A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589

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João Vaz

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #30 em: Setembro 10, 2010, 02:35:22 pm »
Encalhado, só o vejo a si neste tópico e na sua cabeça frustrada e decadente.

Sabe que há uma vida lá fora, para além do seu teclado bafiento e da sua suprema burrice? Ou no Lar em que o enfiaram não lhe explicaram isso? Entretenha-se com o dominó e os sedativos, porque já nem aprender consegue.

Cumprimentos, ó Paizinho da ex-Area Militar  c34x
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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PereiraMarques

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #31 em: Setembro 10, 2010, 02:40:13 pm »
Mais considerações de ordem pessoal serão eliminadas e apresentadas à Administração para análise. Se não houver mais argumentação de carácter intelectual sobre assunto, talvez seja melhor "arrumar" este tema.

Pel'A moderação,
B. Pereira Marques
 

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Jorge Pereira

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #32 em: Setembro 15, 2010, 03:22:20 pm »
Volto a reabrir este tópico com a esperança e, quase certeza, de que dois membros do fórum com este “calibre” não voltarão a cometer o mesmo erro.

A minha admiração pelos vossos conhecimentos!
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Templário

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #33 em: Setembro 20, 2010, 06:37:55 pm »
Meus Caros Amigos:

Foi muito interessante o debate entre João Vaz e Papatango - que já li (na quase totalidade) - lamento os ataques pessoais na segunda metade do mesmo. Acho que são ambos inteligentes - e bastante inteligentes, independentemente das diferentes linhas interpretativas e modo de analisar as fontes passadas, mais actualizadas, redescobertas e reinterpretadas (portanto permitam-me discordar de ambos completamente nesse campo pessoal de "acusações").

Tenho formação em História, mas segui outras áreas profissionais - mas à mesma pretendo retornar.
Bebi com muito interesse os factos que aqui nos deram a conhecer com mais profundidade. Todos agradecemos a contribuição de ambos. A história é para todos e não só para os Académicos - e na investigação e divulgação - trabalho que sonho um dia fazer - incluo todos nós, tenhamos formação académica na área por um lado ou sejamos auto-didactas com  longo percurso na investigação.

Sei que abordaram mais os Tercios em Portugal naquele período - para além do centro do tópico que é a invasão inglesa com o Prior do Crato D. António em 1589 - ou a Contra-armada de Drake e Norris.

E a discordância(uma delas) entre ambos(se me recordo bem!) assenta mais na composição étnica destes Tercios em todo o periodo de 1583-1640(e na defesa da invasão inglesa de 1589) do que na invasão espanhola do Reino continental e dos Açores em 1580-82; - nesta ultima parece-me que estão ambos de acordo em relação à sua característica multi-nacional, talvez maioritáriamente Castelhana que aragonesa, italiana, alemã ou flamenga(que não própriamente "espanhola" - poderemos chamar-lhe no entanto espanhola num sentido actual) no exército de terra do Duque de Alba (na interpretação de João Vaz), mas de facto, completamente multi-nacional e europeia.

E quanto ao termo "Espanhola", entendamo-lo num sentido actual, ou baseado ainda nas primeiras separações dos termos ensaiadas nas cortes de Tomar, quando se falava de "Portugueses" de um lado e de reinos "Hespanhoes" do outro em três artigos. No entanto era ainda um termo geográfico e penínsular. E Ambos têm razão (Papatango e João Vaz) porque de facto a transição deste conceito naquela época tornou ambígua e duplice o seu emprego.

O próprio Felipe II de Castela ou Espanha (I de Portugal) num retrado e num selo dizia-se "PHILIPPUS II HISPANIAR ET LUSITANIAE REX DIVI CAROLI V...ISABELLA EMANUELIS LUSITANIAE REGIS F. CAROLI V IMP. MAX. UXOR"

"PHILIPPUS DEI GRATIA REX HISPANIARVM VTRIVSQVE SICILIAE HIERVSALEM ET PORTVGALLIAE"

Mas eram excepções, no resto era:

"Don Phelippe, por la Gratia de Dios, Rey de Castilla, de Leon, de Aragon, de las dos Sicilias, de Hierusalem, de Portugal, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valentia, de Galicia, de Mallorca, de Sevilla, de Cerdena, de Cordoua, de Corcega, de Murcia, de Jaen, de los Algarbes, de Algezira, de Gibraltar, de las Islas de Canaria, de las Indias Orientales y Occidentales, Islas y Tierra firme del Mar Oceano,
Archiduque de Austria,

Duque de Borgoña, de Brauante y de Milan,

Conde de Habspurg,de Flandes, de Tirol y de Barcelona,

Senor de Bizcaya y de Molina, &c."

E os Filipes I, II, e III também de Aragão e Navarra - como de Portugal - ao contrário de Castela(II, III, IV)

E aliás, nos foros, leis, línguas, moeda, fronteiras etc. estes Reinos penínsulares mantiveram-se virtualmente separados(e de facto) até à "Nueva Planta" de Filipe V no inicio do século XVIII - não obstante as tentativas centralistas do Conde-duque de Olivares no século anterior.

Mas voltando à outra componente da invasão de 1580, podemos comprovar os mercenários alemães(em que aparentemente o soldado polaco se integra) italianos etc.  -a fonte é espanhola e penso que segura, em relação a este documento:


"La conquista de Portugal. Diario de un soldado Polaco (De la frontera a Belem)
LA CONQUISTA DE PORTUGAL
DIARIO DE UN SOLDADO POLACO (De la frontera a Belem) [1]


El 27 de Junio, despues de haberse reunido todas las fuerzas de tropa y entregado Elbas (Elvas), una ciudad de Portugal, á tres millas de Badajoz, y también la Villaviciosa con algunas otras de alrededor, el campamento se puso en marcha, y en pleno órden de batalla desfilé delante del Rey, que estuvo esperando en una elevación, haciendosele salvas de gruezos cañones, acompañadas de las de los cazadores y mosqueteros, y luégo á dos millas, en proximidad de unas aguas que llaman Rio de Portugal ó Arroyo de Caya, se planteé el campamento.


El 28 de Junio, despues de un alto á una media milla fuera de Elbas, seguimos dos millas de camino hasta un monasterio de Nuestra Señora de los Remedios, y el 29 del mismo descansamos.
El 30 de Junio proseguimos dos millas adelante, hasta la Hirente de los Zapateros.
El 1.0 de Julio hicimos otras dos millas de camino, y el 2 tambien dos millas, hasta una villa y el castillo Estremoza que se nos entregó al instante y donde nos quedamos el 3 del mismo mes.
El 4 de Julio seguimos dos millas de marcha, hasta Casar Blanco (Casal Branco): la ciudad de Evora situada á nuestra izquierda á una milla, nos mandó sus llaves, entregándose.
El 6 de Julio tuvimos un descanso.
El 7 de Julio proseguimos de nuevo hasta un rio que llamavam Andivar.
El 8 de Julio dos millas más. Este dia, el marqués salió con sus galeras de Cádiz.
El 9 de Julio una milla más, hasta una villa llamada Monte Noro (Montemor o Novo), que se rindió al momento. Este campamento la bautizaron los alemanes de Manzanar, por una cantidad prodigiosa de manzanas que alli encontraron.


El 10 y 11 de Julio tuvimos un descanso. Aquí mandó el señor coronel ahorcar al alférez Balthauser, suizo, por haber pegado á un mercader portugues. Sin embargo, á las repetidas instancias y súplicas de los capitanes y jéfes, se le perdoné la vida, dejándole largo tiempo cargado de cadenas.
El 10 llegó el marqués con la armada á Ayamonte, y embarcó alli á D. Antonio de Ocrato, señor de Cascaes, que se sometió poco ántes al Rey, aconsejándole descansar despues de los sufrimientos que pasó en el pais.
El 11 de Julio llegó el marqués á Faro, ciudad de Algarbes, que se entregó sin demora.
El 12 de Julio hicimos dos millas de camino, hasta las aguas Esparraguera llamadas.
El 13 de Julio adelantamos tres millas, más hasta un riego llamado Valle Longa. El mismo dia vino el marqués con la armada á Lagos, que junto con la Villa Nova de Pordiman (Portimdo), se entregó sin demora.
El 14 de Julio marchamos una milla más, hasta Huebra (ó Huelva).
El 16 de Julio llegó la armada al cabo S. Vicente, cuyas plazas fuertes se entregaron voluntariamente al marqués, y por este motivo los dejó á cargo de sus jefes antiguos.
El 17 de Julio llegamos á una hermosa, grande y cerrada villa, llamada Setuval, situada á tres millas sobre el mar; al principio nos resistió con un castillo de Palmella, a una milla distante, y construido en una alta montaña. El dia siguiente la ciudad se rendió, y sus barrios han sido saqueados.
El 19 de Julio se llevaron unos 3.000 hombres cuatro banderas nuestras, es decir, las del señor Coronel de Arzt, Wotsch y Lydel un cañón al sitio del castillo. La Torre Othan (de Ouko), llamada, situado sobre el mar, á la entrada y á una milla de Setuval. Cerca de este Castillo hubo tres grandes galeones.
El 20 de Julio el marqués de Santa Cruz, despues de haber tomado la costa de Algarbez, llegó con nuestra armada junto al regimiento de D. Rodrigo Zapata, á las afueras del puerto; en la tarde, el galeon San Antonio que estacionó alli, despues de un vivo fuego contra nosotros, se rindió, y al entrar en el puerto, apercibido por el capitan y la torre, recebió algunos disparos.
El 21 de Julio el castillo Othan, junto con los dos galeones restantes y el castillo Palmella, se rindieron, y nuestra armada entró en el puerto; Antonio Moreno con alguna gente ocupó el castillo de Othan.
El 25 de Julio se fueron bastantes mosqueteros y caballeria á tierra.
El 27 de Julio se embarcó en galeras muchissima infanteria con unos setenta jinetes.
El 28 de Julio salimos del puerto en galeras, y fuimos hasta el cabo Spinchel (Espichel). El 28 del mismo, al venir á Sizimbra, se nos rindió ésta al instante.
El dia 30 de Julio pasamos delante de la plaza fuerte de San Juan (5. Julido), que está á la entrada del puerto de Lisboa, y más arriba de una villa, y del castillo llamado Cascais, llegamos al continente; los portugueses que defendiam el paso para impedir nuestros desembarcos, fueron rechazados por nuestros tiros de galeras; descendimos con fuerza, y les cogimos algunas piezas, marchando en órden de batalla adelante.
El 31 de Julio los portugueses se retiran, la pequeña ciudad de Cascais se rinde y sufre sin demora un saqueo.
El 1.° de Agosto á mediodia se empezó el bombardeo de la plaza fuerte de Cascais, y por la noche, viéndolo serio, se rendió: (mi bandera quedó desde luégo de guardia en el reducto). El guarda-almacen de artilleria, junto con dos armeros, han sido colgados en una ventana del castillo.
El 2 de Agosto por la mañana, volvieron las galeras á Setuval para llevarse las tropas y el resto de caballeria. Hacia la hora de visperas, nuestro capitan general, en la plaza del mismo Cascais, mandó degollar á D. Diego de Meneses sobre un cadalso por un verdugo aleman; D. Diego mandaba el castillo de Cascais; procedia de una familia noble, fué ántes virey de las Indias, y capitan general de D. Antonio en otros tiempos; el circulo de la ejecución lo formaban dos banderas nuestras.
El 6 de Agosto volvieron las galeras con tropas.
El 7 del mismo se levantó el campo entero, y nosotros los alemanes nos quedamos con la artilleria.
El 8 del mismo seguimos nosotros tambien á los demás; quedó la bandera del señor Ramminger en Cascais, con algunos cañones y munición.
El 9 de Agosto vinimos con la artillería á la plaza fuerte de San Juan, las galeras y naves que quisieron impedirnos establecer el campamento, fueron rechazadas por mucha artilleria, y nosostros con 500 hombres, entre ellos seis banderas alemanas, primeramente acampamos delante, luégo, la demas gente de guerra se quedó en la villa de Oers.
El 10 de Agosto empezaron los tiros contra la plaza á 500 pasos de distancia.
El 11 de Agosto adelantaron en la noche nuestras trincheras, y sin tiros unos 300 pasos; entónces acercamos 28 piezas de gran calibre, y los cazadores del señor Próspero Colonna, ocultos en la proximidad de la plaza entre las piedras del mar, tiraban á ella de modo que nadie podia asomarse á los bastiones para defenderlos; al acercarse completamente á las puertas para rechazarlos, un fuego del castillo contra ellos les hizo sufrir algunas bajas; viendo esto nuestro coronel, mandó al capitan Steighammer con unos cuantos soldados en su auxilio, de los cuales algunos perecieron.
El 12 de Agosto, habiendo conseguido el castellano Tristan Paz della Vega (Tristo Vaz da Veiga) por conducto de dos mujeres, escolta de seguridad de nuestro capitan general, para entenderse con el, salió a caballo y entregó la plaza, á condición de poder retirar sus tropas con armas. Asi se hizo; el prior con su caballeria entró dentro, el castellano se quedó también y D. Gabriel Niño con alguna gente. (Por entónces mi bandera estuvo también encargada de guardar la batería en la trinchera).
El 13 de Agosto entraron nuestras galeras y naves en el puerto, y se rindió la trinchera establecida en la proximidad de la entrada al puerto, sobre una elevación que llaman Cabeza Seca, ó Los Cachopos.
Amparados delante San Juan (S. JuliAo), el capitan general se fué una tarde á una galera, rehusando una entrevista con D. Antonio, porque observaba que este tomaba aires del rey; mas el Obispo de la Guarda, por sus consejos, le impidió adelantar más en este sentido.
El 14 de Agosto nos acercamos con el campamento á la mencionada villa
de Oers.
El mismo día Ludovico, pariente mio, cayó prisionero en manos de los por- tugueses, y se lo llevaron á Lisboa.
El 21 de Agosto, despues de haber recibido las baterias y caballería, que se mandaron de Setuval, rompió el campamento entero, poniéndose en marcha, y siguiendo su movimiento, tuvo escaramuza con el enemigo.
El 22 nos quedamos todo el dia en órden de batalla, y por la noche adelantamos hasta el monasterio de Belem, delante de la torre del mismo nombre, que está en medio del puerto enfrente del monasterio, y allí nos establecimos con la batería.
El 23 del mismo cañoneamos la torre, la cual, viéndolo serio, se rindió, y tiramos algunos disparos al castillo, que situado en otra parte del puerto, no quiso entregarse.
Belem es un hermoso y suntuoso monasterio de la orden de San Jerónimo, en que descansan los restos de muchos reyes de Portugal, en magníficos y preciosos mausoleos de piedra, colocados sobre elefantes del mismo material.
El 24 de Agosto entró nuestra armada con tiros de gran triunfo enfrente de la torre, en el puerto, y nuestro coronel tomó una casa cerca de una ermita, con cuatro banderas alemanas, tiroteándose todo el tiempo con el enemigo; dos galeras que salieron de Lisboa para rechazarle de la casa, fueron recibidas con algunos tiros, tan acertados que al instante se retiraron.
En la misma fecha, el duque de Alba con su hijo prior vino á la ermita, presenció las escaramuzas, y tomó medidas para rechazar al enemigo de las trincheras.

[1]Diario de un soldado polaco. STEBWVO, Erich, Bassota "de Diario". "


Um dia outros Duques de Albas cairiam e recuariam às mãos dos nossos exércitos Restauradores.
Ensinam estas Quinas que aqui vês,
Que o mar com fim será grego e romano:
O mar sem fim é português
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
 

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João Vaz

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #34 em: Setembro 21, 2010, 05:20:50 pm »
Caro Templário,

Quanto ao pormenor dos títulos múltiplos de Filipe II de Espanha, também se poderia invocar a titulatura formal dos reis de Portugal desde D. Manuel... "Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc." Na prática, ninguém cita estes títulos. "Rei de Portugal" é suficiente e totalmente explícito.

Porém, as evidências históricas permanecem:
Em Espanha, a partir de meados do século XVI, existe apenas um monarca soberano (ninguém se dirige a Carlos V ou Filipe II como rei de Aragão), uma moeda (não existem maravedis aragoneses, reales andaluzes ou ducados catalães), forças militares unificadas (não existe exército catalão ou aragonês, mas sim da Coroa, ou seja, do Estado moderno criado no Renascimento), uma capital (Madrid, fundada por Filipe II no centro geográfico da Península Ibérica).
A centralização e o desenvolvimento do Estado moderno foi justamente uma das principais vertentes e heranças da política de Filipe II. Um governo central forte, mantendo uma vasta confederação de territórios peninsulares e extra-peninsulares: a Monarquia Hispânica

Os termos "Espanha" e "espanhol", tal como já disse em outros "posts", surgem no final de Quinhentos, utilizados tanto por súbditos dos monarcas espanhóis como pelos seus adversários, estão documentados e eram empregues sem qualquer confusão comparável àquela que hoje em dia ainda se mantém avivada por quem não leu documentos coetâneos, nem estudos mais actualizados. Prova disso são as centenas de estudos históricos realizados nas últimas três décadas em que a discussão e entendimento sobre esse conceito já foi mais bem arrumada, não caindo em confusões cronológicas, nem misturando épocas. Nenhum oficial do Exército Espanhol da Flandres, nem qualquer estadista holandês ou inglês, se refere às tropas como do Rei de Castela. Este velho debate é injustificado no que concerne Portugal. Repare-se na invocação oficial do monarca espanhol: PHILIPPUS II HISPANIARUM ET LUSITANIAE REX   (entre muitos outros títulos)...

Algum mal-entendido duradouro entre o designativo geográfico "Hispania", nome com o qual os romanos designavam geograficamente a Península Ibérica, resultou na formulação de diversas teorias sobre a sua origem, qual delas a mais controversa e anacrónica. Mas isso é outra história, que nada tem a ver com o presente tópico. Toda a historiografia recente aceita Filipe II de Espanha. É o tipo de discussão que não resolve nada.


Brasão de Portugal nas Ordenações Filipinas, publicadas em Portugal sob D. Filipe II (Filipe III de Espanha)


Retrato gravado de Filipe II, com legenda de Rei de Espanha

Concluindo, Portugal manteve sempre a sua identidade sob Filipe II. Não se verifica qualquer assimilação Português/Espanhol indiscriminada sob um hipotético designativo "Hispânico". Co-existiram, sim, Portugueses e Espanhóis sob a mesma Monarquia Hispânica.

O excerto que o Templário cita, do soldado polaco Steblovo, encontra-se também traduzido em Português:
Eugénio do Canto (ed.), Diário de Erich Lassota de Steblovo, polaco ao serviço de Philippe II, 1580-1584 (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1913), extraído da tradução castelhana publicada por Javier Liske, Viajes de Extranjeros por España y Portugal en los siglos XV, XVI y XVII (Madrid, 1878).

Trata-se de um dos soldados estrangeiros que integraram o exército de invasão espanhol em 1580.
Àparte o relato sucinto dos seus percursos, não há qualquer novidade nisto:
- Alemães e flamengos integraram desde o séc. XV os exércitos de Portugal e Espanha, mas numericamente eram marginais.
- Steblovo, natural da Silésia - um polaco germanizado, portanto -, alistou-se no exército de invasão espanhol onde serviu durante 4 anos entre Portugal continental e os Açores. Não se trata de mercenário, mas sim integrante das tropas regulares da Coroa de Espanha.
- Tal como indiquei anteriormente, as tropas de Filipe II em Portugal a partir de 1580 eram essencialmente espanholas, excepto nos períodos de grandes mobilizações de 1580-1583 para invasão de Portugal e de 1587-1588 na preparação da Grande Armada contra Inglaterra, onde intervieram várias unidades estrangeiras, provenientes do Exército Espanhol da Flandres. Trata-se, portanto de uma evidência a distinção entre dois teatros de operações: Países Baixos e Portugal. Parece-me que já repeti isto umas 3 vezes aqui.
- Em 1582, o exército da Flandres sob o Duque de Parma contava 60.000 homens, tendo sido mobilizados 2 Tercios espanhóis e um italiano veteranos para as campanhas da conquista de Portugal e da expedição aos Açores. Nos Países Baixos, estas unidades formavam a ponta de lança do avanço espanhol contra os rebeldes holandeses.

Dos estados italianos tinham vindo 9.000 soldados reunidos pelo general Pietro de Medici, divididos em 3 destacamentos de 3.000 homens sob as ordens do coronel Prospero Colonna (florentinos), Carlo Spinelli (napolitanos) e o Prior de Hungria (napolitanos). No total, as tropas reunidas nos arredores de Badajoz contavam 24.000 a 25.000 homens (21.000 a 22.0000 infantes e 3.000 cavaleiros).
Vide Geoffrey Parker, The Dutch Revolt (2.a ed., Middlesex, 1979), p. 209.
Consulte-se também o estudo imprescindível do mesmo autor: The Army of Flanders and the Spanish Road, 1567-1659: The Logistics of Spanish Victory and Defeat in the Low Countries' Wars (Cambridge, 1972), que não me canso de indicar.

Pouco depois da vitória de Alcântara e da submissão de Lisboa, o Duque de Alba propôs a desmobilização do exército mantendo apenas 6.000 homens em Portugal. Guarnições maioritariamente espanholas, sendo que algumas (poucas) unidades estrangeiras permaneceram devido à preparação das campanhas de submissão dos Açores, facto imprevisto quando do planeamento da campanha.

Também me parecem necessários esclarecimentos adicionais.
As forças militares de Filipe II na invasão de Portugal compunham-se da seguinte forma:

- 11 Tercios de infantaria (piqueiros e arcabuzeiros)
- 3000 "gastadores" (sapadores)
- 23 companhias de cavalaria ("hombres de armas"/cavalaria pesada, ginetes/ligeira e arcabuzeiros a cavalo)
- 100 cavaleiros da Casa Real

A infantaria, por seu turno, dividia-se nas seguintes unidades:

- Tercio de Nápoles (tropas espanholas e italianas veteranas da Guerra dos Países Baixos, comandadas por oficiais espanhóis)

- Tercio de Lombardia (idem)

- Tercio de italianos

- Tercio de alemães

- 7 Tercios de "bisoños" (noviços recrutados em Espanha)

- Guarda do Rei

(excluindo o trem de artilharia, médicos, etc.)

Total de 24 a 25.000 homens, sob comando supremo do Duque de Alba, Capitão-geral, acompanhado do seu filho bastardo o Prior de San Juan D. Fernando de Toledo, seu lugar-tenente, Sancho de Ávila, Mestre de Campo-geral e D. Francés de Álava y Beamonte, General da artilharia. Todos espanhóis.

Veja-se, não me canso de repetir, toda a documentação fundamental publicada na Coleccion de Documentos Inéditos para la Historia de España (Madrid, 1842-1895), em particular os tomos XXXI, XXXIII e XXXIV, e retomada por J. Suárez Inclán, Guerra de Anexión en Portugal Durante el Reinado de D. Felipe II (Madrid, 1897), 2 vols.


Panorâmica legendada da Batalha de Alcântara (1580), anónimo (Biblioteca Nacional de Lisboa)
(cópia em alta definição: http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Batalha_de_Alc%C3%A2ntara.jpg/300px-Batalha_de_Alc%C3%A2ntara.jpg&imgrefurl=http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Alc%25C3%25A2ntara&usg=__mq9VJ_X6wWMNxpyh0Kux0ZBGQQM=&h=228&w=300&sz=24&hl=pt-PT&start=9&zoom=1&um=1&itbs=1&tbnid=8hU-i2nnlboxwM:&tbnh=88&tbnw=116&prev=/images%3Fq%3D%2522batalha%2Bde%2Balc%25C3%25A2ntara%2522%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1 )

A partir de 1580, a máquina militar espanhola instala-se de forma duradoura em Portugal. Estão presentes os três ramos: Armada, Exército e Artilharia, cada uma das quais chefiadas pelo respectivo Capitão-Geral.
Desde logo, Filipe II estabeleceu uma estrutura orgânica paralela à escala do reino recém-conquistado como extensão da administração militar espanhola. E fê-lo de modo particularmente eficaz, "racionalizando" custos e obtendo a pacificação e controle do território, pois estava em jogo o equilíbrio político e militar da Península Ibérica e da Monarquia Hispânica.
Em Portugal, tanto a administração, como as chefias militares eram exclusivamente espanholas.

A partir das pesquisas que realizei sobre este tema, elaborei a seguinte lista dos sucessivos comandantes supremos das forças terrestres em Portugal sob Filipe II de Espanha:

Capitães-gerais da gente de guerra do Reino de Portugal (1580-1599)
- Duque de Alba (1580-1582)
- D. Carlos de Borja, Duque de Gandia (1582-1583)
- Marquês de Santa Cruz (1584-1588), cargo acumulado com o de Capitão-Geral do Mar Oceano
- Pedro Enríquez de Acevedo, conde de Fuentes (1588-1593)
- D. Juan de Silva, conde de Portalegre Capitão-geral da gente de guerra do reino de Portugal (1593) e Governador do Reino (1593-1599). (ex-embaixador de Espanha em Portugal sob D. Sebastião, trata-se de um espanhol de mãe portuguesa)

Todos espanhóis...

Tratam-se das autoridades militares que repartiam entre si a coordenação dos sistemas defensivos em Portugal: organização das armadas, recruta e mobilização de tropas (atribuições do Capitão-Geral), o comando da defesa urbana e a superintendência das fortificações (por ex., Governador e Capitão-Geral conde de Portalegre na década de 1590).
Note-se que o pessoal administrativo e efectivos militares espanhóis beneficiavam de uma jurisdição própria (e de privilégios tais como a isenção da fiscalidade vigente no reino) que os colocava ao abrigo da intervenção das instituições e magistrados portugueses.

O cruzamento de dados obtidos na abundante documentação do Arquivo de Simancas e da Torre do Tombo permitiu uma recolha que pensamos ser muito completa. Esta informação, inédita na sua maior parte, foi completada com outras referências obtidas em publicações, desde crónicas e obras contemporâneas até compilações documentais e estudos históricos. Recolhi um total de cerca de 100 nomes, onde se incluem todas as altas patentes (elite militar e administrativa) da máquina militar da Coroa de Espanha em Portugal nas últimas duas décadas do século XVI.

Relativamente ao exército, encontram-se pelo menos 20 nomes, entre Capitães-Gerais (do Exército e da Artilharia), Mestres de Campo-gerais, Mestres de campo e subordinados e de cerca de 35 nomes relativos aos órgãos administrativos (Provedores-gerais e Vedores-gerais) e suas dependências (auditores, contadores, pagadores e mordomos). Como seria de esperar na Monarquia Hispânica, há uma prevalência clara da nobreza nas altas patentes militares ao invés dos cargos administrativos, como se verifica nos títulos de “Don”, condes, duques e marquês.
Todos espanhóis... de Espanha.


Conquista da ilha Terceira (1583). Fresco na Sala das Batalhas do Mosteiro do Escorial (Valladolid)


Quanto ao recrutamento das tropas de Filipe II que passaram por Portugal:

- As zonas de recrutamento militar em Espanha para a força de desembarque da “Invencível” Armada na Flandres, indicadas pelo Consejo de Guerra a Filipe II em 1587 previam o levantamento de companhias de Castela, de Aragão, da Catalunha, de Valencia e de Navarra. Estas regiões, assim como a Extremadura, foram os principais "berçários" do grosso das tropas espanholas sob Filipe II.
(Veja-se a documentação no Archivo General de Simancas, G(uerra) A(ntigua), legajo 196, entre outros, e o estudo de Hugo O'Donnell y Duque de Estrada, La Fuerza de Desembarco de la Gran Armada contra Inglaterra (1588) (Madrid, 1989), pp. 39-47 e mapa, p. 41).  

Em resultado desta constante actividade administrativa em apoio das mobilizações e operações em Portugal quase constantes nas últimas duas décadas de Quinhentos, foram produzidos milhares de documentos, alguns (poucos) sobrevivem na Torre do Tombo e a maioria no Arquivo de Simancas. Esta massa documental dispersa entre Portugal e Espanha contem inúmeras informações sobre aspectos da actividade militar peninsular durante o reinado dos reis espanhóis. Entre estes documentos, na sua maioria inéditos guardam-se os livros de mostras de mais de 60 companhias espanholas entradas em Portugal neste período. As "mostras", ou alardos, consistiam numa revista das tropas com frequência regular, mensal ou quinzenal, com vista a contabilizar e identificar os efectivos disponíveis nas respectivas unidades, registando minuciosamente os pagamentos das mesmas.

Encontramos assim dispersos na secção tão ignorada do Corpo Cronológico na Torre do Tombo cadernos ("livros de mostra") de pelo menos 64 companhias (infantaria e cavalaria), entradas em Portugal entre 1580 e 1597. (cada Tercio era composto em média por 12 companhias)
Comparando estes dados inéditos com a documentação relativa à enorme mobilização de 1587-1588 reunida em Portugal para a Grande Armada, minuciosamente estudada por Manuel Gracia Rivas, Los Tercios de la Gran Armada, 1587-1588 (Madrid, 1989), percebe-se e confirma-se a composição das companhias que formavam os Tercios espanhóis em Portugal sob Filipe II.
Na sua vasta maioria...espanhóis...recrutados em Espanha.


Apenas para completar o panorama que nos é relatado de forma fidedigna pelas fontes de arquivo e publicações coetâneas:

- A questão dos reforços misturando fantasiosos Tercios de estropiados ou mais histórias de mercenários permanecem no reino da ficção. Em seguida, apresento apenas exemplos entre as muitas centenas que recolhi sobre as forças de socorro entradas em Portugal para reforçar a defesa do território.

Reforços de Lisboa em 1589:
Temos, por exemplo, o Capitão D. Gonzalo Ronquillo: serviu em 1580 com uma companhia de 200 arcabuzeiros, “con que la villa de Arevalo sirvio a V.M. en aquella ocassion”, em seguida nos Açores “y ultimamente haviendo ydo a servir Entre Duero y Miño con una compañia de infanteria fue con ella al socorro de la çiudad de Lisboa quando la armada enemiga vino sobre ella”. Pede mercê de 1 companhia de cavalos. Participou no desembarque espanhol na tomada da Terceira, em 1583. Cf. Archivo General de Simancas, GA, leg. 364, doc. 36, Consulta do Consejo de Guerra (Madrid, 6 de Março de 1592) e Gaspar Frutuoso, Livro Sexto das Saudades da Terra (Ponta Delgada, 1963), Cap. 28.º, p. 204.

Reforços do litoral português em 1595:
Várias companhias de cavalaria e infantaria espanhola provenientes de Espanha alojadas entre Peniche e Cascais:
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Corpo Cronológico, Parte II, Maço 269, doc. 235 (Lisboa, 22 de Junho de 1595), (cópia) recibo do pagador Aranda pela entrega que lhe fez Juan de Espinosa, pagador das cinco companhias de arcabuzeiros a cavalo vindas de Castela.
Em Peniche e Cascais: “Alojáronse en Peniche y dos leguas lo más lexos docientos cavallos a cargo de Don Luys de Zúñiga, de su compañía y la de Quirós, agregadas otras veynte lanças, y de las dos compañías ginetes también se pondrá allí la una, y todo lo demás se ha alojado de veras a Cascaes y encargándose a don Fadrique del Aguila; don Sancho Bravo no ha llegado; a ambas partes se embiará la infantería con brevedad a cargo de los mismos. A Peniche podrá yr de aquí a tres o quatro días, y a Cascaes quando llegue la otra tropa (...)”.
Archivo General de Simancas, GA, leg. 427, doc. 126, carta de D. Juan de Silva para Filipe II (Lisboa, 20 de Maio de 1595).

Reforços do litoral português em 1596:
“El año de 96 que los ingleses vinieron a Andaluçia, no huvo en Madrid quien creyesse los avisos que de aqui se embiaron de ser cosa çierta que trayan gran fuerça y determinaçion de tentar a Lisboa o a Cadiz y assi se fue dilatando el socorro de Castilla [medidas de prevenção] (…) y que Don Diego Brochero con la parte de armada que aqui tenia y con algunas galeras se opusiesse a impedirles la entrada por la mar (…). Assi estava quando los enemigos se descubrieron en las Verlingas (…)”. Neste mesmo documento, é indicada a chegada do Adelantado de Castela para aprestar armada contra Inglaterra e de D. Francisco de Bobadilla com cavalaria de Castela.
Archivo General de Simancas, GA, leg. 540, doc. 71, carta do conde de Portalegre a Filipe II (Torre de Caparica, 18 de Fevereiro de 1599).

Reforços do litoral português em 1599:
Em Janeiro de 1599, a Coroa de Espanha mobilizou um conjunto de companhias para Portugal, lideradas por D. Antonio de Zúñiga. “A Don Antonio de Zúñiga han hecho Mestre de Campo general del rey (sic) de Portugal, que estaba vaco por muerte de don Gabriel Niño”. “Vino nueva estos dias de La Coruña que la Inglesa (Isabel I) enviaba 8.000 hombres y 600 caballos à Irlanda, lo cual ha hecho advertir acá, para acudir à proveer la costa, y se mandó ayer partir para Portugal al maestre de campo don Antonio de Zúñiga, y asimesmo se han mandado encaminar para allá las compañias de soldados que se han levantado en el reino; aunque la peste de Lisboa no está remediada, y el Adelantado de Castilla está en Sevilla haciendo provision para las galeras, y dando órden como se embarquen los navios que vinieren à la costa de Andalucia, para tener hecha prevencion en la ocasion que se ofreciese”.
Luis Cabrera de Córdoba, Relaciones de las cosas sucedidas en la Córte de España, desde 1599 hasta 1614 (Madrid, 1857), pp. 12 (notícia de 20 de Janeiro de 1599) e 16 (notícia de 17 de Abril de 1599).

Recordo que estes são apenas alguns exemplos, entre muitas centenas de documentos e dezenas de obras carregadas de informação similar que não sofrem qualquer contestação acerca da origem das tropas de Filipe II em Portugal.
Os reforços de Portugal sob Filipe II são espanhóis...oriundos de Espanha.
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Templário

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #35 em: Setembro 22, 2010, 12:45:36 pm »
Caro João Vaz,

Na minha anterior mensagem, em que sublinhei o vasto conhecimento que têm mostrado - o João Vaz e o Papatango (independentemente das contradições e conflitos de interpretações entre ambos)  não referi que este tópico, no fundo, nasce da sua parte e do meritório trabalho que realizou. Fica a justiça feita.

Agradeço-lhe a resposta e o extenso acervo de informação que acrescentou. O João Vaz(para além daquilo que publica) transformou este tópico do Fórum Defesa numa fonte de informação detalhada sobre este assunto(e em boa parte sobre aquele período - para além até do aspecto militar espanhol em Portugal) inclusivamente com fontes e informação inédita. Só temos que agradecer. Outro mérito que lhe damos, normal na investigação, é reunir dados dispersos e transformá-los em História. Aliás em vastos conhecimentos, Autores e fontes, para além do agradecimento ao João Vaz, agradecemos também ao Papatango na sua parte.

Em relação aos muitos dados dignos de nota e fontes que nos dá a conhecer sobre o aspecto militar e a governação espanhola da época - nada a contradizer como é óbvio (da minha parte) para já - o João é quem está bem informado sobre a matéria e mostra ser um erudito na mesma.

Sobre a questão as Coroas Penínsulares e sem contradizer os esclarecimentos do João Vaz sobre a centralização política do tempo de Filipe II em Espanha, queria só acrescentar que coloquei ênfase nos titulos de I(I) III (II) IV(III) ainda que símbólicos, dos Austrias sobre Portugal, Castela, Aragão, Navarra etc. - e não tantos nos títulos dos Algarves, Sevilha, Jaén, Córdoba, Barcelona(Catalunha), Valência etc.. Estes Reinos, Principados e Condados integravam-se nas Coroas abrangentes da Península (aos penínsulares me refiro) - na maioria com instituições e foros próprios(e até "governador" ou Vice-rei), ao contrário do nosso Algarve, que era mais um titulo honorífico e era virtualmente extenção do Reino de Portugal  - à excepção do período filipino em Portugal, em que a tradição espanhola foi transposta para o nosso país e no "Reino" do Algarve foi instalado durante algum tempo um Governador ou Vice-rei, não tanto no plano da operacionalidade governativa ou militar, mas creio que investido mesmo directamente para o "Reino do Algarve" - mas o João Vaz corrigir-me-á se assim não foi, porque estou a dizê-lo de memória do que leio ou creio ter lido algures - Seja como for, por cima de tudo isso estavam os foros próprios fundamentais dessas Coroas que se mantiveram até 1707(no caso Espanhol).

Não contradizendo o João Vaz sobre os factos históricos dessa centralização Espanhola - no tempo em que os Estados modernos estavam em pleno desenvolvimento - fui pesquisar na net sobre o caso do António Perez e o seu conflito com Filipe II (lembrava-me do assunto desde que li um texto há tempos atrás sobre Filipe II de Espanha) e de que como ele ilustrava esse "conflito" entre a centralização espanhola(e prevalência de Castela) e os foros e limites mantidos a custo entre o território da Coroa de Castela, o de Aragão etc.. Aliás o refúgio que este antigo "valido" do Áustria encontrou ao abrigo da Justiça de Aragão e dos seus foros limitou por longo tempo a sua captura poelo mesmo Filipe II. Uma tardia intervenção militar provocou a indignação e a revolta (já anterior) das instituições aragonesas contra a ilegitimidade castelhana em Aragão.

Um trecho da wikipédia hispânica que também encontrei entretanto: "En abril de 1590, ayudado por su esposa, Juana Coello, Antonio Pérez escapó de su prisión en Madrid y huyó a Zaragoza, dónde consiguió la protección de los fueros. En el Reino de Aragón encontró el apoyo del duque de Villahermosa, el conde Aranda y principalmente de Diego de Heredia (de la baja nobleza). Mientras tanto y en su ausencia, en Madrid fue condenado a muerte (sin saberlo). Felipe II hizo un alegato ante el Justicia de Aragón contra Antonio Pérez por los cargos de asesinato de Escobedo, tráfico de secretos de Estado y huida de prisión. Felipe II, desesperado por la lentitud de la justicia aragonesa y porque no esperaba una condena favorable, retiró los cargos y usó un tribunal contra el que los fueros aragoneses y la Justicia aragonesa no podían oponerse: la Inquisición. Pérez no era un hereje, pero no fue difícil construir un caso contra él. En mayo de 1591, Antonio Pérez fue trasladado de la prisión del Justicia a la de la Inquisición, por lo que sus defensores organizaron una revuelta en Zaragoza, conocida como revuelta de Antonio Pérez o Turbaciones de Aragón. Se le devolvió a la prisión de la Justicia aragonesa y desde allí llevó una campaña contra la Corona. En septiembre se le trasladó de nuevo a la prisión de la Inquisición. Heredia y sus seguidores lo volvieron a sacar y en esta ocasión le dejaron libre, con lo que la situación derivó en una crisis en Aragón por la defensa de los fueros.

En octubre de 1591 Felipe II envió un ejército a Zaragoza que puso fin a la sublevación y Antonio Pérez huyó a Bearn, donde recibió el apoyo de Enrique de Navarra para intentar una invasión francesa, que fracasó. Más tarde Pérez se trasladó a Inglaterra, donde ofreció información, que sirvió para el ataque inglés a Cádiz en 1596, y estimuló la leyenda negra contra Felipe II. Tras intentar conseguir el perdón de la Corona sin éxito, Antonio Pérez falleció en París en la más absoluta pobreza en 1611.


E não querendo desviar o tema do tópico, deixo a título de curiosidade a ideia que os espanhóis (e nós portugueses porventura em face deles) tinham de si face ao estrangeiro. O João Vaz está certo (porventura mais na questão do Estado, da acção política e administrativa espanholas de então e da Espanha vista de fora como um todo - no resto da Europa por exemplo), mas o Povo e as Instituções locais, ainda no século XVII, mais arreigadas à terra, à língua ou ao reino, mantinham as diferenças. O sevilhano ou andaluz via-se como castelhano ou da Coroa de Castela em grosso modo. Os portugueses; os bascos - mesmo que pertencentes aos senhorios integrados na coroa de Castela desde o final do século XII (tal como os bascos de Navarra ou os da Baixa Navarra ou de França) ou os catalães, ainda eram vistos em Sevilha como "estrangeiros"(e os portugueses, por razões óbvias assim permaneceriam) tal qual os franceses, ingleses, alemães, italianos ou flamengos:

"A Colónia Portuguesa de Sevilha.

Uma Ameaça Entre a Restauração Portuguesa e a Conjura de Medina Sidónia?

Santiago de Luxán Melendez
Universidad de Las Palmas de Gran Canaria

I. A População Estrangeira em Sevilha: os Portugueses

«Durante aquella verdadera Edad de Oro andaluza, la zona gaditano-hispalense (pero también otras alejadas de la costa) fueron el punto de atracciónde marinos vascos, casas castellanas, mercaderes genoveses y flamencos,franceses que ejercían todas las actividades, desde aguadores y lacayos hasta elgran comercio, pilotos de Ragusa, portugueses, alemanes (...) esta riada degentes diversas explica el persistente crecimiento, el ambiente cosmopolita quecaptó Cervantes y la mezcla de sangres que allí se operó». (Domínguez Ortíz,A.: «La Andalucía del Renacimiento» in Historia de Andalucía, IV, 1980, pp.232-233).

As palavras anteriores de Domínguez Ortíz expressam plasticamente a importância da presença estrangeira na bacia do Bétis durante toda a época moderna. Centrando-nos especialmente em Sevilha, e na conjuntura de 1640, conviria ressaltar o peso específico que a minoria lusitana chegou a alcançar, desde logo o sector depopulação estrangeira maioritário na cidade hispalense, como o documento que apresentamos põe em evidência.

A formação do Portugal dos Filipes a partir de 1580(1) incrementou o número de portugueses, muitos deles conversos, que habitavam Sevilha e que, juntamente com Madrid, seria um dos locais preferidos pela colónia lusitana para se estabelecer. Num trabalho recente, Fernando Bouza demonstrou claramente a sua presença em Madrid e a sua afiliação à «Irmandade dos devotos de Santo Antonio dos Portugueses da Corte», confraria fundada em Valladolid em 1604(2). Durante o reinado de Filipe III, os marranos portugueses viram alterar-se a atitude de tolerância em relação as condições de saída do reino vizinho para uma posição contrária, adoptada em 1610 perante as pressões do clero português que havia sido consultado para o efeito pelo Conselho de Portugal. A chegada ao poder de Olivares, e sobretudo a sua importante intervenção nas finanças da Monarquia desde 1627(4) melhorariam, de novo, a sua condição, provavelmente cerca de 1630, quando a chegada de portugueses a Sevilha se incrementa, até ao ponto de se afirmar que um quarto da população da cidade teria aquela origem e que o seu idioma seria dominante em determinadas ruas, inclusive sobre o castelhano(5).

Assinalou-se que uma das causas fundamentais para o escasso aumento da população portuguesa por volta de 1640 foi a emigração motivada pela defesa das fortalezas e feitorias do Oriente e de África, o desenvolvimento do Brasil e a saída, por motivos religiosos e económicos, de muitos cristâos-novos em direcção à França, aos Países Baixos e à Espanha, especialmente a Sevilha:«Muitos naturais haviam-se fixado na outra parte da fronteira, situação quea Monarquia dualista favorecia»(6)

O aumento da população portuguesa em Castela durante o reinado de Filipe IV não foi um facto isolado como o mostram os protestos do Conselho da Fazenda em 1622 contra os homens de negócios ou o do procurador de Burgos nas cortes de 1624(7). Fruto desta preocupação com o estabelecimento de estrangeiros são tambémos inventários de portugueses realizados pela Inquisição das Canárias em 1626 paraa cidade de La Laguna, para Orotava e até para a ilha de Gomera(8).

No momento da insurreição portuguesa de 1640 que poria fim à união, calculou-se que haveria em Sevilha uns 2000 negociantes portugueses contra os 4000 da capital do reino (9). Em qualquer caso, a guerra com Portugal, cuja fronteira estava tão próxima de Sevilha, provocaria medidas que afectariam toda a região, como a proibição do comércio, especialmente da exportação de trigo e prata, e colocariam a população portuguesa estabelecida em Sevilha numa situação delicada, agravada pela queda de um dos seus principais protectores, o conde-duque de Olivares. Fiel reflexo deste ambiente psicológico pode ser a missiva do presidente do Conselho de Castela a Filipe IV, referindo-lhe que:«La ciudad está tan llena de portugueses y extranjeros que tienen por ciertola entrará el portugués si se determina a ello»(10)

II. O Recenseamento dos Estrangeiros de Sevilha de 1642

1. Apresentação

Entre a documentação de Guerra Antigua do Archivo General de Simancas(11) ,encontramos um cálculo do número de estrangeiros residentes em Sevilha que consideramos de grande interesse, tanto para o conhecimento da sua estrutura demográfica e social na cidade(12) como para poder realizar uma avaliação mais precisa donúmero de portugueses que se fixaram em Castela. Trata-se de uma relação mandada fazer pelo magistrado da Audiência Juan de Santelizes, a 2 de Dezembro de 1642. Recordemos que o mesmo funcionário havia julgado no processo do duque de Medina Sidónia, ouvindo os testemunhos e recolhendo os rumores que indicavam apresença de navios franceses, portugueses e holandeses entre Cádis e Sanlúcar(13). Assim, na pessoa de Santelizes recaíram duas tarefas que relacionam a conjura do duque e o perigo de uma invasão portuguesa que poderia ter em Sevilha uma «quintacoluna» entre os lusitanos que habitavam as suas paróquias. O primeiro assunto, napossibilidade que levantava de um possível desembarque aliado, parece que ficou no campo das suposições. O segundo, o potencial perigo da colónia portuguesa, expresso claramente pelo presidente do Conselho de Castela, será o objecto do recenseamento que apresentamos e também resultará no desmentido oficial. O inventário distingue entre naturais e estrangeiros considerando como tais, por ordem de importância, os portugueses, franceses, biscainhos, ingleses, flamengos, catalães, genoveses e, finalmente, os escravos.

O documento é o resultado de uma investigação realizada por agentes eclesiásticos sobre os recenseamentos de confissão desse ano, pelo que se deverá ter emconta que não figuram nem clérigos nem religiosos, como nele se indica. Como é realçado na nota justificativa, Santelizes dá conta de que fez com «que cada cura volviese a recorrer por las casas de las suyas [parroquias] los Padrones deste año con todo secreto diligencia y cuydado...» O objectivo desta averiguação que se confia aos párocos é saber se a cidade se encontra em perigo pela presença excessiva de estrangeiros, ainda que, de modo implícito, as atenções convergessem sobre a colónia portuguesa, como era natural pensar naqueles anos: «Como en tantas ocassiones he representado a esta ciudad y otros particulares a VM el numero excesibo que en ella ay de Portugueses, Franceses y de otras nasiones...»

Sobre os recenseamentos da confissão, aos quais a historiografia atribui uma grande veracidade, do ano que terminava, verificou-se e recolheu-se informação casa a casa, paróquia a paróquia. O resultado é uma informação tranquilizadora, pois que muitos deles se encontram casados e estabelecidos na cidade:«Lo que alcanzamos del numero de extranjeros desta Zuidad hallarse muchos cassados y avecindados en ella. Junto com el estado y disposición de las cossas, parece que ay poco que Recelar de las Naciones».Viver em Sevilha e estar casado com uma espanhola não era o mesmo que ocupar o posto de soldado em presídios como os das Canárias, os dos arquipélagos portugueses da Madeira e Açores, etc., pelo que uma das primeiras preocupações em 1640 foi substituir os elementos portugueses da guarnição, chegando-se inclusivamente a duvidar da lealdade dos espanhóis casados com portuguesas(14). Devemos finalmente precisar que o conceito de natural se restringe, como pode observar-se, aos habitantes do reino de Castela e não como noutros inventários em que se estende aos súbditos do império na Itália e na Flandres(15)(...)

(...)

Tradução de Nuno Miguel Camarinhas


PENELOPE
FAZER E DESFAZER A HISTÓRIA
PUBLICAÇÃO QUADRIMESTRAL — N»9/10 • 1993
DIRECTOR
A. M. HESPANHA


Seja como for, voltanto á matéria, o João Vaz é, creio, um especialista neste periodo e está bem informado.
Isto são só mais dados que deixei (alguns um pouco laterais ao tema) para a complexidade da Espanha de então e de Portugal (Nós Portugueses eramos bem mais definidos como nação já então) e das nossas relações.
« Última modificação: Setembro 24, 2010, 09:06:25 am por Templário »
Ensinam estas Quinas que aqui vês,
Que o mar com fim será grego e romano:
O mar sem fim é português
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
 

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João Vaz

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #36 em: Setembro 23, 2010, 01:43:03 pm »
Caro Templário,

São questões que têm merecido o meu interesse genuíno desde há muito tempo. Estes temas têm estado há demasiado tempo a ganhar teias de aranha. Injustificadamente, pois há um manancial de fontes para pesquisar.

Sobre a diversidade de foros e leis das comunidades, e graus de autonomia provinciais em Espanha sob Filipe II, é evidente, basta olhar para o brasão dos Habsburgos de Espanha. Brasão esse, acrescentado após 1580 com a sobreposição do escudo português ao conjunto Leão-Castela/ Aragão-Catalunha-Nápoles-Sicília. Filipe II concedeu às armas de Portugal o lugar de peça mais honrosa do escudo, colocadas no ponto heráldico mais importante e digno do escudo.



A noção de "Espanha" surgida na segunda metade de Quinhentos deriva da forte centralização política imposta por Filipe II. A sua força reside (ainda hoje) no conjunto das comunidades reunidas sob o mesmo monarca, convergindo riquezas e meios. A imagem de Espanha desenhou-se e formou-se sobre este conjunto, simbolizando o domínio de Castela sobre os mesmos. Castela e Espanha são equivalentes, a nível simbólico. De outro modo, não se entenderia, por exemplo, que a Coroa de Castela possuísse uma armada, pois não tem fronteiras marítimas. O simbolismo tem razão de ser.

Por outro lado, outro testemunho que não tive tempo de indicar consiste na titulatura oficial de Filipe II "Rei de Espanha" inscrita nalguns exemplares em espécimes numismáticos e em algumas peças de artilharia conservadas no Museu Militar de Lisboa.

Algumas destas peças guardam-se hoje no Páteo dos Canhões, no Museu Militar de Lisboa




Mais uma vez, a documentação do expediente administrativo-militar na Torre do Tombo providencia dados concretos:

ANTT, CC, P. III, M. 21, doc. 2 (1585. Janeiro, 3. Lisboa) contas das armadas espanholas de 1580, 1581, 1582, 1583 e 1584 e das obras de fortificação em São Julião da Barra e São Filipe de Setúbal.
Referência às "galeras de España" no Tejo.

ANTT, CC, P. III, M. 24, doc. 1. relação da artilharia, “balas” e pólvora entregues ao galeão Santa Maria de la Misericordia, da esquadra Ilírica (esquadra proveniente de Nápoles destinada a formar a coluna vertebral da primeira Real Armada do Mar Oceano).
As inscrições gravadas num meio-canhão fundido em 1591 incluiam "las armas reales que al pié dellas está un letrero que dice FELIPE SEGUNDO REY DE ESPAÑA", assim como uma uma meia-colubrina fundida em 1592 ostentando o mesmo título.

Idem, doc. 21, várias datas (6/9/1599-19/9/1599-12/1/1602). Lisboa (castelo) / Torre de Belém / São Filipe de Setúbal. (cópia) Relação da artilharia, munições e apetrechos entregues em diversas fortificações marítimas portuguesas.
Só no castelo de Lisboa foram registados pelo menos 5 canhões fundidos em 1589 ostentando inscrição idêntica.


Mas o que é notório no final do século XVI em Espanha é a noção já popular e comum aos habitantes das províncias que a compunham. Apenas por curiosidade, parece-me interessante deixar aqui algumas referências que encontrei na documentação da Torre do Tombo, secção Corpo Cronológico:

Referências coevas a Espanha:
ANTT, CC, Parte II, Maço 257, doc. 33 (1586. Agosto, 31. Angra), recibo da entrega de 79 quintais de biscoito pelo tenedor de bastimentos y municiones Martín Ibañez de Ugarteburu aos mestres Domingos Vaz e Mateus Vicente e ao marinheiro Rodrigo Rafael.
Excerto:
"Matheos Vicente marinero de los que vinieron rrobados en un navio que venia de Magallanes quattro quintales y çinquenta libras del dicho viscocho para el y para los demas marineros y jente que venia en el dicho navio para su matalotaje para yrse a España (...)".

Do mesmo modo, quanto à denominação das tropas de Espanha em Portugal:
ANTT, CC, P. II, M. 256, doc. 46 (1583. Julho, 7. Lisboa), “Libranza” de pagamento do duque de Gandia para o pagamento dos soldos dos oficiais administrativos e funcionários do Hospital Real de São Filipe e Santiago do castelo de Lisboa.
Refere-se o hospital "... donde se curan los soldados enfermos de las compañias de ynfanteria española que estan el el [sic] castillo y su comarca".

E ainda:
ANTT, CC, P. II, M. 263, doc. 54 (1593. Julho, 23), ordem do conde de Portalegre para que o pagador Aranda pague os 700 escudos do trigo que o capitão Juan Fernandez de Luna tomou, para aprovisionamento das fortalezas de Sagres e do Cabo de São Vicente.
Excerto:
"Juan Fernandez de Luna, capitan de ynfanteria española y castellano del castillo de Sagres...". (aqui, "castellano" equivale a alcaide, não a Castela)

Uma das galés da esquadra estacionada no Tejo para defesa de Lisboa tinha nome "Española".


Sobre a sublevação de Aragão em 1591, pude referir-me a esse incidente num dos primeiros "posts" mais acima. A resposta pronta de Filipe II resolveu as "Alterações" locais fomentado pelo episódio da fuga de Pérez, foragido da Corte que tentou refugiar-se ao abrigo dos foros regionais (algo ingénuo, face a um monarca com os recursos e a vontade política de Filipe II). Não surtiu efeito, precisamente pelo poder central de Madrid. Acabou por se auto-exilar em Inglaterra.

Algarve: é verdade. Assemelha-se a uma espécie de região militar. Os motivos eram quase intemporais: a presença constante de corsários argelinos e ingleses (sendo que a costa algarvia era ponto de referência obrigatória no trecho final da tonra-viagem das valiosas armadas das Índias de Espanha entre os Açores e Sevilha), e o apoio próximo às praças portuguesas em Marrocos. Na Biblioteca do Palácio da Ajuda, por exemplo, encontram-se alguns tomos manuscritos relativos ao Governo do Algarve ainda no segundo quartel do séc. XVII. Como seria de esperar, a quase totalidade dos assuntos prende-se com questões do foro militar: fortificações, armadas e tropas.

Finalmente, o autor cujo artigo citou, Luxán Meléndez, é de facto um investigador de referência embora as obras dele não se encontrem traduzidas, àparte esse artigo. O que é particularmente interessante neste artigo é que os "Portugueses" a que se refere são na verdade os Cristãos-Novos, ou judeus recém-convertidos (na verdade, não completamente) e que constituiram provavelmente a comunidade portuguesa que mais beneficiou com a União Ibérica. Esse é outro tema que tem vindo a ser investigado sobretudo em Espanha (pois é lá que se encontra o grosso da documentação; vejam-se os estudos de Fernando Serrano Mangas da Universidade de Extremadura, António Marques de Almeida da Universidade de Lisboa e Maria da Graça Mateus Ventura, da Universidade Nova de Lisboa), acerca destes poderosos empresários, financiadores da Coroa que obtiveram grande sucesso nos seus negócios diversos, desde a logística das armadas da Carreira da Índia portuguesa, em Lisboa, e das Índias espanholas, em Sevilha, até aos vultuosos créditos que concederam à Coroa em Madrid. Isto, claro, adiou em muitos anos a sua perseguição e condenação pelo Santo Ofício.
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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carlos duran

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #37 em: Outubro 16, 2010, 07:25:38 pm »
Estimado Sr Vaz
son Carlos Duran Cao, galego, que  teño escrito algunhas veces neste forum sobre historia militar, fiquei impresionado pola calidade do seu traballo, realmente ista expedición dos ingleses motivada por diversos motivos non só de vinganza mais tamen comerciais e políticos foi un gran desastre e inda non e ben coñecida na espanha, e ben certo que a nación inglesa e tan destra en conseguir vitorias como en ocultar derrotas como ista e como a de Cartagena de Indias no 1741 outro gran desastre , tan so quero facer dous apuntes, un deles e o fracaso dos ingleses no ataque a cidade da Coruña, o coronel inglés Anthony Wingfield, participante da armada inglesa escriviu na sua crónica o seguinte: "os soldados ingleses non estan acostumados a faceren guerras de sitio e cercos, e por isto as accións mais duras dos días 14 e 15 de maio o peso da loita caeu en grupos de soldados experientes que non chegaban para a importancia da operación, inda esto a resistencia da cidade foi durísima", a isto teño que engadir a actuación da nosa heroina galega Maior Fernandes da Cámara (Maria Pita) que tivo unha importante actuación contra os ingleses unha vez morto o seu home.
Enquanto ao ataque final de Drake a vila de VIgo compre decir que catro anos antes, no 1585, Drake foi derrotado nun primeiro intento contra a cidade pola actuación do conde de Gondomar Diego Sarmiento que o derrotou, mais agora a vila, sen murallas, non tivo tanta sorte e Drake queimou 300 casas e as crónicas galegas falan de que houbo dura loita e os ingleses tiveron 700 baixas, seguramente cifras exageradas sen dubida.
En fin en quanto ao señor Papatango xa coñezo as suas opinións, semellan ser escritas con o coraçon, con odio e non pouco rigor histórico ainda que ten o meu respeito e teñen algunhas verdades, mais na defensa de Portugal por o imperio hispánico no ano 1589 hai moitos nomes "espanhois" maiormente castelans, non tudo eran mercenarios ainda que escasa poboación dos pobos espanhois non permitía acadar soldados para tantos frentes de batalla. Moitos mercenarios mais tamen moitos terços na Flandes dos reinos espanhois, valencia, castela, aragao etc, galegos poucos inda que tamen, e houbo moitos militares portugueses nos terços de flandes mais isa e outra historia. Ao final vai resultar que un dos grandes militares da historia (onde tamen esta dende logo o gran militar Nuno Alvares Pereira) o gran Capitao Gonzalo Fernandez de Cordoba vencedor dos portugueses do bispo de Evora na batalha de Albuera no 1479, vencedor dos franceses en moitas batalhas, conquistador de gran parte da Italia, vencedor dos musulmans de Granada, dos moriscos etc ao millor vai resultar que tamen era un mercenario extranxeiro. E dificil para alguns portugueses separar a verdade histórica do coraçon, fai pouco tempo puiden ler noutro foro portugués a unha persoa que decía que os espanhois nunca gañaran nengunha batalha aos portugueses (non sei si se refería aos reinos da Galiza, Leao, Castela, Aragao, etc) e o mais abraiante e que o decia a serio. Eu son galego espanhol e sempre digo que a historia militar portuguesa e impresionante e que os portugueses sempre foran valentes e grandes militares e non necesitan falsear a historia por nacionalismo ou vitimismo, tamen Portugal sempre tentou conquistar a Galiza e eiqui non temos nengun "odio" aos portugueses, todo o contrario.

Finalmente meu caro sr Joao Vaz foi un prazer leer o seu traballo. Se nalgun momento quer contactar conmigo para cambiar informacións meu correio e : linhos59@hotmail.com
A verdade nao ten patria
 

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teXou

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #38 em: Outubro 16, 2010, 08:08:35 pm »
Citação de: "carlos duran"
...  sempre digo que a historia militar portuguesa e impresionante e que os portugueses sempre foran valentes e grandes militares e non necesitan falsear a historia por nacionalismo ou vitimismo, ...
:G-beer2:
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
-------------------------------------------------------
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João Vaz

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #39 em: Outubro 18, 2010, 10:25:16 am »
Citação de: "carlos duran"
Estimado Sr Vaz
Finalmente meu caro sr Joao Vaz foi un prazer leer o seu traballo. Se nalgun momento quer contactar conmigo para cambiar informacións meu correio e : linhos59@hotmail.com

Ilustre Carlos Duran (deixe lá o Senhor c34x ),

Antes de mais, agradeço as suas palavras.
Quanto aos episódios bélicos ocorridos na Galiza na época da denominada Guerra Anglo-Espanhola tive oportunidade de visitar Santiago de Compostela e a Coruña numa das minhas primeiras visitas ao Arquivo de Simancas, que muito apreciei. Foi na Coruña que pude comprar dois livros indispensáveis para este tema, da autoria da Professora Maria del Carmen Saavedra Vázquez, ambos publicados no quarto centenário da expedição de Drake e do Prior do Crato, utilizando valiosas fontes de arquivo:

Maria Pita y la defensa de La Coruña en 1589 (1989)

La Coruña durante el Reinado de Felipe II (1989)

O primeiro acerca da famosa heroína local e o segundo, mais aprofundado, acerca do desenvolvimento da cidade e arredores no final do reinado de Filipe II, enfatizando a revitalização militar deste porto estratégico no conflito com Inglaterra, algo muito semelhante ao verificado em Lisboa na mesma época.

De facto, a História desta época não tem merecido todo o estudo que merece. O vazio acerca dos 60 anos do domínio filipino em Portugal é imenso. No entanto, há um manancial por explorar e é necessário avançar em várias frentes, tendo em conta também os estudos mais recentes publicados noutros países permitindo estabelecer comparações e obter esclarecimentos preciosos para completar as informações que nos dizem respeito. Por isso vou partilhando algumas das conclusões das pesquisas que tenho efectuado.

Um abraço lusitano e cumprimentos à Galiza
"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Luis G. Santos

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #40 em: Novembro 06, 2011, 05:28:42 am »
Soy el historiador y escritor gallego Luis Gorrochategui Santos. Siento no poder escribir en portugués, pero lo entiendo perfectamente. Antes de nada quiero felicitar a Joao Vaz por su extraordinaria obra CAMPAHAS DO PRIOR DE CRATO. También al ForumDefesa por su calidad y variedad. Llevo doce años investigando la expedición Drake-Norris de 1589. En 2002 publiqué La guerra de la Sirena, que se centraba en el ataque a La Coruña. Este año 2011 he publicado Contra Armada. La mayor catástrofe naval de la historia de Inglaterra que trata el ataque a Lisboa. Son 436 páginas, 8 planos, 60 ilustraciones. He localizado cientos de documentos inéditos que me han permitido reconstruir con gran detalle, y día a día, las operaciones en Lisboa.
Debo decir que los hombres que zarparon de Plymouth eran 27.667 en 180 barcos. Una flota más grande que la “Invencible”. Los que defendieron Lisboa fueron 5.000 soldados españoles y miles de soldados portugueses, incluyendo una potente caballería. Las fuerzas portuguesas se apostaron en el frente marítimo, flanco débil de Lisboa, pues ahí ya no existía la cerca fernandina.  El ejército luso luchó del lado de Felipe, hijo legítimo de Isabel de Portugal y nieto de Don Manuel. Su primo, el Prior de Crato, firmó unas clausulas con Isabel según las cuales le permitía al ejército invasor doce días de saco en Lisboa, convertía a Portugal en un estado vasallo de Inglaterra, obligado a mantener a su costa guarnición inglesa en todos los castillos portugueses y a pagar un tributo anual de 300.000 ducados. Además, le permitía acceso al imperio luso. La victoria hispano-portuguesa en Lisboa cerró los imperios ibéricos a las ansías de expansión anglo-holandesas. Fue beneficiosa para todos nosotros y nos permitió consolidar la presencia de la cultura ibérica en América. Para más información visitar http://www.contraarmada.com.
 Moito obrigado
Luis G. Santos
 
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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #41 em: Dezembro 12, 2011, 12:35:39 pm »
Uns pequenos reparos e questões...

Citar
La mayor catástrofe naval de la historia de Inglaterra que trata el ataque a Lisboa.
A maior catástrofe naval britânica foi o resultado do cerco de Cartagena das Indias.
Dificilmente a operação contra a Corunha e Lisboa a poderia suplantar.
Mais ainda, porque como sabemos, em 1589, grande parte dos navios que participaram no ataque eram mercantes.
Muitos desses navios, perante o fracasso, voltaram para casa (e não necessariamente para Inglaterra, pois não pertenciam à frota real).
Mas porque os navios não voltaram para o porto de Plymouth, não é legítimo concluir que foram afundados.


Citar
Debo decir que los hombres que zarparon de Plymouth eran 27.667 en 180 barcos. Una flota más grande que la “Invencible”

Seria importante realçar que «Mais Grande» quer dizer maior em número de navios, mas será assim em termos de poder militar ?
Era «mais grande» por ser mais numerosa, mas de quantos canhões seria uma bordada de toda a frota inglesa ?
A «felicíssima armada» era constituida por um numero relativamente pequeno de galeões de guerra, especialmente os galeões da Coroa de Portugal, alguns dos galeões mais pesados da coroa de Castela e pelas quatro grandes Galeaças do Reino de Napoles. A armada britânica não tinha nada disso.
Logo, não me parece correto afirmar que a contra-armada era mais poderosa que a Felicissima armada. Era mais numerosa, mas isso não valida a utilização da expressão maior, porque maior numa formação militar implica maior poder militar. Poder que a armada inglesa realmente não tinha.

Citar
Las fuerzas portuguesas se apostaron en el frente marítimo, flanco débil de Lisboa, pues ahí ya no existía la cerca fernandina.

Aqui eu não entendi muito bem. A entrada em Lisboa era protegida pelos fortes da zona estreita, entre os quais o de Almada e a torre de Belem.
Já em 1580, mesmo controlando a margem sul, as forças dos Habsburgo tinham desembarcado em Cascais, porque era suicidio entrar na zona estreita de Lisboa sem tomar a Torre de Belém.

A muralha fernandina, de facto defendeu a cidade contra vários cercos castelhanos, com a muralha a cidade podia ficar cercada também por mar.
Por causa disso as defesas de Lisboa passaram a contar com vários fortes na zona estreita, o mais icónico de todos é desde 1514 a torre de Belém.
Seria suicídio entrar na barra de Lisboa e atacar a cidade. Por isso não sei se entendi muito bem o que a cerca fernandina na frente marítima teria a ver com isto.
A não ser que se esteja a referir a forças de patrulha ou de prevenção, para a possibilidade de algum golpe-de-mão.
Mas 5.000 homens para precaver um golpe de mão ... ?

Citar
El ejército luso luchó del lado de Felipe, hijo legítimo de Isabel de Portugal y nieto de Don Manuel. Su primo, el Prior de Crato, firmó unas clausulas con Isabel según las cuales le permitía al ejército invasor doce días de saco en Lisboa, convertía a Portugal en un estado vasallo de Inglaterra, obligado a mantener a su costa guarnición inglesa en todos los castillos portugueses y a pagar un tributo anual de 300.000 ducados

Bom, o exército português, as forças comandadas ou que obedeciam ao Duque de Bragança...
Relativamente ao exército espanhol:
Quantos eram os castelhanos?
Quantos eram aragoneses ?
Quantos eram alemães ?
Quantos eram italianos ?

Relativamente ao estado-vassalo da Inglaterra, uma das razões que permite entender o fato de os portugueses pouco terem feito para apoiar D.Antonio, explica-se quando sabemos que Portugal já era um estado vassalo da coroa dos Habsburgos. Deixar de ser vassalo de um, para passar a ser vassalo do outro, não trazia aos portugueses nenhuma vantagem.
E isso explica o resultado da campanha.

A manutenção de uma guarnição tinha custos e ao contrário da estrutura burocrática dos reinos Habsburgos, especialmente da coroa castelhana, que tinha uma grande capacidade para cobrar impostos, os ingleses não a tinham. Por isso, a defesa da cidade tinha que ser paga pela própria cidade.
Nisso os ingleses sempre foram muito pragmáticos.

Portanto temos como conclusão:

Os portugueses não se mexeram e não apoiaram nenhum dos lados.
Entre a bota do castelhano e a bota do inglês, ficaram-se como estavam.
Quem fez alguma coisa, foi quem tinha mais a perder, ou seja, D.Teodósio, Duque de Bragança.
É o Duque que junta tropas e se as junta, por alguma razão o faz (e ainda mais quando o faz duas vezes).
A contra-armada, ainda que menos poderosa, com parte dos homens doentes e sem canhões, consegue algo que a felicíssima nunca conseguiu:
Desembarcou duas vezes.


Citar
La victoria hispano-portuguesa en Lisboa cerró los imperios ibéricos a las ansías de expansión anglo-holandesas. Fue beneficiosa para todos nosotros y nos permitió consolidar la presencia de la cultura ibérica en América.
Este é provavelmente o maior erro de todos, mas advém - eventualmente - de uma menor intensidade de investigação na questão do império do Oriente.

A questão é que é completamente FALSO que os ingleses e os holandeses tenham sido impedidos de se expandir.
Eles não se expandiram para os territórios diretamente na posse da coroa castelhana, porque acharam que mais facilmente atrairiam a atenção e a ira do rei em Madrid.

Quem pagou por tudo foram os portugueses. Foi sobre as possessões portuguesas em África e na India, que se abateram ingleses e holandeses, irritados, atiçados pela questão portuguesa.
Portugal pagou o mais alto, o mais caro o mais terrível dos preços !

A aristocracia, nobreza e a burguesia castelhanas - dentro da Coroa dos Habsburgos - mantiveram as suas possessões.
Já Portugal, perdeu praticamente tudo.
Tanto durante o periodo da União Dinástica, como depois, quando teve que dar o resto, para conseguir o apoio que desperdiçou em 1588.

Pagámos MUITO MUITO MAIS que as libras que os ingleses pediam em 1588 com a expedição do Prior do Crato.
 

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Luis G. Santos

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #42 em: Dezembro 13, 2011, 02:17:03 am »
La contestación, por extenso, y rigurosamente documental, a las preguntas formuladas, se haya en el libro mencionado Contra Armada. La mayor catástrofe naval de la historia de Inglaterra. Entraría de buena gana en un cotejo documental con documentos ingleses, portugueses o españoles. Por ejemplo: sabemos con precisión la composición de las fuerzas españolas, y la actuación de cada compañía. No hubo durante esa primavera compañías extranjeras. Sabemos la tipología de los barcos ingleses, más que mercantes, los barcos eran piratas o corsarios, eran fundamentalmente los mismos que habían defendido Inglaterra el año anterior. Conocemos el número de barcos y hombres que se perdieron, y que la catástrofe de 1589 supera a la 1741 en número de bajas y barcos perdidos. También aportamos los informes que explican el hecho de que las torres defensivas del estrecho no hubieran tenido tiempo para dañar una flota de 180 barcos con corriente y viento a favor (se pensó en cerrar la barra desde la torre de Belén a Caparica con una cadena de troncos enlazados). Sabiendo esto, fue cuidadosamente diseñada la disposición defensiva en el perimetro lisboeta, sabemos donde estaba cada cañón y cada compañía protegiendo el débil frente marítimo... Conocemos las fuerzas que aporta, ya al final, Teodosio II, el Duque de Braganza con su llegada, y que no debemos confundirlas con el grueso de las fuerzas portuguesas, que ya estaban en Lisboa. Reconstruimos cada una de las batallas... etc.  También conocemos las razones por las que este episodio sea fundamentalmente desconocido... Nuestras razones se basan en documentos. Sólo puedo contestar otras razones que se basen en documentos. El libro pone a disposición del público interesado un enorme cuerpo de documentos inéditos que nos permite acercarnos como nunca se ha hecho hasta ahora a lo ocurrido en Lisboa en 1589. Son documentos que nadie ha leído en los últimos 422 años. Esa es su intención. Para que cada cual tenga la mayor información y juzgue con más conocimiento una parte muy importante de la historia de Portugal, de España, y de Iberoamérica.
En lo que se refiere a la defensa del Imperio, y especialmente la de Brasil ante la tentativa holandesa durante el primer tercio del XVII, resulta crucial para la presencia ibérica en el mundo. La unión ibérica hizo la fuerza en aquella época. A título personal, estoy seguro que puede volver a hacerla, pues los pueblos ibéricos están tan próximos como los idiomas que nos unen.
 
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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #43 em: Março 23, 2019, 07:57:11 pm »
Estimado João Pedro Vaz. Não obstante os 9 anos de atraso, cumpre-me desde já agradecer o interessantíssimo texto que aqui generosamente partilhou e também felicita-lo pelo brilhante trabalho de investigação sobre o assunto. Não é de facto a minha época, mas vim aqui parar por causa duma investigação sobre o ataque à Terceira (não este do Blake que não se concretizou), mas o posterior de Robert Devereux, 2º conde de Essex, em 1597. Estive a ver um relato desse ataque e saque às diversas ilhas, por uma fonte inglesa, e que não é de todo coincidente com outras fontes, que negam por exemplo, que o mesmo tenha conseguido desembarcar na Terceira. Se entretanto me puder indicar alguma fonte credível sobre o assunto (de época ou actual), agradecia-lhe. Não obstante, reitero os meus agradecimentos pelo prazer da leitura do artigo (assim como as longas e demoradas respostas ao arrazoado provocatório :-D ) Melhores cumprimentos. NS
 

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Re: A "Vinda dos Ingleses" a Portugal em 1589
« Responder #44 em: Março 23, 2019, 09:42:29 pm »
Estimado Luis Santos.
Veré si puedo encontrar su libro que me parece muy interesante.
Me gustaría hacerle la siguiente cuestión, a ver si usted puede contestarme. Muchos relatos de la fracasada Contra-armada mencionan que Drake ha renunciado a aquel que fue otro de sus principales objetivos: las Azores- y que pronto regresaría a Inglaterra. Todavía, según otras fuentes, fue a las Azores en 1589, y que habrían sido "los cañones del fuerte de San Sebastián, en Angra, bajo el gobierno de Juan de Horbina" que impidió que el pirata inglés Francis Drake de asaltar Angra. ¿Tiene alguna información sobre esto? ¿Cuáles fueron las fuerzas implicadas, de ambos partes, terrestres y navales? Muchas gracias.
Saludos. Ns
 

 

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