Governo quer alargar direitos marítimos

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Vicente de Lisboa

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #135 em: Outubro 19, 2010, 03:54:11 pm »
Citação de: "papatango"
Desde quando as convenções internacionais têm valor após terem sido revogadas ?
A UNCLOS foi revogada?

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O que foi a conferência de Berlim, que não uma reorganização das leis, de forma a dar suporte juridico internacional aos direitos das potências europeias que tinham capacidade para efectivamente controlar territórios ?
Mutatis mutandis, descreveu a parte VI da UNCLOS (e outras, mas creio que não está a por em causa essas), assinada por toda a gente que interessa.

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Mesmo hoje, quando ainda não há uma noção do que pode haver debaixo do mar, se você disser a um cidadão europeu medianamente informado, que Portugal tem mais ZEE que a maior parte dos países europeus todos juntos, ele vai-lhe chamar parvo.
Se você provar que tem razão, ele coça a cabeça e diz que isso não pode ser e que é um absurdo porque o país é demasiado pequeno.
Nenhum daqueles com que falei diz isso. Dizem instead que é um grande potencial e uma grande responsabilidade (ler: em termos ambientais)

Citar
Nós não temos dimensão para aspirar a controlar as possíveis riquezas da plataforma continental, sem fazermos o que fizemos sempre:
Conseguir apoio da potência que tiver a ganhar alguma coisa, mantendo ainda uma parte considerável do controlo das riquezas e recursos para nós.
Já controlamos mais áreas com menos gente e tecnologia. É dar trabalho ao camarada Chaimites e já desenrasca.

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Se nos próximos 20 anos, a técnica evoluir e passar a ser possível explorar riquezas do fundo do mar com custos reduzidos, o que o governo da Alemanha vai fazer quando a opinião pública alemã disser que o povo alemão tem direito a uma parte da plataforma continental europeia ?
A menos que nos próximos 20 anos haja alguma revolução na Alemanha, vai fazer o mesmo que faz quanto às restantes riquezas naturais.
Adquiri-las em troca de equipamento industrial, carros de gama alta, electrodomésticos, elevadores, etc etc.
Em alternativa, pode ir explorar com o acordo dos donos - como andam já a fazer na PC Portuguesa. Ainda este mês um grupo Alemão descobriu mais uma fonte Hidrotermal.

Citar
Quanto tempo você acha que vai demorar, até que alemães e também franceses, polacos, húngaros ou italianos exijam uma divisão da plataforma continental já não pela bitola da costa dos estados marítimos, mas sim pela da dimensão populacional dos países do continente ?
A menos que todos esses países queiram dar 1/3 do Oceano à India e China, não creio que alguma vez o venham a fazer.

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Que direito temos nós, 10 milhões de europeus que estão em Portugal, de ter centenas de vezes mais ZEE que os 80 milhões de europeus que estão na Alemanha ?
O mesmo direito que meia duzia de Russos e Canadianos têm a toda a tundra do Hemisfério Norte.

Citar
Se somos parte da União Europeia, não faz sentido que tudo o que temos no fundo do mar seja repartido de forma equitativa entre os europeus ?
Boa pergunta - já me prepuseram investigar sobre isso. Afinal, as ZEE são partilhadas para a pesca. Mas se daí se pode argumentar que a Plataforma Continental (que não inclui coluna de água) também é partilhada... parece-me difícil. O argumento para a gestão comunitária das pescas prende-se com a natureza migratória do peixe, e a necessidade de coordenação para a sua preservação. Nenhum desses argumentos se aplica aos fundos do mar da ZEE, logo não vejo como se poderiam aplicar à PC. De qualquer forma, a União tem mecanismos que os Estados Membros podem usar para protegerem o que considerarem ser interesses fundamentais, e em ultimo caso... é opcional.
 

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papatango

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #136 em: Outubro 19, 2010, 08:23:06 pm »
Vicente de Lisboa ->

Como é evidente eu não afirmei que tinha sido revogada qualquer disposição internacional sobre direito marítimo, mas sim que, no futuro, tal poderia ocorrer.
Eu estabeleci uma comparação com a corrida a África, na sequência da explosão do caminho de ferro, quando a construção de vias férreas e a rede na Europa (especialmente no Reino Unido) estava numa situação de saturação.

Os direitos históricos de Portugal, também existiam, ou o que é que você acha que significava o facto de os portugueses erguerem padrões dos descobrimentos em todo o lado ?
Acha que era só para os artífices e pedreiros se divertirem a fazerem padrões com as cinco quinas ?

O Padrão, era uma afirmação de reclamação de terra para um determinado país. Portugal utilizava os padrões para afirmar os seus direitos e todos os países europeus o faziam.
Em 1811, ficou famosa aquela colocação por parte dos ingleses de uma placa numa ilha vulcânica que apareceu nos açores, que ficou conhecida como ilha Sabrina (o nome do navio britânico, que se apressou a navegar para a ilha, para ali colocar uma placa reclamando a terra para sua majestade britânica).
Em 1811 isso era prática comum, embora as veleidades britânicas tenham sido varridas pelo oceano, que voltou a afundar o domínio de sua majestade.

Mas em 1880, os direitos históricos e as placas e o império de padrões portugueses, desapareceu na conferência de Berlim.
O que eu afirmo, é que no futuro, um processo de contornos idênticos pode colocar Portugal na mesma situação em que esteve em 1880.
Ou seja:
Um país pequeno, que a História permitiu que criasse um gigantesco império e que a geografia colocou numa posição, que lhe permite reclamar milhões de quilometros quadrados de área submersa para possível exploração submarina.

Mas, um país pequeno, que não tem condições e recursos para efectivamente explorar tais recursos.
O que alegaram contra nós em 1880, é que não podiamos deixar tanto território por civilizar, já que era dever do homem branco civilizar a África. Deixar tanto território nas mãos dos portugueses era o mesmo que condenar milhões de pretinhos ao subdesenvolvimento ...  :roll:  :roll:

Eu estabeleci uma analogia com o que poderá acontecer no futuro.
Os principais interessados podem perfeitamente alegar que Portugal não tem dimensão nem recursos para explorar o oceano e que por isso deve ser feita uma repartição com base em novos pressupostos.


=== === ===

A afirmação sobre o que lhe dizem os estrangeiros com que fala é sintomática.
Se você falar com pessoas pouco informadas elas vão dizer que não entendem porque Portugal deve ter o direito a tanto mar.
Se a pessoa tiver conhecimento de causa, vai dizer que é uma grande responsabilidade.

É essa afirmação é o primeiro passo, para explicar posteriormente aos portugueses, que é uma responsabilidade que um país tão pequeno não tem como assumir.

=== === ===

A Alemanha dentro de 20 anos será outra. Já não há duas alemanhas nem soviéticos preparados para invadir. A Alemanha de cariz prussiano, que ficou na antiga RDA vai começar a mostrar os dentes como sempre fez, e vai começar a dizer que os outros têm que fazer como a Alemanha manda.
O tempo da Alemanha boazinha que dava dinheiro aos pobrezinhos quando Mario Soares ía pedir esmola a Bona ACABOU ou está para ACABAR.

Eu não sei como se diz «acabou-se a mamata» em alemão, mas é isso que a senhora Merkel está a dizer, e é o que provavelmente dirão os seus sucessores.

A escolha de um aliado do ponto de vista estratégico está por isso condicionada pela geografia, como sempre esteve.
https://www.youtube.com/watch?v=mtEyXAFUbC4

É muito mais facil enganar uma pessoa, que explicar-lhe que foi enganada ...
 

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João Vaz

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #137 em: Outubro 22, 2010, 01:50:54 pm »
Aposto que não fui o único a esboçar um sorriso com as declarações breves e certeiras de Niko Wiljnost, presidente do Dutch Maritime Network, Chairman da European Network of Maritime Clusters e Professor no Euromed Management em Marselha, à saída da Conferência Expresso/SGD dedicada a Portugal e o Mar: a nossa aposta para o século XXI, essa equação que tornámos impossível.

Infelizmente, não encontrei ainda o excerto da entrevista na net. Mas, basicamente, o especialista comparou a situação actual com a que encontrou quando cá esteve há 4 ou 5 anos: tudo na mesma.

As "propostas" apresentadas são pouco mais que medíocres e largamente insuficientes, como qualquer cidadão pode facilmente perceber.

Epá, falam, falam, falam...


E é só meter água.
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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João Vaz

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #138 em: Novembro 03, 2010, 02:19:35 pm »
Já que não se passa do plano da discussão acerca das estratégias do / para o Mar, aqui ficam umas sugestões potencialmente interessantes:  



II JORNADAS DE LISBOA DE DIREITO MARÍTIMO: O NAVIO

Dias 11 e 12 de Novembro de 2010

Organizadas pelo Centro de Direito Marítimo e dos Transportes na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Coordenação: Prof. Doutor M. Januário da Costa Gomes

Condições: 100 Euros para participantes em geral / 50 Euros para Licenciados no ano 2005-2006 ou posterior e Advogados-Estagiários / Entrada gratuita para actuais docentes da Faculdade, alunos do 3.º ano da Licenciatura
da Faculdade inscritos em Direito Marítimo, actuais alunos do Mestrado da Faculdade e antigos alunos da Faculdade que tenham obtido aprovação na disciplina “Direito Marítimo” (número limitado de vagas em cada opção)  
:roll:

Inscrições e infos:
Dr. Miguel Martins - Instituto de Cooperação Jurídica (FDL)
Tel: (+351) 21 798 46 00
e-mail: ana.rodrigues@iep.lisboa.ucp.pt ou tel. 21 721 41 29/45

_______

E não esquecer as Jornadas do Mar organizadas pela Marinha na Escola Naval. O Programa é, francamente, bastante mais prometedor do que os dois acima.

Veja-se o "post" no tópico da Marinha (para não duplicar)

A ver se alguém sai mais inspirado...
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Vicente de Lisboa

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #139 em: Novembro 03, 2010, 09:07:14 pm »
A da ENaval está muito bem, sim senhor, mas não dá para quem trabalha...  :mrgreen:

De qualquer modo, alguém vai participar em alguma delas?
 

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FoxTroop

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #140 em: Novembro 04, 2010, 10:13:24 pm »
Citar
Aposto que não fui o único a esboçar um sorriso com as declarações breves e certeiras de Niko Wiljnost, presidente do Dutch Maritime Network, Chairman da European Network of Maritime Clusters e Professor no Euromed Management em Marselha, à saída da Conferência Expresso/SGD dedicada a Portugal e o Mar: a nossa aposta para o século XXI, essa equação que tornámos impossível.

Infelizmente, não encontrei ainda o excerto da entrevista na net. Mas, basicamente, o especialista comparou a situação actual com a que encontrou quando cá esteve há 4 ou 5 anos: tudo na mesma.


Citar
O espírito do mar


A conferência "Portugal e o Mar, a nossa aposta no séc. XXI", organizada pelo Expresso e pela CGD teve um orador que nos arrasou. Disse Niko Wijnolst, presidente da Rede Europeia de Clusters Marítimos, que o que fizemos desde 2005 tem sido sobretudo um exercício intelectual. Porquê? "Há muita burocracia e outros problemas, mas a questão fundamental é a falta de espírito empreendedor". Com efeito, muitos se têm empenhado em chamar a atenção dos políticos para o mar. Mais que todos Tiago Pitta e Cunha, que colocou o tema na agenda europeia de Durão Barroso e na de Cavaco Silva. Sem o seu entusiasmo e impulso, o mar não seria hoje uma preocupação em Bruxelas e em Portugal. Mas depois falta ao sector privado a visão e a coragem para assumir riscos que teve o Infante D. Henrique
 

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João Vaz

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #141 em: Novembro 05, 2010, 04:58:09 pm »
Citação de: "Vicente de Lisboa"
A da ENaval está muito bem, sim senhor, mas não dá para quem trabalha...  :G-beer2:
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #142 em: Novembro 05, 2010, 06:35:27 pm »
Acabei de reparar: José Manuel Fernandes?  :shock:

No thanks.
 

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P44

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #143 em: Novembro 06, 2010, 12:13:48 pm »
Citação de: "Vicente de Lisboa"
Acabei de reparar: José Manuel Fernandes?  :mrgreen:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Vicente de Lisboa

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #144 em: Novembro 12, 2010, 08:52:29 pm »
As II Jornadas de Lisboa do Direito Marítimo foram fixolas.

A sala esteve muito vazia, infelizmente... e parecia que só o Espanhol é que conjugava conhecimento com experiência com iniciativa. De qualquer forma, é para repetir.  :)
 

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João Vaz

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #145 em: Novembro 16, 2010, 05:29:01 pm »
Dia Nacional do Mar: como puxar as brasas à nossa sardinha



A propósito do que realmente está a ser feito no planeamento e actividade no sector da Nova Economia do Mar, ainda não há Desígnio Nacional, mas as "estratégias" multiplicam-se, sobretudo (oh novidade) no sector privado.

Em época de Novos Conceitos Estratégicos (NATO), pode dizer-se que no Mar Português a agitação marítima já começou...
 
Decorreu hoje na Sociedade de Geografia de Lisboa uma interessante Mesa redonda sobre o tema “O Oceano e as Instituições”, organizada em parceria com o Fórum Permanente para os Assuntos do Mar, Academia de Marinha e Centro Nacional de Cultura. O Fórum agrupa 58 empresas e prevê publicação de projectos "concretos" nos domínios da náutica de recreio, portos e transportes marítimos para Junho de 2011.

Mas interessa sobretudo perceber o que está a passar. As iniciativas são múltiplas, de âmbito variado. Hei-de arranjar tempo ainda esta semana para fazer uma actualização maciça neste âmbito das Coisas Estratégicas do Mar em Portugal.

Entretanto, e para que conste à navegação interessada:



23 de Novembro:

Seminário “Politica Portuária e Logística”

Hotel Corinthia, Lisboa

Organizado pela Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa, com o apoio das Embaixadas da Bélgica e do Grão-Ducado do Luxemburgo.

O Seminário abordará duas grandes temáticas, nomeadamente:
“A Politica Portuária e a Intermodalidade”
“O Projecto Portugal Logístico”

Os painéis de discussão serão integrados por académicos e empresários de reputado reconhecimento na área e por representantes de instituições, nacionais e internacionais, ligadas à logística e aos portos.

Programa provisório acessível online

Mais infos:
Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa
Av. Duque de Ávila, 203 - 5º – 1050-082 Lisboa
Tel.: 213.152.502/03 – Fax: 213.547.738
E-mail: http://www.cclbl.com


E ainda no mesmo dia 23:



Políticas Públicas do Mar: por um Novo Conceito Estratégico Nacional
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #146 em: Novembro 16, 2010, 05:50:40 pm »
Bons achados caro João Vaz!
Essa na Gulbenkian (santificado seja o Sr. Calouste) parece bem apetitosa.

Entretanto, hoje o programa da RTP2 "Sociedade Civil" foi dedicado ao Mar, e contou com as seguintes presenças:

Prof. Manuel Pinto de Abreu - Responsável pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar
Dr. Tiago Pitta e Cunha - Membro do Gabinete do Comissário Europeu para as Pescas e para os Assuntos Marítimos
Mestre Maria Fernandes Teixeira - Instituto de Estudos Europeus da U. Católica.
Eng. Fernando Ribeiro e Castro - Secretário Geral do Fórum Empresarial da Economia do Mar

Está disponível por inteiro no site da RTP, AQUI.
 

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Vicente de Lisboa

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #147 em: Novembro 30, 2010, 07:30:48 pm »
Houve um seminário interessante hoje, na Academia de Marinha sobre "Gestão e Ordenamento das Actividades Litorâneas", embora a meu ver as comunicações mais interessantes tenham sido as do Prof. Fernando Barriga (UL) e Prof. Ricardo Santos (UAçores) sobre os recursos do Mar Profundo.

Infelizmente, a audiência era parca, e o que é pior, e para ser honesto, velha. Acredito que a média de experiência e/ou conhecimento daquelas cabecinhas brancas seja muito superior a qualquer coisa que eu alguma vez possa vir a ter, mas de pouco vale se a informação é transmitida em circuito fechado, para aqueles que já estão mais que alertados para o assunto, e que de qualquer forma já estão na reforma ou perto dela.

Falou-se lá dos jovens, mas atendendo à total falta de divulgação do evento e até à alguma atitude "oh pobre de mim que sou tão bom mas ninguém me vem pedir o meu fantástico conhecimento"... pareceu piada.
 

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João Vaz

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #148 em: Dezembro 06, 2010, 12:20:09 pm »
De facto, a veterana Academia de Marinha tem essa característica etária  :mrgreen:



Também sofre de fraca adesão ao calendário de conferências (muitas delas de interesse), fruto dos seus numerus clausus para o público em geral.

Um potencial de divulgação sub-aproveitado, já para não falar na frequente inacessibilidade das famosas separatas das comunicações e de diversas outras publicações excepcionalmente interessantes disponíveis em tiragens hiper-reduzidas e em horário de expediente quase inexistente.

Fica aqui o meu voto de actualização do financiamento da Academia, para que amplie e disponibilize o âmbito do seu interessante trabalho histórico-cultural.

Mas, já agora que se falou na Academia...
_________________



...deixo aqui uns excertos de um estudo pertinente para o estado actual das Estratégias do Mar, solicitado pela Academia de Marinha aos Contra-Almirantes engenheiros construtores navais António Balcão Reis e Victor Gonçalves de Brito
e publicado em Abril de 2010.

O trabalho pretende "Dar a conhecer a capacidade e possibilidades da indústria naval nacional" e
"Contribuir para melhorar a cooperação entre a Marinha e a indústria".

Atentem nas conclusões.


"Construção e Reparação Navais: Situação e Perspectivas"

Síntese, elaborada pelo capitão-de-fragata engenheiro construtor naval Óscar Filgueiras
Mota, das palestras sobre «Construção e reparação naval portuguesas. Situação e
perspectivas», apresentadas na Academia de Marinha em 13, 20 e 27 de Abril de 2010, no
âmbito das Jornadas sobre Construção Naval


(...)

"Não assistimos, como era necessário, a uma modernização das instalações, nem a uma especialização dos estaleiros, nem a fusões ou associações entre estaleiros, salvo raras excepções e sempre pontuais. E no entanto a reduzida dimensão do nosso mercado mais aconselhava iniciativas desse género, não necessariamente confinadas ao território nacional.
E assim foram ficando pelo caminho Argibay, Parry & Son, S. Jacinto, Margueira e seguiram em frente, actuais reservas estratégicas em metalomecânica, a Lisnave, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o Arsenal do Alfeite, a Naval Rocha, Estaleiros Navais de Peniche, Navalria, Estaleiros Navais do Mondego.
O Arsenal do Alfeite mercê da sua recente passagem de órgão de execução de serviços da Marinha a Sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, justifica alguns comentários. Os textos legais apontam para mudanças importantes, mas só a forma como vierem a ser aplicadas permitirá um julgamento. Há que esperar para ver"
.

(...)

"Um outro mundo, de dimensão e qualificação muito inferior ao desejável é o da Subcontratação – Empresas de instalação. A subcontratação é inevitável, fruto da evolução natural do processo construtivo, de passagem da empresa global e auto-suficiente a empresa essencialmente de montagem. Há que ter presente alguns riscos inerentes à subcontratação, designadamente o menor conhecimento ou desconhecimento das capacidades, das técnicas, procedimentos e particularidades do contratante e o risco de onde se deveria encontrar especialização se encontrar amadorismo ou cultura biscateira. Mas este é um caminho sem regresso e a solução está na maior especialização e qualificação das empresas".

(...)

"A reduzida dimensão do mercado e as especificações de maior exigência, que são colocadas aos componentes navais, dificultam o estabelecimento de uma indústria auxiliar que, para se afirmar teria que se desenvolver tecnologicamente e internacionalizar/exportar.
E efectivamente, ao mesmo tempo que as poucas indústrias auxiliares tradicionais que ainda tínhamos foram desaparecendo, afirmaram-se fabricantes em tecnologias de ponta virados para a exportação, como é o caso da EID e EDISOFT, actuando na área da concepção e fabricação de sistemas e equipamentos de comunicações navais, sistemas de Processamento de mensagens e de controlo de tráfego marítimo, desenho de sistemas de comando e controlo de armas e sensores de navios militares. Louvável a iniciativa da Associação das Indústrias Navais fazendo-se parceira no projecto Aux-Navalia, integrado no programa europeu Espaço Atlântico, destinado a aumentar a competitividade da indústria auxiliar naval, apontando para a concentração sectorial, internacionalização, agrupamentos transnacional, cooperação entre a indústria auxiliar e os centros tecnológicos sectoriais.
A exportação constitui um imperativo, um requisito de sobrevivência. O mercado nacional tem de servir de cobaia, exigente e responsável. E entre as cobaias têm de ser os organismos públicos, as Forças Armadas em particular, a dar o exemplo, correndo riscos calculados, dando a mão, sendo equilibradamente exigentes, sendo parceiros na procura da excelência"
.

(...)

"O estabelecimento de uma classificadora portuguesa, que se queria como base de desenvolvimento tecnológico e ninho de engenharia naval foi um belo sonho, que se concretizou na Rinave. Foi indiscutivelmente uma iniciativa de marcado interesse, à sua medida, no contexto da engenharia naval em Portugal. Por longos períodos foi o primeiro empregador nacional de engenheiros e técnicos navais. Com a ajuda de alguns conseguiu sucessos que pareciam impossíveis de alcançar. Morreu na praia.
O mais clamoroso de todos os erros foi o divórcio entre a Sociedade de Classificação e a Escola, entenda-se o IST, com o seu curso de engenharia naval e o Centro de Engenharia e Tecnologia Naval.
As novas tecnologias vieram permitir a criação de Gabinetes de Projecto, baseados num pequeno núcleo técnico, com possibilidades de responder a solicitações que antigamente exigiam vastos gabinetes de engenharia e grandes salas de desenho. E jovens engenheiros têm aproveitado estas possibilidades para montar pequenos gabinetes de projecto com trabalhos independentes ou em colaboração com estaleiros que de igual modo têm vindo a tirar partido destas capacidades"
.

(...)

"O IST – Instituto Superior Técnico é o principal centro de formação em engenharia naval do país e em sentido restrito será mesmo a única sede de tal ensino.
Reconhecido o alto nível da formação ministrada ao nível do mestrado, segundo Bolonha, com colocação assegurada a todos os finalistas, merece ser duramente criticada a licenciatura segundo Bolonha, 3 anos, que deveria preparar os instruendos para imediata entrada no mercado de trabalho e os deixa sem um mínimo de preparação, obrigando-os a prosseguir os estudos rumo ao mestrado, negando a própria natureza da licenciatura.
Com um ingresso em média de 10 alunos a que se junta uma dezena de estrangeiros, espanhóis, belgas, brasileiros, noruegueses, etc. em regime de Erasmus ou na base de parcerias com outras Escolas, saem anualmente 4 ou
5 engenheiros.
O IST, na figura do Centro de Engenharia e Tecnologia Naval (CENTEC) continua a ser o maior ou um dos maiores empregadores de recémformados, conforme os fundos que habilmente, honra lhe seja feita, vai angariando. Mas terão tido as centenas de milhares de euros angariados a desejável influência e de progresso na engenharia naval nacional?
Entre os cursos ministrados pela Escola Naval está a Engenharia naval, com os ramos de Mecânica e de Armas e Electrónica.
Pela reforma de 1986 foi extinta a classe de Engenheiros construtores navais, sem prejuízo da Marinha continuar a manter um programa de formação no estrangeiro de pos-graduação em arquitectura naval, que nos últimos anos tem tido lugar no University College London. Terminada a pos-graduação mantêm-se no quadro comum de engenheiros navais.
Tentando ser isentos pensamos que este tipo de soluções não motivam adesões à arte da engenharia naval, não ajudam ao seu desenvolvimento nem honram tradições de séculos de país marinheiro.
Uma palavra final para a Escola Náutica, escola de ensino superior politécnico público tutelada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. É hoje o coração de um moderno complexo de estudos náuticos. A melhor referência que se pode fazer ao seu ensino é a forma como são requisitados todos os que nela se formam tendo assegurada a sua imediata
colocação no mercado de trabalho.
São de crise os tempos que vivemos, crise em geral, crise em particular no sector naval.
Que haja empreendedores que, seguindo a máxima que é em tempos de crise que se investe, tenham a visão e a coragem de apostar no sector, investindo e investindo forte"
.

(...)

Soluções

"A apregoada deficiência do sector de projecto nacional talvez seja mais um problema de coordenação do que de falta de capacidade; para ganhar e manter experiência, é fundamental a continuidade.
E, sobretudo, será de evitar o desperdício resultante de:
- Especificações claramente demasiado complexas, para os tipos de navios em causa;
- Faltas de decisão sobre aprovações de desenhos e de equipamentos, que obrigam a muitos atrasos e repetições"


"4.2 - Ocupação e exploração do mar da plataforma continental
Trata-se de um mercado com um tremendo potencial para a indústria naval, do qual só uma parte depende da Marinha.
As energias renováveis produzidas em meio marinho (sobretudo geradores de ondas e eólicos) necessitarão do trabalho dos estaleiros navais não só no fabrico destes equipamentos, mas também na construção de navios de apoio à instalação, logísticos, patrulhamento e apoio a eventuais actividades nas plataformas marítimas.

Dependem da Marinha de Guerra dois sectores:
- Estudo, construção e manutenção de navios para ocupar e patrulhar a enorme zona marítima;
- Estudo, construção ou adaptação e manutenção de navios especializados em investigação.
Sobretudo em relação aos últimos, bom seria que a Armada pudesse estudar e formular os seus requisitos conjuntamente com a indústria naval"
.

(...)

"Para o futuro, qualquer hipótese de sucesso cremos que passará pela globalização e aproveitamento racional – por uma vez, das contrapartidas.
É fundamental, no nosso ponto de vista, a entrada de capital estrangeiro, detentor do «know-how» e conhecimento do mercado. E a internacionalização"
.

(...)

"A necessidade de cooperação entre a Marinha e a indústria naval resulta evidente para quem estudar esta matéria. Resta definir em que modalidades".

(...)

"4.4 - Preparar o futuro
I. A capacidade da indústria
Já vimos que a indústria naval portuguesa, no seu sentido mais abrangente, tem capacidade para:
- Investigar, projectar e construir navios não combatentes (a oportunidade perdida com as corvetas, brada aos céus)
- Reparar e modernizar navios combatentes Acrescentamos que a política a seguir no caso de navios combatentes deverá ser construir um navio fora e os restantes (normalmente dois) em Portugal. É o que fazem a Grécia e a Turquia que, pelo menos até há pouco, tinham uma construção naval menos desenvolvida do que nós.

Sem querermos entrar propriamente na discussão das contrapartidas, recordamos que, num navio de guerra, o nosso valor acrescentado será da ordem de um terço ou um quarto, sendo o restante (materiais e equipamentos) próximo dos dois terços ou três quartos. Isto quer dizer que temos sempre boas condições negociais para que as construções em Portugal sejam tecnicamente apoiadas.

II. A colaboração entre a Marinha e a indústria
A colaboração, a aliança, entre a Armada e a indústria naval terá de ser íntima e continuada, no interesse mútuo. Poderá levar à criação de um Centro Tecnológico do Mar, mas o que é fundamental é manter um contacto permanente para resolver problemas e fazer um planeamento de longo prazo, que dê continuidade às encomendas.
Para este fim sugerem-se reuniões periódicas de alto nível (intervalos não superiores a 3 meses) abrangendo entidades da Armada, da Defesa, da Economia e dos estaleiros navais com seguimento de:
- Tarefas, tanto quanto possível conjuntas, distribuídas a executantes
diversos;
- Oportunidades que possam ter surgido a partir dos Ministérios da Defesa, Economia ou Negócios Estrangeiros.
A Associação das Indústrias Navais poderá coordenar o apoio pela parte da indústria"
.

Documento na íntegra online:
http://www.marinha.pt/PT/amarinha/actividade/areacultural/academiademarinha/Documents/CONSTRU%C3%87%C3%83O%20NAVAL.%20S%C3%ADntese%20das%20jornadas.pdf

Muito mais haverá a dizer quanto às Estratégias do Mar, em "posts" futuros. Material não falta.
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Vicente de Lisboa

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Re: Governo quer alargar direitos marítimos
« Responder #149 em: Janeiro 31, 2011, 05:52:02 pm »
Ora vamos ver se este Tópico sai das profundezas:

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"Maior riqueza do país está no fundo do mar", diz Manuel Pinto Abreu

Manuel Pinto Abreu, responsável pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM), concorda que a maior riqueza de Portugal está no fundo da sua Plataforma Continental marítima.

"Com grande probabilidade ela está aí. Agora é preciso trazê-la para a superfície e realizá-la para os portugueses", comentou à Lusa um dos principais rostos da proposta portuguesa para a expansão da Plataforma Continental.

O EMAM, estrutura tutelada pelo Ministério da Defesa, entregou em 2009 na Convenção para os Direitos do Mar das Nações Unidas o dossier que deverá culminar com a atribuição a Portugal da jurisdição sobre os territórios da sua Plataforma Continental marítima.

Apesar de as pesquisas iniciais se focarem naquele objectivo, o EMAM cedo começou a perceber que os recursos existentes dentro da área reclamada por Portugal eram bem mais do que apenas a biodiversidade das nossas águas.

"Os teores dos metais que encontrámos apontam para valores muito promissores relativamente ao que existe no fundo submarino, e, quando estou a falar em teores de metais, falo em cobalto, níquel, cobre, ferro, há muito ferro, mas também ouro, prata e uma série de metais raros", admitiu Manuel Abreu.

O professor reconhece que foram vistas "algumas formações que podem estar associadas ao que chama-mos vulcões de lama, ou seja, de energia relativa a gás, gás natural ou até metano", embora desconheça a sua importância.

O investigador revelou ainda à Lusa a descoberta, na semana passada, de dois novos "pontos de interesse" na Plataforma Continental, duas novas crateras que poderão ser poços de gás natural.

Estas duas novas crateras juntam-se a duas outras, vulgarmente apelidadas de "fried eggs", com seis e três quilómetros de diâmetro, situados 150 quilómetros a sul dos Açores, e a continuação da exploração pode revelar novas surpresas.
Oje Dixit


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Lisboa, 31 jan (Lusa) -- A Plataforma Continental marítima portuguesa esconde um tesouro à espera de ser mapeado, com depósitos de cobre, níquel, cobalto, ouro, prata, gás natural e metano, afirma António Costa Silva, presidente da Partex, em entrevista à Lusa.

O valor, localização e quantidade estão por quantificar, mas o empenho do Governo na expansão da Plataforma Continental, que, provavelmente em 2018, duplicará a área do país para quatro milhões de quilómetros quadrados, comprova o interesse nestas novas fronteiras.

Portugal pode mesmo ter um tesouro no fundo do mar e tudo aponta para que uma das joias da coroa venha a ser a exploração dos hidratos de metano, o combustível fóssil.
Expresso Dixit