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Outras Temáticas de Defesa => Área Livre-Outras Temáticas de Defesa => Tópico iniciado por: Jorge Pereira em Março 15, 2011, 01:00:00 am

Título: Tragédia no Japão
Enviado por: Jorge Pereira em Março 15, 2011, 01:00:00 am
Para além do brutal terramoto e maremoto que sacudiu o Japão, este país enfrenta agora uma gravíssima ameaça nuclear. Que Deus os ajude a controlar a situação!

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Já na noite desta segunda-feira

Nova explosão na central de Fukushima

Uma nova explosão, a terceira, foi ouvida já na noite desta segunda-feira na central nuclear de Fukushima, no Japão, segundo relatam várias agências noticiosas.

A explosão terá ocorrido no reactor número dois e, minutos antes de se ouvir esta nova explosão, as autoridades japonesas reconheceram que podia haver danos no edifício de contenção do reactor dois.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que esses “possíveis danos” seriam na estrutura que serve para refrigerar o reactor e que controla a pressão no interior do mesmo reactor.

Hoje, o director-geral da AIEA, Yukiya Amano, confirmou o pedido de ajuda do Japão, que apelou ao envio de uma equipa de especialistas. “Estamos a definir os detalhes”, adiantou o responsável da agência da ONU à AFP. A ajuda já tinha sido oferecida pouco após o sismo de sexta-feira que esteve na origem de duas explosões na central de Fukushima, a cerca de 250 quilómetros de Tóquio.

Amano adiantou que não é provável que este desastre venha a ter as dimensões do maior desastre nuclear de sempre, que ocorreu em Tchernobil, na Ucrânia, em 1986. Também a agência de segurança nuclear japonesa excluiu a hipótese de um acidente semelhante ao de Tchernobil na central de Fukushima, mas a Autoridade para a Segurança Nuclear Francesa (ASN) classificou o acidente na central japonesa no nível “5 ou 6” numa escala internacional cujo máximo é 7, a partir de informações fornecidas pelas autoridades japonesas. O presidente da agência francesa, André-Claude Lacoste, adiantou à Reuters que o nível 4 “é um nível grave” e sublinhou: “Creio que estaremos perante o nível 5, ou mesmo o nível 6”.

Já esta manhã tinha ocorrido uma nova explosão no reactor 3 da central de Fukushima, dois dias após outra explosão no reactor 1. Um terceiro reactor apresenta problemas de refrigeração, ainda que as autoridades japonesas tenham considerado “improvável” uma explosão nesse reactor 2, o terceiro em perigo na central.

A agência de segurança nuclear japonesa indicou que o rebentamento se ficou a dever a uma concentração de hidrogénio e as autoridades indicaram que o núcleo do reactor continua intacto e que os níveis de radiação permanecem abaixo dos limites legais.

A empresa responsável pela central, a Tokyo Electric Power (TEPCO), adiantou ser possível a fusão do núcleo de um dos reactores da central por ter descido o nível da água que cobre o combustível nuclear e permite controlar a temperatura. Se isso acontecer, haverá uma nova explosão e será libertado material radioactivo para a atmosfera. Para evitar o sobreaquecimento do núcleo, tem sido injectada água marinha no reactor 2, adiantaram as autoridades japonesas aos responsáveis da AIEA. Para além de apoio à agência da ONU, o Japão pediu aos EUA equipamento para fornecimento de água e outros recursos que ajudem a arrefecer o reactor.

O porta-voz do Governo japonês, Yukio Edano, indicou que as possibilidades de fuga radioactiva após a explosão desta sexta-feira são “baixas”. Apesar disso, dezenas de milhares de pessoas já foram retiradas, nos últimos dias, da zona em volta da central nuclear. Pelo menos 22 pessoas estão a ser tratadas após exposição a radiações.

Após a explosão estavam desaparecidas sete pessoas, que entretanto já foram encontradas, relata a agência Jiji. Seis delas sofreram ferimentos.

Fonte (http://http)

 


(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fwww.washingtonpost.com%2Fwp-srv%2Fspecial%2Fworld%2Fjapan-nuclear-reactors-and-seismic-activity%2Fimages%2Fplant-view.jpg&hash=c205f0d0bfb0d91cbb3e321aca5d202f)

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fwww.washingtonpost.com%2Fwp-srv%2Fspecial%2Fworld%2Fjapan-nuclear-reactors-and-seismic-activity%2Fimages%2Fjapan-map.jpg&hash=f6d592b2795b8bbf952cf3de4702abcc)



Entretanto, o Pentágono mandou retirar todos os navios militares que se encontravam perto de esta zona após detectarem radioactividade em militares. Entre estes estava o USS Ronald Reagan.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Jorge Pereira em Março 15, 2011, 06:16:48 pm
Santo Deus!

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Novos problemas na central nuclear de Fukushima


União Europeia fala de “apocalipse” no Japão


O comissário europeu da Energia, Günther Oettinger, qualificou o acidente nuclear no Japão como um “apocalipse” e adiantou que as autoridades locais terão perdido o controlo da situação na central nuclear de Fukushima I, onde já houve três explosões. O espaço aéreo em redor da central foi encerrado.

“Estamos a falar de apocalipse e creio que a palavra é particularmente bem escolhida”, disse Günther Oettinger esta terça-feira perante uma comissão do Parlamento Europeu em Bruxelas. “Tudo está praticamente fora de controlo”, adiantou, citado pela AFP. “Não excluo o pior nas horas mais próximas”.

Uma terceira explosão no reactor 2 da central nuclear de Fukushima I, e um incêndio no reactor 4 fizeram esta terça-feira subir de tom a crise nuclear no Japão. As autoridades admitem agora que os níveis de radioactividade poderão afectar a saúde humana. E a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) também já reconheceu que poderá haver danos no núcleo do reactor 2.

Yukiya Amano, director-geral da AIEA, disse em conferência de imprensa que há “possivelmente danos” no núcleo do reactor 2. “Deverão ser inferiores a cinco por cento”, adiantou, para depois salientar que a situação é “preocupante” mas será diferente da catástrofe nuclear que ocorreu em Tchernobil, na Ucrânia, em 1986. O responsável da AIEA disse que precisa de informação mais actualizada e detalhada sobre o que está a acontecer no Japão.

A agência da ONU para a energia atómica já tinha emitido um comunicado a referir que as explosões nos reactores 1 e 3 não danificaram os vasos de pressão primários (primeira camada de protecção do núcleo dos reactores). “Estão ambos intactos”. No entanto, a explosão de ontem no reactor 2 “pode ter afectado a integridade do seu vaso de pressão primário”, acrescenta.

A Autoridade de Segurança Nuclear francesa já tinha alertado para a possibilidade de danos neste sistema de contenção que é o mais importante para evitar uma fuga radioactiva. Adiantou ainda que o acidente nuclear em Fukushima I atingiu um nível de gravidade 6, numa escala de um a sete. "O fenómeno assumiu uma dimensão totalmente diferente da de ontem. É claro que chegámos ao nível 6", disse André-Claude Lacoste, citado pela AFP. Mas a Agência de Segurança Nuclear japonesa não confirma o nível de gravidade 6, fala antes de nível 4.

No perímetro de 30 quilómetros em torno da central as pessoas não podem sair de casa e foi estabelecida uma zona de exclusão aérea, mas apesar disso as autoridades japonesas informaram a ONU de que os níveis de radioactividade junto à central estão a baixar.

Problemas em quatro reactores

Uns após dos outros, os reactores da central Fukushima I, 250 quilómetros a Norte de Tóquio, enfrentam uma infernal série de avarias e acidentes desde o sismo e tsunami da passada sexta-feira. Dos seis reactores da central, quatro registam problemas graves.

Ontem à noite, o reactor 2 da central de Fukushima Daiichi foi o terceiro a registar uma explosão, aumentando os receios de uma fuga radioactiva descontrolada de larga escala. As barras de combustível, no núcleo do reactor, deixaram de estar totalmente cobertas por água durante pelo menos duas horas, o que levou a que aquecessem e que ocorresse uma explosão. A empresa proprietária da central, a Tepco, ordenou a evacuação do reactor 2, com excepção dos funcionários que estão a injectar água para tentar arrefecer o reactor.

Paralelamente, deflagrou um incêndio no reactor 4, o que faz "aumentar consideravelmente" os níveis de radiação, declarou o primeiro-ministro, Naoto Kan, numa mensagem televisiva. O incêndio manteve-se activo durante duas horas.

“Agora estamos a falar de níveis que poderão ter impacto na saúde humana”, indicou hoje em conferência de imprensa o vice-chefe de gabinete do primeiro-ministro, Yukio Edano, segundo o qual o reactor "não está, necessariamente, em condições estáveis".

Fonte (http://http)

Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Vicente de Lisboa em Março 15, 2011, 06:21:25 pm
Os alemães andam um bocadinho às aranhas com isto. Deve ser a proximidade das eleições que lhes afecta o juízo. Parece que descobriram agora que o nuclear tem riscos. Ou se calhar estão à espera de tsunamis no Baltico...  :(
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 15, 2011, 07:19:45 pm
Indonésio sobrevive a dois tsunamis


O indonésio Zahrul Fuadi sobreviveu a dois tsunamis, um na sua terra natal, em Aceh, e outro na sexta-feira em Sendai, no Japão. O homem, de 39 anos, encontra-se entre os indonésios evacuados de Sendai, uma das zonas mais afectadas pelo gigantesco tsunami de sexta-feira.
«Sinto como se a minha família e eu tenhamos sido perseguidos por tsunamis de Aceh ao Japão», disse Zahrul, citado pelo site noticioso Kompas.com.

Quanto o tsunami atingiu Aceh a 26 de Dezembro de 2004, Zahrul e a sua família tiveram as sua vidas poupadas. «Depois do tremor de terra fugimos de mota o mais depressa possível e conseguimos», contou, acrescentando que a sua casa na aldeia de Simpang Mesr, em Banda Aceh, ficou completamente destruída.

Zahrul, um professor de engenharia na universidade de Syah Kuala University, e a sua família mudaram-se para Sendai no ano seguinte, depois de ter recebido uma bolsa para concluir um doutoramento ma Universidade de Tóquio.

«Vivi aqui durante seis anos e tinha planeado regressar a Aceh, mas como o destino quis, tive que enfrentar mais um gigantesco tremor de terra antes de regressar a casa», disse.

Quando o sismo de magnitude 9 abalou a costa nordeste do Japão, Zahrul estava a meio de uma apresentação no campus de Sendai.

«O abalo foi tão forte que toda a gente se escondeu debaixo das secretárias. Como continuou por mais de dois minutos, tive a certeza que o pior estava ainda para vir», contou.

«O tremor foi tão forte e parecido com o de Aceh que pensei eu um tsunami estava a caminho», continuou.

Zahrul e a sua família foram poupados proque o campus se situa a 15 quilómetros da costa, numa zona alta.

Apesar do que aconteceu, «eu e a minha família temos tanto a agradecer a Deus! Sobrevivemos a dois dos maiores desastres naturais da História», disse.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Desertas em Março 16, 2011, 10:12:49 am
O tsunami no Japão varreu o cargueiro "Asia Symphony"  para cima do cais de Kamaishi City-Iwate.
Dimensões 97 x 17m
Peso bruto GT 6175 toneladas

(https://lh5.googleusercontent.com/-3vKZ_TyqLIA/TX1QBn9xBrI/AAAAAAAARxU/-lX6DVXmCrI/s1600/ASIA_SYMPHONY.jpg)

(https://lh5.googleusercontent.com/-vHvyL4Ns-Ek/TX1P4_XYeVI/AAAAAAAARxQ/0ndYh1gTWOY/s1600/s_j27_RTR2JSRR.jpg)

Fonte :http://farinha-ferry.blogspot.com/

Um Abraço
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 16, 2011, 06:42:44 pm
Impacto económico pode ascender a 134,4 Mil Milhões de €€€


O devastador terramoto que abalou o Japão e a intensificação da consequente crise nuclear no país podem resultar numa perda até 200 mil milhões (cerca de 143,4 mil milhões de euros) para a terceira maior economia do mundo, mas o impacto global continua incerto cinco dias após o enorme tsunami que atingiu a costa nordeste japonesa.

Enquanto as autoridades locais procuram evitar uma catástrofe numa central nuclear a 240 quilómetros de Tóquio, os economistas contabilizam os danos do terramoto na construção, na produção económica e no consumo.

O desastre deve causar um grande prejuízo à produção japonesa nos próximos meses, mas os economistas alertam que pode haver uma desaceleração mais profunda se a escassez de energia for prolongada, atrasando ou até interrompendo a recuperação em forma de «V» que se seguiu ao terramoto de Kobe, em 1995.

A maioria acredita que o impacto económico directo será de 10 a 16 biliões de ienes (125 a 200 mil milhões), resultando numa contracção do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre, mas o investimento na reconstrução do país deve gerar uma forte retoma no segundo semestre de 2011.

«O custo económico do desastre será grande», disseram economistas do JP Morgan. «Houve perdas substanciais de recursos económicos, e a actividade económica será impedida por danos em infraestruturas (como escassez de energia) nas próximas semanas ou nos próximos meses».

A Bolsa de Valores do Japão teve a pior série de dois dias desde a crise de 1987 na segunda e na terça-feira, perdendo 626 mil milhões, antes de recuperarem 5,7% nesta quarta-feira, com fundos de hedge cobrindo posições vendidas.

No entanto, os operadores continuaram nervosos, influenciados por cada novo acontecimento na central nuclear de Fukushima e alertas a sinais de empresas e seguradoras japonesas que podem vender grandes quantias de activos estrangeiros e repatriar fundos para cobrir os custos da crise nuclear, do tsunami e do terramoto.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 16, 2011, 08:24:28 pm
Europa aconselhada a controlar alimentos importados do Japão


As autoridades europeias recomendaram o controlo da radioatividade nos alimentos importados do Japão, onde a situação na central nuclear de Fukushima foi qualificada de «verdadeira catástrofe».

Um porta-voz da comissão europeia informou hoje que os Estados europeus foram aconselhados na terça-feira a procederem a controlos de radioatividade nos produtos alimentares provenientes do Japão.

A União Europeia deve ser de imediato informada caso sejam detetados níveis de contaminação radioativa superiores ao normal, precisou ainda o porta-voz, que revelou terem sido importadas em 2010 nove mil toneladas de frutas e legumes, e se referiu a uma «importação muito fraca» de produtos de pesca.

Em paralelo, o comissário europeu para a Energia, Gunther Oettinger, criticou o que definiu como uma atitude "pouco profissional" dos japoneses.
A forma como a crise está a ser gerida "e os meios improvisados com que trabalham os japoneses implicaram que corrigisse a grande opinião que tinha até ao momento sobre a competência dos engenheiros, da competência da técnica, da competência industrial, da perfeição e precisão" dos nipónicos.

Perante uma comissão do Parlamento Europeu, Oettinger também se referiu a "divergências" entre a companhia de eletricidade japonesa Tokyo Electric Power, que explora os reatores danificados pelo terramoto de sexta-feira, e o governo de Tóquio sobre a resposta que deve ser fornecida à crise.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Vicente de Lisboa em Março 17, 2011, 03:12:42 pm
A Europa está absolutamente histérica com isto. Até tenho vergonha, sinceramente.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 17, 2011, 07:21:02 pm
Portugal vai controlar entrada de alimentos vindos do Japão


A Direcção-geral da Saúde (DGS) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estão a trabalhar em conjunto a forma de controlar os alimentos provenientes do Japão, devido aos riscos de exposição à radioactividade.

A informação foi avançada pelo director-geral da Saúde, Francisco George, que se escusou, contudo, a adiantar mais pormenores, explicando que o assunto está a ser estudado e trabalhado com outras entidades nacionais, entre as quais a APA.

Numa nota informativa disponível no site da DGS relacionada com o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, são especificadas as medidas de saúde pública que devem ser tomadas para reduzir a exposição da população à radiação ionizante.

No que respeita à exposição interna (ingestão e inalação), as recomendações são no sentido da «proibição do consumo de vegetais, leite e derivados produzidos em zonas onde tenha ocorrido deposição. Estes devem ser substituídos por produtos importados de locais não contaminados».

Esta medida segue as recomendações deixadas na quarta-feira por Bruxelas aos Estados europeus para controlarem a radioactividade nos alimentos importados do Japão, depois de a situação na central nuclear ter sido qualificada de «verdadeira catástrofe».

A União Europeia (UE) deve ser de imediato informada caso sejam detectados níveis de contaminação radioactiva superiores ao normal, afirmou um porta-voz da Comissão Europeia, revelando que em 2010 foram importadas nove mil toneladas de frutas e legumes.

Para as populações que venham a ser expostas à pluma radioactiva, a DGS recomenda a administração de iodo estável (não radioactivo) sob a forma de comprimidos de iodeto de potássio, uma medida que tem sido largamente aplicada no Japão, até porque a existência destes comprimidos faz parte do planeamento de emergência de uma central nuclear.

A explicação é dada pela DGS: o corpo humano utiliza iodo nas suas funções fisiológicas e este elemento é absorvido pela tiroide, que o utiliza para produzir hormonas.

O objectivo da administração de comprimidos de iodeto de potássio é saturar a tiróide para que ela deixe temporariamente de absorver iodo, impedindo desta forma a acumulação de iodo radioactivo no organismo, durante a exposição à pluma radioactiva.

Os dados recolhidos durante o acidente de Chernobyl demonstraram que o iodo radioactivo representou o maior impacto na população, tendo sido diagnosticados mais de cinco mil casos de cancro da tiróide só na população com menos de 18 anos.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Cabeça de Martelo em Março 18, 2011, 12:45:45 pm
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Cabeça de Martelo em Março 18, 2011, 12:46:27 pm
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Danger of Spent Fuel Outweighs Reactor Threat

By KEITH BRADSHER and HIROKO TABUCHI
Published: March 17, 2011

Years of procrastination in deciding on long-term disposal of highly radioactive fuel rods from nuclear reactors are now coming back to haunt Japanese authorities as they try to control fires and explosions at the stricken Fukushima Daiichi Nuclear Power Station.

Some countries have tried to limit the number of spent fuel rods that accumulate at nuclear power plants — Germany stores them in costly casks, for example, while Chinese nuclear reactors send them to a desert storage compound in western China’s Gansu province. But Japan, like the United States, has kept ever larger numbers of spent fuel rods in temporary storage pools at the power plants, where they can be guarded with the same security provided for the power plant.

Figures provided by Tokyo Electric Power on Thursday show that most of the dangerous uranium at the power plant is actually in the spent fuel rods, not the reactor cores themselves. The electric utility said that a total of 11,195 spent fuel rod assemblies were stored at the site.

That is in addition to 400 to 600 fuel rod assemblies that had been in active service in each of the three troubled reactors. In other words, the vast majority of the fuel assemblies at the troubled reactors are in the storage pools, not the reactors.

Now those temporary pools are proving the power plant’s Achilles heel, as the water in the pools either boils away or leaks out of their containments, and efforts to add more water have gone awry. While spent fuel rods generate significantly less heat than newer ones, there are strong indications that the fuel rods have begun to melt and release extremely high levels of radiation. Japanese authorities struggled Thursday to add more water to the storage pool at reactor No. 3.

Four helicopters dropped water, only to have it scattered by strong breezes. Water cannons mounted on police trucks — equipment designed to disperse rioters — were deployed in an effort to spray water on the pools. It is unclear if they managed to achieve that.

Nuclear engineers around the world have been expressing surprise this week that the storage pools have become such a problem. “I’m amazed that they couldn’t keep the water in the pools,” said Robert Albrecht, a longtime nuclear engineer who worked as a consultant to the Japanese nuclear reactor manufacturing industry in the 1980s and visited the Fukushima Daiichi reactor then.

Very high levels of radiation above the storage pools suggest that the water has drained in the 39-foot-deep pools to the point that the 13-foot-high fuel rod assemblies have been exposed to air for hours and are starting to melt, he said. Spent fuel rod assemblies emit less heat than fresh fuel rod assemblies inside reactor cores, but the spent assemblies still emit enough heat and radioactivity that they must still be kept covered with 26 feet of water that is circulated to prevent it from growing too warm.

Gregory Jaczko, the chairman of the United States Nuclear Regulatory Commission, made the startling assertion on Wednesday that there was little or no water left in the storage pool located on top of reactor No. 4, and expressed grave concern about the radioactivity that would be released as a result. The spent fuel rod assemblies there include 548 assemblies that were only removed from the reactor in November and December to prepare the reactor for maintenance, and may be emitting more heat than the older assemblies in other storage pools.

Even without recirculating water, it should take many days for the water in a storage pool to evaporate, nuclear engineers said. So the rapid evaporation and even boiling of water in the storage pools now is a mystery, raising the question of whether the pools may also be leaking.

Michael Friedlander, a former senior nuclear power plant operator who worked 13 years at three American reactors, said that storage pools typically have a liner of stainless steel that is three-eighths of an inch thick, and they rest on reinforced concrete bases. So even if the liner ruptures, “unless the concrete was torn apart, there’s no place for the water to go,” he said.

At each end of a pool are 16-foot-tall steel gates with rubber seals, used to swing fresh fuel rod assemblies into a reactor and to swing out and store the spent assemblies. The gates are designed to withstand earthquakes, Mr. Friedlander said, but could have sprung leaks given the power of last Friday’s quake, now estimated to have had a magnitude of 9.0.

Even if water gushed out of the gates, there would still be about 10 feet of water left on top of the fuel rod assemblies.

When the water in a storage pool disappears, residual heat in the fuel rods’ uranium left over from their time in a nuclear reactor continues to heat the rods’ zirconium cladding. This causes the zirconium to oxidize, or rust, and even catch fire. This breaks the seal of the rods, and pressurized radioactive gases like iodine, which accumulated in the rods while they were in the reactor, suddenly spurt out, Mr. Albrecht said.

Each rod inside the assembly holds a vertical stack of cylindrical uranium oxide pellets. These pellets sometimes become fused together while in the reactor, in which case they may stay standing up even as the cladding burns off. If the pellets stay standing up, then even with the water and zirconium gone, nuclear fission will not take place, Mr. Albrecht said.

But Tokyo Electric said this week that there was a chance of “recriticality” in the storage ponds — that is to say, the uranium in the fuel rods could become critical in nuclear terms and resume the fission that previously took place inside the reactor, spewing out radioactive byproducts.

Mr. Albrecht said this was very unlikely, but could happen if the stacks of pellets slumped over and became jumbled together on the floor of the storage pool. Tokyo Electric has reconfigured the storage racks in its pools in recent years so as to pack more fuel rod assemblies together in limited space.

If recriticality occurs, pouring on pure water could actually cause fission to take place even faster. The authorities would need to add water with lots of boron, as they have been trying to do, because the boron absorbs neutrons and interrupts nuclear chain reactions.

If recriticality takes place, the uranium starts to warm. If a lot of fission occurs, which may only happen in an extreme case, the uranium would melt through anything underneath it. If it encounters water as it descends, a steam explosion may then scatter the molten uranium.

At Daiichi, each assembly has either 64 large fuel rods or 81 slightly smaller fuel rods, depending on the vendor who supplied it. A typical fuel rod assembly has a total of roughly 380 pounds of uranium.

One big worry for Japanese officials is that reactor No. 3, the main target of the helicopters and water cannons on Thursday, uses a new and different fuel. It uses mixed oxides, or mox, which contains a mixture of uranium and plutonium, and can produce a more dangerous radioactive plume if scattered by fire or explosions.

According to Tokyo Electric, 32 of the 514 fuel rod assemblies in the storage pond at reactor No. 3 contain mox.

Tokyo Electric has said very little about the biggest repository of spent fuel assemblies at the site: 6,291 assemblies located in a common storage pool immediately inland from reactor No. 4.

Japan had hoped to solve the spent fuel buildup with a large-scale plan to recycle the rods into fuel that would go back into its nuclear program. But even before Friday’s quake, that plan had been hit with massive setbacks.

Central to Japan’s plans is a $28 billion reprocessing facility in Rokkasho village, north of the quake zone, which would extract uranium and plutonium from the rods for use in making MOX fuel. After countless construction delays, test runs began in 2006, and the plant’s operator, Japan Nuclear Fuel, said operations would begin in 2010. However, in late 2010, its opening was delayed by another two years. A facility for making MOX fuel is also under construction.

To close the nuclear fuel recycle process, Japan also built the Monju, a fast breeder reactor, which started running in full in 1994. But a year later, a fire caused by a sodium leak shut down the plant.

Despite revelations that the operator, the quasi-governmental Japan Atomic Energy Agency, had covered up the seriousness of the accident, Monju again started operating at a reduced capacity, reaching criticality, or sustained nuclear chain reactions within the reactor, in May.

Another nuclear reprocessing facility in Tokaimura has been shut down since 1999, when an accident at an experimental fast breeder showered hundreds in the vicinity with radiation, and two workers were killed.

Many of these facilities were hit by Friday’s massive quake. A spent fuel pool at Rokkasho spilled over, and power at the plant was knocked out, triggering back-up generators, Japan Nuclear Fuel said. According to the Citizens Nuclear Information Center, an anti-nuclear NGO, about 3,000 tons of fuel are stored at Rokkasho. But the plant, built 55 meters (180 feet) above sea level, was spared from the destructive tsunami that followed the quake. Grid power was restored on Monday, the company said.

http://www.nytimes.com/2011/03/18/world ... 1&src=tptw (http://www.nytimes.com/2011/03/18/world/asia/18spent.html?pagewanted=1&_r=1&src=tptw)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 18, 2011, 07:11:47 pm
Ameaça nuclear: Risco ou paranóia??


Um académico britânico relativiza os riscos da radioactividade para a saúde humana e descreve o pânico em torno da crise nuclear japonesa como um fenómeno de psicologia de massas.

Num artigo para a BBC, David Spiegelhalter, especialista da Universidade de Cambridge nas áreas da percepção pública de riscos e da estatística na saúde, afirma que a verdadeira tragédia em curso no Japão é a do tsunami.

«Mesmo no pior cenário, as consequências directas do acidente nuclear para a saúde seriam muito pequenas quando comparadas com os milhares de pessoas que morreram devido ao sismo e ao tsunami e com o sofrimento daquelas que sobreviveram», afirma o académico.

Spiegelhalter afirma que na raiz do pânico global em torno da crise em Fukushima 1 residem memórias distorcidas e relatos incorrectos dos desastres de Chernobil e Three Mile Island.

«Estimou-se que 17 milhões de pessoas tivessem sido expostas a uma dose significativa de radiação após o desastre de Chernobil. Destas, perto de 2.000 desenvolveram cancro da tiróide devido ao consumo de comida e leite contaminado durante a infância. São consequências graves, mas ficam muito aquém do que se temia, e um relatório das Nações Unidas identifica os problemas psicológicos como a principal consequência do desastre em termos de saúde pública», argumenta.

«Qualquer efeito do acidente de Three Mile Island é meramente psicológico, e não foi certamente causado por uma exposição mínima à radiação», reforça.

Spiegelhalter recua até ao bombardeamento nuclear do Japão em 1945 para relativizar a ameaça atómica. «A percepção de um risco extremo relacionado com a exposição à radioactividade é contrariada pela experiência de 87.000 sobreviventes de Hiroxima e Nagasaqui, que foram examinados durante o resto das suas vidas. Em 1992, cerca de 40.000 tinham falecido, mas era estimado que apenas 690 dessas mortes eram atribuídas à radiação. Mais uma vez, foram maiores os efeitos psicológicos», afirma.

O cientista oferece ainda alguns termos de comparação. Submeter um indivíduo a uma tomografia axial computadorizada equivale a colocá-lo a cerca de dois quilómetros do local da explosão da bomba de Hiroxima. E a radioactividade natural de algumas regiões do oeste de Inglaterra é responsável por mil mortes por ano.

O que faz então de uma fuga de radioactividade algo tão assustador? «Os psicólogos passaram anos a identificar os factores que aumentam a percepção de risco e o sentimento de vulnerabilidade. E a fuga de radiação de uma central nuclear reúne todos os elementos assinalados. É uma ameaça invisível, misteriosa e pouco compreendida, associada a efeitos graves como o cancro e defeitos de nascimento». E no entanto, argumenta Spiegelhalter, é maior o receio do que a própria ameaça.

SOL
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 21, 2011, 09:27:39 pm
OMS alerta sobre «séria» radiação nos alimentos no Japão


A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse esta segunda-feira que a radiação nos alimentos após o terramoto que danificou uma central nuclear no Japão é mais séria do que anteriormente se pensava, eclipsando sinais de avanço na batalha para evitar um aquecimento catastrófico nos reactores.
Engenheiros conseguiram ligar cabos de energia a todos os seis reactores do complexo de Fukushima, 240 quilómetros a norte de Tóquio, e ligaram uma bomba de água a um deles para inverter o sobreaquecimento que desencadeou a pior crise nuclear mundial em 25 anos.

Mais tarde alguns trabalhadores foram retirados de um dos reactores mais seriamente danificados quando fumo emergiu brevemente do local. Não houve nenhuma explicação de imediato para o fumo, mas as autoridades haviam dito anteriormente que a pressão no reactor 3 estava a aumentar. Também foi visto fumo no reactor 2.

O sismo e o tsunami de 11 de Março deixaram mais de 21 mil mortos ou desaparecidos e custará 250 milhões de dólares a uma economia já combalida, o que representa o desastre natural mais caro do mundo.

O chefe da agência atómica da ONU disse que a situação nuclear continua muito séria, mas que será resolvida.

«Não tenho dúvida de que esta crise será superada eficientemente», declarou Yukiya Amano, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) numa reunião do comité de emergência.

«Vemos uma luz para sair desta crise», disse uma autoridade do governo japonês citando o primeiro-ministro Naoto Kan.

Mas as notícias de progresso na central nuclear foram eclipsadas pela preocupação crescente de que partículas radioactivas já libertadas na atmosfera tenham contaminado fontes de alimento e água.

«Está claro que a situação é séria», disse Peter Cordingley, porta-voz do gabinete regional do Pacífico Oriental da OMS sediado em Manila.

«É muito mais sério do que qualquer um pensava nos primeiros dias, quando achávamos que este tipo de problema podia estar limitado a 20 ou 30 quilómetros... é seguro supor que uma parcela de produtos contaminados tenha saído da zona de contaminação.»

Disse, entretanto, não haver evidência de que alimentos contaminados oriundos de Fukushima tenham chegado a outros países.

Fukushima é o pior acidente nuclear do mundo desde Chernobyl, mas há sinais de que seja bem menos grave do que a tragédia ucraniana.

«As poucas medidas de radiação relatadas nos alimentos até agora são muito mais baixas do que em redor de Chernobyl em 1986, mas o quadro total ainda está a emergir», disse Malcolm Crick, secretário do Comité Científico dos Efeitos da Radiação Atómica da ONU.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Cabeça de Martelo em Março 23, 2011, 11:23:12 am
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: TOMSK em Março 23, 2011, 06:18:24 pm
O que é isto? O "arrefecimento" do reactor?
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Março 23, 2011, 08:57:49 pm
Citação de: "TOMSK"
O que é isto? O "arrefecimento" do reactor?

Sim, uma tentativa de injectar água nas piscinas onde está o combustível, para o arrefecer.

Eu não entendo é porque raio não começam a cobrir de cimento e areia com boro e chumbo os reactores  :?
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: HSMW em Março 23, 2011, 09:33:16 pm
Química meus caros! Primeiro tem de arrefecer.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Março 23, 2011, 10:10:21 pm
Citação de: "HSMW"
Química meus caros! Primeiro tem de arrefecer.

Não necessariamente. Creio que o perigo é a pressão e não o aquecimento, no caso de se partir para a opção de cobrir a "coisa". Só que devido a ter de se retirar a pressão para depois cobrir com cimento, o escape dessa pressão seria terrível visto ser material extremamente contaminado. Também creio que terá de haver "heróis" que cavem minas debaixo dos reactores, para retirar a água acumulada (se assim for esses estão condenado a uma morte rápida)

De qualquer modo, toda aquela área do Japão já está condenada.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 25, 2011, 12:21:30 pm
Japão avisa: situação em Fukushima é "muito imprevisível"


A situação da central nuclear de Fukushima continua “imprevisível”, advertiu hoje o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, duas semanas depois do tsunami ter provocado graves danos em vários reatores da central. “A situação continua muito imprevisível. Trabalhamos para que a situação não piore. Devemos ser extremamente vigilantes”, declarou Kan durante uma conferência de imprensa.

A empresa que explora a central, Tokyo Electric Power (Tepco), reconheceu hoje que as operações de refrigeração dos reatores com ajuda de canhões de água e os trabalhos para restabelecimento das bombas de água elétricas avançavam lentamente devido ao nível de risco do local, um dia depois da hospitalização de dois trabalhadores com graves radiações.

Entretanto, a Tepco também anunciou hoje que a piscina do reator 3 da central nuclear japonesa de Fukushima, onde estão mergulhadas as barras de combustível, pode estar danificada.

“É possível que a piscina que contém as barras de combustível no reator esteja danificada”, declarou à France Press um responsável da Tepco.

“Substâncias radioativas foram libertadas longe do reator”, explicou Hideyuki Nishiyama, porta-voz da agência de segurança nuclear japonesa.

“Segundo o que parecem mostrar as análises, pensamos que ainda existe um certo nível de contenção, mas existe um forte risco de que o reator esteja danificado”, adiantou.

Quatro reatores da central de Fukushima, situada 250 quilómetros a nordeste de Tóquio, ficaram seriamente danificados devido à paragem do sistema de refrigeração depois do forte sismo de 11 de março, que foi seguido de um Tsunami.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 25, 2011, 09:23:16 pm
Ameaça nuclear no Japão afecta sushi na Europa


A radioactividade descoberta em alguns alimentos cultivados na zona da central nuclear de Fukushima, no Japão, está a preocupar os proprietários de restaurantes japoneses em Portugal.
Em causa estão possíveis rupturas de stocks, escaladas de preços em determinados produtos, ou a sua substituição por alimentos de outros países.

«As algas japonesas são as melhores do mundo. Se houver uma diminuição da oferta, nos próximos meses, poderão entrar numa escalada de preços», considera Paulo Morais, proprietário do restaurante Umai, em Lisboa. Se tal acontecer, o sushiman pondera recorrer à produção da Coreia do Norte. Além das algas, que provêm do sul do Japão, Paulo Morais utiliza conservas e molhos nipónicos.

Admitindo que a ameaça nuclear possa trazer atrasos nas entregas, o especialista está seguro de que o seu fornecedor, certificado, encontrará soluções.

No restaurante Lucullus, em Cascais, o caso é mais preocupante: a maioria dos produtos é japonesa. «Quase todo o pescado que servimos é importado do Japão», conta o proprietário José Manuel. O problema colocar-se-á quando os stocks acabarem, uma vez que se trata de peixe congelado.

Nas águas do Oceano Pacífico, foram detectados níveis de radioactividade 80 vezes superiores ao normal, mas as autoridades garantem que, por enquanto, o consumo de peixe e marisco não constitui ameaça à saúde humana. «No futuro, as algas virão de outros países», admite ao SOL Anabela Fialho, dona do restaurante Koi Sushi, em Alcântara-Rio. No Koni, no Largo da Trindade, também se procuram alternativas.

SOL
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 31, 2011, 10:30:13 pm
Autoridades japonesas consideram transplante de células em operários de Fukushima


As autoridades japonesas estão a ponderar recolher e congelar células de trabalhadores e engenheiros da central nuclear de Fukushima, no caso de estarem expostos a perigosos níveis de radiação, segundo avançou hoje o diário britânico The Guardian.

Esta proposta é concebida como uma medida de precaução que poderá salvar a vida dos operários que se debatem por manter os reactores nucleares danificados sob controlo. Elevados níveis de radiação podem provocar doenças perigosas e até a morte, mas o estado dos pacientes pode ser tratado caso seja detectado a tempo e sejam submetidos a um transplante de células estaminais recolhidas antes da exposição.

Segundo o jornal inglês, o procedimento requer que os trabalhadores tomem um medicamento durante vários dias, para que a medula óssea liberte células estaminais no sangue. Posteriormente, são ligados a uma máquina, onde o sangue é filtrado para que as células sejam extraídas. Esta técnica já é utilizada em pacientes para tratar cancro, em pessoas cuja medula óssea esteja danificada devido a quimio e radioterapia.

Já há mais de 50 hospitais europeus que se disponibilizaram a ajudar os japoneses caso seja necessário.
Contudo, há quem não concorde totalmente com a medida. Por exemplo, um médico norte-americano e que está a aconselhar o governo japonês, Robert Peter Gale, referiu que é importante ter em conta que estão a lidar com 800 operários e que as células apenas poderão servir a uma pequena percentagem deste grupo.

O especialista recorda ainda que as células podem reconstituir a função da medula óssea, mas esse não é o único alvo de radiação; os pulmões, área gastrointestinal e a pele também são áreas susceptíveis de sofrer danos.

Ciência Hoje
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Abril 03, 2011, 03:36:22 pm
Cada vez mais cheira pior esta coisa toda à volta de Fukushima. É incompreensível as atitudes tomada e dados passados pelas autoridades japonesas. As fugas de radiação só podem ser muito piores que o admitido. Uma "simples fissura" num poço que pouca água leva não consegue contaminar água do mar a mais de 40km de distância. Para onde é que estão a despejar a água injectada nos reactores desde o inicio disto tudo? É que serão certamente uns milhares valentes de metros cúbicos de águas extremamente radioactivas.

Creio que isto se não está pior que Chernobyl, estará muito perto de o ser. Entretanto, partículas radioactivas já foram detectadas em Lisboa

Citar
Vestígios de radioatividade detetados em Lisboa

O Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN) anunciou hoje que detetou vestígios radioativos do acidente nuclear no Japão no ar, mas em quantidades "muito baixas" e sem perigo para a saúde pública.


O Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN) anunciou hoje que detetou vestígios radioativos do acidente nuclear no Japão no ar, mas em quantidades "muito baixas" e sem perigo para a saúde pública.

"Como seria expetável", as medições do ITN feitas na sua estação de amostragem de Sacavém começaram na quarta-feira a detetar "vestígios dos radionuclidos césio e iodo" em amostras de aerossóis - partículas suspensas em gases na atmosfera, refere um comunicado do Instituto.

Estas concentrações têm "origem presumível no acidente ocorrido no Japão, são muito baixas e não representam quaisquer perigos para a saúde pública", garante o ITN, acrescentando que "continua a acompanhar o evoluir da situação efetuando regularmente medições".


http://clix.visao.pt/vestigios-de-radio ... oa=f596842 (http://clix.visao.pt/vestigios-de-radioatividade-detetados-em-lisboa=f596842)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Magalhaes em Abril 03, 2011, 09:03:41 pm
Citar
Nuclear power is safest way to make electricity, according to study

Radioactive water is leaking into the sea, there’s a little plutonium in the soil, and traces of nuclear fallout have been detected in places as far apart as Kuwait and Maryland. In a few parts of Japan, you’re also not supposed to eat the broccoli or the beef.

The effects of the accident at the Fukushima Daiichi nuclear plant grow by the week, creating a lengthening catalogue of worries and proving once again that nuclear power frightens people as few other technologies do.

But when the dead and sickened are added up, how dangerous is it really?

The partial meltdown in Japan has injured 23 people and exposed as many as 21 to levels of radiation higher than is considered safe to receive in one year. Two workers are still missing but are assumed to have been killed by the earthquake or tsunami, not the nuclear accident. No people in the “plume zone” outside the plant have been contaminated to a degree that is expected to affect their health, based on radiation readings so far.

In the months after the world’s worst nuclear disaster, in Chernobyl in 1986, about 50 people died. In the next-biggest accident, at Three Mile Island in 1979, no one did.

History suggests that nuclear power rarely kills and causes little illness. That’s also the conclusion engineers reach when they model scenarios for thousands of potential accidents.

Making electricity from nuclear power turns out to be far less damaging to human health than making it from coal, oil or even clean-burning natural gas, according to numerous analyses. That’s even more true if the predicted effects of climate change are thrown in.

Compared with nuclear power, coal is responsible for five times as many worker deaths from accidents, 470 times as many deaths due to air pollution among members of the public, and more than 1,000 times as many cases of serious illness, according to a study of the health effects of electricity generation in Europe.

“The costs of fossil fuels come out quite high, while the costs for nuclear generally come out low,” said Anil Markandya, an economist at the University of Bath in England and scientific director of the Basque Centre for Climate Change in Spain, who co-authored the study published in the Lancet in 2007.

Even in the wake of the Fuku
shima Daiichi disaster, Markandya and many others who have done similar work can’t imagine a situation — a realistic one, that is — in which the health cost of nuclear power would equal that of coal.

Or even come close.

The hidden costs

About half of the electricity in the United States is made with coal-fired plants and about one-fifth with nuclear power. Many experts think there is an urgent need to determine what role nuclear power should play in feeding America’s energy-hungry future.

To inform that discussion, economists, engineers and epidemiologists have teamed up to determine the full economic, health, social and environmental consequences of generating electricity with various fuels. Most of this work has been done in Europe, where the acceptability of nuclear power, and the fraction of electricity generated with it, differs greatly among nations of the European Union.

The goal is to capture not only the costs reflected on a person’s monthly utility bill but the many hidden ones borne by individuals, communities and governments. In this way, analysts seek out the “impact pathway” of each fuel — every effect it has, direct and indirect.

For power plants (and also hydroelectric dams and wind farms), this includes the land to site them; construction, operation and decommissioning costs; and the humans who are killed or injured along the way. That means accidents and black lung disease in coal miners; radiation exposure in uranium miners and millers; and deaths and burns in oil-rig fires.

The impact pathway also includes what happens to the public — collisions with coal trains; asthma, respiratory disease and heart attacks caused by smokestack soot and gases; and emissions’ effects on agricultural production.

Health consequences are measured two ways.

Occupational deaths in mines, oil rigs or power plants are counted directly. Death and illness in the public is determined by epidemiological studies, such as ones estimating the fraction of hospital admissions for emphysema that can be attributed to air pollution. Those impacts are then given a monetary cost that is added to the price tag of a kilowatt hour of electricity. (The cost is the value of a life lost by premature death, or diminished by illness, that economists use in other analyses.)

The calculations can be very fine.

In “Full cost accounting for the life cycle of coal,” published this year by a team of 12 researchers led by Paul R. Epstein of Harvard Medical School’s Center for Health and the Global Environment, the ledger included .02 cents per kilowatt hour for mental retardation caused by mercury in coal-plant emissions.

Using similar methods, Markandya and his co-author in the Lancet study, Paul Wilkinson of the London School of Hygiene and Tropical Medicine, found that in Europe coal is responsible for .12 deaths from accidents, 25 deaths from pollution and 225 cases of serious illness per terawatt (1,000 billion kilowatt) hour of electricity generated. In comparison, nuclear causes .02 accidental deaths, .05 pollution deaths and .22 cases of illness.

This human health cost is much higher in some parts of the world than others.

It’s especially high in China, where three-quarters of the electricity is made by burning coal, mining accidents kill about 6,000 people a year, and hundreds of millions of people are affected by air pollution. In some inland cities, the economic cost to human health of making electricity from coal is as much as seven times higher than the cost of generating the electricity, according to a calculation by Stefan Hirschberg at the Paul Scherrer Institutin Switzerland, which has done energy system analysis for the European Commission.

Nuclear power’s advantage over fossil fuels is even more dramatic when carbon dioxide emissions are considered.

Many experts think greenhouse gases are a future threat to health. Some say the threat is already here, and point to 30,000 heat-related deaths in Europe in August 2003 as evidence. Coal produces 1,290 grams of CO 2 per kilowatt hour in direct (smokestack) and indirect (mining, transport) emissions, while nuclear produces 30, according to the Lancet study.

Built into the calculations are the consequences of what are called “beyond-design” nuclear accidents — events similar to what is underway in Japan. However, there aren’t enough big nuclear plant accidents to provide a statistically meaningful estimate of their frequency, effects and costs. According to a database compiled by the Paul Scherrer Institut, from 1970 to 2008 there were 1,686 accidents in the coal industry, 531 in the oil industry and 186 involving natural gas in which five or more people died. There was just one such nuclear accident — at Chernobyl 25 years ago this month.

To better estimate the potential impact of nuclear catastrophes, analysts break down plant operations into thousands of different actions and then estimate the probabilities of hypothetical accident sequences. Hirschberg and his colleagues used a Swiss nuclear plant to come up with such an estimate. They calculated that nuclear accidents in Europe can be expected to cost .007 lives per gigawatt year (1 million kilowatt years), compared with .12 lives for coal, .02 lives for oil and .06 for natural gas.

Radiation’s toll

There is also much uncertainty about how many people might be harmed by a big nuclear accident.

At Chernobyl, two people died during the accident and 28 others died of radiation illness in the first four months afterward. (Some estimates of the early deaths put the number as high as 57 ).

Since then, there have been 6,800 cases of thyroid cancer in people who were children at the time of the accident, according to a recent report by the U.N. Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation, with the number still rising. As of 2005, only 15 were fatal.

To date, there is no clear increase in leukemia or other cancers, or deaths from non-cancer diseases. However, various expert groups estimate that 4,000 to 33,000 premature deaths might occur as a consequence of the accident.

In general, the hazards of radiation are less than most people think.

Since 1950, Japanese and American researchers have followed 120,000 residents of Hiroshima and Nagasaki, the cities on which the United States dropped atomic bombs in 1945 to end World War II. Three-quarters of the people in the Life Span Study were exposed to the blasts; one-quarter were away at the time. The number of deaths attributable to the bombs is estimated by comparing survival in the two groups.

Through 2000, 42,304 of the people in the study had died. Of those deaths, 822 were “excess” — probably a result of the radiation.

Nuclear’s ‘dread factor’

Many critics of nuclear power say none of this truly accounts for the technology’s hazards.

“To replace carbon pollution with radioactive pollution is not a healthy solution,” said Epstein, the Harvard physician. “Even if the events are rare, what’s happening now in Japan demonstrates how profound and long-lasting these impacts can be.”

At a recent briefing by Physicians for Social Responsibility, David Richardson, an epidemiologist from the University of North Carolina, said that “the unsolved problems of long-term storage and its contribution to nuclear proliferation” are two reasons besides accidents that make nuclear power unacceptable.

Future accidents at storage sites are considered by energy analysts. But because modeling suggests they’re improbable, they don’t affect the calculations much. Mental-health effects of nuclear accidents are part of the calculations, too, but the doomsday fear of them and threat from nuclear proliferation are not.

“There is a kind of dread factor for nuclear which is very hard to quantify,” Markandya said. He added after a pause, “In the end . . . if people feel really uncomfortable with nuclear power, then they ought to go against it.”


http://www.washingtonpost.com/national/nuclear-power-is-safest-way-to-make-electricity-according-to-2007-study/2011/03/22/AFQUbyQC.html
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Abril 03, 2011, 09:34:02 pm
Quem fez esses estudos então certamente não terá problemas em se ir banhar nas águas do Pacifico ao largo de Fukushima, de dar aos seus filhos a comer os produtos agrícolas criados nessa zona, além de os levar a passear na cercania das instalações e apreciar a paisagem.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Magalhaes em Abril 04, 2011, 05:16:32 am
Citação de: "FoxTroop"
Quem fez esses estudos então certamente não terá problemas em se ir banhar nas águas do Pacifico ao largo de Fukushima, de dar aos seus filhos a comer os produtos agrícolas criados nessa zona, além de os levar a passear na cercania das instalações e apreciar a paisagem.

Provavelmente teria mais problemas em tomar banho nas aguas poluidas pelo Exxon Valdez ou em alimentar-se do peixe das mesmas. A diferença é que se contam pelos dedos da mão os acidentes nucleares e mesmo no caso do mais grave de todos, a area já está aberta ao turismo:


Despite Mutations, Chernobyl Wildlife Is Thriving
http://news.nationalgeographic.com/news ... nobyl.html (http://news.nationalgeographic.com/news/2006/04/0426_060426_chernobyl.html)

Kiev Sees Chernobyl as Tourist Hot Spot
http://online.wsj.com/article/SB1000142 ... 95028.html (http://online.wsj.com/article/SB10001424052748703727804576017720342095028.html)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Abril 04, 2011, 11:20:30 pm
Pois....... estou a ver....... Tão pouco pernicioso que até existiu quem comesse uma "sandocha" de Césio-137

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fmaps.grida.no%2Flibrary%2Ffiles%2Fthe-continental-scale-of-the-chernobyl-accident_001.jpg&hash=2a5c7b3d236386c2cbe1a9dcf276f00e)

Então já que o artigo fala tanto em supostos estudos, quer arranjar-me os gráficos relativos à incidência de doenças nas zonas assinaladas neste mapa nos 4 anos antes do acidente e dos 10 anos seguintes?

Depois então, terei todo o gosto em discutir este assunto.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 05, 2011, 12:27:56 am
AIEA defende mudança na abordagem à energia atómica


O mundo vai ter de mudar a sua abordagem à energia nuclear na sequência do acidente na central japonesa de Fukushima, afirmou hoje em Viena o director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yukiya Amano.

«A crise em Fukushima Daiichi tem implicações enormes para a energia nuclear e confronta-nos a todos com um grande desafio», disse o responsável da agência da ONU para o nuclear na abertura de uma reunião da Convenção sobre segurança nuclear que decorre até 14 de Abril em Viena.

«Não podemos voltar a uma abordagem rotineira», depois do acidente no Japão, acrescentou.

A central Fukushima 1 ficou seriamente danificada pelo sismo e pelo tsunami de 11 de Março. Trabalhadores, bombeiros e militares lançaram dezenas de milhares de toneladas de água sobre as instalações para impedir as barras de combustível dos reactores de se fundirem.

A Convenção sobre segurança nuclear, ratificada pelo conjunto dos países com centrais nucleares, entrou em vigor 1996 depois das catástrofes de Three Miles Island, nos Estados Unidos, e de Tchernobyl, na Ucrânia, com o objectivo de melhorar a segurança na exploração dos reactores electronucleares.

Os peritos da Convenção reúnem-se de três em três anos na sede da AIEA.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Magalhaes em Abril 05, 2011, 03:57:05 pm
Citação de: "FoxTroop"
Pois....... estou a ver....... Tão pouco pernicioso que até existiu quem comesse uma "sandocha" de Césio-137
e ja houve muito mais gente a comer sandes de petroleo...


Citação de: "FoxTroop"
Então já que o artigo fala tanto em supostos estudos, quer arranjar-me os gráficos relativos à incidência de doenças nas zonas assinaladas neste mapa nos 4 anos antes do acidente e dos 10 anos seguintes?

Depois então, terei todo o gosto em discutir este assunto.

Até faço melhor... deixo-te o relatório da OMS sobre este assunto:

Versão sumario: http://www.who.int/entity/ionizing_radi ... ort_EN.pdf (http://www.who.int/entity/ionizing_radiation/chernobyl/chernobyl_digest_report_EN.pdf)
Versão completa: http://whqlibdoc.who.int/publications/2 ... 79_eng.pdf (http://whqlibdoc.who.int/publications/2006/9241594179_eng.pdf)

E já agora, chamo a atenção para esta citação:

Citação de: "OMS"
Since 1986, radiation levels in the affected environments have declined several hundred
fold because of natural processes and countermeasures. Therefore, the majority of the
‘contaminated’ territories are now safe for settlement and economic activity. However,
in the Chernobyl Exclusion Zone and in certain limited areas some restrictions on
land-use will need to be retained for decades to come.

e para a tabela 12, pag 108 da versão completa que indica um aumento máximo de 1% de casos de leucemia. E há que ter em mente que as pessoas afectadas nem a pastilhas de iodo tiveram acesso...

Também tenho algures um estudo sobre os esfeitos da radiação em Hiroshima e Nagasaki, mas neste momento não estou a dar com ele.
E ainda...

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fwww.washingtonpost.com%2Frw%2F2010-2019%2FWashingtonPost%2F2011%2F04%2F03%2FHealth-Environment-Science%2FGraphics%2Fw-japanhealth.jpg&hash=54c34a4c1ed64e883910681157d03840)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 06, 2011, 09:40:29 pm
ONU vai precisar de 2 anos para visão clara dos efeitos de Fukushima


Os efeitos na saúde humana e no ambiente das emissões radioactivas do acidente nuclear de Fukushima (Japão) demorarão pelo menos dois anos para serem avaliados em profundidade, afirmou hoje em Viena o Comité Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atómica (Unscear).

Wolfgang Weiss, presidente deste organismo, afirmou que, apesar da experiência acumulada em acidentes como o de Chernobyl (Ucrânia) e da informação que já se dispõe, a «situação nos reactores ainda é instável e ninguém sabe o que acontecerá amanhã».

«Temos muitas informações, mas nem sempre a que gostaríamos de ter», explicou o especialista alemão.

Weiss anunciou que o Unscear iniciará um programa de avaliação, com especial interesse nos trabalhadores que tentam controlar o problema da central nuclear e que receberam radiações de entre 100 e 250 milisievert.

Além disso, serão analisados possíveis problemas à tiróide no caso de crianças, uma questão na qual Weiss reconheceu que «há risco».

«O único efeito provado após Chernobyl foi cancro de tiróide em crianças», declarou o responsável do Unscear.

Weiss salientou que os testes realizados pelas autoridades japonesas até agora mostram que nenhuma criança foi submetida a um nível de radiação superior ao «aceitável».

Malcolm Crick, secretário do Unscear, explicou que dentro de dois anos será possível ter uma visão completa dos efeitos do acidente de Fukushima.

Crick esclareceu que os níveis de radiação emitidos por Fukushima são baixos e que ainda não é possível prever se trará prejuízos à saúde humana.

O funcionário do Unscear descreveu Fukushima como um «Chernobyl em câmara lenta», em que a radiação é menor, mas o período de emissão mais longo.

Em relação à gravidade do ocorrido em Fukushima, Weiss afirmou que se encontra abaixo do desastre de Chernobyl, mas acima do da central de Three Mile Island (EUA), na qual em 1979 ocorreu um grande escapamento radioativo.

«Não é tão dramático como o de Chernobyl, mas é claramente muito mais grave que o de Three Mile Island. Está no meio, mas ainda não sabemos em qual nível. E ainda não acabou. É uma crise que ainda está em andamento», explicou Weiss.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 11, 2011, 07:06:10 pm
Japão acerta pormenores de milionário plano de reconstrução


O governo e as empresas do Japão começaram a acertar os pormenores de um plano de reconstrução após o terramoto e posterior tsunami do dia 11 de Março que poderá custar mais de 200 mil milhões de euros.

A intenção do governo é aprovar o mais rapidamente possível um primeiro orçamento de 4 biliões de ienes (cerca de 33 mil milhões de euros) para começar uma gigantesca reconstrução no litoral nordeste do país após o terramoto de magnitude 9 ocorrido há um mês.

As prioridades serão os trabalhos de remoção de escombros de uma região que abrange mais de 600 quilómetros, as primeiras ajudas para normalizar a vida dos refugiados, a construção de 70 mil casas e a reconstrução da economia local, que enfrenta um sério risco de colapso.

Para definir ainda mais um programa de reconstrução que terá uma escala recorde, o governo japonês criou hoje um conselho de especialistas que inclui professores universitários, empresários e arquitetos como Tadao Ando para que, em Junho, apresente propostas em áreas como urbanismo e criação de empregos.

Alguns políticos acreditam que a primeira fase da reconstrução precisará, além disso, de três orçamentos adicionais até atingir a marca de 10 biliões de ienes (81,7 mil milhões de euros).

Para o Japão, a catástrofe natural aconteceu num momento especialmente delicado, quando a economia começava a recuperar e lutava para reduzir o perigo latente de sua grande dívida pública, que duplica em valor o Produto Interno Bruto (PIB).

O complicado problema de elaborar um novo orçamento sem emitir dívida forçará o país a mudar várias despesas, como a contribuição para a previdência, e a repensar uma parte das políticas do governo do Partido Democrático de Naoto Kan.

Para ajudar no financiamento das empresas que precisarão de fundos milionários para reconstruir os seus negócios, o Banco do Japão (BOJ) aprovou na quinta-feira um programa de empréstimos de emergência no valor de 1 bilião de ienes (8,178 mil milhões de euros).

Além das pequenas e médias empresas de grande importância nas províncias mais afectadas (Fukushima, Miyagi e Iwate), as grandes multinacionais japonesas estão a trabalhar para restabelecer o funcionamento das suas fábricas nessas regiões o mais rapidamente possível.

Companhias como Nissan, Sony e Kirin tiveram que interromper as suas operações em algumas fábricas devido ao terramoto, e algumas não sabem quando poderão retomar as suas actividades, outro motivo de preocupação para os trabalhadores da região.

Além do dano directo nas suas instalações, as empresas enfrentam um período de escassez energética pelo paragem brusca nalgumas das centrais nucleares e de outros tipos no nordeste do Japão.

Alguns exportadores que trabalham em regiões próximas do complexo de Fukushima estão a realizando revisões de radiação nos seus produtos para acabar com os receios de consumidores. Ao mesmo tempo, o governo analisa os níveis de radioatividade nos portos do Japão para evitar que os produtos que por ali passarem sejam recusados nos portos estrangeiros.

O país prometeu compensar, através de uma seguradora pública, os exportadores que forem afectados pelo aumento dos níveis de radiação ou rumores que prejudiquem as suas vendas.

As emanações da central de Fukushima prejudicam também pescadores, agricultores e criadores de gado de várias províncias no centro do Japão, e por isso o governo previsivelmente terá que dedicar muitos fundos durante um longo período para se recuperar do seu maior desastre desde a Segunda Guerra Mundial.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 12, 2011, 10:00:18 pm
Especialista Português defende que Fukushima "não será" igual a Chernobyl

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fwww.alide.com.br%2Fjoomla%2Fimages%2Fnotas%2Fusina-fukushima1.jpg&hash=a5719713578b20808235edce7f79f3ac)

A passagem do acidente nuclear no Japão para o nível de gravidade máxima deveu-se a uma reavaliação e não ao agravar da situação, que está longe de ser semelhante à de Chernobyl, defendeu esta terça-feira o presidente do Instituto Nuclear.

Segundo Júlio Montalvão e Silva, presidente do Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN), o que aconteceu foi que as autoridades fizeram «uma reavaliação de valores obtidos anteriormente, o que não significa que nestas últimas horas se tenha agravado a situação».

O Japão elevou hoje de 5 para 7 o nível do acidente nuclear de Fukushima, colocando-o no grau de gravidade máxima, idêntico ao da catástrofe de Chernobyl, na Ucrânia.

«Estamos perante o grau mais alto, mas esse grau 7 é dez vezes menor, em termos de valores que foram utilizados, do que Chernobyl, portanto há uma diferença muito grande na avaliação dos riscos radiológicos», explicou.

Em Chernobyl houve um «lançamento para a alta atmosfera de grandes quantidades de elementos radioactivos e aqui isso não aconteceu», explicou, acrescentando que no acidente de Fukushima a maior parte dos níveis elevados de radioactividade estão concentrados localmente.

«Os riscos são locais, nos quilómetros à volta da zona em que ocorreu o acidente. É preciso ter cuidados especiais até que o problema esteja resolvido totalmente, que está em vias de o ser», salientou.

O presidente do ITN lembrou ainda que no caso de Chernobyl houve dispersão de produtos radioactivos, «a darem a volta ao mundo» e a serem depositados em vários países, entre eles, Portugal.

«Estamos a falar de níveis muitíssimo mais baixos e sem a dispersão dos elementos radioactivos. Não tem nada que se pareça com Chernobyl», salientou.

Em termos de contenção de danos, o responsável referiu que as pessoas foram retiradas da zona e que as análises feitas em permanência permitem monitorizar os níveis de radioactividade nos alimentos e na água.

Essas informações são obtidas a partir da Agência Internacional de Energia Atómica e das agências de segurança e protecção radiológica nuclear japonesas.

«Houve análises da cadeia alimentar no dia 11 de Abril, e da carne, fruta e legumes analisados nenhuma revelou estar afectado. Na água de consumo doméstico, de 28 de Março a 4 Abril, não se detectaram níveis de radioactividade nas três fontes de abastecimento de Tóquio», adiantou.

Relativamente a Portugal, Júlio Montalvão e Silva afirmou que o ITN publica diariamente as tabelas de valores medidos na zona.

«Desde início, os valores foram sempre extremamente baixos, mas as últimas leituras não foram sequer detectáveis», disse, sublinhando que os sistemas de análises e os detectores utilizados são extremamente sensíveis e permitem encontrar mesmo níveis muito baixos.

A Escala Internacional Nuclear e Radiológica (INES, na sigla em inglês) foi adoptada em 1990 pela Agência Internacional de Energia Atómica Nuclear com o objectivo de proporcionar uma informação mais imediata em caso de acidentes nucleares.

O nível zero da escala corresponde à ausência de anomalia, enquanto o nível 7, o mais elevado, traduz um acidente de gravidade, como o registado em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 18, 2011, 02:07:21 pm
Japão repete os mesmos erros da Ucrânia após a catástrofe de Chernobyl


O director do Centro Científico de Medicina Radiológica ucraniano, Vladimir Bebechko, considerou que o Japão está a cometer hoje os mesmos erros no campo da medicina que a Ucrânia, depois da catástrofe de Chernobyl.

"As lições de Chernobyl não chegaram nem sequer ao Japão, que hoje comete os mesmos erros. Isto não obstante ser um dos países mais ricos do mundo e uma das nações mais disciplinadas", declarou numa mesa-redonda por ocasião do 25º aniversário da catástrofe nuclear ucraniana.

A explosão no quarto reator da Central Nuclear de Chernobyl (norte), considerado o maior desastre na história da energia atómica, ocorreu a 26 de abril de 1986 e provocou fugas de radioatividade que poluíram numerosas regiões da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.

O médico ucraniano apontou como o maior erro dos japoneses o excessivo heroísmo atribuído aos trabalhos de liquidação das consequências da avaria na Central Nuclear de Fukushima, sublinhando que "neles é utilizado um número maior de salvadores do que o necessário".

"Daí que, não obstante o alto nível de civilização do país e o profissionalismo na abordagem da liquidação da avaria, a envergadura das consequências será significativamente maior do que poderia ser", precisou em declarações à Agência Lusa.

Segundo Vladimir Bebechko, é impossível passar sem atos de heroísmo em operações deste género, mas "os japoneses sujeitam-se teimosamente a um risco injustificado".

"As consequências negativas do heroísmo injustificado aquando da neutralização das consequências da avaria na Central Nuclear de Chernobyl deviam ter dado uma lição a toda a Humanidade", acrescentou.

O cientista ucraniano não descartou a possibilidade da envergadura da catástrofe na Central Atómica de Fukushima-1 poder vir a ser superior ao que aconteceu em Chernobyl depois de abril de 1986.

"O aumento das doenças cancerosas na Ucrânia provocado diretamente pela radiação de Chernobyl foi de 8 a 11% e o Japão deve ter isso em linha de conta", frisou.

Lusa
Título: GRANDE SISMO DO LESTE DO JAPÃO:O PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS
Enviado por: Miguel Silva Machado em Abril 25, 2011, 01:31:03 pm
Desde 11 de Março de 2011 que o Japão está confrontado com umas das situações mais complexas da sua existência. Mesmo com uma população treinada e serviços de socorro habituados a lidar com catástrofes naturais, desta vez as dimensões únicas do sismo e consequências do subsequente maremoto, levaram as Forças Armadas à “linha da frente” do apoio às populações e à contenção de um gravíssimo acidente nuclear. Aqui fica uma síntese do que se passou e as nossas conclusões.

http://www.operacional.pt/grande-sismo- ... s-armadas/ (http://www.operacional.pt/grande-sismo-do-leste-do-japaoo-papel-das-forcas-armadas/)

(https://www.forumdefesa.com/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2Fwww.operacional.pt%2Fwp-content%2Fuploads%2F2011%2F04%2Fa-320_6.jpg&hash=0e844cab2db33cbaab1dbec21d676401)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 25, 2011, 02:36:52 pm
Portugal enviou roupa de criança para região de Fukushima


Uma cadeia de lojas em Portugal enviou 1.500 peças de roupa nova para o Japão, que serão distribuídas esta semana por crianças de localidades no perímetro de exclusão decretado em torno da central nuclear de Fukushima, disse fonte diplomática. O embaixador de Portugal em Tóquio, José de Freitas Ferraz, disse à agência Lusa que «1.500 peças de roupa não usada para crianças» foi enviada por uma loja da Petitpatapon em Portugal, serão «distribuídas nos próximos dias a crianças da orla costeira da zona de Fukushima que se encontram realojadas na cidade de Aizu-Wakamatsu, com o apoio do ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão».

Segundo o diplomata, estes são «os primeiros donativos de empresas portuguesas» que chegaram ao Japão e têm como alvo as vítimas do sismo e tsunami de 11 de Março, «em resposta a um apelo à solidariedade da sociedade civil formulado pela Embaixada de Portugal em Tóquio, através da Lusa».

No dia 11 deste mês, quando se assinalou um mês do sismo e tsunami que devastaram o nordeste do Japão, o embaixador José de Freitas Ferraz salientou, numa entrevista à Lusa, a importância de a sociedade civil portuguesa desenvolver iniciativas de solidariedade para com as vítimas daquela catástrofe natural ao constatar que no Japão a memória de Portugal «é muito forte».

Iniciativas de solidariedade por parte da sociedade civil portuguesa são «importantes, sobretudo para nós, portugueses, que temos na nossa língua palavras como biombo, catana, chá, chávena, que vêm directamente do japonês», defendeu o diplomata ao lembrar que os portugueses foram os «primeiros europeus a chegarem ao Japão, em 1543».

Além das 1.500 peças de roupa, o embaixador português disse que «um grupo de empresários da indústria têxtil, incluindo a Petitpatapon, Lanidor, Ana Sousa e Throttleman, têm já pronto para envio outro contentor de vestuário não usado para as vítimas do maior sismo e maremoto de que há registo no Japão».

«Os beneficiários da primeira distribuição foram encontrados por estas autoridades e trata-se de crianças oriundas de localidades situadas junto à costa da região de Fukushima, que se encontram dentro do perímetro de exclusão decretado em torno da central nuclear de Fukushima-Daichii», acrescentou José de Freitas Ferraz.

A área de evacuação num raio de 20 quilómetros em redor da central nuclear acidentada tornou-se zona interdita na sexta-feira, segundo anunciou o Governo japonês.

A medida foi justificada com a necessidade de um controlo mais eficaz da zona, já que a polícia nipónica descobriu, numa inspecção a milhares de casas, que mais de 60 famílias continuavam ali a viver, apesar dos riscos associados a elevados níveis de radiação.

O sismo e tsunami de 11 de Março causaram mais de 28 mil mortos e desaparecidos e deixaram mais de 170 mil desalojados.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 27, 2011, 08:20:55 pm
Cultura de conluio levou ao desastre em Fukushima


Peritos japoneses e ocidentais afirmam que a regulação fraca ou inexistente tornou a central nuclear de Fukushima vulnerável a desastres naturais. Factos nos últimos anos demonstram como a cultura de conluio entre a indústria energética, os políticos, os reguladores e os cientistas abriram caminho ao segundo maior desastre nuclear da história.

O International Herald Tribune revela como no ano 2000, Kei Sugaoka, inspector nuclear americano de origem japonesa, que tinha trabalhado para a General Electric na central de Fukushima, denunciou ao regulador nuclear nipónico a existência de um exaustor de vapor rachado que ele acreditava estar a ser encoberto pela Tokyo Electric Power. Mas a Agência de Segurança Nuclear e Industrial (ASNI), em vez de obrigar a empresa a levar a cabo reparações, que seriam dispendiosas, revelou o nome do informador e este acabou por ser afastado da indústria nuclear.

O regulador deu instruções à Tokyo Electric Power para inspeccionar os seus próprios reactores e permitiu que a companhia continuasse a operar os seus reactores durante os dois anos seguintes, enquanto os executivos encobriam outros problemas mais sérios, como rachas nas coberturas que protegem os núcleos.

"Os japoneses estão cada vez mais a levantar a possibilidade de a cultura de cumplicidade ter tornado a central especialmente vulnerável ao desastre natural que abalou o país no dia 11 de Março", um sismo de magnitude 8,9 e um tsunami mortífero, escreve o IHT, apontando como falhas os muros baixos que protegiam Fukushima do mar e a colocação ao nível do solo dos geradores a diesel, que serviam de segurança em caso de falha do fornecimento de energia ao sistema de refrigeração e que falharam totalmente no dia do desastre.

A ASNI permitiu uma extensão de 10 anos de funcionamento para os reactores mais antigos, que já tinham 40 anos de vida. A extensão foi autorizada dias antes do tsunami apesar dos "avisos sobre a segurança" na central e "as admissões por parte da Tokyo Electric de que tinha falhado na realização de inspecções adequadas do equipamento crítico".

DN
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Maio 02, 2011, 10:08:47 pm
Ainda o acidente na central de Fukushima
Duarte Barral


Enquanto na semana passada se assinalavam os 25 anos da tragédia nuclear de Chernobyl, uma outra decorria ainda no Japão. O acidente na central de Fukushima já igualou a gravidade do de Chernobyl, que até agora era o mais grave de sempre. E naturalmente foi relançado o debate sobre os perigos da energia nuclear, o que levou mesmo países como a Alemanha a reavaliar os seus programas de produção de energia através da fissão nuclear.
Como ainda não foi completamente controlado, ainda não se conhecem as consequências exactas que o desastre de Fukushima terá para o ambiente e a saúde humana. O que é facto é que quantidades significativas de radioactividade foram libertadas para o ambiente e que as alterações provocadas durarão muito tempo.

As vantagens da energia nuclear são claras e devem ser reconhecidas. Numa altura em que o preço do petróleo não pára de aumentar, devido a conflitos nos países árabes, e a poluição gerada pelos combustíveis fósseis põe em risco o nosso planeta, a energia nuclear apresenta-se como uma alternativa que deve ser seriamente considerada por não contribuir para o efeito de estufa, não estar dependente de reservas de combustíveis fósseis que não são renováveis e por poder ser produzida por quaisquer países que tenham condições tecnológicas e financeiras para o fazer.

Mas os riscos existem e são bem conhecidos e lembrados quando há algum desastre nuclear. Mesmo num país tecnologicamente evoluído como o Japão e como uma organização exemplar, este desastre não conseguiu ser evitado. Claro que o sismo e tsunami que o provocaram representam condições absolutamente extraordinárias mas isso também significa que não se pode falar em segurança absoluta. Certo é também que a tecnologia continua a evoluir e que novos designs de centrais com duplo sarcófago se apresentam mais seguros.

Mas estes avanços tecnológicos têm custos que terão de ser levados em conta quando se pesam as vantagens e desvantagens desta forma de produzir energia. E não podemos esquecer que ainda há o problema do armazenamento dos resíduos das centrais pois estes demoram milhares de anos a decair. No entanto, também neste caso se pensa em formas de os reciclar ou reusar.

A enorme quantidade de energia libertada pela fissão nuclear é simultaneamente a sua grande vantagem, pela potencialidade que representa para resolver as nossas necessidades energéticas, e também a grande desvantagem pelo risco que este enorme potencial energético tem caso não seja rigorosamente controlado. Seja por erro humano, como no caso de Chernobyl, ou por um desastre natural de consequências imprevisíveis, como no Japão, por mais eficazes e redundantes que sejam os sistemas de segurança não é possível garantir que nunca acontecerão desastres.

Com apenas 6 acidentes até hoje com um nível igual ao superior a 4 de gravidade, numa escala que vai até 7, esta indústria pode ser considerada das menos perigosas. Mas ao contrário de outras, as falhas podem ter consequências terríveis que ultrapassam as fronteiras dos países e perduram durante gerações.

Ciência Hoje
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Maio 06, 2011, 06:50:29 pm
PM exige encerramente de central nuclear no centro do país


O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, exigiu hoje o encerramento de uma central nuclear no centro do país com forte risco sísmico, dois meses depois do acidente da central nuclear de Fukushima (nordeste). “Ordenei… que a Chubu Electric Power cesse as operações de todos os reatores da central nuclear de Hamaoka”, declarou Naoto Kan durante uma conferência de imprensa em Tóquio.

“Esta decisão foi tomada pela segurança dos habitantes”, precisou. “Também tivemos em conta o enorme impacto que um acidente grave na central de Hamaoka poderá ter no conjunto da sociedade japonesa”, adiantou.

Esta central situa-se a menos de 200 quilómetros a sudoeste de Tóquio e a uma centena de quilómetros de Nagoya, no coração da zona industrial.

Concretamente, esta decisão vai traduzir-se no encerramento dos reatores quatro e cinco e ao não relançamento do reator três, atualmente parado para verificações. As unidades um e dois desta central com cinco reatores já tinham sido desativadas.

Kan advertiu que nos primeiros tempos esta decisão pode implicar falta de eletricidade na região.

“As autoridades competentes, incluindo o Ministério da Ciência, consideraram que existe uma probabilidade de 87 por cento de vir a ser registado um sismo de magnitude 8 na região nos próximos 30 anos”, sublinhou o primeiro-ministro nipónico.

"É necessário pôr em prática medidas a médio e longo prazos, em particular a construção de muros de proteção em relação ao mar, que possam resistir” a um tsunami gigante, adiantou, sem dar pormenores de calendário.

A agência noticiosa japonesa Kyodo disse que a Chubu Electric concordou com a suspensão das operações.

Localizado na confluência de quatro placas tectónicas, o Japão é atingido pelos sismos mais fortes.

A 11 de março, um sismo de magnitude 9 seguido por um tsunami gigante devastaram o nordeste do arquipélago, causando mais de 25.000 mortos e desaparecidos. Em 1995, mais de 6400 pessoas morreram devido a um sismo em Kobe, no centro oeste.

Os ativistas anti-nuclear japoneses saudaram a decisão.

O Japão enfrenta há dois meses o mais grave acidente nuclear da história depois da paragem dos circuitos de refrigeração da central de Fukushima, provocada pela catástrofe natural de 11 de março.

A Tokyo Electric Power (TEPCO), operador desta central situada a 250 quilómetros a nordeste de Tóquio, prevê conseguir refrigerar os reatores até janeiro de 2012.

O Japão tinha cerca de meia centena de reatores nucleares em atividade antes do sismo. A energia atómica fornece no mínimo 30 por cento da eletricidade consumida no país.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Luso em Maio 19, 2011, 06:33:32 pm
http://technologyreview.com/blog/arxiv/26773/?p1=blogs (http://technologyreview.com/blog/arxiv/26773/?p1=blogs)
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: FoxTroop em Maio 19, 2011, 07:10:48 pm
Induzido....... "naturalmente" ou "artificialmente", quem sabe....  :)    

Os mais velhos dizem que este calor húmido e abafado (aqui na Zona Oeste) é "tempo de terramotos" Em alguma coisa se baseia a sabedoria popular.
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Junho 02, 2011, 12:33:31 pm
Nasce coelho sem orelhas na região de Fukushima



O nascimento de um coelho sem orelhas, numa localidade situada a 30 quilómetros da central nuclear de Fukushima, está a preocupar a população da zona, com receio de que a anormalidade no animal seja resultado da radioactividade emitida pelas instalações nucleares que foram fortemente atingidas pelo sismo e tsunami que arrasaram o leste do Japão, a 11 de Março.

Segundo o El Mundo, alguns peritos asseguram que a malformação no coelho deve-se às fugas radioactivas da central que se registaram nos últimos três meses, naquele que foi considerado o segundo acidente nuclear mais grave de sempre. Mesmo assim, ainda não foram realizados os exames necessários a determinar a origem da malformação no coelho que tem dificuldades para se mover com normalidade.

Há 15 dias o governo japonês alargou a zona de exclusão ao redor da central nuclear. No total, cinco mil pessoas que vivam a 30km da central tiveram de deixar as suas casas. Numa primeira fase foram evacuados 80 mil japoneses que viviam a 20km da central.

DN
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Junho 20, 2011, 05:08:37 pm
Japão reconhece erros, mas mantém aposta na energia nuclear


O ministro de Energia japonês, Banri Kaieda, reconheceu, esta segunda-feira, que o seu país revelou excesso de confiança na segurança da energia nuclear, antes do acidente de Fukushima. No entanto, o mesmo responsável político também assume que o Japão vai ter de manter a aposta nesta fonte de energia, já que dela depende grande parte da indústria do país. «Em outros países houve enormes terramotos e tsunamis, mas a verdade é que os resultados destas catástrofes não levaram à revisão dos padrões de segurança (nuclear) do Japão», admitiu, durante uma conferência de imprensa ministerial sobre segurança nuclear, Kaieda.

No entender deste governante, tal situação deveu-se a um «excesso de confiança» na segurança nuclear do país por parte dos analistas japoneses.

No entanto, depois do que aconteceu em Fukushima, o Japão terá de rever todos os seus padrões de segurança, defende o ministro, até porque a aposta na energia nuclear terá de continuar, já que um abandono ou uma forte redução «teria forte impacto na economia japonesa e na das suas empresas, além de uma repercussão enorme sobre a economia mundial como um todo».

Recorde-se que cerca de 30% do consumo energético japonês provém de centrais nucleares, o que torna o Japão um dos países mais dependentes em todo o mundo desse tipo de energia.

Lusa
Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Março 11, 2021, 01:11:47 pm
Japão assinala os dez anos do desastre de Fukushima


Título: Re: Tragédia no Japão
Enviado por: Lusitano89 em Abril 13, 2021, 05:27:31 pm
Água de Fukushima vai ser descarregada no Pacífico