Portugal e Espanha deviam discutir Olivença, diz ex-diplomata
Um antigo diplomata espanhol defende que Portugal e Espanha devem reabrir o diálogo sobre o conflito ainda existente sobre Olivença. Para Máximo Cajal, é urgente tentar encontrar um consenso para aliviar o mal-estar causado pela questão em alguns sectores.
O ex-diplomata defende a tese no seu livro «Ceuta, Melilla, Olivença e Gibraltar – Onde Acaba Espanha». Falando a propósito da obra esta quinta-feira, Cajal afirmou que, a seu ver, «Olivença é para os espanhóis, sobre isso não há dúvida alguma», o problema é que nenhuma das partes o reconhece. Nos sectores mais nacionalistas portugueses, diz, há uma mal-estar «agressivo» pela soberania espanhola sobre a localidade.
«Do ponto de vista português, Olivença é portuguesa», acrescentou, explicando que existe uma «irritação» que o Governo não confessa de forma directa e agressiva, «o que está de acordo com o carácter dos portugueses, que fazem as coisas de outra forma, com menos agressividade, mas o tema está lá».
Cajal não sabe qual a fórmula a aplicar para resolver o conflito, mas descartou que a solução esteja em compartilhar a soberania sobre o território. Mesmo que não haja uma resposta, continua, «já seria um passo em frente, o reconhecimento de que há um problema na questão de Olivença».
Se bem que, não se possa falar de um conflito, há de facto um grande mal-estar, a meu ver cada vez maior, entre alguns sectores do nosso país. O problema começa a ser divulgado abertamente nos dois países pelos meios de comunicação social e as duas sociedades começam a tomar cada vez mais consciência do mesmo.
Do meu ponto de vista, o problema só será resolvido quando Olivença volte a ser parte integrante de Portugal. Em alguns sectores espanhóis que conheço existe também a ideia de que mais tarde ou mais cedo (especialmente quando a questão de Gibraltar parece estar a ser quase resolvida entre espanhóis e britânicos) esta questão terá de ser debatida abertamente e com a transferência de soberania para Portugal a ser única solução possível a esse problema.
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