Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #45 em: Janeiro 03, 2020, 07:14:27 pm »
O orçamento em si não é mau, se formos a fazer uma comparação directa com todo o orçamento da LPM para 12 anos. O problema é que destes 2445 milhões, apenas uma fracção irá para a modernização dos ramos (os tais 315 milhões para "procurement"?). Sendo este o caso, para que serão os restantes 1.5 mil milhões? Salários, manutenção, etc?

dc como chegas aos 1.500 milhões para salários e mnt etc, se a percentagem do orçamento da defesa relegada só para o pessoal é de 80% ?
Se esta percentagem estiver correcta,  valor correspondente aos 80% é de 1.956 milhões um absurdo para um efectivo de 23.000 elementos , fixando-se um valor per capita superior a €75.000/homem/mulher/ano.
sabendo nós que a classe de Praças representa 50% do total, e sabendo nós o que auferem mensalmente, então, os outros 50% auferem o remanescente o que é demasiado, muito mesmo, para 11.500 oficiais e sargentos.

https://www.dn.pt/poder/meta-de-2-do-pib-em-2024-implica-gastar-mais-de-4-mil-milhoes-anuais-em-defesa-9574390.html

Note-se que cada décima do PIB será maior a cada novo ano, à luz das previsões do FMI sobre o crescimento da economia portuguesa: 3,4% do PIB em 2019 (para 207,6 mil milhões de euros), 3,2% em 2020 (214,3 mil milhões) e 2,9% em cada um dos três anos seguintes (atingindo os 233,6 mil milhões em 2023) - pelo que o orçamento da Defesa em 2024 ultrapassará os 4 mil milhões de euros.

Contudo, mantém-se "um desequilíbrio financeiro brutal" entre as suas três rubricas principais: 80% para pessoal, 11% para investimento (os cerca de 275 milhões de euros inscritos na Lei de Programação Militar) e apenas 9% para operação e manutenção das Forças Armadas, lamentou uma alta patente ao DN.


Mas o mais grave é que nem sequer os 275 milhões alocados ao investimento saem do Orçamento da Defesa, pois vem da LPM.
Portanto o orçamento da defesa é composto apenas por duas rubricas, pelos tais 80% + os 9% para operação e manutenção das Forças Armadas , ou seja ficam tais 11% para investimento, em lugar incerto. Se da LPM chegam á defesa 275 milhões, no entanto, esses mesmos 11% relativamente ao orçamento da defesa representam 268 milhões, que ao fim e ao cabo desaparecem do orçamento senão vejamos:

1.956 milhões + 220 milhões ( os 9%) = 2.176 milhões + os 275 milhões da LPM = 2451 milhões
Onde ficam os 269 milhões que são os 11% que sobram do Orçamento da Defesa, 2445 - 2176 = 269 milhões ???

Abraços
« Última modificação: Janeiro 03, 2020, 07:46:24 pm por tenente »
 

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #46 em: Janeiro 03, 2020, 09:59:15 pm »
Estes orçamentos são não só confusos como nada transparentes. E quem vê um orçamento destes, em que 80% vai para salários e regalias, pensa que os nossos militares ganham o mesmo que o PR, o que é totalmente mentira. Mas já era mais que óbvio que os oficiais levavam com uma grande percentagem do orçamento, só não sabia que, comparativamente, era assim tanto. E isto na prática explica como é que vai muito dinheiro para as FA, mas pouco dele gera melhorias qualitativas tanto a nível de equipamentos como de estabelecimentos.

O orçamento em si não é mau, se formos a fazer uma comparação directa com todo o orçamento da LPM para 12 anos. O problema é que destes 2445 milhões, apenas uma fracção irá para a modernização dos ramos (os tais 315 milhões para "procurement"?). Sendo este o caso, para que serão os restantes 1.5 mil milhões? Salários, manutenção, etc?

dc como chegas aos 1.500 milhões para salários e mnt etc, se a percentagem do orçamento da defesa relegada só para o pessoal é de 80% ?

Eu estava apenas a somar as verbas destinadas à Força Aérea, Exército e Marinha, que dá perto de 1500 milhões. E é aqui que rege a minha dúvida, estes 1500 milhões especificados para os 3 ramos (ignorando os restantes valores anunciados na notícia da Janes), representam o quê concretamente. Não me interessa a percentagem do PIB, simplesmente quero saber a realidade daqueles valores para cada ramo, o que representam, se é só salários e afins.
 


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tenente

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #48 em: Outubro 13, 2020, 07:49:45 am »
Aumento em 20 milhões ?????
Ridiculo !
Vamos ver durante quantos anos é que os helis de evakuação e o MLU das BD e das VdG serão mencionados nos OE's da Defesa.


Reforçar e modernizar as capacidades das Forças Armadas, apostando em equipamentos de duplo uso e em programas conjuntos. Há um crescimento efetivo de investimento financiado pela Lei de Programação Militar de 20 milhões de euros, graças à revisão concluída em 2019 e aprovada pela Assembleia da República com o mais amplo consenso de sempre. E é um Orçamento que prepara as Forças Armadas para os desafios da década 2020-2030. A título de exemplo, prevê-se a entrega de viaturas Táticas Ligeiras Blindadas 4×4, a modernização de meia-vida das fragatas e helicópteros de evacuação.

Assegurar o papel de Portugal como contribuinte de segurança internacional, garantido que as Forças Armadas estarão presentes onde os interesses vitais de Portugal e os seus compromissos internacionais o determinarem. Prevê-se para as Forças Nacionais Destacadas um orçamento total de 71 milhões de euros, mais 3 milhões do que no ano passado.

Valorizar aqueles que escolheram servir Portugal. As despesas com o pessoal têm um peso no orçamento consolidado de 46,1%. Reforça as verbas associadas à Ação Social Complementar, em 1 milhão de euros, passando de 8,5 para 9,5 milhões de euros, o que representa um aumento de 11,55%. De um orçamento de 5,5 milhões de euros em 2019 passa para 9,5 milhões de euros em 2021, um aumento nestes 2 anos 72,73%. Este facto evidencia um compromisso claro na Ação Social Complementar: uma assistência fulcral aos que mais precisam nas seguintes áreas: apoios à infância, aos estudantes e à terceira idade, no apoio domiciliário, nos centros de férias e de repouso e na habitação social. A saúde (hospitais e clínicas) regista um investimento de 36,1 milhões de euros.

Reforçar a participação das Forças Armadas em atividades de apoio às populações, com particular destaque para a gestão dos meios aéreos de combate aos incêndios rurais, cujo comando e gestão já tinham passado para a FAP no início de 2019.

Apostar na indústria nacional, promovendo o seu esforço de inovação, dedicando 25,9 milhões de euros às indústrias transformadoras.

https://oe2021.gov.pt/areas-governativas/defesa-nacional/

Abraços
« Última modificação: Outubro 13, 2020, 07:51:22 am por tenente »
 

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #49 em: Outubro 13, 2020, 08:10:09 am »
Pág 187 e seguintes do PDF, os mapas não os coloquei aqui

Dinamizar a componente externa da defesa nacional Em 2021, a defesa nacional estará ativamente envolvida na Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, promovendo uma reflexão sobre a dimensão de segurança marítima, assim como sobre as missões da União Europeia; o reforço dos mecanismos de articulação entre mecanismo de proteção civil e militares na resposta a riscos como pandemias; e o reforço da cooperação com a NATO, incluindo na resposta a ameaças híbridas e emergências complexas, contribuindo para a segurança europeia e nacional.

As Forças Armadas continuarão a estar onde o País, os seus interesses vitais e os seus compromissos internacionais o determinem, cumprindo as missões que se considerem proporcionais e compatíveis com as prioridades de segurança e com a afirmação do papel de Portugal no Mundo.
Para além da manutenção das relações bilaterais e da prossecução dos acordos e programas-quadro nesta área, o Governo promoverá um esforço de renovação da cooperação no domínio da defesa, concorrendo para a eficácia e a unidade da política externa portuguesa. Valorizará ainda os fóruns de diálogo político europeus e regional, tirando partido da capacidade nacional de interlocução com diferentes espaços regionais e com especial relevo para iniciativas em torno do Mediterrâneo e na relação com África.
Continuará a ser dada prioridade ao desenvolvimento de projetos com valor multiplicador e relevo internacional, como é a edificação do Atlantic Center ou a criação do Centro Multinacional de Treino de Helicópteros (MHTC).

Quantificação das medidas e fontes de financiamento

O Programa Orçamental da Defesa evidencia o total da despesa de 2422,8 milhões de euros e de receita 2427,6 milhões de euros, como demonstra a Conta do Programa Orçamental, sendo também apresentados os encargos associados às medidas do Programa.

A despesa total consolidada do Programa tem origem sobretudo no financiamento por Receita de Impostos (1846 milhões de euros), representando 76,2%,sendo ainda de referir as receitas próprias com 13,6% (330,5 milhões de euros). Na estrutura da receita por classificação económica destacam-se as vendas de bens e serviços, com 6,3%, e as vendas de bens de investimento, com 1,9%. As receitas de vendas de bens e serviços assentam sobretudo na EPR - Arsenal do Alfeite, com uma previsão de 41 milhões de euros, resultante do financiamento previsto por fundos europeus para investimentos no estaleiro e dos serviços de reparação naval prestados à Marinha Portuguesa.

Na receita da vendas de bens de investimento salienta-se a decorrente do contrato de alienação das cinco aeronaves F-16 ao Estado romeno no âmbito da RCM nº 174/2019, de 8 de outubro.
 
Na estrutura da despesa total consolidada por classificação económica destacam-se as despesas com o pessoal, com 46,5%, aquisição de bens e serviços, com 30,8%, e o investimento, com 16,6%.
Para as despesas com pessoal têm maior expressão os Ramos das Forças Armadas ( 1040 milhões de euros)
. Importa ainda realçar a despesa da dotação específica afeta às Pensões de Reserva de cerca de 85 milhões de euros inscrita nos orçamentos dos Ramos das Forças Armadas.

As despesas com aquisição de bens e serviços ascendem a 747,1 milhões de euros.

Destaque ainda para as intervenções previstas na Lei de Programação Militar (103 milhões de euros), designadamente os contratos de locação das aeronaves C-295, manutenção dos Helicópteros EH101, sustentação das aeronaves KC-390 e a regeneração dos motores das aeronaves F-16 e ainda à locação de meios aéreos no âmbito do DECIR - Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (44 milhões de euros).

O investimento ascende a 401,8 milhões de euros, dos quais 226,8 milhões de euros se enquadram no âmbito da Lei de Programação Militar (LPM), em que se destaca o programa de aquisição das aeronaves militares de transporte estratégico KC-390, e a construção de dois navios de patrulha oceânica.

Na distribuição da despesa por dotação específica, verifica-se que apresenta maior peso a dotação com a Lei de Programação Militar, com 335 milhões de euros, dos quais 182,5 milhões de euros são da responsabilidade dos Ramos das Forças Armadas e 141,5 milhões de euros da DGRDN, onde estão orçamentados programas estruturantes.

De destacar o aumento de 20 milhões de euros na dotação da Lei de Programação Militar, conforme previsto na Lei Orgânica nº 2/2019, de 17 de junho
.
A dotação com Encargos com Saúde, que enquadra as despesas com a Assistência na Doença dos Militares (ADM), decresce face à estimativa de 2020, considerando o cumprimento em 2020 do Memorando de Entendimento para o Equilíbrio Financeiro do Instituto da Ação Social das Forças Armadas. Acresce ainda relevar a dotação de 22 milhões de euros decorrente da programação da Lei de Infraestruturas Militares, Lei Orgânica n.º 3/2019, de 3 de setembro.

No Programa da Defesa, a medida 007 – Defesa Nacional - Forças Armadas representa 71,5% da despesa total não consolidada, da qual se destacam os orçamentos dos Ramos das Forças Armadas, com 1469 milhões de euros, seguindo-se a medida 005 – Defesa Nacional - Administração e Regulamentação, com 399,3 milhões de euros, representando 16,1%. De salientar ainda a medida 014 - Segurança e Ordem Públicas – Proteção Civil e Luta Contra Incêndios, que contempla a dotação de 49 milhões de euros no orçamento da Força Aérea para a despesa, com a locação dos meios aéreos de combate a incêndios no âmbito do DECIR.

https://static-storage.dnoticias.pt/www-assets.dnoticias.pt/documents/proposta-orcamento-estado-2021-20201012-220357_1.pdf

Abraços
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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #51 em: Outubro 13, 2020, 11:39:40 pm »
Isto é uma anedota. A começar por boa parte do investimento do orçamento de 2021 ir para aeronaves que só entram ao serviço em 2023 (e com muitos se's).
E ainda me pergunto como é que a despesa com pessoal é assim tão elevada.
 

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #52 em: Outubro 14, 2020, 11:16:27 am »
A minha ideia é que independentemente do planeamento, as aquisições militares são para se ir fazendo com calma/devagar, o pessoal militar que se desenrasque com o material que têm, anda aí o covid e há prioridades, claro que há excepções.

Material para as FND tem que aparecer, pois fica mal para qualquer governo aparecer militares mortos em missões internacionais nas notícias, ainda por cima se for por causa de material velho.

E se existir alguma empresa aflita, que de alguma forma seja importante, tipo OGMA, West Sea, Arsenal do Alfeite, etc, o governo também safa aquilo com contratos militares, a  esquerda fica contente pois mantem-se os empregos, o governo também pois não quer mais milhares a precisar do subsídio de desemprego e os militares vão tendo um ou outro equipamento renovado o que também agrada à direita...
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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #53 em: Outubro 14, 2020, 11:44:50 am »
A minha ideia é que independentemente do planeamento, as aquisições militares são para se ir fazendo com calma/devagar, o pessoal militar que se desenrasque com o material que têm, anda aí o covid e há prioridades, claro que há excepções.

Material para as FND tem que aparecer, pois fica mal para qualquer governo aparecer militares mortos em missões internacionais nas notícias, ainda por cima se for por causa de material velho.

E se existir alguma empresa aflita, que de alguma forma seja importante, tipo OGMA, West Sea, Arsenal do Alfeite, etc, o governo também safa aquilo com contratos militares, a  esquerda fica contente pois mantem-se os empregos, o governo também pois não quer mais milhares a precisar do subsídio de desemprego e os militares vão tendo um ou outro equipamento renovado o que também agrada à direita...

O procedimento normal, deveria ser esse, mesmo sem as empresas estarem mal financeiramente.
Se tal fosse executado podemos ter a certeza que tinhamos mais e melhor equipamento/armamento ao dispor dos nossos militares e algumas dessa empresas até poderiam ter negócios externos in force !!! ;)

Abraços
 

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Re: Orçamentos Anuais do Ministério da Defesa
« Responder #54 em: Outubro 15, 2020, 02:20:33 pm »
O problema é que mesmo quando as empresas estão sob aperto, não são feitos contratos, e quando são feitos, demoram a pagar.