Presentismo

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Luso

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Presentismo
« em: Julho 06, 2012, 03:07:07 pm »
Dada a realidade actual, e estando Portugal a viver o resultado da "gestão" feita por "especialistas", entendo ser útil partilhar convosco um texto interessante que julgo transversal.

do "Perspectivas"


Sexta-feira, 29 Junho 2012
 
O problema da aristocracia portuguesa (2)

Filed under: A vida custa,acordo ortográfico,cultura,educação,Esta gente vota,Europa,Política,politicamente correcto,Portugal,religiões políticas,Sociedade,Ut Edita — O. Braga @ 8:25 pm


Um leitor deixou um comentário no último verbete, como segue:

«Será possível em Portugal, e no momento presente, voltar à monarquia?
 
“Só uma análise global do processo permite identificar essa decadência”, mas se a maioria desconhece a história, como poderá surgir essa análise global? Eu até que desejo o regresso à monarquia, pois há muito tempo compreendo o que o Orlando acaba de dizer, só que vejo essa tarefa muito difícil (quase impossível). O poder político está demasiado corrompido pelo poder económico e por todos os laços que se criam à volta destes dois elementos. Com um povo subjugado, desconhecedor da sua história, com um exagerado culto personalístico e de imagem (exterior), sem sentido de cidadania e educação no geral, não podemos esperar grandes comedimentos. Não quero generalizar, mas o panorama não é nada animador. Por isto mesmo, tenho dificuldade em ver qualquer regresso à monarquia, a não ser que a república entre em auto-decomposição por via das suas tropelias.»
 
Já tenho falado aqui no “presentismo” — não no sentido que é comummente atribuído à uma certa análise literária ou histórica, mas no sentindo cultural e antropológico. O presentismo, neste último sentido, é característico de uma cultura antropológica na qual não existe passado — ou o passado está [temporariamente] ausente da mundividência da maioria e da vida do dia-a-dia —, e por isso não existe uma perspectiva clara e colectiva de futuro.

Uma sociedade sem passado não tem futuro = presentismo.
 
Neste tipo de sociedade, o passado — a História do país — tem que ser relembrado à maioria das pessoas, de uma forma sistemática, ou por uma determinada série de indivíduos que consiste no núcleo duro remanescente da aristocracia (por exemplo, SAR o Duque de Bragança), ou pelos governantes da república que transformaram as cerimónias oficiais (por exemplo, 10 de Junho) em uma liturgia sem um verdadeiro conteúdo simbólico.

Podemos, então, dizer:

presentismo = falta de patriotismo = falta de coesão social = falta de educação do povo = desnacionalização = predomínio dos valores culturais impostos pelo movimento revolucionário delirante = decadência a todos os níveis.

Este presentismo, que existe hoje, cada vez mais, largamente disseminado na sociedade portuguesa [salvo quando joga a selecção nacional de futebol, o que é muito pouco e fraco] foi propositadamente provocado através das ideias que surgiram da revolução francesa, e que se baseiam numa fé metastática de um determinado tipo de pessoas que, pela força da associação e cooperação mútuas [maçonaria ou liberalismo maçónico], se guindaram ao poder político ou passaram a influenciar decisivamente esse poder político.

A falta de educação do povo — no sentido da presença da História na vida nacional —, que é característica desta III república europeísta e euro-federalista, é propositada: faz parte do ideário e da fé metastática da classe política actual que se pretende assumir como uma aristocracia, o que é um contra-senso. Uma classe social não pode constituir-se, em si mesma, na aristocracia necessária à sociedade. Mesmo na Idade Média e na Idade Clássica, em que a sociedade portuguesa estava rigidamente estratificada, a aristocracia não se limitava a indivíduos da nobreza, mas incluía também indivíduos oriundos do clero e do povo.

Naturalmente que os defensores da actual política presentista e euro-federalista, dirão: “nunca o povo português foi tão educado tecnicamente como é hoje”. Mas trata-se de uma educação viciada. Para esses, responde Agostinho da Silva:

“Com o culto excessivo da especialização, os homens desaprendem a sua tarefa essencial de ser humanos e de entender os problemas fundamentais dos outros homens. A Universidade hoje, por exemplo, a Universidade americana, a alemã, podem formar técnicos excelentes mas rarissimamente formam homens.”
 
O problema dos alemães e dos americanos, não é nosso. Os problemas da “humanidade” são inventados pelas elites, ou como bem dizia Fernando Pessoa, não existe humanidade, mas apenas indivíduos e nações. Não é por um país ser grande ou enorme geograficamente e em população, que é necessariamente melhor do que um país pequeno. O que Agostinho da Silva quis dizer não é que a especialização técnica seja preterida: ele falou em excessiva especialização — “culto excessivo de especialização”. Ele falou em “culto”! Entendamo-nos para evitar mal-entendidos!

Para que “os homens aprendam a sua tarefa essencial de ser humanos e de entender os problemas fundamentais de outros homens”, tem que haver previamente coesão social, e esta não é possível sem patriotismo que, por sua vez, não é possível sem uma educação que ensine e valorize o passado histórico. Pescadinha de rabo na boca. Tão simples quanto isto.

O que passa com a classe política em geral — pelo menos com a classe política de topo representada pelos três partidos do chamado “arco do poder” — é que ela é hoje mais europeia do que portuguesa, e portanto, perdeu o contacto com a tradição nacional e com o psiquismo português. Por mais que esses políticos neguem, a verdade é que eles vivem mentalmente no estrangeiro — em Bruxelas ou em Paris, por exemplo, ou mesmo em Berlim e em função das ordens da Angela Merkel —, e a quebra de contacto com as realidades nacionais — que não sejam os problemas económicos que também servem o estrangeiro — retirou ao político português típico a capacidade de recriar o país de acordo com novas ideias com raízes genuinamente portuguesas. O político português actual limita-se a imitar o que vem de fora: não tem criatividade nenhuma. Nunca foi tão fácil, trivial e aborrido ser político como agora.

O patriotismo português não morreu, entre outras razões porque ainda temos a língua portuguesa. E por isso é que a língua portuguesa tem vindo a sofrer — por parte de uma certa camada elitista desnacionalizada e herdeira do revolucionarismo de 1789 — um ataque inédito e difícil de explicar racionalmente senão por uma tentativa de extirpar da nossa cultura o que ainda nos liga a uma pátria. Sendo a língua portuguesa o último reduto da pátria, essa pequeníssima camada social — mas politicamente muito influente, por exemplo, a maçonaria — desnacionalizada e vendida a ideias estrangeiradas, conseguiu o que seria inconcebível há apenas poucos anos: transformar a língua portuguesa num absurdo: o primeiro passo para a sua alienação e substituição por uma qualquer língua franca europeísta.

Portanto, estamos entregues à bicharada.

A consequência cultural mais visível decorrente do presentismo é o “efeito de rebanho” a que assistimos hoje na sociedade portuguesa — o mimetismo cultural que não tem em conta a História, mas que resulta do monopólio da economia na discussão política nacional. Para além da economia, parece que nada mais parece interessar as elites e o povo.

A eliminação do presentismo da sociedade portuguesa só se pode dar com uma grave crise proveniente do estrangeiro — por exemplo, a implosão do Euro; ou uma guerra. A partir daí, o equilíbrio entre a pequeníssima minoria desnacionalizada, por um lado, e por outro lado a maioria esmagadora dos patriotas “adormecidos” será restabelecido — sendo que essa minoria será colocada no seu devido lugar, e julgada historicamente.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Miguel

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Re: Presentismo
« Responder #1 em: Julho 06, 2012, 08:21:59 pm »
Parece me que estamos em monarquia! Nao?
 

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PILAO251

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Re: Presentismo
« Responder #2 em: Julho 06, 2012, 11:23:21 pm »
Caro Luso
Mas qual a diferença entre o granel e rebaldaria da monarquia e dos tempos d´hoje?
Hoje temos Drs com o curso tirado ao fim de semana e naqueles tempos faziam-se barões á pazada( como dizia alguém: foge cão que te fazem barão).
Qual a diferença entre o "bochechas" nas suas viagens montado nos elefantes de turbante amarelo açafrão pelas Indias e o Don Nulo como convidado d´honra na coroação do Don, não sei quantos, rei do Congo, lá prós lados de Banza-Congo, há uns anos?  
A República, sararia todos os males da Monarquia.
A Monarquia sarará todos os males da República.
Pois sim, Don Nulo o Irrigador, ( assim apelidado pelos seus camaradas do Negage), como cabeça reinante, se ainda fosse o primo.

Não ponhamos o trotil a cantar, não.

Saúde e desporto
 

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FoxTroop

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Re: Presentismo
« Responder #3 em: Julho 07, 2012, 01:28:09 am »
Trotil?!!!.... Então não era "gasóile"?!!  :mrgreen:
 

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P44

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Re: Presentismo
« Responder #4 em: Julho 07, 2012, 10:27:04 am »
Não há para aí um botão de "RESET"????????????
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Cabeça de Martelo

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Re: Presentismo
« Responder #5 em: Julho 10, 2012, 12:22:39 pm »
Citação de: "PILAO251"
Caro Luso
Pois sim, Don Nulo o Irrigador, ( assim apelidado pelos seus camaradas do Negage), como cabeça reinante, se ainda fosse o primo.

Não ponhamos o trotil a cantar, não.

Saúde e desporto

Não pode ser, o primo é "reaça"... :lol:

Olhando bem...o primo até era capaz de dar uns murros valentes na mesa, e é mesmo isso que este país precisa.

7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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papatango

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Re: Presentismo
« Responder #6 em: Julho 14, 2012, 11:36:30 am »
E para que é que ele dava dois murros na mesa ?
Desde quando as coisas em Portugal se resolvem com dois murros na mesa ?

Ao Marcelo Caetano também disseram para dar dois murros na mesa, mas já não servia para nada.

O máximo que se conseguia com dois murros na mesa era uma guerra civil.
Hoje, infelizmente acredito que nenhuma das pessoas da casa de Bragança tem capacidade para ser sequer presidente da junta de freguesia.

De nada valia voltar à monarquia, para depois darmos outro golpe republicano, com as máfias do costume a ficar por cima da carne seca como aconteceu com o 5 de Outubro de 1910.

Quem se lixa é sempre o mexilhão, e por isso não vale a pena andar a fazer experiências. O problema do país é o seu próprio povo e o facto de que mesmo com um nível cultural mais elevado temos uma população que continua a não utilizar o cérebro com frequência.

Cumprimentos
 

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Luso

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Re: Presentismo
« Responder #7 em: Setembro 18, 2012, 11:29:00 pm »
Creio que a razão parece estar do lado do PILAO, ao que a realidade estará a demonstrar.
D. Duarte não parece estar à altura dos acontecimentos. Poderia ser um bom rei em paz e tranquilidade, mas não é alguém que o País precise no momento.
O perfil de Van Uden será mais adequado.
Para dar dois murros na mesa.
Alguém que os dê.
Porque há muita coisa que se resolve com dois murros na mesa.
Antes um português que um mercenário a soldo de algum estrangeiro.

O mexilhão começa a ver que está lixado, tanto com este como aquele.
Pode ser que um dia ache que se lixe menos com algum que seja mesmo dos nossos, e que também corra o risco de ser lixado.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...