Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro

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Os canhões antiaéreos Krupp, de 88mm, do Exército Brasileiro


por Paulo Roberto Bastos Jr, Hélio Higuchi e Iury Gomes Jatai

Durante a segunda metade da década de 1930, o Exército Brasileiro (EB), encontrava-se numa situação preocupante. Conflitos em vários locais mostravam claramente uma tendência de insegurança reinante no mundo e muitos países sul-americanos possuíam equipamentos bélicos superiores aos do Brasil. Relatórios confidenciais do Estado-Maior das Forças Armadas revelavam que a Argentina e o Chile contavam com armamento muito mais moderno e numeroso, tanto aéreo, como terrestre e naval, e constatavam que o Brasil estava totalmente despreparado contra ameaças externas.


Em um caso hipotético de hostilidades contra seus vizinhos do Sul, somente haviam condições de defesa por um breve período, podendo até em menos de 30 dias perder o domínio do Estado do Rio Grande do Sul. Dentre as principais deficiências que o EB tinha era a completa obsolescência de seus equipamentos de artilharia.

O general Eurico Gaspar Dutra, então Ministro da Guerra, determinou que uma comissão com sede na Europa procurasse dentre os vários fabricantes de armas, visando analisar e recomendar novos equipamentos para o reaparelhamento das Forças Armadas. Foi, assim, enviado às indústrias Schneider, Krupp, Bofors, Ansaldo e Rheinmetall um edital para tomada de preços e condições de pagamento de seus produtos.

Para adquirir essas novas armas foi disponibilizada uma verba de um milhão e quinhentos mil contos de réis ao longo de dez anos, provenientes de uma reserva de recursos financeiros. As transações eram feitas em libra esterlina, a moeda forte da época. Além disso, o Brasil assinou um acordo comercial com a Alemanha que despontava com um parque industrial de tecnologia de ponta, permitindo compras em marcos de compensação, através de exportações brasileiras de produtos agrícolas. Dessa forma, em 19 de março de 1937, foram adquiridos 100 canhões de 75mm C/26 e acessórios da Fried Krupp AG, para equipar as unidades de cavalaria que guarneciam as fronteiras do Sul e Oeste do Brasil.

Eram peças de tração animal, pois existiam poucas estradas de rodagem, sendo o uso de veículos automotores predominante nos centros urbanos. O material foi recebido entre agosto de 1938 e fevereiro de 1939, com distribuição prevista em 25 baterias. Excetuando uma bateria que seria destinada à Escola Militar do Realengo, o restante seria distribuído em três divisões de cavalaria no Estado do Rio Grande do Sul e uma no Estado do Mato Grosso.

Exercício de tiro do I/1° RAAAé na praia de São Conrado (atual o Gávea Golf Club), no Rio de Janeiro, nos anos de 1940. Na foto, treinamento de tiro de costa, pois esses canhões tinham a função secundária de defesa costeira em tiro direto, contra torpedeiras. CPDOC da Fundação Getúlio Vargas

O “GRANDE CONTRATO KRUPP”

Em 25 de março de 1938, foram assinados diversos contratos com a indústria alemã, resultando na compra de uma quantidade substancial de material para artilharia; nada menos do que 1.180 peças, desde canhões de campanha de 75mm, a até obuseiros de 150mm.

O fornecedor principal, novamente, foi a Fried Krupp AG, entretanto, este contrato, conhecido como “O Grande Contrato Krupp”, compreendeu também um substancial quantidade de munição e acessórios, incluindo 644 veículos automotores, 50 reboques-oficina, equipamentos para direção de tiro e de localização de som, e envolveu outros fornecedores como Carl Zeiss, Electroacoustic GmbH, Locomotivfabrik Krauss-Maffei AG, Matra-Werke GmbH, Daimler-Benz, Büssing-NAG e Henschel & Sohn.

O total do contrato era de 8.281.383 libras esterlinas, com um depósito inicial de 15% nesta moeda, e o restante em até 25 parcelas, em marcos de compensação (aliás, dependendo do material, a quitação deveria ser entre 8 e 15 parcelas).

Assim, o “Grande Contrato Krupp” previa a aquisição de material e, dentre os acessórios também constantes cabem ser destacados: Equipamentos de comando e direção de tiro (Preditores) WIKOG 9SH, fabricados pela Carl Zeiss e destinados às baterias antiaéreas de 88mm; Equipamentos de localização de som ELASCOPORTHOGNOM, fabricados pela Electroacoustic GmbH, para as baterias antiaéreas, e que era utilizado previamente à adoção de radares móveis, visando direcionar a artilharia contra aviões inimigos, orientando pelo som.

Aparelho de localização por som ELASCOPORTHOGNOM, pertencente ao 1/2º RAAAé, em Fernando de Noronha.
Arquivo pessoal de Ovídio Daolio via Marcio José Celestino

O contrato contemplava também os desenhos, o maquinário e os direitos de produção de todos os componentes das munições empregadas pelas peças adquiridas, buscando tornar o País autossuficiente nisso, exceção feita à espoleta mecânica de duplo efeito, não cedida pela Krupp.

GUERRA NA EUROPA

Em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial. Imediatamente, em apoio aos poloneses, a França e a Inglaterra declararam guerra contra a Alemanha. Embora o Brasil fosse neutro, suas encomendas foram prejudicadas pelo bloqueio naval imposto pela Royal Navy, impedindo que embarcações estrangeiras chegassem a portos alemães. A solução encontrada foi despachar o material a partir de Gênova, na Itália.

As baterias foram também equipadas com projetores antiaéreos 60” SPERRY M1939. O exemplar da foto pertencia ao 1/2º RAAAé, em Fernando de Noronha - Coleção de Jorge Salgado via Adler Homero Fonseca de Castro

A primeira remessa, composta de quatro canhões antiaéreos 88 mm junto com munição, foi embarcada num navio mercante de bandeira brasileira. Depois disso, e para evitar que o material completo fosse apreendido pelo bloqueio naval inglês, as remessas foram enviadas em partes, ou seja, os tubos dos canhões foram remetidos em um navio, e os reparos em outro, e em datas distintas.

Com a ocupação alemã da França e a adesão da Itália ao Eixo, o bloqueio inglês se expandiu e alcançou o Mar Mediterrâneo. A comissão brasileira que recebia o material produzido em Essen, passou utilizar como local de embarque a cidade de Lisboa, em Portugal, país que permaneceu neutro até o final das hostilidades.

Em novembro de 1940, o mercante “Siqueira Campos” carregado de parte da encomenda, foi apresado por navios ingleses e escoltado até Gibraltar. O fato, conhecido como “Incidente do Siqueira Campos”, gerou forte reação antibritânica nos oficiais brasileiros, e o general Dutra e o chefe do Estado-Maior do Exército, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, solicitaram aos Estados Unidos que intercedessem na questão.

O governo de Washington estava preocupado com a defesa do continente e buscava soluções para prover os países latinos com armamento, ao mesmo tempo em que enfrentava dificuldades para atender à sua própria demanda e ajudar aos que já combatiam o Eixo. Intervir a favor do Brasil iria resolver parcialmente, inclusive, a necessidade de armamento

para a defesa da costa nordestina contra uma eventual invasão alemã. Diante de um pedido pessoal do chefe do Estado-Maior do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, o general George Marshall, os britânicos permitiram que a carga fosse embarcada em um mercante norte-americano, levada até Nova York e transferida para um navio brasileiro. O mesmo procedimento se deu no segundo semestre de 1941, com outra carga já a bordo do navio brasileiro “Bagé”, que aguardava em Lisboa o desfecho das negociações.

Essas foram as últimas remessas que chegaram ao País, referentes ao “Grande Contrato Krupp”. Parte dos materiais, já aprovada e recebida pela comissão brasileira, estocadas em depósitos da Alemanha, França e Portugal aguardando um meio diplomático para ser remetida ao Brasil, foi requisitada pelo Exército Alemão, e com o afundamento de navios brasileiros e

a consequente declaração de guerra contra o Eixo, o restante acabou apossado pelas tropas alemãs. Caso o Brasil tivesse recebido a totalidade da encomenda, teria se transformado, na ocasião, na nação latino-americana mais equipada em termos de artilharia.

Do material que conseguiu chegar ao Brasil destaca-se:

_ 92 peças de artilharia, sendo 28 canhões antiaéreos de 88 mm C/56 e 64 canhões de campanha de 75 mm C/34;

_ 05 tratores meia-lagarta Krauss-Maffei AG Sd.Kfz. 7, de 7,5 toneladas, equipados com guindaste auxiliar de 2,5 toneladas;

_ 10 reboques-oficina Matra-Werke GmbH.;

_ 06 viaturas todo terreno Henschel & Sohn GmbH 33 D1, de 4 toneladas;

_ 06 preditores Carl Zeiss WIKOG 9SH;

_ 18 aparelhos de localização pelo som Electroacoustic GmbH ELASCOPORTHOGNOM.

Um preditor WIKOG 9SH, da Carl Zeiss, de 4 metros de base, móvel, comandando o disparo automático de uma bateria de canhões 88mm do I/1° RAAAé em tiro costeiro - CPDOC da Fundação Getúlio Vargas

O CANHÃO FLAK 18

Desenvolvido em 1928 como uma arma antiaérea, o 8,8cm Flugzeugabwehrkanone (Flak) 18, foi o primeiro modelo da família de 88mm e começou a entrar em serviço no Exército Alemão em 1933, mas sua fama começou apenas em 1937, com a Legião Condor, na Guerra Civil Espanhola, quando ficou patente que seus projéteis de alto-explosivo de 10,4 kg ou os perfurantes de 9,2 kg que atingiam uma velocidade na boca do cano de 820 m/s, eram capazes de penetrar qualquer blindado existente. Isso se repetiu com o Afrika Korps, no Norte da África, onde seu nome virou um mito.

Uma bateria dos “88” em Fernando de Noronha - Coleção de Jorge Salgado via Adler Homero Fonseca de Castro

Seu reparo possuía dois eixos para o transporte, mas que se transformavam em uma base cruciforme, fixa, com ângulo de giro de 360º e com uma elevação de -3 e +85º, sendo capaz de atacar alvos aéreos e terrestres. Em caso de emergência podia ser disparado sobre sua base de transporte, porém sem a mesma precisão.

Era normalmente tracionado por um por um trator Kraus-Maffei Sonderkraftfahrzeug 7 (Sd.Kfz.7), de 1937, e tinha a capacidade de rebocar cargas de até oito toneladas, o que fazia dele o mais numeroso e versátil meia-lagarta alemão.

OS “88” NO BRASIL

 Embora a quantidade do material recebido fosse muito menor do que a encomendada, ainda foi possível organizar três regimentos:

1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (I/1º RAAAé)

Instalada no Rio de Janeiro/RJ, na Vila Militar, em Marechal Deodoro, foi a primeira unidade a receber o material, em 04 de fevereiro de 1941, quando chegaram 12 peças para equipar três baterias, dois aparelhos de escuta ELASCOPORTHOGNOM, e uma bateria de projetor antiaéreo 60’’ SPERRY M1939. Em outubro do mesmo ano, a unidade realizou o primeiro exercício de tiro real, utilizando alvos rebocáveis, bem como todos os equipamentos que equipavam as baterias, tais como telêmetros, preditores WIKOG 9SH, aparelhos para localização pelo som, projetores, dois tratores Sd.Kfz. 7.

Durante 1943, o regimento foi reforçado por uma bateria de canhões automáticos antiaéreos de 37mm M2A2, de origem norte-americana. Os canhões 88mm, foram usados até 17 de novembro de 1954, quando foram substituídos por canhões antiaéreos de 90mm M1 (M117), também norte-americanos, e sua denominação passou a ser 1º Grupo de Canhões 90 Antiaéreos (1º G Can 90 AAe).

Atualmente, as tradições do I/1º RAAAe são preservadas pelo 1º Grupo de Artilharia Antiaérea (1º GAAAe), Grupo General Alves de Maia, em Marechal Deodoro.

1º Grupo do 2º Regimento de Artilharia Antiaérea (I/2ºRAAAé)

Instalada em Osasco/SP, foi equipado com duas baterias de quatro 88mm cada, e todos os equipamentos auxiliares, como dois tratores Sd.Kfz. 7.

Durante a guerra, o arquipélago de Fernando de Noronha, foi ocupado por um destacamento misto do EB, subordinado ao comando da 7ª Região Militar.

Foram para lá destacadas várias unidades de artilharia, dentre elas o I/2º RAAAé que partiu de seu quartel no bairro de Quitaúna por ferrovia, em maio de 1942, para o porto de Santos.

Embarcou no “Santarém”, do Lloyd Brasileiro, e após uma escala em Recife (PE), chegou às ilhas escoltado pelo cruzador “Rio Grande do Sul” e pelos navios-mineiros “Camocim” e “Caravelas”, em 13 de junho.

O desembarque dos canhões não foi uma tarefa fácil, pois não haviam lá instalações portuárias e esse tipo de operação era segura somente em algumas épocas do ano já que, normalmente, a dificuldade era causada pelo mar revolto produzindo um fenômeno chamado “ressaca de sotavento”. Para receber as cargas, o local era servido por uma lancha com motor Bolinders, de 25HP, e quatro balsas com capacidade de 2 a 4 toneladas.

O “Santarém” manteve-se a 400 metros da praia, e uma balsa puxada pela lancha encostava e o canhão era transferido. Em seguida, a balsa era levada até uma bóia que possuía um cabo de corda, sendo puxada até a praia pelos conscritos paulistas. Três dias depois de a primeira peça ser desembarcada, as duas baterias foram instaladas em condições operacionais no Morro do Curral, e foram comandados pelo tenente-coronel Henrique da Costa Neves Terra, permanecendo lá até o final de setembro de 1944.

Esta unidade se transformou no 2º Grupo de Artilharia Antiaérea (2º GAAAe), Grupo José Bonifácio e Fernando de Noronha, com sede em Praia Grande (SP).

1°Grupo do 3° Regimento de Artilharia Antiaérea (I/3° RAAAé)

Instalada em Natal/RN, recebeu os oito 88mm restantes, perfazendo duas baterias e equipamentos acessórios e um trator meia-lagarta Sd.Kfz. 7. Sua missão era proteger a área de Natal (RN), tanto contra ataques aéreos à Base Aérea de Parnamirim, como para defesa do litoral.

Assim, uma bateria ficou estacionada ao largo daquela base aérea, apoiada por uma bateria de projetores SPERRY, e a outra foi para a região de Ponta de Santa Rita (Genipabu). Às 7:00hs do dia 18 de dezembro de 1942, disparos foram efetuados contra a vela de um submarino não identificado, detectado a 2.600 metros da costa.

Atualmente, o herdeiro das tradições do I/3º RAAAe é o 17º Grupo de Artilharia de Campanha (17º GAC), Grupo Jerônimo de Albuquerque, com sede em Natal.

Mesmo com a chegada de uma expressiva remessa de material dos Estados Unidos, via Lend Lease Act, os Krupp 88mm C/56 modelo 18 continuaram em serviço no EB até metade da década de 1950, só sendo descarregados por escassez de munição, pois pela qualidade de emprego superavam, em muitos aspectos, os seus pares norte-americanos.

SOBREVIVENTES

O Krupp 88mm mod 18 preservado no Museu de Armas, Veículos e Máquinas André Matarazzo, em 2008, Bebedouro (SP)
Foto Hélio Higuchi

Hoje, restam preservadas pelo menos seis desses canhões: na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende/RJ; na entrada do 1º Grupo de Artilharia Antiaérea, junto com um refletor SPERRY, na Vila Militar, Rio de Janeiro/RJ; duas peças no Monumento Nacional dos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no aterro do Flamengo, Rio de Janeiro/RJ; no Museu Militar Conde de Linhares (MMCL), que também possui um preditor WIKOG 9SH, no Rio de Janeiro/RJ; e no Museu de Armas, Veículos e Máquinas André Matarazzo, em Bebedouro/SP.

Dos veículos, nenhum dos raríssimos tratores meia-lagartas Krauss-Maffei Sd.Kfz. 7 sobreviveu, mas, existem relatos de que um deles, sucateado, permaneceu até a década de 1980 no 22º Deposito de Suprimento (22º D Sup), em Osasco/SP.

Entretanto, a carcaça de um dos reboques-oficina Matra-Werke prestou serviços até pouco tempo, montado na carroceria de um caminhão Mercedes-Benz L-1111, de 2 ½ toneladas, do Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), em Barueri/SP.

Uma valiosa peça histórica que deveria ser preservada num dos vários museus do EB.

REFERÊNCIAS

ALVES, Vágner. O Brasil e a Segunda Guerra Mundial: Paradigma de Inserção em conflito total e global para países periféricos e estrategicamente importantes. In: Contexto Internacional. Rio de Janeiro-RJ. V.21, Nº1, jan/jun 1999, p.63

CONN, Stetson; FAIRCHILD,Byron. A Estrutura de Defesa do Hemisfério Ocidental. (Título, do original The Framework of Hemisphere Defense, com tradução para o português de Luis Cesar Silveira Fonseca. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 2000

DUARTE, Paulo de Queiroz. O Nordeste na II Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Editora Record, 1971

DUTRA, Eurico Gaspar. Situação atual do Exército Brasileiro em junho de 1940 – suas principais necessidades. Rio de Janeiro: Ministério da Guerra, 1940

FORTES, Hugo Guimarães Borges Fortes. O Rearmamento do Exército Brasileiro no Final da Década de 1930. Revista A Defesa Nacional, 787. Rio de Janeiro: páginas 60 a 79, edição do 3º quadrimestre de 2000

GAMBINI, Roberto. O Duplo Jogo de Vargas. São Paulo (SP), Editora Símbolo, 1977

MINISTÉRIO DA GUERRA. Contrato firmado com autorização do Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, entre os Ministérios da Guerra e da Fazenda e a firma Fried Krupp A.G., de Essen, Alemanha, para fornecimento de material de artilharia do Exército Brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Militar 1938

STEINFUS, Ricardo. O difícil aprendizado do nacionalismo. As relações brasileiras com a Itália e Alemanha, 1930-1942. In: A Revolução de 30 – Seminário Internacional. Brasília (DF), Editora Universidade de Brasília, p.625-643.

1º GRUPO DE ARTILHARIA ANTIAÉREA. Resumo Histórico. Disponível em http://www.1gaaae.eb.mil.br/2016-02-10-19-06-22
 

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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #1 em: Junho 05, 2020, 02:42:00 am »
CA-Sul restaura Acervo Histórico


Santa Maria (RS) – O Centro de Adestramento-Sul (CA-Sul), com apoio do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3), restaurou seu acervo histórico, composto por viaturas blindadas e peças de artilharia e morteiros, que representam o adestramento da tropa blindada e de apoio de fogo realizado por este Centro.


Além da nova pintura, a equipe do Pq R Mnt/3 envidou esforços para valorizar pequenos detalhes e recuperar o material face as intempéries do tempo.

 :arrow:  http://www.3de.eb.mil.br/index.php/component/content/article?id=1991&




 

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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #2 em: Junho 05, 2020, 04:42:12 pm »
Histórico dos Blindados no EB (Parte I)

 
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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #3 em: Junho 05, 2020, 05:13:59 pm »
Histórico dos Blindados no EB (Parte II)

Contratos de Cooperação Militar

Em 1939 é criado em janeiro o CIMM (Centro de Instrução de Motorização e Mecanização).
Em 1941 é assinado o Contrato Leand-Lease (Lei de Empréstimo e Arrendamento), no valor de 100 milhões de dólares com os Estados Unidos.
Em 1942 o Centro de Instrução é transformado em EsMM (Escola de Motomecanização).

 
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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #4 em: Junho 05, 2020, 05:37:21 pm »
Histórico dos Blindados no EB (Parte III)

Modernização e Desenvolvimento de Blindados

 
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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #5 em: Junho 10, 2020, 01:59:52 am »
Histórico dos Blindados no EB (Parte IV)

 
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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #6 em: Junho 10, 2020, 02:10:28 am »
Histórico dos Blindados no EB (Parte V)

 

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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #7 em: Setembro 02, 2020, 07:06:19 pm »
Citar
ROLAND 2

Rio de Janeiro (RJ) - No dia 26 de agosto de 2020, a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) recebeu do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) um exemplar do Sistema de Defesa Antiaérea ROLAND 2, que ficará a partir de agora exposto no seu Acervo a Céu Aberto. O Sistema de Defesa Antiaérea ROLAND 2 é francês e funcionava sobre o chassis do MARDER (viatura blindada alemã). Esse respeitado sistema foi utilizado em instrução na EsACosAAe de 1977 até a década de 90. A operação de transporte do blindado contou com o apoio das Seções de Manutenção da EsACosAAe e do CTEx e de uma prancha do Estabelecimento Central de Transporte (ECT). As equipes de manutenção trabalharam previamente a parte mecânica do carro e garantiram o seu funcionamento durante a operação.

Texto: EsACosAAe




 

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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #9 em: Abril 02, 2021, 03:10:35 pm »
Renault FT-17 - o primeiro blindado adotado pelo Exército Brasileiro


Os carros de combate francês Renault FT-17 foram os primeiros blindados adotados pelo Exército Brasileiro, em 1921.

Oriundo de um projeto de grande sucesso foi levado adiante por Louis Renault em colaboração com o General Jean-Baptiste Eugene Estiene, o Renault FT-17, designação que deriva da abreviatura de Char de Faible Tonnagge modelo do ano de 1917- (em tradução literal Tanque de Baixa Tonelagem).

Leve e muito avançado para a época, o pequeno FT-17 era uma máquina extraordinária. Os testes com os protótipos começaram em abril de 1917, apenas cinco meses depois de seus desenhos ficarem prontos.

Possuíam uma blindagem em aço, com 22 mm de espessura, pesavam cerca de 6,5 toneladas e eram propelidos por um motor Renault de 4 cilindros, a gasolina, com potência de 39 hp, que lhes possibilitava atingir uma velocidade máxima de 7,5 km/h. Seu armamento ficava instalado em uma torre com giro independente em 360º. Sua guarnição era formada por dois tripulantes: o motorista e o comandante, que também desempenhava a função de atirador.


Além das versões de combate, o chassi contemplava uma família ampla, formada pelo carro projetor, unidade de telegrafia sem fio (rádio), tracionador de balão de observação, transportador de ponte, fumígeno e lança-chamas.

Seu batismo de fogo ocorreu em 31 de maio de 1918, na primeira guerra mundial, e o emprego em massa foi em 18 de julho do mesmo ano.

O FT-17 foi um modelo revolucionário pelas seguintes razões:

Possuía uma torre com giro de 360º e duas opções: canhão Puteaux de 37 mm ou metralhadora Hotchkiss de 8 mm;
sua arquitetura de construção se torna uma referência entre os blindados: motor na traseira, torre no centro e sistema de direção à frente;
O projeto contemplou, desde o início, uma diversificada família de modelos sobre o mesmo chassis.

Com a criação da Companhia de Carros de Assalto, em 26 de maio de 1921, sob o comando do Capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, o Brasil tornou-se o pioneiro da arma blindada na América do Sul.

Com a criação da Companhia de Carros de Assalto, em 26 de maio de 1921, sob o comando do Capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, o Brasil tornou-se o pioneiro da arma blindada na América do Sul.

O Exército Brasileiro adquiriu doze unidades em 1921: seis equipados com torre fundida (Berliet), armados com canhões Puteaux calibre 37mm, cinco equipados com torre octogonal rebitadada, armados com metralhadoras Hotchkiss calibre 7mm, e um modelo “TSF” (Telegrafia Sem Fio), sem torre giratória e destinado à comunicação com os escalões superiores.

Estes carros formaram a Companhia de Carros de Assalto, na Vila Militar, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), tornando o Brasil pioneiro no emprego da arma blindada na América do Sul. A Companhia era considerada uma tropa independente, adida à 1ª Divisão de Infantaria, e o ingresso nela era aberto a oficiais de todas as armas.

Em 3 de novembro de 1921, ocorreu o primeiro exercício de blindados em conjunto com a aviação militar na Vila Militar do Rio de Janeiro. Em 21 de janeiro de 1932, a companhia foi extinta, mas alguns blindados participaram da revolução de 1932 para proteção de pontes e para atacar ninhos de metralhadoras.


A companhia de Carros de Assalto foi organizada em quatro seções. Os FT-17 chegaram no Brasil pintados de marrom escuro, mas em 1925 foram pintados na cor verde oliva. Na traseira do carro estava pintado o emblema da unidade e o nome do carro.

DIVULGAÇÃO: 3ª Divisão de Exército
 
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Re: Armas, veículos e equipamentos históricos do Exército Brasileiro
« Responder #10 em: Abril 09, 2021, 02:40:34 pm »
A CONSOLIDAÇÃO DOS BLINDADOS NO EXÉRCITO BRASILEIRO

A consolidação dos blindados no Exército Brasileiro não ocorreu de forma contínua e linear, pois a tradição da cavalaria hipomóvel era milenar e, portanto, profundamente arraigada nos exércitos do mundo. Essa realidade foi superada pelas ideias e ações arrojadas dos capitães José Pessoa, primeiro comandante de tropa blindada no Brasil, e o capitão Carlos Flores de Paiva Chaves, que deu prosseguimento ao pioneirismo de José Pessoa, ao ser nomeado para organizar o Centro de Instrução de Motorização e Mecanização (CIMM) e comandar a recém-criada Subunidade-Escola deste Centro, além de integrar a Comissão de Estudos de Motomecanização, uma novidade dentro do Exército Brasileiro.

Essa foi a continuação qualificada na formulação da doutrina de blindados. As ações possibilitaram ao Exército Nacional incorporar de forma irreversível a arma blindada, acompanhando os grandes exércitos do mundo na evolução da arte da guerra.

Fiat Ansaldo CV3/35 Modelo II

O Exército Brasileiro adotou o carro de assalto italiano Fiat Ansaldo CV3/35 Modelo II. A designação "CV" é uma abreviatura de Carro Veloce (italiano: “tanque rápido”). Os 23 blindados Fiat-Ansaldo, CV 3-35 II chegaram no Brasil em 25 de maio de 1938, para o Esquadrão de Auto-Metralhadora do Centro de Instrução de Motorização e Mecanização, integrado à recém-criada Subunidade-Escola de Motomecanização (atual Escola de Material Bélico – EsMB).

Durante e logo após a Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano estava preocupado com uma possível ameaça de invasão no continente americano por parte das forças do Eixo e prestou ajuda militar com o objetivo promover a modernização da Força Armada Brasileira. Com isto, a arma blindada brasileira foi inteiramente modificada e modernizada, passando a possuir blindados norte-americanos dos modelos M-3 Lee, M-4 Sherman e M-3 Stuart, os quais foram os sucessores dos Fiat-Ansaldo nas novas unidades criadas.



M3 Stuart

O M3 Stuart era um tanque leve americano, que foi usado durante a Segunda Guerra Mundial pelas forças americanas e aliadas até o final da guerra. A produção do veículo começou em março de 1941 e continuou até outubro de 1943. O armamento do M3 consistia de um canhão de 37mm e metralhadora .30 Browning.
Com a entrada do Brasil na guerra ao lado dos aliados, o Exército Brasileiro recebeu diversos carros de combate M3 ao longo dos anos seguintes, totalizando aproximadamente 350 unidades. O Stuart M3, que entre a tropa era conhecido como “Perereca”, por serem pintados de verde e por pularem muito ao transitarem no campo. Foi empregado nos Batalhões de Carro de Combate Leve (BCCL), como o 3º BCCL, atual 29º Batalhão de Infantaria Blindada, em Santa Maria, e na função de reconhecimento nos Regimentos de Cavalaria Mecanizada. Permaneceu em serviço até a década de 70, quando foi substituído pelo M41 Walker Bulldog.



M3 Lee

O novo carro de combate M3 possuía um design incomum. Possuía dois canhões: um canhão de 37 mm, que estava montado na torre principal, e a arma principal, o canhão M2 de 75mm não estava instalado em uma torre giratória, e sim no chassi, isto se deu porque nesta época as indústrias americanas não dispunham da capacidade técnica para produzir uma torre fundida que portasse uma peça deste calibre. Acima da torre estava instalada uma metralhadora Browning.50, para uso do comandante do carro.

O Brasil recebeu inicialmente 104 tanques médios Lee nas versões M3A3 e M3A5 e, como padrão, ambos os modelos estavam armados com canhões de 75mm e 37mm, além de metralhadoras. Sua guarnição era composta de seis homens com o canhão principal, sendo operado por um artilheiro e um carregador.

A introdução dos carros de combate médio M3A3 e M3A5 nas fileiras do Exército Brasileiro viria a provocar a geração de um novo ciclo operacional em termos de carros de combate blindados. Abandonou-se, assim, a doutrina militar francesa da qual o Brasil era signatário, conceitos operacionais militares estes que já estavam ultrapassados, pois eram oriundos da experiência daquele país na Primeira Guerra Mundial.

Inicialmente, os novos tanques M3A3 e M3A5 Lee foram priorizados para as principais unidades blindadas, entre elas, primeiramente o 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), que estava aquartelado no antigo Derby Club, na cidade do Rio de Janeiro, e depois alocados junto ao 2º Batalhão de Carros de Combate (2º BCC), sediado em Valença, no mesmo estado e, por fim, no 3º Batalhão de Carros de Combate (3º BCC), sediado na capital do estado de São Paulo, consolidando assim a Divisão Motomecanizada.


M8 Greyhoud

Em 1941, o Departamento de Defesa Americano, adotou o carro antitanque leve e de reconhecimento para as tropas de cavalaria M8 Greyhoud, veículo blindado leve sobre rodas com tração 6X6, armado com um canhão de 37 mm instalado em uma torre giratória, dispondo ainda de duas metralhadoras Bronwing .50. para autodefesa.

Seguindo a estrutura padrão do Exército Americano na Segunda Guerra Mundial, havia a necessidade de se compor na Força Expedicionária Brasileira (FEB) uma unidade de reconhecimento mecanizada. Criou-se, assim, o 1º Esquadrão de Reconhecimento da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, com veículos de reconhecimento blindados, para poder dar suporte ao avanço das tropas no teatro de operações italiano, front de batalha designado para as Forças Armadas Brasileiras.

Ao longo da campanha os M-8 estiveram presentes nas principais batalhas e momentos de glória da FEB, como a Batalha de Montese e a rendição da 148ª Divisão Alemã, bem como, a dos remanescentes da Divisão Monte Rosa italiana. Após a guerra, os M8 continuaram empregados como viatura de reconhecimento na cavalaria mecanizada até a substituição pelas viaturas Cascavel, de fabricação nacional.


Carro de Combate Sherman

O cenário começaria a mudar a partir de meados de 1945, quando começaram a ser recebidos os primeiros carros de combate médio M-4 Sherman, que já substituíram de imediato os M3A3 e M3A5 Lee do 1º BCC e, assim, ao longo do próximo ano, gradativamente, os Sherman assumiram a posição de principal carro de combate brasileiro.
Os primeiros carros de combate M-4 Sherman chegaram ao Brasil em plena Segunda Guerra Mundial, 1943, para equipar unidades recém-criadas no Exército Brasileiro, como a Companhia Escola de Carros de Combate Médio. Durante e no pós-guerra, o Exército recebeu aproximadamente 80 Sherman das versões M-4, M4-A1 e M-4 Composite Hull, que passaram a equipar diversas unidades blindadas até o final dos anos 60, quando foram sendo substituídos gradativamente pelos M-41 Walker Bulldog. Essas viaturas foram dotação do 4º Regimento de Carros de Combate (4ºRCC), em Rosário do Sul, e 6º Regimento de Cavalaria Blindada (6º RCB), em Alegrete. A partir de 1957, foram recebidos os primeiros carros blindados M41 Walker Buldog, sendo descarregados do serviço ativo em 1969.


 
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