Guerra na Ucrânia

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Lightning

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #705 em: Janeiro 11, 2022, 04:27:14 pm »
Um artigo interessante
https://expresso.pt/internacional/ucrania-a-russia-dominou-a-tatica-more-tanks-more-talks-e-por-isso-que-estamos-a-viver-a-semana-mais-importante-para-a-europa-em-30-anos/

Acho interessante alguns pontos, como os EUA deverem procurar um escorrega, uma saida, a Putin.
Os russos terem forças colocadas numa posição de ameaça a Kiev, eu até pensava que Kiev estaria longe, mas olhando cuidadosamente para o mapa, na zona de fronteira entre a Russia, Bielorrússia e Ucrânia, Kiev fica perto. As FA europeias serem vistas como cruz vermelha musculada para apagar fogos e dar vacinas.
E no fim algo que também já tinha pensado, quer a Russia invada ou não, de certeza que os ucranianos não vão esquecer isto, os russos que não fiquem à espera de ficar amigos dos ucranianos, este tipo de ameaças só faz é esses países se distanciarem mais de Moscovo.
« Última modificação: Janeiro 11, 2022, 04:28:40 pm por Lightning »
 

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Lusitan

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #706 em: Janeiro 11, 2022, 08:21:42 pm »
Os maiores inimigos da UE são de facto os EUA e a Rússia e não tanto a China, porque a estes interessa um colosso que rivalize com a Rússia e EUA em simultãneo!

Se repararem, desde que surgiu o Euro, os maiores críticos são americanos, a vaticinarem que iria ser um fracasso:
https://www.newyorker.com/magazine/2016/10/24/the-failure-of-the-euro
https://www.npr.org/2011/01/25/133112932/paul-krugman-the-economic-failure-of-the-euro?t=1641896582508

Obviamente que o Euro em si, até mais do que a própria UE, tem muito poder concentrado. Desde que escrevo neste fórum refiro isso, o Euro é uma enorme arma que os europeus têem contra o mundo e em especial contra o dólar! Se repararem, o dólar ainda é a moeda dominante nas matérias-primas comercializadas pelo mundo a fora e só esse facto dá um enorme poder aos EUA, porque só um país imprime notas de dólar e todos os outros países atropelam-se para conseguirem arranjar dólares para comprarem bens. Mesmo os EUA em declínio e com uma dívida gigantesca, conseguem passar entre os pingos da chuva de qualquer crise. Mesmo na iminência da falência, enquanto o dólar for rei, basta imprimirem mais uns camiões de notas para pagar qualquer extravagância!

Quanto à energia, não conheço a fundo o que os países pensam fazer para acabarem com a dependência do petróleo e do gás, mas no caso da Alemanha, a verdade é que ainda têem as centrais nucleares a funcionar e têem um novíssimo centro de dados (só o 8º mais poderoso do mundo, o Juwels) dedicado apenas à investigação...... nuclear!

Como já foi referido por aqui, às grandes potências, interessa falarem individualmente com cada país europeu, não têem qualquer interesse em lidarem com a UE como um todo.
A grande questão relativamente à UE é que cada país europeu segue uma política de segurança e defesa, já para não falar de geopolítica diferente. Enquanto a UE não for pensada como um todo e a sua política de defesa for comum a UE continuará a não estar à mesa das grandes potências. E quando não estás na mesa, estás no menu. Pouco importa teres uma economia gigantesca quando não tens forças armadas coesas para defender as tuas fronteiras e tens de estar sempre à espera da intervenção dos EUA. Ou quando não tens forças armadas capazes de aguentar mais do que 48h num conflicto de alta intensidade. Nem sequer tens sistemas de logística capazes de produzir e reparar de forma consistente as tuas necessidades em tempo de guerra.
https://breakingdefense.com/2021/12/france-wants-to-transform-its-beautiful-army-for-high-intensity-warfare/
https://www.washingtonpost.com/world/nato-runs-short-on-some-munitions-in-libya/2011/04/15/AF3O7ElD_story.html
A UE foi desenhada e pensada para trazer paz, mas nunca se pensou em como se defender a UE.
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #707 em: Janeiro 11, 2022, 09:23:53 pm »
Os países europeus cederam a sua segurança ao Tio Sam, que tem uma posição de super potência também por isso; mas com os EUA pressionados no Pacífico e estes "fogachos" russos começa uma lenta compreensão da situação e uma (tb lenta) integração europeia na defesa. Mas Roma e Pavia...
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #708 em: Janeiro 11, 2022, 11:28:46 pm »
A maior parte dos raciocínios que aqui tenho lido mostra, implícita ou explicitamente, a necessidade de uma evolução da UE num sentido :  um Risorgimento do Império Romano.  Na prática é isto mesmo, não se torçam nas cadeiras.

Já temos um governo (não eleito) europeu, tribunais europeus, uma policia europeia, temos também um parlamento europeu, (temos mesmo dois parlamentos... se contarmos com a aberração que é o  "parlamento judeu europeu" que se constituiu em Bruxelas em 16 de Fevereiro de 2012 e que funciona nas mesmas instalações do outro).  Falta mesmo a criação de umas forças armadas europeias.
A ameaça russa é neste momento a mais visível, mas a termo, existem outras ameaças : a China que "comprou" uma parte do Montenegro e que se prepara para instalar uma base na Guiné Equatorial (país da CPLP) aqui bem pertinho da Europa e... com muito desgosto nosso, temos que aceitar a evidência de uma ameaça americana ou  anglo-saxã, visto que o Reino Unido já abandonou a UE e virou-se para as suas ex-colónias.
A realidade :
Tanto a Rússia como os EUA estão em condições de impôr diktat's à UE.
Diktat - "Exigência absoluta imposta pelo mais forte ao mais fraco e tendo apenas a força como justificação"

Eu fui um eurocético mas sou sobretudo um pragmático e de modo nenhum tenho vocação para,  como o herói de Cervantes, lutar contra moinhos.  O meu lado poético ou idealista incitava-me a acreditar numa outra possibilidade para Portugal mas já não temos perfil para isso. 
A única forma de a UE não ceder aos "brutos" é sendo forte e quando digo "forte" , falo de umas F.A. europeias credíveis e não de um ajuntamento de guardas nacionais com tiques de toda a  espécie.  Um recrutamento europeu, um comando europeu, bases europeias e armas europeias.

Daqui até lá, caros amigos temos que ser submissos senão levamos nas trombas, Capici ?
A Rússia invade e ocupa o que quiser, os EUA fazem a mesma coisa e a China prepara-se para fazer o mesmo.
« Última modificação: Janeiro 12, 2022, 12:34:12 pm por legionario »
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #709 em: Janeiro 12, 2022, 12:39:27 pm »
A maior parte dos raciocínios que aqui tenho lido mostra, implícita ou explicitamente, a necessidade de uma evolução da UE num sentido :  um Risorgimento do Império Romano.  Na prática é isto mesmo, não se torçam nas cadeiras.

Já temos um governo (não eleito) europeu, tribunais europeus, uma policia europeia, temos também um parlamento europeu, (temos mesmo dois parlamentos... se contarmos com a aberração que é o  "parlamento judeu europeu" que se constituiu em Bruxelas em 16 de Fevereiro de 2012 e que funciona nas mesmas instalações do outro).  Falta mesmo a criação de umas forças armadas europeias.
A ameaça russa é neste momento a mais visível, mas a termo, existem outras ameaças : a China que "comprou" uma parte do Montenegro e que se prepara para instalar uma base na Guiné Equatorial (país da CPLP) aqui bem pertinho da Europa e... com muito desgosto nosso, temos que aceitar a evidência de uma ameaça americana ou  anglo-saxã, visto que o Reino Unido já abandonou a UE e virou-se para as suas ex-colónias.
A realidade :
Tanto a Rússia como os EUA estão em condições de impôr diktat's à UE.
Diktat - "Exigência absoluta imposta pelo mais forte ao mais fraco e tendo apenas a força como justificação"

Eu fui um eurocético mas sou sobretudo um pragmático e de modo nenhum tenho vocação para,  como o herói de Cervantes, lutar contra moinhos.  O meu lado poético ou idealista incitava-me a acreditar numa outra possibilidade para Portugal mas já não temos perfil para isso. 
A única forma de a UE não ceder aos "brutos" é sendo forte e quando digo "forte" , falo de umas F.A. europeias credíveis e não de um ajuntamento de guardas nacionais com tiques de toda a  espécie.  Um recrutamento europeu, um comando europeu, bases europeias e armas europeias.

Daqui até lá, caros amigos temos que ser submissos senão levamos nas trombas, Capici ?
A Rússia invade e ocupa o que quiser, os EUA fazem a mesma coisa e a China prepara-se para fazer o mesmo.

Esqueçam isso, a europa é "flower power" e "arco íris"....
Cps,
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #710 em: Janeiro 12, 2022, 01:23:40 pm »
A maior parte dos raciocínios que aqui tenho lido mostra, implícita ou explicitamente, a necessidade de uma evolução da UE num sentido :  um Risorgimento do Império Romano.  Na prática é isto mesmo, não se torçam nas cadeiras.

Já temos um governo (não eleito) europeu, tribunais europeus, uma policia europeia, temos também um parlamento europeu, (temos mesmo dois parlamentos... se contarmos com a aberração que é o  "parlamento judeu europeu" que se constituiu em Bruxelas em 16 de Fevereiro de 2012 e que funciona nas mesmas instalações do outro).  Falta mesmo a criação de umas forças armadas europeias.
A ameaça russa é neste momento a mais visível, mas a termo, existem outras ameaças : a China que "comprou" uma parte do Montenegro e que se prepara para instalar uma base na Guiné Equatorial (país da CPLP) aqui bem pertinho da Europa e... com muito desgosto nosso, temos que aceitar a evidência de uma ameaça americana ou  anglo-saxã, visto que o Reino Unido já abandonou a UE e virou-se para as suas ex-colónias.
A realidade :
Tanto a Rússia como os EUA estão em condições de impôr diktat's à UE.
Diktat - "Exigência absoluta imposta pelo mais forte ao mais fraco e tendo apenas a força como justificação"

Eu fui um eurocético mas sou sobretudo um pragmático e de modo nenhum tenho vocação para,  como o herói de Cervantes, lutar contra moinhos.  O meu lado poético ou idealista incitava-me a acreditar numa outra possibilidade para Portugal mas já não temos perfil para isso. 
A única forma de a UE não ceder aos "brutos" é sendo forte e quando digo "forte" , falo de umas F.A. europeias credíveis e não de um ajuntamento de guardas nacionais com tiques de toda a  espécie.  Um recrutamento europeu, um comando europeu, bases europeias e armas europeias.

Daqui até lá, caros amigos temos que ser submissos senão levamos nas trombas, Capici ?
A Rússia invade e ocupa o que quiser, os EUA fazem a mesma coisa e a China prepara-se para fazer o mesmo.

Esqueçam isso, a europa é "flower power" e "arco íris"....
Cps,

Tem a certeza do que afirma?
E se nas eleições de este ano, a Le Pen ganhar? https://www.france24.com/en/france/20220105-new-french-election-poll-shows-macron-would-beat-main-challenger-p%C3%A9cresse
Ou até o Macron continuar Presidente (a maior probabilidade). Acha-o assim tão manso assim? Ainda por cima depois da facada nas costas dada pela Austrália.......
E a Polónia? E a Hungria? Também acha que são fofinhos?

Não é fácil, mas concordo com o que afirma o Legionario.
Repare, à Europa só falta vontade em gastar dinheiro na defesa, não é seguramente por falta de tecnologia, poder industrial ou até falta de dinheiro. E ao sentir-se acussada vai continuar vergada? (Brexit + Rússia + Trump e secalhar mais Trump não são estímulo suficiente?). Ainda por cima já não temos os ingleses a boicotarem tudo!!!!!!!

Em 2010, 2011 também ninguém acreditava que a Europa (eixo franco-germãnico), salvasse os países aflitos, mas a custo fê-lo e até já emite dívida da UE para distribuir pelos países!!!! (PRR). O BCE é neste momento quem controla os grandes bancos da Europa e ele não brinca (https://www.jn.pt/economia/bce-investiga-relacao-entre-antonio-ramalho-e-luis-filipe-vieira-14483943.html)

Eu não tenho grandes dúvidas de que vai existir um Exército Europeu, que aliás já está em andamento neste preciso momento..... como resposta às agressões das fronteiras externas! Veja como agora os países são mais cépticos a aceitarem refugiados!

Quem pensou na Europa moderna (UE), pensou numa forma de não andarem em guerra entre os membros, não foi em baixar as calças para o exterior.

E já agora uma achega ao Legionario  :mrgreen:
E nas eleições nacionais, como é que eu faço para escolher o meu deputado? E já agora como faço para eu escolher o meu primeiro-ministro? Não são os partidos que escolhem por nós? Também não será muito democrático, pois não?  :mrgreen:
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #711 em: Janeiro 12, 2022, 01:50:03 pm »
Os países da Europa de leste estão a levar isto mais a sério, a Roménia está a equipar-se muito, a Polónia quer F-35, e penso que já têm mais carros de combate que a Alemanha, outros países mais pequenos tambem, Rafale para a Croácia, F-16 Viper para a Bulgária e outros

Países mais afastados da zona quente não sentem essa necessidade, então Portugal, que somos o país europeu mais afastado, e entre nós e a Rússia temos os grandes todos, Alemanha, França, Espanha, vivemos num mundo à parte, não é cor-de-rosa pois há muita coisa mal, temos muitos problemas, mas cá ninguém deve sentir algum tipo de ameaça militar.
 

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #712 em: Janeiro 12, 2022, 02:07:49 pm »
Os países da Europa de leste estão a levar isto mais a sério, a Roménia está a equipar-se muito, a Polónia quer F-35, e penso que já têm mais carros de combate que a Alemanha, outros países mais pequenos tambem, Rafale para a Croácia, F-16 Viper para a Bulgária e outros

Países mais afastados da zona quente não sentem essa necessidade, então Portugal, que somos o país europeu mais afastado, e entre nós e a Rússia temos os grandes todos, Alemanha, França, Espanha, vivemos num mundo à parte, não é cor-de-rosa pois há muita coisa mal, temos muitos problemas, mas cá ninguém deve sentir algum tipo de ameaça militar.

Nem temos passado histórico "recente" para isso, agora naqueles países do Leste deve haver ainda muita gente que se lembra como as coisas eram quando não tinham "liberdade".
 

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #713 em: Janeiro 12, 2022, 05:41:02 pm »
Nem temos passado histórico "recente" para isso, agora naqueles países do Leste deve haver ainda muita gente que se lembra como as coisas eram quando não tinham "liberdade".

Já não é muito recente, mas ainda há gente viva do tempo da ditadura, mas como era uma ditadura nacionalista e os comunistas lutaram contra ela, isso ainda deu a Moscovo alguma boa publicidade por cá, completamente ao contrário dos países de leste.
« Última modificação: Janeiro 12, 2022, 05:41:36 pm por Lightning »
 

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #714 em: Janeiro 13, 2022, 12:28:20 am »
Estive a ouvir um debate entre 3 senhores gauleses  sobre a situação na Ucrânia.
Para um deles , o interesse de Putine é o de pesar na atualidade internacional e  contenta-se com  "gratificações simbólicas"  para não perder a face.
Outro :  Putine não pode manter 100 000 homens mobilizados na fronteira ucraniana durante muito tempo devido ao custo que isso implica. Será ?

Concluem os 3 senhores a mesma coisa que já foi aqui escrito : A UE não só não tem  força militar como se encontra dividida. Dois fatores que fazem com que  Putine considere a UE como um anão politico e, neste sentido, aceite negociar com os EUA e com a OTAN, mas não com a Europa.

Eu gostaria de sublinhar que para além desta ou de outras crises no futuro envolvendo a Rússia, para além da necessidade da UE se afirmar e de se dotar de utensílios que lhe permitam negociar em pé de igualdade, existe uma real dependência imediata da UE em relação à Rússia, pelo menos quando falamos de energia. A opinião publica é contraria à energia nuclear e mesmo que tivesse que ser,  demora tempo, muito tempo...

A Rússia quer um acordo e vai tê-lo. Há condições inaceitáveis  mas de qualquer das maneiras, nem a França nem a Alemanha querem a Ucrânia na OTAN. Os diplomatas encontrarão uma forma de escrever as clausulas de um tratado de forma a manter o status quo. Putine não é eterno, ousemos esperar que um dia UE e Rússia sejam aliados e não inimigos.
« Última modificação: Janeiro 13, 2022, 02:34:27 am por legionario »
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #715 em: Janeiro 13, 2022, 02:59:00 am »
Estive a reler os comentários precedentes.
O Lusitan escreveu,  :
" a aversão a um sistema democrático é o principal empecilho a uma aproximação à UE. Um sistema judicial independente é outro. "
Acha que o problema está no regime russo , acha que não haveria conflitos de interesse com outro tipo de regime na Rússia ?
disse ainda :
 "cada país (europeu) segue a sua politica de segurança e de defesa " 
Acha que em Africa, os interesses da França ou de Portugal são os mesmos dos da Lituânia ou da Polonia ?  Como é que poderíamos resolver estes detalhes  ?  eu não contesto o que disse só queria perceber se existe ou não viabilidade neste grande projeto que é a UE como super-Estado dotado de uma única politica externa e claro está, no projeto de umas F.A. europeias.   Possível ou  utopia ?
 

Caro Viajante,
A UE é constituída por países (mais ou menos) democráticos ; votamos em partidos que designam deputados para as assembleias, candidatos para presidente, etc.   Como é que são escolhidos os lideres da UE ?
Felizmente que a UE não é governada por uma quase-autocracia como a Rússia, nem por uma oligarquia como nos EUA, muito menos por um partido único como na China. Felizmente que na UE professamos ideais humanistas e que não temos campos de concentração, reservas para indígenas nem cadeira elétrica, mas temos um longo caminho pela frente em matéria de democracia, ...ou não ? :)
« Última modificação: Janeiro 13, 2022, 03:08:23 am por legionario »
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #716 em: Janeiro 13, 2022, 12:09:17 pm »
Se até a Turquia goza com a UE, quanto mais a Russia.

Em relação ao acordo entre NATO - Rússia, do que já vi nas notícias além de situações operacionais como ter ou não ter tropas aqui, misseis ali, a questão de fundo da entrada da Ucrânia na NATO, a NATO já disse que não fecha as portas a nenhum país, ai ou aceitam a Ucrânia, forçam a Russia a mostrar o jogo, ou podem "meter areia na engrenagem" e andar assim indefinidamente, mantendo a política de não negar ninguém, sem oficializar a Ucrânia, para já.

Mas quero chamar a atenção que muitas vezes isto de adiar os problemas pode piorar, vemos o caso de Taiwan, os EUA e a China andaram dezenas de anos a manter isto em "banho maria", a China não tinha poder militar para desafiar os EUA e estes achavam que com a entrada da China na economia mundial, que eles se iriam democratizar.

A UE e a Rússia serem aliados é algo demasiado longincuo, se formos vizinhos que não se dão mal, já era bom, sem ameaças militar, económica, de parte a parte. E não acredito que a crise actual ajude a isto, só vai fazer os europeus terem menos confiança na Russia e continuar a querer diversificar as suas fontes de energia e continuar a aceitar a protecção militar dos EUA, também devia fazer os europeus pensarem mais na sua defesa, mas aqui já não acredito tanto.
« Última modificação: Janeiro 13, 2022, 12:14:13 pm por Lightning »
 

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Lusitan

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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #717 em: Janeiro 13, 2022, 12:11:48 pm »
Estive a reler os comentários precedentes.
O Lusitan escreveu,  :
" a aversão a um sistema democrático é o principal empecilho a uma aproximação à UE. Um sistema judicial independente é outro. "
Acha que o problema está no regime russo , acha que não haveria conflitos de interesse com outro tipo de regime na Rússia ?
disse ainda :
 "cada país (europeu) segue a sua politica de segurança e de defesa " 
Acha que em Africa, os interesses da França ou de Portugal são os mesmos dos da Lituânia ou da Polonia ?  Como é que poderíamos resolver estes detalhes  ?  eu não contesto o que disse só queria perceber se existe ou não viabilidade neste grande projeto que é a UE como super-Estado dotado de uma única politica externa e claro está, no projeto de umas F.A. europeias.   Possível ou  utopia ?
 

Caro Viajante,
A UE é constituída por países (mais ou menos) democráticos ; votamos em partidos que designam deputados para as assembleias, candidatos para presidente, etc.   Como é que são escolhidos os lideres da UE ?
Felizmente que a UE não é governada por uma quase-autocracia como a Rússia, nem por uma oligarquia como nos EUA, muito menos por um partido único como na China. Felizmente que na UE professamos ideais humanistas e que não temos campos de concentração, reservas para indígenas nem cadeira elétrica, mas temos um longo caminho pela frente em matéria de democracia, ...ou não ? :)
São excelentes perguntas.
Tudo depende do tipo de regime e de quem hipoteticamente estivesse no poder. Acho que num sistema democrático seria mais fácil de ultrapassar os problemas existentes, mas estes não desaparecem só por mudança de regime. A Rússia tem medos legítimos e imaginados de invasões vindas do Ocidente. O vasto território a Ocidente que o Império Russo e a URSS tinham permitiam-lhes uma política de terra queimada para limitar o avanço de exércitos inimigos em direcção aos seus centros de poder. A Rússia sem a Ucrânia e a Bielorrússia não tem essa capacidade e isso cria medo na população russa, não só nas elites. Com um regime democrático e a possível integração na arquitectura económica e de segurança europeia, esses problemas poderiam ser dissipados. Seria um cenário win-win para a Rússia e para a UE. No entanto a Rússia na UE seria a potência dominante, não só devido ao seu poder bélico, mas também porque seria o Estado mais populoso. Isso deixaria países como a Alemanha e a França com menos peso na UE. Além disso criaria outros problemas à UE, nomeadamente fronteiras com a China, problemas do Caúcaso, Ásia Central, que tipo de relacionamento manteria com os EUA, NATO.

Em África nem sequer os interesses da França são iguais aos portugueses.  ;D
No entanto estão nas operações da França no Sahel forças estónias, dinamarquesas, suecas que têm poucos interesses na região. Acho que os países europeus começam a ter noção de que os problemas duns, têm repercussão para toda a UE a curto, médio ou longo prazo.
Acho que muitos países (especialmente do leste da Europa) têm medo de abdicar duma NATO para ter uma potencial força da UE que estará nas mãos de franceses e alemães (que não consideram confiáveis em matéria de segurança). Além disso o guarda-chuva nuclear americano não é comparável à capacidade dissuasora da França, especialmente quando tens uma Rússia ameaçadora na tua fronteira. Por isso acho que o processo de formação dumas forças armadas europeias só será concretizado rapidamente devido a uma guerra na Europa fora do espectro da NATO devido a necessidade (imagine-se uma invasão da Finlândia pela Rússia) ou através dum processo lento e de construção de confiança entre as nações envolvidas. Mas as forças armadas europeias necessitariam de aumentar a sua capacidade dissuasora nuclear com partilha de custos por todos, aumento e criação de capacidade logística própria, etc. E os custos teriam de ser distribuídos por todos, que ainda demoraria mais tempo.

Fala-se na possibilidade de dar poder à UE para criar uma espécie de Legião Estrangeira. Não me parece viável a curto prazo, mas acho uma ideia interessante e que permitiria à UE ter uma Quick Reaction Force para responder rapidamente a problemas nas suas fronteiras.
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #718 em: Janeiro 13, 2022, 12:34:49 pm »
São excelentes perguntas.
Tudo depende do tipo de regime e de quem hipoteticamente estivesse no poder. Acho que num sistema democrático seria mais fácil de ultrapassar os problemas existentes, mas estes não desaparecem só por mudança de regime. A Rússia tem medos legítimos e imaginados de invasões vindas do Ocidente. O vasto território a Ocidente que o Império Russo e a URSS tinham permitiam-lhes uma política de terra queimada para limitar o avanço de exércitos inimigos em direcção aos seus centros de poder. A Rússia sem a Ucrânia e a Bielorrússia não tem essa capacidade e isso cria medo na população russa, não só nas elites. Com um regime democrático e a possível integração na arquitectura económica e de segurança europeia, esses problemas poderiam ser dissipados. Seria um cenário win-win para a Rússia e para a UE.

Seria win para UE a nivel de acesso a fontes de energia, e a nivel de poder militar, mas a UE deixaria de ser o que é, onde ficaria o centro de poder? Moscovo? Continuariamos democracias livres? Justiça independente? Jornalismo livre? Apoios sociais na educação, saúde, reforma...

E aos meus olhos uma Russia na UE é incompatível com a existência da NATO, a Europa ocidental estaria a virar para leste, e ai passariam os EUA a opositor, talvez a China passaria a grande rival, o mundo daria uma grande volta se tal acontecesse, os EUA poderiam tornar-se isolacionistas, e o duelo mundial passar para UE ( com Rússia) vs China?

Citar
No entanto a Rússia na UE seria a potência dominante, não só devido ao seu poder bélico, mas também porque seria o Estado mais populoso. Isso deixaria países como a Alemanha e a França com menos peso na UE. Além disso criaria outros problemas à UE, nomeadamente fronteiras com a China, problemas do Caúcaso, Ásia Central, que tipo de relacionamento manteria com os EUA, NATO.

Muito bem.

Citar
Em África nem sequer os interesses da França são iguais aos portugueses.  ;D
No entanto estão nas operações da França no Sahel forças estónias, dinamarquesas, suecas que têm poucos interesses na região. Acho que os países europeus começam a ter noção de que os problemas duns, têm repercussão para toda a UE a curto, médio ou longo prazo.

É um bocado a ideia do "tu ajudas-me que eu ajudo-te", nós também não temos grandes interesses na região do Baltico, mar negro, mas estamos lá, os países de leste  andam em África apesar de não terem grandes interesses ai. Portugal é que andou a chatear os outros países para se enviar uma força militar da UE para Moçambique, apesar da maioria dos militares serem portugueses, pelo menos o custo é suportado pela UE.

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Acho que muitos países (especialmente do leste da Europa) têm medo de abdicar duma NATO para ter uma potencial força da UE que estará nas mãos de franceses e alemães (que não consideram confiáveis em matéria de segurança).

Ainda são memórias da 2a guerra mundial, por exemplo os Polacos foram deixados à morte pelos ingleses e franceses na luta contra Alemanha e URSS.
« Última modificação: Janeiro 13, 2022, 12:43:29 pm por Lightning »
 
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Re: Guerra na Ucrânia
« Responder #719 em: Janeiro 14, 2022, 10:33:23 am »
Eu não estou a imaginar a Rússia na UE, nem sequer equacionei essa possibilidade mas já li não sei onde que o Putine pensou nisso.
Seja qual for o regime na Rússia haverá sempre conflitos de interesse entre os  grandes blocos, da mesma maneira que há sempre conflitos de interesse entre duas grandes empresas multinacionais.
Um Estado moderno dirige-se como as grandes empresas e estas nunca são dirigidas de forma democrática sob pena de perderem a eficácia e a rapidez na decisão... mas os povos devem ter sempre a possibilidade de eleger o seu líder ; os povos têm que assumir sempre a sua responsabilidade e pagar o preço se falharem na escolha ou retirar os benefícios, se for caso disso.  Eu desejo mais participação das pessoas na sociedade, mas será isso possível ?
Nenhum dos grandes blocos é verdadeiramente democrático, sendo que a UE é a que mais se aproxima de uma democracia, talvez por isso seja a mais lenta a tomar decisões, precisa de buscar consensos,  não ferir suscetibilidades nacionais, etc

A criação de umas F.A. europeias ainda vai demorar algum tempo mas porque não avançar já com uma força europeia de reação rápida,  tipo L.E.  ?

Desculpem a brutalidade mas por vezes pergunto-me se não será mesmo necessário um evento cataclísmico global para voltar a baralhar e redistribuir as cartas. 
« Última modificação: Janeiro 14, 2022, 10:48:16 am por legionario »
 
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