Corrupção em Portugal

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ricardonunes

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« Responder #45 em: Fevereiro 04, 2008, 10:26:23 pm »
Citação de: "Lancero"
Citação de: "P44"
PÚBLICO consultou aleatoriamente 1000 processos na Câmara da Guarda
Sócrates assinou durante uma década projectos da autoria de outros técnicos

A obra!


Isso é um atentado urbanístico :evil:
Potius mori quam foedari
 

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Luso

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« Responder #46 em: Fevereiro 04, 2008, 11:38:44 pm »
Alguém tem seguido os comentários do General Garcia Leandro?
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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P44

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« Responder #47 em: Fevereiro 05, 2008, 12:21:15 pm »
Citação de: "Luso"
Alguém tem seguido os comentários do General Garcia Leandro?


muito interessantesssssssssssssssssss :?:  :idea:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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routechecker

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« Responder #48 em: Fevereiro 05, 2008, 12:47:27 pm »
Citar
"O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor. Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.
Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em Diário da República, sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.
Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.
É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio! Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos."
When people speak to you about a preventive war, you tell them to go and fight it. After my experience, I have come to hate war. War settles nothing: Dwight David Eisenhower : 34th president of the United States, 1890-1969
 

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« Responder #49 em: Fevereiro 05, 2008, 08:55:34 pm »
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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« Responder #50 em: Fevereiro 08, 2008, 11:56:23 am »
:roll:

"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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« Responder #51 em: Fevereiro 08, 2008, 05:24:44 pm »
E com uma oposição destas...

O PSD quer lançar uma taxa sobre os sacos de plástico.
O PSD, que não se distingue do Governo na devoção ao "modelo social europeu", no referendo ao Tratado de Lisboa ou no assalto à Caixa Geral de Depósitos, quer distinguir-se do Governo com uma taxa que o Governo abandonou há meses.
Sobre sacos de plástico.
Valha-nos Deus.


http://cachimbodemagritte.blogspot.com/ ... -deus.html
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« Responder #52 em: Fevereiro 09, 2008, 10:35:33 am »
Este menezes é um cómico :mrgreen:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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« Responder #53 em: Fevereiro 09, 2008, 04:51:09 pm »
Citar
Notas à solta

"O Portugal “moderno” é um país em roda livre onde a irresponsabilidade e o expediente resumem toda a ortodoxia democrática.

O país anda numa excitação. Senão, observe-se esta fantástica sequência. Existe um edifício público que reverte a favor de um Casino, mas não existe responsável político pela “transferência da propriedade”. Depois vem o caso de um ministro que terá assinado 300 despachos numa única noite. A seguir surge o Director Nacional da Polícia Judiciária a reconhecer a “precipitação” das autoridades no Caso McCann. Para ajudar à exaltação, um jornal de referência afirma que o primeiro-ministro, na sua condição de “jovem técnico”, terá assinado vários projectos para soberbas “moradias de emigrantes”. De acordo com o mesmo jornal, o primeiro-ministro, enquanto “jovem político”, teria acumulado um pequeno subsídio pela exclusividade à causa pública. Que Portugal é este? É um país translúcido, previsível e pequeno. O Portugal “moderno” é um país em roda livre onde a irresponsabilidade e o expediente resumem toda a ortodoxia democrática.

Há ainda o “caso” do bastonário da Ordem dos Advogados. Em lugar de uma postura institucional, serena e juridicamente responsável, o bastonário resolveu ser simplesmente “cidadão”. Surge então um bastonário de perfil político, indignado face ao poder e revoltado com as injustiças deste mundo. Na visão do bastonário, Portugal é uma imensa conspiração, dominado por “poderes fácticos” e outros “interesses obscuros”. Os advogados elegeram um justiceiro contra os velhos fumos da corrupção. Mas de um bastonário justiceiro, o país só pode exigir a proposta de uma “operação mãos-limpas”. Será que existe coragem, ou tudo se resume aos estados de alma de um cidadão bastonário?

Perante tão admirável agitação, o primeiro-ministro opta pelo expediente da ponderação. Uma ponderação imposta pelo receio eleitoral de um desastre à esquerda. Para todos os efeitos, Sócrates desistiu da política e concentra-se na gestão administrativa de um Governo conformista. A mais recente remodelação implica seis meses de estagnação. Em vez do reforço das reformas e da modernização, a remodelação de Sócrates tem como objectivo anestesiar politicamente o país. Entre ‘dossiers’ e acertos e reacertos de método, o primeiro-ministro pretende ganhar tempo para preparar o embate eleitoral com vista à obtenção de uma nova maioria absoluta. Mas a pausa de Sócrates é a prova de um país disfuncional onde a oposição não se opõe. E sem oposição política, Sócrates transforma Portugal no país do Lego – plástico, colorido, infantil. "

Carlos Marques de Almeida


http://www.carvalhadas-on-line.blogspot.com/
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« Responder #54 em: Fevereiro 11, 2008, 02:57:30 pm »
Mais de 150 operações bancárias de Pinto da Costa sob suspeita de Morgado


11.02.2008, António Arnaldo Mesquita





Mais de 150 operações bancárias em cinco instituições, três das quais tituladas por Pinto da Costa, uma pelo FC Porto e outra por uma empresa do líder dos "dragões", estão a ser investigadas há meses por suspeita de branqueamento de capitais e fraude fiscal. A iniciativa partiu da equipa liderada por Maria José Morgado, após denúncias de Carolina Salgado que deram origem a um inquérito, alegadamente contra desconhecidos, apesar de o alvo ser Pinto da Costa.

Em causa estarão várias transferências de jogadores do FC Porto, e Carolina também terá denunciado um conhecido empresário desportivo. As instituições bancárias que há cerca de cinco meses receberam pedidos de informações foram intimadas a não comunicar a solicitação aos titulares das contas, sob o pretexto de que os autos estavam em segredo de justiça. Pinto da Costa não foi constituído arguido, apesar de já o dever ter sido, como prevê a lei processual penal.

A existência deste inquérito foi conhecida através do despacho de arquivamento de uma queixa que Pinto da Costa deduziu contra Carolina Salgado por denúncia caluniosa e falso testemunho quando prestou declarações na PJ e à equipa coordenada por Maria José Morgado, em Novembro de 2005, e Janeiro de 2006, respectivamente. A magistrada arquivou a queixa de Pinto da Costa porque as denúncias em causa estão a ser investigadas no âmbito de outro prcocesso.
Este é o último episódio envolvendo a Equipa de Coordenação do Processo do Apito Dourado (ECPAD) e Pinto da Costa, que foi acusado de corrupção desportiva em dois inquéritos que tinham sido arquivados e foram reabertos por Morgado com base em declarações de Carolina Salgado. Esta última tem ignorado várias notificações do juiz de instrução que está a apreciar a consistência da acusação da ECPAD no desafio FC Porto-Estrela da Amadora, em que, além de Pinto da Costa, foram acusados elementos da equipa de arbitragem dirigida por Jacinto Paixão e o empresário António Araújo.
Além das denúncias de Carolina, aquela equipa coordenou as investigações de cerca de 56 inquéritos extraídos do processo principal e que foram remetidas para comarcas de vários pontos do país. Estas investigações iniciaram-se com base em escutas, mas também em documentação apreendida. Alguns destes processos ainda não terminaram, como é o caso do relacionado com a valorização no espaço de poucos dias da Quinta do Ambrósio, em Gondomar. Este prédio foi revendido ao Serviço de Transportes Colectivos do Porto e do rol de arguidos constam dois autarcas (Valentim Loueiro e José Luís Oliveira), além de um filho do presidente da câmara, o advogado Laureano Gonçalves, e Manuel Oliveira Marques, que preside à Metro do Porto e que, na altura, liderava a gestão da STCP, quando esta empresa comprou a quinta para ali construir infra-estruturas, o que ainda não ocorreu.
Um dos mais complexos casos investigados, a eventual viciação da classificação de árbitros e observadores, está na fase de instrução no Tribunal Central de Instrução Criminal, que não chegou a começar por ter sido requerido o afastamento do juiz titular daquele tribunal. A Relação de Lisboa rejeitou a pretensão do principal arguido, Pinto de Sousa. O acórdão foi proferido há muitas semanas, mas a decisão ainda não chegou ao tribunal da Boa Hora e a instrução está paralisada.

http://jornal.publico.clix.pt/default.a ... 3D12691484
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« Responder #55 em: Fevereiro 14, 2008, 01:27:23 pm »
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« Responder #56 em: Fevereiro 15, 2008, 08:44:51 am »
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"Do ponto de vista moral não tive dúvidas em aceitar o convite para trabalhar na Lusoponte".
Ferreira do Amaral, Diário Económico 06-02-2008



" A linguagem política é elaborada para fazer mentiras soarem verdade e o assassínio uma coisa respeitável, e dar ao vento uma aparência de solidez".
George Orwell

posted by Arioplano at 12:32 PM


www.arioplano.com
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« Responder #57 em: Fevereiro 22, 2008, 07:03:46 pm »
Esta tem piada...
Gostava de ver os comentários do Roque e da Amiga...

Pareceres a esmo; dinheiro a rodos

Sobre os pareceres solicitados pela Câmara Municipal de Lisboa, de António Costa, aos três jurisconsultos mediáticos- Jorge Miranda, Marcelo Rebelo de Sousa e Vital Moreira-andei a pensar durante a tarde o que poderia escrever agora.

Afinal, está tudo escrito, já. E por autoridades na matéria: precisamente aqui, num local insuspeito, subscrito por um advogado- Carlos Antunes- de uma sociedade de advogados-a Simmons & Simmons Rebelo de Sousa ( soa uma campainha, não soa?).


Então fica aqui, integralmente, o retrato da nossa miséria. Que é moral, intelectual, de carácter, de qualidade e de competência. Somos um país de opereta, que elegemos perfeitos diletantes que não pescam um boi daquilo que supostamente deveriam perceber.


Só uma indicação: o site da CML, não tem indicação precisa do número de assessores, juristas, e entendidos nestas matérias. Porventura, são às dezenas; porventura custam milhares. Ainda assim, a parecerística de encomenda, tem futuro assegurado, nesta delapidação de recursos públicos, a cargo de diletantes que usam e abusam da paciência do povo que os elege, com base em promessas. Torna-se claro que esta história dos pareceres encomendados às luminárias do costume, é um escândalo. A. Costa, segue, aliás, a rotina inaugurada pelo governo a que pertenceu: não se sabe o que fazer? Pede-se um ( vários, melhor dizendo) parecer. Pago a peso de ouro, aos do costume. É portanto, um escândalo, que nunca veremos denunciado em qualquer causa nossa. Et pour cause...

Fique porém, uma certeza: esta gente ganha balúrdios, com estas brincadeiras de diletantes. E quem paga é o contribuinte. Todos nós. E outra dúvida ainda: até quando, continuará esta debanda de valores, esta tripa-forra, à custa de todos e em proveito de alguns, muito poucos?


O mercado dos pareceres e dos estudos e a corrupção


No Orçamento de Estado para 2008, se a regra ao nível da despesa com o pessoal é de alguma contenção, já o montante previsto para a prestação de serviços de consultadoria provenientes do exterior dispara, revelando uma subida surpreendente.

Efectivamente, para o ano de 2008, no subsector Estado e nos serviços e fundos autónomos o governo decidiu reservar 190,3 milhões de euros para a rubrica «estudos, pareceres, projectos e consultadoria» ou «outros trabalhos especializados», valor que representa um acréscimo face ao orçamentado em 2007 de 63,5%, aumento que se eleva para 76,1% se nos ativermos apenas aos serviços sem autonomia financeira.

A este propósito, será conveniente relembrar a recente notícia de que o governo remeteu nada menos do que cinco (!) pareceres subscritos por professores de Direito Económico/ Fiscal ao Tribunal Constitucional, que tinha sido chamado a pronunciar-se sobre a constitucionalidade da Lei de Finanças Locais, aprovada pelo Parlamento e que o presidente da República; submeteu à apreciação do Tribunal Constitucional antes da sua promulgação, vindo posteriormente a saber-se que cada um desses pareceres custou 30.000,00 euros ao erário público (isto é, aos cidadãos contribuintes), sendo que numa das últimas edições da revista «Visão» esta realçava quão profícua é a actividade dos pareceres jurídicos, cuja remuneração unitária se situa entre 10.000 e os 75.000 euros, ao ponto de um ilustre fiscalista (Saldanha Sanches) ser acusado de que o seu chumbo nas provas para professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa se devia ao interesse de alguns membros do júri de, por essa via, tentarem impedir o seu acesso ao «mercado dos pareceres».

Afinal, o que são e para que servem os pareceres e os estudos?

A localização do novo aeroporto serve de exemplo perfeito para ilustrar a irrelevância dos mesmos – discute-se a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária há mais de 30 anos, mas é nas vésperas da «decisão política» que os estudos de universitários e técnicos, antes calados vá-se lá saber por quê, encontraram novo fôlego e dinheiro para, num par de meses, descobrirem e aparecerem a defender milagrosas soluções que em mais de três décadas nunca ninguém descortinou. O que nos ensinaram estes novos estudos sobre a localização do novo aeroporto? Estamos mais bem informados? Claramente que não. Em vez de darem respostas, enchem-nos de dúvidas, tentando em primeiro lugar destruir os outros estudos, impossibilitando que a decisão final seja tomada de forma minimamente racional e consensual.

A importância de tais estudos e pareceres resulta, assim, apenas de terem conseguido gerar um «mercado original, não de criação de valor, mas de mera troca de dinheiros públicos» que influencia decisivamente as relações entre governantes e dos autores de tais estudos, funcionando num primeiro momento como defesa das tomadas de decisão dos políticos no exercício de funções governamentais e, por outro, na respectiva derresponsabilização quando as opções se revelem erradas.

Ou seja, a decisão governamental que se tem por eminentemente «política» e não é, por isso mesmo, «neutra» (por alguma razão a legitimidade dos governantes assenta no voto em eleições) passa a subordinar-se a meros critérios de pretensas tecnicidade, imparcialidade e independência.

Sabe-se como tudo isto funciona – o governante, porque tem total liberdade de escolha (não é certamente por acaso que o novo bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, veio defender «a realização de concursos públicos para a contratação pelo Estado de serviços de advocacia» como forma de pôr cobro a «situações de promiscuidade entre o poder político e alguns escritórios de advogados» – entrevista ao «Público» de 09.12.07), começa por comprar a imparcialidade, a independência e a tecnicidade de um ou mais «juristas, economistas ou engenheiros ilustres» (sim, tudo isto, tecnicidade, imparcialidade e independência também estão à venda, como se pode comprovar pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa, CIP, sobre a localização do novo aeroporto, que defende que toda a população de Cascais, de Sintra, de Lisboa e da margem direita do Tejo atravesse o rio para chegar ao aeroporto, ter tido como um dos financiadores a empresa que detém o monopólio das pontes sobre esse rio). Esses «juristas, economistas ou engenheiros ilustres», a troco dos elevados montantes auferidos, predispõem-se a receber os recados daqueles e a estudar e a apresentar a solução formatada à decisão já pré-determinada (paradigmático do que acabo de afirmar é o caso do estudo de sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde, SNS, encomendado pelo actual titular da pasta da Saúde que, entre outras medidas, propôs o fim da ADSE, e cujo presidente da comissão de peritos autora do referido estudo, quando questionado sobre o fim da ADSE trazer para o SNS 1,3 milhões de portugueses, o que deixaria debilitado o sector privado dependente de convenções, e sobre se o SNS teria capacidade para dar resposta ao acréscimo destes utentes, teve a suprema lata de responder «nós não estudamos até ao fim todas as consequências das medidas, nomeadamente das implicações financeiras, que sugerimos»).

Por fim, o último elo da cadeia deste mercado funciona quando os governantes deixam o exercício das respectivas funções, ao encontrarem de imediato emprego nas sociedades de advogados, gabinetes de engenharia e empresas a quem anteriormente adjudicaram tais estudos e pareceres.

Os governantes começam por ser eleitos pelo voto dos cidadãos em eleições suportadas financeiramente por estes, posteriormente os mesmos cidadãos enquanto contribuintes pagam os estudos e pareceres que sustentam a decisão política dos ditos governantes, para finalmente estes, através do «abuso de poder», do «compadrio» e do «tráfico de influências» transferirem, por via desse mercado, dinheiros públicos para a órbita dos privados, sem qualquer poder de escrutínio por parte dos cidadãos-contribuintes.

Se isto não é «corrupção no sentido de subtracção de dinheiros do Estado em favor de privados», então já não sei o que é corrupção.

A questão é que em Portugal não existe um Estado independente do bloco central da governação (PS e PSD) e muito menos dos negócios que o apoiam e sustentam: da banca, da energia e da construção civil às grandes empresas de consultoria e gestão, de engenharia e projectos, e às sociedades de advogados.


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Mister X

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Falando em corrupção e em jogos de bastidores...
« Responder #58 em: Fevereiro 24, 2008, 02:13:42 am »
O general no nosso labirinto
Miguel Sousa Tavares
Crónica Jornal Expresso


O general Garcia Leandro publicou aqui no Expresso, no sábado passado, uma espécie de protopronunciamento militar deveras interessante. Em substância, o general diz que o país está minado pela corrupção e pelo mau governo dos políticos e que só não avança para encabeçar um 'movimento de indignação', conforme muito solicitado, porque vivemos hoje na União Europeia - onde estas aventuras 'venezuelanas' deixaram há muito de ter viabilidade. Mas essa não é, em boa verdade, a única razão que trava o general nas suas generosas intenções, se é que ele não o sabe: a outra razão é porque o país acolheria hoje com uma gargalhada devastadora qualquer ridícula tentativa de pronunciamento militar. Com a extinção do Conselho da Revolução, algures na década de 80, livrámo-nos de vez da tutela militar e já ninguém, nem a novíssima geração, leva a sério um militar que queira salvar a pátria. Aliás, o próprio texto do general Garcia Leandro - confirmando que os textos de justificação dos pronunciamentos militares jamais ficarão para a história da literatura universal - é, em si mesmo, incapaz de arregimentar até um quartel de bombeiros, tão frouxas e tão confusas são as razões aduzidas.

A corrupção é, de facto, um problema - aqui e em muitos outros lugares. Infelizmente, como o general deve saber, entre nós, nem os militares lhe escapam. Temos um alto oficial da Armada, durante anos responsável técnico pelas compras do material de guerra do ramo, preso sob suspeita de corrupção. E, da compra dos aviões A-7 até à dos submarinos, não há razão alguma para acreditar que, se corrupção houve, os militares envolvidos nos negócios não molharam também a mão na massa. No que toca a gastos de dinheiros públicos injustificados, os militares têm muitas contas a prestar ao país. Todavia, o que diz o general Garcia Leandro é aquilo que muitos pensam, e não apenas 'a rua'. O facto de ser general não o torna mais qualificado do que qualquer outro nos seus julgamentos nem lhe dá o direito a querer encabeçar um 'movimento de indignação', seja isso o que for. Restam as causas de indignação, que, essas sim, são reais e poderosas.

Recentemente, também o novo bastonário dos advogados veio agitar as águas turvas do regime denunciando alto e bom som coisas que todos sabemos serem rigorosamente verdadeiras: que há advogados que fazem política no Parlamento e negócios com coisa pública cá fora; que há ex-governantes que saltam do Estado directamente para empresas com que antes negociaram em nome do interesse público; que há uma justiça para ricos e outra para pobres e por isso é que não há um único poderoso atrás das grades, embora não faltem motivos para tal. Caíram todos em cima do dr. Marinho e Pinto, chamando-lhe demagogo, vendedor de feira e acusando-o de denunciar a corrupção sem apresentar 'provas'. Num gesto inédito de insubordinação estatutária, o presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados veio ameaçar o próprio bastonário com um processo disciplinar se não se calasse.

Todos fingiram entender que ele falava da corrupção - um mal universal, que não afecta apenas Portugal. Piedosa mentira. O que o dr. Marinho e Pinto denunciou foi o descarado tráfico de influências entre o político e o económico, o público e o privado, que, essa sim, é uma imagem de marca nossa. Meia dúzia de ministros de qualquer Governo, de empresários privados, de gestores públicos e de poderosos escritórios de advocacia decidem entre si como é que o Estado vai gastar os milhões que gasta em obras públicas, como é que vai pagar os seus fornecimentos, como é que vai privatizar as suas empresas, em que termos vai negociar contratos de concessão, que excepções vai abrir para conceder direitos de construção em zonas de paisagem protegida.

Desde a gestão privada de hospitais públicos à concessão da exploração de pontes, passando pela construção do que quer que seja ou pela compra de armamento militar, não há orçamento que não derrape largamente, não há negócio que não termine com lucros muito além dos previstos para os privados e total impunidade para os gestores públicos que lhes deram causa. Contratar com o Estado português é sinónimo de lucro disparatado e risco nulo. E isso não significa necessariamente que, algures no circuito, tenha havido alguém a deixar-se corromper para que a factura subisse. Esse tipo de corrupção existe, mas a um nível menor, ao nível autárquico, por exemplo. Aqui, do que se trata é da troca de favores e influências entre uma casta que controla os grandes negócios com o Estado. Hoje, A faz um favor a B - entrega-lhe uma empreitada que vale milhões - e amanhã é a vez de B retribuir, contratando A para os seus quadros ou entregando-lhe por sua vez uma empreitada em que ele esteja interessado. E no meio estão C e D, que funcionam como advogados e jurisconsultos de ambos os lados: tão depressa negoceiam em nome do Estado como em nome de clientes privados com o Estado, tão depressa dão pareceres a um como a outro e, não raras vezes, estão dos dois lados simultaneamente, em processos diferentes. Necessidade obrigando, chegam a produzir doutos pareceres de sentido oposto em casos rigorosamente idênticos, em que só mudou o cliente que servem. Não me admira nada que o dr. Marinho e Pinto tenha vindo desinquietar toda esta gente - ainda por cima se não se esquece de denunciar uma justiça que, pela inércia e pelo facilitismo, pactua com aqueles que têm a possibilidade material de fazer arrastar os processos em tribunal até que eles morram de podridão e esquecimento.

O mal causado não consiste apenas no desperdício de dinheiros públicos ou na instalação de uma cultura de impunidade e batota, que desmoraliza o país são. Uma das maiores causas para o atraso endémico de Portugal é esta chamada iniciativa privada que domina os negócios de milhões mas que não sabe sobreviver sem os seus três factores de êxito: salários baixos, "offshores" para tratar do Fisco e negócios garantidos com o Estado. Temo só de pensar que vem aí o TGV e um novo aeroporto, onde um país pobre e economicamente estagnado, um país a quem tantos sacrifícios têm sido pedidos em nome do combate ao défice vai atirar pela janela milhões e milhões em trabalhos extra, comissões a intermediários, honorários de consultadoria externa e de pareceres e todas as demais alcavalas que sempre acompanham cada empreitada pública. Foi assim com o CCB, a Ponte Vasco da Gama, o Túnel do Marquês, o Hospital Amadora-Sintra, o Casino de Lisboa oferecido ao sr. Stanley Ho (edifício incluído!) e tudo o mais, tudo rigorosamente, a que o Estado deitou mãos.

Farto de assistir a este espectáculo decadente e impune, legitimado pelo exemplo que vem de cima, grande parte do país já percebeu que a regra é exigir do Estado privilégios e dinheiro fácil. A outra parte, se não acredita nem deseja militares salvadores, só lhe resta isto: indignar-se e chamar os bois pelos nomes.
 

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Duarte

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« Responder #59 em: Fevereiro 24, 2008, 02:39:03 am »
Corrupção... ?  :!:  

 

:roll:
 

 

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