O Iraque e Israel

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Rui Elias

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O Iraque e Israel
« em: Abril 26, 2004, 03:19:31 pm »
Iraque e Israel

Tendo em conta a actual situação no médio oriente, com implicações na guerra iniciada em Março de 2003 e a situação no conflito israelo-palestiniano, sem fim à vista, há que estabelecer umas comparações, para que a honestidade intelectual de quem participa neste fórum possa prevalecer:


O Iraque:

Regime ditatorial, com um passado lastimoso de atropelo aos direitos humanos.

Em 1980 atacou e invadiu o Irão e em 1990 invadiu e anexou um estado soberano árabe – o Koweit.

Atacou as pretensões independentistas curdas no norte do território, com a utilização de armas químicas.

Desde a derrota sofrida em 1991, com a operação “Tempestade no Deserto” em que ficou com as suas Forças Armadas debilitadas, e agravada a sua situação militar, económica e social com 12 anos de sanções internacionais, agravadas ainda com bombardeios esporádicos por parte das forças americanas e britânica, que tiveram um pico em 1998, não possuirá neste momento de grandes capacidades defensivas, perante a superioridade em quantidade e qualidade do armamento ocidental.

Também não cumpriu algumas das resoluções das Nações Unidas.

A sua única hipótese é resistir com um sistema de guerrilha, após a invasão terrestre levada a cabo pelas forças lideradas pelos EUA, e as recentes aparições das milícias Al Qouds, dos sunitas (quem nem todos são partidários de Saddam), e recentemente dos Xiitas, parecem mostrar ao mundo que é a essa guerrilha que o Iraque pretende recorrer, já que o seu exército regular não terá capacidade defensiva suficiente para fazer frente à “avalache” ocidental.

Um povo em armas, contra o invasor, como o devem fazer todos os patriotas de todos os tempos.

Aparentemente não possui armas de destruição maciça, nomeadamente químicas e bacteriológicas, como é de crer pelas inspecções aturadas que lá têm existido.

E quwe posteriormete se provou não existirem, como o próprio Collin Powell já reconheceu.

As “provas” apresentadas a 5 de Fevereiro de 2003 por Collin Powell na ONU não são convincentes, e até nos parecem de duvidosa criatividade a história de laboratórios ambulantes (alguém acredita que armas dessa perigosidade se andassem a passear alegremente pelas estradas e caminhos de ferro iraquianos, sujeitos a acidentes e assim sujeitos a fazer do Iraque a sua primeira vítima?)

Também a “provas” de ligações com actos ou organizações terroristas não convenceram as Nações Unidas, permanecendo os membros do CS com as mesmas posições que tinham antes da apresentação de Powell.

Alguém acreditará que havendo provas irrefutáveis e sem margem para qualquer dúvida, a França, a Rússia e a China, mais os outros membros não permanentes do CS não apoiassem imediatamente uma resolução para desarmar pela força o regime iraquiano, perante o perigo eminente que correria o mundo, perante as atitudes imprevisíveis do ditador de Bagdad?

Acham que  a França será um país com uma liderança irresponsável?

Israel:

Israel tem comprovadamente um poderosíssimo exército convencional e possui armas de destruição maciça.

Até já ameaçou atacar o Iraque com uma bomba nuclear de fraca potência, o que pode levar a crer que ou só possui bombas de baixa potência, ou no seu stock possui vários tipos de bombas, pelo que até pode escolher o que melhor se adapta ao teatro de operações.

Não respeitou ao longo de anos várias resoluções da Nações Unidas.

Praticou e pratica o terrorismo, ao matar através de execuções sumárias militantes palestinianos, sem que lhes dê direito a julgamento, e praticou em Jenin uma “limpeza” duvidosa, o que se justifica pelas reticências ao trabalho da ONU para investigar o que por lá se passou.

Invadiu territórios e anexou-os: atacou “preventivamente” o Iraque em 1980 para bombardear uma central nuclear.

Invadiu o Líbano.

Anteriormente, na sequência da guerra dos 6 dias, invadiu territórios do Egipto (península do Sinai, que só libertou aquando dos acordes de Camp David) e da Síria (Montes Golã, situação que ainda permanece).

Ocupa a Cisjordânia e Gaza, procurando legitimar a sua ocupação militar com a implantação de colonatos, que dificultarão mais a eventual retirada desses territórios.

Construí actualmente um muro de vergonha.

Perante esta semelhança de atitudes e políticas agressivas e perante a descomunal diferença na qualidade de armamento que ambos os países possuam nos seus arsenais, pergunta-se:

Qual a diferença?

Israel é uma democracia parlamentar e o Iraque não o é.

Correcto, mas...

Será por ser uma ditadura que os EUA lideraram uma coligação para apear Saddam do poder e lá instalar um regime “amigo”?

E como pode o Ocidente, com os EUA à cabeça esperar das populações árabes e muçulmanas respeito, perante esta dualidade de critérios?