Combate a fogos pela F.A.P.

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1905 em: Abril 10, 2024, 02:09:18 pm »
A questão é que esses helis já estiveram no MAI e foram acabar na FAP que não os quer nem pintados, nunca tendo transpirado aspirações das FS em os operar. Obviamente, esse foi um cenário (gestão conjunta no âmbito do MAI) que também me ocorreu e que, obviamente, faria mais sentido se fossem unicamente tido em conta princípios de racionalização e boa gestão dos meios. O problema é que não antevejo grande interesse da PSP em operar helis. Já a GNR tem historial de operação de helis e tem ambições de ser um faz-tudo.

Num país com a nossa dimensão, faria sentido uma força conjunta de helis para as FS equipada, no mínimo, com 02 helis médios (tipo AW149) e 04 helis ligeiros (tipo Écureuil). Esta força deveria ser essencialmente para funções policiais (apoio ao GOE e COE, trânsito, etc.), mas poderia também apoiar o DECIR durante a época dos FF e apoio à FAP em missões SAR. Mas isto são coisas de países avançados. Em PT, helis é mais para serviços de taxi.

A FAP não querer os Ecureuil terá provavelmente a ver com a questão da manutenção e sustentação de mais uma mini-frota com um modelo completamente diferente dos já em uso. Mas isto já é um problema amplamente discutido, e mesmo sabendo que isto é um problema, o Exército ainda quer um modelo distinto de helicóptero (ou mais, se persistir alguma fantasia de ter Chinooks).
Já a GNR, parece querer copiar a Guardia di Finanza, o que faria sentido se a ideia fosse ter numa só força todas aquelas valências, mas na nossa realidade, seria um duplicar de competências.

Era preciso uma reestruturação com pés e cabeça. Alguém se opunha a um comando de helicópteros militar, com 3/4 modelos de helicóptero, e a um comando civil, com 2/3 modelos? De preferência com "overlap" em alguns dos modelos usados em ambos os comandos? Por exemplo, o AW-119 seria o heli ligeiro de ambos os comandos, o UH-60 o heli médio (em várias versões). Isto com o Merlin a fazer de "ponte" entre os dois comandos, com a sua utilização civil e militar em simultâneo, sendo preferível adquirir-se mais alguns Merlin para reforçar a frota (a nível militar), em vez de ir comprar Chinooks.

Considerando este modelo, estamos a falar de apenas 3 modelos de helicóptero para quase todas as necessidades (assumindo que SH/MH-60 substituíam os Lynx), quando em tempos recentes rondávamos os 6 modelos. E isto ainda dava margem para que seja adquirido um 4º ou mesmo 5º modelo, caso se considere necessário, por exemplo o comando civil preferir o AW139 para tarefas de guarda costeira e evacuação aeromédica em vez do UH-60, ou no lado militar ser necessário um helicóptero de ataque.
 

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Charlie Jaguar

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1906 em: Junho 14, 2024, 04:07:57 pm »
Se possuíssemos meios próprios há largos anos, nada disto seria preciso. Smart procurement, onde andas...  ::)

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Combate a incêndios: Custo dos meios aéreos dispara 18 milhões de euros num ano
Por Revista de Imprensa 09:49, 14 Jun 2024

O Estado português vai desembolsar cerca de 80 milhões de euros pela operação de 70 aeronaves de combate a incêndios rurais, a maioria das quais já está disponível desde meados do mês passado. Adicionalmente, a Força Aérea Portuguesa (FAP) avançou na semana passada com a contratação de dois aviões Canadair, que estão em fase de adjudicação e deverão começar a operar até ao início de julho. Embora ainda não se saiba o custo final da utilização das duas novas aeronaves anfíbias, se o valor for semelhante ao pago no ano passado, cerca de 4,1 milhões de euros, o custo total dos meios aéreos de combate a incêndios ultrapassará os 84 milhões de euros, segundo as contas do Público. Este montante representa um aumento de 18 milhões de euros em relação aos 66 milhões gastos no ano passado com as 72 aeronaves previstas no dispositivo especial de combate aos incêndios rurais, um aumento de 27% num só ano.

Em 2022, a operação de 60 aeronaves custou cerca de 60 milhões de euros, segundo estimativas do próprio governo, indicando um crescimento de 40% nos custos com meios aéreos em comparação com este período. O dispositivo deste ano é semelhante ao do ano passado, com 34 meios aéreos operacionais entre 15 e 31 de maio, aumentando para 72 entre 1 de junho e 30 de setembro e diminuindo para 61 nos primeiros 15 dias de outubro. A única diferença é entre 16 e 31 de outubro, quando este ano estarão operacionais 21 aeronaves, menos duas do que no ano passado. No entanto, no ano passado, a contratação de helicópteros enfrentou problemas, com todos os concorrentes a apresentarem propostas superiores ao valor máximo permitido, resultando na exclusão das propostas e na indisponibilidade dos meios previstos. Em 15 de maio, apenas 27 das 34 aeronaves esperadas estavam operacionais, e os 72 aparelhos previstos para 1 de junho só estiveram no terreno a 6 de setembro, quase no final da época crítica dos incêndios.

Este ano, o processo de contratação foi mais tranquilo, apesar de alguns contratempos. “A Força Aérea tem vindo, de forma contínua, a envidar todos os esforços que garantam os meios aéreos necessários definidos para 2024, nomeadamente através da procura no mercado e respetivos processos de contratação. Assim, até ao momento, num processo que está em curso, foram garantidos 70 meios aéreos, em conformidade com as indicações da tutela”, afirmou a Força Aérea ao mesmo jornal no mês passado. A instituição confirmou a contratação de 70 meios aéreos por um valor aproximado de 80 milhões de euros. Esta quarta-feira, a porta-voz da Força Aérea, Patrícia Fernandes, atualizou a informação, confirmando que o Estado avançou para a contratação de dois aviões Canadair, modelo CL-215, através de ajuste direto com a Avincis, empresa que habitualmente fornece estes meios ao Estado português.

O atraso na contratação dos Canadair deveu-se à preferência da Proteção Civil por um modelo mais recente, mais difícil de encontrar no mercado e significativamente mais caro do que a versão mais antiga, habitualmente contratada pelo Estado português. Os problemas mecânicos apresentados por estes aviões no passado, que os mantiveram em terra, justificaram a procura por modelos mais recentes. Não tendo conseguido alugar o modelo desejado, houve um compasso de espera até o Ministério da Administração Interna decidir avançar com a contratação dos modelos disponíveis. A Força Aérea lançou no final do ano passado os concursos necessários para contratar os meios aéreos para o dispositivo deste ano. No entanto, as propostas apresentadas pelos concorrentes ultrapassaram os valores máximos permitidos, resultando na exclusão das propostas. Em resposta, a FAP lançou novos concursos no início deste ano com valores máximos ajustados, conseguindo contratar parte das aeronaves. Procedimentos concorrenciais urgentes foram lançados em março, terminando com a contratação dos restantes aparelhos por ajuste direto. Os dois Canadair, contudo, só receberam luz verde na semana passada.

Impacto da Guerra na Ucrânia

A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, provocou um aumento generalizado dos preços, refletindo-se nos helicópteros e seus componentes. As empresas do setor afirmam que os preços de venda de aparelhos novos subiram drasticamente, tornando o aluguer incompatível com os valores propostos nos concursos. Além disso, os custos dos componentes aumentaram significativamente, com algumas peças a duplicar de valor desde o início do conflito. Outros custos, como os salários dos pilotos e os seguros, também aumentaram consideravelmente.

https://executivedigest.sapo.pt/noticias/combate-a-incendios-custo-dos-meios-aereos-dispara-18-milhoes-de-euros-num-ano/
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1907 em: Junho 14, 2024, 05:21:05 pm »
Uma pessoa quando faz as contas ao gasto ao fim de 10 anos, depressa vê que gastamos em aluguer de meios, tanto ou mais do que se gastaria ao comprar as ditas aeronaves.
 
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1908 em: Junho 14, 2024, 05:28:28 pm »
Uma pessoa quando faz as contas ao gasto ao fim de 10 anos, depressa vê que gastamos em aluguer de meios, tanto ou mais do que se gastaria ao comprar as ditas aeronaves.

O problema é depois o resto que essas aeronaves precisam de ter, por isso é que nos outros sitio se faz sempre o custo para o tempo de vida do aparelho e não só da sua compra.
 

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dc

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1909 em: Junho 14, 2024, 05:41:11 pm »
Pois, com o dinheiro de 10 anos compras quase todas as aeronaves que precisas, com o dinheiro dos 10 anos seguintes garantes a sua manutenção/operação. Isto tendo em conta que cada aeronave duraria 20 anos de serviço à vontade, em alguns casos mais.

Ao ter as aeronaves, ainda se pode oferecer serviços de aluguer a outros países fora da nossa época de incêndios.
 

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1910 em: Junho 14, 2024, 06:25:15 pm »
E ter helicópteros próprios para incêndios que sejam semelhantes aos usados para fins militares, além de vantagem para pilotos e manutenção, pode ter a  vantagem de...um dia se usar onde tiver de ser
 
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1911 em: Junho 25, 2024, 09:53:56 am »
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Aquisição dos serviços de OPERAÇÃO, GESTÃO DE AERONAVEGABILIDADE PERMANENTE e de MANUTENÇÃO, de atualização de manuais e publicações técnicas e de assistência técnica das aeronaves Ecureuil AS350 B3 que fazem parte da frota própria do Estado e do respetivo MATERIAL DE APOIO OPERACIONAL COMPLEMENTAR

https://www.base.gov.pt/Base4/pt/detalhe/?type=contratos&id=10761763
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Charlie Jaguar

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #1912 em: Junho 26, 2024, 03:24:14 pm »
Resolução do Conselho de Ministros autoriza a FAP a adquirir um par de DHC-515.

Citar
8. Aprovou a Resolução do Conselho de Ministros que autoriza a Força Aérea, no âmbito do programa de edificação da capacitação própria do Estado, a realizar a despesa, com a aquisição de dois aviões bombardeiros pesados DHC-515, formação e infraestruturação e equipamentos;

https://www.portugal.gov.pt/pt/gc24/governo/comunicado-do-conselho-de-ministros?i=623
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

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