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A guerra com o Iraque foi um "erro estratégico"

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Tiger22

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A guerra com o Iraque foi um "erro estratégico"
« em: Janeiro 14, 2004, 11:01:51 am »
Público 2004/01/14

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A guerra desencadeada pelos Estados Unidos no Iraque não só foi "desnecessária" como resultou de um erro estratégico ao reunir "regimes como o de Saddam Hussein e a Al-Qaeda como se fossem uma única ameaça não diferenciada", afirma um relatório publicado ontem pelo War College do Exército dos Estados Unidos.

Mais: a guerra ao terrorismo, "tal como é actualmente definida e conduzida, é estrategicamente confusa, promete muito mais do que pode cumprir, e ameaça dissipar os recursos militares norte-americanos e outros numa procura sem esperança da segurança absoluta".

As afirmações estão num relatório de mais de 60 páginas no 'site' do War College (www.carlisle.army.mil/ssi/) e foram escritas por Jeffrey Record, um académico respeitado, especialista em segurança, professor na instituição. São devastadoras para a Administração Bush e levaram o Pentágono a reagir quase de imediato para notar que o estudo reflecte apenas as opiniões do autor e não do Exército. É um facto e a ressalva surge na introdução do próprio documento, mas o estudo não deixa de ser um embaraço para os estrategos políticos e militares norte-americanos.

O documento será mais uma arma nas mãos dos adversários democratas de Bush, num momento em que a campanha eleitoral para as presidenciais de Novembro ganha vapor.

O professor Record sublinha que "a natureza e parâmetros" da guerra global ao terrorismo continuam "frustrantemente difusos" e que boa parte da culpa disso reside em que a Administração resolveu transformar adversários diversos (estados, terroristas, armas de destruição maciça, etc.) numa mesma "ameaça monolítica". Ao fazê-lo, "subordinou a clareza estratégica à clareza moral que procura na sua política externa e pode ter colocado os Estados Unidos numa via de conflito aberto e gratuito com estados e entidades não estatais que não constituem uma ameaça grave".

Terá sido este, na opinião dele, o caso da junção do Iraque de Saddam com a Al-Qaeda de Bin Laden: "Um erro estratégico de primeira ordem, porque ignorou diferenças críticas entre os dois em carácter, nível de ameaça e susceptibilidade à dissuasão e acção militar dos EUA".

"A consequência - diz o documento - foi uma guerra preventiva desnecessária contra um Iraque que estava contido e que criou uma nova frente no Médio Oriente para o terrorismo islâmico e desviou atenção e recursos da operação de garantir a segurança do solo americano contra mais ataques de uma Al-Qaeda que não pode ser contida".

Objectivos irreais

Além disso, defende o académico, a maior parte dos objectivos declarados da guerra ao terror, incluindo a transformação do Iraque num estado próspero e a democratização da região, "são irreais e condenam os EUA a uma busca sem esperança da segurança absoluta. Como tal, os objectivos [dessa guerra] também são política, fiscal e militarmente insustentáveis".

O documento não se limita a críticas, também faz propostas para "um reajustamento" que procure atingir "objectivos realistas". Para começar, identificar bem as ameaças, isto é, não misturar estados párias com organizações terroristas, nem colocar estas todas no mesmo saco. Depois, substituir a doutrina de guerra preventiva pela de dissuasão credível e recentrar a guerra ao terror "na Al-Qaeda, nos seus aliados, e na segurança" do solo norte-americano. O conflito no Iraque foi "um desvio", um erro que pode ter expandido a ameaça terrorista ao colocar em pleno solo árabe "um novo e grande alvo americano". Há também que tentar mudar os regimes de estados párias por meios que não sejam bélicos, pois a História mostra que "até os regimes mais hostis podem mudar com o tempo".

Finalmente, os EUA devem estar prontos a aceitar "a estabilidade em vez da democracia no Iraque e uma responsabilidade internacional em vez de norte-americana" naquele país. Ou seja, diminuir as expectativas em relação ao que vai passar-se no Iraque "e por extensão no Médio Oriente".  Laurent Rebours/AP  
 
O documento será mais uma arma nas mãos dos adversários democratas de Bush, num momento em que a campanha eleitoral para as presidenciais de Novembro ganha vapor  


Terá sido?
"you're either with us, or you're with the terrorists."
 
-George W. Bush-
 

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Tiger22

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« Responder #1 em: Fevereiro 06, 2004, 01:28:08 am »
Público 2004/02/05

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O director da CIA, George Tenet, afirmou hoje que os serviços secretos dos EUA nunca disseram que o Iraque representava uma "ameaça iminente". Num discurso de defesa da agência a que preside, Tenet admitiu, no entanto, que os progressos do regime de Saddam Hussein no domínio das armas de destruição maciça podem ter sido sobreestimados.

"Saddam não tinha armas nucleares, mas pretendia ter uma. O Iraque tinha a intenção de reconstituir, a certa altura, o seu programa nuclear", afirmou Tenet durante uma conferência na Universidade de Georgetown, em Washington, numa rara intervenção pública. Contudo, o director da CIA admitiu que os serviços secretos "talvez tenham sobrestimado os progressos que Saddam estava a conseguir".

Tenet disse também acreditar que "Saddam pretendia e tinha capacidade para transformar fábricas civis em unidades de produção de armas químicas".

Numa altura que são cada vez mais os que acusam a Administração Bush de ter usado um argumento falso para justificar a guerra no Iraque, Tenet garantiu que a CIA agiu correctamente e desmentiu que a agência tenha sido pressionada a exagerar a ameaça que o arsenal iraquiano representava. "Nunca ninguém nos disse o que dizer ou como dizer", sublinhou.

Sem nunca se referir à comissão de inquérito criada pelo Presidente George W. Bush para investigar eventuais erros cometidos na recolha de informações sobre o arsenal iraquiano, Tenet alertou para os perigos de uma avaliação precipitada do trabalho da CIA, a qual poderá "enfraquecer" os serviços secretos, colocando "o país em perigo".

O responsável sublinhou que, no que toca aos serviços secretos, "nunca se está completamente enganado nem completamente certo" e "isso aplica-se plenamente às armas de destruição maciça de Saddam Hussein".

"Por definição, os serviços secretos lidam com o obscuro, com o desconhecido, com o que é deliberadamente escondido", afirmou, garantindo que "no que diz respeito à recolha de informações nunca há garantias de sucesso ou resultados perfeitos". "Compreender uma questão difícil como o Iraque requer paciência e atenção", insistiu.

Por essa razão, Tenet disse ser vital continuar as inspecções no Iraque, sustentando que a procura de armas químicas e biológicas requer "tempo e paciência".

Como exemplo do bom trabalho desenvolvido pela CIA nesta matéria, Tenet apresentou o sucesso obtido pela agência norte-americana no caso de disseminação de tecnologia nuclear envolvendo o antigo chefe do programa paquistanês, Abdul Qadeer Khan. Segundo o responsável, os serviços secretos britânicos e americanos descobriram as actividades a que se dedicava Khan, o que lhes permitiu infiltrar-se no esquema montado pelo cientista e, desta forma, denunciá-lo perante o Governo paquistanês e a Agência Internacional de Energia Atómica.

Dez meses após o final da guerra no Iraque e apesar dos 1400 peritos enviados pelos EUA e pelo Reino Unido, a coligação não conseguiu encontrar qualquer indício de que o regime de Saddam Hussein possuía ou estivesse a desenvolver armas químicas, biológicas ou nucleares. Sob pressão da opinião pública, os EUA optaram por enfatizar que o derrube do regime de Saddam era, só por si, um fim válido para a invasão do Iraque.

No entanto, David Kay, antigo chefe da equipa de inspectores americanos, veio reacender da polémica sobre a questão quando, no passado dia 25, afirmou numa entrevista à NBC não acreditar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça antes da guerra.

Três dias depois, perante uma comissão do Senado, Kay insistiu na ideia de que Washington e os seus aliados estavam enganados. No entanto, o responsável recusa-se a criticar a Administração Bush pelo erro, afirmando que a responsabilidade deve ser atribuída à CIA — razão que o leva a defender a realização de uma avaliação independente ao trabalho da agência.

Confrontado com estas declarações, Bush acabou por aceitar a criação de uma comissão independente para averiguar as razões que levaram os serviços secretos americanos a concluir que o Iraque tinha armas de destruição maciça.
"you're either with us, or you're with the terrorists."
 
-George W. Bush-
 

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Rui Elias

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« Responder #2 em: Abril 26, 2004, 03:38:24 pm »
Para mim foi um erro estratégico e de palmatória.

Só um visionário mal intencionado é que pode achar que empurrar o mundo para uma guerra injusta pode ser uma coisa positiva, depois de se ver o cortejo de mortes de ambos os lados e da instabilidade criada.

Ainda se os EUA mudassem a sua política em relação a Israel e ao carniceiro Sharon...
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #3 em: Abril 26, 2004, 06:29:05 pm »
Rui Elias,

A definição de erro estratégico varia sempre de país para país. Afinal de contas, se a Europa vê esta guerra um falhanço, não deixa de ser verdade que, se a situação estabilizar, os EUA terão garantido a 4ª maior reserva natural de petróleo e uma plataforna que lhes permitirá pressionar a Arábia Saudita.

É bastante prematuro discutirmos se terá sido um erro ou não, ainda por cima estratégico.

Afinal de contas embora a guerra do Vietnam tenha sido um desastre a quase todos os seus níveis tácticos, provou-se que em termos estratégicos foi essencial para o impedimento da instalação de regimes comunistas por todo o sudoeste Asiático.

A história julgará esta 2ª guerra do golfo.

Lamentável é a quase falta de visão que teve a classe política norte-americana para esta fase do pró-guerra. E isso está a custar a vida a muitos soldados.  :roll:
Ricardo Nunes
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[PT]HKFlash

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« Responder #4 em: Maio 01, 2004, 08:54:11 pm »
Citação de: "Ricardo Nunes"
Rui Elias,

... e uma plataforna que lhes permitirá pressionar a Arábia Saudita.



Pressionar a Arábia Saudita? Para quê? Eles são aliados não são? Os E.U.A. até lhes venderam F-15  :shock:
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #5 em: Maio 02, 2004, 11:00:12 am »
Citação de: "[PT
HKFlash"]
Citação de: "Ricardo Nunes"
Rui Elias,

... e uma plataforna que lhes permitirá pressionar a Arábia Saudita.


Pressionar a Arábia Saudita? Para quê? Eles são aliados não são? Os E.U.A. até lhes venderam F-15  :shock:


A Arábia Saudita é mais um aliado de ocasião. Como deves saber a maior parte dos fundos para organizações que fundeiam terroristras e para construção de madrassas no estrangeiro provém, de forma indirecta, do governo saudita.
Os sauditas querem manter-se na graça dos EUA mas também, com uma população extremamente religiosa e influenciável, tentam manter algumas actividades - que aos olhos do mundo ocidental  são "pouco correctas" - em prática.

Se o Iraque se tornar num país estável ( eu rezo por isso ) aliado do ocidente ( ao estilo jordano ou egípcio ) isso dará uma hipótesse aos EUA de pressionar a Arábia Saudita a diminuir alguns desses apoios. Afinal de contas não nos podemos esquecer que o regime saudita é um regime déspota, e muita da sua segurança na região durante a década de 90 tem sido garantida pela presença de tropas americanas e por material militar fornecido pelos EUA.
Se os 50000 soldados que permanentemente estão na Arábia Saudita se transladassem para o Iraque, os EUA deixariam de ter qualquer razão para serem tão coniventes com o regime saudita.
Ricardo Nunes
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Spectral

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« Responder #6 em: Maio 02, 2004, 05:47:33 pm »
Desde os anos 40 que a Arábia Saudita é aliada dos EUA.

E a razão continua a ser a mesma:

Petróleo.   :roll:

Já agora, acho que já não existem grandes contingentes americanos na Arábia Saudita- foram todos para o Kuwait e Iraque. Isto depois de terem gasto rios de dinheiro a construir a PSAB- Prince Sultan Air Base, entre outras...
I hope that you accept Nature as It is - absurd.

R.P. Feynman
 

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Guilherme

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« Responder #7 em: Maio 04, 2004, 03:16:28 pm »
Mosaico com os soldados americanos mortos no Iraque:

 

 

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