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Conflitos => Conflitos do Passado e História Militar => Tópico iniciado por: Nuno Bento em Janeiro 09, 2006, 12:13:20 am

Título: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Nuno Bento em Janeiro 09, 2006, 12:13:20 am
Como grande entusiasta da História Militar principalmente da Fora Aerea eu gostaria de saber quais as bases Militares da FAP em Angola e Moçambique durante a Guerra Colonial (Basea aereas , aerodromos Base, aerodromos de Manobra , de transito , etc) e quais os meios atribuidos a cada um e sua importancia operacional. Se alguem me pudesse facultar essa informação ficaria muito agradecido.
Título:
Enviado por: Get_It em Janeiro 09, 2006, 12:48:46 am
Embora não muito extenso (por agora) acho que poderá encontrar essas informações em: Guerra colonial portuguesa - Wikipédia (http://http), ver em especial os artigos listados na secção Ver também.
Título:
Enviado por: José Matos em Janeiro 09, 2006, 02:43:10 am
Olá Nuno

Existe um livro exclusivamente dedicado à operação da FAP em África: A Força Aérea na Guerra em África de Luis Alves de Fraga da Editora Prefácio. Encontras em qualquer livraria. Ou aqui por 22,5 euros.

http://portalmilitar.net/Pages/livros_prefacio.htm (http://portalmilitar.net/Pages/livros_prefacio.htm)

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fportalmilitar.net%2FLivros%2FPrefacio%2Fforca_aerea_02.jpg&hash=97c443cf41a38825fe60a3b47d291e3f)


Um abraço

Título:
Enviado por: Lightning em Março 11, 2006, 01:01:36 pm
Eu tenho esse livro e por isso vou escrever só o essencial porque de ano para ano o numero de aeronaves alterava.

Em Angola as principais unidades da FAP eram Base Aérea nº9 em Luanda, Aerodromo-Base nº3 no Negage (norte) e o Aerodromo-Base nº4 em Henrique de Carvalho (leste).

em 1963 os meios em Angola eram

BA9
»9 Nordatlas
»9 PV-2
»21 F-84G
»12 Al III
»1 C-45
»13 Do-27
»6 Al II

AB3
»4 T-6
»14 Do-27
»28 Auster
»1 C-45

AB4
»4 T-6
»2 Do-27

em 1970

BA9
»10 Nordatlas
»12 PV-2
»4 C-47
»4 C-45
»9 F-84
»17 Do-27
»19 Auster
»18 Al III
»5 SA-330 Puma

AB3
»11 T-6
»10 Do-27
»6 Auster

AB4
»12 T-6
»14 Do-27
»6 Al III

Na Guiné-Bissau existia o Aerodromo-Base nº2 que mais tarde se transformou em Base Aérea nº12 em Bissalanca

em 1970 havia na BA12
»21 Al III
»3 C-47
»24 Do-27
»18 T-6
»12 Fiat G-91

Em Moçambique havia a Base Aérea nº10 na Beira, e os Aerodromos-Base nº5,6,7 e 8 respectivamente em Nampula, Nova Frixo, Tete e Lourenço Marques.
O numero total de aronaves da FAP em Moçambique em 1972 eram
»10 C-47
»9 Nordatlas
»26 T-6
»27 Do-27
»12 Auster
»32 Al III
»15 Fiat G-91
»4 Cherokee
»6 Cessna
»3 Sa-330 Puma
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Torgut em Agosto 04, 2013, 12:56:53 am
Não pude deixar de notar o enorme descréscimo na quantidade de F-84 na BA9 entre 1963 e 1970... alguém tem ideia do que causou esta enorme diminuição?
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: PereiraMarques em Agosto 04, 2013, 06:49:27 pm
Ultrapassagem do limite de horas de voo das células, falta de peças suplentes, etc.
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: papatango em Agosto 06, 2013, 10:59:51 am
Temos que ter em consideração a evolução da guerra e as táticas utilizadas.
Será importante notar por exemplo, o decréscimo do número de aviões de ataque F-84, e comparar com o número de helicópteros que estavam em operação nas duas datas.

A capacidade de transporte tático num teatro de operações como Angola era provavelmente o mais importante (em Moçambique também).
Já na Guiné as coisas eram muito diferentes, porque as forças inimigas operavam a partir do território de um país vizinho que ainda por cima possuía capacidade aérea superior.

Depois, o número de aviões de que a força aérea dispunha era relativamente reduzido e constava de uma parafernália de modelos diferentes. Mas ao que consta os F-84 continuavam a ser utilizados conforme a disponibilidade permitia. Mas já na década de 1970 a sua utilidade era relativamente menor, porque o tipo de guerra que se desenvolvia tornava a utilidade dos aviões reduzida.
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Bravo Two Zero em Agosto 07, 2013, 04:41:15 pm
Citação de: "papatango"
Temos que ter em consideração a evolução da guerra e as táticas utilizadas.
Será importante notar por exemplo, o decréscimo do número de aviões de ataque F-84, e comparar com o número de helicópteros que estavam em operação nas duas datas.

A capacidade de transporte tático num teatro de operações como Angola era provavelmente o mais importante (em Moçambique também).
Já na Guiné as coisas eram muito diferentes, porque as forças inimigas operavam a partir do território de um país vizinho que ainda por cima possuía capacidade aérea superior.

Depois, o número de aviões de que a força aérea dispunha era relativamente reduzido e constava de uma parafernália de modelos diferentes. Mas ao que consta os F-84 continuavam a ser utilizados conforme a disponibilidade permitia. Mas já na década de 1970 a sua utilidade era relativamente menor, porque o tipo de guerra que se desenvolvia tornava a utilidade dos aviões reduzida.

Se não fosse a restrição ao emprego de meios aéreos NATO no teatro de operações africano, que levou à retirada dos F-86F de Bissalanca, tenho a impressão que o superior treino dos pilotos e os sidewinder seriam superiores aos Mig-15/17 (?) da Guiné Conacry
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Torgut em Agosto 08, 2013, 10:34:40 pm
Pelo menos no cenário tradicional de confronto F-85 vs Mig 15, ou seja, na Coreia, a vantagem foi enorme para o lado do material americano.
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: papatango em Agosto 12, 2013, 10:44:11 pm
A restrição tem a sua lógica, porque afinal, enviaram-nos aviões para termos capacidade para apoiar a defesa da Europa na luta contra os russos, e não para enviar para África.
O governo português não conseguiu mostrar que a luta também era contra os russos, porque na realidade não era, já que em Angola por exemplo, a luta era também contra grupos apoiados pelos americanos. Por isso nunca tivemos Sidewinder. Os nossos aviões estavam equipados com quatro metralhadoras e bombas nas asas e era tudo.

Como em quase todos os casos, uma força com um treino de padrão elevado, consegue superiorizar-se a uma força com fraco padrão de treino ainda que com material superior.

Uma força militar com alto padrão de treino consegue adaptar-se mais rapidamente e essa é a principal diferença.
A questão aérea só se colocou realmente quando foram referenciados caças MiG-21 na Guiné-Conakri.
Os MiG-21 eram tão claramente superiores a tudo o que os portugueses tinham, que optámos por um golpe de mão (operação Mar Verde) para os tentar destruir.

O problema dos países africanos é que dependiam totalmente da União Soviética para fazer o que quer que fosse com os aviões. Os russos controlavam tudo e davam ordens.
Quando não havia autorização dos russos as coisas eram sempre feitas meio por debaixo do pano.
Sabemos que após a operação mar verde, houve aviões MiG-21 que terão sobrevoado os patrulhas portugueses que participaram na operação.
Foi eventualmente uma operação de intimidação para mostrar que os aviões podiam voar, mas aparentemente não tinham mísseis, o que os tornava pouco úteis, pois sem mísseis um MiG-21 pode ter dificuldades até contra um Fiat G-91 pilotado por um piloto experiente.
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: mafets em Junho 12, 2015, 10:53:23 am
http://defesanacionalpt.blogspot.pt/2015/06/enfermeiras-para-quedistas-homenageadas.html
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ENFERMEIRAS PÁRA-QUEDISTAS HOMENAGEADAS EM BELÉM

No monumento aos combatentes do ultramar junto à Torre de Belém foram homenageados em 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os que serviram o país em tempos de combate. Uma cerimónia a que a Câmara Municipal de Lisboa se associou e contou com o vereador Carlos Manuel Castro, que em representação da autarquia depositou uma coroa de flores junto ao monumento.

Da sessão deste ano destaque para uma homenagem especial às enfermeiras pára-quedistas, que desempenharam um papel fundamental nos palcos de guerra da Guiné, Angola e Moçambique, além da Índia e Timor.

Pioneiras no seu tempo e antecipando em 30 anos o ingresso das mulheres portuguesas nas forças armadas, foram 46 as enfermeiras que, a partir de 1961 e até ao final da guerra do ultramar, voluntariamente trataram e acompanharam os militares feridos em locais onde “até Deus parecia estar ausente”, como frisou o Coronel José Aparício na sua intervenção.

No final da cerimónia, abrilhantada pela Banda Filarmónica da Guarda Nacional Republicana, um helicóptero Halouette III sobrevoou o local, seguindo-se o Hino Nacional cantado por crianças da Casa Pia de Lisboa, acompanhado por 19 salvas de tiro.

Anjos descidos do Céu

A ideia de formar o corpo de enfermeiras pára-quedistas português, criado em 1961, partiu de Isabel Rilvas, primeira pára-quedista portuguesa. Antes de partirem para as zonas de combate as candidatas recebiam dois meses de instrução em Tancos onde praticavam saltos, recebiam treino militar e aprendiam a usar armas.

Fazia parte das suas funções assistir feridos nos locais de combate e estavam debaixo de fogo com muita frequência. Efectuaram centenas de evacuações aéreas entre as ex- províncias ultramarinas e a metrópole, dentro do próprio território africano para os hospitais e também de Goa e de Timor, acompanhando os feridos de guerra, doentes, familiares e crianças. A sua acção era prestada aos três ramos das Forças Armadas, bem como aos civis. (CML)
(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2F3.bp.blogspot.com%2F-Hhni3xuP4lU%2FVXllrVVF-LI%2FAAAAAAAASWw%2F45NdxaoRAj8%2Fs320%2Fc4dd8f8013.jpg&hash=31c64815062b3ea49601ed93683f0292)

Saudações
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: PereiraMarques em Junho 12, 2015, 06:11:13 pm
LOUVOR N.º 288/2015 - DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 113/2015, SÉRIE II DE 2015-06-1267460146
Ministério da Defesa Nacional - Estado-Maior-General das Forças Armadas - Gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
Louvo as antigas Enfermeiras Paraquedistas, que tendo servido na Guerra do Ultramar entre 1961 e 1974

https://dre.pt/application/file/67460052 (https://dre.pt/application/file/67460052)
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Carlos Rendel em Julho 22, 2015, 11:24:23 pm
Havendo  pouca  bibliografia  referente às  guerras  coloniais,designamente  os  meios  aéreos, chamo  a  atenção  para a obra  autobiográfica  do  brig. pil.av. Kruss  Abecasis,contendo  apontamentos de  combates  ar-terra  fazendo
a  aproximação, em  posição,e ataque.Esta  obra  editada  em  2  volumes  recheados  com  pormenores  técnicos   veja-se  a  montagem  de  canhões  nos  Alouette. O  livro,em  causa,  é  o  Bordo  de  Ataque e,  repito,será  conside-
rado  obra  de  referência  do  seu  autor,na  altura  acumulando  a  chefia  da  Base Aérea  de  Bissalanca  com  a  Zona   Aérea  da  Guiné  e  Cabo  Verde.A  partir  de  1965,na  Guiné,  a  luta  era  já  uma  carnificina  de  parte  a parte.
Os  paraquedistas  competiam  com  os  comandos  e  numa  emboscada  foi  mortalmente  atingido  um  capitão  paraquedista. A Guiné  prometia  e  pode  dizer-se  que  não   enganou  ninguém...                                                     cr
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: mafets em Janeiro 15, 2016, 04:20:37 pm
Citar
Operação Siroco de 1972 e Outras, na zona da Cameia e Cassai Norte, com All III e Pumas das Esqª. Saltimbancos do AB4, 94 da BA9 e a 33ª. Companhia de Comandos.
Videos realizados e gentilmente cedidos por José Baltazar Fonseca da 33ª.CC.

Saudações
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: HSMW em Fevereiro 21, 2016, 09:25:44 pm
AB4 - VIAGEM LUANDA-LUSO-CANGAMBA, NO NORDATLAS
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: Lightning em Outubro 09, 2017, 10:09:45 pm
Título: Re: A FAP na Guerra Colonial
Enviado por: tenente em Outubro 09, 2017, 10:26:20 pm

Muito obrigado pela divulgação Lightning !!