Sector Ferroviário

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Re: Sector Ferroviário
« Responder #90 em: Novembro 20, 2022, 06:03:55 pm »
Para os cânones europeus, tecnicamente não é um TGV, mas sim um comboio rápido.

Pronto, é um Alfa moderno.

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O maior problema é que o nosso "TGV" ou mini-TGV, vai andar numa linha com bitola diferente do resto da Europa.
Significa que no máximo podemos andar no mesmo comboio até aos Pirinéus (se Espanha colaborar), mas não passamos da Península sem mudarmos de comboio.

E com bitola europeia andavamos em Espanha?

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Mas esta nova "auto-estrada" férrea (como refere) não é para circular qualquer comboio, só os mais rápidos e estes quando estão perto do destino saiem desta "auto-estrada" e passam para as linhas existentes.

Era o que eu queria dizer, até dei o exemplo do inter-cidades, tem que ser comboios que também façam longo curso e não parem em todo o lado, não estou a ver o regional que pára em todas as estações e apeadeiros a se meter na linha de alta velocidade, já não ia parar na próxima paragem.

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Em relação às prioridades dos comboios sobre uma linha, os comboios mais rápidos têem sempre prioridade sobre os lentos, mesmo que venha atrasado!!!!!

Presumo que haja uma espécie de centro de controlo para coordenar isso, mas concordo que o mais rápido mesmo atrasado tenha prioridade, é o que têm que recuperar tempo perdido.

A CP tem 2 Centros de Comando Operacionais, o de Lisboa e o do Porto (Contumil).

Tem aqui imagens da RTP a mostrar como são: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/centros-de-comando-operacional-da-refer/
Na altura pertenciam à Refer, agora voltou tudo para a empresa mãe a CP (no passado havia várias empresas, mas as principais eram a Refer com a infraestrutura fixa e a CP com os comboios).

Sim, podemos circular pela Península em bitola ibérica. Se for para Galiza por exemplo, é a única bitola que existe e a única esperança da Galiza é praticamente a ligação a Portugal, que eles utilizam muito para visitar o norte, usarem o Aeroporto do Porto ou irem para a praia!

Ainda é tudo muito confuso e estou curioso para ver linhas que não existiam, como a ligação Penafiel - Vila Real - Bragança!!!!!!
Ou outra mais consensual como a que liga Aveiro - Viseu - Espanha.
« Última modificação: Novembro 20, 2022, 10:26:59 pm por Viajante »
 
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Clausewitz

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Re: Sector Ferroviário
« Responder #91 em: Novembro 21, 2022, 01:05:23 am »
Plano Ferroviário Nacional
https://pfn.gov.pt/

PS: Há pessoas que só querem é aparecer :mrgreen:.

Apresentação do PFN

Acho que vale a pena ver a apresentação (do coordenador do Grupo de Trabalho  :mrgreen:) entre os 10 e os 40 min mais ou menos.

Isto nunca na vida irá ser concretizado como apresentado e no prazo apresentado. Não é mal dizer, é experiência. Já perdi a conta ao número de linhas e planos de alta velocidade apresentados. Já perdi a conta aos planos de melhoria e expansão de transportes públicos não cumpridos. Há uma dificuldade enorme em realizar obra, a legislação cria imensos obstáculos, às vezes pensados para prevenir abusos, mas que acabam por ser explorados pelas empresas perdedoras e os concursos são constantemente impugnados. Já vimos isso muitas vezes até na área da Defesa. E sobretudo não temos cheta, andamos sempre endividadíssimos, há sempre uma crise ao virar da esquina.

Infelizmente a nossa ferrovia foi sendo abandonada ao longo da maior parte do século XX. Chegados aos anos 80 e aos fundos comunitários a aposta foi toda para as rodovias, e algumas linhas suburbanas. Correr atrás do prejuízo agora é caro e provavelmente pouco rentável, o nosso problema hoje não são as acessibilidades. Já foi mas deixou de o ser. Enfim, espero que se melhore no transporte de mercadorias, integração ferroviária internacional e no serviço de passageiros no eixo principal pelo menos, mas sou muito céptico. Ah, e que se use isto para fomentar a indústria nacional, algo que parece que se está a fazer neste caso, haja alguma coisa de jeito!
 
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Lightning

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Re: Sector Ferroviário
« Responder #92 em: Novembro 21, 2022, 09:56:16 am »
Se fizerem metade do que está ali já fico contente, o importante é que haja um plano orientador, porque os fundos europeus para a ferrovia vêm e ou são gastos nisto ou vão para os bolsos de alguns.

Se tivermos linha de alta velocidade Lisboa - Porto - Vigo, para competir com o avião no Lisboa - Porto e captar galegos, depois criar as ligações Lisboa - Madrid e Lisboa - Faro - Sevilha (não sei qual deve ser primeiro), para competir com os voos internos para Faro e para o turismo espanhol em Lisboa e nosso em Madrid e talvez mais além.

Melhorar os serviços urbanos (comboios, metros, etc), para tentar que mais pessoas usem menos o carro para as deslocações casa - trabalho/escola.
 
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Re: Sector Ferroviário
« Responder #93 em: Novembro 21, 2022, 05:22:02 pm »
Se fizerem metade do que está ali já fico contente, o importante é que haja um plano orientador, porque os fundos europeus para a ferrovia vêm e ou são gastos nisto ou vão para os bolsos de alguns.

Se tivermos linha de alta velocidade Lisboa - Porto - Vigo, para competir com o avião no Lisboa - Porto e captar galegos, depois criar as ligações Lisboa - Madrid e Lisboa - Faro - Sevilha (não sei qual deve ser primeiro), para competir com os voos internos para Faro e para o turismo espanhol em Lisboa e nosso em Madrid e talvez mais além.

Melhorar os serviços urbanos (comboios, metros, etc), para tentar que mais pessoas usem menos o carro para as deslocações casa - trabalho/escola.

Há um enorme problema de que em Portugal não há consensos sobre praticamente nada! Agora está um governo decide que o sistema de caminhos de ferro é este, vem outro partido ou basta outro líder partidário e altera logo tudo só para deixar a sua marca!!!!!
Fomos sempre assim, parecem os cães que querem fazer a sua mija na parede e rosnam se outro chegar primeiro  :mrgreen:

Veja-se o caso do aeroporto! Se olhassem apenas para os interesses do país, até nem era complicado, mas com tantos estudos ainda vamos ver o novo aeroporto de Lisboa a ser apontado...... para Bragança!!!!!  :mrgreen:

Nos caminhos de ferro acho que vai acontecer outra coisa que é o bairrismo, cada Cãmara a desviar o traçado só para passar no centro de cada Concelho!!!!!!!
No litoral é fácil, uma linha recta Lisboa - Porto, se tiver muitas curvinhas, não será por causa dos montes que existem no litoral  :mrgreen:
 
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Kalil

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Re: Sector Ferroviário
« Responder #94 em: Novembro 24, 2022, 10:37:49 pm »
Eu não sou especialista em transporte ferroviário e ainda não tive o tempo/paciência para ouvir toda a apresentação.

Sei o seguinte, porque são dados públicos, e embora eu não goste muito de comparações entre países completamente distintos, creio que aqui serve para exemplificar o que me parece ser uma disfunção cognitiva portuguesa.

Alemanha, de todas as viagens de passageiros realizadas, pouco mais de 5% correspondem a viagens de longo curso. As restantes são viagens com uma média de distância de 20km, ou seja, suburbanas. Num país onde, de facto, existe um sistema de ferrovia com enorme alcance e disponibilidade. E recordo que na Alemanha também existem carros, dos bons até, e aviões.

Portugal, a força motriz e o centro da revolução ferroviária é, o "TGV português".

(Pausa para respirar.)

Vamos agora imaginar que um orçamento como o que é destinado à AV Porto-Lisboa, era investido no reforço das linhas suburbanas que de facto transportam as pessoas para os seus empregos/actividades. Menos poluição, menos tempo perdido em viagens, maior produtividade dos trabalhadores e empresas, igual investimento em obras públicas, apenas com mais dois dedos de testa.


Cumprimentos
 

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Lightning

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Re: Sector Ferroviário
« Responder #95 em: Novembro 26, 2022, 10:59:15 am »
Portugal, a força motriz e o centro da revolução ferroviária é, o "TGV português".

(Pausa para respirar.)

Vamos agora imaginar que um orçamento como o que é destinado à AV Porto-Lisboa, era investido no reforço das linhas suburbanas que de facto transportam as pessoas para os seus empregos/actividades. Menos poluição, menos tempo perdido em viagens, maior produtividade dos trabalhadores e empresas, igual investimento em obras públicas, apenas com mais dois dedos de testa.

Pelo que li/ouvi a ideia também é essa, mas o problema é que a linha do norte (entre ligações longo curso, urbanos, regionais, etc, e mercadorias), já está quase no limite da capacidade, para aumentar algum serviço outros tem que sair dessa linha, por isso se retirarmos os longo curso para outra linha (linha AV), libertamos disponibilidade para aumentar essas ligações curtas e as de mercadorias.