Kosovo - À Procura do Beijo Impossível

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Ataru

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« Responder #330 em: Maio 22, 2009, 11:00:18 pm »
Só não entendo como é que o berço da sérvia foi o kosovo se o kosovo este sob alçada otomana até 1912, sendo só depois conquistada pelos sérvios e montenegrinos...
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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FoxTroop

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« Responder #331 em: Maio 25, 2009, 07:39:14 pm »
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Só não entendo como é que o berço da sérvia foi o kosovo se o kosovo este sob alçada otomana até 1912, sendo só depois conquistada pelos sérvios e montenegrinos


Então procure saber a quem pertencia o Kosovo até á sua conquista pelos Otomanos e todo o significado para os sérvios que isso significou.  :roll:  :roll:
 

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Ataru

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« Responder #332 em: Maio 25, 2009, 08:43:34 pm »
Pelo que encontrei... O kosovo, foi disputado por vários reinos ao longo da historia, depois da saida do imperio romano do oriente, foi ocupado pelo imperio bulgaro em 850, ate 1018, sendo depois reconquistado pelos bizantinos. Em 1100 foi novamente conquistado desta vez pelo reino dos sérvios, que o perdeu em 1389 numa batalha contra os otomanos...
Assim sendo posso apenas concluir que o Kosovo, fez mais tempo parte do imperio, otomano, bizantino, romano, e ate bulgaro do que do servio.
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P44

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« Responder #333 em: Maio 26, 2009, 10:35:39 am »
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A Sérvia e Kosovo

   
    
A mídia ocidental difundiu a imagem de que a Sérvia invadiu a província de Kosovo, realizando por conseguinte um ato de agressão contra a população local. Ocorre que Kosovo sempre pertenceu à Sérvia, sendo um lugar sagrado para os de fé cristã-ortodoxa, com grande força simbólica para a maioria dos iugoslavos. Não se tratou, pois, de uma invasão estrangeira seguida de ocupação militar, mas sim de uma guerra civil travada entre o governo central e uma província separatista.

No monastério sérvio de Visoki Decani, em Kosovo, uma vez por semana ocorre um ritual bizarro. Reunidos em frente ao sarcófago do czar Stefan Dekanski, o seu santo padroeiro, os monges cristãos ortodoxos abrem-lhe a tampa. Ao tempo das preces, dizem eles, os sagrados ossos espalham um incrível perfume de rosas. Obedecem, com essa magia branca, a uma liturgia praticada desde o século 14 para que os restos ilustres lhes inspirem, mediunicamente suponho, como agir na temeridade.

   

   Uma cena de batalha na antiga Kosovo    

Pelo infeliz retrospecto histórico daquela região da Iugoslávia, quase sempre submersa em tempestades de espadas e tiros, melhor fosse deixarem-nos, os ossos, sempre a descoberto. Kosovo (do pássaro "kos", melro), centro político e religioso do Estado sérvio no medievo, quase nunca soube o que é liberdade. Em 1389, por exemplo, Lazar, um dos seus príncipes, sofreu ali tamanha derrota frente aos turcos otomanos que marcou o início do longo avassalamento do seu povo, obrigado ao tributo fixo e ao serviço militar. Desconfiados da fidelidade deles, dos slavas, os sultões resolveram, durante seu opressivo domínio de cinco séculos, povoá-la com os valsh, albaneses convertidos ao islamismo.

A Jerusalém dos Sérvios

   
   

   Ícone de Cristo no mosteiro de Decani e um ícone moderno    

Nada porém arrefeceu a determinação dos sérvios em manterem-se nela. Entre outras razões porque Kosovo, bem antes da ocupação turca, era motivo de peregrinação aos seus santuários e relicários, onde os belos mosteiros de Raska-Priznen, Granica, e tanto outros, fizeram-na não só a Lourdes, como a Jerusalém deles.

Os sérvios somente retomaram o controle sobre ela nas guerras antiturcas de 1912, quando a Sublime Porta Otomana declinava. Oficialmente, ela tornou-se província do Reino da Iugoslávia depois de 1918, não sem antes o exército sérvio sufocar uma rebelião dos albaneses, insatisfeitos com seu status subalterno. A hora da vingança destes soou quando Mussolini ocupou a Albânia, em 1940. A Balli Combetar, agrupamento de albaneses fascistas, atiçados, desforraram-se nos sérvios de Kosovo.


MAIS EM
http://educaterra.terra.com.br/voltaire ... servia.htm


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Conheça a história do Kosovo
14-02-2008 12:05:00

O Kosovo, que se prepara para declarar a sua independência da Sérvia, é uma região com uma história de atropelos e dominações, invasões e partilhas de poder, que, aparentemente, não provocaram uma crise de identidade nos seus habitantes.    
     

A Dardânia, primeiro nome da região, onde dominavam os eslavos, apesar de auto-administrada, era parte do império Bizantino. Chegados os anos de 850 d.C., o Kosovo passou a integrar o Império Búlgaro, altura em que a cultura eslava e o cristianismo se expandiram. Em 1018, o poder de Bizâncio pôs fim à dominação búlgara e reafirmou-se em toda a região dos Balcãs.

Os sérvios reagiram e, em 1208, o Kosovo era finalmente libertado do poder bizantino, tornando-se o que os sérvios definiram como o "coração cultural, religioso e político do reino Sérvio".

Em 1389, os turcos voltaram a invadir a região, acabando por retirar devido a problemas internos, mas, a partir de 1448, o Kosovo tornou-se região vassala do Império Otomano, até nele ser incorporado directamente, após a queda final da Sérvia, em 1459. Com os turcos, chegou ao Kosovo a islamização, que se mantém até hoje.

A dominação otomana do Kosovo e as guerras que envolveram a região levaram a fugas, a partir de finais do século XVII, dos habitantes locais, sobretudo sérvios, mas também de outras etnias.

As migrações de ortodoxos sérvios do Kosovo prolongam-se durante todo o século XVIII. Alguns sérvios adoptaram, nessa altura, o Islão e fundiram-se com outros grupos, predominantemente albaneses, adoptando a sua cultura e mesmo a sua língua, acabando por solidificar o Kosovo como uma região predominantemente islâmica.

Com as políticas de envolvimento do império Otomano, os cristãos foram perdendo cada vez mais influência no Kosovo, sendo muitos deles forçados a retirar-se para as montanhas ou para as zonas rurais do Montenegro. Finalmente, foi assinado um acordo em 1878, deixando as cidades de Pristina e Kosovska Mitrovica sob controlo sérvio e fora da jurisdição dos otomanos.

Os nacionalistas albaneses procuraram responder, organizando-se, com o apoio turco - sobretudo devido à sua ideologia islâmica -, visando a unificação do povo albanês, sob a protecção de Ancara. Este movimento foi-se tornando gradualmente anticristão, fazendo com que cada vez mais sérvios abandonassem o Kosovo, para norte.

Em 1878, a maior parte das terras albanesas foram devolvidas ao controlo otomano, mas as forças sérvias tiveram que retirar do Kosovo. Em 1881, os albaneses criaram um governo próprio, mas os turcos, pressionados pelas potências mundiais, fizeram-lhe frente e, ao fim de três anos de guerra, os kosovares foram derrotados.

Em finais do século XIX, os albaneses tinham já substituído os sérvios como população maioritária do Kosovo. Em 1911, os sérvios constituíam apenas 25 por cento da população do Kosovo.

Em 1912, nas guerras dos Balcãs, a maior parte do Kosovo foi tomada pelo Reino da Sérvia, provocando um êxodo da população albanesa local e as autoridades sérvias planearam uma "recolonização" do Kosovo, com a bênção das nações do ocidente cristão. Depois, na I Guerra Mundial, o exército sérvio foi derrotado no Kosovo, de onde retirou, sendo a região ocupada por búlgaros e austro-húngaros.

Durante esta ocupação, apoiada pela maioria albanesa, foram abertas escolas e difundida a cultura islâmica, enquanto os habitantes e soldados sérvios tentavam fugir. Em 1918, o exército sérvio expulsou o império austro-húngaro do Kosovo e lançou-se numa campanha de atrocidades como vingança contra a população albanesa.

O Kosovo foi então dividido em quatro distritos, três dos quais parte da Sérvia e o último de Montenegro, enquanto os albaneses protestavam junto da Liga das Nações, pretendendo uma unificação das terras povoadas pelos albaneses. Entretanto, com a ascensão do fascismo em Roma, em vésperas da II Guerra Mundial, a maior parte do Kosovo tornou-se parte da Albânia fascista controlada pela Itália.

Durante a ocupação fascista do Kosovo por albaneses, até Agosto de 1941, mais de 10.000 sérvios foram mortos e entre 80.000 e 100.000 foram expulsos. Ao mesmo tempo, eram trazidos outros tantos albaneses para se instalarem em terras sérvias. Com o fim da guerra e a vitória das forças aliadas, o Kosovo passou a ser uma província da Sérvia, no seio da República Democrática Federal da Jugoslávia, com um estatuto semi-autónomo que visava proteger a sua maioria albanesa.

O domínio da etnia albanesa era entretanto cada vez maior, alcançando mais de 90 por cento da população, contra 8 por cento de sérvios. Sucediam-se as exigências dos albaneses kosovares, com protestos, para que o Kosovo se tornasse uma República no seio da Jugoslávia e as tensões étnicas atingiam um ponto de efervescência que forçavam a uma nova emigração de sérvios e outros grupos étnicos da região.

Contudo, mesmo este regime semi-autónomo acabou de vez após a queda da União Soviética e a subida ao poder de Slobodan Milosevic na ex-Jugoslávia, que recusou liminarmente quaisquer veleidades de independência ou autonomia dos albaneses do Kosovo. Em Junho de 1989, quando se assinalavam os 600 anos da Batalha do Kosovo, Milosevic proferiu um discurso apoiando a minoria sérvia da região e foi retirando as várias regalias de que usufruíam os kosovares por força do seu estatuto semi-autónomo.

Um ano depois, o parlamento - inconstitucional - do Kosovo declarava a região um país independente, sem, é claro, o reconhecimento de Belgrado ou de quaisquer outras nações, exceptuando a Albânia.

Dois anos depois, em 1992, o parlamento organizava um referendo não-oficial, também não reconhecido internacionalmente, mas que contou com uma afluência de 80 por cento dos kosovares, dos quais 98 por cento votaram a favor da independência.

Depois, a partir de 1995, alguns albaneses organizaram-se no Exército de Libertação do Kosovo (UÇK), defrontando as tropas sérvias até 1999, numa sangrenta guerra de guerrilhas. Finalmente, em 1999, a NATO interveio e ficou a garantir a segurança no Kosovo e, logo depois, a ONU assumiu a administração do território.

Hoje, aguarda-se no terreno que a UE envie a sua missão, para substituir a da ONU, mesmo que nem todos os seus membros estejam de acordo com esta declaração de independência.
http://www.observatoriodoalgarve.com/cn ... icia=20090


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O fantasma da Grande Albânia
Independência do Kosovo ressuscita o medo da Grande Albânia

| 20/02/2008 |

A idéia de juntar o território da atual Albânia ao do Kosovo, e a outros com grande população de origem albanesa volta aos debates.

Macedônia e Montenegro têm população albanesa numerosa, assim como o sul da Sérvia. Isso faz lembrar o sonho de parte da população austríaca de se unir à Alemanha, que deu pretexto a Hitler de invadir o país no início da Segunda Guerra Mundial.

http://opiniaoenoticia.com.br/internaci ... e-albania/

o projecto da "Grande Albânia"

"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Ataru

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« Responder #334 em: Maio 26, 2009, 10:40:08 am »
Acredito mais nas wikipedias que em sites brasileiros e artigos de opinião. Para além disso apoio uma greater albania mas não exactamente como aí especificada.

Na minha opinião o Kosovo devia-se ter juntado á Albania e não ter pedido a independência.... Mas sã opiniões, nada mais...
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FoxTroop

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« Responder #335 em: Maio 26, 2009, 11:33:03 am »
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Acredito mais nas wikipedias que em sites brasileiros e artigos de opinião. Para além disso apoio uma greater albania mas não exactamente como aí especificada.

Na minha opinião o Kosovo devia-se ter juntado á Albania e não ter pedido a independência.... Mas sã opiniões, nada mais.


Caro Ataru, o sr. pode acreditar até no Pai Natal se quiser, mas isso não altera a realidade dos factos. Pediu factos históricos, e aqui estão eles (P44 deu-se ao trabalho de o tentar "iluminar", mas  :roll: )
 

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Ataru

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« Responder #336 em: Maio 26, 2009, 11:34:31 am »
Vocês mostraram-me umas fontes, eu mostrei-vos outras, eu acredito numas e vocês noutras, até agora diria que há um empate...
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« Responder #337 em: Maio 29, 2009, 09:37:35 pm »
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"Minorities are leaving Kosovo"
27 May 2009 | 09:34 | Source: Tanjug

LONDON -- Minorities are beginning to leave Kosovo, because they face exclusion and discrimination, says Minority Rights Group International (MRG).


This London-based organization says it its latest report that post-Kosovo Albanian unilateral independence declaration, the territory "lacks effective international protection for minorities, which is worsening the situation for smaller minorities and forcing some to leave the country for good".

The organization warns that "many smaller minorities, such as Ashkali, Bosniaks, Croats, Egyptians, Gorani, Roma, Serbs and Turks, are beginning to leave Kosovo", faced with discrimination and exclusion.

“Restriction of movement and political, social and economic exclusion are particularly experienced by smaller minorities,” says Mark Lattimer, MRG’s Executive Director.

According to him, these minorities "also suffer from lack of access to information or to tertiary education in their own languages".

"This, combined with tough economic conditions, have resulted in many of these groups starting to leave Kosovo altogether,” Lattimer added.


http://www.b92.net/eng/news/politics-ar ... v_id=59408
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papatango

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« Responder #338 em: Maio 31, 2009, 11:46:53 pm »
Muitos sites sobre o assunto não têm qualquer credibilidade e destinam-se a propagar e a defender o ideario das ditaduras corruptas.
São o tipo de lugar, onde os roubos do Hugo Chavez são ignorados ou transformados em grandes campanhas populares.

Tem a mesma credibilidade do site que dizia que os navegadores portugueses obtiveram os seus conhecimentos dos africanos.

Na verdade, o nível de mentira desses sites vê-se na escala histórica que utilizam.

Convenientemente, eles só começam a contar a História com o inicio da decadência do Império Bizantino. Práticamente como se não houvesse história anteriormente.

Para tentar estabelecer uma equivalência (no sentido lato e com todas as ressalvas) com a Peninsula Ibérica, poderiamos dizer que os Sérvios são como os Visigodos.
Um povo que chegou à região dos Balcãs quando o poder do Império Romano do Oriente começou o seu lento declinio. Quando os Sérvios chegaram, já havia população na região do Kosovo há muitos séculos.

Os Sérvios, como os Visigodos, foram derrotados pelos muçulmanos, mas enquanto na Peninsula Ibérica a reconquista cristã foi feita pelos povos ibéricos (dominados pelos Visigodos a seguir à queda de Roma), nos balcãs, é como se os Visigodos tivessem conseguido resistir.

Quando o poder islâmico entrou em decadência, eles voltaram a dominar, continuando na «Mó de cima» e continuando a dominar os povos da região (Kosovares entre outros).

É como se após a queda dos reinos muçulmanos na peninsula, os Visigodos voltassem a dominar os povos da peninsula ibérica e agora dissessem que a Peninsula era a razão de ser da existência do Estado Visigodo.

Esqueceriam que antes dos Visigodos, haviam povos ibéricos a habitar a região, conforme todos estudamos nos livros de História.

Da mesma forma, os Sérvios e os apoiantes dos regimes comunistas (e não haja dúvida que é do que se trata) também tentam apagar a História, e efectivamente apagam-na até onde é conveniente.

A ideia de que os Sérvios têm mais direitos ao Kosovo que os Kosovares, é um conto absolutamente mentiroso, inventado para justificar o ódio dos Sérvios contra aqueles que nunca aceitaram que lhes roubassem a terra.
É muito mais fácil enganar uma pessoa, que explicar-lhe que foi enganada ...
 

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VICTOR4810

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EN ESTE CASO....
« Responder #339 em: Junho 10, 2009, 10:18:51 pm »
No me duelen prendas en asentir, efectivamente los albaneses descendientes de los Ilirios, fueron los originarios habitantes de Kosovo.
   La historia luego evolucionó de otra manera, pero en su origen así fue.¡¡¡¡
1.492, DESCUBRIMOS EL PARAISO.
"SIN MAS ENEMIGOS QUE LOS DE MI PÁTRIA"
 

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« Responder #340 em: Julho 06, 2009, 10:53:00 am »
FOI KOSOVO UMA BOA GUERRA?

David N. Gibbs - http://www.tikkun.org/article.php/jul_09_gibbs

O artigo foi extraído do novo livro de David N. Gibbs, First Do No Harm: Humanitarian Intervention and the Destruction of Yugoslavia (Vanderbilt University Press, junho de 2009.), especialmente do capítulo 7.

Enquanto a guerra da OTAN de 1999 contra a Sérvia alcança seu décimo aniversário, ela está sendo relembrada com certa medida de nostalgia. A guerra do Kosovo é relembrada como a “boa guerra” – uma ação militar, genuinamente moral, que oferece um contraste reconfortante com o fiasco do Iraque. A guerra do Kosovo foi empreendida (eis o argumento) apenas como o último recurso, para conter um ditador desagradável (Slobodan Milosevic), que só obedeceria a força. E a guerra produziu resultados positivos, no sentido de que o Kosovo foi libertado da opressão sérvia e Milosevic foi, em breve, derrubado. Agora, uma década depois, a guerra do Kosovo é relembrada como um caso exemplar de intervenção humanitária e é, amplamente, considerada como um modelo para possíveis intervenções em Darfur e alhures. Na verdade, algumas das figuras-chave na administração Obama, notavelmente, Samantha Power, tem advogado que “intervenção humanitária” do modelo Kosovo deve ser um tema básico da política dos Estados Unidos.

Dada a importância do Kosovo como um modelo para futuras ações militares, é importante compreender mais, completamente, o que, realmente, aconteceu neste caso crítico. Nova informação se tornou disponível em anos recentes, a partir do julgamento por crimes de guerra de Milosevic e outras fontes básicas – informação que joga uma luz, totalmente, diferente (e não tão positiva) sobre a guerra. A seguir, analisarem algumas destas revelações, e como elas desacreditaram mitos, amplamente, aceitos sobre o caráter “benigno” da intervenção no Kosovo.

Primeiro, um pouco de fundamentos: o Kosovo tinha sido, por muito tempo, uma “província autônoma” da República da Sérvia, inicialmente, como parte da Iugoslávia comunista. Dentro do Kosovo, a população estava dividida entre uma maioria étnica albanesa e uma, relativamente pequena, minoria sérvia, que constituía entre 10 e 15 porcento da população total. O conflito étnico entre estes dois grupos, gradualmente, desestabilizou a província. Em 1989, a República da Sérvia acabou com o estatuto autônomo do Kosovo e o colocou sob efetiva lei marcial. Um sistema altamente repressivo de controle foi imposto, vitimizando os albaneses na província, enquanto favorecia os sérvios. Os esforços albaneses para escapar desta repressão formou a base do levante armado no final dos anos 1990, liderado pelo Exército de Libertação do Kosovo (ELK). Estes esforços, por fim, detonaram a campanha de bombardeio da OTAN de 1999 contra a Sérvia. Após a derrota dos sérvios, uma força internacional de pacificação ocupou o Kosovo. Com os pacificadores ainda presentes, o Kosovo separou-se, oficialmente, da Sérvia e obteve plena independência em 2008. Uma maioria da população sérvia foi, etnicamente, varrida do Kosovo, logo após os bombardeios da OTAN, embora, um número, relativamente, pequeno de sérvios ainda permaneçam em partes da província.

Mito 1: A OTAN começou sua campanha de bombardeio, somente após ter feito todos os esforços para evitar a guerra e obter seus objetivos no Kosovo através de meios diplomáticos. A guerra ocorreu porque Milosevic resistiu, firmemente, a um acordo diplomático.

Na realidade, Milosevi estava aberto a um acordo diplomático, e este ponto está, agora, bem estabelecido pelas melhores fontes. Especificamente, Milosevic assinou uma série de acordos internacionais, em outubro de 1998, que solicitava aos sérvios para retirarem a maioria de suas forças do Kosovo e para implementar um cessar-fogo. Ele, também, concordou com o desdobramento de uma Missão de Verificação do Kosovo, internacionalmente organizada, que supervisionaria a implementação da retirad das tropas sérvias. Estes acordos foram forjados pelo diplomata americano Richard Holbrooke.

O acordo Holbrooke, gradualmente, rompeu-se, enquanto a luta continuava entre forças sérvias e albanesas, e, então, escalando durante o final de 1998. Na época, se acreditava, amplamente, que foram os sérvios que torpedearam o acordo. Entretanto, sabemos, agora, que não foi este o caso. De fato, os sérvios implementaram o acordo Holbrook, e foram os albaneses que provocaram o colapso do acordo.

A evidência de que as forças sérvias/iugoslavas cumpriram o acordo provém do general Klaus Naumann, um oficial alemão que desempenhou um papel-chave na diplomacia deste período (e que, mais tarde, participou na guerra da OTAN de 1999). Em 2002, Naumann compareceu no julgamento de Milosevic como testemunha-chave no processo e declarou o seguinte: “As autoridades iugoslavas honraram o acordo [Holbrooke]... eu penso que é preciso prestar tributo ao que as autoridade iugoslavas fizeram. Não foi ma coisa fácil trazer 6 mil oficiais de polícia de volta, dentro de vinte e quatro horas, mas elas conseguiram”. E o ponto de vista de Naumann é apoiado pela Comissão Internacional Independente Sobre o Kosovo, que observou em seu relatório de 2000: “A Sérvia, inicialmente, implementou o acordo [Holbrooke] e retirou suas forças, de acordo.”

O colapso do acordo Holbrooke foi, realmente, detonado pelas guerrilhas do ELK, que utilizou a contenção dos sérvios como oportunidade para deslanchar uma nova ofensiva. Esta estratégia é percebida no seguinte diálogo entre um entrevistador da BBC e o general Naumann. A entrevista cita informações da OTAN e do diretor da Missão de Verificação do Kosovo, que era responsável por supervisionar a implementação do acordo Holbrooke:

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BBC: “Obtivemos minutas confidenciais da Conselho do Atlântico Norte, ou CAN, corpo dirigente da OTAN. Elas falam do ELK como ‘o principal iniciador da violência... ele desfechou o que parece ser uma deliberada campanha de provocação [contra os sérvios]’. É assim como o próprio William Walker [cabeça da Missão de Verificação do Kosovo] relatou a situação, na época, em particular” (ênfase adicionada).

General Naumann: “O embaixador Walker salientou no CAN que a maioria das violações [do acordo de Holbrooke] foi provocada pelo ELK.”

O registro é, portanto, claro: foram as guerrilhas albanesas, não os sérvios, que provocaram o ressurgimento da luta.

Durante fevereiro e março de 1999, os Estados Unidos e vários aliados europeus organizaram uma conferência de paz – oficialmente tencionando fornecer um acordo abrangente do conflito do Kosovo – que teve lugar, principalmente, em Rambouillet, França, fora de Paris. Os mediadores ocidentais que dirigiram a conferência buscavam acabar com a repressão sérvia no Kosovo, reestabelecer a autonomia regional do Kosovo (embora, ainda como província da Sérvia), e estabelecer uma força armada internacional de pacificação para supervisionar a implementação. Um Kosovo independente não foi contemplado neste ponto.

No final, a conferência de Rambouillet fracassou, e este fracasso levou, diretamente, à campanha de bombardeio da OTAN. Na época, foi amplamente presumido que os sérvios haviam recusado-se a negociar, seriamente e estavam determinados a usar a força militar contra os albaneses. Entretanto, uma leitura mais atenta do registro mostra que a sabedoria convencional estava, novamente, errada. De fato, os sérvios permaneceram abertos a um acordo negociado, e recorreram à força quando este acordo provou-se inatingível.

A maioria dos participante em Rambouillet reconheceu que a delegação sérvia tinha, realmente, aceitado todas (ou, virtualmente, todas) as exigências políticas que foram avançadas pelos mediadores americanos e europeus. Os sérvios “pareciam ter abraçado os elementos políticos do acordo, pelo menos, à princípio,” de acordo com Marc Weller, um acadêmico jurídico que serviu como conselheiro para a delegação albanesa. O porta-voz do Departamento de Estado, James Rubim, afirma que os sérvios tinham concordado com “quase todos os aspectos do acordo político”. O diplomata americano Christopher Hill salienta que “Milosevi estava aberto ao acordo político de Rambouillet.” Mesmo Madeleine Albright, embora hipercrítica da delegação sérvia, concedeu que os sérvios tinham aceitado a maioria das propostas para um acordo político. Com respeito aos aspectos mais contenciosos da implementação, o próprio Miloseviu deixou implícito que aceitaria uma força de pacificação no Kosovo para supervisionar o acordo, liderada, fosse pela ONU ou pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa. Entretanto, ele continuava a resistir à idéia de uma força liderada pela OTAN, o que os Estados Unidos exigiam.

A informação disponível sugere que um acordo total para o conflito do Kosovo estava ao alcance e poderia ter sido obtido em Rambouillet. O que levou o acordo ao fracasso foi um novo desenvolvimento que ocorreu no final do processo de negociação. Especificamente, os mediadores ocidentais, agora, propunham que um “Anexo Militar” fosse adicionado ao acordo final. A adição proposta afirmou que as forças de pacificação da OTAN seriam desdobradas e que estas forças teriam “passagem livre e irrestrita e acesso sem empecilhos por toda a RFI [República Federal da Iugoslávia].” Esta seção era, altamente, significativa; implicava que não apenas o Kosovo seria ocupado por uma força de pacificação da OTAN, mas, potencialmente, toda a Sérvia e tudo o que restava da Iugoslávia, seria ocupado, também. Após aparecer o Anexo Militar, a delegaçãos sérvia pareceu ter perdido toda a confiança no processo de negociação, e as conversações de paz empacaram.

A fraseologia suspeita do Anexo Militar foi, originariamente, observada pelo jornalista britânico John Pilger, em 1999, durante o curso da campanha de bombardeio da OTAN. Em resposta, autoridades americanas tem insistido que o Anexo era um detalhe inofensivo, e negam que tenha havido qualquer esforço para sabotar as conversações de paz.

O relato da verdade foi deixado para os britânicos. Numa audiência parlamentar no pós-guerra, o ex-Ministro de Defesa do Estado John Gilbert afirmou que negociadores-chave estavam, de fato, buscando sabotar a conferência. Gilbert era a figura número 2 no Ministério de Defesa britânico, com uma responsabilidade específica pela coleta de informações, e ele apoiou a guerra. Ele é, certamente, uma fonte crível. Com respeito aos motivos dos negociadores, ele ofereceu a seguinte observação: “Acho que certas pessoas estavam ansiando por uma luta na OTAN neste momento... nós estávamos num ponto quando algumas pessoas sentiam que alguma coisa precisava ser feita [contra a Sérvia], portanto você apenas provocava uma luta.” Com respeito aos próprios termos de paz, ele disse, “acho que os termos apresentados à Milosevic em Rambouillet era, absolutamente, intoleráveis: como ele poderia, possivelmente, aceitá-los? Isso foi bem deliberado” (ênfase adicionada).

Lord Gilbert não menciona, especificamente, o Anexo Militar (e sua cláusula sobre o acesso da OTAN a toda a Iugoslávia), mas, é fácil ver que o Anexo se adequava bem com o quadro mais amplo de provocação que Gilbert descreveu. E parece provável que os Estados Unidos desempenharam um grande papel em moldar o Anexo Militar, e, desta forma, sabotar as conversações: em suas memórias, o general Wesley Clark revelou que ele, pessoalmente, ajudou com o rascunho. Em qualquer caso, o advento do Anexo Militar minou a perspectiva de um acordo pacífico.

Eu já discuti alhures, extensivamente, os motivos da administração Clinton para provocar uma guerra; neste artigo, fornecerei uma explicação mais curta. Basicamente, os Estados Unidos estavam buscando uma nova justificação para a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que parecia carecer de qualquer função plausível desde a queda do Muro de Berlim. A “bem-sucedida” intervenção no Kosovo desempenhou um papel-chave em afirmar a importância da OTAN para o período pós-guerra fria e fornecer-lhe uma nova função.

Quaisquer que fossem os motivos, o registro sugere que a administração Clintou estava buscando um pretexto para a guerra com a Sérvia. O colapso das conversações de paz em Rambouillet ofereceu um pretexto.

Mito 2: o conflito do Kosovo foi um caso, moralmente simples, de sérvios opressores e vítimas albanesas.

A guerra de 1999 era amplamente retratada na época como uma repetição em pequena escala da Segunda Guerra Mundial, com os sérvios no papel de agressores nazistas e os albaneses como os judeus, e esta imagem foi um tema central do livro, amplamente influente, de Samantha Power, “A Problem from Hell: America and the Age of Genocide. É, certamente, verdadeiro que os sérvios tiveram um registro feio de opressão e violência contra o grupo étnico albanês, e que o próprio Milosevic ostenta considerável responsabilidade por orquestrar esta opressão. Esta parte da história é, em grande medida, precisa, e pouco tem surgido para refutar tal imagem.

O problema é que os grupos políticos albaneses, apoiados pelos Estados Unidos na guerra não eram coisa muito melhor. Enquanto haviam alguns grupos políticos albaneses, relativamente decentes e não-violentos, que foram importantes na fase inicial do conflito, o principal grupo a receber apoio americano direto – o mesmo grupo que, mais tarde, formou o governo do Kosovo independente – era o Exército de Libertação do Kosovo. O ELK tinha um registro de ferocidade e racismo que diferia pouco daquele das forças de Milosevic. Atacar civis sérvios através de atos terroristas era sempre uma característica central da estratégia militar do ELK.

A natureza terrorista do ELK era, amplamente, conhecido entre autoridades ocidentais; mesmo uma testemunha da promotoria no julgamento de Milosevic reconheceu este fato. O parlamentar britânico Paddy Ashdown, que esteve, extensivamente, envolvido na diplomacia do Kosovo, testemunhou sobre a estratégia terrorista. A transcrição da análise de Ashdown inclui o seguinte diálogo:

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Milosevic: “É um fato bem-conhecido que estes [ELK] eram terroristas, que esta era uma organização terrorista.”

Ashdown: “Sr. Milosevic, eu nunca neguei que eles eram uma organização terrorista.”

De acordo com o jornalista Stacy Sullivan, que entrevistou muitas figuras do ELK, as guerrilhas “atingiam áreas habitacionais sérvias, e clamavam ter responsabilidade no abate de uma aeronave civil e plantando um carro-bomba que feriu o reitor da universidade. Por definição, estes foram atos terroristas.”

O propósito de tais táticas terroristas era provocar a retaliação sérvia, que ajudou a alimentar o ciclo de violência. Estas táticas foram, amplamente, reconhecidas. Mesmo Madeleine Albright, cujas memórias focam, quase exclusivamente, na selvageria sérvia, brevemente, reconhece que o ELK “parecia ter a intenção de provocar uma massiva resposta sérvia, para que a intervenção internacional fosse inevitável” (ênfase acrescentada). Desnecessário dizer, esta estratégia – de atrair os sérvios para atacarem civis albaneses, e, deste modo, aumentar a pressão por intervenção externa – funcionou muito bem. Este foi, precisamente, o cenário que se desenrolou durante o período 1998-1999, levando à intervenção da OTAN e a vitória do ELK.

De há muito tem sido presumido que, por todo o conflito, foram os sérvios que haviam perpetrado a maior parte da violência. De fato, ocorreram extensos períodos quando os albaneses foram os principais perpetradores. Este ponto foi observado pelo Ministro da Defesa britânico George Robertson, durante audiências parlamentares, após o fim da guerra. Lord Robertson declarou que, até janeiro de 1999, “o ELK foi responsável por mais mortes no Kosovo do que as autoridades iugoslavas tinham sido.”

Em fases posteriores da guerra, claramente, foram os sérvios a serem os principais perpetradores da violência. Começando em janeiro de 1999, houve um substancial crescimento dos ataques sérvios, com um horroroso massacre na aldeia albanesa de Racak e outros ultrajes durante as últimas semanas desta primeira fase da guerra. E houve uma enorme escalada das atrocidades sérvias tendo lugar durante o bombardeio da OTAN – uma escalada que produziu horríveis resultados. Mesmo assim, Lord Robertson sugere que, inicialmente, foram os albaneses, não os sérvios, que cometerem as piores violências. Os diários do porta-voz de imprensa de Tony Blair, Alistair Campbell, também enfatizam o caráter amoral do ELK, e como este fato era bem conhecido entre as autoridades britânicas. De acordo com Campbell, Blair e seu ministro do exterior Robin Cook, ambos, acreditavam que o “ELK... não era muito melhor do que os sérvios.”

Talvez o mais condenatório indiciamento do ELK foi a forma como se comportou, após as forças sérvias terem sido derrotadas em junho. Seguindo-se a derrota destas últimas, os pacificadores da OTAN e da ONU, efetivamente, colocaram o ELK no poder, na maior parte do Kosovo, e as guerrilhas albanesas, prontamente, utilizaram seu novo poder para varrer, etnicamente, os sérvios, através de uma campanha de violência e intimidação.

Esta campanha de terror foi rastreada pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), e foi descrita nas memórias dos antigos funcionários da ONU, Iain King e Whit Mason:

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O verão de 1999 foi uma temporada de vingança e pura violência predatória. A OSCE coletou dezenas de histórias de horror. Um cigano surdo-mudo foi seqüestrado de sua casa, porque sua família, alegadamente, teria cooperado com as antigas autoridades [sérvias]. Um sérvio de 44 anos foi “espancado até a morte com bastões de metal por uma turba de albaneses do Kosovo”... Sérvios eram baleados e mortos enquanto trabalhavam nos campos. Estes ataques e dezenas de outros como estes foram relatados por equipes de campo trabalhando com a OSCE. Todos estes ataques ocorreram enquanto [os pacificadores] liderados pela OTAN estavam responsáveis pela segurança em Kosovo.

Entre 400 e 700 sérvios foram assassinados nos primeiros oito meses após a vitória da OTAN, de acordo com estimativas publicadas no Sunday Times de Londres. Os mortos incluíam tanto sérvios quanto ciganos. Partialmente, devido a estes ataques – que as forças da OTAN pouco fizeram para impedir – quase um quarto de milhão de sérvios, ciganos e outros desprezados grupos étnicos fugiram do Kosovo. O objetivo de longo prazo dos albaneses, de um Kosovo etnicamente “limpo”, livre de sérvios, foi conseguido em grandes áreas.

Portanto, é um mito a visão de que esta guerra foi, simplesmente, um caso de agressores sérvios e vítimas albanesas. Na realidade, ambos os lados foram muito ferozes. Obviamente, é verdade que, no todo, os sérvios cometeram mais atrocidades e limpararam etnicamente, ainda maiores populações do que o fizeram os albaneses. E, desnecessário dizer, exércitos de sérvios étnicos cometeram muitos crimes horríves em outras partes dos Bálcãs, incluindo o massacre de Srebrenica, em 1995. Mas nada disto pode desculpar os crimes do ELK, ou o fato de que a política dos Estados Unidos foi cúmplice em alguns destes crimes, através do seu apoio ao ELK. Agora, dez anos depois do fato, não devemos esconder os crimes de nenhum dos lados.

Quando a luta acabou em 1999, investigadores do Tribunal de Crimes Internacionais para a antiga Iugoslávia, procuraram investigar os crimes cometidos por ambos os lados durante a guerra. A antiga promotora-chefe no tribunal, a advogada Carla Del Ponte, descreveu os desafios que ela enfrentou, em suas memórias, recentemente publicadas. De acordo com Del Ponte, houveram repetidos ataques e ameaças de violência que foram direcionados contra qualquer um que cooperasse com as investigações internacionais das atrocidades do ELK. Fica evidente que a própria Del Ponte foi intimidada: “Alguns compatriotas suíços, até mesmo, acautelaram-me contra discutir certas questões relacionadas com os albaneses nestas memórias, e eu as discuto aqui, apenas, com extremo cuidado.”

O ELK tinha muitas outras característics desagradáveis, incluindo, associações com a al-Qaida (que possuía elementos presentes no Kosovo) e redes internacionais de narcóticos. No todo, parece justo dizer que o ELK tinha um registro apavorante.

Mito 3: Os ataques aéreos da OTAN impediram ainda mais atrocidades sérvias, e, desta forma, tiveram um efeito positivo na situação de direitos humanos no Kosovo.

De fato, a campanha de bombardeio aumentou a escala das atrocidades sérvias. Até o bombardeio, o total de pessoas mortas na guerra – incluindo, ambos, sérvios e albaneses, civis e soldados – totalizava 2 mil. O número de civis albaneses assassinados por forças sérvias nunca foi, apropriadamente, estimado, mas o total estava, provavelmente, nas centenas. Durante a campanha de bombardeio, entretanto, ocorreu uma enorme escalada na violência dirigida pelos sérvios. Estes podiam fazer pouco para protegerem-se dos ataques da OTAN, portanto, ventilaram suas frustrações sobre os relativamente indefesos albaneses.

Vamos rever a cronologia: em meados de março de 1999, estava claro que o processo de negociações estava, irremediavelmente, fracassado, e que a OTAN estava preparando-se para bombardear. Em 19 de março, a Força de Verificação do Kosovo começou a deixar a província – um sinal de que o bombardeio era iminente. No dia seguinte, 20 de março, as forças sérvias começaram uma ofensiva em grande escala no Kosovo, gerando horríveis atrocidades. E, em 24 de março, a OTAN começou, efetivamente, sua campanha de bombardeio de dez semanas, que levou a ainda maiores atrocidades sérvias. Esta cronologia sugere, fortemente, que, em si mesma, a ação da OTAN foi uma causa-chave para este incremento na violência. Deve ser notado, também, que os Chefes Combinados de Estado-Maior tinham  prevenido o presidente Clinton de que qualquer campanha de bombardeio poderia provocar ataques de retaliação sérvios e aumentar as atrocidades. Esta tinha sido antevistas.

E, quando o bombardeio, realmente, ocorreu, as forças sérvias cometeram, de fato, substanciais atrocidades: aproximadamente 10 mil pessoas foram mortas por forças de segurança sérvias durante a campanha da OTAN. Pelo fim da guerra, cerca de 90 porcento da população albanesa tinha sido deslocada. A responsabilidade moral primária deve repousar com as forças sérvias que cometeram as atrocidades, e com o próprio Milosevic, que as dirigia. Entretanto, a OTAN deve arcar com alguma responsabilidade por, insensivelmente, criar uma situação que, virtualmente, garantiu as atrocidades.

E a campanha da OTAN produziu outras calamidades: o próprio bombardeio matou entre 500 e 2 mil civis, de acordo com Tim Judah da BBC. Mesmo se ficarmos com o número inferior, então, os bombardeios da OTAN mataram, aproximadamente, tantos civis quanto todas as ações diretas sérvias, que precederam os bombardeios. A estratégia da OTAN implicava “atingir a infraestrutura civil [sérvia],” de acordo com as memórisa do general Rupert Smith, que serviu como subcomandante da OTAN durante a guerra. E, quando a guerra acabou, os albaneses desfecharam uma onda de represálias e limpeza étnica, resultando em, ainda maiores, atrocidades, como já foi notado acima.

Se a operação da OTAN buscava estabelecer o princípio de que a limpeza étnica é inadmissível como forma de resolução de conflitos, então, a operação foi uma conspícua falha.

Conclusão.

O mais perturbador aspecto do caso do Kosovo é que uma intervenção, pretensamente, humanitária, serviu, principalmente, para aumentar a escala das atrocidades. A este respeito, a guerra do Kosovo tem muito em comum com a invasão do Iraque de 2003, que também foi vendida ao público (em parte) como um esforço humanitário para “salvar” o povo iraquiano de um violento ditador. Em retrospecto, no entanto, parece provável que a invasão causou tantas ou, possivelmente, mais mortes do que o número total de mortos por Saddam Hussein. A principal lição das experiências do Kosovo e do Iraque é que ações militares – quer as chamemos de “humanitárias” ou não – retém o potencial para aumentar a miséria humana. Os advogados das intervenções humanitárias dão pouca consideração a este perigo.

Poderia valer a pena relembrar a frase médica, “primeiro, não faça nenhum mal”. Entre os médicos, de há muito foi reconhecido que a ação médica tem o potencial de deixar os pacientes piores do que antes. O fato de que um paciente está sofrendo, por si mesmo, é insuficiente como razão para operar, já que a operação acarreta o risco de aumentar o sofrimento dele. Talvez, a mesma cautela deva ser aplicada no concernente a intervenções militartes. Certamente, devemos evitar ações arriscadas que são passíveis de aumentar a taxa de mortos (como, realmente, ocorreu no Kosovo). Primeiro, devemos não fazer nenhum mal.[/size]

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David N. Gibbs leciona história e ciência política na Universidade do Arizona. Suas publicações anteriores incluem: The Political Economy of Third World Intervention (Editora da Universidade de Chicago, 1991).
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
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AC

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« Responder #341 em: Julho 06, 2009, 06:42:50 pm »
Assim à papo seco, uma coisa que me incomoda nesse texto é que cita jornalistas como fonte para números de baixas, quando há diversas (e ligeiramente divergentes) fontes mais respeitáveis...

Outra coisa é que me soa demasiado a revisionismo.
Ele tenta desacreditar 3 mitos:
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Mito 1: A OTAN começou sua campanha de bombardeio, somente após ter feito todos os esforços para evitar a guerra e obter seus objetivos no Kosovo através de meios diplomáticos. A guerra ocorreu porque Milosevic resistiu, firmemente, a um acordo diplomático.

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Mito 2: o conflito do Kosovo foi um caso, moralmente simples, de sérvios opressores e vítimas albanesas.

Citar
Mito 3: Os ataques aéreos da OTAN impediram ainda mais atrocidades sérvias, e, desta forma, tiveram um efeito positivo na situação de direitos humanos no Kosovo.


Ora, isto é uma linha de argumento falaciosa que distrai as atenções do fundamental: o facto, não referido nem disputado aqui, de que as forças armadas organizadas de um país soberano estavam envolvidas numa operação de limpeze étnica.
 

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Ataru

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« Responder #342 em: Julho 11, 2009, 02:23:21 pm »
Entretanto a Jordânia tornou-se o 61º (62º) país a reconhecer o Kosovo.
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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Ataru

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« Responder #343 em: Julho 11, 2009, 09:37:06 pm »
A República Dominicana junta-se ao lote de países que reconheceram o Kosovo, elevando a contagem para 62 (63)!
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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« Responder #344 em: Julho 14, 2009, 09:32:25 am »
mais uns 20 anos e chegam aos tais 100...
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-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas