nuvem" a pairar sobre a independência europeia que traz à memória outras dependências europeias que se transformaram em problemas estratégicos. No início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Europa era de longe o maior cliente dos combustíveis fósseis russos, acabando por ver os preços da energia disparar para valores recorde, financiando o esforço de guerra russo. Alguns países compravam 100% do seu gás natural à Rússia. Outros, como a Alemanha, o gigante industrial do continente, essa dependência chegava a 55%.

E esta dependência existiu apesar dos avisos. Mas a inércia política e a confiança cega na estabilidade das parcerias impediram a criação de alternativas enquanto havia tempo, deixando o continente vulnerável a choques geopolíticos previsíveis. Este cenário, alertam os especialistas, está a repetir-se agora no campo digital.

"Esse foi outro erro crónico que a Europa cometeu, que foi ter tido avisos das mais diversas proveniências durante uma série de anos e ter deixado esses avisos caírem em saco roto", lamenta Diana Soller, traçando o paralelo com a crise ucraniana. Para a especialista, a Europa pareceu viver "refém do medo" de agir para não provocar parceiros agressivos, acabando por pagar agora "um preço muito alto" pela sua imprudência.

Mas se o passado serve de lição, o futuro reserva um dilema ainda mais complexo. Se a "rede de segurança" americana falhar, a Europa não tem para onde se virar dentro de casa. No caso da dependência russa, a União Europeia viu-se obrigada a criar um plano de emergência, o REPowerEU, substituindo o fornecimento russo por gás natural liquefeito vindo de outros parceiros e acelerando a transição para as renováveis. Mas, na esfera digital, não existe uma Noruega ou um Catar para onde fugir. Sem capacidade própria instalada, a única alternativa com escala suficiente para manter a Europa ligada não é democrática. Muito pelo contrário.

"Os americanos estão a empurrar-nos para uma situação muito mais insegura do que nós pensávamos, que é para a mão da China", alerta Nuno Mateus-Coelho. O especialista em cibersegurança explica que, na ausência das "clouds megalómanas" americanas, as únicas alternativas com escala para suportar a economia europeia seriam chinesas, como a Alibaba. O resultado seria igualmente problemático. Ao perder o acesso à tecnologia americana, a Europa ver-se-ia forçada a migrar os seus dados para infraestruturas conhecidas por terem backdoors que permitem o acesso das autoridades chinesas aos dados.

Esta tendência de dependência estratégica parece estar a aprofundar-se com o desenvolvimento da Inteligência Artificial. Com a Europa a ficar cada vez mais para trás no campo do armazenamento de dados, o fosso pode tornar-se ainda maior na tecnologia de processamento e tomada de decisões. Ao não dominar esta tecnologia, a Europa corre o risco de ficar dependente de algoritmos treinados no estrangeiro para gerir infraestruturas críticas como redes elétricas ou até mesmo diagnósticos médicos.

No passado, a União Europeia lançou um projeto conhecido como Gaia-X, em 2020, que prometia criar uma infraestrutura de dados federados e seguros, baseada nos valores europeus. Só que enquanto Bruxelas se focou na definição de normas, regulação e complexos processos burocráticos, em Silicon Valley os principais gigantes tecnológicos injetaram dezenas de milhares de milhões de dólares em infraestrutura física real. O resultado foi um projeto europeu que se perdeu em comités, incapaz de competir com a velocidade de inovação e a capacidade de investimento americana. Reverter este atraso vai requerer mais do que vontade política.

"A resposta passa naturalmente por a Europa investir e tentar manter os seus melhores, evitando deixá-los ir para o mercado norte-americano", defende Ricardo Ferraz, professor de Economia no ISEG e na Universidade Lusófona.

O economista reconhece a dificuldade de competir com empresas que têm décadas de avanço e capitalização, mas recusa o fatalismo, apontando para exemplos de sucesso que provam que a soberania é possível em nichos de alta tecnologia. É o caso da Tekever, uma empresa portuguesa de drones que compete ao mais alto nível global. "Quem é que diria que, tendo os Estados Unidos uma tão grande indústria militar, nós temos uma empresa portuguesa que está a ajudar a Ucrânia com tecnologia de ponta?", questiona Ricardo Ferraz, sublinhando que é possível chegar lá "investindo e inovando"

É verdade que a maioria dos especialistas acredita que este corte radical não está iminente, uma vez que os laços transatlânticos ainda são fortes e o prejuízo económico seria devastador para ambos os lados. Só que a volatibilidade geopolítica em que o mundo está mergulhado faz com que a simples possibilidade técnica deste evento não possa ser ignorada.

Mas construir esta autonomia não será um processo nem barato nem indolor e exigirá uma mudança de mentalidade que a Europa tem evitado nas últimas décadas. Resta saber se os líderes europeus terão a coragem política para pagar a fatura da independência antes que o "interruptor" mude de posição, trocando o conforto da dependência pela segurança da soberania.

"Isso provavelmente vai obrigar-nos a fazer sacrifícios? Certamente. Mas não fazer sacrifícios neste momento traz consigo um risco que a mim parece muito maior", conclui Diana Soller.
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Área Livre-Outras Temáticas de Defesa / Re: Cartoons
« Última mensagem por Lusitano89 em Hoje às 08:55:40 am »
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Portugal / Re: O (hipotético) SAFE 2.0 - O que incluir?
« Última mensagem por sivispacem em Hoje às 08:53:25 am »
Não conseguimos manter dois submarinos modernos e vamos conseguir adquirir e manter isso tudo?  ???

Num contexto de 3,5% do orçamento para a Defesa, sim. E por falar nisso, repararam como esse patamar de despesa deixou de ser tema de conversa??
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