Myanmar

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« Responder #15 em: Setembro 28, 2007, 05:35:23 pm »
Durão Barroso escusa-se a comentar situação

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O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, escusou-se hoje a comentar a situação no Myanmar, sublinhando que a Comissão Europeia já tomou uma posição formal sobre o assunto.
«Já há uma posição que foi expressa oficial e formalmente pela Comissão Europeia, não vou acrescentar nada ao que já foi dito por Bruxelas», disse Durão Barroso aos jornalistas, à margem da segundo encontro do Conselho de Globalização, que decorre hoje na Penha Longa.

As manifestações pró-democracia no Myanmar continuaram hoje, apesar da repressão do exército que desde quarta-feira tenta pôr fim aos protestos, iniciados na passada semana pelos monges budistas, de acordo com fontes oficiais.

A polícia birmanesa disparou quinta-feira sobre milhares de manifestantes que se têm concentrado em protestos em várias cidades do país nos últimos dias, tendo morrido pelo menos 15 pessoas, entre elas um fotógrafo japonês.

Os protestos começaram inicialmente com monges budistas, descontentes com um ataque a um grupo de monges e, posteriormente, condenando o aumento do preço dos combustíveis.

As manifestações assumiram dimensões maiores nos dias seguintes, com civis a juntarem-se aos monges, ignorando a forte presença militar que na quinta-feira assaltou vários templos detendo centenas de pessoas.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #16 em: Setembro 28, 2007, 05:43:19 pm »
«Escreva uma carta aos responsáveis birmaneses»

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A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional lançou hoje um apelo a todas as pessoas para que escrevam uma carta aos dirigentes do Myanmar pedindo a libertação das centenas de manifestantes pacíficos detidos.
«Actue! Envie urgentemente e-mails, faxes ou cartas, em inglês ou em português», pede a Amnistia Internacional, que manifesta a sua preocupação com «o risco de tortura e maus-tratos» que correm os detidos, entre os quais se contam monges budistas, membros da oposição pró-democracia e outras figuras públicas.

Para facilitar a tarefa, a organização internacional tem uma «carta modelo», em inglês, dirigida ao ministro dos Negócios Estrangeiros do Myanmar, Nyan Win, no endereço http://web.amnesty.org/pages/mmr-270907-action-eng.

Na carta, é pedida a «libertação imediata e incondicional» de todos os prisioneiros que tenham cometido crimes de que possam ser formalmente acusados e o tratamento condigno dos prisioneiros, que devem ser mantidos em «centros oficiais de detenção», ter «acesso a advogados, visitas da família e tratamento médico» e «não ser sujeitos a tortura».

A missiva pede ainda às autoridades birmanesas que garantam ao povo birmanês o plano exercício dos direitos de expressão, associação e reunião.

A AI, que sublinha a importância de estes apelos serem enviados imediatamente, disponibiliza também os contactos oficiais do presidente da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe, do Procurador-Geral, U Aye Maung, e do director nacional da polícia birmanesa, brigadeiro Khin Yi.

O regime militar que governa o Myanmar desde 1962 reprimiu hoje, pelo terceiro dia consecutivo, manifestações de protesto que reuniram milhares de civis e de monges budistas nas principais cidades do país.

Apesar dos apelos internacionais, a Junta Militar birmanesa procedeu na madrugada de quinta-feira à detenção de centenas de monges, retirados à força dos seus mosteiros, e de membros da Liga Nacional para a Democracia (LND), da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #17 em: Setembro 28, 2007, 06:12:58 pm »
Japão exige explicações sobre morte de jornalista japonês

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O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, afirmou que Tóquio vai pressionar o Myanmar para que seja explicada a morte do jornalista japonês durante uma investida militar sobre os manifestantes birmaneses, mas não anunciou sanções imediatas.

O fotojornalista Kenji Nagai foi morto, juntamente com outras nove pessoas, por soldados que dispararam armas automáticas sobre os manifestantes pró-democracia.

O jornalista, 50 anos, trabalhava para a agência de notícias japonesa APF News.

«As sanções não são o melhor passo a dar agora», disse o primeiro-ministro japonês aos jornalistas. «Temos de pensar cuidadosamente a melhor atitude a tomar», concluiu.

Fukuda afirmou que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mitoji Yabunaka, já tem agendada uma visita ao Myanmar para este fim-de-semana. «Esperamos que o Governo birmanês nos dê uma explicação», disse Fukuda. «E esperamos que a violência termine o mais depressa possível».

SOL

 

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« Responder #18 em: Setembro 28, 2007, 06:51:40 pm »
UE pede responsabilização dos países vizinhos

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A comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner apelou para a responsabilização dos países vizinhos do Myanmar para que contribuam para parar com a violência em Yangum, em declarações hoje proferidas à rádio alemã.
«O que é necessário são os contactos com o governo. São principalmente os países vizinhos, sobretudo a China, a Índia e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que devem verdadeiramente demonstrar o seu sentido de responsabilidade», afirmou.

A União Europeia está a esforçar-se por influenciar a China nesse sentido, e «Pequim agiu, até ao momento, nos bastidores», salientou.

«Mas é evidente que queremos uma solução eficaz e, sobretudo, que mais ninguém seja ferido ou morto», adiantou.

O emissário da ONU ao Myanmar, Ibrahim Gambari, chegou hoje a Singapura, de onde partirá para o Myanmar, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Singapura.

O diplomata nigeriano da ONU «transita por Singapura no seu trajecto para o Myanmar», segundo um comunicado do Ministério.

Na sua escala na cidade-Estado, o enviado especial reuniu-se com responsáveis de Singapura.

«Eles renovaram o forte apoio que dão à missão de Gambari em Myanmar e expressaram a esperança de que as autoridades de Myanmar beneficiem Gambari e a ONU na total cooperação, para se chegar a uma solução pacífica», lê-se no comunicado.

O visto de Gambari será válido a partir de sábado, afirmou quinta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura, George Yeo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decidiu quarta-feira enviar Gambari ao Myanmar, com carácter de urgência, devido à deterioração da situação no país.

Singapura assegura actualmente a presidência rotativa da ASEAN, da qual o Myanmar faz parte desde 1997.

Facto raro, o bloco asiático indignou-se publicamente, quinta-feira à noite, em Nova Iorque, com a situação no Myanmar, quebrando o princípio tradicional de não ingerencia nos assuntos internos dos seus membros.

Reunidos na sede da ONU, à margem da Assembleia geral das Nações Unidas, os ministros da ASEAN afirmaram, em comunicado, estar «chocados» com a utilização de armas automáticas e «exigiram que o governo birmanês cesse imediatamente de utilizar a violência contra os manifestantes».

Além do Myanmar, a ASEAN reúne o Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname.

A Junta Militar no poder na Birmânia tenta desde quarta-feira reprimir um vasto movimento de protesto liderado por monges budistas, que já provocou nove mortos, segundo a televisão estatal, embora o embaixador da Austrália no país tenha afirmado hoje que o número de vítimas mortais é superior ao balanço oficial.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #19 em: Setembro 28, 2007, 07:53:26 pm »
Reunião de emergência do CDH da ONU

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O Conselho dos Direitos Humanos da ONU reúne-se de emergência na terça-feira em Genebra para fazer o ponto da situação do levantamento popular no Myanmar e da repressão da junta militar no poder há quase duas décadas.
Esta iniciativa da União Europeia foi hoje anunciada à imprensa, em comunicado, pelo embaixador português junto da ONU em Genebra, Francisco Xavier Esteves.

«Devido à situação verdadeiramente preocupante em matéria de direitos humanos decidimos pedir ao presidente do Conselho dos Direitos Humanos (CDH) - o romeno Doru Costea - para promover uma reunião de emergência na terça-feira visando analisar especificamente o dossier do Myanmar», declarou.

«As situações urgentes requerem uma acção correspondente e o CDH tem de trabalhar para encontrar uma solução», acrescentou, frisando que este órgão não tem, contudo, mandato para sugerir ou pedir medidas concretas - como a aplicação de sanções - ao Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com o diplomata, na sessão de terça-feira deverá ser apresentada uma petição formal para que o relator especial da ONU para o Myanmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, seja autorizado a entrar naquele país asiático, onde até agora esbarrou com o «não» da junta militar.

A missão de Paulo Sérgio Pinheiro reforçaria a incumbida pelo secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, ao seu representante especial para a Birmânia, o nigeriano Ibrahim Gambari, que já recebeu «luz verde» de Yangum para um visto, por pressão da China, principal aliada da ditadura, à qual fornece armamento a troco de gás natural.

Na sequência de intensos contactos no CDH para lograr o «sim» de um terço dos membros efectivos, a petição acabou por obter 53 assinaturas, contando as de observadores que apoiaram a iniciativa, com ressalvas para a China e Índia.

Desde o princípio da semana que organizações não-governamentais como a Federação Internacional da Liga dos Direitos Humanos e a Human Right Watch estavam mobilizadas para exigir a reunião de emergência do Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

Na quarta-feira, a canadiana Louise Harbour, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, sensibilizou a junta militar birmanesa para permitir «manifestações pacíficas da oposição» pró-democrática, ameaçando com processos judiciais os autores de eventuais atrocidades.

«O abuso da força e detenções arbitrárias estão proibidos pelo direito internacional», frisou.

O embaixador português valorizou ainda um encontro hoje à tarde com o seu colega de Pequim, para «vislumbrar o alcance» da possível missão de Paulo Sérgio Pinheiro.

O comunicado lido pelo diplomata instou as autoridades birmanesas a dialogar com os diferentes actores sociais do país e a libertar os presos políticos, entre os quais a Nobel da Paz (1991) e dirigente da Liga Nacional para a Democracia (NLD), Aung San Suu Kyu, reclusa há quatro anos.

Se Paulo Sérgio Pinheiro conseguir entrar no Myanmar, deverá apresentar um relatório ao CDH a 07 de Dezembro, no reatamento da actual sessão deste órgão da ONU.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU, inaugurado em Junho de 2006, celebrou até à data quatro reuniões de emergência, respectivamente votadas ao Líbano, duas à Faixa de Gaza e a última a Darfur, província oeste do Sudão.

Depois de 11 dias de protestos liderados por monges budistas, com um saldo de pelo menos 15 mortos e um milhar de detidos, a junta militar birmanesa voltou hoje a ser confrontada com as reacções da comunidade internacional, especialmente as da Grã-Bretanha e Estados Unidos, para pôr imediatamente cobro à repressão dos manifestantes.

O Presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, voltaram a insistir, durante uma videoconferência, no fim dos confrontos no Myanmar.

Os estadistas destacaram a importância da deslocação de Ibrahim Gambari este fim-de-semana à Birmânia e a persistência da pressão internacional sobre a junta militar, para que aceite uma transição para a democracia, revelou Scott Stanzel, um porta-voz da Casa Branca.

O Presidente russo, Vladimir Putin, mais reservado, citado pela agência Ria-Novosti considerou para já «prematura» a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU aprovar sanções contra Yangum.

Por outro lado, o governo alemão - por intermédio do chefe de missão na Direcção para os Direitos Humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros - «condenou com firmeza» o recurso à violência dos militares birmaneses.

«As manifestações põem em evidência, uma vez mais, que a aspiração à liberdade existe em todo o mundo, em todas as culturas, e nenhum regime tem o direito de a reprimir pela força», acentuou Gunter Nooke, segundo o qual a Alemanha esteve entre os países da UE a propor a reunião de emergência do CDH.

A comissária europeia para as Relações Externas, a austríaca Benita Ferrero-Waldener, chamou por seu turno à responsabilidade países vizinhos da Birmânia como a China, Índia e a generalidade dos 10 membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A ASEAN tomou de imediato posição, exigindo a Rangum o fim da violência contra os manifestantes.

Pequim e Nova Deli foram igualmente instadas pelo primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, a «chamar à razão» a junta militar, em nome da «dignidade» do Myanmar.

No Japão, o líder do executivo, Yasuo Fukuda, lamentou a morte de um jornalista do seu país nas vagas de repressão na Birmânia, mas declinou suspender a ajuda humanitária a Yangum.

Nas Filipinas, a Presidente Gloria Arroyo insistiu na libertação dos presos políticos birmaneses, salientando o caso da Nobel da Paz.

O Vietname apelou à «contenção das partes» e a «negociações pacíficas» para «estabilizar rapidamente a situação», segundo um comunicado do chefe da diplomacia, Le Dung.

Hanoi insistiu na cooperação entre a junta militar e a ONU para, com «espírito construtivo», ser possível a «reconciliação».

No terreno, cerca de dois milhares de manifestantes marcharam hoje em Mandalay, segunda cidade do Myanmar, acabando por ser dispersados com tiros de intimidação disparados pelos militares

O exército e a polícia bloquearam os acessos a dois mosteiros locais, na tentativa de travar os monges budistas, quatro dos quais seriam detidos.

Mandalay é o centro do budismo no Myanmar, onde reside pelo menos metade dos bonzos do país.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #20 em: Setembro 28, 2007, 08:42:16 pm »
Imagens de satélite confirmam violência em Myanmar

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Imagens de satélite confirmaram as informações sobre aldeias incendiadas, deslocamentos forçados e outras violações dos direitos humanos em Myanmar, disseram cientistas.

A Associação Americana pelo Avanço da Ciência informou que fotos em alta resolução feitas por satélites comerciais documentam o aumento da presença militar em 25 pontos no leste de Myanmar, o que é compatível com os relatos de testemunhas.

«Encontrámos provas de 18 aldeias que praticamente desapareceram», disse Lars Bromley, da associação, numa entrevista.

«Recebemos informações no fim de Abril de que um grupo de aldeias no Estado de Karen tinha sido incendiado. Conseguimos identificar marcas dos incêndios no chão, quadradas, do tamanho de casas».

Myanmar, ex-Birmânia, passa pela pior onda de protestos desde uma revolta em 1988, que matou três mil pessoas. As manifestações são contra o governo militar, que domina o país há mais de quatro décadas.

A Associação das Nações do Sudeste Asiático manifestou «repulsa» pelas mortes de nove manifestantes em Yangon, e países como China e Estados Unidos já pediram à junta militar que pare de usar a força para reprimir os protestos.

O grupo de Bromley obteve financiamento do Instituto Sociedade Aberta e da Fundação Catherine T. MacArthur para alugar o satélite e comprar as imagens arquivadas.

Além das aldeias dizimadas, a equipa também encontrou provas de «deslocação forçada - em que um grupo de pessoas é levado para áreas mais remotas e obrigada a construir casas em locais sob o controle do governo militar», disse Bromley.

«Numa área perto de um acampamento militar que observámos, havia cerca de 31 aldeias que surgiram do nada no espaço de cerca de cinco anos e meio. Ou é um incrível baby boom ou algum tipo de programa específico, ou, como não temos informações sobre esses factos, a deslocação forçada é uma candidata lógica», disse.

Reuters/SOL

 

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« Responder #21 em: Setembro 28, 2007, 10:50:32 pm »
Embaixador francês porta-voz de «apelo à calma» da Presidência da UE

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O embaixador francês em Rangum está em contacto com as autoridades birmanesas para lhes transmitir pessoalmente a mensagem de «apelo à calma» da presidência portuguesa do Conselho Europeu, disse hoje à Agência Lusa fonte diplomática, em Bruxelas.
A escolha do embaixador francês deve-se ao facto de Portugal, que até 31 de Dezembro assume a presidência rotativa do Conselho Europeu, não ter representação diplomática na Birmânia (Myanmar), sendo este papel assumido pelo país que assume uma presidência seguinte.

«Como nem Portugal nem a Eslovénia têm embaixada em Rangum, a escolha caiu sobre a França», que presidirá à União Europeia (UE) no segundo semestre de 2008.

O embaixador Jean-Pierre Lafosse foi, assim, encarregue de reforçar pessoalmente junto das autoridades da Birmânia «uma mensagem de apelo à calma e à não violência», referiu a mesma fonte.

A Junta Militar tenta, desde quarta-feira, reprimir as manifestações contra o regime totalitário, iniciadas a semana passada por bonzos (monges budistas), tendo já causado um número indeterminado de mortos e feito detenções.

Entretanto, os 27 Estados-membros da UE concordaram, na quinta-feira, em preparar com urgência a adopção de novas sanções contra o regime militar da Birmânia, articuladas com medidas de apoio à sociedade civil, decisão já apoiada pelo Parlamento Europeu.

Por seu lado, Bruxelas, pela voz da comissária europeia para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner apelou aos países vizinhos da Birmânia, «sobretudo a China e a Índia», para que contribuam para parar com a violência em Rangum.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #22 em: Setembro 29, 2007, 02:08:01 pm »
Rupert Murdoch condena «horrores» da repressão

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O magnata dos média Rupert Murdoch condenou vivamente na sexta-feira os «horrores» da repressão desencadeada pela junta militar birmanesa contra monges budistas e manifestantes pró-democracia.

«Os direitos humanos estão a ser completamente esmagados», disse Murdoch, durante uma intervenção na Iniciativa Global Clinton sob o tema «O que deve ser feito?»

Murdoch, que tem vastos interesses comerciais na Ásia e não se tem destacado, muito pelo contrário, por tomadas de posições públicas denunciando abusos e repressões na região, produziu estes comentários num painel de debate sobre a construção do entendimento entre comunidades étnicas globais.

Na conferência, Murdoch esteve na mesa com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan e o Presidente da Croácia, Stipe Mesic.

A Iniciativa Global Clinton reúne chefes de Estado ou de Governo, celebridades, executivos empresariais e outras personalidades para enfrentarem questões como a pobreza e o desenvolvimento sustentável.

Mary Robinson, antiga Presidente da República da Irlanda e líder da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, moderou o debate, interrogando Rupert Murdoch, na sua qualidade de presidente do grupo News Corporation, acerca do papel dos média.

A moderadora questionou a «linguagem dura» utilizada para descrever aspectos da guerra contra o terrorismo, em especial a expressão «extremistas muçulmanos».

«Aceita que o uso de terminologia como "extremistas muçulmanos" é muito ofensivo e ainda assim é muito comum?» perguntou a Murdoch.

Murdoch, que é proprietário do agressivo tablóide New York Post e do canal de televisão Fox News, militantemente anti-progressista, respondeu: «A guerra ao terror é uma coisa muito real e algumas vezes exprime-se de maneiras diferentes. Há pessoas diferentes com diferentes pontos de vista sobre o assunto.»

E acrescentou: «Há extremistas católicos na Irlanda do Norte. Há extremistas protestantes na Irlanda do Norte. É assim que eles se definem uns aos outros.»

Mais adiante no debate, Mary Robinson perguntou a Murdoch como é que ele tencionava promover os direitos humanos através dos média que possui, entre os quais a editora Dow Jones, que publica o Wall Street Journal, que acabou de comprar por 5.000 milhões de dólares (3.530 milhões de euros)

«Nós estamos constantemente a promover e a aplaudir os que se levantam pelos direitos humanos», disse.

Murdoch, australiano naturalizado norte-americano, cujo grupo de média está sedeado em Nova Iorque, elogiou os esforços dos Estados Unidos para defender os direitos humanos.

«Não se deve esquecer o que os Estados Unidos fizeram no último século para salvar a Europa - primeiro do fascismo e depois do comunismo», afirmou Murdoch, voltando-se em seguida para a questão birmanesa.

«Aqui sentados hoje, não mencionámos os horrores que se verificam em Myanmar», disse. «O que deve ser feito?»

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #23 em: Setembro 29, 2007, 08:43:36 pm »
Manifestantes mostram-se ao enviado da ONU

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No dia em que o enviado especial das Nações Unidas visitou o país, as ruas de Myanmar voltaram a encher-de de manifestantes, apesar da violenta repressão militar dos últimos dias.

Muitos dos manifestantes que desfilaram em Yangum foram alvo dos bastões da polícia, tendo duas pessoas ficado gravemente espancadas.

Longe da principal cidade do país, em Pakokku, na região centro, centenas de monges lideraram uma marcha pacífica. Ambas as manifestações surpreenderam as autoridades.

As tropas birmanesas intensificaram os seus ataques nos útimos dias de forma a reprimir a população e passar a ideia de que a estabilidade tinha sido resposta.

As marchas inesperadas confirmaram ao enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, o clima de violência vivido na antiga Birmânia.

Gambari chegou hoje ao país para convencer o Governo a terminar os confrontos com os manifestantes, que totalizam pelo menos nove mortos, entre eles um jornalista japonês.

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« Responder #24 em: Setembro 30, 2007, 06:10:30 pm »
China promete trabalhar com comunidade internacional

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O primeiro-ministro chinês prometeu que Pequim «trabalhará com a comunidade internacional para conseguir uma solução adequada» em Myanmar (antiga Birmânia), anunciou este domingo o Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

As palavras do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, as primeiras proferidas por um alto dirigente comunista sobre a crise birmanesa, constituem uma resposta a insistentes apelos da comunidade internacional para que Pequim utilize a sua influência sobre a junta militar birmanesa.

Wen assegurou que a China está preocupada com a situação e deseja que se consiga «promover a reconciliação, a democracia e o desenvolvimento», para o que é necessário que a comunidade internacional «ofereça assistência construtiva».

O primeiro-ministro chinês defendeu o recurso a «métodos pacíficos» na crise que foi desencadeada pela violenta repressão da ditadura militar birmanesa sobre monges budistas e civis pró-democracia que se têm manifestado nos últimos dias no país.

Os comentários de Wen poderão indiciar uma mudança de atitude da China nesta matéria, já que até agora Pequim tem manifestado bastante discrição, evitando criticar a junta militar birmanesa.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #25 em: Outubro 01, 2007, 07:24:46 pm »
Junta paga para participarem manifestação a seu favor

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Soldados birmaneses estão a percorrer as ruas dos bairros mais pobres de Mandalay, a segunda maior cidade do país, em busca de cidadãos a quem oferecer dinheiro para participar num acto público a favor do regime, noticiou hoje a rádio Mizzima.
Membros de grupos paramilitares pró-governo como a Associação para o Desenvolvimento e a Solidariedade da União oferecem aos moradores 3.000 kyat (1.50 euros) se participarem na manifestação, que deve realizar-se hoje ou amanhã.

Os mesmos grupos ameaçam a quem se nega a ir à manifestação e advertem que terão que pagar 10.000 kyat (cerca de 5 euros) se não quiserem ter «problemas».

Estas organizações contam com o apoio total das forças de segurança.

«As autoridades utilizarão tudo para abafar qualquer tipo de protesto», sem que a Junta Militar assuma directamente a responsabilidade pela repressão, disse à emissora um morador de Mandalay.

Oficialmente, a concentração foi convocada em apoio à denominada Convenção Nacional, órgão encarregado de redigir a futura Constituição do país sem participação da oposição democrata.

Mandalay amanheceu hoje entre fortes medidas de segurança para impedir novas manifestações, com mosteiros cercados e vigiados por dezenas de soldados, e centenas de tropas adicionais nas ruas.

Domingo, a cidade viveu um pequeno acto de protesto de estudantes, que foi rapidamente dissolvido pela polícia e pelo exército. Para hoje está prevista pelo menos uma passeata, mas não se sabe se os religiosos, perseguidos pelas autoridades, vão participar.

A Junta Militar proibiu na semana passada as reuniões públicas de mais de cinco pessoas e impôs o recolher obrigatório em Yangum e Mandalay. O regime lançou uma dura repressão contra as mobilizações, que já causou pelo menos 16 mortos, 200 feridos e mais de 1.200 pessoas detidas, inclusivamente mil monges.

A antiga Birmânia (que a ditadura apelidou de Myanmar) é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990. Na ocasião, o partido oficial foi estrondosamente derrotado pela coligação liderada pela Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, mas os generais impugnaram os resultados.

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« Responder #26 em: Outubro 02, 2007, 05:43:08 pm »
Yangum tem que prestar contas por «resposta chocante»

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A alta comissária dos Direitos Humanos da ONU afirmou hoje, em sessão extraordinária daquele organismo, solicitada pela União Europeia, que o governo birmanês tem que prestar contas pela «resposta chocante» às pacíficas manifestações de rua.
Por sua vez, o embaixador português junto da ONU, Francisco Xavier Esteves, que falava em nome da Presidência portuguesa da União Europeia, considerou que «situações urgentes requerem reacções urgentes».

O presidente do Conselho de ministros da UE, Luís Amado, afirmou hoje em Lisboa, que a União Europeia poderá em breve aumentar a pressão sobre o regime birmanês - questão que será debatida na próxima reunião informal de chefes de Estado e de governo, a 18 e 19 de Outubro na capital portuguesa - mas advertiu que o papel da Europa na questão «vale o que vale».

Louise Arbour, alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, advertiu que o «mundo está de olhos postos na Birmânia (Myanmar)» e que as autoridades já não podem contar com o auto-imposto isolamento para se desresponsabilizarem pelos actos de repressão.

As comunicações modernas deram ao mundo uma visão sem precedentes sobre o que está a acontecer nas ruas de Yangum, disse Arbour ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, organismo de 47 países.

«As manifestações pacíficas a que assistimos nos últimos dias e a resposta chocante das autoridades são a manifestação mais recente da repressão dos direitos e liberdades fundamentais, que se regista há 20 anos», denunciou.

A responsável interveio na abertura da sessão extraordinária convocada a pedido da União Europeia, que conseguiu obter o apoio de mais de um terço dos 47 membros.

A alta comissária afirmou que o desaparecimento das manifestações das ruas birmanesas «não foi voluntário» e expressou a sua grande preocupação com a situação dos feridos «transportados para lugares desconhecidos», por monges que iniciaram as manifestações de protesto há duas semanas, «confinados nos seus mosteiros ou algo pior».

Por sua vez, o relator especial da ONU para o Myanmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, garantiu que está «revoltado com o crescente número de mortos e feridos» e instou o regime de Yangum a «renunciar às medidas brutais e a cooperar com a comunidade internacional».

O responsável pediu à junta militar birmanesa que «dê informação detalhada sobre o número de mortos, feridos, presos, quantos civis, quantos monges, etc».

«São questões muito claras e objectivas», disse, na sua intervenção perante o Conselho.

Durante a sessão, a UE apresentará um projecto de resolução que condenará a repressão exercida pela junta militar e que pede libertação dos presos políticos.

O projecto de resolução também insta o governo militar a comprometer-se urgentemente a encetar um diálogo nacional com todas as partes, para se alcançar uma reconciliação nacional e a democratização, e pede que Paulo Sérgio Pinheiro tente visitar urgentemente o país asiático para depois apresentar um relatório perante o Conselho dos Direitos Humanos.

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« Responder #27 em: Outubro 03, 2007, 12:33:34 pm »
Enviado da ONU com postura reservada em Singapura

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O enviado especial da ONU Ibrahim Gambari mantém uma postura reservada em Singapura, numa altura em que está a escrever o relatório sobre a sua deslocação a Myanmar, que apresentará quinta-feira ao secretário-geral das Nações Unidas.

Ibrahim Gambari chegou a Singapura na noite de terça-feira, depois de quatro dias de missão na Birmânia (Myanmar) devido à repressão militar das manifestações populares contra o regime que governa o país.

Na Birmânia, Gambari manteve encontros com o líder da Junta Militar, Than Shwe, e, pelo menos duas vezes, com a líder da oposição e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

O enviado das Nações Unidas, que deverá viajar para Nova Iorque ainda hoje para se reunir quinta-feira com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está incontactável e, segundo a agência France Press, os próprios funcionários do hotel onde está hospedado recusam passar chamadas telefónicas para Gambari.

Michele Montas, porta-voz do secretário-geral da ONU disse aos jornalistas que Gambari deverá falar ao Conselho de Segurança na sexta-feira.

Ibrahim Gambari foi enviado pelas Nações Unidas após a repressão militar das manifestações lideradas por monges budistas, consideradas o maior desafio ao regime birmanês dos últimos 20 anos.

A acção militar contra populares e religiosos terá provocado pelo menos 13 mortos, mas grupos de dissidentes birmaneses afirmam que pelo menos 200 pessoas terão sido mortas e seis mil terão sido detidas.

A Birmânia é governada pelos militares desde há 45 anos e não celebra eleições parlamentares desde 1990, quando o partido oficial foi derrotado por larga vantagem pela Liga Nacional para a Democracia (LND), liderado Suu Kyi, resultado que não foi aceite pela Junta Militar.

Os protestos contra as medidas de austeridade da Junta Militar - iniciados a 19 de Agosto depois do governo birmanês ter anunciado um aumento de mais de 500 por cento do preço da gasolina - transformaram-se em protestos em massa contra a ditadura militar quando os monges budistas começaram a liderar as manifestações a 18 de Setembro.

Na semana passada, em resposta aos protestos contra a Junta Militar, os militares dispararam indiscriminadamente contra os manifestantes desarmados, matando pelo menos dez pessoas, entre as quais um jornalista japonês, segundo dados do governo birmanês.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #28 em: Outubro 03, 2007, 10:23:57 pm »
UE-27 chega a acordo sobre reforço das sanções ao Myanmar

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Os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) chegaram hoje a acordo, em Bruxelas, sobre o reforço das sanções, sem especificar de que tipo, contra a Junta Militar da Birmânia (Myanmar), anunciou a presidência portuguesa da UE.
Em reunião do Comité dos Representantes Permanentes (Coperer, composto por embaixadores dos 27), os Estados-membros decidiram avançar com todos os requisitos para que seja tomada uma decisão final no próximo Conselho de Ministros dos Assuntos Gerais e Relações Externas, marcado para 15 de Outubro, no Luxemburgo.

O Coreper sublinhou ainda a importância de serem desenvolvidas acções políticas e diplomáticas que envolvam os países da região.

Os 27 querem ainda pedir à Comissão Europeia que procure aumentar a ajuda humanitária no Myanmar.

Desde 25 de Setembro, segundo a oposição birmanesa, a repressão das manifestações provocou cerca de 200 mortos, embora a Junta Militar apenas reconheça a morte de dez pessoas.

A Birmânia é governada há 45 anos por militares, em regime de ditadura.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #29 em: Outubro 04, 2007, 02:19:48 pm »
Detenções continuam em Yangum, dizem residentes

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Militares birmaneses detiveram na noite de hoje dezenas de pessoas em Yangum, levando-as para local desconhecido, segundo residentes e a imprensa dissidente no exílio.

«Muitas pessoas foram presas durante a noite, mas é difícil saber exactamente quantas pessoas foram detidas», disse um residente de Yangum citado pela AFP.

Residentes e grupos dissidentes disseram que durante a noite, famílias inteiras foram levadas das suas casas por militares e transportadas em camiões para local desconhecido.

A presença militar era hoje especialmente ostensiva na zona histórica da antiga capital da Birmânia (Myanmar) e num dos seus centros espirituais, o grande pagode de Shwedagon.

Há uma semana, Yangum viveu o dia mais sangrento desde que os monges budistas lideraram manifestações para exigir a democratização do país, de que resultaram pelo menos 10 mortos, segundo o governo, embora os grupos dissidentes afirmem que os militares mataram cerca de 200 pessoas.

A BBC noticiou que monges budistas estão a tentar fugir de Yangum na sequência da repressão dos militares.

Ao amanhecer, militares que circularam em alguma zonas de Yangum em veículos com altifalantes avisaram que a população de que vão continuar as detenções.

«Nós temos fotografias. Vamos prendê-los«, avisaram os militares, segundo a BBC.

O enviado da ONU Ibrahim Gambari deverá informar hoje o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, sobre a sua deslocação de quatro dias ao Myanmar, onde se reuniu com a Junta Militar que governa o país e a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que se encontra sob prisão domiciliária desde 2003.

Diário Digital / Lusa