Política em Portugal

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papatango

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Re: Política em Portugal
« Responder #2175 em: Abril 11, 2024, 09:38:55 pm »
Já agora e a título de curiosidade, já que tanta gente parece tão desinformada sobre o assunto, a referencia que o Cruz Silva faz ao marechal Spinola em termos de estratégia, terá a ver com a visão que foi delineada por ele ainda durante o governo de Marcelo Caetano.

Tentando resumir ao máximo (e correndo o risco de más interpretações), o que Spinola defendia em 1972 - 1973 era a completa revisão da politica ultramarina, que passaria pela propria transformação de Portugal, de um Estado Unitário, para uma República Federal, que seria constituido por regiões de autonomia alargada.

Desta forma alteravam-se as proprias relações de poder entre os vários estados dentro da federação.

Se a ideia de Spinola teria pernas para andar, dentro da realidade da década de 1970, com a pressão da União Soviética, não há como saber.
Costuma-se dizer que todos os regimes autoritários, quando se tentam modernizar ficam essencialmente mais fracos.

A primavera marcelista teria sido segundo muitos prova acabada disto.
No entanto, o país, não estava já a responder adequadamente ao que eram as necessidades de uma guerra que se estava a eternizar.
Por outro lado, só mais de uma década depois do inicio da guerra, é que as forças armadas portuguesas começavam a ter meios e armas capazes de responder ao conflito africano [1].

Não sabemos qual seria a reação dos países europeus a esta realidade e os países nórdicos dificilmente deixariam de nos criticar fortemente. Mas a transformação do estado provavelmente passaria por uma abertura e eleições livres, o que também poderia alterar a aceitação de Portugal em termos internacionais.

Marcelo Caetano, recebeu o livro para ler poucos dias antes de começar a ser distribuido, e quando tentou evitar a sua divulgação era demasiado tarde.





[1 - ]Só para dar uma ideia, as Chaimites eram vistas como uma ameaça ao PAIGC, porque davam uma capacidade grande às tropas para se libertarem de rios e estradas.
Coisas simples como os Aviocar, permitiam desembarcar um pelotão em Angola, cortando as longas linhas de abastecimento das forças do MPLA e da FNLA. Na Zambia, a PIDE tinha com sucesso desarticulado parte dos apoios ao MPLA, nomeadamente financiando movimentos contrarios ao governo do país.
Depois da guerra do Yom Kippur, Portugal conseguia finalmente obter mísseis anti-aéreos americanos, que poderiam evitar a perda do controlo dos ares na Guiné, caso a Guiné Konakry permitisse a utilização dos MiG-17 sobre a Guiné portuguesa.
« Última modificação: Abril 11, 2024, 09:43:23 pm por papatango »
É muito mais fácil enganar uma pessoa, que explicar-lhe que foi enganada ...
 
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Josemedeirosbeto

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Re: Política em Portugal
« Responder #2176 em: Abril 11, 2024, 10:32:15 pm »
A dicotomia esquerda-direita é uma forma de facilitar as discussões e concordo que muitas vezes torna-se redundante.

No entanto, não posso deixar de me referir às pessoas que se levantam contra Spinola e contra o reconhecimento das suas ações em 1974, ao mesmo tempo que se regozijaram com o perdão a Otelo.

O país, optou por perdoar Otelo pelos seus crimes e pelas suas atividades criminosas. A razã desse perdão, foi o reconhecimento das ações de Otelo em Abril de 1974.

Pela mesma ordem de razões, não tendo Spinola sido responsável direto ou indireto por atentados terroristas e crimes de sangue (Os vários grupos de direita nunca se entenderam sequer sobre qualquer oposição aos comunistas) seria apenas justo que se aceitasse que fosse reconhecido pelas suas ações em Abril de 1974.

Aceita-se o reconhecimento de um (pelo indulto) mas não se aceite o reconhecimento do outro, pela homenagem...
Meu caro, o argumento usado contra Spínola é o de sempre e que tem sido repetido ad nauseam neste espaço: no final faz-se a acusação de extrema-direita e está resolvido.

Para mim, António de Spínola foi o último grande patriota do/no espectro político-militar de Portugal. Existiram patriotas depois disso, mas nunca com a grandeza, a visão geoestratégica/geopolítica/nacional para o nosso país que o marechal de campo teve.

Depois do afastamento de Spínola, o declínio de Portugal no futuro próximo seguinte (salvo um ou outro período mais positivo que aconteceu) deixou de estar em dúvida.

Sem discordar de resto, lembro que em Portugal não existem marechais de campo. Ele foi Marechal do Exército, tal como Costa Gomes.
- José Alberto Medeiros
 
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Kalil

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Re: Política em Portugal
« Responder #2177 em: Abril 12, 2024, 10:13:31 pm »
De um PR que mete cunhas para amigos de familiares acederem ao nosso SNS, já não resta muito que possa surpreender.

Não quis deixar de homenagear o Marechal, mas teve vergonha de poder ser conotado com algum tipo de "salazarismo" que, de resto, lhe é familiar.
De modo que, como bom cobarde, nem presta as devidas honras que a situação justifica (para quem a acha correcta), nem consegue escapar às criticas de quem não está de acordo.