Guerra na Ucrânia

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #720 em: Janeiro 14, 2022, 12:18:33 pm »
Eu não estou a imaginar a Rússia na UE, nem sequer equacionei essa possibilidade mas já li não sei onde que o Putine pensou nisso.
Seja qual for o regime na Rússia haverá sempre conflitos de interesse entre os  grandes blocos, da mesma maneira que há sempre conflitos de interesse entre duas grandes empresas multinacionais.
Um Estado moderno dirige-se como as grandes empresas e estas nunca são dirigidas de forma democrática sob pena de perderem a eficácia e a rapidez na decisão... mas os povos devem ter sempre a possibilidade de eleger o seu líder ; os povos têm que assumir sempre a sua responsabilidade e pagar o preço se falharem na escolha ou retirar os benefícios, se for caso disso.  Eu desejo mais participação das pessoas na sociedade, mas será isso possível ?
Nenhum dos grandes blocos é verdadeiramente democrático, sendo que a UE é a que mais se aproxima de uma democracia, talvez por isso seja a mais lenta a tomar decisões, precisa de buscar consensos,  não ferir suscetibilidades nacionais, etc

A criação de umas F.A. europeias ainda vai demorar algum tempo mas porque não avançar já com uma força europeia de reação rápida,  tipo L.E.  ?

Desculpem a brutalidade mas por vezes pergunto-me se não será mesmo necessário um evento cataclísmico global para voltar a baralhar e redistribuir as cartas.

Existiu de facto uma tentativa de aproximação de Putin à Europa e esta ignorou o passo.

Eu não consigo conceber uma Rússia dentro da UE. Era o elefante da sala!!!!
Parece-me que a UE, depois de consolidar todos os mecanismos económicos (BCE, Orçamento Europeu, organização interna, por exemplo, quem representa a UE para o exterior?), vai avançar para a criação de um braço de defesa comum entre os membros, que até pode passar por exemplo, no financiamento directo da UE no pagamento de 1% das despesas de defesa de cada país, em proporção do PIB de cada um, já que a própria UE sai beneficiada pela harmonização da defesa e na participação e projecção de forças fora da zona.

E voltando ao tópico, e se a Ucrânia não tivesse entregue o arsenal nuclear à Rússia? E a transposição para os restantes países europeus, a mim parece-me óbvio que os países europeus não podem continuar a desinvestir na defesa, ao contrário do que fazem todos os restantes, porque tenho a certeza do que o que acontece agora com o conflito Ucrânia-Rússia, vai acontecer com outros países, tal e qual como um aluno que faz bullying com outro mais fraco, se este não se defender, o agressor vai avançar para a próxima vítima, por exemplo por causa do ártico?
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #721 em: Janeiro 14, 2022, 03:58:42 pm »
Citar
E voltando ao tópico, e se a Ucrânia não tivesse entregue o arsenal nuclear à Rússia?

Pois é, mas entregou, mas e se com isto quiserem voltar a ter? Os EUA até os podem ajudar de uma maneira encoberta.

Citar
O agressor vai avançar para a próxima vítima, por exemplo por causa do ártico?

Os russos já dizem que metade do polo norte é deles.
« Última modificação: Janeiro 14, 2022, 03:59:17 pm por Lightning »
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #722 em: Janeiro 14, 2022, 11:59:29 pm »
Existe já um acordo internacional para o Ártico e Antártico, mas que importa ?  Não preciso de consultar a minha bola de cristal para adivinhar mais um conflito.

O analista francês,  que ontem disse na France 24 que o Putine se contentaria com gratificações simbólicas,  fez prova no mínimo, de estupidez (apesar dos seus pergaminhos)   .  Eu penso que a Rússia ainda pode fazer subir mais a pressão e não é a falta de meios para financiar a pequena força mecanizada de 100 000 homens que o vai fazer recuar antes de obter o que quer, como afirmou o segundo analista franciú, outro diplomé des Grandes Écoles.

A UE não pode fazer nada e a OTAN não retaliará militarmente.  O inverno ainda agora começou e ninguém tem vontade de se aquecer com fogueiras na sala de jantar. O homem sabe até onde pode esticar a corda sem a partir. O recente cyber ataque  é um hors-d'œuvre, ainda falta servir o prato principal.
Até onde podem ir as eventuais retaliações económicas do Ocidente ? gostaria de ler especulações :)

nt . A Bielorússia, membro do OTSC, afinal parece que não entregou todas as armas nucleares.
« Última modificação: Janeiro 15, 2022, 12:10:54 am por legionario »
A pior das ditaduras é a que se disfarça de democracia
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #723 em: Janeiro 16, 2022, 02:46:55 pm »
Entretanto realiza-se mais uma tentativa de resolução da crise na Ucrãnia, onde a UE nem sequer é chamada (a Rússia não aceitou negociar também com a UE e os EUA concordaram!!!!!!!).

Mas todos os políticos europeus ainda não perceberam que não adianta serem apenas fortes economicamente ou falarem bem e alto, é preciso músculo!

Só o título do artigo já diz muita coisa:

Quando a crise é séria, a União Europeia senta-se na mesa das crianças

Muitas são as questões internacionais que preocupam a União Europeia neste início de década, nomeadamente a pressão migratória, a evolução de África e dos seus estados, os desafios no Golfo, a situação na Líbia e na Venezuela, o papel da China e do Indo-Pacífico, o relacionamento com a América Latina, com a Turquia e com o Reino Unido. Mas a mais imediata e a mais preocupante ameaça é a situação no leste da Europa, como mostram os comunicados sucessivos do responsável pela política externa da UE sobre a presença russa nas fronteiras da Ucrânia, destino da sua primeira viagem oficial de 2022 e demonstram as agendas das recentes reuniões de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da UE.

Mas se Bruxelas está preocupada e ocupada com a crescente instabilidade nas suas fronteiras a leste, o resto do mundo não parece muito preocupado com o que a União Europeia pensa. Na última semana a Rússia, que deseja limitar a presença da NATO nos países da sua vizinhança próxima e ameaça invadir a Ucrânia se necessário for, teve reuniões com os Estados Unidos, com a NATO e com a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa. Quanto à União Europeia, foi sendo informada do que se passava mas ficou à margem do processo.

É verdade que estamos perante uma questão de segurança e defesa e que a UE está ainda a desenvolver os seus instrumentos e processos políticos para ter capacidade militar, nomeadamente a chamada Bússola Estratégica, que deverá ser aprovada neste ano e que poderá trazer lógica, coerência e meios ao papel que Bruxelas deseja ocupar na Política de Defesa e Segurança Comuns.

Quer isto dizer que a UE não tem um papel a desempenhar nas crises do mundo? Se considerarmos o que se designa pelo "Triplo-Nexo Segurança-Humanitário-Desenvolvimento", que estabelece uma ligação entre os desafios do crescimento económico, do desenvolvimento social, da sustentabilidade ambiental e da boa governança com as crises de segurança e as crises humanitárias; se nos lembrarmos que a ONU e o Banco Mundial defendem que a maior parte das crises têm origem em problemas de desenvolvimento e/ou legitimidade do poder político; e se pensarmos que a União Europeia é um dos mais importantes parceiros de desenvolvimento no planeta, poderemos afirmar que a UE tem um papel internacional de relevo na prevenção e na gestão das crises, contribuindo para que as falhas e dificuldades dos processos de desenvolvimento não se agudizem ao ponto de se transformarem em crises de segurança que necessitam de intervenções militares.

Mas não devemos esperar que a União Europeia seja o que ainda não é e que não sabemos se alguma vez virá a ser: uma organização com capacidade, vontade e meios para contribuir para a gestão económica, política e militar da Europa e do mundo, o que alteraria a sua natureza maioritariamente civil e daria a Bruxelas um papel em áreas de soberania que até agora continuam reservadas aos Estados membros. Neste momento, o que sabemos é que quando os destinos da fronteira leste da Europa estão na balança, a União Europeia foi mandada para a mesa das crianças, longe da sala onde os adultos tomam as decisões.

Investigador associado do CIEP/Universidade Católica Portuguesa
bicruz.dn@gmail.com

https://www.dn.pt/opiniao/quando-a-crise-e-seria-a-uniao-europeia-senta-se-na-mesa-das-criancas-14492476.html
 
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