Guerra Fria II

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Lusitano89

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Re: Guerra Fria II
« Responder #225 em: Abril 29, 2022, 06:06:04 pm »
 

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papatango

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Re: Guerra Fria II
« Responder #226 em: Maio 01, 2022, 04:00:57 pm »
É possivel que já tenha sido colocado algures ...

Movimentações finlandesas, como resultado do reposicionamento de tropas russas junto à fronteira...

« Última modificação: Maio 01, 2022, 04:02:03 pm por papatango »
https://www.youtube.com/watch?v=mtEyXAFUbC4

É muito mais facil enganar uma pessoa, que explicar-lhe que foi enganada ...
 

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Lightning

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Srgdoido

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« Última modificação: Maio 05, 2022, 09:14:43 pm por Srgdoido »
 

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Lightning

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Re: Guerra Fria II
« Responder #229 em: Maio 13, 2022, 10:28:37 pm »
A entrada da Finlândia e Suécia na NATO ainda não é um dado adquirido, falta convencer a Turquia.

https://www.dn.pt/internacional/presidente-da-turquia-opoe-se-a-entrada-de-finlandia-e-suecia-na-nato-14853498.html
« Última modificação: Maio 13, 2022, 10:28:50 pm por Lightning »
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #230 em: Maio 15, 2022, 01:04:28 pm »
O desafio mais importante para o Ocidente continua esquecido, ninguém escreve nada sobre a China.
Em cada ano que passa, a frota chinesa é aumentada de 4 navios, mais do que todas as frotas ocidentais juntas. Lenta mas inexoravelmente, o poder chinês estende os seus tentáculos pelo planeta. As ilhas Spratley que são em teoria da soberania de diversos países limítrofes, estão de facto ocupadas por milhares de pescadores chineses, apoiados pela sua já  famosa milícia marítima. Outos exemplos como o Montenegro, a Guiné Equatorial, as Salomão (e até Portugal), já foram aqui falados.

Mais depressa do que os outros, os anglo-saxões perceberam de onde vem o verdadeiro perigo e preparam-se para o confronto no Pacifico ; um dos exemplos mais recentes decisão australiana de comprar submarinos aos EUA .

Um conflito contra a Rússia vem mesmo a calhar para os chineses, imagine-se uma China intacta num planeta onde os seus maiores rivais estão feitos em cacos.

Entretanto na Europa, a Ucrânia é utilizada sem vergonha pela oligarquia americana (não confundir com o povo americano), para enfraquecer a Rússia, um dos bastiões naturais da Europa face à China. 
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #231 em: Maio 15, 2022, 02:15:57 pm »
Outra vez arroz.

Para travar a China, não é a deixar a Ucrânia ser enrabada pelos russos que se vai conseguir. Não existe correlação.
E até se pode argumentar que, ao manter os russos ocupados na Ucrânia, e idealmente saindo os invasores derrotados, o Ocidente ganha folgo no que diz respeito à China, pois não teve que se envolver directamente num conflito com a Rússia, e estancou parcialmente a ameaça russa.

E a própria Rússia já revelou que a ideia não era ficar-se pela Ucrânia. Caso invadissem a Moldávia, é porque este país também tinha sido usado pela pseudo-oligarquia americana? Pois, nessa altura inventavam um novo argumento, somente para manter a imagem de impunidade russa, Rússia esta que mente aos seus próprios soldados sobre o porquê de irem combater para a Ucrânia.

O povo ucraniano escolheu o seu presidente, incluindo muitos falantes de russo como primeira língua. Não foram "manipulados" a fazê-lo. Se fossem, certamente não se atiravam de cabeça para uma guerra que já vai longa, contra a "amigável" Rússia.
Na Bielorrússia é igual, o povo queria mudança, e não lhes foi dada essa possibilidade, devido à "mão" da Rússia. O mesmo com a Geórgia. Por alguma razão se viu militares destes dois países a combater na Ucrânia contra os "amigos" russos.

Mas até podemos fazer o paralelismo com Portugal. Vamos imaginar um cenário hipotético, em que um qualquer ditador no poder, era financiado pelo Putin, e um movimento pró-Democracia, estava a ser financiado pelo Ocidente: que juízo de valor se faz disto? É o Ocidente que está errado por apoiar a democratização de Portugal (que o próprio povo quer, mas é oprimido) ou é a Rússia que está errada por financiar o seu fantoche? Dá que pensar.

Voltando à China, volto a repetir: o Ocidente baixar as calças para os russos não ia impedir a China de tentar atingir os seus objectivos. A Europa não podia ficar à mercê da Rússia, porque bastava uma mudança nos interesses destes, para ficarmos com as calças na mão. Neste momento, o único "rival" da China que está em cacos, é precisamente a Rússia, estando os restantes relativamente intactos do ponto de vista militar (leia-se Japão, EUA e Índia), e com cada vez mais países a "abraçarem" a ideia de que o mundo mudou, e já não é tão pacífico como se julgava, e começam a investir nas suas Forças Armadas.

O que o Ocidente tem de fazer é:
-reduzir a dependência energética da Rússia
-reduzir a dependência económica da China
-reforçar laços com diversos países de outros continentes, para travar a expansão chinesa (bases militares por exemplo)*
-investir na sua Defesa**

*Portugal, com bons laços com países africanos e o Brasil, tem potencial para ser um facilitador nisto. Convém é que o papel de Portugal seja de facilitar ligações, e não de financiar os "amigos" como se sucede actualmente
**Portugal sendo um dos elos mais fracos na Europa, sendo mais um fardo que outra coisa, tem que pensar seriamente nisto
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #232 em: Maio 15, 2022, 04:19:51 pm »
DC
-reduzir a dependência económica da China
-reforçar laços com diversos países de outros continentes, para travar a expansão chinesa (bases militares por exemplo)*
-investir na sua Defesa**

*Portugal, com bons laços com países africanos e o Brasil, tem potencial para ser um facilitador nisto. Convém é que o papel de Portugal seja de facilitar ligações, e não de financiar os "amigos" como se sucede actualmente
**Portugal sendo um dos elos mais fracos na Europa, sendo mais um fardo que outra coisa, tem que pensar seriamente nisto


Concordo com estas linhas que escreveu.

Quanto à Russia, penso que as coisas foram mal feitas desde o principio, agora não sei no que vai dar, as coisas estão mesmo muito feias para todos... exceto para o pequeno grupo de oligarcas americanos (tipo filhos do Biden e da Pelosi) que se apropriaram das principais empresas ucranianas. O Zelenski não é um democrata, ilegalizou 11 partidos, só existe o partido dele e os ultra-nacionalistas ; esta criatura horrenda não é uma referencia.
Mantenho que a Rússia também faz parte da Europa e é uma vasta região que dispõe de recursos que fazem falta à Europa ; não sou eu que o digo, recordo as ideias de Adenauer e de Charles de Gaulle que, estes sim, são uma referencia.

Falemos de princípios.
 A "malta" é contra a invasão de países soberanos, este principio concerne não só a Ucrânia como todos os países soberanos que foram invadidos e ocupados, certo ?
Porque diabo havemos de arriscar uma guerra com a Russia por causa da Ucrania quando ninguem se mexeu quando o Iraque (entre outros) foi invadido com o pretexto de uma mentira ? Alguém se mexeu quando centenas de milhar de civis líbios ou iraquianos foram impiedosamente bombardeados e exterminados ? 
Se a Ucrania cessar os combates tal como aconteceu no Afeganistão ou no Iraque, a sua luta pode continuar de uma outra forma, evitando assim os horríveis massacres que estão a acontecer neste momento e sobretudo afastar a ameaça de uma guerra nuclear.

Ainda sobre a China, é sobre esta que quero escrever ; esta faz jogo duplo, se houver um conflito com a Russia, eles so se mexem no final, quando estiver tudo partido ; eles serão os unicos vencedores. Asseguram apoio à Russia para os confortar mas, se as coisas derem para o torto, eles ficarão a observar, esperando o momento certo para tratarem de Taiwan e, de certeza não se contentam com esta ilha.
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #233 em: Maio 16, 2022, 01:27:58 pm »
Eu não nego que possa haver movimentos nos bastidores, mas esta guerra não se sucedeu por causa disso. Sucedeu-se porque os russos tiveram mais olhos que barriga, e acharam que podiam atropelar a Ucrânia, que a dependência da restante Europa da sua energia, lhes garantia impunidade. A guerra está a sair cara a todos, à excepção de algumas empresas de armas, de comida (nomeadamente a usada nas rações) e do petróleo (devido aos aumentos dos preços).

Quanto ao Zelensky, não o tomo como exemplo. Mas merece crédito por se ter mantido em Kiev mesmo após a invasão, outros líderes mundiais teriam fugido. Já os partidos que foram ou não "ilegalizados", ali é tudo muito turvo, e difícil formar opinião sobre o assunto, mas se apenas restaram os partidos do Zelensky e os ultranacionalistas (dois partidos completamente pró-Ucrânia), já podemos tirar ilações de que partidos foram "ilegalizados", muito provavelmente os pró-Rússia, minados de corruptos e vendidos. É uma situação complicada, quando há um vizinho a manipular qualquer tentativa de eleições democráticas, de forma a que ganhe sempre um partido que lhe convém.

A questão dos outros países invadidos, esses países eram governados por ditadores, que chacinavam a oposição. O povo gostava tanto deles, que de um derrubaram a estátua e o outro teve o seu corpo a ser usado como bola de futebol nas ruas. O problema é, quando sai um ditador do poder, existem outras forças, internas e/ou externas, com cobiça pelo lugar e os recursos do país.

Já as mentiras proferidas, as da Casa Branca sempre fizeram mais sentido, do que as da Rússia. Qual é mais credível: Zelensky ser um Judeu Nazi, ou o psicopata do Saddam usar armas químicas contra civis? Eu sei em qual votava.

As mortes de civis, são infelizes, mas convém analisar caso a caso. Às vezes fala-se num civil morto por um ataque de drone, como se o drone andasse à caça de civis. Mas não é assim. Isto não quer dizer que não haja casos aqui e ali, em que indivíduos ou grupos de indivíduos tenham cometido crimes de guerra, matando civis sem justificação. Mas a tendência, pelo menos no Ocidente, tem sido aumentar a precisão das armas, e reduzir danos colaterais, com armas a serem desenhadas para isso, e outras tantas a serem banidas de todo. Os russos, tanto mataram civis nesta guerra acidentalmente, como propositadamente, e pessoalmente, julgo estes últimos. Convém também definir "civil": um civil que se encontra a reparar um blindado numa garagem, corre o risco de ser morto caso esse tanque seja atacado, e um civil com uma AK ou um RPG, deixa de ser um civil.

Ninguém nega os recursos naturais valiosos da Rússia. Mas também não podemos negar que, mesmo que fingíssemos que o Putin era um gajo porreiro e pacífico, nada nos garantia que para o seu lugar não surgia um muito pior. Como vimos, depender de um só país, é um erro grave, que não nos podemos dar ao luxo de correr novamente. Uma Rússia democrata e menos hostil com a vizinhança, talvez seja uma Rússia que valha a pena criar laços, com as devidas reservas, mas actualmente, é impensável. Cometeu-se esse erro com a China "são porreiros e os serviços são baratos, depender economicamente deles não terá qualquer problema", e afinal...

A China é ameaça clara. Mas a ajuda dada à Ucrânia serve de aviso, para que a China perceba que, se tentar invadir algum vizinho (não só Taiwan), é bem provável que o Ocidente dê apoio semelhante a esses países.
E a "guerra fria II", não se fica por aqui. Temos a questão das Coreias, MO, possíveis disputas no Norte de África, possíveis conflitos no Leste da Europa...
 

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Viajante

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Re: Guerra Fria II
« Responder #234 em: Maio 16, 2022, 03:02:44 pm »
Se há algo que julgo que a maioria já interiorizou, é de que as dependências externas devem ser muito bem ponderadas, sejam elas quais forem!
Nós próprios já tivemos essa triste experiência em 2011, com a crise de dívidas, que foi mais grave em Portugal, porque...... dependemos mais do que outros do capital externo!
Vimos o que essa dependência excessiva provoca quando as coisas correm mal!

Em 2020 vimos o disparate que foi desindustrializarmos a Europa, só porque a indústria pului! É verdade que polui, mas depois ficamos totalmente dependentes dos chineses em quase tudo, desde máscaras, luvas, testes covid19, máquinas ECMO....... vejam bem onde é tudo produzido! (excepto o nosso visionário PM que diz que devemos apostar no turismo..... gostamos de ser serviçais dos outros........ e o turismo até nem paga mal...... ao dono do Hotel e ao Director, o resto é corrido a salário mínimo!!!!

Agora em 2022, quem aprendeu a lição foram os países do leste, mas principalmente quem abriu os olhos foi a Alemanha. A dependência energética pode pagar-se muito caro, a todos os níveis!!!!!

Resumindo, só nestes 12 a 15 anos vimos os efeitos devastadores que criam estas 3 dependências:
- Financiamento da dívida pública (o Japão por exemplo tem uma dívida elevada, mas os donos desta são os próprios japoneses, logo não existe qualquer problema!!!!);
- Indústria;
- Energia;

E podíamos continuar por aí a fora, alimentar, etc.

Em relação ao perigo chinês para o mundo, eu já escrevo isso aqui desde o início que escrevo por aqui à 5 ou 6 anos!
Recordo-me de uma notícia que coloquei aqui, pelo facto da China estar a construir 10 navios de tonelagem igual a fragata ou superior, todos os anos!!!!!!
E de um modo geral já todos escrevemos por aqui do perigo da china, porque ao contrário da Rússia, a China tem uma economia quase 20 vezes maior que a da Rússia! E esta está a anos luz à frente da Rússia, tecnologicamente falando!

Em relação à Rússia, todos perceberam, sejam os aliados sejam os adversários, de que a suposta força militar caíu a pique e vai caír mais e fica apenas a dissuasão nuclear!!!!!
Esta desconfiança gerada pelos Russos em toda a gente vai demorar muito tempo a sarar e só vejo que seja possível reparar parte dos estragos feitos, se existir uma mudança de regime. Todos as lapas no poder na Rússia já têem uma idade muito avançada e ou saiem pelo pé, ou algum chá mais indigesto e caiem do trono!!!!! Não vejo futuro nenhum neste regime Russo!!!!
« Última modificação: Maio 16, 2022, 03:12:37 pm por Viajante »
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #235 em: Maio 16, 2022, 04:13:06 pm »
Citar
O Zelenski não é um democrata, ilegalizou 11 partidos, só existe o partido dele e os ultra-nacionalistas ; esta criatura horrenda não é uma referencia.
Na Ucrânia existem centenas de partidos registados. Os 11 partidos ilegalizados apoiavam abertamente a agressão russa. Desses só dois tinham assento parlamentar. Num parlamento saído de eleições em 2019 com 450 lugares detinham 49 cadeiras. Gostaria de perceber se numa eventual invasão do território português, deveríamos manter um partido pró-invasão activo no enquanto decorria a guerra?

Citar
Mantenho que a Rússia também faz parte da Europa e é uma vasta região que dispõe de recursos que fazem falta à Europa ; não sou eu que o digo, recordo as ideias de Adenauer e de Charles de Gaulle que, estes sim, são uma referencia.
Adenauer nunca reconheceu o governo fantoche da RDA nem a fronteira no Oder-Neisse. Rejeitou a reunificação com a RDA em 1952 para contrariar a os esforços de Estaline de quebrar a aliança ocidental. Adenauer representa o contrário das suas ideias de apaziguamento da Rússia. Uma coisa é reconhecer o poderio russo e querer manter boas relações com a Rússia. Outra é ceder às pretensões de ditadores que têm o intuito de destruir as nossas instituições.

Citar
Falemos de princípios.
 A "malta" é contra a invasão de países soberanos, este principio concerne não só a Ucrânia como todos os países soberanos que foram invadidos e ocupados, certo ?
Porque diabo havemos de arriscar uma guerra com a Russia por causa da Ucrania quando ninguem se mexeu quando o Iraque (entre outros) foi invadido com o pretexto de uma mentira ? Alguém se mexeu quando centenas de milhar de civis líbios ou iraquianos foram impiedosamente bombardeados e exterminados ? 
Se a Ucrania cessar os combates tal como aconteceu no Afeganistão ou no Iraque, a sua luta pode continuar de uma outra forma, evitando assim os horríveis massacres que estão a acontecer neste momento e sobretudo afastar a ameaça de uma guerra nuclear.
Falemos então de príncipios.
O que não faltaram foram pessoas a protestar contra a guerra do Iraque um pouco por todos os países ocidentais. Ainda hoje Blair, Bush, Aznar são vistos por grande parte da comunidade internacional como criminosos. Além disso, uma boa parte dos que condenaram a invasão do Iraque também condenam a invasaõ da Ucrânia. Isso é mostrar principios. Fazer whataboutism reles não é ter principios, é simplesmente tentar atingir fins velados.
Citar
Se a Ucrania cessar os combates tal como aconteceu no Afeganistão ou no Iraque, a sua luta pode continuar de uma outra forma, evitando assim os horríveis massacres que estão a acontecer neste momento e sobretudo afastar a ameaça de uma guerra nuclear.
Depois da conquista desses países, a carnificina aumentou e nem sequer havia uma intenção dos EUA em erradicar os povos desses países. Depois da tomada de várias regiões na Ucrânia, os desaparecimentos e mortes de pessoas não pararam. A tortura não parou. E quando os russos falam abertamente nos principais canais da TV russa na erradicação não só do país ucraniano, mas também da identidade ucraniana num país com 44 milhões de habitantes cuja vasta maioria se revê como tal, podemos esperar uma matança ao nível dos tempos soviéticos.

Citar
Ainda sobre a China, é sobre esta que quero escrever ; esta faz jogo duplo, se houver um conflito com a Russia, eles so se mexem no final, quando estiver tudo partido ; eles serão os unicos vencedores. Asseguram apoio à Russia para os confortar mas, se as coisas derem para o torto, eles ficarão a observar, esperando o momento certo para tratarem de Taiwan e, de certeza não se contentam com esta ilha.
Caso não tenha reparado a China e a Rússia apesar de não terem uma aliança formal, têm no entanto ambos o objectivo de minar as instituições ocidentais e apoiam-se mutuamente nesse intuito. Por isso é que Putin foi à China antes da invasão da Ucrânia. Por isso é que a propaganda chinesa tem apoiado os russos e atacado a NATO.
Por isso, o enfraquecimento da Rússia é uma mais valia não só imediata para o Ocidente, mas também numa futura confrontação com a China. Além de que envia um sério aviso para a China.
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #236 em: Maio 17, 2022, 01:51:16 am »
Estive a ler com atenção as respostas que se seguiram ao meu comentário.

DC : eu vou escrever, como é meu habito de uma forma direta e resumida, se leres muito depressa como é teu habito, não me vais perceber.
Tu tal como eu,  sabemos fazer a diferença entre o bem e o mal. Estas questões que estamos aqui a falar não devem ser encaradas da mesma forma que um adepto encara o seu clube de futebol. Nem eu nem ninguém pode justificar as asneiras que foram cometidas no passado para justificar as asneiras que estão a ser feitas hoje. As invasões do Iraque e do Afeganistão, os bombardeamentos da Líbia e da Sérvia foram tão errados como o é a invasão da Ucrânia. O único critério verdadeiro é diabólico : o controlo dos recursos.
Nos casos do Iraque, da Líbia ou da Síria, o verdadeiro interesse é...sabes qual é, não é verdade ?
 
Não preciso de dizer que, para além de militar em vários TOE, também fui responsável de segurança numa empresa de petróleo na vida civil, num pais arabe. ...e não preciso de o dizer porque tu, DC, com o teu percurso, a tua capacidade de analise, o teu acesso à informação, não precisas de sair de casa para chegar à mesma conclusão que eu.  Os regimes e a liberdade das pessoas não contam para esta gente ; o que conta é o lucro, é o petróleo, é o controlo das vias de aprovisionamento, são os mercados.
Para o bem e para o mal, penso que tu e eu estamos do mesmo lado ; o que é que te impede de assumir que por vezes a nossa equipa também comete erros grosseiros ? 
Eu queria, acho que não consigo, falar sobre a China. A conversa derrapa sempre para a Ucrânia. Tentarei noutro dia :)

Viajante :  como quase sempre : exelente !!   :)

Lusitan : ainda estou chateado contigo por isso não te respondo  :)
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Re: Guerra Fria II
« Responder #237 em: Maio 17, 2022, 05:15:55 am »
Infelizmente para nós, europeus, tal como já disse aí noutro tópico, toda e qualquer esperança de conter eficazmente a China foi-se em 19-02-2022. Nem me vou alongar, já percebi que não vale a pena, mas a linha base era, não se contem a China empurrando a Rússia para os seus braços. Quando antes da invasão, Putin e Xi aparecerem lado a lado para uma foto após a sua reunião, naquela foto estava tudo dito e era uma simples frase "Acabou". E acabou mesmo, agora é simplesmente fazer o controlo de danos pois os russos decidiram que a Europa (UE) vale zero, e é para ser tratada e reduzida a isso mesmo. Cegueira, cegueira completa dos politicos merdosos que despejamos em Bruxelas porque não os queriamos nos nossos países, Borrel's e Lda. palhaços completos!!!!
 
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Re: Guerra Fria II
« Responder #238 em: Maio 17, 2022, 09:42:42 am »
Estive a ler com atenção as respostas que se seguiram ao meu comentário.

DC : eu vou escrever, como é meu habito de uma forma direta e resumida, se leres muito depressa como é teu habito, não me vais perceber.
Tu tal como eu,  sabemos fazer a diferença entre o bem e o mal. Estas questões que estamos aqui a falar não devem ser encaradas da mesma forma que um adepto encara o seu clube de futebol. Nem eu nem ninguém pode justificar as asneiras que foram cometidas no passado para justificar as asneiras que estão a ser feitas hoje. As invasões do Iraque e do Afeganistão, os bombardeamentos da Líbia e da Sérvia foram tão errados como o é a invasão da Ucrânia. O único critério verdadeiro é diabólico : o controlo dos recursos.
Nos casos do Iraque, da Líbia ou da Síria, o verdadeiro interesse é...sabes qual é, não é verdade ?
 
Não preciso de dizer que, para além de militar em vários TOE, também fui responsável de segurança numa empresa de petróleo na vida civil, num pais arabe. ...e não preciso de o dizer porque tu, DC, com o teu percurso, a tua capacidade de analise, o teu acesso à informação, não precisas de sair de casa para chegar à mesma conclusão que eu.  Os regimes e a liberdade das pessoas não contam para esta gente ; o que conta é o lucro, é o petróleo, é o controlo das vias de aprovisionamento, são os mercados.
Para o bem e para o mal, penso que tu e eu estamos do mesmo lado ; o que é que te impede de assumir que por vezes a nossa equipa também comete erros grosseiros ? 
Eu queria, acho que não consigo, falar sobre a China. A conversa derrapa sempre para a Ucrânia. Tentarei noutro dia :)

Viajante :  como quase sempre : exelente !!   :)

Lusitan : ainda estou chateado contigo por isso não te respondo  :)
Legionário,

Peço desculpa pela minha reação no outro dia. Mas foi um transbordar de emoções resultante do facto de ter feito pouco de uma situação em que familiares e amigos meus estão sob ocupação ou a lutar na Ucrânia.
Tenho de momento duas pessoas em minha casa e mais 2 em casa de familiares cá em Portugal.
Para mim a guerra na Ucrânia não é uma situação hipotética. Mesmo a 4000km de distânica sinto as consequências dela directamente. Para mim o problema não é se pago mais 20centimos pela gasolina, para mim o problema é como fazer chegar medicamentos à zona ocupada. Para mim o problema não é pagar mais pela massa, é como é que pessoas que ficaram sem o dinheiro da pensão na zona ocupada têm dinheiro para comprar comida. Para mim o problema não é não haver bunkers num possível ataque nuclear, mas sim explicar a idosos como se proteger em caso de combates de artilharia na sua zona.
Para mim trata-se da sobrevivência dos meus perante uma agressão injustificada. E penso que você, tal como eu, não reagiria bem se alguém gozasse com uma situação em que a sua familia está em perigo de vida.
 
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« Responder #239 em: Maio 17, 2022, 01:36:27 pm »
DC : eu vou escrever, como é meu habito de uma forma direta e resumida, se leres muito depressa como é teu habito, não me vais perceber.
Tu tal como eu,  sabemos fazer a diferença entre o bem e o mal. Estas questões que estamos aqui a falar não devem ser encaradas da mesma forma que um adepto encara o seu clube de futebol. Nem eu nem ninguém pode justificar as asneiras que foram cometidas no passado para justificar as asneiras que estão a ser feitas hoje. As invasões do Iraque e do Afeganistão, os bombardeamentos da Líbia e da Sérvia foram tão errados como o é a invasão da Ucrânia. O único critério verdadeiro é diabólico : o controlo dos recursos.
Nos casos do Iraque, da Líbia ou da Síria, o verdadeiro interesse é...sabes qual é, não é verdade ?
 
Não preciso de dizer que, para além de militar em vários TOE, também fui responsável de segurança numa empresa de petróleo na vida civil, num pais arabe. ...e não preciso de o dizer porque tu, DC, com o teu percurso, a tua capacidade de analise, o teu acesso à informação, não precisas de sair de casa para chegar à mesma conclusão que eu.  Os regimes e a liberdade das pessoas não contam para esta gente ; o que conta é o lucro, é o petróleo, é o controlo das vias de aprovisionamento, são os mercados.
Para o bem e para o mal, penso que tu e eu estamos do mesmo lado ; o que é que te impede de assumir que por vezes a nossa equipa também comete erros grosseiros ? 
Eu queria, acho que não consigo, falar sobre a China. A conversa derrapa sempre para a Ucrânia. Tentarei noutro dia :)

Curioso que acusa de ter lido à pressa, mas o senhor é que aparentemente leu à pressa o que eu disse.  :mrgreen:
As invasões do Iraque e Afeganistão foram consideravelmente diferentes. Se a do Iraque foi pelos recursos, usando o ditador psicopata do Saddam como pretexto (que apesar da acusação não representar a verdade, ele era de facto um ditador que chacinava a própria população), a do Afeganistão assentou acima de tudo na vingança contra os ataques do 11 de Setembro. Convém esclarecer esta diferença.
Quanto à ex-Jugoslávia, quem começou a armar barraca foram os sérvios, que não aceitavam a independência dos restantes países. A partir daí, não adianta tentar atirar as culpas para todos, menos os próprios. Nesta mesma Sérvia, ainda vão surgindo tensões com o Kosovo.
Na guerra da Síria, podemos descortinar desde logo um culpado, o Bashar al-Assad, mais do que qualquer outra influência externa. Isto não refuta que não haja interesses externos na matéria, mas já chega de desculpabilizar ditadores loucos.
Na Líbia idem.

Os EUA já sabemos que dia sim, dia não, invadem um país por causa do petróleo. No entanto, têm ali pertinho um país bem mais fácil de invadir, a Venezuela, com petróleo. Se fossem os malucos invasores, tal é a fama que têm, já tinha invadido, mas porque não o fizeram? Temem as forças armadas daquele país?  ::)

Existe claramente um problema na atribuição de culpas: parece que para alguns, os ditadores psicopatas assassinos, saem sempre impunes, assim que um país estrangeiro (do Ocidente) larga uma bomba que seja nas suas forças militares.

Mais uma vez, há sempre cobiça por recursos naturais, mas isto não se resume aos culpados do costume. Praticamente todos os países do mundo, com um mínimo de história, tiveram/têm cobiças desse género. A grande diferença, é que nos dias de hoje, poucos têm capacidade de andar a invadir outros países, outros regem-se pelas alianças de que fazem parte, ou das consequências internacionais de uma invasão. Andar a achar que, num cenário hipotético, sem NATO, sem ONU, e se Portugal tivesse recursos naturais valiosos ao longo da costa, Espanha, com uma liderança mais ou menos maluca, não nos iria invadir, ou no mínimo manipular referendos para independência das regiões com grandes reservas de petróleo... é uma ilusão mesmo.

Voltando ao tema China, a conversa derrapa para a Ucrânia, porque tentam sempre pegar neste conflito, como argumento.
A realidade é bem diferente do que os pró-Rússia vêm debitar. Não, a UE não empurrou a Rússia para a China, é a Rússia que gosta de jogar nas duas ligas, querendo aproveitar-se da boa vontade da Europa, e ao mesmo tempo ter a China como contra-peso. Invadiram a Ucrânia a achar que devido à dependência europeia da sua energia, e à narrativa de que "a Europa não pode empurrar a Rússia para a China", não se ia fazer nada, e os russos iam poder fazer o que queriam da Ucrânia, e restantes vizinhos. Afinal, o plano do Putin não correu como planeado, e agora teve de se virar para a China. De notar que o plano do Putin era ter a Europa dependente da sua energia, ao mesmo tempo que andava de mão dada com a China. Para eles não havia intenção de se tornarem exclusivos a um dos lados.