THE GREAT RESET - GRANDE REINICIALIZAÇÃO

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THE GREAT RESET - GRANDE REINICIALIZAÇÃO
« em: Abril 16, 2022, 04:14:42 pm »
The Great Reset – Grande Reinicialização (50ª Reunião anual do Fórum Económico Mundial de Junho de 2020).

Depois de um desafio lançado por um membro do Fórum  :mrgreen: deixo aqui a minha primeira abordagem do assunto que eu acho que está a moldar um novo paradigma de gestão das nações, principalmente a ocidente!

   Ideias-chave: Indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial + Stakeholder Economy (Economia das partes interessadas) + Economia mais resiliente, equitativa e sustentável.
   Pessoas-Chave: Klaus Martin Schwab e Príncipe Carlos de Gales

- 1º Pilar) Stakeholder Economy ou Economia das Partes Interessadas: É uma nova versão do capitalismo que em vez do actual modelo anglosaxónico de curto-prazo, que coloca como principal objectivo da gestão corporativa, a remuneração dos accionistas acima de todos os interesses, este novo modelo trata todos os stakholders por igual e pretendia criar mais valor a longo-prazo (velho dilema do controlo de uma empresa, quem tem mais poder? Os accionistas que pensam no curto-prazo e no dividendo ou no gestor que prefere não distribuir dividendos, tornando a empresa cada vez mais forte e poderosa?). Esta nova visão de gestão, é possível de verificar nas multinacionais e grandes empresas nacionais, que praticam salários muito acima do normal (principalmente a pessoas-chave), uma forte cultura empresarial e muita cumplicidade quase sem se notar a hierarquia da empresa, ouvindo todas as opiniões;

- 2º Pilar) Economia mais resiliente, equitativa e sustentável (entram aqui os princípios ambientais): Como as próprias palavras indicam e como temos notado, principalmente depois do aparecimento da Covid19, estas 3 palavras têem surgido com enorme frequência nas entidades públicas: resiliência, equidade e sustentabilidade. Entra neste pilar a ecologia, mas não de uma forma inocente! Ela aparece para corrigir o enorme erro da desindustrialização do ocidente (que eu sempre referi por aqui) e contornar as enormes benesses que foram dadas aos países pobres dos anos 80 e 90 (agora muito mais ricos do que nós), via Organização Mundial do Comércio, ao abolir quase as barreiras alfandegárias a países do 3º mundo, que em conjugação com os empresários, que têem como principal bandeira a do dólar ou euro em vez de uma bandeira nacional, viram na deslocalização da indústria para Ásia, uma forma de explorar mão-de-obra barata e quase sem direitos sociais!

- 3º Pilar) Aproveitar as inovações da Indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial para o bem público: Já lemos e ouvimos falar na indústria 4.0 ou na 4ª Revolução Industrial e inclusive, se repararmos bem, o famoso PRR é uma destas apostas, mas centrada no Estado. As novas apostas desta revolução são: Sistemas ciber-físicos, big data analytic, computação na nuvem, internet das coisas (loT), internet de serviços (loS), produção industrial modular, inteligência artificial (IA) e sensores inteligentes.


Há mais variantes, mas todas elas apontam a estes 3 objectivos, mas todas elas apontam para estes 3 objectivos e que por acaso já passamos a ouvir e ler muito mais vezes.
Ainda numa primeira análise muito superficial, na minha opinião (refiro novamente, na minha opinião), o Great Reset ou Grande Reinício não é mais do que uma resposta ao bloco Auroasiático (China à cabeça e com a Rússia como a ajudante de campo), para continuarmos a ter o bloco Atlântico (ocidente, com as irmãs anglo-saxónicas à cabeça).

Focando-me nos pilares e começando pelo último e talvez mais importante, a Indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial (de certeza que todos nós já lemos ou ouvimos falar) não é mais do que a reindustrialização do ocidente, depois do disparate que se deu a partir principalmente dos anos 90, com a deslocalização da indústria para a Ásia, porque esta poluía e também porque na ásia havia muita mão-de-obra qualificada e mal paga disponível para ser explorada, sem grandes exigências sociais e laborais como temos por cá!!!!!
Parece-me evidente que já todo o ocidente despertou para a necessidade da reindustrialização nos últimos anos, especialmente quando percebemos que não produzimos as máquinas de apoio vital ECMO, as máscaras, luvas, etc, assim que tomamos consciência da Covid19, já em 2020. Mas o conceito Indústria 4.0 apareceu já em 2012 na Alemanha, elaborado por um grupo de trabalho a pedido do Governo Alemão.
A 4ª revolução Industrial aposta essencialmente na automatização, produção em tempo real dos pedidos, redução de custos, produção modular, optimização, operações integradas, digitalização de processos, desmaterialização de informação, entre outros.

Agora viro-me para o 1º pilar, a economia virada para as partes interessadas ou para os stakeholders. Parece-me uma clara resposta às mega empresas que nenhum estado controla e que podem influenciar continentes sem qualquer escrutínio! Assim à primeira vista vêem-me à cabeça meia-dúzia de empresas que cabem perfeitamente como alvo: Meta (mais conhecida como Facebook. Com a manipulação de dados e informação, percebemos que é fácil manipular eleições!!!!), Google (quem decide as pesquisas mais relevantes das nossas buscas pela internet? E sabemos nós que há empresas que pagam mensalmente valores para que apareçam à frente de outros concorrentes?), Microsoft, Apple…….
Mas aqui não me parece que a principal preocupação seja a de contribuir para todas as partes interessadas nestas mega-empresas (clientes, fornecedores, colaboradores, estados, ……..), mas sim em dar mais poder aos Estados/Governos dos países, uma vez que estas grandes empresas estão claramente acima de qualquer estado e pode até nem sequer pagar impostos, basta declararem todas as suas receitas no estado (paraíso fiscal) que menos impostos cobre!!!!!
Também vimos nascer o famoso RGPD (Regulamento Geral de Protecção de Dados), que não é mais do que uma protecção europeia ao modo e onde eram guardados os dados dos cidadãos europeus.
Esta visão capitalista é claramente o oposto do capitalismo liberal que impera por exemplo nos EUA, onde um acionista que investe numa empresa, espera ter um dividendo anual que seja mais favorável do que depositar o dinheiro num banco ou adquirir imóveis para arrendar, por exemplo e não espera que o Estado lhe coloque grandes restrições ao seu modo de funcionamento. Esta nova visão, inclusive diz-nos que não devemos possuir nada, mas sim pagar apenas pela utilização de um bem ou serviço (visão muito mais virada à esquerda, em que o Estado é o elo central, munido com serviços públicos, transportes públicos, ensino público, etc).

Agora viro-me para o 2º Pilar e que mais impacto estamos a sentir neste momento, o da economia resiliente, equitativa e sustentável. Parece-me uma clara resposta desesperada em relação à constatação de que o ocidente ou eixo atlãntico está muito dependente de matérias-primas que não tem (gás, petróleo……..) e resolvendo também o problema que foi criado com a Organização Mundial do Comércio e a quase abolição de barreiras alfandegárias para as exportações dos países em desenvolvimento (na altura) para o ocidente. Principalmente este último ponto (desindustrialização), deu um lindo resultado para o ocidente com o ressurgimento da toda-poderosa China, que se todos recordarmos, até aos anos 80, morriam à fome!!!!!!!
Então e de que forma o ocidente, que percebeu que está a empobrecer em detrimento da Ásia, pode reverter este desastre de abrirmos as fronteiras a produtos asiáticos e sermos literalmente invadidos? Inventando por exemplo as taxas de carbono, que apostam sobretudo em processos muito mais ecológicos (e muito mais caros) que nos processos poluentes ainda em vigor nos países asiáticos (sobretudo). Desta forma é muito fácil afastar produtos muito mais baratos mas mais poluentes de Ásia, produzidos com mão-de-obra mais barata e quase sem qualquer protecção social!
No entanto esta “descabornização” tem custos muito elevados e ainda não estamos preparados para tal corte e substituição de energias, como todos estamos a ver.
Uma das defesas que o ocidente tem, ainda é a expressão dos activos/matérias-primas em dólares e euros, o que permite um muito maior controlo mundial dos preços, uma vez que só 2 bancos emitem tais moedas: FED e BCE!

Este é ainda um esboço por alto do pouco que ainda tenho lido sobre o assunto, mas que vou tentar aprofundar.
Mas resumidamente e sem qualquer teoria da conspiração por detrás, que considero excessiva e manipuladora, parece-me que é uma resposta a uma clara guerra híbrida (como referem os militares) e de desesperada tentativa de reindustrialização do ocidente e em simultâneo um corte da dependência energética que mina a independência do ocidente! No entanto também me parece que este reforço do papel dos estados/governos, em muitos casos tenderão a levar muitos países para países mais autoritários (não quis referir aqui as ditaduras como a Russa para servir de contra-ponto, porque parece-me que os políticos ocidentais já perceberam que não podem ser muito moles a enfrentarem ditadores como Putin, com algumas excepções como nós que agimos como se não houvesse guerra nenhuma).
E este conflito da invasão Russa da Ucrãnia, parece-me um claro episódio desse confronto entre 2 blocos: atlãntico vs euroasiático e que também é visado pelo Great Reset.

Refiro mais uma vez, é a minha opinião com base no que consegui apurar até agora. Todos os contributos são bem-vindos!

Deixo alguns links que ajudaram a que eu tivesse uma opinião sobre o assunto, mas que não me prenderam por aí além. É necessário investigar muito mais.

Links:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria_4.0
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Grande_reset
https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Reset
https://observador.pt/opiniao/o-ano-do-great-reset/
https://www.weforum.org/great-reset/
 
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