Protestos no Irão e Neda

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André

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« Responder #15 em: Junho 29, 2009, 01:43:19 am »
Prisão de funcionários diplomáticos abre conflito entre Londres e Teerão


O regime iraniano abriu ontem mais uma frente de conflito após prender nove funcionários da embaixada britânica em Teerão, acusando-os de instigar a rebelião interna que se seguiu às eleições presidenciais de 12 de Junho cujo vencedor oficial foi Mahmoud Ahmadinejad.

O caso relembra o sequestro dos diplomatas norte-americanos em Novembro de 1979, uma das mais séries crises políticas que opôs o Irão aos Estados Unidos e que terminou a 28 de Janeiro de 1980 quando, após 444 dias de cativeiro, os 52 reféns foram libertados.

David Miliband, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, exigiu ontem a "libertação imediata" dos britânicos e voltou a negar o envolvimento dos ingleses no protesto pós-eleitoral.

Miliband participou ontem no encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Corfu, e enviou uma mensagem forte a Teerão: "Este tipo de perseguição e intimidação é inaceitável. Pretendemos ver [os funcionários da embaixada] ilesos e em liberdade rapidamente".

Os 27 apoiaram a posição de Londres. Jan Kohout, ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, que ocupa a presidência rotativa da UE, disse: "Tornámos claro às autoridades iranianas que haverá uma resposta forte e colectiva [da Europa] face à prisão e intimidação dos funcionários estrangeiros e iranianos que trabalham nas embaixadas europeias". Os ministros trocaram impressões sobre os novos passos diplomáticos e alguns defenderam mesmo a imposição de sanções sobre o Irão.

Fosso entre Londres e Teerão

Nas últimas duas semanas, os iranianos detiveram várias pessoas com passaportes britânicos. A agência Fars citou uma fonte governamental que garantia "o papel activo dos ingleses na provocação da recente rebelião".

Os nove diplomatas ingleses foram presos no sábado à noite. Um deles é o principal conselheiro do embaixador britânico no Irão, o homem que mais sabe sobre a complexa teia de poderes da política do país. O regime iraniano decidiu, entretanto, libertar quatro pessoas.

A acção iraniana surge na sequência de um conflito que se arrasta com a Grã-Bretanha há anos, sobretudo desde a presidência de Ahmadinejad. Em Janeiro de 2009, a BBC lançou o seu canal de televisão persa, o que irritou o regime e levou ao encerramento do consulado do Reino Unido em Teerão - provocado por alegadas "perseguições dos iranianos".

O correspondente da BBC em Teerão foi expulso na última semana, após as duras palavras do aiatola Ali Khamenei: "Nesta rebelião, os britânicos comportaram-se muito mal e é justo acrescentar ao slogan "Abaixo a América", o slogan "Abaixo a Inglaterra".

Divisão no aparelho

Apesar da forte repressão policial e paramilitar sobre os manifestantes de Teerão, três mil pessoas concentraram-se ontem numa das praças da cidade para apoiar o candidato da oposição, Hossein Mousavi, informou a Associated Press.

A manifestação foi duramente reprimida com bastões e gás lacrimogéneo, mas foi a primeira que, nos últimos cinco dias, mobilizou milhares de pessoas nas ruas. O aparelho de segurança do regime parecia ter dominado a rebelião interna. Mas no fim-de-semana, os apoiantes do candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, mobilizaram-se novamente. Esta manifestação sucede dois dias depois de Mousavi ter declarado que não aceita "uma recontagem parcial dos votos" e não cede "a pressões e ameaças". O político continua a afirmar que o regime roubou os seus votos e deu a vitória a Ahmadinejad.

A batalha das ruas também se trava nos bastidores do regime, entre as elites políticas. A principal clivagem opõe os conservadores ortodoxos aos reformistas, que começaram já a ser purgados das posições de poder: foi o caso de 17 guardas da revolução e do ministro do petróleo, Akbar Torkan, que escreveu um artigo num jornal da oposição.

O aiatola Rafsanjani está a tentar destituir o aiatola Ali Khamenei no órgão que o nomeia: a Assembleia de Peritos (88). Pretende nomear uma comissão de três aiatolas que dividiram o poder hoje concentrado num único homem.

Ionline

 

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André

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« Responder #16 em: Junho 29, 2009, 06:27:44 pm »
Irão faz recontagem parcial dos votos e liberta funcionários britânicos


A instância eleitoral suprema do Irão iniciou hoje uma recontagem parcial dos votos das presidenciais de 12 de Junho, cujos resultados foram contestados pelos candidatos derrotados pelo actual Presidente, Mahmud Ahmadinejad, noticiou uma estação televisiva local.

«O Conselho dos Guardiães [da Constituição] começou a contagem de 10 por cento das urnas», indicou a estação de televisão Al-Alam.

A operação deverá terminar hoje à tarde e o resultado divulgado dentro de 24 horas, segundo a mesma fonte.

Entretanto, o Governo iraniano libertou cinco dos nove funcionários da embaixada britânica detidos e anunciou que não tenciona fechar representações diplomáticas em Teerão, nem reduzir as relações diplomáticas com o Reino Unido.

«Não existe nenhum projecto neste momento para fechar qualquer embaixada ou reduzir os nossos laços diplomáticos» com eles, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hassan Ghashghavi, em conferência de imprensa.

As autoridades libertaram cinco de nove funcionários locais da embaixada britânica que tinham sido detidos na semana passada sob a acusação de envolvimento na agitação pós-eleitoral.

Lusa

 

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Chicken_Bone

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« Responder #17 em: Agosto 16, 2009, 01:02:39 pm »
E a luta continua.
Os fundamentalistas andam a levar no traseiro e a ficar acagaçados.

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Ahmadinejad chama três mulheres para o governo
A primeira vez em que um alto cargo será preenchido por uma mulher no Irão

O presidente do Irão anunciou, este domingo, que vai nomear três mulheres para o seu governo, informa o El País.

«Entrámos numa nova era. As condições mudaram completamente e o governo terá grandes mudanças», disse o presidente.

A confirmar-se a intenção de Mahmud Ahmadinejad, será a primeira vez que uma mulher se tornará ministra no Irão. E logo a triplicar.

Fátima Ajorlou, que já estava no Parlamento, será ministra dos Assuntos Sociais e Marzieh Vahid Dastjerdi será ministra da Saúde. O outro nome ficou por revelar.

Uma mulher foi ministra durante o governo anterior à revolução islâmica, mas o triunfo dos ayatollah em 1979 valeu-lhe uma execução no ano seguinte.

Também este domingo, continuou o julgamento dos opositores de Ahmadinejad, acusados de provocar violentos confrontos.


http://diario.iol.pt/internacional/ahma ... -4073.html
"Ask DNA"
 

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Chicken_Bone

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Re: Protestos no Irão e Neda
« Responder #18 em: Novembro 07, 2009, 09:12:44 am »
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Iranian student dares to criticise Ayatollah Ali Khamenei to his face

• Poll crackdown and state broadcaster denounced
• Supreme leader says he welcomes such comments

He may be the bravest student in Iran or an unwitting stooge of the Islamic regime – or both. Either way, Mahmoud Vahidnia has gained instant fame after breaking a taboo by criticising the supreme leader, Ayatollah Ali Khamenei, to his face.

The 25-year-old maths student has been lauded by opposition websites after reportedly telling Khamenei that he had been turned into a "grand idol" who was above criticism. But in a twist demonstrating the inscrutable nature of Iranian politics, the incident has been used by Khamenei's supporters to show how he embraces criticism. Vahidnia has remained unmolested since his 10-minute critique, which condemned the recent brutal post-election crackdown and denounced the state broadcaster, IRIB, for biased coverage. But his most remarkable comments were reserved for Khamenei himself.

"I don't know why in this country it's not allowed to make any kind of criticism of you," he told Iran's most powerful cleric, who has the final say in all state matters. "In the past three to five years that I have been reading newspapers, I have seen no criticism of you, not even by the assembly of experts [a clerical body with the theoretical power to sack the leader]. I feel that if this doesn't happen this situation will lead to discord and grudge."

Vahidnia, who achieved nationwide recognition two years ago by winning Iran's annual mathematics Olympiad, made his remarks at a meeting between Khamenei and the country's scientific elite. They came after the supreme leader asked at the end of a question-and-answer session if anyone else wanted to speak. He chose Vahidnia after seeing him being pushed down by officials when he stood to ask a question.

Referring to the post-election crackdown sanctioned by Khamenei, he asked: "Wouldn't our system have a better chance of preserving itself if we were using more satisfactory methods and limited the use of violence only to essential circumstances?"

Although state TV cameras were present, the criticisms only came to light when they were highlighted on Khamenei's own website and by Alef, a fundamentalist site. Both carried accounts showing Khamenei responding calmly.

"Don't think that I'll be unhappy to hear such statements. No, I would be unhappy if such statements are not made," he said. "About lack of criticism of the leader, you go and tell them to criticise. We have not said that no one should criticise us … I welcome criticism. There is criticism and there is a lot of it. And I receive it and I understand the criticism."

The exchange has been seized on by pro-regime media as a demonstration of the leader's tolerance. The hardline Keyhan newspaper, whose editor-in-chief is appointed by Khamenei, reported it under a headline reading, The Revolutionary Leader's Fatherly Response to Critical Youth.

Some opposition websites suggested that Vahidnia had been arrested by intelligence agents while other reports asked whether he had been a plant set up by regime officials. Vahidnia scotched both suggestions in an interview with Alef, in which he asked "society and elites not to spread rumours".

Under Iranian law comments deemed insulting to the supreme leader carry possible prison sentences, although in practice critics are often not arrested immediately. Ahmad Zeidabadi, the head of Iran's leading student movement, Tahkim-e Vahdat, published an open letter critical of Khamenei in 2007 but was only arrested in the round-ups that followed last June's disputed presidential election.

http://www.guardian.co.uk/world/2009/no ... CMP=AFCYAH
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Chicken_Bone

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Re: Protestos no Irão e Neda
« Responder #19 em: Novembro 11, 2009, 08:41:27 pm »
Comam fundamentalistas e governo nojentos!

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Iran condemns Oxford for honoring slain protester

TEHRAN, Iran – Iran has protested to an Oxford University college over a scholarship in memory of the slain Iranian student who became an icon of mass street protests sparked by the disputed June election.

In Tehran, a small group of hard-line women demonstrated Wednesday against the scholarship in front of the British Embassy. The women chanted "Death to Britain," the semi-official Fars news agency reported.

Oxford's Queen's College established the Neda Agha Soltan Graduate Scholarship in Philosophy earlier this year, named for the 27-year-old student fatally shot on June 20 on the sidelines of a Tehran demonstration. Her dying moments were caught on a video viewed by millions on the Internet, and she became a potent symbol of the opposition's struggle.

"It seems that the University of Oxford has stepped up involvement in a politically motivated campaign which is not only in sharp contrast with academic objectives" but also linked to British interference in Iran's post-election turmoil, Iran's Embassy in London said in a letter to the provost of the British university's college. Queen's College confirmed it had received the letter dated Tuesday.

Iran has in the past accused Britain of playing a role in the protests following the June 12 presidential election and meddling in its internal affairs. The opposition said President Mahmoud Ahmadinejad won the election by fraud. But hard-liners have described the massive protests as a plot by Iran's enemies to overthrow the system of clerical rule through a 'velvet revolution.'

The Iranian letter said Soltan's "suspicious death" is still a criminal case being investigated by the police at home. It said she had been shot on an isolated street far from the protesters and her "murderers" had filmed her and her companions for 20 minutes before the killing.

The letter also mentioned Arash Hejazi, an Iranian doctor who was with Soltan at the time she was shot and said he tried to save her life. Hejazi is studying at Oxford and was visiting Iran at the time.

"Surprising, an Oxford fellow, Mr. Arash Hejazi, who had arrived in Iran two days before Neda's killing, was present on the scene when she was bleeding to death and immediately left for London the day after her horrible death," the letter said. "There is further supporting evidence indicating a pre-made scenario and other complications yet to be investigated.

In July, a couple weeks after Soltan's death, Iran's police chief said intelligence officials were seeking Hejazi. That came after Hejazi returned to London and told the BBC that Soltan apparently was shot by a member of the volunteer Basij militia, which is linked to Iran's powerful and elite Revolutionary Guard corps. Hejazi said protesters spotted an armed member of the militia on a motorcycle, and stopped and disarmed him.

Iranian police claimed this was a fabrication and the incident had nothing to do with the street riots. Police did not say why officials want Hejazi, but the regime repeatedly has implicated protesters and foreign agents in Soltan's death.

The protesters in Tehran Wednesday accused Hejazi of being behind Soltan's killing and demanded his extradition, even though he is not facing any charges in Iran.

"We want you to extradite Neda Agha Soltan Murderer" read a placard carried by the women. They also chanted "U.K. and U.S. perpetrators."

The provost of Queen's College, Paul Madden, said the names of scholarships were decided, "within reason," by donors. The college did not disclose the donors behind the Soltan scholarship, but said the key individual was a British citizen who is well known to the college.

The scholarship is open to all philosophy students, with preference given to Iranians and those of Iranian descent. The first holder is Arianne Shahvisi, studying for a master's degree in the philosophy of physics.

http://news.yahoo.com/s/ap/20091111/ap_ ... xford_iran
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