Africa - G5 Sahel

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PTWolf

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #60 em: Março 29, 2024, 08:04:36 pm »
Caro PTWolf,
a questão do que se vai passar relativamente aos outros não é problema nosso.
A questão central , que andamos nós a fazer até agora?
Papéis menores e sem interesse, principalmente económico, na maioria desses países?
Fazer de conta que ajudamos muito quando na realidade ajudamos apenas algumas elites corruptas iguais às nossas?
Vou dar-lhe um exemplo de um país onde tenho interesses directos, a Guiné Equatorial.
Como se admite, tendo sido um país admitido (e bem) na CPLP, ter uma "embaixada" só de nome porque nem um visto consegue emitir? Ter estado largos meses sem embaixador? Ter de recorrer à embaixada espanhola para tudo o que tenha a ver com esse tipo de documentação?
As pessoas que querem deslocar-se à Europa ficam boquiabertas quando afinal têm de recorrer aos espanhóis para cá poderem vir.
E qualquer português que lá viva e necessite tratar de algum documento ou fazer um passaporte tem de ir, no mínimo, a São Tomé...
Enquanto andamos cá a discutir de forma hipócrita se eles devem ou não fazer parte da CPLP, paneleirices que ficam bem nos dias de hoje, mas não pagam contas, outros vão ocupando e aproveitando as oportunidades nas diversas áreas como petróleo e gás, agricultura, comunicações, comércio e distribuição...
À nossa "esperteza" agradecem os espanhóis, italianos, americanos, chineses, turcos, cada vez menos os franceses...
Outra situação que me faz rir é quando aqui vejo o pessoal "ofendido" pelo "brasileirismo" da língua portuguesa.
Conheço pessoas a tentar aprender a nossa língua há anos, e contactada a embaixada, respostas zero.
Pois bem, os brasileiros na sua embaixada já começaram a ministrar cursos de português de vários graus e certificados, ocupando mais uma vez um espaço que deveria ter sido nosso. Depois queixamo-nos...
Como diz e bem o Fox, andamos longe do que deveríamos e não há maneira de perceber isso.
Só quem lá vai e verifica os potenciais entende quão estúpidos somos. Mas não conseguimos ter jogo de cintura suficiente para estar em dois lados ao mesmo tempo.
Quanto a defender alguma coisa ou projectar forças, mais um exemplo do falhanço completo da nossa política externa. Tirando uns exercícios para inglês ver e despesas, nada de palpável conseguimos. Da nossa miséria damos umas migalhas  e orgulhamo-nos disso. Outros vendem equipamento, navios, aviões...
Naquela zona meios como os NPO, para já, são mais do que suficientes.
Até as Argos...
E potenciais compradores também existiam.  Mas esquece isso...

Não estamos em desacordo. Você abordou as consequencias e eu uma das causas
 
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PTWolf

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #61 em: Março 29, 2024, 08:24:39 pm »
Tudo o que envolva as antigas colónias não se alinha com a visão Woke que se pretende implementar no País.

Mas não tenho duvidas que muitos países quando virem e sentirem o que realmente é estar sob influencia de paises como russia ou china, irão morder a lingua relativamente a Portugal....
Não vejo a correlação e considero-me uma pessoa bem anti-woke.

Vou tentar explicar de forma bastante resumida. Na visão Woke, no que toca ao colonialismo , Portugal deve uma reparação histórica a todas as antigas colonias. Assim, a unica relação que querem contra o "colono opressor" é dinheiro e direitos. Por isso nem ouvir falar em qualquer tipo de influencia Portuguesa por lá. E convenhamos que internamente, em Portugal, a visão não foge muito a isto.

Deixo aqui uma pequena lista e vão ver o que é defendido e que muitas dessas medidas já estão a ser seguidas pelo estado Português:
https://afrolink.pt/17-accoes-para-portugal-reparar-o-irreparavel-uma-historia-de-crimes/

Citar
1. Reconhecimento do COLONIALISMO, da ESCRAVATURA, dos MASSACRES COLONIAIS, do TRABALHO FORÇADO, da negligência das FOMES, das PRÁTICAS GENOCIDAS, ETNOCIDAS, SEGREGACIONISTAS e EPISTEMICIDAS enquanto crimes e, consequentemente, a formalização de pedidos de desculpas.

2. Perdão de todas as dívidas (odiosas, injustas, ilegais e/ou imorais) contraídas pelos países ocupados e colonizados por Portugal e o pagamento de indemnizações às pessoas lesadas pelo colonialismo por exemplo, entre outros, aos ex-contratados de São Tomé.

3. Restituição às comunidades colonizadas e sem prejuízo de condições financeiras ou de outra natureza, dos objetos, arquivos, artefactos e corpos humanos presentes nas instituições de cariz museológico.

4. Implementação de políticas públicas afirmativas, transversais, de combate à desigualdade racial através da mobilização de recursos financeiros consequentes, via Orçamento do Estado, em áreas-chave para a equidade social – educação, emprego, habitação, saúde, justiça, cultura – envolvendo diretamente as pessoas racializadas e as suas organizações na definição, elaboração e na execução de políticas públicas. Para tal, consideramos fundamental a recolha de dados étnico-raciais.

5. Atribuição da nacionalidade portuguesa a todas as pessoas que nasceram em Portugal.

6. A desburocratização dos processos de pedido de vistos, livre circulação e garantia dos direitos de cidadania para os emigrantes dos países colonizados por Portugal. Isenção de propinas para alunos provenientes desses países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor.

7. A criminalização do racismo e a instituição de uma Carta de Princípios Anti-Racistas, em todas as áreas da função pública e no sector privado, de prestação de bens e serviços, com formação em literacia étnico-racial nomeadamente no âmbito da educação básica e no espaço laboral.

8. Abolição das prisões e desinvestimento no policiamento racista e repressivo.

9. Assunção do papel dos Movimentos de Libertação africanos no 25 de Abril de 1974.

10. Reconhecimento do cabo-verdiano enquanto língua nacional, à semelhança do mirandês, e difusão da diversidade linguística que habita o país, através da promoção de políticas públicas do seu ensino.

11. Desmantelamento de estátuas e de monumentos racistas, e contextualização das sequelas do passado colonial. Desenvolvimento de políticas públicas de (sobre e para) a memória que destituam o imaginário colonial e, simultaneamente, identifiquem e inscrevam as pessoas e narrativas não brancas ausentes do imaginário coletivo.

12. Construção do Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas, um dos projetos mais votados no Orçamento Participativo de Lisboa de 2017, consecutivamente adiado. Abertura de uma discussão na Assembleia da República sobre a memorialização das vítimas da escravatura e do colonialismo como projeto abrangente a nível nacional.

13. Total transparência no que diz respeito aos restos mortais das 158 pessoas encontradas no Valle da Gafaria, hoje a cargo de uma empresa privada em Coimbra. Urge a sua transladação e a memorialização do local como o mais antigo cemitério de pessoas escravizadas no mundo, onde foram encontradas, em diálogo com o atual Núcleo Museológico Rota da Escravatura, em Lagos.

14. Reconhecimento e inscrição da figura de Amílcar Cabral no espaço público como um dos precursores da democracia em Portugal.

15. Descolonização do hino e de todos os símbolos nacionais que evoquem a exaltação do passado colonial.

16. Implementação da data de 10 de Junho como o dia de Alcindo Monteiro e de todas as vítimas do racismo e da xenofobia em Portugal.

17. Políticas de reparação de biomas e de paisagens, apoiando as comunidades dilaceradas pela monocultura e pelo extrativismo, em Portugal e nos países que foram colonizados por Portugal.
 

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PTWolf

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #62 em: Março 29, 2024, 08:26:31 pm »
Peço desculpa pela manutenção do off-topic mas considero que a opinião do novo MDN sobre o tema merece relevo:

https://sol.sapo.pt/2023/07/03/nas-baias-do-movimento-woke/

Citar
A história é um contínuo, feita de virtudes e defeitos, que tem de ser lida no seu tempo. Interpretar factos e retirar deles consequências, na base de um filtro do século XXI, desgarrado das mentalidades, dos valores e das referências de cada momento, é ridículo e absurdo. A conversa à volta de perdões e reparações carregada de complexos de culpa alheia, tem pouco de sincero, muito de político, é sectária na linha do tempo, está cheia de equívocos e preconceitos e tem nas baias da cultura woke o principal fermento.

Sem inocência, o tema vai sendo circunscrito ao fenómeno da escravatura e do colonialismo, referenciados a partir do período dos descobrimentos, que teve portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses e franceses à cabeça. A primeira pergunta que se tem de fazer é: onde fica tudo o resto?

Quando os alemães pedem desculpa pelo nazismo e o holocausto, fazem-no, conscientes de que trucidaram padrões civilizacionais consolidados ao tempo dos próprios atos que praticaram.

Já a escravatura e o colonialismo não nasceram no século XV. Aconteceram desde o berço da humanidade, em dinâmicas sucessivas de conquista e domínio, aceites em praticamente todos os continentes.

Assírios e babilónios escravizaram pessoas. Todo o império romano viveu de mão de obra escrava. Atenas escravizava os prisioneiros de guerra e em Esparta acabavam propriedade da cidade-Estado. Alguém exige a iraquianos, kuwaitianos, sírios, turcos, italianos ou gregos, perdões pelas dores desses primórdios?

No século I, milhares de eslavos foram escravizados e vendidos pelo rei germânico Otto I nos Balcãs, do mesmo modo que outros povos foram escravizados por eslavos em guerras travadas contra o Império Bizantino. Quem responderia por isso?

Na Ásia não faltou escravatura. Houve árabes que traficaram escravos na Península Ibérica, no território que hoje corresponde à Rússia, no Oriente Médio, na Índia e em África. Não faltaram igualmente europeus brancos cativos no que hoje é o Magrebe e mais a Sul.

Os portugueses escravizaram? Claro. Do mesmo modo que povos africanos escravizaram outros africanos e foram os principais parceiros dos portugueses e de muitos outros nesse comércio. Que países africanos, a par de Portugal também têm de pedir desculpa?

Já agora, convirá recordar que Portugal foi, com o marquês de Pombal, o primeiro país a emancipar escravos, sendo que a Mauritânia só aboliu a prática em 1981 e apenas a criminalizou em 2007.

Significa que a pedirem-se desculpas, dificilmente ficaria alguém de fora e a catarse teria de ser coletiva, à escala da própria humanidade. Também não se vê motivo para fixação de prazo prescricional algures em 1415.

Devemos ter orgulho da nossa história, dos muitos feitos, com consciência de defeitos. E quanto aos territórios do velho Império, não temos de reparar coisa nenhuma, do mesmo modo que não exigimos reparações de quem quer que seja, por incursões que ao longo dos séculos nos destruíram património e subtraíram bens.

Das províncias ultramarinas nasceram países, neles forjaram-se identidades e em todas ficou a língua, a cultura comum, redes de caminho de ferro, aeroportos, aldeias, vilas e cidades. O tempo é de olhar para a frente e o futuro. Não para trás, desperdiçados em esforços psicanalíticos, à boleia das agendas da moda.
 

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CruzSilva

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #63 em: Março 29, 2024, 08:42:04 pm »
Tudo o que envolva as antigas colónias não se alinha com a visão Woke que se pretende implementar no País.

Mas não tenho duvidas que muitos países quando virem e sentirem o que realmente é estar sob influencia de paises como russia ou china, irão morder a lingua relativamente a Portugal....
Não vejo a correlação e considero-me uma pessoa bem anti-woke.

Vou tentar explicar de forma bastante resumida. Na visão Woke, no que toca ao colonialismo , Portugal deve uma reparação histórica a todas as antigas colonias. Assim, a unica relação que querem contra o "colono opressor" é dinheiro e direitos. Por isso nem ouvir falar em qualquer tipo de influencia Portuguesa por lá. E convenhamos que internamente, em Portugal, a visão não foge muito a isto.

Deixo aqui uma pequena lista e vão ver o que é defendido e que muitas dessas medidas já estão a ser seguidas pelo estado Português:
https://afrolink.pt/17-accoes-para-portugal-reparar-o-irreparavel-uma-historia-de-crimes/

Citar
1. Reconhecimento do COLONIALISMO, da ESCRAVATURA, dos MASSACRES COLONIAIS, do TRABALHO FORÇADO, da negligência das FOMES, das PRÁTICAS GENOCIDAS, ETNOCIDAS, SEGREGACIONISTAS e EPISTEMICIDAS enquanto crimes e, consequentemente, a formalização de pedidos de desculpas.

2. Perdão de todas as dívidas (odiosas, injustas, ilegais e/ou imorais) contraídas pelos países ocupados e colonizados por Portugal e o pagamento de indemnizações às pessoas lesadas pelo colonialismo por exemplo, entre outros, aos ex-contratados de São Tomé.

3. Restituição às comunidades colonizadas e sem prejuízo de condições financeiras ou de outra natureza, dos objetos, arquivos, artefactos e corpos humanos presentes nas instituições de cariz museológico.

4. Implementação de políticas públicas afirmativas, transversais, de combate à desigualdade racial através da mobilização de recursos financeiros consequentes, via Orçamento do Estado, em áreas-chave para a equidade social – educação, emprego, habitação, saúde, justiça, cultura – envolvendo diretamente as pessoas racializadas e as suas organizações na definição, elaboração e na execução de políticas públicas. Para tal, consideramos fundamental a recolha de dados étnico-raciais.

5. Atribuição da nacionalidade portuguesa a todas as pessoas que nasceram em Portugal.

6. A desburocratização dos processos de pedido de vistos, livre circulação e garantia dos direitos de cidadania para os emigrantes dos países colonizados por Portugal. Isenção de propinas para alunos provenientes desses países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor.

7. A criminalização do racismo e a instituição de uma Carta de Princípios Anti-Racistas, em todas as áreas da função pública e no sector privado, de prestação de bens e serviços, com formação em literacia étnico-racial nomeadamente no âmbito da educação básica e no espaço laboral.

8. Abolição das prisões e desinvestimento no policiamento racista e repressivo.

9. Assunção do papel dos Movimentos de Libertação africanos no 25 de Abril de 1974.

10. Reconhecimento do cabo-verdiano enquanto língua nacional, à semelhança do mirandês, e difusão da diversidade linguística que habita o país, através da promoção de políticas públicas do seu ensino.

11. Desmantelamento de estátuas e de monumentos racistas, e contextualização das sequelas do passado colonial. Desenvolvimento de políticas públicas de (sobre e para) a memória que destituam o imaginário colonial e, simultaneamente, identifiquem e inscrevam as pessoas e narrativas não brancas ausentes do imaginário coletivo.

12. Construção do Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas, um dos projetos mais votados no Orçamento Participativo de Lisboa de 2017, consecutivamente adiado. Abertura de uma discussão na Assembleia da República sobre a memorialização das vítimas da escravatura e do colonialismo como projeto abrangente a nível nacional.

13. Total transparência no que diz respeito aos restos mortais das 158 pessoas encontradas no Valle da Gafaria, hoje a cargo de uma empresa privada em Coimbra. Urge a sua transladação e a memorialização do local como o mais antigo cemitério de pessoas escravizadas no mundo, onde foram encontradas, em diálogo com o atual Núcleo Museológico Rota da Escravatura, em Lagos.

14. Reconhecimento e inscrição da figura de Amílcar Cabral no espaço público como um dos precursores da democracia em Portugal.

15. Descolonização do hino e de todos os símbolos nacionais que evoquem a exaltação do passado colonial.

16. Implementação da data de 10 de Junho como o dia de Alcindo Monteiro e de todas as vítimas do racismo e da xenofobia em Portugal.

17. Políticas de reparação de biomas e de paisagens, apoiando as comunidades dilaceradas pela monocultura e pelo extrativismo, em Portugal e nos países que foram colonizados por Portugal.
Está bem... mas é preciso perceber que as populações das nossas ex-colónias não nos querem a exercer neo-colonialismo sobre eles. Os russos e os chineses têm grande vantagem neste aspeto, porque nunca colonizaram África. E isto é um facto Histórico muito difícil de contrariar.
 

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PTWolf

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #64 em: Março 29, 2024, 09:21:54 pm »
De acordo. A minha opinião sobre isso está no 2º paragrafo logo da minha primeira intervenção
 

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CruzSilva

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #65 em: Março 29, 2024, 09:23:44 pm »
De acordo. A minha opinião sobre isso está no 2º paragrafo logo da minha primeira intervenção
Qual a sua 1ª intervenção sff.
 

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raphael

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #66 em: Março 29, 2024, 09:55:57 pm »
Para um tópico de G5 Sahel já andamos aqui a labutar na maionese...mas também não é importante porque desde que o Burkina Faso, Niger e Mali sairam desta coligação a Mauritania e o Chade também pouco conseguem fazer.

Eu a pensar que vinha aqui ler sobre influencia russa no Sahel dou com coisas das ex-colónias.

Pelo menos uma nunca se não fossem os portugueses tinha ficado intocada mais umas dezenas de anos, cabo verde que era só fauna e flora.

Em relação às ex-colónias se Portugal se tivesse comportado um pouco como a França, só agora é que estava a levar na pá e a perder dividendos em África.
Um abraço
Raphael
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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #67 em: Março 29, 2024, 10:30:18 pm »
Para um tópico de G5 Sahel já andamos aqui a labutar na maionese...mas também não é importante porque desde que o Burkina Faso, Niger e Mali sairam desta coligação a Mauritania e o Chade também pouco conseguem fazer.

Eu a pensar que vinha aqui ler sobre influencia russa no Sahel dou com coisas das ex-colónias.

Tudo está interligado - a História é o que é.

Pelo menos uma nunca se não fossem os portugueses tinha ficado intocada mais umas dezenas de anos, cabo verde que era só fauna e flora.

Em relação às ex-colónias se Portugal se tivesse comportado um pouco como a França, só agora é que estava a levar na pá e a perder dividendos em África.

Quem nos podia ter bem posicionado para as nossas ex-colónias teria sido...



...mas desta fibra já não há homens.
« Última modificação: Março 29, 2024, 10:30:51 pm por CruzSilva »
 
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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #68 em: Março 29, 2024, 11:33:05 pm »
CruzSilva Africa Central e ex-colónias portuguesas vai-me desculpar mas não não está interligado.

Agora as discussões irem caminhar numa determinada direção e aí interligar-se percebo perfeitamente.

Agora o foco nada tem a ver com Portugal (Sahel e Africa Central diga-se).
Um abraço
Raphael
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CruzSilva

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #69 em: Março 29, 2024, 11:48:42 pm »
CruzSilva Africa Central e ex-colónias portuguesas vai-me desculpar mas não não está interligado.

Agora as discussões irem caminhar numa determinada direção e aí interligar-se percebo perfeitamente.

Agora o foco nada tem a ver com Portugal (Sahel e Africa Central diga-se).
O colonialismo é Europeu.

Portugal é Europa.

O colonialismo de Afríca foi um projeto Europeu.

É fazer as contas.
 
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legionario

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #70 em: Março 30, 2024, 09:56:31 am »
O processo de colonização é uma constante desde os primórdios da humanidade. Não é algo que nós tenhamos inventado em 1415 quando decidimos partir à conquista de novas terras.

Desde os primeiros tempos que o homem, tal como as outras criaturas, procura novos espaços, melhores pastos, melhores condições de vida, numa eterna competição com todos os outros que buscam a mesma coisa. Neste processo eterno de competição, os mais fortes, os mais aptos e os mais sofisticados técnicamente levam a melhor sobre os demais.

O que é Portugal e o resto da Europa senão o resultado desta dinâmica de colonização ? Somos aqueles que "inventaram"  o processo de colonização ou aqueles que, submetemdo-se ao diktat da nossa herança genética, levámos a melhor sobre outros povos e sobre outras espécies, ocupando as melhores terras e os melhores recursos... até nos tornarmos o que somos hoje ?

Neste preciso momento, o processo de colonização continua : europeus que abandonam os seus paíse de origem para se instalarem algures ou africanos e asiáticos atravessando a nado o mediterrâneo para atingir o El Dorado europeu.
 
Quando nós chegamos a Africa enfrentámos e vencemos pelo ferro e pelo fogo os que lá estavam, fomos mais fortes do que eles e por conseguinte, prevalecemos.  Agora temos que lutar para defendermos o nosso espaço, conseguiremos fazê-lo ou vamos ter o mesmo destino que tiveram os povos que nós submetemos outrora ?

Interesses e força, tudo gira aqui à volta. Quanto à ética e aos valores, serão os vencedores a moldá-las.
« Última modificação: Março 30, 2024, 10:07:37 am por legionario »
 

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CruzSilva

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Re: Africa - G5 Sahel
« Responder #71 em: Março 30, 2024, 02:43:52 pm »
Bom, antes que as minhas afirmações acabem descontextualizadas, quando falo no colonialismo como Europeu, estou obviamente a referir-me ao colonialismo de exploração do globo que assentava na descoberta de todo o planeta (e não apenas de regiões ou continentes específicos) seguido de um variado grau de domínio dos povos nativos. Isto criava condições para a habitação desses territórios por parte dos povos que ali chegavam mas nem sempre existia uma imposição cultural total, por vezes os territórios nem eram totalmente anexados e apenas era estabelecido um posto comercial. Esse colonialismo foi de facto criado por Portugal e foi uma ideia que depois se alastrou a outros "países" Europeus, acabando estes últimos por seguir os nossos passos. E foi esta ideia portuguesa que permitiu que todos os povos do globo se descobrissem, se colonizassem, fizessem comércio, meros reinos se tornassem impérios, etc. Não é por acaso que o período Histórico do século 16 aos inícios do século 20 se designou de "Idade Imperial" e neste perído nasceu a afirmação Europa Universalis.

Claro que existia colonialismo antes desta nossa ideia mas não tinha a mesma envergadura no que toca à exploração de territórios. Podemos até afirmar que o colonialismo português é a origem de conceitos como a globalização e o internacionalismo. Hoje em dia este colonialismo já não existe e aquele que é executado pela Rússia e pela China é muito mais semelhante ao que os romanos por exemplo faziam - o colonialismo de conquista cuja a vertente de exploração não era tão forte.

Para garantir que o seu peso geopolítico não ficava severamente diminuido aquando do fim dos respetivos impérios coloniais, países como a França adoptaram uma política neo-colonial sobre as ex-colónias. Os britânicos ainda foram mais longe e conseguiram garantir um Commonwealth quando o seu império se dissipou.

A novidade neste século é que estes países que ainda seguem o colonialismo de conquista adoptaram ao mesmo tempo uma política neo-colonialista em África (que é claramente o elo mais fraco de todos os continentes). O tempo dirá se os africanos, muito dos quais vêem o homem branco como um adversário ou mesmo um inimigo, vão continuar a aceitar/tolerar estas..." intromissões".
« Última modificação: Março 30, 2024, 02:45:45 pm por CruzSilva »
 
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