Lajes - negociações à Portuguesa

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JNSA

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Lajes - negociações à Portuguesa
« em: Maio 26, 2004, 07:56:35 pm »
Estou actualmente a ler um livro que recomendo a todos: "Portugal e a NATO - o reencontro da tradição atlântica", de António José Telo (Edições Cosmos).

Este livro retrata o processo de fundação da NATO e a sua articulação com Portugal, e mostra bem a falta de visão dos políticos da época.

Mas o objectivo deste tópico é falar das negociações em relação às contrapartidas pela cedência da base das Lajes. Deixo assim um pequeno excerto deste livro, que retrata bem a nossa incompetência aquando do primeiro acordo de cedência, logo após a entrada na NATO:

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Os EUA, ao aperceberem-se da vastidão das cedências portuguesas, tornaram-se de imediato muito generosos. O programa de ajuda militar arranca em força e os pequenos pedidos são todos aceites. As únicas dificuldades surgem porque os Portugueses pedem pouco. Os militares nacionais têm o hábito de pedirem o material antigo a que estão habituados, em vez do mais recente, o que levanta reais problemas aos Americanos. Assim, por exemplo, em vez de se pedirem caças novos, pedem-se peças para os antiquados caças a hélice ingleses, que já não têm utilidade prática de qualquer tipo. Os americanos são obrigados a confessar que não têm peças para os obsoletos Hurricanes, que nunca usaram e merecem um lugar no museu, mas podem oferecer caças a jacto recentes e novos… Do mesmo modo são pedidos mais 2 C-54 para uso nas operações de salvamento a partir dos Açores, o que, como o avião já não é produzido, obriga os militares americanos a comprarem dois aparelhos em segunda mão no mercado civil, para os darem a Portugal, quando teriam preferido oferecer aparelhos mais recentes.


 :shock:
 

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dremanu

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« Responder #1 em: Maio 26, 2004, 08:33:32 pm »
JNSA, sem dúvida muito interessante, vou procurar ler tb....esse trecho é uma amostra reveladora da cultura Portuguêsa da altura, e um pouco da que continua a existir ainda hoje. Não creio que seja uma demonstração de incompetência.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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JNSA

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« Responder #2 em: Maio 26, 2004, 08:35:12 pm »
Citar
Não creio que seja uma demonstração de incompetência.


Pois eu acho que é uma demonstração de incompetência... Incompetência e gestão danosa  :evil:
 

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dremanu

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« Responder #3 em: Maio 26, 2004, 08:39:58 pm »
Citação de: "JNSA"
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Não creio que seja uma demonstração de incompetência.

Pois eu acho que é uma demonstração de incompetência... Incompetência e gestão danosa  :evil:


Onde está a incompetência? Falta de visão sem dúvida, mas até este ponto é debatível. Se eles não conheciam melhor, e precisavam de utilizar o equipamento imediatamente, sem terem tempo para aprender a utilizar equipamento novo, mas valia a pena usar o que se conhecia e que servia para alcançar os objectivos que se tinham.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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JNSA

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« Responder #4 em: Maio 26, 2004, 08:46:57 pm »
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Onde está a incompetência? Falta de visão sem dúvida, mas até este ponto é debatível. Se eles não conheciam melhor, e precisavam de utilizar o equipamento imediatamente, sem terem tempo para aprender a utilizar equipamento novo, mas vale a pena usar o que se conhece e serve para fazer trabalho.


Dremanu, incompetência é para mim, neste caso, a incapacidade para exercer correctamente as funções inerentes ao cargo que se exerce. E para mim, houve incompetência, quer dos militares, quer do poder político que os orientava...

Eles conheciam equipamento melhor (quanto mais não fosse, perguntavam aos americanos  :? ), e se não tinham capacidade para operar esse equipamento melhor, então pedissem técnicos e instrução aos americanos, como tantos outros países pediram... Agora insistir em usar equipamento obsoleto, que não serve as necessidades do país, é absolutamente incrível. A pressa para pôr o equipamento em serviço era relativa, e desde que haja vontade, tudo se consegue - veja a velocidade a que equipamento como os Puma ou os Fiat G-91 foram introduzidos em serviço aquando da Guerra Colonial.
 

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fgomes

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« Responder #5 em: Maio 26, 2004, 08:47:52 pm »
A típica falta de visão e estreiteza de vistas portuguesas. O pior é que não melhorámos nada. Continuamos encerrados numa torre de marfim, longe das mudanças do mundo, ou entramos na megalomania mais irrealista....
 

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dremanu

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« Responder #6 em: Maio 26, 2004, 09:00:15 pm »
Se hoje em dia as pessoas têm medos irreais do novo e desconhecido, quanto mais naquela altura.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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papatango

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« Responder #7 em: Maio 26, 2004, 09:26:17 pm »
É um livro muito interessante, que utilizo bastantes vezes como referência. Acredito tratar-se de incompetência e medo.

O facto que refere, diz respeito ao periodo de 1950, antes de se receberem os aviões a jacto.

O problema era a visão anacrónica dos responsáveis portugueses que não tinham a mais pequena ideia do que queria dizer o termo "divisão" e ainda funcionavam em termos de divisões da primeira guerra, ou então das guerras napoleonicas.

O grande problema era, do meu ponto de vista, a impressão por parte das chefias, de que Portugal não tinha técnicos para incorporar equipamentos modernos nas F.A. e dai, pensar em trocar Hurricanes e Spitfire por Mustangs.

Depois, o outro problema, ao integrar novos meios, os novos oficiais íam inevitavelmente demonstrar o seu valor. Ora a velha guarda, gosta de estar por cima, mas não gosta de trabalhar. Portanto, para manter o lugar, sem fazer nenhum, o melhor é continuar com o material velho, que com esse a gente entende-se, e evita-se que gente mais jovem e competente, mostre serviço e (pior que tudo) mostre que é melhor.

Felizmente o bom senso prevaleceu e os americanos acabaram por fazer uma revolução silenciosa na F.Aérea (aliás, praticamente criaram a Força Aérea Portuguesa). É nessa altura que oficiais como Humberto Delgado aparecem e os americanos ficaram agradados com o facto de os portugueses terem tido capacidade de rapidamente se adaptarem ás novas situações. (embora tenha sido muito complicado pôr a funcionar a primeira esquadra de F82). Pelo menos acho que essa diferênça é considerável nos dias de hoje. O bichinho continua lá, mas não é tão grave como era.

Enfim...
Nem tudo vai mal, no Reino de Portugal
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #8 em: Maio 26, 2004, 10:03:54 pm »
papatango, penso que se refere aos F-84 Thunderjet, e não a F-82...  :wink:
Ricardo Nunes
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papatango

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« Responder #9 em: Maio 27, 2004, 12:23:28 am »
Claro que era o F-84G  :jok:
 

 

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