"A Guerra" - RTP1

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"A Guerra" - RTP1
« em: Outubro 12, 2007, 11:45:48 pm »
Quem não for infoexcluído como eu pode gravar e depois partilhar com os mortais  c34x

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2007-10-12 - 00:00:00

Guerra Colonial: série estreia dia 16
A Guerra como nunca foi contada

A 27 de Abril de 1974, dá-se na Guiné aquela que poderá ter sido a última operação da guerra que se iniciara em Angola 13 anos antes. Os comandantes que lideravam as tropas implicadas não sabiam que na antevéspera se dera em Portugal o golpe militar que iria pôr fim ao conflito.

É por uma conversa entre os responsáveis de ambos os lados que se inicia a série documental ‘A Guerra’, a estrear 3.ª feira, dia 16, às 21h00, na RTP1. Assinado por Joaquim Furtado, o documentário pretende abordar, “de uma forma global” que o seu autor acredita ser inédita, a guerra que conheceu três designações diferentes. É precisamente esta tripla visão que o jornalista pretendeu dar ao público ao introduzir, desde o genérico, os três nomes dados ao conflito que transformou a vida de toda uma geração, a sua geração.

“Os protagonistas desta guerra”, explica à Correio TV, “os militares portugueses e o regime, os guerrilheiros africanos e também os que, não participando directamente, tinham uma opinião contra, chamaram nomes diferentes ao conflito. Os primeiros chamaram-lhe Guerra do Ultramar. Os segundos Guerra de Libertação. Os refractários, os desertores e os que se situavam na oposição deram-lhe o nome de Guerra Colonial”. A série ficou ‘A Guerra’ mas no genérico o título “desdobra-se”, mostrando as três diferentes maneiras de ver um mesmo conflito.

JOAQUIM FURTADO

Joaquim Furtado decidiu articular o longo documentário, cujos primeiros nove episódios vão para o ar nas próximas semanas, em “três grandes pilares”. O primeiro diz respeito às imagens históricas que serão exibidas. São “filmes de arquivo da própria RTP e também das Forças Armadas, da Força Aérea e da Marinha, para além de documentação fornecida pelos próprios entrevistados”. Trata-se, diz, de “um acervo imenso” no qual se incluem imagens nunca vistas e outras que, embora não sejam inéditas, aparecem “talvez pela primeira vez contextualizadas, colocadas no seu devido lugar na História”. O jornalista começou a preparar a série documental em 1999 mas o trabalho sofreu algumas interrupções, a maior das quais durou perto de ano e meio.

O PROGRAMA

Para além dos filmes e imagens fotográficas de época, o programa assenta em centenas de depoimentos de pessoas que o jornalista designa como “protagonistas” do conflito e onde se incluem “os militares portugueses das várias patentes que participaram, quer em Angola, quer em Moçambique, quer na Guiné”, os guerrilheiros africanos, mas também os civis das várias nacionalidades, “pessoas que directa ou indirectamente viveram a guerra”.

A SÉRIE

A série inclui ainda uma terceira vertente, de reportagem, que permite, no entender do seu autor, dar “uma visão mais abrangente” do conflito e do seu contexto histórico e social. Furtado levou antigos militares portugueses a Angola e a Moçambique, promovendo, por vezes mais de quarenta anos depois, encontros entre os dois lados. Foi também feita uma tentativa de reconstituição dos momentos mais significativos, recorrendo a imagens de arquivo e também a gráficos, mapas e ilustrações, para os quais foram utilizadas técnicas informatizadas a três dimensões, num esforço para dar ao telespectador pormenores do “ponto de vista técnico-militar”. Foi ainda possível, graças à tecnologia moderna e a um intenso trabalho de pós-produção vídeo e áudio, recuperar a qualidade de muitas imagens de arquivo, assim como sonorizar filmes, utilizando documentos que estavam incompletos, “parte na RDP (o som) e outra na RTP (a imagem)”, explica o jornalista, que para o efeito visionou “milhares de filmes”, alguns dos quais foram revelados de novo já que o negativo ainda estava intacto.

'UMA VISÃO GLOBAL'

Joaquim Furtado optou por contar a história de forma cronológica em vez de dedicar um certo número de episódios a cada um dos países implicados, já que pretende dar da guerra “uma visão global”. Daí que tenha optado por relatar os eventos ocorridos nos diversos cenários em simultâneo e “mostrar, para além das armas, o universo em que se vivia” tanto em Portugal como em Angola, Moçambique e Guiné, “as vidas” que foram alteradas, e, paralelamente, contextualizar o conflito no plano internacional, mostrando os acontecimentos mais relevantes em Portugal e no resto do Mundo. “Os filmes de arquivo não contêm esta vertente”, afirma. E acredita que “esta história está ainda por contar” já que mesmo as pessoas que estiveram na guerra apenas conheceram o local onde estiveram e “não fazem ideia da realidade que era vivida” noutros pontos do conflito. Por outro lado, em Portugal a maioria da população não tinha acesso à informação.

“A guerra era muito pouco noticiada, a não ser pelas estações oficiais e oficiosas, e as imagens que passavam eram muito bem trabalhadas” pela censura, a fim de deixarem passar apenas a mensagem pretendida pelo regime. Daí que Furtado esteja convencido de que, para a maior parte do público, as imagens que vão ser vistas na série o serão pela primeira vez. Por um lado, foram recuperadas para o programa filmagens em bruto que nunca tinham sido utilizadas nas reportagens e filmes exibidos na época e, por outro, imagens que, não sendo inéditas, “são agora colocadas no seu devido lugar”. O jornalista afirma ter sido possível, com a ajuda das dezenas de testemunhos recolhidos, situar determinadas sequências e perceber que imagens que eram atribuídas a certos acontecimentos pertenciam afinal a outros, ou seja, em vários casos percebeu-se que “aquele filme era outro filme”.

‘A Guerra’ irá, pois, permitir desconstruir alguns mitos que permanecem intactos apesar de terem passado mais de quarenta anos sobre o início do conflito. Joaquim Furtado garante mesmo que a série que agora estreia contém “revelações”.

MOMENTOS MAIS MARCANTES

Num dos momentos mais marcantes, o jornalista tentou levar quatro militares e um padre portugueses a encontrar-se com dois militares angolanos no preciso local onde ambas as partes viveram, em 1961, a “primeira grande operação” em Angola. Trata-se da tomada de Nambuangongo, local onde se pensava estar o quartel-general dos guerrilheiros angolanos da UPA. A denominada ‘Operação Viriato’ foi então levada a cabo “simultaneamente através de três colunas”. Curiosamente, relata Furtado, “a RTP tinha feito a reportagem com uma das colunas, que se acreditava seria a primeira a chegar”. Mas acabou por ser a coluna liderada pelo coronel Massanita a chegar à frente.

O encontro promovido, cerca de quarenta e cinco anos depois, pelo jornalista colocou frente a frente quatro elementos do batalhão comandado pelo “lendário Massanita” com dois dos guerrilheiros angolanos que se encontravam no caminho dos militares portugueses. O encontro teve, contudo, e contrariamente ao previsto, de se realizar a alguns quilómetros de Nambuangongo, já que uma viagem atribulada impediu a equipa de reportagem de alcançar o local. Desde uma enorme tempestade a um veículo atolado em lama, vários foram os obstáculos encontrados na missão. Foi possível, no entanto, ao fim de quase meio século, desmontar mitos que permaneciam nas mentes dos dois lados. “Os portugueses, na época, acreditavam que era preciso cortar a cabeça aos terroristas, ‘entidades’ que caso contrário poderiam renascer”.

Para os protagonistas da ‘Guerra’ foi uma ocasião para celebrar a paz. O jornalista apercebeu-se de que “os africanos em geral reagem muito bem” a estes momentos de catarse, “sem ressentimentos”. Assim como os portugueses, que, afinal de contas, aceitaram viajar com o propósito de se encontrarem com o anterior “inimigo”. Foi precisamente um dos antigos guerrilheiros da UPA que protagonizou um dos episódios que mais tocaram o autor da série documental: “um homem, já muito doente, que disse ‘não vou durar muito mas gostava que nos voltássemos a dar com os Portugueses’.”

O AUTOR: 'NÃO FUI À GUERRA'

PROJECTO COMEÇOU NOS ANOS 80

Joaquim Furtado começou a pensar neste projecto nos anos 80. E quis ser o responsável pela parte da guerra em ‘Crónica do Século’. Mas o programa só foi concretizado quando Furtado estava na direcção da RTP, o que o impediu de participar mais activamente. Voltou ao projecto em 1999 mas interrupções várias para outros trabalhos adiaram a estreia de ‘A Guerra’. Joaquim Furtado, 59 anos, cumpriu o serviço militar em 1969. Curiosamente, o jornalista que agora conta aos portugueses a história da guerra colonial não participou no conflito. Conseguiu que, por motivos de saúde, o passassem “aos serviços auxiliares”, escapando da ida para a Guiné. Na época já trabalhava no Rádio Clube Português, onde fazia o programa ‘Tempo Zip’, herdeiro do lendário ‘Zip-Zip’ da RTP. O programa transitou para a Rádio Renascença e acabou suspenso pela censura. Foi novamente aos microfones do Radio Clube que Furtado protagonizou o momento histórico que pôs fim ao regime ao ler o famoso ‘Comunicado das Forças Armadas’. “Cerca de dez minutos depois da ocupação da estação”, o jornalista percebeu o que estava em jogo. Foi ele quem anunciou aos Portugueses o fim da guerra.

GARANTE O DIRECTOR DE PROGRAMAS: 'É UM DOS DOCUMENTÁRIOS MAIS PODEROSOS'

TEM GRANDE SENTIDO DE MOBILIZAÇÃO

‘A Guerra’, afirma ao CM o director de Programas da RTP, “é um dos documentários mais poderosos que foram produzidos em 50 anos de televisão”. O montante de cada episódio “está em linha com o valor dos nossos documentários” mais caros, garante Nuno Santos. Para o responsável da estação pública, o formato idealizado por Joaquim Furtado “é o resultado de uma investigação muito apurada mas que, simultaneamente, tem todos os ingredientes televisivos. Está bem contada, bem encadeada e, por isso, tem grande sentido de mobilização”.

DEPOIMENTOS: 200 ENTREVISTAS

Das 400 pessoas com quem falou, em Portugal e África, Furtado entrevistou metade.

GRAVAÇÕES: 500 HORAS

O autor passou cerca de cinco meses a visionar imagens de arquivo.

IMAGENS INÉDITAS

O realizador optou por usar o mesmo fundo em todas as entrevistas de modo a obter uma “imagem uniforme”. O fundo é escuro e nele são inseridas imagens de arquivo ou oráculos.
Myriam Zaluar
 


CM
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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ricardonunes

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« Responder #1 em: Outubro 16, 2007, 10:05:34 pm »
Forte, realista, violento, verdadeiro, como nunca tinha visto ainda na tv nacional.

Para amostra (1º episódio), adorei  :!:
Potius mori quam foedari
 

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Johnnie

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« Responder #2 em: Outubro 16, 2007, 10:19:15 pm »
Fantástico, os meus parabéns ao Joaquim Furtado e á RTP  :shock:
«When everything is coming your way... You are in the wrong lane!!!!"
 

A GUERRA
« Responder #3 em: Outubro 17, 2007, 10:57:56 am »
Vamos ver o quanto sumo se obtém depois de todos os episódios espremidos.

Pelo "Prós e Contras" da RTP na Segunda-Feira já se viu  como os militares têm uma visão do passado consoante o meridiano político onde se situem.

Eu andei por  lá....  e conheci o "Mato" e  a cidade na perspectiva do povo e no santuário das altas patentes.

Mas não se iludam... o 25 de Abril nasceu de um desaguisado entre Milicianos e Quadros... o resto são tretas.
Angola - 1975
Ia iniciar-se o êxodo da população branca...
Meia dúzia de homens,  resolveu regressar a Portugal numa pequena traineira...
Após 24 dias "descobriram" Terra Lusa.
Veja
www.narotadediogocao.pt.vu/
 

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zocuni

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RTP
« Responder #4 em: Outubro 17, 2007, 06:02:41 pm »
Tudo bem,

Como não sei essa reportagem passe na RTPi.Procurei algo sobre o tema e achei esta série do Discovery Channel,pareceu-me interessante:

http://br.youtube.com/watch?v=Zuin4adCDjQ

http://br.youtube.com/watch?v=w4f3VXvdgOo

http://br.youtube.com/watch?v=3arimTHrrWg


Abraços,
zocuni

"Este governo não cairá porque não é um edifício,sairá com benzina porque é uma nódoa"Eça de Queirós
 

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comanche

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« Responder #5 em: Outubro 17, 2007, 07:00:30 pm »
Vale sempre a pena ver bons documentários.
 

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JLRC

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« Responder #6 em: Outubro 17, 2007, 08:00:12 pm »
Citação de: "ricardonunes"
Forte, realista, violento, verdadeiro, como nunca tinha visto ainda na tv nacional.

Para amostra (1º episódio), adorei  :!:


Faço minhas as tuas "palavras". Foi fantástico. 5 *
 

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Luso

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« Responder #7 em: Outubro 17, 2007, 11:28:51 pm »
Alguns comentários interessantes, com os quais concordo em grande parte.

http://grandelojadoqueijolimiano.blogsp ... omeou.html

A Guerra começou
Terça-feira, Outubro 16, 2007

Não gostei do primeiro episódio da Guerra. Tecnicamente, ou seja da montagem, não gostei por aí além. E substancialmente, ainda menos. Demasiado palavroso no discurso directo de alguns intervenientes, repetitivo, e principalmente sem acrescentar novidade ao enquadramento político, do ponto de vista do país- do nosso país- na época.
Além disso, as imagens não revelam nada de especial em relação ao que se conhecia. Ocupar tempo com Holden Roberto, a explicar o que poderia bem ser explicado por outros, é apenas um exemplo.
Veremos o que nos reservam os restantes oito episódios, mas o sentimento geral, é de falta de objectividade e com um sentimento difuso de hostilidade em relação ao regime de Salazar.
Ainda não é desta que veremos um documentário com um mínimo de imparcialidade e objectividade histórica.
Mas...de resto, porque haveríamos de esperar tal coisa, neste contexto e com estes autores- jornalistas que passaram estes últimos trinta anos acantonados a ideias tipicamente de esquerda?

Ontem no Prós e Contras, um militar, tenente-coronel aviador, Brandão Ferreira, tipicamente de uma direita que apoiou a guerra do Ultramar, com a justificação do regime e com motivos patrióticos, discutíveis, mas que se devem ouvir, por respeito democrático e de equilíbrio de opiniões, foi manifestamente apupado, por militares presentes, seus colegas.
Este fenómeno denota que ainda não será tempo para se debaterem estes assuntos com serenidade. Duvido que a opinião de alguém como esse militar, seja devidamente ouvida, com o respeito devido, no programa da Guerra de Joaquim Furtado. Veremos.


http://jansenista.blogspot.com/

Cinco estrelas para o documentário sobre a Guerra de África. Comentários enviezados não me afectam, e o que me interessa é ver as imagens da época: impressionantes! Quanto à estafada técnica de recorrer a depoimentos de ex-combatentes, é falaciosa e (em mais de um sentido) patética. Os que combateram mesmo não são em geral os que depõem (questões de «literacia», se é que me faço entender); e os que depõem não falam evidentemente da guerra, falam do tempo em que eram jovens e saudáveis, sempre com uma doçura que recobre e apaga tudo o resto. O verdadeiro «pathos», esse prima pela ausência; e talvez seja melhor, já que não é possível uma pacificação da alma bélica sem esse banho lustral do esquecimento.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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ricardonunes

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« Responder #8 em: Outubro 17, 2007, 11:39:16 pm »
Lógico que estas coisas não podem agradar a gregos e a troianos, mas o srº do "queijo", pelo menos podia-se ter informado do nrº de episódios :wink:
Potius mori quam foedari
 

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papatango

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« Responder #9 em: Outubro 17, 2007, 11:59:59 pm »
Os episodios são nove, pelo menos para já.

No primeiro episódio que vi, nõa vi nada de novo e nada que não soubesse.

Mas o Sr. Furtado, não é evidentemente uma pessoa com a isenção necessária para efectuar um trabalho daquele tipo. Ele próprio afirmou que não fez um trabalho de pesquisa histórica. Aquilo é um trabalho jornalístico e em minha opinião pelo menos para já, relativamente longe do imparcial.

Quem quisesse estar informado, já sabia da barbárie dos massacres que iniciaram o conflito em Angola e já sabia que aquilo tinha sido organizado por um movimento baseado no Zaire.

Todos sabíamos que os americanos boicotaram Portugal

Até ao momento, nada de novo...
 

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ricardonunes

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« Responder #10 em: Outubro 18, 2007, 12:05:29 am »
Citação de: "papatango"
Os episodios são nove, pelo menos para já.


Agora estou baralhado :oops:
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ricardonunes

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« Responder #11 em: Outubro 18, 2007, 12:12:48 am »
Citação de: "papatango"
Mas o Sr. Furtado, não é evidentemente uma pessoa com a isenção necessária para efectuar um trabalho daquele tipo. Ele próprio afirmou que não fez um trabalho de pesquisa histórica. Aquilo é um trabalho jornalístico e em minha opinião pelo menos para já, relativamente longe do imparcial.

Quem quisesse estar informado, já sabia da barbárie dos massacres que iniciaram o conflito em Angola e já sabia que aquilo tinha sido organizado por um movimento baseado no Zaire.

Todos sabíamos que os americanos boicotaram Portugal

Até ao momento, nada de novo...


Para mim não é a questão da novidade, mas sim de se ter feito uma coisa diferente, "inovadora".

Algumas das imagens já tinha visto em livro, agora documentário na tv publica, para mim é o melhor (sobre o tema) que vi até hoje, e só estou a falar do 1º episódio, não sei o que vem por ai.

Mas pergunto, qual a pessoa isenta para fazer algo dete tipo :?:
Potius mori quam foedari
 

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papatango

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« Responder #12 em: Outubro 18, 2007, 12:28:47 am »
Ao que entendi a série tem 9 episódios e está em estudo a possibilidade de se fazerem mais 9.
É daí que deve vir a confusão.

O problema de ninguém ter feito as perguntas terá a ver com o facto de até hoje ninguém ter tido coragem para as fazer em público.

No programa Prós e Contras O Ten.Cor. Brandão Ferreira fez algumas afirmações com explicações do ponto de vista histórico mas estava claramente nervoso e algo atrapalhado e a audiência não era capaz de entender o tipo de argumento em que se baseava a argumentação dele, nem ele - que ao que vejo escreve melhor que o que fala - apresentou os argumentos da forma como eu acho que o deveria ter feito.

Abril abriu portas de Liberdade, que esperemos ninguém jamáis encerre.
Falta no entanto abrir as portas de Lama que Abril ainda não abriu, por vergonha.
 

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Lancero

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« Responder #13 em: Outubro 18, 2007, 01:12:09 pm »
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2007-10-18 - 00:00:00

Opinião
Água de colónia

O documentário, a avaliar pelo primeiro episódio que a RTP exibiu na terça-feira, 16, é trabalho preguiçoso. A começar pelo título – simplesmente, ‘Guerra’. Joaquim Furtado, um dos mais experientes jornalistas de televisão, é da escola da reportagem com mesuras e deferências.

Repórter cortês e amável evitou chamar à série ‘Guerra Colonial’ ou ‘Guerra do Ultramar’ – não fosse ferir susceptibilidades, ofender tendências, acicatar azedumes. Os ingleses, por exemplo, não se acanharam no título da melhor produção televisiva de sempre sobre a perda da Índia: chamaram-lhe, sem rodeios, ‘A Jóia da Coroa’.

Furtado ficou-se pela conveniência de ervanária – que não faz bem nem faz mal. O primeiro episódio, tão amável e extremoso, tão respeitoso e académico, resultou num soporífero de 53 minutos.

O ritmo da narrativa, embalado por monocórdica voz off com frases de literato, longas e pretensiosas, correu ao ritmo de um cágado na vã tentativa de trepar à árvore.

O autor teve tudo para um trabalho de mérito: imagens e som nos arquivos da casa, orçamento e, sobretudo, todo o tempo do mundo. Saiu obra menos do que esforçada – se é verdade que estão ali enterrados oito longos anos de trabalho.

O tema da guerra colonial é para jornalistas, guionistas e realizadores como o melhor lote de fragrâncias mesmo para um humilde mestre de perfumaria. Joaquim Furtado perdeu a oportunidade de fazer um perfume de excelência. Fez uma coisa enfrascada que nem cheira bem nem cheira mal – assim uma espécie de água de colónia.
Manuel Catarino, Chefe de Redacção

 
Fonte


De referir que o 1.º episódio ficou em segundo lugar nas audiências, com média de 1 286 300 espectadores
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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lurker

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« Responder #14 em: Outubro 18, 2007, 08:46:32 pm »
Citação de: "papatango"
Quem quisesse estar informado, já sabia da barbárie dos massacres que iniciaram o conflito em Angola e já sabia que aquilo tinha sido organizado por um movimento baseado no Zaire.

Todos sabíamos que os americanos boicotaram Portugal

Até ao momento, nada de novo...


Só há um problema ai: são relativamente poucas as pessoas que *sabem* isso.
 

 

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