Presente e futuro da Marinha de Guerra Portuguesa

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Filipe de Chantal

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Presente e futuro da Marinha de Guerra Portuguesa
« em: Abril 10, 2009, 02:47:27 am »
Parto do princípio de que a compra das duas fragatas classe M "Karel Doorman" em segunda mão foi a melhor solução de momento para a Armada Portuguesa. Felizmente superou-se aquela situação em que estávamos em vias de aceitar como mendigos a sucata americana. Foi uma boa compra, se funcionarmos como o Governo português funciona.
Gostava apenas de fazer uma reflexão com horizontes mais amplos, que aliás por obrigação deviam ser os da responsabilidade governamental.
Numa altura em que se receava, e bem,  que a nossa armada ficasse reduzida às três Meko, aquela compra veio repor o efectivo mínimo de cinco fragatas, com todas as boas condições de similitudeinade quanto à manutenção. Isto, se não pensarmos em que vieram reforçar "mais do mesmo"...
Que são excelentes navios, belos nas qualidades de mar, satisfatórios como plataformas de guerra naval, ninguém nega. Antes pelo contrário. Só que nos magoa um pouco serem opções de segunda, para uma pátria de marinheiros que somos. Sabe a muito pouco...
Quando a nossa marinha tinha duas fragatas inúteis, quais eram as "João Belo", que tinham cumprido mais do que lhes tinha sico pedido, e se pretendia muito mais, isso não levou a que alguém pensasse como devia ser.
Continuou-se a ambicionar um NAVPOL desmesurado, sempre adiado, e que nada correspondia às nossas necessidades: ora vejam bem se precisamos de transportar um batalhão de fuzileiros e para onde... É uma visão neo-imperialista sem cabimento.
Nessa altura devia ter-se pensado mais realisticamente em necessidades pontuais e ocasionais numa dimensão mais reduzida (talvez uma companhia...).
E então dois navios da classe Absalon, pelo mesmo custo, podiam perfeitamente resolver o problema. Acentuando-se que, em condições de ameaças desiguais, melhor podiam acorrer às situações. Para além disso, são navios aptos a socorrer em casos de catástrofes naturais e que podem trazer uma unidade hospitalar no seu amplo deck.
A nossa marinha, em vez de um navio do género, bem podia ter dois.
Quase pelo mesmo preço, podíamos ter comprado dois navios destes, os quais também têm meios de auto-defesa, se fosse caso disso.
Atingido esse patamar, poder-se-ia pensar então na substituição das nossas Meko-200 (que talvez pudessem ser vendidas, por exemplo, à Turquia), encomendando-se três fragatas daquelas dinamarqueses, com radares APAR e SMART-L, mísseis ESSM e Standard SM-2, etc.
Bastava ter havido, entre nós. um pouco de visão de futuro!...
 

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Cláudio C.

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« Responder #1 em: Abril 10, 2009, 03:38:26 pm »
Boa tarde caro Filipe,

Partilho de algumas opiniões, designadamente no que concerne à falta de visão estratégica das autoridades governamentais. Porém a serem vendidas as Meko200, duvido que  a Turquia as pretendesse adquirir uma vez que já tem um numero razoável destes navios, penso que quando adquirirem novos navios serão dedicados à defesa aérea. Mas isto é só a opinião de um "curioso"  :oops:

Saudações
E Pluribus Unum
 

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Lightning

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« Responder #2 em: Abril 10, 2009, 03:59:23 pm »
Eu prefiro o Navpol às Absalon.

Não acho que um Batalhão seja uma força desmesurada, pode muito bem ser um Batalhão do Exército não tem que ser forçosamente de Fuzileiros, e mesmo o Corpo de Fuzileiros possui o Batalhão Ligeiro de Desembarque, penso que tenha lógica existir capacidade de o projectar (imaginem que o Exército tinha Pára-quedistas mas a Força Aérea não tinha aviões de transporte).

A Abaslon não tem capacidade anfíbia, tem obrigatoriamente de atracar a um porto para desembarcar a força que transporta, isto é, o Navpol faz o que a Absalon faz mas o oposto já não acontece, o Navpol é mais polivalente.

O Navpol pode ser usado em operações nacionais ou integradas em operações da NATO, UE, ONU, etc.

Portugal envia regularmente Fragatas para a SNMG1, então imagine que tinhamos lá a Absalon e era necessário efectuar uma operação de transporte?
« Última modificação: Abril 10, 2009, 06:51:44 pm por Lightning »
 

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Jorge Pereira

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« Responder #3 em: Abril 10, 2009, 04:16:02 pm »
Citação de: "Lightning"
Eu prefiro o Navpol às Absalon.

Não acho que um Batalhão seja uma força desmesurada, pode muito bem ser um Batalhão do Exército não tem que ser forçosamente de Fuzileiros, e mesmo o Corpo de Fuzileiros possui o Batalhão Ligeiro de Desembarque, penso que tenha lógica existir capacidade de o profectar (imaginem que a o Exército tinha Pára-quedistas mas a Força Aérea não tinha aviões de transporte).

A Abaslon não tem capacidade anfíbia, tem obrigatoriamente de atracar a um porto para desembarcar a força que transporta, isto é, o Navpol faz o que a Absalon faz mas o oposto já não acontece, o Navpol é mais polivalente.

O Navpol pode ser usado em operações nacionais ou integradas em operações da NATO, UE, ONU, etc.

Portugal envia regularmente Fragatas para a SNMG1, então imagine que tinhamos lá a Absalon e era necessário efectuar uma operação de transporte?


Assino por baixo.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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JLRC

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« Responder #4 em: Abril 10, 2009, 06:52:07 pm »
Citação de: "Jorge Pereira"
Citação de: "Lightning"
Eu prefiro o Navpol às Absalon.

Não acho que um Batalhão seja uma força desmesurada, pode muito bem ser um Batalhão do Exército não tem que ser forçosamente de Fuzileiros, e mesmo o Corpo de Fuzileiros possui o Batalhão Ligeiro de Desembarque, penso que tenha lógica existir capacidade de o profectar (imaginem que a o Exército tinha Pára-quedistas mas a Força Aérea não tinha aviões de transporte).

A Abaslon não tem capacidade anfíbia, tem obrigatoriamente de atracar a um porto para desembarcar a força que transporta, isto é, o Navpol faz o que a Absalon faz mas o oposto já não acontece, o Navpol é mais polivalente.

O Navpol pode ser usado em operações nacionais ou integradas em operações da NATO, UE, ONU, etc.

Portugal envia regularmente Fragatas para a SNMG1, então imagine que tinhamos lá a Absalon e era necessário efectuar uma operação de transporte?

Assino por baixo.


E eu também.
 

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bokaido

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Re: Presente e futuro da Marinha de Guerra Portuguesa
« Responder #5 em: Abril 11, 2009, 01:25:46 am »
Citação de: "Filipe de Chantal"
E então dois navios da classe Absalon, pelo mesmo custo,


Dois Absolon pelo mesmo custo de um NavPol? Hummm... isso é que seria uma grande negociata!

Nem sequer uns "simples" navios patrulha se conseguem construir..
Ó Estrela, queres cometa?
 

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Filipe de Chantal

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Presente e futuro da Marinha de Guerra Portuguesa - II
« Responder #6 em: Abril 11, 2009, 04:42:54 am »
Afinal, a maior parte das reacções à minha anterior mensagem centraram-se particularmente na questão do NAVPOL. Levantou-se um coro a defender afincadamente o cabimento deste navio. Segundo percebo, considera-se que tal meio naval é mesmo absolutamente necessário à projecção de forças do País... Permito-me continuar a duvidar de que Portugal precise com tanta acuidade de colocar batalhões sejam de fuzileiros, de pára-quedistas ou de comandos, noutras regiões do mundo. E pergunto-me quantas vezes esse navio se tornará essencial.
A opção pelo NAVPOL, logicamente, exclui a alternativa dos Absalon, sem apelo nem agravo. Mas levanta outro problema: implica a necessidade de se dispor de pelo menos dois navios de defesa aérea para o proteger, enquanto que os Absalon se podem defender a si próprios...
E, se se olhar para as ofertas tecnológicas disponíveis no mercado, ao que julgo saber fica-se perante apenas uma alternativa: a opção pelas fragatas Meko A-200 AAW (as outras hipóteses apontando para preços proibitivos).
Ora, as Meko A-200 AAW têm um deslocamento máximo de 3.800 tons., o que torna complicado, se não impossível, instalar-se nelas o sistema de radares APAR/SMART-L, dado o peso deste último, que poderá prejudicar a estabilidade dos barcos (no Área Militar diz-se mesmo que só em navios de mais de 5.000 tons.; a propósito, alguém me poderá esclarecer acerca de viabilidade do APAR sem o SMART-L? A não ser que se fizesse um autêntico planeamento a longo prazo, que passasse por se considerar uma futura substituição das nossas Meko-200 pelas Meko Delta, o que talvez nos trouxesse como contrapartida a desejada e indispensável reabilitação dos estaleiros navais nacionais...
Por outro lado, se se optasse pelas fragatas dinamarquesas, teríamos navios de 6.300 tons. de deslocamento, perfeitamente compatíveis portanto com aqueles sensores, além de também proporcionarem utilizações relativas ao transporte e desembarque de pequenos contingentes de tropas especiais. Para não falar de que podem operar os helicópteros EH-101 Merlin.
Finalmente, será de colocar a diferença no preço das diferentes alternativas. Ao que julgo saber, as Absalon trazem consigo valores bastante acessíveis, quase inacreditáveis, até porque são projectos já concretizados e viabilizados. Quanto às novas fragatas da mesma origem, baseiam-se nos mesmos cascos. Claro que a maior disparidade de custos refere-se aos sensores e ao armamento (mísseis, canhões, etc.). Porém, quem quer ter uma boa Marinha, tem de a pagar! Abro aqui um parêntesis para reiterar que, sendo politicamente de esquerda, estou 100% de acordo com a compra dos submarinos, arma essencial de dissuasão para uma pequena potência...
E Portugal merece ter uma Marinha de Guerra, quiçá reduzida e compacta, mas de primeiro plano, já pela nossa História, já pela nossa realidade estratégica no Atlântico.
 

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Cabeça de Martelo

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« Responder #7 em: Abril 11, 2009, 11:15:23 am »
Caro Filipe de Chantal, li com atenção os seus textos e acho que defende o que acha que é o melhor para a Marinha de Guerra Portuguesa...mas será realmente o melhor?

Vejamos o NAVPol será (quando for construido e se tiver as caracteristicas já defendidas pela Marinha) um navio e peras. Terá não só um amplo espaço para levar um Batalhão de Fuzileiros/Infantaria/outros contigentes, como ainda terá um hospital a bordo. Graças à primeira capacidade, puderemos no futuro fazer operações como a Operação Crocodilo ( http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_ ... pag10.html ) de uma forma mais efectiva sem depender da Marinha Mercante e com todas as condições. Em relação à segunda capacidade, podemos efectuar operações já referidas anteriormente e ainda acudir a catástrofes naturais e não só (como Açoreano acho que não lhe tenho que descrever vários cenários onde isso poderá acontecer).
Para além disso é um meio que pode levar com facilidade os EH-101 CSAR já adquiridos de propósito para o NavPol e de como esses aparelhos são uma mais valia nos dois tipos de cenários.

Agora as Absalom são navios espectaculares, mas será que com todos os "brinquedos" que já referiu iriam ser baratos o suficiente para as contas do nosso MDN? é que quando se fala em aquisições para as Forças Armadas, a questão não é saber se são demasiado caros, mas se é suficientemente baratos. :(

Infelizmente é essa a nossa realidade e com a dita crise internacional esta parte piorou ainda mais.

Se o governo não avança com a substituição das Espingardas-automáticas, ML e pistolas; agora imagine a possível venda para futura compra de navios de maior dimensão e custo...
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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AC

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« Responder #8 em: Abril 11, 2009, 03:01:49 pm »
Filipe,
o orçamento para o NAVPOL é de 210M EUR. É apenas uma fracção do que custaria um navio AAW como o que propõe.
Não é o custo do NAVPOL que impede que se comprem navios AAW.
 

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Lancero

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« Responder #9 em: Abril 11, 2009, 03:02:33 pm »
A Marinha não esconde. É defensiva e necessita de capacidade de projecção de forças - para cenários de apoio a catástrofes e evacuação de não-combatentes.
É com isso que temos de viver. E aceitar.

PS - Sobre isso saiu um artigo interessante na Revista da Armada deste mês:

Citar
A Esquadra em Exercícios

INSTREX 0109
 
" Realizou-se, entre os passados dias…”, é a forma normalmente seguida para iniciar os artigos que descrevem exercícios em que participam os navios da Marinha. Desta vez, porém, proponho ao leitor uma abordagem diferente: convido-o a seguir a metodologia que está por detrás do desenho do próprio exercício. Pretendo sobretudo contribuir para que exista uma maior compreensão sobre as razões de seguirmos determinadas linhas de acção, respondendo a questões que, porventura, já terá colocado a si próprio:

- Porque nos mantemos focados em acções que se inscrevem em empenhamentos fora do nosso espaço de responsabilidade (entendendo-o como o que se circunscreve ao espaço inter-territorial e às águas sob responsabilidade e jurisdição nacional);

- Qual é a lógica de continuarmos a treinar as disciplinas tradicionais da guerra no mar (anti-submarina, anti-superfície e anti-aérea);

- Qual é a utilidade de navios com as (reduzidas) capacidades das corvetas (e, por analogia, dos futuros Navios de Patrulha Oceânica - NPO) para missões de natureza militar como as que treinamos nos exercícios das séries INSTREX e CONTEX.
 


  O ENQUADRAMENTO

 Não querendo elaborar em profundidade sobre matérias de natureza estratégica, é, no entanto, importante compreender que o planeamento militar é condicionado, e norteado, por grandes linhas condutoras que são estabelecidas ao mais alto nível. Podemos assim dizer que a Marinha não tem os meios que quer, mas aqueles de que necessita para cumprir as missões que lhe são confiadas.
 

E se aqueles meios materializam um determinado conjunto de valências, face às suas características de robustez, sustentação, sistemas de armas e sensores, etc., as linhas de acção que seguimos são ditadas pela forma como exploramos tais capacidades para se maximizarem os resultados que pretendemos alcançar.

Se pensarmos que as capacidades dos nossos navios são limitadas, uma vez que na sua maioria se destinam à defesa própria (possibilitando, nalguns casos pontuais, também a defesa das unidades em companhia), quando existem alternativas que conferem a determinadas unidades uma capacidade mais ofensiva (por exemplo os mísseis Tomahawk que permitem realizar ataques contra alvos em terra a grande distância), teremos de aceitar que tal opção se insere numa qualquer lógica. De facto, mais do que uma razão de natureza financeira, ela assenta num conceito e numa postura estratégica de cariz defensivo, a qual se constitui como uma das pedras basilares da nossa acção no plano militar. E o tipo de navios de que a Marinha dispõe terá de ser coerente com tal raciocínio. Ou seja, não é linear concluir que a razão pela qual a Marinha não dispõe de um porta-aviões é porque se trata de um meio dispendioso. Na realidade, será mais correcto admitir que tal acontece porque, sendo um meio de características marcadamente ofensivas, ele não se insere dentro da nossa postura estratégica (sirva o exemplo para ilustrar a lógica a que aludo, sem prejuízo de outros juízos que se possam fazer em torno do caso particular dos porta-aviões).

     Na sequência da dedução anterior, à qual acresce um todo de variáveis que não cabe aqui enumerar, chega-se à configuração do sistema de forças da Marinha, ou seja, ao conjunto de meios de que vamos dispor. Mas para que um exercício possa ser consequente, preparando as unidades para aquilo que se espera que a Marinha, no plano das operações, consiga realizar, importa saber:

- “o que defender”, porque se trata de um vector fundamental para enquadrar e definir as diferentes missões;

- “onde defender”, porque nos permite caracterizar os teatros de operações e identificar as características dos meios a empregar;

- “como defender”, porque nos possibilita reconhecer a forma de empregar e de articular os meios, e de melhor explorar as respectivas capacidades.

Relativamente à primeira interrogação, e fazendo uso de uma linguagem simplista, poderemos afirmar que outrora se defendiam territórios, sistemas políticos, etc. Hoje, falamos mais da defesa de interesses, dos valores universais, da segurança de espaços comuns… (esqueçamos por agora, por nada acrescentar ao propósito do artigo, a questão religiosa ou a civilizacional, ora tão em voga quando se discutem estes assuntos. Também não me debruço sobre a “salvaguarda da vida humana no mar” ou sobre o apoio a actividades económicas, como a fiscalização da pesca, porque pretendo focar a discussão no plano das operações de natureza estritamente militar).
 


 

Tal apreciação permite-nos concluir que, na actualidade, a “defesa” se pode relacionar com o garante do respeito pela vida ou dos direitos humanos; ligar-se à preservação de interesses ou de vantagens no plano económico; referir-se à protecção de comunidades, pessoas ou bens; reportar-se à contenção de conflitos dentro de um espaço de segurança comum; ou aludir ao garante da independência nacional.

A evolução do pensamento e dos conceitos tal como exposto no parágrafo anterior admite ainda novas aproximações ao problema da segurança e da defesa, às quais não é estranha a avaliação sobre o grau de perigosidade e da probabilidade de ocorrência de determinadas ameaças. Sabemos que o enfoque foi retirado da defesa territorial e da consequente necessidade de cada país dispor de uma pesada estrutura de forças, para um conjunto de políticas direccionadas para a cooperação e para a partilha de responsabilidades. Mas se, por um lado, isso permitiu redireccionar recursos financeiros dos Estados em benefício de uma maior prosperidade no plano social e económico, traduziu-se, por outro, no assumir de um conjunto de compromissos que garantem que as ameaças à segurança (em sentido lato) sejam endereçadas num plano abrangente e não apenas ao nível interno de cada Estado. Isto faz com que, por vezes, as nossas Forças Armadas sejam chamadas a intervir em teatros que, para um espectador menos informado, não parecem estar relacionados com os nossos interesses próximos. Aqui tem o leitor a resposta porque devemos considerar o emprego de meios fora do nosso “espaço de responsabilidade”, ou seja, porque devemos desenvolver a nossa aptidão para deslocarmos e empenharmos forças em teatros longínquos (maneira despretensiosa de tentar definir o princípio de “projecção de força”).

Atente, que identificámos já “o que defender” e “onde defender”. Respondemos também à primeira interrogação que formulámos no início deste artigo. Mas falta-nos ainda reconhecer o “como defender”.

Uma primeira conclusão pode desde logo ser retirada da alusão a “responsabilidades partilhadas” e a “iniciativas de natureza cooperativa”: a acção militar autónoma tem vindo a ser gradualmente substituída por operações conduzidas através de forças multi-nacionais. O nosso próprio enquadramento estratégico aponta para que a defesa dos interesses nacionais, fora do nosso espaço de interesse permanente (o já referido e conhecido “triangulo estratégico”), privilegie a acção no seio das alianças e das parcerias. Isto significa que teremos de ser capazes de operar com outras forças, promovendo a interoperabilidade ao nível do material, criar uma linguagem, desenvolver doutrina e implementar procedimentos comuns.  

Hoje contesta-se muito a utilidade dos exercícios de guerra anti-submarina (ASW), anti-superfície (ASUW) e anti-aérea (AAW), que se têm como emblemáticos das operações oceânicas, num contexto em que as operações no litoral têm surgido com maior relevo. A seu favor, e se outro argumento não houvesse, poderíamos mais uma vez tomar como referência o nosso enquadramento estratégico, o qual estipula que as forças armadas devem manter uma capacidade mínima que assegure a defesa autónoma dos nossos interesses vitais, em particular das parcelas do território e dos espaços marítimos inter-territoriais. Tal corresponde a reter um conjunto de competências que nos permitam contrariar todo o tipo de ameaças no mar, o que inclui a ameaça submarina, de superfície e aérea (em áreas oceânicas, esta necessariamente vocacionada para a defesa anti-míssil). Todavia, basta recordar eventos recentes (como o ataque à corveta israelita ao largo do Líbano), para nos lembrarmos que as proficiências naquelas disciplinas são permanentemente postas à prova, mesmo nas operações em águas costeiras. Senão vejamos: a proliferação de sistemas de armas e a proximidade de terra torna os navios especialmente vulneráveis a ataques por meios aéreos (mísseis e aeronaves combatentes); a ameaça de superfície, mesmo quando considerada em termos assimétricos, impõe o mesmo tipo de requisitos de controlo do panorama, de comando e controlo e de disposição de meios. Apenas (o que não é pouco!) acrescenta novos desafios ao nível das reacções e do emprego de armas.

Já no que respeita à ameaça submarina, houve, efectivamente, um decrescer tácito da sua relevância. Não porque não se continue a considerar aquela como a ameaça mais letal (muitos países ocidentais, nos quais nos incluímos, mantêm a sua capacidade submarina como único e verdadeiro instrumento de dissuasão). Tal acontece porque, apesar do grande número de regimes potencialmente antagónicos que dispõem de submarinos, não têm ocorrido situações que nos despertem para aquela realidade.
 

Mas seremos tanto mais vulneráveis a acções perpetradas por submarinos, quanto menos aptos estivermos para reconhecer e para contrariar tais ameaças. Assim sendo, e para responder à segunda questão, julgo que concordará comigo quando digo que a necessidade de treinarmos as tradicionais disciplinas da guerra no mar se mantém hoje tão válida como outrora.
 
 

Por outro lado, esse treino visa, tão só e apenas, a sobrevivência das nossas forças. A verdadeira mais-valia do emprego de forças navais está relacionada com o que estas podem oferecer em defesa dos valores, princípios e interesses que já mencionei. Para a Marinha isso significa, por exemplo, ser capaz de prestar auxílio a populações sinistradas; de conseguir resgatar cidadãos de locais de instabilidade ou de conflito; de garantir a livre circulação de pessoas e de bens através da protecção da navegação mercante, das linhas de navegação marítimas, dos portos e dos respectivos acessos; de fiscalizar e impedir o tráfego marítimo de produtos proibidos; de controlar os movimentos ilegais de bens e de pessoas através do mar.

Aí tem o leitor o “como defender”!

Falta-nos agora colocar tudo o que atrás se disse em perspectiva e dar-lhe um sentido prático, no que aos exercícios diz respeito. Para isso falemos então do INSTREX 0109 (até que enfim, dirá!).
 

O INSTREX 0109

Embora se tenha desenvolvido sob a forma de um seriado, o INSTREX 0109 sustentou-se num cenário que enformou as acções dentro de uma tónica que se pretendeu realista, permitindo assim promover o seu sentido de utilidade. Se quisermos fazer agora espelhar os passos seguidos nas considerações teóricas no desenho do exercício – para o que convido o leitor a ir regressando aos sublinhados nos parágrafos anteriores –, podemos ir ordenando os respectivos requisitos com os objectivos do CTG:

a. (O que defender) Em termos de cenário, a situação criada apelava à intervenção da comunidade internacional para apoiar um governo legítimo (num país fictício), cuja autoridade era desafiada por uma conjuntura de instabilidade interna e pela ausência de controlo sobre actividades ilícitas ao largo da respectiva costa (as quais incluíam actos de pirataria no mar).

No plano dos interesses e dos valores é possível revermos aqui algumas das considerações feitas anteriormente, as quais, como na altura procurei explicar, se inserem numa lógica de defesa e de segurança que pode justificar uma intervenção. Repare também, na referência à “comunidade internacional” como forma de legitimar esta acção.

Ou seja: o desenho do cenário tem em conta todo o enquadramento a que se aludiu, inserindo-se numa lógica bastante bem definida.  

Qual o objectivo de treino do CTG que se enquadra neste ponto?

Ao agirmos em defesa de valores internacionalmente (universalmente?) reconhecidos, teremos de assumir uma postura, e de transmitir uma mensagem, que se deve alinhar com a noção de “força para o bem”. O CTG definiu assim que as acções teriam de atender à necessidade de baixar o ambiente de conflituosidade, para o que foi implementado, não só um perfil restritivo de Regras de Empenhamento (ROE – que determinam o grau de utilização da força), como foi determinado um indicador de vontade política (PPI) que visava o decréscimo da tensão.
 


 Pretendeu-se, sobretudo, testar a conduta e o comando e controlo ao nível intermédio, designadamente no que toca à gestão das ROE e, em consequência, ao uso da força. A novidade relativamente a outros exercícios é a condução das operações sob o referido indicador (PPI - X), aspecto que em ocasiões anteriores se tem jogado no plano da “manutenção do status quo” (PPI – Y), opção que se pode entender como mais permissiva.
 

Repare no encadeamento: “acção em defesa de valores universais” – “força para o bem” – “restrições ao uso da força”. b. (Onde defender) O cenário aludia a uma situação “fora-de-área”, para cuja resolução Portugal entendeu contribuir através do empenhamento de uma Força Naval (PO TG). A ser verdadeira, tal eventualidade materializaria uma necessidade de projecção de força, o que é um requisito coerente com o enquadramento teórico que se estabeleceu.
 
 

Dentro deste âmbito foram objectivos do CTG testar o aprontamento da força, bem como a capacidade de sustentação, na ausência de suporte logístico no teatro de operações.

c. (Como defender) As questões relacionadas com a capacidade ASW, ASUW e AAW, sobre cuja lógica me pronunciei, foram objecto de séries dedicadas em que se recorreu ao apoio de aeronaves da FAP, bem como a outras unidades navais de superfície (LFR) e submarinas para agirem como forças oponentes (OPFOR).

Recordando que num passado recente se testou a acção de uma força naval numa situação de apoio humanitário (matéria objecto de um artigo recente na RA), e que os exercícios da série LUSÍADA e SWORDFISH envolvem, invariavelmente, tarefas de resgate de cidadãos não combatentes (NEO), o INSTREX foi pensado para exercitar a POTG em missões de apoio marítimo (tradução livre de Maritime Support Operations – MSO), que envolviam a protecção e a escolta de navios mercantes (abrangendo o combate à pirataria e defensive boarding), e de interdição marítima (MIO – Maritime Interdiction Operations) para incluir acções identificação, seguimento e abordagem (boarding) de contactos de interesse. Note, que todas estas missões foram já identificadas no nosso processo de construção teórico, e que, dado o treino que tem sido feito noutras vertentes, houve a preocupação de privilegiar um determinado conjunto de operações, para garantir que, ao longo do ano operacional, o processo de preparação da PO TG se desenrola de forma equilibrada.

d. Impõe-se, por fim, identificar e planear o modo como iremos empenhar as forças e os meios (aspecto mais detalhado do “como defender”). Para o fazer, é importante saber primeiro que forças e meios estão disponíveis e, de seguida, desenvolver um conceito para o seu emprego.

No caso vigente, a POTG era constituída por uma fragata da classe “Vasco da Gama” (o NRP “Corte Real”) e por três corvetas (NRP’s “João Roby”, “Baptista de Andrade” e “António Enes”). A Standing NATO Maritime Group 1 (SNMG1), força naval permanente da NATO comandada pelo CALM Pereira da Cunha e constituída pelo NRP “Álvares Cabral” e pelas fragatas FGS “EMDEN” e USS “KLAKRING”, participou a convite da Marinha Portuguesa. O NRP “Bérrio”, que se encontrava no mar em treino assistido, integrou a TG portuguesa apenas durante parte do exercício.

Dado o desnível de capacidades entre os navios da esquadra, defini, logo numa fase muito precoce do meu comando como COMPOTG, que o emprego da força deverá respeitar um princípio de acção segundo diferentes camadas (do inglês, layered): posto de forma simples, as unidades combatentes (FFGH) garantem a protecção (AWW e ASW), constroem um panorama em profundidade e difundem a informação; as unidades com menor valor militar (FS), processam os dados para apoiar o respectivo comandante no processo de decisão que conduz à intercepção, abordagem, escolta, e protecção da navegação num espaço interior.

Se para as FFGH este conceito é relativamente linear, havendo apenas que considerar que estão a operar com navios que não dispõem de sistemas automáticos de tratamento de dados tácticos (Tactical Data System - TDS), já para as FS pede-se que:

- saibam operar em força e conheçam as regras básicas de defesa própria, para o que integraram as séries tácticas, onde tiveram a oportunidade de praticar manobras anti-torpédicas, e de se familiarizar e executar procedimentos de defesa anti-míssil e anti-FBA (aeronaves portadoras de bombas). Como todas estas manobras exigem grande à-vontade e são feitas com os navios em proximidade, foram também conduzidos exercícios de manobras e evoluções que visam desenvolver as perícias dos oficiais de quarto à ponte.

- construam e mantenham um panorama de superfície ao nível táctico, para o que se procuraram explorar os novos sistemas de que os navios dispõem, como o C2PC;

- garantam, a defesa própria contra ameaças assimétricas, para o que se realizaram séries específicas e se testaram diferentes soluções ao nível da organização interna dos navios;  

- mantenham o controlo próximo da situação de superfície, processo para o qual pode contribuir a integração de novos equipamentos, como é o caso da utilização da câmara óptica / infra-vermelhos (IR) nas tarefas de vigilância.

Todas estas necessidades configuraram igual número de objectivos de treino. Para responder às dúvidas do leitor, repare que se garantirmos a proficiência dos navios nestes campos, e entendermos como isso pode resultar em benefício do conceito de emprego atrás enunciado, então compreenderemos a utilidade das FS no contexto mais alargado das operações militares.
 

Durante o período de mar, e como é também hábito nestas ocasiões, foi possível acolher a visita de um distinto grupo de convidados civis, na circunstância, juízes pertencentes à estrutura superior do Tribunal de Contas, delegação liderada pelo Juiz Conselheiro João Ferreira Dias que foram acompanhados na sua deslocação a bordo pelo CMG AN Silva Duarte (DAR). Além da normal demonstração naval, o CTG, CMG Sousa Pereira, fez uma pequena apresentação que focava a utilidade prática das opções e da forma de emprego dos meios navais, realçando vertentes como a transparência e o custo-eficácia, muito em linha com o teor que também pretendi imprimir ao presente artigo.
 

O relacionamento entre a força portuguesa e a força da NATO, teve como principal objectivo testar as modalidades de comando cooperativo, em particular o conceito de “comando apoiante” / “comando apoiado”. Existindo duas forças, foi possível configurar um empenhamento num contexto multinacional, permitindo exercitar a doutrina e os procedimentos, testar a interoperabilidade e treinar a integração.  

O papel da SNMG1 inseriu-se ainda no conceito de emprego atrás definido, constituindo aquela força o designado “grupo de protecção”. Ainda naquele contexto, programaram-se exercícios de integração das diferentes unidades – aéreas, submarinas e de superfície –, visando a construção de um panorama em profundidade numa mesma rede RMP, e testar a consistência do fluxo e da qualidade da informação, desde a detecção inicial – pelo MPA / SSK – até ao “utilizador final” – navios que faziam as intercepções e as abordagens (FS).

Em suma, desenhámos o exercício para enquadrar a missão da POTG num contexto de legitimidade internacional, de projecção de força no âmbito multinacional e respeitando um conceito de emprego definido pelo CTG. As séries visaram o desenvolvimento das perícias necessárias à utilização das unidades segundo aquele mesmo conceito. Repare, que tudo se desenvolve ao longo de uma linha de pensamento e de planeamento consequentes.

Uma palavra de realce para a presença do reabastecedor de esquadra, o NRP “Bérrio”, que veio permitir recuperar uma capacidade, e dar um treino (RAS) de que a esquadra estava bastante necessitada.

Por último, saiba o leitor que o exercício INSTREX 0109 se realizou entre os passados dias 9 e 13 de Fevereiro, tendo envolvido cerca de 1000 militares, contabilizando apenas os efectivos embarcados.

Luís Sousa Pereira

CMG

COMPOTG

http://www.marinha.pt/revista/index.asp ... fault.html
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

(sem assunto)
« Responder #10 em: Abril 11, 2009, 08:26:32 pm »
Caro Filipe de Chantal, li tb com bastante atenção os seus argumentos em relação á sua preferência pelas Absalom, em detrimento do NAVPOL, mas não posso concordar, pois defendo que a a nossa Marinha necessita forçosamente de um navio LPD ou LHD, não se esqueça que temos um triângulo de interesse estratégico fundamental no Atlântico e episódios como o da Guiné poderão repetir-se e necessáriamente uma força musculada a nível de batalhão terá outras valências e uma outra capacidade de sustentação, e como disse anteriormente noutro tópico, as Absalon pecam por defeito, por não serem nem uma coisa nem outra, um LPD dotará indiscutivelmente de uma real capacidade de projecção de força combinada, é vergonhoso para nós portugueses no presente, aceitarmos transporte "BOLEIA" em exercícios combinados,  com marinhas estrangeiras pela falta de meios próprios.

Citar
Abro aqui um parêntesis para reiterar que, sendo politicamente de esquerda, estou 100% de acordo com a compra dos submarinos, arma essencial de dissuasão para uma pequena potência...
E Portugal merece ter uma Marinha de Guerra, quiçá reduzida e compacta, mas de primeiro plano, já pela nossa História, já pela nossa realidade estratégica no Atlântico.


Congratulo-me e admira-me, o facto de ter esta opinião, é deveras importante sendo politicamente de esquerda, ter essa consciência e de uma forma clara e objectiva, a poder a expressar.


Quanto ao artigo na Revista da Armada, sendo interessante, não sejamos ingénuos de uma vez por todas, hoje no presente, uma realidade, como vulgo "combates assimétricos" será para este tipo de combates, que por exemplo o nosso vizinho constroi um BPE?????  Deixo a vossa consideração....

Cumprimentos,
POR CRISTO, POR PORTUGAL
 

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Charlie Jaguar

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« Responder #11 em: Abril 11, 2009, 08:58:54 pm »
Citação de: "Moisés Magalhães"
Caro Filipe de Chantal, li tb com bastante atenção os seus argumentos em relação á sua preferência pelas Absalom, em detrimento do NAVPOL, mas não posso concordar, pois defendo que a a nossa Marinha necessita forçosamente de um navio LPD ou LHD, não se esqueça que temos um triângulo de interesse estratégico fundamental no Atlântico e episódios como o da Guiné poderão repetir-se e necessáriamente uma força musculada a nível de batalhão terá outras valências e uma outra capacidade de sustentação, e como disse anteriormente noutro tópico, as Absalon pecam por defeito, por não serem nem uma coisa nem outra, um LPD dotará indiscutivelmente de uma real capacidade de projecção de força combinada, é vergonhoso para nós portugueses no presente, aceitarmos transporte "BOLEIA" em exercícios combinados,  com marinhas estrangeiras pela falta de meios próprios.
´

Concordo em género, número e grau.  :wink:
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

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Vicente de Lisboa

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« Responder #12 em: Abril 11, 2009, 09:30:27 pm »
Citação de: "Charlie Jaguar"
Não seja por isso, caro amigo Moisés, eu também sou politicamente de Esquerda, mas nem por isso concebo um Estado Português sem Forças Armadas nem me passa pela ideia abandonarmos a Aliança Atlântica. Sou um acérrimo defensor dos militares (digam o que disserem sempre fomos um povo guerreiro, algo que é até exemplificado no nosso hino nacional) e ainda me aborreço quando recordo uma linha de pensamento que circulou há alguns anos atrás (felizmente por pouco tempo) que defendia que Portugal deveria deixar de ter Forças Armadas e passar a possuir somente forças paramilitares. Por isso não somos casos raros.  :wink:

Citação de: "Moisés Magalhães"
será para este tipo de combates, que por exemplo o nosso vizinho constroi um BPE?????

Sem ofensa aos amigos Espanhois, parece-me que é para pouco mais que comparar pilinhas com os países "Grandes" da Europa, grupo a que a Espanha agora decidiu que pertence.
 

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Miguel

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« Responder #13 em: Abril 11, 2009, 09:36:36 pm »
Como podem ser de Esquerda?

A esquerda que mente e que destroi e continua a destruir Portugal?

Eu sou conservador nacionalista  :lol:
 

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Charlie Jaguar

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« Responder #14 em: Abril 11, 2009, 09:59:47 pm »
Tu és emigranto-fascista, algo que o pessoal cá do burgo encontra bastante quando vai lá fora. Sabes, aquelas pessoas que dizem "25 do A" e não "25 de Abril".  :roll:

Peço desculpa pelo off-topic.
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

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