Entrevista do Min da Defesa

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Entrevista do Min da Defesa
« em: Janeiro 15, 2022, 12:41:22 pm »
Alguém tem print da entrevista do MdD ao Público de hoje?
 

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JohnM

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #1 em: Janeiro 15, 2022, 08:14:28 pm »
Naobtenjo cópia digital para colocar aqui, mas no que diz respeito à Marinha, diz que está tudo a correr às mil maravilhas com o Alfeite e que até já estão a fazer manutenção de navios estrangeiros. Também se enchouriça de novo com a GNR por operar meios “pesados”…
 

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Subsea7

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #2 em: Janeiro 15, 2022, 09:49:00 pm »
Alguém tem print da entrevista do MdD ao Público de hoje?

Isso dos prints é ilegal, cuidado.
Cps,
 

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Camuflage

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #3 em: Janeiro 15, 2022, 11:45:48 pm »
Alguém tem print da entrevista do MdD ao Público de hoje?

Isso dos prints é ilegal, cuidado.
Cps,

Não é ilegal citar ou usar uma print de uma notícia, ilegal é partilhar jornais completos.
 

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P44

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #4 em: Janeiro 16, 2022, 12:56:02 pm »
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Lightning

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #5 em: Janeiro 16, 2022, 04:36:26 pm »
O TC Miguel Machado colocou uma entrevista do MdN no seu perfil, deve ser essa.
https://www.facebook.com/1436646118/posts/10220685307389371/
 
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Vicente de Lisboa

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #6 em: Janeiro 20, 2022, 05:31:28 pm »
7. "Peçam, e será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta será aberta."

O ministro da Defesa Nacional lamenta não ter tido tempo, devido ao chumbo do Orçamento do Estado, de ter avançado na definição do novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional até ao final do primeiro semestre deste ano. Processo que deve ser alinhado com a doutrina NATO e a “bússola estratégica” da União Europeia, as duas âncoras internacionais de Portugal.

Quais as questões que conseguiu resolver no Ministério da Defesa Nacional?
Ao fazer o balanço no final desta legislatura interrompida estou surpreendido do que se conseguiu. Olhando para o programa do Governo do PS de 2019, avançámos em todas as frentes, mais do que imaginaria possível. Fizemos a reforma da estrutura superior das Forças Armadas, a Lei Orgânica de Bases de Organização das Forças Armadas (LOBOFA), a Lei de Defesa Nacional e a reforma das leis orgânicas. As Forças Armadas estão agora muito melhor equipadas e preparadas para o presente e menos viradas para o passado como era o caso até esta reforma.

Olhando para as grandes leis, a Lei das Infra-estruturas Militares foi um sucesso muito grande, porque convertemos muito património das Forças Armadas sem nenhuma finalidade militar em fogos habitacionais, mais de 1370, deixando-os, no entanto, no património nas Forças Armadas, o que representa uma receita de 100 milhões de euros para as Forças Armadas. Depois, houve a aprovação do estatuto dos antigos combatentes, uma dívida histórica. Qualquer pessoa minimamente isenta percebe que houve um avanço civilizacional, porque resolvemos uma dívida do Estado. Claro que não podemos estar completamente satisfeitos, mas houve tradução material para além de reparação moral. Os que não são antigos combatentes não compreendem o que significa para um Antigo Combatente ter o cartão que oferece uma série de benefícios, mas, sobretudo é essa frase – titular do reconhecimento da Nação – que tem marcado. Foram distribuídos 376 mil cartões até final de 2021 e 110 mil insígnias que foram pedidas e encomendadas.

Outra prioridade foram as indústrias de Defesa, onde há uma situação diferente da que havia no início deste Governo. O sector da aeronáutica já levantou voo e é extremamente promissor para os próximos anos. O sector naval requer ainda muito trabalho, mas hoje a realidade do Alfeite também não tem nada a ver com o Alfeite de há dois anos. Hoje o Alfeite está a ser bem gerido, houve pela primeira vez em 11 anos uma alteração dos preços. O resultado disso e de outras alterações de gestão do Alfeite é termos agora um Arsenal com expectativas positivas. Pela primeira vez, em muitos e muitos anos, temos um navio estrangeiro, marroquino, a fazer manutenção. É um contrato de quase dois anos para dez milhões de euros. As expectativas para as indústrias de Defesa são diferentes. Também estou satisfeito com a Lei de Programação Militar (LPM), porque o primeiro dos três quadriénios está a ter uma boa execução, e neste ano de 2022, qualquer que seja o governo, vai ter de fazer a revisão da LPM. Muita coisa mudou no mundo desde quando foi feita a actual LPM e é preciso revê-la de forma substantiva.

Quando fala do governo que vier está a dizer que não continuará na pasta?
Essa é a menor das minhas preocupações e ainda uma menor preocupação para a opinião pública. O que é importante daqui até 30 de Janeiro [data das eleições] é ter a humildade de ir à procura de cada voto para que Portugal tenha um governo estável e duradouro. Os próximos anos vão ser complicados, difíceis, de gestão muito exigente e isso não se compadece com soluções transitórias e provisórias. O fundamental agora é ir à procura de cada voto e ter a humildade de explicar quais são as propostas. Depois, quem se senta aonde é uma questão que António Costa, que estou convencido que será o primeiro-ministro, resolverá. O programa eleitoral do PS na área da Defesa oferece-me toda a segurança e quem cá estiver tem o guião bem preparado.

A LOBOFA deu-lhe mais trabalho do que pensava?
Deu-me o trabalho que pensava, um trabalho de diálogo e de concertação com os diversos partidos na Assembleia da República. Com alguns foi possível chegar a entendimento, até bastante rapidamente, com outros não. Mas esse trabalho político foi importante e foi feito com intensidade. O trabalho de natureza legislativa, de redacção das leis, também foi muito intenso, mas tive uma equipa a apoiar-me e houve um diálogo muito estreito com o Estado Maior General das Forças Armadas e os três ramos.

Comentou a necessidade de um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional, um dos objectivos que fica para trás. Já tinha apoios políticos?
Já tinha encetado o processo do novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional e já tinha pedido ao Nuno Severiano Teixeira para o liderar com a participação de peritos, de pessoas que conhecem a matéria e, também, de representantes de diversos partidos, mas quando chumbou o Orçamento do Estado percebemos que não havia condições. Mas já tinha havido reflexão sobre o Conceito Estratégico de Defesa Nacional.

O ponto de partida tem de ser a alteração no ambiente geoestratégico que afecta Portugal. O anterior Conceito Estratégico de Defesa Nacional é de 2013, qualquer que seja o governo vai ter de meter mãos a esta obra em 2022. A nossa ideia é que seria um documento ‘mais anglo-saxónico’ do que de inspiração tradicional francesa, um documento prático, bastante pragmático olhando para a nossa envolvência geoestratégica e retirando conclusões. E não um documento que fala um pouco de tudo do que possa ter impacto na defesa e segurança de Portugal – a educação e a justiça – como o actual Conceito Estratégico de Defesa Nacional que tem tudo isso e muito mais. O que delineámos era um documento mais orientado para retirar ilações práticas de fenómenos novos. Não só em termos da intensa competência geopolítica, como o aparecimento de novas questões como o ciber, as múltiplas formas de ataques híbridos e o facto dos “cavaleiros do apocalipse” andarem por aí.

Tudo o que a sabedoria milenar invoca como os grandes sinais de preocupação para a humanidade – a fome, a guerra, a peste –, acompanhado por fenómenos mais recentes de Estados falhados, da incapacidade de governação de vastos espaços de territórios próximos de nós, em África, é fonte de preocupação mais profunda e imediata do que era em 2013.

É um conceito mais alinhado com a doutrina NATO e a estratégia da União Europeia?
Sim. Em termos de timings queríamos um Conceito Estratégico de Defesa Nacional aprovado no final do primeiro semestre de 2022, o que coincide com o Conceito Estratégico de Defesa da NATO que será aprovado no fim de Junho, e da “bússola estratégica” da União Europeia (UE), que pela primeira vez se assume como actor geopolítico e vai definir as principais linhas para uma relevância geopolítica, que será aprovado em Março. Sendo estas as nossas duas principais âncoras internacionais, fazia sentido o alinhamento e o diálogo do nosso Conceito Estratégico de Defesa Nacional com essa reflexão em que participamos.

A atribuição à GNR de navios patrulhas criou burburinho na Armada e um nó górdio de actuação com a Marinha. Isto tem solução?
Tem solução, naturalmente. Penso que houve falta de uma reflexão teórica e estratégica prévia do Estado português. É uma questão que não tem a ver com este Governo, que tem muitos anos e que carece de uma reflexão de conjunto. Porque se cada um vai comprando os diferentes equipamentos que até podem fazer sentido numa lógica exclusiva dessa instituição, quando se olha para o conjunto do Estado, dos seus equipamentos, e a forma como o Estado exerce a sua autoridade no mar, provavelmente há aqui disfuncionalidade que precisa de reflexão. Diria que em 2022, seguramente pelo próximo governo.

Tenho alguma dificuldade em compreender o investimento em meios navais pesados por parte de uma outra entidade que não seja a Marinha, mas o que interessa sobretudo é a articulação. Há pouco falávamos do Conceito Estratégico de Defesa Nacional e um aspecto que tem de ser muito melhor tratado é a articulação entre o interno e o externo que na nossa Constituição merece uma separação estanque, mas que a realidade contemporânea não permite tratar como realidades completamente distintas.

A que se deve o atraso crónico das promoções, apesar dos seus despachos atempados? Porque isto se atrasa tanto e leva os militares a sentirem-se maltratados além de prejudicados?
Esta situação é completamente indesejável e terá de mudar. Mas repare que temos aqui uma situação anómala. Este Governo, a partir de 2019, estabeleceu que se repunha a normalidade na progressão das carreiras interrompida no processo da troika e isto significaria que as promoções deveriam acontecer apenas por despacho do ministro da Defesa Nacional que, neste caso, apontaria para final de Abril ou Maio. Acontece, no entanto, que não houve o decreto-lei de execução orçamental desde 2019. Portanto, há uma disfuncionalidade entre o que ficou estabelecido na lei e, depois, os mecanismos práticos para se proceder à implementação da lei.

Quando chegou ao Ministério da Defesa Nacional qual era a ideia que tinha dos militares?
Fiz serviço militar e ao longo dos anos tive contactos com alguns militares, mas o que mudou na minha percepção foi uma apreciação muito mais aguda da qualidade técnica e profissional dos militares que hoje temos. É gente altamente formada, do melhor que o Estado tem. Os militares de 2021 na sua generalidade são muitíssimo mais qualificados, competentes, profissionais, são melhores militares do que os do passado. As nossas Forças Armadas são melhores.

Os militares são hoje menos corporativos?
Penso que não são muito corporativos. É evidente que cada um dos ramos tem vida própria, e essa vida própria estimula alguma rivalidade, mas isso vai atenuando-se. Hoje, e creio que as reformas legislativas vão nesse sentido porque são um estimulo forte à interacção entre os ramos, esse sentimento vai atenuando-se. Penso que o corporativismo nas Forças Armadas é algo que se vai mitigando com o tempo.

Tem notícias do desenvolvimento nas Forças Armadas de grupos cuja genuidade democrática suscita interrogações?
Sim, mas em escala muito pequena. É algo que os chefes militares vigiam com cuidado. Não temos o mesmo tipo de problemas das forças de segurança e o relatório anual de segurança interna é claro a esse respeito. Quando falamos das Forças Armadas estamos a falar de 27 mil pessoas até finais de Outubro. Aliás, é uma coisa que queria sublinhar, a maneira como temos sabido dar a volta ao número de efectivos, e entre 27 mil pessoas eu não posso pôr a mão no fogo por cada um. Mas a instituição como tal não está minimamente ameaçada por grupúsculos antidemocráticos.

Conseguimos dar a volta ao número de efectivos de várias maneiras, mas a mais importante é a imagem que as Forças Armadas têm na população, porque não temos só mais efectivos, mas maior número de candidaturas. A todos os níveis, do ensino superior, portanto das academias militares, do ensino politécnico, escola de sargentos, e a nível de praças. É um sinal muito encorajador, há trabalho para ser feito principalmente no domínio da formação contínua das Forças Armadas, na criação do quadro permanente de praças do Exército e da Força Aérea
 
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LM

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #7 em: Janeiro 20, 2022, 06:18:10 pm »
Citar
Jeffrey Pelt: Listen, I'm a politician which means I'm a cheat and a liar, and when I'm not kissing babies I'm stealing their lollipops
Hunt for Red October 1990

 :mrgreen:
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 
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Lightning

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #8 em: Janeiro 20, 2022, 07:07:04 pm »
O homem fartou-se de trabalhar, deve ter gasto a tinta toda da caneta com essas leis todas :mrgreen:.

Pelo menos não aprova os navios da GNR, mas se nem os ministros falam...

Espero que o tal conceito estratégico, seja como dizem, mais prático e menos teórico.

PS: Alguém pode confirmar essa do navio marroquino no Alfeite, nunca fiando :mrgreen:.
« Última modificação: Janeiro 20, 2022, 07:09:23 pm por Lightning »
 

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dc

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Re: Entrevista do Min da Defesa
« Responder #9 em: Janeiro 20, 2022, 09:50:38 pm »
Referente à LPM "o primeiro dos três quadriénios está a ter uma boa execução"... gostava de saber a definição de "boa", porque está praticamente tudo com atraso ou parado.

Continuo curioso com o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, se o antigo (e em vigor) ninguém entende muito bem o que é, o que será o novo e o que mudaria a actual situação das FA?