Coreia do Norte

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HSMW

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Re: Coreia do Norte
« Responder #75 em: Dezembro 05, 2011, 02:16:15 am »
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Re: Coreia do Norte
« Responder #76 em: Dezembro 19, 2011, 12:43:44 pm »
Morre o ditador Kim Jong-il, da Coreia do Norte


PYONGYANG e SEUL - A TV estatal da Coreia do Norte informou nesta segunda-feira que o governante do país, Kim Jong-il, morreu no último sábado, às 8h30m (horário local, 21h30m de sexta-feira pelo horário de Brasília). O ditador, de 69 anos, enfrentava sérios problemas de saúde e já tinha sofrido um derrame, em 2008. Segundo fontes, ele estava em estado de apoplexia há alguns meses. De acordo com um despacho norte-coreano publicado pela agência sul-coreana Yonhap, Kim morreu por causa de "fadiga mental e física" e teve um ataque cardíaco durante uma viagem.

O anúncio da morte do ditador, que governou o país com mão de ferro por 17 anos, foi transmitido pela TV estatal com um pronunciamento emocionado de uma apresentadora vestida de preto: "Nosso grande líder morreu".

O ditador morto sábado - que recebeu o comando da Coreia do Norte de seu pai - já havia escolhido o mais novo de seus três filhos, Kim Jong-un, para sucedê-lo. A TV estatal anunciou oficialmente: "Kim Jong-un é o grande sucessor e líder do partido (dos Trabalhadores), das Forças Armadas e do povo"

Mas há desconfianças sobre o futuro político do país comunista, que há anos vive uma séria crise econômica e fortes tensões com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, países que Kim Jong-il já ameaçou atacar.

Reações tensas nos vizinhos e nos mercados

As forças armadas sul-coreanas entraram em alerta e a bolsa de Seul - país constantemente ameaçado pela Coreia do Norte - teve forte baixa após o anúncio da morte do ditador. Motivo: as incertezes envolvendo o vizinho comunista. O governo sul-coreano convocou uma reunião de emergência.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca informou que está monitorando de perto a situação. O presidente Obama e seu colega sul-coreano, Lee Myung-bak, conversaram por telefone logo após o anúncio da morte do ditador.

No Japão, o primeiro-ministro Yoshihiko teve uma reunião especial de segurança com seu gabinete e disse a seus ministros que se preparassem para qualquer circunstância inesperada, incluindo uma queda acentuada das bolsas ou "questões fronteiriças". Ao mesmo tempo, o governo japonês expressou condolências pela morte do ditador norte-coreano.

"O governo expressa suas condolências após o anúncio repentino da morte inesperada do presidente da Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte, Kim Jong-il. O governo japonês espera que isso não tenha consequências negativas para a paz e a estabilidade na península coreana", disse o comunicado.

Na Austrália, o ministro do Exterior, Kevin Rudd, pediu "calma" aos governos da região para manter a situação controlada perante a "ambiguidade e incerteza" provocadas pela morte do líder norte-coreano.

O governo chinês, país da região que tem as melhores relações com o regime norte-coreano, expressou condolências e disse que continuará buscando com a Coreia do Norte "a establidade regional".

Um líder exótico, mas perigoso

A morte de Kim Jong-il, considerado um líder exótico mas que vinha dando muita dor de cabeça ao ocidente por seu programa nuclear, pode amenizar ou agravar a situação no país comunista, que busca ter armas nucleares e sofre um embargo econômico liderado pelos EUA, enquanto a maior parte de sua população vive na miséria. Há quem acredite que o país poderia enfrentar uma convulsão social após a morte de seu "líder supremo".

A questão da sucessão norte-coreana sempre foi tão sigilosa que só o círculo familiar imediato e confidentes do dirigente tem alguma noção clara da situação. Na Coreia do Sul, por outro lado, especulações sobre a saúde de Kim e sua sucessão sempre foram um assunto recorrente.

O provável sucessor, Jong-un, nasceu no final de 1983 ou começo de 84 e foi educado em Berna, na Suíça. Segundo amigos, era um aluno inteligente e sociável na adolescência. Aprendeu basquete com um israelense e é fã de mangás japoneses e de Arnold Schwarzenegger. Porém, sua juventude sempre foi considerada uma barreira à sua ascensão, numa sociedade que tradicionalmente preza a experiência dos mais velhos. No ano passado, porém, com menos de 30 anos de idade ele foi nomeado general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores.

A mídia diz que o filho mais velho de Kim, Jong-nam, com mais de 40 anos - e que apareceu desleixado e obeso em um filme - sempre esteve fora do páreo. Já o segundo, Jong-chol, seria considerado fraco demais para governar. A agência Yonhap disse que Jang Song-taek, cunhado de Kim e dirigente do partido, atuaria como "tutor" do sucessor Kim Jong-un.

O funeral

Kim Jong-il, o ditador exôtico que morreu sábado, era o filho mais velho de Kim Il-Sung, o fundador da Coreia do Norte comunista e idolatrado no país, numa linha de cunho stalinista. Segundo a propaganda oficial, quando Kim Jong-il nasceu, em 1942, surgiram no céu uma estrela e um arco-íris duplo. Desde então, o monte Paekdu, onde teria nascido, é um lugar sagrado. Na Coreia do Sul e no ocidente, no entanto, a versão é diferente: o ditador que morreu sábado teria nascido num campo de treinamento guerrilheiro russo, a partir de onde seu pai empreendeu a guerra de resistência contra o Japão, até 1945.

Após obter um diploma universitário, em 1964, Kim Jong-il fez carreira dentro do Partido dos Trabalhadores. Já em 1980 foi designado por seu pai o sucessor no comando do país. Porém, só em 1994, após a morte do pai, assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores e o comando de fato das Forças Armadas.

A agência oficial KCNAO informou que o funeral do ditador será em 28 de dezembro, em Pyongyang, com o país comunista de luto até 29 de dezembro. O ditador deverá ser enterrado no Palácio Memorial de Kumsusan, onde também fica o mausoléu de seu pai .

Fonte:Yahoo!
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Re: Coreia do Norte
« Responder #77 em: Dezembro 19, 2011, 02:22:32 pm »
Manutenção do regime de Kim Jong-il será garantida pelos generais, diz Amnistia Internacional


A responsável pela secção China da Amnistia Internacional (AI) em Portugal considera que a morte do líder coreano Kim Jong-il pode não significar grandes mudanças no país porque quem manda é uma elite de generais.

"A evolução é imprevisível porque também não é o filho do 'querido líder' que morreu que vai deter o poder. Ele tem-no formalmente mas, na realidade, há um conjunto de generais que é de facto quem manda no país", disse à Lusa Teresa Nogueira da Amnistia Internacional.

"Não sabemos qual deles [dos generais] é que é preponderante e, portanto, tudo depende do que pensam aqueles que vão efetivamente governar o país: se podem ou não continuar com uma situação em que a população dificilmente sobrevive", acrescentou.

Sublinhando que existem poucos dados sobre a situação interna da Coreia do Norte, até porque a Amnistia Internacional "está impedida de lá entrar", a responsável afirma que não existem direitos políticos nem direitos económicos porque a população morre à fome.

"Muitas vezes as pessoas vão buscar raízes para comer, quando as têm. Há meia dúzia de pessoas afetas ao regime que têm a alimentação assegurada, mas o resto da população não tem", disse.

"Daí a necessidade que a Coreia do Norte tem de abrir, de vez em quando, uns diálogos com a Coreia do Sul para obter alguns alimentos em troca", referiu.

Para Teresa Nogueira, a evolução da situação na Coreia do Norte também vai depender da pressão que a China exercer.

A China "é, de facto, o único amigo que lhes resta e que tem alguma influência sobre eles", afirmou, lembrando que "em Mianmar a China fez pressão para que os generais se abrissem um pouco mais - pelo menos ficticiamente - para que a pressão internacional sobre o regime abrandasse".

No entanto, admitiu, o futuro da Coreia do Norte é "uma incógnita" até porque "a élite de generais que tem poder sobre tudo não está interessada se a população morre à fome ou não".

"Aquilo é um país de escravos em todos os aspetos", sublinhou, referindo ser muito significativo que os poucos norte-coreanos que fogem, o façam para a China.

"Apesar de ser um país muito repressivo, a China representa para os coreanos uma melhoria", concluiu.

A morte do líder da Coreia do Norte Kim Jong-il, de 69 anos, foi anunciada hoje de manhã (hora local) pela televisão norte-coreana, que também já avançou o nome do filho mais novo - Kim Jong-Un -- como "grande sucessor".

Lusa
 

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Lusitano89

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Re: Coreia do Norte
« Responder #78 em: Dezembro 19, 2011, 06:47:57 pm »
 

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Re: Coreia do Norte
« Responder #79 em: Dezembro 19, 2011, 07:07:44 pm »
:shock:  Isto é muito estranho...
Estou aqui com uma teoria mas sem tempo para estar a desenvolve-la.
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Snowmeow

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Re: Coreia do Norte
« Responder #80 em: Dezembro 19, 2011, 08:07:19 pm »
Lavagem cerebral, só pode. :shock:
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Jorge Pereira

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Re: Coreia do Norte
« Responder #81 em: Dezembro 19, 2011, 09:09:41 pm »
O que não faz uma fantástica (miserável e assassina) máquina propagandista e isolacionista:

 :arrow:    http://www.youtube.com/watch?feature=pl ... csNr9UJeVY
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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papatango

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Re: Coreia do Norte
« Responder #82 em: Dezembro 19, 2011, 09:24:52 pm »
Os regimes socialistas têm estas características.
Os estalinistas, onde se aplica o culto da personalidade são piores.

Depois há a tradicional devoção ao chefe, típica das sociedades da região, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Japão.

Acho no entanto, que a maioria desta choradeira é absolutamente nada mais que teatro.
São carpideiras, que receberam ordens para chorar para a televisão, para depois as imagens serem transmitidas para todo o país.

Com um clima de comoção montado, quem não chorar é acusado de ser um traidor capitalista ao serviço dos cães fascistas americanos.

Pode parecer ridiculo, mas todo o edificio das gloriosas ditaduras comunistas se baseia neste espetáculo decadente.
 

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Duarte

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Re: Coreia do Norte
« Responder #83 em: Dezembro 19, 2011, 10:54:20 pm »
Os dinosauros do PCP enviam condolências ao povo da Coreia do Norte...  :shock:

http://www.publico.pt/Mundo/pcp-express ... o--1525682
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«Os chamados partidos políticos, por definição e exigências da sua vida própria, não representam nem podem servir a unidade nacional» Salazar
 

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papatango

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Re: Coreia do Norte
« Responder #84 em: Dezembro 19, 2011, 11:53:17 pm »
O PCP surpreende-me. (ou não)

Quando pensava que tinham tocado no chão, ainda conseguem meter a cabeça na m###a.
É preciso ser muito canalha, muito vendido, muito corrupto, para criticar o malvado imperialismo americano e tácitamente defender a mais repugnante e criminosa das ditaduras comunistas da atualidade.

Mas para um partido, que aceitou na festa do Avante os terroristas narco-mafiosos das FARC, provavelmente nada é de estranhar.

O comunista Bernardino Soares disse que tinha duvidas que a Coreia do Norte não fosse uma democracia.
Isto mostra o conceito que esta gente tem de Democracia.
Um porco nojento, que sucedeu ao pai numa sucessão monarquica e que deixa o trono ao filho também por sucessão hereditária é um democrata no conceito dos comunistas portugueses.

Estão no campeonato do ridículo, uma semana a seguir à saída da FER do Bloco de Esquerda, depois de ter proposto a criação de brigadas revolucionárias portuguesas para irem combater o malvado imperialismo americano no Afeganistão.
 

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Snowmeow

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Re: Coreia do Norte
« Responder #85 em: Dezembro 20, 2011, 12:13:49 am »
Citação de: "papatango"
O PCP surpreende-me. (ou não)

O comunista Bernardino Soares disse que tinha duvidas que a Coreia do Norte não fosse uma democracia.
Isto mostra o conceito que esta gente tem de Democracia.
Um porco nojento, que sucedeu ao pai numa sucessão monarquica e que deixa o trono ao filho também por sucessão hereditária é um democrata no conceito dos comunistas portugueses.

Estão no campeonato do ridículo, uma semana a seguir à saída da FER do Bloco de Esquerda, depois de ter proposto a criação de brigadas revolucionárias portuguesas para irem combater o malvado imperialismo americano no Afeganistão.
Er... O cara sugeriu isso mesmo? Tá de brincadeira! Nem Hugo Chávez pensaria num absurdo desses!

Sobre a Coreia do Norte, não acho que vá durar muito. Kim Jong-Un é mais puxado para o lado ocidental da Força, e acho que vai ser muita pressão pro coitado, e (espero) as Coreias acabem por se reunificar. Podemos dizer que este é o primeiro dia da transição para o fim do regime comunista na Coreia do Norte (E da própria como nação independente).

Sobre defender ditaduras repugnantes e criminosas, os EUA defenderam várias nas Américas, África e Ásia, e ainda defendem algumas, como a Arábia Saudita, que decapitou mais uma mulher por "bruxaria", recentemente. Claro, se não houvesse petróleo por lá, a coroa já teria caído há décadas.
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Lusitano89

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Re: Coreia do Norte
« Responder #86 em: Dezembro 21, 2011, 04:20:40 pm »
Regime de Pyongyang prepara terreno para posse de Kim Jong-un



A Coreia do Norte reforçou hoje uma campanha para fortalecer o culto à imagem do jovem Kim Jong-un, filho mais novo do falecido Kim Jong-il, e preparar o seu caminho para o poder numa transição que deixa a Coreia do Sul em estado de alerta.

«Respeitado camarada» e «nascido do céu» são alguns dos termos usados pela imprensa norte-coreana para se referir ao jovem Kim Jong-un, principalmente na televisão estatal KCTV, que hoje emitiu novas imagens do jovem durante a sua visita ao velório do pai.

Nestas novas imagens, Jong-un aparece a cumprimentar diplomatas norte-coreanos e outras pessoas que participavam na cerimónia de condolências da morte de Kim Jong-il, cujo corpo permanece no Palácio Memorial de Kumsusan, situado nos arredores de Pyongyang. Kim Jong-un, uma figura praticamente desconhecida até ao ano passado, é o virtual sucessor de Kim Jong-il, que em 1994 assumiu as rédeas da Coreia do Norte após a morte do pai, Kim Il-sung, com muito mais experiência nos círculos políticos e militares que o seu filho mais novo possui actualmente.

Nomeado general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do partido único em 2010, Jong-un emitiu a sua primeira ordem militar na última segunda-feira, poucas horas antes da divulgação da morte do «querido líder».

Na ocasião - segundo a agência sul-coreana Yonhap, Kim Jong-un ordenou que todas as unidades militares interrompessem os treinos e regressassem às bases, num gesto de aparente conteúdo simbólico, o qual poderia mostrar a sua vontade de controlar as Forças Armadas.

O enorme Exército Popular norte-coreano, com mais de um milhão de soldados, é chave na estrutura de poder do país comunista. Na vizinha Coreia do Sul, os analistas especulam que o fato de Jong-un pertencer à dinastia não seria suficiente para obter um apoio duradouro da veterana chefia militar.

Relatórios dos serviços sul-coreanos de Inteligência, divulgados hoje, apontam que uma comissão do Partido dos Trabalhadores poderia responsabilizar-se pelos assuntos mais urgentes do país até que Kim Jong-un assuma o controlo total do país.

No entanto, até ao momento, não há informações que os cargos antes ocupados por Kim Jong-il, como o de secretário-geral do partido único e comandante supremo do Exército, tenham sido definidos.

O Governo da Coreia do Sul - tecnicamente em guerra com o seu vizinho por não ter assinado até hoje um tratado de paz após o conflito de 1950-53 - mantém uma atitude de cautela e expectativa, embora hoje o governo tenha autorizado o envio de condolências ao Norte por parte de cidadãos e organizações privadas.

Lusa
 

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Re: Coreia do Norte
« Responder #87 em: Janeiro 08, 2012, 05:48:54 pm »
Que curto prazo para a Coreia do Norte?
Alexandre Reis Rodrigues
 
 
Já era conhecido há mais de um ano que a Coreia do Norte iria adoptar uma solução de partilha de poder no caso de falecimento de Kim Yong Il ou impossibilidade de continuar a exercer o poder, por doença. Em 25 Julho e em 13 Dezembro de 2010, em artigos publicados neste mesmo sítio (“Os caminhos erráticos da Coreia do Norte” e “O imbróglio coreano”) tive ocasião de relacionar as alterações então decididas por Kim Yong Il na composição do seu círculo mais próximo como preparação do seu processo de sucessão, através da indigitação do seu filho mais novo, Kim Jong Un.

O que então se destacou como mais relevante foram duas nomeações de especial significado político. Primeiro, a nomeação do Vice Marechal Ki Yong Chen, de 73 anos e um ortodoxo do regime, para ministro das Forças Armadas, decisão vinda na sequência de diversas alterações empreendidas na estrutura superior das Forças Armadas, em Fevereiro de 2009. Segundo, a designação de Jang Son-Thaek, cunhado de Kim Yong Il, para vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa, o órgão que supostamente controla o arsenal nuclear e de mísseis mas que, na prática, parece ter servido sobretudo o tipo de controlo pessoal e estilo de governação do ditador.

Jang não ocupa uma das mais elevadas posições na hierarquia do Estado mas é geralmente considerado um dos melhores relacionados e com mais fácil movimentação nos círculos de poder, pelo que lhe é geralmente atribuída uma influência grande. Entre outros motivos porque lidera uma facção pró-China e é certamente uma das personalidades com que Pequim conta para ter garantido que a Coreia do Norte continuará a desempenhar um importante papel na sua estratégia regional.

Há vários aspectos da postura norte-coreana que a China não vai deixar de controlar. Um deles, talvez o mais importante, é manter garantido que continuará a ser uma zona “buffer” em relação a uma Coreia do Sul alinhada estreitamente com os EUA. Outro ponto será manter a Coreia do Norte numa situação de isolamento internacional, o que permite a Pequim exercer uma influência política e económica a que de outra forma não teria acesso. Poderá esta situação alterar-se, no curto prazo, com o decorrer do processo de transição de poder em Pyongyang?

Não é provável. Em primeiro lugar, porque ninguém quer ver surgir uma situação de instabilidade, mesmo os que mais se esforçam por uma mudança do regime. Ora isso seria, certamente, muito difícil de evitar se o isolamento internacional começasse a abrir brechas e a população norte-coreana começasse a aperceber-se do atraso em que tem sido mantida sob o mais feroz regime ditatorial. Obviamente, todos conhecem esta realidade mas, melhor do que ninguém, são os dirigentes coreanos da velha guarda que não vão permitir qualquer passo que a comprometa. É a sua própria sobrevivência que ficaria ameaçada.

Até que ponto esta preocupação poderá ter influenciado a aceitação interna da solução imposta por Kim Yong Il é assunto que tem sido matéria de debate entre os especialistas. Conhecendo-se o peso que a mais elevada hierarquia militar tem na sobrevivência do regime e a importância e respeito que a sociedade norte-coreana atribui à idade é surpreendente como a geração dos mais velhos, próxima do poder, aceitou, aparentemente sem sobressalto, a liderança de um jovem de 27 anos sem qualquer experiência política. Só uma forte consciência dos riscos de abrir um processo de competição pelo poder, em que todos acabariam por perder, pelo menos no prazo imediato, pode ter levado à aceitação de tão insólita situação, como única alternativa à implosão do regime.

O que se passará a seguir só pode ser, quando muito, matéria de especulação. Uma comparação das circunstâncias que envolvem Kim Yong Un com as que rodearam o processo de transição por que passou o seu pai poderia ajudar, mas como são bastante diferentes, as possibilidades de chegar a uma conclusão credível são remotas. Kim Jong Il beneficiou de um longo processo que começou na década de 70 com oportunidades de experiência em vários lugares do Governo e a vice-presidência da Comissão Nacional de Defesa em 1980. Mesmo assim, só consolidou o poder herdado de seu pai em 1994, no final da década de 90.

Kim Young Un só foi apontado como sucessor há um ano e não teve qualquer experiência de envolvimento nos mecanismos de poder. Está nas mãos dos que constituíam o círculo próximo de poder. Como poderá impor-se e em que tempo o conseguirá dependerá do nível e dimensão das dificuldades tradicionais por que costuma passar a população, muito afectada por continuados períodos de fome e de escassez sistemática de recursos energéticos. Se forem tão penosas como no tempo de seu pai, as suas possibilidades serão reduzidas a menos que, no interesse da estabilidade, haja mais ajuda internacional. É o que provavelmente vai acontecer, quer da parte da China, quer da parte dos EUA e Coreia do Sul, porque a alternativa de optar por sanções e pelo isolamento do País, pelo que nos diz o passado, só serviu para reunir as elites do país para se unirem à volta do líder.
 
Jornal Defesa
 

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Lusitano89

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Re: Coreia do Norte
« Responder #88 em: Janeiro 10, 2012, 06:49:05 pm »
China quer consolidar poder de Kim na Coreia do Norte


A China, que antecipou amplamente a morte de Kim Jong-Il e a transição na Coreia do Norte, vai fazer de tudo para consolidar o poder do jovem herdeiro na liderança do país aliado, imprevisível e possuidor da arma nuclear. A morte, a 17 de Dezembro, do «querido líder» não apanhou a China de surpresa, como prova a rapidez com que o governo chinês expressou «profundas condolências» e reconheceu Kim Jong-un, ao mesmo tempo em que reafirmou a sua preocupação com a estabilidade na Coreia do Norte.

«Os chineses preparavam-se (para a morte de Kim Jong-Il) junto com os norte-coreanos», comentou Scott Bruce, da Universidade de São Francisco. «As viagens à China de Kim Jong-Il nos últimos três anos parecem ter sido motivadas, em parte, pelos preparativos da sucessão».

E Kim, vítima de um AVC em 2008, visitou quatro vezes, num período de pouco mais de um ano, até ao Verão de 2011, o grande aliado e primeiro fornecedor de ajuda ao seu país.

O seu filho mais novo encontrou, aparentemente, uma delegação de dirigentes chineses em Pyongyang, no final de 2010. «Esta teria dado as bênçãos de Pequim a uma sucessão favorável a uma terceira geração da família de Kim», disse o analista.

Não há nenhuma dúvida de que a China vá vigiar, minuciosamente, os gestos do novo comando do outro lado da fronteira comum de 1.400 km. Mas Pequim tentará, também, desempenhar um papel de maior relevância, segundo os especialistas que, tal como Scott Bruce, vêem a China «pôr a Coreia do Norte ainda mais sob o seu olhar para garantir que o Estado não desmorone».

Para a China, a estabilidade de seu vizinho é ainda mais crucial neste ano de renovação do comando comunista em Pequim e de crescimento a qualquer preço.

Uma crise na Coreia do Norte significaria "o risco de aparecimento de refugiados e de armas nucleares fora de controle, assim como de caos econômico regional e de mobilização de soldados americanos na península coreana", lembra John Feffer, da direção da Foreign Policy in Focus, em Washington.

Para Valérie Niquet, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, em Paris, o "principal temor" da China é ver desabar um regime que tem uma "importância estratégica considerável" para ela. Sobretudo num momento no qual "a retomada do compromisso regional dos Estados Unidos (na Ásia) e o reforço das alianças regionais em torno de Washington" evoluem "num sentido contrário aos interesses" de Pequim.

A China quer, também, conservar seu papel de "intermediária única" da questão nuclear norte-coreana e das negociações a Seis que ela quer relançar.

Assim, sua prioridade é não apenas "o apaziguamento, como disse aos interlocutores japoneses, americanos e sul-coreanos" após a morte de Kim, mas também, "na medida do possível, o controle do processo de sucessão na Coreia do Norte", considera Valérie Niquet.

"A China fará tudo o que for preciso para ajudar a consolidar o poder de Kim Jong-un", aprova Feffer, principalmente com o argumento do desenvolvimento econômico do país, vítima de escassez e das sanções internacionais.

Durante as visitas a zonas industriais ou a fábricas, Kim Jong-Il aproveitou para observar de perto, na China, as experiências formidavelmente bem-sucedidas de abertura econômica.

A China tentará 'injetar mais recursos e know-how na Coreia do Norte para pôr o país de pé", prevê Feffer.

Em troca, Pequim negociou aí bons acordos sobre a extração de cobre, carbono, além de obter o acesso a portos como o de Rajin (leste) que abre à China, por 10 anos, o mar do Japão.

A duplicação das cifras da balança comercial - que nutriram a corrupção nas elites norte-coreanas - deverá prosseguir.

A China «está pronta para apoiar (Pyongyang) nas reformas para a estabilidade», confirma Jia Qingguo, da Universidade de Pequim.

«Mas, com toda a certeza, o governo chinês está preocupado», disse ele.

«A base do poder de Kim Jong-un não é sólida o suficiente. Isto é o que mais inquieta».

Lusa
 

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Re: Coreia do Norte
« Responder #89 em: Janeiro 12, 2012, 12:25:13 pm »
Irmão de Kim Jong-Un critica a sucessão em Pyongyang


O irmão mais velho de Kim Jong-Un critica a escolha que foi feita para chefiar o país e acredita que o novo líder norte-coreano irá ser instrumentalizado pelas elites militares e do partido.

O jornal japonês Tokyo Shimbun revela, na sua edição de hoje, um mail enviado no passado dia 3 por Kim Jong-Nam, o irmão mais velho do novo líder norte-coreano, no qual critica a sucessão hereditária ocorrida no país e manifesta dúvidas sobre a capacidade do jovem Kim Jong-Un, que terá 28 ou 29 anos, de assumir as suas novas funções.

"É provável que as elites atualmente no poder vão suceder ao meu pai enquanto exibem o seu jovem sucessor como símbolo", afirma Kim Jong-Nam, filho de um primeiro casamento de Kim Jong-Il e que caiu em desgraça em 2000. Até então e durante algum tempo, Kim Jong-Nam chegou a ser encarado como o mais provável herdeiro.

Kim Jong-Nam, de 40 anos, vive atualmente entre Macau e Pequim com a mulher e os seus dois filhos.

DN
 

 

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Última mensagem Maio 09, 2004, 01:22:03 pm
por Luso