Myanmar

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André

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« Responder #30 em: Outubro 04, 2007, 07:35:16 pm »
Mais de 2.000 detidos após manifestações - TV estatal
     
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Mais de 2.000 pessoas foram detidas na sequência das manifestações da semana passada contra a junta militar, informou hoje a televisão estatal birmanesa.

No total, 2.093 pessoas foram detidas, entre 25 de Setembro e hoje, declarou a televisão controlada pelo regime, adiantando que 692 já foram libertadas.

«Por precaução, o governo tinha ordenado às pessoas para não se concentrarem, mas mesmos assim as pessoas juntaram-se», disse o órgão oficial de informação, adiantando que «elas foram detidas de acordo com a lei».

«Entre os detidos estavam manifestantes, seus apoiantes e alguns espectadores. Mesmo sendo espectadores eles infringiram a lei» contra os ajuntamentos, afirmou a televisão.

Adiantou que as 692 pessoas libertadas assinaram antes uma advertência onde prometem não participar em novas manifestações.

Por outro lado, o principal responsável da ONU em Myanmar disse que o regime militar libertou hoje uma empregada local das Nações Unidas, dois membros da sua família e um motorista interpelados na véspera em Yangum, a antiga capital e maior cidade do país.

«A nossa funcionária e membros da sua família foram libertados esta tarde», declarou à agência noticiosa francesa AFP o coordenador da ONU no Myanmar, Charles Petrie.

Myint Ngwe Mon, de 38 anos, que trabalha para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o seu marido, o seu cunhado e um motorista foram libertados cerca das 17:00 locais (11:30 em Lisboa).

Enquanto as libertações ocorrem a «conta-gotas», as forças de segurança birmanesas continuam a fazer detenções nocturnas e tendo como alvo «suspeitos» fotografados ou filmados durante as manifestações contra a junta, indicaram habitantes de Yangum.

Residentes e grupos dissidentes disseram que durante a noite, famílias inteiras foram levadas das suas casas por militares e transportadas em camiões para local desconhecido.

Há uma semana, Yangum viveu o dia mais sangrento desde que os monges budistas lideraram manifestações para exigir a democratização do país, de que resultaram pelo menos 10 mortos, segundo o governo, embora os grupos dissidentes afirmem que os militares mataram cerca de 200 pessoas.

A BBC noticiou que monges budistas estavam a tentar fugir de Yangum na sequência da repressão dos militares.

O enviado da ONU Ibrahim Gambari deverá informar hoje o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, sobre a sua deslocação de quatro dias ao Myanmar, onde se reuniu com a Junta Militar que governa o país e a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliária desde 2003.

Diário Digital / Lusa
« Última modificação: Outubro 08, 2007, 10:47:20 pm por André »

 

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« Responder #31 em: Outubro 05, 2007, 05:30:03 pm »
Gambari deve voltar ao Myanmar «o mais rápido possível»

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O enviado especial da ONU para resolver a crise em Myanmar, a antiga Birmânia, deverá regressar «o mais rápido possível» àquele país, de acordo com a Casa Branca.

«As informações que nos chegam da Myanmar, segundo as quais o acesso à Internet foi cortado e que estão detidos monges e outras pessoas inocentes, continuam a causar grandes preocupações», disse Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.

«Apelamos aos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas para que levem a sério estas questões e actuem».

O Departamento de Estado norte-americano afirmou que hoje um encontro entre a Junta birmanesa e a responsável pelos assuntos americanos naquele país, Shari Villarosa, não foi produtivo.

Hoje, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se em Nova Iorque para ouvir o enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, falar da sua recente missão na Birmânia, onde a Junta militar no poder reprimiu um movimento de contestação pacífica inédito desde 1988.

Diário Digital

 

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« Responder #32 em: Outubro 05, 2007, 06:51:41 pm »
No Myanmar ser monge não é sacerdócio

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Ser monge, no Myanmar, não é um sacerdócio, pois qualquer pessoa pode passar a sê-lo em apenas 24 ou 48 horas, o que permite mobilidade a pessoas que pertencem a partidos políticos.
 
A explicação foi dada à Agência Lusa pelo representante em Portugal e na Europa do povo Karen, um grupo étnico que vive na região montanhosa entre o leste do Myanmar e o noroeste da Tailândia e que combate por um Estado próprio.

Sarkis Istambulyan (Saw Hsar Gay, em língua Karen), representante da União Nacional Karen (KNU) na Europa, disse, em declarações à Lusa, que "uma pessoa pode ser monge durante um mês, ou dois, e depois deixar de o ser".

"Isso permite uma certa mobilidade de pessoas que pertencem aos partidos políticos, pois podem tornar-se monges num espaço de 24, 48 horas", adiantou.

Relativamente às recentes manifestações, em Yangum e Mandalay, no centro do Myanmar, "que começaram há cerca de um mês, o responsável salienta que os monges só apareceram há duas semanas.

"Portanto, se calhar, houve tempo por parte de pessoas de se fazerem monges", considerou.

"Não quer dizer que tenham sido todos, mas alguns poderão ter feito isso", afirmou.

Entretanto, devido à repressão da Junta Militar, alguns terão saído dos mosteiros e abandonado as vestes, voltando à vida secular.

O responsável afirma saber, "de fonte fidedigna, que Aung San Suu Kyi, dirigente da Liga Nacional para a Democracia (LND), já está em casa. Esteve na prisão e está novamente em casa, sob prisão domiciliária, aliás como esteve nos últimos 15 anos".

Para o responsável KNU, quem na realidade terá liderado as manifestações terá sido a LND, os grupos estudantis e os grupos da Frente Democrática Birmanesa Estudantil (All Burma Student Democratic Front, ABSDF).

"Há portanto uma consciência política bastante grande nos jovens. Dado que 95 por cento dos birmaneses são budistas, os jovens monges também são muito politizados. Já no passado tiveram um papel muito importante nas rebeliões contra o status quo", frisou.

"No período colonial inglês, nos anos 1945-46, foram os monges que iniciaram os protestos contra os ingleses e eram as forças de vanguarda das forças nacionalistas birmanesas", recordou.

Os monges de 1988 também foram os líderes dos movimentos de protestos.

No Myanmar, é seguido o Budismo Theravada ("doutrina dos anciãos"), uma escola considerada a mais antiga de entre as escolas do Budismo actualmente existentes, que tenta conservar os ensinamentos originais, tais como foram ensinados pelo Buda, ou, pelo menos, tais como foram registrados no Cânone Páli.

Os monges de hierarquia mais elevada são normalmente políticos e apoiam o regime, afirma o responsável da KNU, referindo que estes monges têm alguns privilégios de que os mais novos não usufruem.

"Isso poderá também indicar que houve uma certa rebelião por parte dos monges mais novos contra os mais velhos, normalmente coniventes com o poder", observou.

"Há sempre o monge que já foi estudante, o monge que pertenceu à Liga Nacional para a Democracia e estes acabam por influenciar, ou por ser o líder no seu mosteiro", referiu.

Mas a grande figura de liderança para os birmaneses é sem dúvida alguma Aung San Suu Kyi, que é a referência política máxima. Prova disso é o facto de as manifestações terem passado junto de casa dela, explicou.

Na área em que esteve no último mês, Sarkis Istambulyan não assistiu a manifestações porque é a área do povo Karené mais rural.

Mas tiveram contactos com pessoas que vinham das cidades, fugidas da repressão militar, e que relataram o que se passava.

"Houve pessoas que se refugiaram nas nossas áreas. Nós recolhemos sempre os birmaneses, como fizemos em 1988", contou.

As pessoas contaram que os primeiros protestos começaram há um mês e meio, por descontentamento económico, fundamentalmente, e por descontentamento contra o regime.

"As pessoas têm muito medo e por isso só são levadas a esse tipo de manifestações quando lhes toca ao seu bem-estar, à sua sobrevivência", afirmou.

"Foi exactamente há um mês atrás, quando a junta decidiu aumentar o preço da gasolina, em 100 por cento, e outros bens essenciais, que começou a haver aquelas manifestações", adiantou.

Mais tarde, esse movimento começou a crescer gradualmente e então quando os monges saíram dos mosteiros para se manifestarem, seguidos de laicos, e começaram a ter mais coragem para mostrar o seu descontentamento.

Mas depois dos primeiros tiros, as pessoas lembraram-se de 1988. "Queria lembrar que em 1988 morreram 3.000 pessoas nas cidades - é uma coisa que na altura foi muito pouco divulgada", justificou.

"Desta vez, a repressão foi menor - não porque o regime esteja melhor, mas porque sabia que estava sob escrutínio internacional", considerou o responsável.

Segundo a nossa estimativa - disse - "haverá no mínimo entre 100 e 200 mortos".

Questionado sobre relatos de tiros disparados directamente contra os manifestantes, Sarkis Istambulyan afirmou: "Sim, sem duvida".

"Primeiro par o ar e depois contra os manifestantes. Portanto, não foi preciso muito mais repressão - havia os tiros, os monges já bloqueados nos mosteiros e o medo das pessoas que se lembravam do que aconteceu em 1988.

Lusa / RTP

 

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« Responder #33 em: Outubro 07, 2007, 01:19:23 pm »
Junta Militar diz ter descoberto armas em templos

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Os líderes militares do Myanmar aumentaram hoje a pressão sobre os monges budistas que lideraram as manifestações pró-democracia afirmando terem confiscado armas nos templos budistas e ameaçando punir todos os que violem a lei.

O governo anunciou igualmente dezenas de novas detenções ameaçando os transgressores com novas sanções.

A segurança abrandou na cidade de Yangun mais de uma semana depois de soldados e polícias terem aberto fogo sobre demonstrações pacíficas que reclamam o fim de 45 anos de ditadura militar.

O governo anunciou que pelo menos 10 pessoas foram mortas em Setembro nas repressões enquanto fontes independentes referem que cerca de 1.000 pessoas continuam detidas.

Estes números incluem pelo menos 135 monges budistas, de acordo com a Nova Luz de Myanmar, disse um porta-voz da junta, acrescentando que vários assaltos a templos budistas detectaram armas, facas e munições, embora ainda não seja claro a quem pertencem.

«Os monges devem manter-se dentro da lei de deus e do governo», acrescentaram, sublinhando que se violarem a lei as suas acções podem voltar-se contra eles.

Acrescentaram que 78 outras pessoas suspeitas de terem participado em manifestações estão a ser interrogadas.

Dezenas de milhar de pessoas participaram nos últimos protestos, os maiores das últimas duas décadas contra a junta militar.

A Malásia exigiu hoje que a junta militar no poder na Birmânia inicie urgentemente negociações sem quaisquer condições com a líder da oposição Aung San Suu Kyi, que permanece em prisão domiciliária.

Os comentários do ministro dos Negócios Estrangeiros Syed Hamid Albar seguiram-se a um aviso dos Estado Unidos da América de que iriam pressionar as Nações Unidas para impor sanções contra o Myanmar enquanto fosse mantida a ditadura militar.

Contudo, a China e a Rússia, expressaram-se contra qualquer acção contra o Myanmar e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Myanmar, Nyan Win, disse à Assembleia-Geral das Nações Unidas que a «democracia não podia ser imposta de fora».

Entretanto, a máquina de propaganda da junta militar continua a reclamar a existência de manifestações por toda o Myanmar de solidariedade para com o governo, ao mesmo tempo que referem que as manifestações pacíficas dos monges budistas foram «instigadas» por alguns membros do partido de Aung San Suu Kyi.

A junta militar dirige os destinos do Myanmar desde 1962.

A actual junta chegou ao poder em 1988 durante uma rebelião pró-democracia, durante a qual foram mortas pelo menos 3.000 pessoas.

O partido de Aung San Suu Kyi venceu as eleições de 1990, mas os generais no poder recusaram-se a aceitar os resultados eleitorais.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #34 em: Outubro 08, 2007, 10:49:50 pm »
Tailândia protesta formalmente por brutal repressão no Myanmar

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A Tailândia, habitualmente discreta no que diz respeito ao Myanmar, com quem mantém estreitas relações comerciais, enviou uma carta de protesto após a brutal repressão das manifestações pacíficas pela junta militar que governa o país.

A carta foi enviada na semana passada, anunciou o primeiro-ministro tailandês Surayud Chulanont.

«Como a Tailândia também é um país budista, somos contrários à violência que Myanmar utilizou contra as manifestações», afirmou.

«Desejamos um diálogo entre (a principal opositora e prémio Nobel da Paz) Aung San Suu Kyi e a junta do Myanmar. É a melhor solução», acrescentou.

As imagens dos monges birmaneses a ser agredidos por soldados no final de Setembro comoveram a vizinha Tailândia.

Diário Digital

 

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« Responder #35 em: Outubro 09, 2007, 01:45:33 pm »
China veta acções da ONU para resolver a crise no Myanmar

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A China reafirmou hoje que se opõe ao uso de sanções ou pressão para resolver a crise no Myanmar. Esta posição que bloqueia assim qualquer acção do Conselho de Segurança da ONU contra o regime militar birmanês.

Os Estados Unidos já tinham manifestado a intenção de conduzir a ONU a intervir com sanções contra o governo militar do Myanmar.

Mas a China, país com direito de veto no Conselho de Segurança e grande parceiro económico do Myanmar, deixou claro que se opõe às sanções.

«Sanções ou pressão não vão ajudar a resolver os problemas no Myanmar», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Liu Jianchao, em conferência de imprensa.

O ministro não disse, porém, se Pequim vai usar ou não o seu direito de veto. E sublinhou que a tensão no Myanmar acalmou nos últimos dias.

«Esperamos que este momento se mantenha. Qualquer movimento do Conselho de Segurança deve ser prudente e responsável. E deverá conduzir à estabilidade, reconciliação, democracia e desenvolvimento do Myanmar», disse Jianchao.

SOL

 

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« Responder #36 em: Outubro 10, 2007, 12:36:11 pm »
Generais e soldados detidos por recusa em disparar

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A Junta Militar de Myanmar deteve cinco generais e mais de 400 soldados por se terem recusado a disparar e bater nos monges budistas e noutros participantes dos protestos das últimas semanas em Rangum, noticia hoje o The Jakarta Post, citando um alto responsável birmanês que pediu anonimato.
«Cinco generais recusaram-se a destacar as suas tropas abertamente contra os monges e foram rapidamente detidos pela Junta», disse o oficial birmanês, recusando dar os nomes dos militares detidos.

Acrescentou que «cerca de 400 soldados da Divisão Sikai foram castigados perto da cidade de Mandalay, por também terem baixado as armas frente aos monges e lhes terem pedido perdão ao perceber que tinham cometido o pior dos pecados».

A fonte considerou que se trata de um claro sinal da existência de fissuras no interior do regime, já que – disse - a maioria dos funcionários e cargos públicos não estão contentes com a brutal repressão promovida pela Junta Militar, embora se calem por medo.

«Os monges são um símbolo da nossa religião e da nossa vida. O povo está muito zangado com o facto de os militares se terem atrevido a disparar contra eles. Matar monges é considerado o maior dos pecados», disse.

A fonte acrescentou que muitos funcionários públicos estão a manifestar discretamente a sua inconformidade com a violenta resposta da Junta Militar, não aparecendo nos respectivos locais de trabalho.

As autoridades militares sustentam que libertaram 1.600 pessoas das cerca de 2.700 detidas, entre as quais 573 monges, presos durante os protestos de 26 e 27 de Setembro e dos dias posteriores.

Segundo a versão oficial, 10 pessoas morreram por disparos ou por agressões físicas, mas fontes dos grupos anti-governamentais calculam que o número de vítimas fatais ultrapassa as duas centenas.

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« Responder #37 em: Outubro 10, 2007, 09:00:49 pm »
Líder da oposição do Myanmar morreu sob tortura

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Um líder da oposição do Myanmar, detido durante os protestos do mês passado contra a junta militar que governa o país, morreu devido a torturas sofridas no cárcere, afirmou na quarta-feira um grupo activista.

Em Washington, depois da notícia sobre a morte de Win Shwe, o governo dos Estados Unidos ameaçou impor novas sanções contra Mianmar.

«Os militares precisam de parar com a brutalidade ao lidar com o seu povo e realizar uma transição pacífica para um regime democrático sob pena de sofrer novas sanções dos EUA» , disse em comunicado Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.

O governo norte-americano não especificou quais eram as sanções adicionais que planeava impor sobre o Mianmar (ex-Birmânia), mas pediu uma investigação completa acerca da morte de Win Shwe.

A Associação de Ajuda a Prisioneiros Políticos (AAPP) disse que Win Shwe, de 42 anos, membro da Liga Nacional para a Democracia, e outras quatro pessoas tinham sido detidas no dia 26 de Setembro devido às suas actividades de apoio e de participação nas maiores manifestações pró-democracia realizadas no país em quase 20 anos.

«Ele morreu como resultado da tortura sofrida durante interrogatório» , afirmou o grupo, com sede na Tailândia, num comunicado divulgado no seu site (http://www.aapp.org). A entidade citou como fonte das informações as autoridades da cidade de Kyaukpandawn.

«O corpo dele, no entanto, não foi enviado à família e os responsáveis pelos interrogatórios deram a entender que, em vez disso, tinham cremado o corpo» .

Segundo os meios de comunicação oficiais do Mianmar, 10 pessoas foram mortas quando a junta militar enviou soldados para acabar com as manifestações realizadas em Setembro, durante vários dias. Os governos do Ocidente afirmam, porém, que existem mais mortos.

No seu comunicado, a AAPP disse que «muitos corpos de mortos e de pessoas feridas foram cremados ou deitados ao rio».

«Alguns corpos de monges mortos apareceram no rio Pazundaung, em Rangoon (Yangun), nos últimos dias. Além disso, muitos dos que foram detidos foram torturados durante os interrogatórios» .


A primeira-dama dos EUA, Laura Bush, disse ao jornal USA Today em entrevista publicada na quarta-feira que o seu país anunciará a imposição de novas sanções contra o governo militar de Mianmar «dentro dos próximos dias» caso a junta não adopte medidas para implementar um regime democrático.

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« Responder #38 em: Outubro 13, 2007, 04:44:19 pm »
Morreu primeiro-ministro Soe Win

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O primeiro-ministro birmanês, Soe Win, um dos representantes da linha mais dura do regime militar no poder, morreu hoje de doença prolongada, anunciaram os órgãos de informação oficiais birmaneses.

«O primeiro-ministro, o general Soe Win, morreu esta noite» (hora local, mais cinco que em Lisboa) no hospital militar de Mingaladon, nos arredores de Yangum, noticiou a rádio oficial.

Primeiro-ministro desde Outubro de 2004, Soe Win, 59 anos, regressou a 01 de Outubro ao Myanmar depois de um longo internamento hospitalar em Singapura devido, segundo a família, a uma leucemia.

Segunda figura na hierarquia da Junta Militar, Soe Win foi apontado como responsável máximo pelo ataque perpetrado em 2003, em Depayin, contra a líder da oposição democrática e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi e pela sua prisão.

As circunstâncias exactas desse ataque continuam por esclarecer, mas segundo diplomatas, críticos do governo e organizações internacionais, várias dezenas de apoiantes da Liga Nacional para a Democracia (LND) foram mortos quando uma multidão de apoiantes do governo emboscou a caravana militar que transportava Suu Kyi.

O tenente-general Thein Sein, um fiel apoiante do líder da Junta Militar (general Than Shwe) que exercia interinamente as funções de primeiro-ministro desde Maio, deverá suceder no cargo a Soe Win.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #39 em: Outubro 23, 2007, 06:24:38 pm »
Missão de Direitos Humanos conclui que repressão na Birmânia foi "brutal e sistemática"

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A repressão das manifestações de Setembro na Birmânia foi "brutal e sistemática" e a junta birmanesa continua a fazer detenções nas famílias de opositores em fuga, indicou uma missão dos Direitos Humanos, pedindo sanções reforçadas.
 
Treze refugiados birmaneses, assim como representantes de movimentos birmaneses no exílio, deram os seus testemunhos em Banguecoque e na fronteira birmano-tailandesa aos membros de uma missão conjunta da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH).

Para o belga Gaetan Vanloqueren, membro da FIDH regressado daquela missão entre 13 e 21 de Outubro, "a maioria das testemunhas encontradas viu pessoas a serem mortas, assim como pessoas espancadas até à morte".

Embora a FIDH não possa calcular o número de mortos, pode "afirmar que a repressão foi brutal e sistemática", explicou durante uma conferência de imprensa.

"As detenções continuam. O regime toma como reféns os membros das famílias quando as pessoas procuradas não estão em casa", afirmou.

Os testemunhos anónimos recolhidos reflectem a violência utilizada.

"No dia 27 de Setembro, vi pessoas no chão. Um dirigente estudantil com uma bandeira foi abatido e toda a gente fugiu. Não sabemos o que foi feito do seu corpo. Depois eles dispararam uma rajada. Pessoas cairam", contou um poeta.

"Foi o pior das manifestações. Balas de plástico, balas verdadeiras, numerosas pessoas espancadas, incluindo mulheres. Alguns foram espancados com a coronha de espingardas. Vi um rapaz ser espancado até à morte, um outro que subiu a uma árvore e foi abatido", narrou um comerciante de rua.

A junta militar indicou que 10 pessoas morreram durante a repressão das manifestações pacíficas, mas a oposição estima que o número de mortos seja de cerca de 200 e que mais de 6.000 pesssoas tenham sido detidas.

Outros testemunhos confirmam que os birmaneses foram obrigados a participar em concentrações pró-governamentais.

"As pessoas têm de ir aquelas reuniões ou dar dinheiro às autoridades. É trabalho forçado. Os professores tinham de ir ou perdiam o emprego", disse um homem.

A União Europeia aprovou em meados deste mês o princípio de novas sanções contra a Birmânia, embora elas possam ser modificadas em função dos resultados da missão do enviado especial da ONU Ibrahim Gambari.

Para Guy Ryder, secretário-geral da CSI, estas sanções "vão no bom sentido, mas são insuficientes". "É difícil compreender por que é que certos sectores, como o gás ou o petróleo, são excluídos", assinalou.

A CSI contou 400 empresas estrangeiras presentes na Birmânia e enviou-lhes uma carta de protesto.

"O passo seguinte será mobilizar os sindicatos para se manifestarem diante das suas sedes nacionais", advertiu.

Ibrahim Gambari, que se encontra numa visita a vários países asiáticos visando arranjar apoio para se encontrar uma solução para a crise birmanesa, chega quarta-feira à China, um dos poucos aliados políticos e económicos do regime militar birmanês.

Na China, onde estará até quinta-feira, Gambari encontrar-se-á com o conselheiro de Estado Tang Jiaxuan, com o ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros, He Yafei, e com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, informou hoje o porta-voz deste ministério, Liu Jianchao.

O enviado especial da ONU esteve hoje reunido com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, e com o chefe da diplomacia, Pranab Mukherjee, tendo-se mostrado "animado" com a posição da Índia de fazer todo o possível para influenciar o regime birmanês no sentido da democracia, informou a agência indiana IANS.

"Estou animado com o compromisso indiano de apoiar o secretário-geral da ONU no seu esforço para aconselhar o regime de Myanmar (Birmânia) no sentido de reformas políticas e para libertar os manifestantes pró-democráticos detidos, incluindo a Nobel (da Paz) Aung San Suu Kyi", disse Gambari à imprensa.

Gambari, que já esteve também na Tailândia, Malásia e Indonésia, encerrará esta visita asiática no Japão, para onde parte depois da China.

O enviado das Nações Unidas para a Birmânia visitará de novo este país durante a primeira semana de Novembro, anunciou hoje a porta-voz da ONU, Michèle Montas.

Precisou que Gambari "conta deslocar-se à Birmânia na primeira semana de Novembro, dado o governo ter aceite antecipar o seu convite para visitar o país".

Gambari tinha anunciado antes que não iria à Birmânia antes da terceira semana de Novembro.

O diplomata esteve na Birmânia de 29 de Setembro a 02 de Outubro, tendo-se reunido com a junta militar e com a líder da oposição democrática Aung San Suu Kyi.

RTP / Lusa

 

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André

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« Responder #40 em: Outubro 28, 2007, 02:20:40 pm »
Birmaneses e russos estudam cooperação militar

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Representantes das forças armadas de Myanmar chegam este domingo à capital russa, Moscovo, para discutir com as chefias militares da Rússia questões de cooperação militar e da preparação de soldados.

Em declarações à agência Ria-Novosti, o porta-voz do Exército russo, Igor Konachenkov, informa que “no quadro da visita da delegação militar de Myamar à Rússia, planeia-se realizar um encontro de trabalho com representantes do Comando de Exército, onde serão discutidas questões de cooperação e possibilidade de preparação de quadros militares de Myanmar nas academias militares do Exército russo”.

Konachenkov acrescentou ainda que a delegação birmanesa estudará “o sistema e método de preparação de oficiais com formação superior na Academia Militar das Forças Armadas da Rússia” e visitará a Escola Superior Militar de Moscovo.  

Correio da Manhã

 

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Lusitano89

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Re: Myanmar
« Responder #41 em: Junho 04, 2010, 11:44:48 pm »
Myanmar quer arma atómica e mísseis de longo alcance


O Myanmar (ex-Birmânia ou Burma) procura dotar-se da arma atómica e de mísseis de longo alcance, indicam documentos secretos e centenas de fotos disponibilizados por um alegado desertor do Exército, disse hoje um antigo inspector nuclear da ONU.


Robert Kelley disse que as provas que viu e ouviu do desertor são as mais convincentes que conhece para apoiar as suspeitas de que Myanmar procura armas nucleares.

Em declarações à Associated Press, disse que "esta é provavelmente a melhor fonte ... desde Mordechai Vanunu", referindo-se ao técnico nuclear israelita, cuja fuga de informação para um jornal britânico, em 1954, revelou detalhes do programa nuclear do Estado judeu e conduziu à opinião generalizada de que este tem armas nucleares.

"Penso que ele [o desertor birmanês] tem o mesmo tipo de informação privilegiada", comparou Kelley.

Este antigo inspector nuclear fez estas revelações durante a apresentação de um relatório, do qual foi coautor, realizada hoje pela Voz Democrática de Burma, uma organização de comunicação social promovida por expatriados e sediada na Noruega.

Kelley reformou-se em 2008 da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), onde atingiu posições de topo, depois de ter trabalhado em Los Álamos, num dos dois laboratórios dos Estados Unidos da América dedicados à concepção de armas nucleares.

O relatório adianta que o desertor esteve envolvido no programa nuclear e que colocou no exterior de Myanmar um conjunto extenso de material escrito e fotográfico, onde se descrevem experiências com urânio e equipamento especializado necessário para construir um reator nuclear e desenvolver capacidades de enriquecimento de urânio.

O relatório acentua porém que Myanmar está muito longe da produção de uma arma nuclear.

"Do que vi, a qualidade do trabalho é extremamente pobre, o nível de profissionalismo no que estão a construir é muito pobre", adiantou Kelley.

Uma fonte da AIEA não se quis pronunciar sobre o caso, mas adiantou que Kelley era extremamente respeitado na Agência e na comunidade nuclear em geral.

Kelley identificou o desertor como Sai Thein Win, um major formado em Myanmar em engenharia de defesa e na Federação Russa como perito em mísseis.

Win disse ter tido acesso às instalações nucleares secretas de Myanmar, incluindo um batalhão nuclear, a norte de Mandalay, "com a missão de desenvolver capacidade em armas nucleares".

Saído do país em Fevereiro, Win trouxe provas -- documentos electrónicos e fotos -- e fez um depoimento que revelam especificidades preocupantes do projecto nuclear de Myanmar, disse Kelley.

No relatório hoje divulgado sustenta-se que "o quadro geral é o de Burma a procurar construir peças de um programa nuclear".

Na quinta feira, o senador norte-americano Jim Webb, presidente do subcomité dos Negócios Estrangeiros para a Leste Asiático, anunciou o adiamento de uma viagem a Myanmar, devido a mais alegações de que esta estava a colaborar com a Coreia do Norte no desenvolvimento de um programa nuclear.

Em maio, os técnicos da Organização das Nações Unidas que monitorizam as sanções impostas à Coreia do Norte, pelos seus testes nucleares e com mísseis, disseram que as suas investigações apontavam para o seu envolvimento em actividades proibidas no nuclear e com mísseis no Irão, na Síria e em Myanmar.

A este propósito, Kelley adiantou que há um claro envolvimento da Coreia do Norte no programa de mísseis de Myanmar, mas que não conhecia outro envolvimento.

"Há um memorando de entendimento com a Coreia do Norte para construção de Scuds", disse, referindo-se aos mísseis adaptados pelos norte-coreanos a partir dos mísseis soviéticos de curto e médio alcance.

Documentos obtidos antes dos divulgados hoje mostraram que a Coreia do Norte ajudou Myanmar a construir uma série de instalações subterrâneas e a desenvolver mísseis com um alcance de três mil quilómetros.

DN
 

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legionario

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Re: Myanmar
« Responder #42 em: Junho 05, 2010, 11:41:23 am »
Mais uma fonte de chatices ! Para que diabo querem eles a arma nuclear ? Se isso é verdade os chineses é que devem estar bem informados . Obrigatoriamente !

Tou a vêr  que os espanhois é que têm razao em fazer abrigos anti-catastrofe  :D
IN HOC SIGNO VINCES
DEUS VULT
 

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Marauder

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Re: Myanmar
« Responder #43 em: Setembro 16, 2010, 04:29:20 pm »
Se ao menos tivessem petróleo ou campos de terroristas da Al-Quaeda, era mais 1 ditadura que os polícias do mundo poderiam eliminar..

..triste é o Conselho de Segurança ser a palhaçada que é..deviam acabar com os vetos, a 2ª guerra mundial já acabou à muito tempo..
 

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Lusitano89

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Re: Myanmar
« Responder #44 em: Setembro 17, 2011, 05:18:11 pm »
ONG pede a Portugal para fazer mais na defesa dos direitos humanos na Birmânia



Uma delegação de uma organização britânica de defesa dos direitos humanos na Birmânia esteve hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros para pedir a Portugal para fazer mais pelo povo birmanês. «Esperamos que Portugal faça mais para promover os direitos humanos e a democracia na Birmânia», disse Mark Farmaner, da Burma Campaign UK, à agência Lusa, no final de uma reunião da delegação da organização não-governamental com responsáveis pelas áreas dos direitos humanos e da Ásia do Ministério.

Governada pelos militares desde um golpe de Estado em 1962, a Birmânia teve eleições a 07 de Novembro de 2010 e quatro meses depois a Junta Militar cedeu o poder a um governo presidido por um ex-general.

Farmaner disse que ocorrem na Birmânia «sérios abusos dos direitos humanos», referindo a existência de trabalho escravo, violações, inclusive colectivas de mulheres das minorias étnicas, execuções arbitrárias ou os mais de 2000 presos políticos.

Por isso, uma das questões abordadas na reunião de mais de uma hora foi o apoio à criação de uma comissão de inquérito das Nações Unidas sobre eventuais crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Birmânia.

Farmaner explicou que a União Europeia (UE), que tem uma política comum para a Birmânia, «faz o projecto da resolução anual da ONU sobre a Birmânia para a assembleia-geral», podendo «incluir a criação da comissão de inquérito».

«Gostávamos que Portugal apoiasse a inclusão da criação da comissão na resolução», adiantou.

Portugal, enquanto membro da UE, também poderia ser «mais activo» para que os 27 pressionassem mais a Birmânia, por exemplo prometendo abrandar as sanções económicas do bloco europeu «se a ditadura desse passos positivos como libertar todos os presos políticos», defendeu.

O birmanês Thaung Htun, outro dos membros da delegação, considerou que a Birmânia «está a reagir à pressão internacional porque quer o seu reconhecimento após a formação do novo governo, quer que as sanções (económicas) sejam levantadas (e) gostaria de ter a presidência da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) em 2014».

«O que nos preocupa é também a prática da tortura nas prisões», disse, lamentando que não se veja «qualquer melhoria dos direitos humanos» na Birmânia.

Segundo Zoya Phan, outra dos membros da Burma Campaign UK, «as violações dos direitos humanos estão a aumentar não estão a diminuir», sobretudo nas áreas habitadas maioritariamente pelas minorias étnicas.

Zoya Pahn é birmanesa da minoria étnica Karen, tendo fugido da Birmânia com a família aos 14 anos.

«Estou muito descontente por a União Europeia estar tão silenciosa acerca do que se passa na Birmânia especialmente nas zonas das minorias étnicas», disse.

«É tempo de a UE e da ONU falarem e prestarem atenção ao que se está a passar e pressionarem mais o regime», defendeu.

A delegação da Burma Campaign UK, que tem sido acompanhada em Portugal pela UGT, já esteve com o Conselho Português para os Refugiados e na sexta-feira tem uma reunião conjunta com as comissões parlamentares dos Assuntos Constitucionais, Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus.

Lusa