Kosovo - À Procura do Beijo Impossível

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Jorge Pereira

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« Responder #30 em: Dezembro 13, 2007, 05:18:03 pm »
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No Kosovo está um major-general português ao serviço das Nações Unidas. Entrevistado pelos enviados da SIC ao território, Raúl Cunha tem uma opinião muito critica. O major-general diz que a ONU tomou partido no conflito, que há interesses de alguns países na região e acredita que apesar da independência, o Kosovo não é um país viável.

No próximo dia 20 de Janeiro, os habitantes da Sérvia vão a votos para eleger o novo Presidente. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo presidente do Parlamento, Oliver Dulic.

Numa altura em que as negociações sobre o futuro do Kosovo falharam, o Executivo sérvio abriu um departamento do Governo, em Mitrovica, uma cidade em que sérvios e albaneses vivem separados por um rio, cuja fronteira é controlada pela polícia internacional.

As Nações Unidas já se pronunciaram sobre o caso, dizendo a presença de membros do Governo sérvio no Kosovo é uma provocação. A data limite das negociações terminou na segunda-feira dia 10 de Novembro, sem qualquer efeito. As autoridades internacionais temem que qualquer avanço dos kosovares albaneses ponha em causa a paz na região, que está sob a administração das Naçoes Unidas desde 1999. No terreno estão cerca de 16 mil homens, entre os quais 290 militares portugueses.

Com receio de um aumento da instabilidade, a União Europeia prepara-se para enviar mais mil e 600 homens para a região, numa missão de supervisão. O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, disse esta terça-feira que a missão é ilegal e ameaça cortar as relações com Bruxelas.

Apesar dos esforços de mediação da Troika, composta pela União Europeia, Estados Unidos e Rússia, as duas partes continuam irredutíveis. A Sérvia aceita conceder uma autonomia alargada, mas recusa a independência. Por outro lado, os kosovares albaneses garantem que vão declarar a independência de forma unilateral.

O estatuto do Kosovo voltará a ser debatido no Conselho de Segurança da ONU a 19 de Dezembro.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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« Responder #31 em: Dezembro 13, 2007, 09:09:59 pm »
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Kosovo: nova bomba-relógio nos Bálcãs
Novo capítulo na trágica história de intevenções internacionais na ex-Iugoslávia: a ONU está prestes a estimular a "independência" do Kosovo, sem ter promovido negociação real entre as partes e sem nenhuma perspectiva de apoio a uma região marcada pela pobreza
Artigo de Jean-Arnault Dérens em
21/03/2007

Se as propostas do emissário especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentadas no dia 2 de fevereiro de 2007, servirem de base para uma resolução do Conselho de Segurança, colocarão o Kosovo em uma via que leva, sem equívoco, à independência. O novo país redigirá sua Constituição, terá um hino, uma bandeira e, sobretudo, poderá aderir a todas as organizações internacionais, principalmente às Nações Unidas. Certamente, a palavra “independência” não figura em parte alguma no texto de Ahtisaari. Mas não cabe ao Conselho de Segurança decretá-la: isso seria contrário à Carta da ONU. O acesso à independência resulta de duas ações: sua proclamação e seu reconhecimento por outros países. Enfim, o documento de Ahtisaari não contém nenhuma referência à soberania da Sérvia. Como o direito internacional não suporta o vazio, cabe dizer que o Kosovo foi chamado a se tornar soberano.
Os dirigentes albaneses saudaram o documento, que constitui um passo importante no sentido de sua principal reivindicação. Em compensação, as propostas são inaceitáveis para a Sérvia, e não seria de se espantar a reação categórica de recusa expressa por todos os seus governantes, a começar pelo presidente da República, Boris Tadic. Mesmo que muitos dirigentes sérvios tenham apenas um interesse medíocre pelo Kosovo e expliquem, em privado, que o país teria todo interesse em se desembaraçar dessa "amarra" (em troca da promessa de uma aproximação acelerada com a União Européia), um político sérvio que admita a soberania do Kosovo estará assinando sua morte política.
A posição de Belgrado foi retomada muitas vezes: sim à maior autonomia possível, mas sem proclamação formal de independência. Recentemente, Vladeta Jankovic, conselheiro do primeiro-ministro Vojislav Kostunica, evocou a fórmula "um único Estado, duas sociedades distintas". Ela excluiria qualquer possibilidade de intervenção da Sérvia na vida política interna do Kosovo.
Independência no papel, tutela internacional na prática
É possível avaliar que os argumentos sérvios hostis à independência reivindicada por Pristina são ilegítimos ou não merecem ser aceitos. Talvez, a vontade dos albaneses -– que representam a maioria esmagadora da população do Kosovo -– deva prevalecer. Em compensação, a honestidade intelectual obriga a reconhecer que o texto de Ahtisaari não é em nada um documento de “acordo”: ele não leva em conta nenhum dos argumentos de Belgrado.
O princípio de uma negociação que leve a um acordo supõe que as duas partes renunciem a algumas de suas pretensões, para achar um campo de entendimento aceitável. No caso do Kosovo, não houve acordo entre Belgrado e Pristina, e talvez seja impossível conseguir um. Também não existiram verdadeiras negociações. No único encontro de alto nível, organizado em Viena, no dia 24 de julho de 2006, as duas partes limitaram-se a expressar suas respectivas posições, ouvidas por Ahtisaari. Em seguida, ele elaborou, sozinho, o documento que deverá ser submetido ao Conselho de Segurança em uma data desconhecida, e que será levado em conta de acordo com a partida de pôquer diplomática iniciada com a Rússia.
O Kosovo provavelmente atingirá uma independência formal. Que, no entanto, será logo limitada por uma pesada tutela internacional, por tempo indeterminado. Tão pesada quanto aquela que perdura desde o fim da guerra na Bósnia-Herzegóvina, com os decepcionantes resultados que conhecemos. No documento enviado por Ahtisaari, os poderes conferidos ao representante civil internacional (ICR – International Civilian Representative), também representante da União Européia, seriam da mesma natureza que os poderes especiais, conhecidos como “poderes de Bonn”. Acertados com o alto representante internacional na Bósnia-Herzegóvina, eles incluem principalmente a possibilidade de impor ou de revogar leis votadas pelo Parlamento, ou destituir dirigentes políticos. O mandato do ICR terminará somente quando o grupo gestor internacional (ISG – International Steering Group), delegado pelo Conselho de Segurança da ONU, decidir que o Kosovo pode passar sem essa tutela.

Uma proposta que provoca protestos em Pristina

No entanto, os efeitos contraproducentes da tutela internacional são bem conhecidos na Bósnia-Herzegóvina. Ela confina os dirigentes políticos locais na irresponsabilidade, permitindo-lhes se entregarem às alegrias do enriquecimento. Ela é também geradora de uma gestão opaca do dinheiro, permitindo comprar a “sabedoria” e a “moderação” dos políticos locais. É, assim, estruturalmente produtora de corrupção. As mesmas causas não deixarão de produzir os mesmos efeitos sobre o Kosovo.
A nova tutela que será exercida pela União Européia vai se dar ao fim de cerca de oito anos de um protetorado internacional da ONU, cujo balanço é particularmente pobre. O objetivo de uma sociedade multiétnica permanece um voto piedoso, a falência da justiça é total, a situação econômica e social continua catastrófica. Mesmo que nenhum limite de tempo seja fixado no documento de Ahtisaari, a tutela internacional conserva um caráter transitório. No entanto, por que se deveria pensar que o Kosovo estará “mais apto” a se autogovernar sem tutela, em um, dois ou cinco anos do que atualmente?
É possível pensar também que os cidadãos e os políticos albaneses aceitarão de bom grado essa tutela de longa duração? Durante entrevista coletiva à imprensa, em 2 de fevereiro, os membros da equipe unitária albanesa de negociação exibiram sorrisos forçados. Haviam compreendido que a perspectiva de uma independência “plena” ainda permanecia distante.

Mais radical, Albin Kurt, dirigente do movimento Vetëvendosje (Autodeterminação) ressalta o caráter antidemocrático da tutela internacional. No dia 10 de fevereiro, seus militantes fizeram uma manifestação nas ruas de Pristina, denunciando violentamente as propostas de Ahtisaari. Na realidade, enquanto a vontade dos cidadãos de Kosovo e de seus legítimos eleitos não coincidir com as aspirações da “comunidade internacional” essa terá, em todas as circunstâncias, a última palavra. Os conflitos, não há dúvida alguma, não tardarão a se multiplicar, e o Vetëvendosje terá certamente a chance de organizar muitas outras manifestações...

O Kosovo sofre de uma carência de experiência democrática evidente. Ora, não existe democracia sem responsabilidade dos representantes políticos, que devem assumir plenamente seus atos e suas conseqüências. Cada vez mais, um número crescente de albaneses não suporta a arrogância da “gangue dos 4 x 4 brancos” (como o movimento Vetëvendosje denomina os funcionários da ONU e de outras organizações internacionais). Passado o possível momento de euforia da proclamação da independência, esse ressentimento só pode aumentar, e nada permite supor que a situação econômica e social do Kosovo possa melhorar. Ao mesmo tempo, as propostas do emissário da ONU vão levar, no final, a uma nova prova de força com Belgrado e a conseqüências imprevisíveis.

Multietnia de fachada como símbolo nacional

O documento enviado por Ahtisaari insiste no caráter “multiétnico” da sociedade que é preciso construir no Kosovo. Essa injunção soa bem pouco plausível: sérvios e roms foram vítimas de um êxodo maciço desde que as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) entraram ali em 1999.
Em 2003, o administrador da ONU, Michael Steiner, fixou oito “padrões” que o Kosovo deveria atingir antes que suas discussões sobre seu estatuto final pudessem começar. Os mais importantes desses “padrões” previam o direito à volta dos exilados e dos refugiados, assim como a liberdade de circulação para todos os habitantes do Kosovo. Eles não foram absolutamente alcançados, mas os motins do dia 17 de março de 2004 e o temor de novas ações violentas dos “extremistas” albaneses levaram a ONU a precipitar a abertura do processo de definição do estatuto. A própria “comunidade internacional” renunciou, então, a respeitar os princípios que ela tinha fixado.
O documento de Ahtisaari prevê direitos específicos para os membros de todas as comunidades nacionais e confessionais. Os futuros símbolos do Kosovo deverão incluir os “símbolos nacionais” dessas diferentes comunidades. A perspectiva de uma bandeira que inclua símbolos albaneses, sérvios, roms, bósnios, turcos, ashkallis, egípcios é um verdadeiro desafio à vexilologia...
Se é animador que os “pequenos povos” do Kosovo não tenham sido esquecidos, essa atenção chega bem tarde. Além disso, o “sistema” estabelecido pela “comunidade internacional” não deixa de produzir efeitos perversos. Turcos e bósnios devem aceitar submeter-se a uma “albanização” brutal para garantir seu lugar no espaço social do Kosovo. A administração da ONU continua a promover a língua bósnia, enquanto os bósnios do Kosovo falam naturalmente sérvio, com sotaque sérvio do Kosovo. Da mesma maneira, o sistema administrativo estabelecido, desde 1999, favoreceu a cisão da comunidade dos roms e o desenvolvimento de novos grupos étnicos, os ashkallis e os egípcios. No Kosovo “multiétnico” de amanhã, alguns dirigentes comunitários amplamente autoproclamados poderão continuar a desfrutar das benesses do sistema, desde que aceitem servir de álibi étnico.
A difícil equação sobre os direitos da minoria sérvia
Como todas as sociedades dos Balcãs, a sociedade do Kosovo jamais foi “multiétnica”, pelo menos no sentido como o entendem as boas mentes internacionais. Em compensação, diferentes comunidades nacionais, lingüísticas e/ou confessionais sobreviveram nesse território durante séculos, em relativa harmonia. Suas relações não pararam de evoluir e de se redefinir ao sabor de diferentes lógicas de interesses, conflito ou cooperação. A experiência histórica dos últimos vinte anos -– a violência do regime de Milosevic, o desenvolvimento do nacionalismo albanês, a guerra, o triste pós-guerra no qual se afunda o Kosovo há quase oito anos -– cortaram um grande número de relações intercomunitárias .
O discurso internacional reconhecido sobre a “multietnicidade” tem muito poucas chances de restaurá-las.A descentralização constitui, por outro lado, um dos pontos principais das propostas de Ahtisaari. No jargão das Nações Unidas, a palavra “descentralização” tornou-se a maneira politicamente correta de evocar as vantagens e privilégios concedidos aos sérvios do Kosovo, para tentar convencê-los a não abandonar o território ou a não fazer secessão. Assim, as vantagens propostas pelo documento de Ahtisaari às municipalidades sérvias do Kosovo são nitidamente mais substanciais do que a autonomia concedida à República Srpska da Bósnia-Herzegóvina. Os sérvios do Kosovo terão especialmente o direito à dupla cidadania, enquanto as municipalidades autônomas sérvias poderão estabelecer relações entre elas e com a Sérvia. Cria-se, então, uma “República Srpska do Kosovo e Metohija”, mas sem, evidentemente, pronunciar seu nome. Nessa operação, a hipocrisia perde apenas para a ingenuidade.
É perfeitamente ilusório imaginar que os albaneses aceitarão sem reclamar essa amputação de uma parte importante do território do Kosovo, que escaparia de fato da autoridade de Pristina. É mais absurdo ainda pensar que as vantagens prometidas vão convencer os sérvios a aceitarem de bom grado tornar-se cidadãos de um Kosovo independente. Em sua crônica semanal no diário sérvio Danas, o próprio ex-embaixador norte-americano em Belgrado, William Montgomery, reconheceu que “os sérvios do Kosovo não têm a menor razão para confiarem na comunidade internacional”, e que as garantias prometidas às minorias nacionais não passam de “palavras no papel”
Um convite às secessões e "limpezas étnicas"
Após o novo estatuto das municipalidades proposto pelo relatório de Ahtisaari, os problemas poderão se concentrar em três setores.
A região de Gnjilane/Gjilan, a grande cidade do leste do Kosovo, próxima da fronteira sérvia, é a mais afetada pela descentralização. A maioria dos povoados em volta da cidade são sérvios, e constituiriam novas municipalidades autônomas ou bem ligadas àquela existente de Novo Brdo. Desse modo, Gnjilane/Gjilan seria “cercada” por municipalidades sérvias. O movimento Vetëvendsje concentra sua campanha contra a descentralização nessa zona, jogando com o sentimento de medo dos albaneses. Para esses militantes radicais, a descentralização leva indubitavelmente à divisão do Kosovo.
A zona sérvia do norte do Kosovo forma o outro gargalo. As propostas de Ahtisaari sugerem congelar a situação que prevalece na área. O rio Ibar marca uma fronteira que separa o norte do Kosovo, vizinho à Sérvia, do resto do território. Entretanto, as posições dos dirigentes sérvios locais permitem pensar que no caso da independência formal do Kosovo, essa zona se separaria do novo país e poderia reabrir um foco fundamental de tensões.
Se violências, provocadas por elementos radicais albaneses ou sérvios, explodirem nos próximos meses, os sérvios dos enclaves situados ao sul do rio Ibar vão se encontrar na situação mais difícil. Nenhuma forma de autonomia foi prevista para alguns desses enclaves, como os povoados de Gorazdevac e Velika Hoca ou o gueto sérvio de Orahovac/Rahovec. É também no sul do Kosovo que se encontram os mais prestigiosos monastérios sérvios, como Visoki Decani e a sede patriarcal da Igreja ortodoxa, em Pec/Peja. Um estatuto de exceção é previsto para as igrejas e os monastérios, junto a grandes “zonas de segurança”, o que desagrada muitos albaneses.
As experiências de junho de 1999 e março de 2004 mostraram a confiança que se poderia ter nas tropas da Otan para proteger os santuários medievais e as populações civis... Novas destruições e um novo êxodo dos sérvios de enclaves constituem cenários que não poderiam ser excluídos. Aliás, o Alto-comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) elabora discretamente, há meses, dispositivos para enfrentar o afluxo de novos refugiados na Sérvia.
A grande lacuna: nenhuma medida para garantir vida digna
Ahtisaari parece retomar por sua conta dois princípios errôneos e contraproducentes seguidos pela comunidade internacional em sua gestão das guerras iugoslavas dos anos 1990: separar uns problemas dos outros e ganhar tempo diferenciando a resolução dos problemas.
Nenhuma solução aceitável da questão do Kosovo será encontrada ao se fazer abstração do contexto regional, e principalmente, da existência de uma questão nacional albanesa que abangre os dois lados da fronteira. Muito pelo contrário, o arranjo institucional que Ahtisaari propõe para o Kosovo, que “isolou” de seu contexto regional como produto de laboratório, corre o risco de desencadear um novo incêndio regional. Provocará inúmeras frustrações, tanto entre os sérvios como entre os albaneses.
No momento em que 60% da população do Kosovo tem menos de 25 anos e o desemprego atinge oficialmente mais da metade da população activa, frustrações sociais e sonhos nacionais poderiam produzir um coquetel explosivo. No sistema de tutela que deverá ser estabelecido, caberá à União Européia continuar a pagar os custos de pesadas missões civis e militares, vastos e inoperantes programas de reconstrução, sem esquecer os lucrativos honorários de inúmeras legiões de especialistas. Essa administração neocolonial não tardará a atrair o ressentimento das populações.
Na verdade, falta o essencial. Uma verdadeira estratégia de desenvolvimento econômico do Kosovo, que suponha uma integração regional ligada a uma perspectiva plausível de integração européia. Na falta do que, o Kosovo corre o grande risco de continuar, ainda por muito tempo, um barril de pólvora.
Segue outro...

BUCHADA antes de deixar a Casa Branca?...
Kosovo
A exortação do presidente dos EUA à independência unilateral do Kosovo pode incendiar de novo os Bálcãs e faz lembrar a responsabilidade das potências ocidentais pelas guerras civis na região
por Ignacio Ramonet em Julho 2007

Há oito anos sem solução, a espinhosa questão do Kosovo instala-se, outra vez, no centro da política internacional. O presidente dos Estados Unidos George W. Bush alarmou as chancelarias declarando, sem dúvida aquecido por um acolhimento triunfal em Tirana (Albânia), em 10de junho passado, que era necessário saber dizer basta “quando as negociações se prolongam em demasiado”. De acordo com Bush, Kosovo deve declarar unilateralmente sua independência, e Washington a reconhecerá sem esperar o veredito do Conselho de Segurança da ONU.

Questiona-se porque cinqüenta anos não foram suficientes para criar um Estado independente na Palestina (com as trágicas e conhecidas conseqüências), e porque, em contrapartida, é necessário solucionar a questão do Kosovo o mais rapidamente possível.

Bálcãs, onde as potências ocidentais também são culpadas

Nos Bálcãs, precipitação diplomática pode ser sinônimo de catástrofe. Vale lembrar a pressa da Alemanha e do Vaticano em reconhecer, em 1991, a secessão da Croácia, que favoreceu o desmembramento da ex-Iugoslávia e o desencadeamento da Guerra Servo-Croata, seguido pela Guerra da Bósnia-Herzegovina. Sem minimizar o papel nefasto do ex-presidente Slobodan Milosevic e dos extremistas partidários da Grande Sérvia, é necessário admitir que as potências européias têm responsabilidade em tais conflitos, os mais mortíferos do Velho Continente desde a II Guerra Mundial.

A precipitação favoreceu, também, a Guerra do Kosovo, em 1999, quando potências européias e os Estados Unidos recusaram-se a prosseguir as negociações com Belgrado e rejeitaram o debate no Conselho de Segurança. Em seguida, sem o apoio da ONU, utilizaram-se da Organização do Tratado do Atlântico do Norte (Otan) para bombardear a Sérvia durante vários meses e forçar suas forças a deixarem o Kosovo.

Em junho de 1999, a resolução 1244 da ONU pôs fim à ofensiva, e colocou Kosovo sob administração das Nações Unidas, enquanto uma força da Otan, o KFOR (constituída de 17 mil homens) garantia a defesa. A resolução 1244 reconheceu a vinculação do Kosovo à Sérvia
. O que é decisivo, pois o princípio adotado pelas potências implicadas nas recentes guerras dos Bálcãs sempre foi o de respeitar as fronteiras internas da antiga República Socialista Federal da Iugoslávia. Em nome desse princípio, os projetos da Grande Croácia e da Grande Sérvia, que ameaçavam desmontar a Bósnia-Herzegovina, foram recusados e combatidos. É nesse alicerce, sustentado também pela Rússia, entre outros países, que a Sérvia se apóia, hoje, para recusar o plano proposto pelo mediador internacional Martti Ahtisaari.

Os riscos de uma uma independência não-negociada

A independência será, talvez, a solução inevitável para o Kosovo, em vista dos enormes obstáculos à sua manutenção no âmbito administrativo da Sérvia. Mas tal caminho pode ser encarado apenas em estreita e prolongada harmonia com Belgrado, preocupada com a proteção da minoria sérvia que reside na região.

Uma independência precipitada como pede o presidente Bush, não negociada no âmbito da ONU, poderia provocar a constituição, em curto prazo, de uma Grande Albânia, que relançaria automaticamente os irredentismos croata e sérvio, às custas da Bósnia-Herzegovina. Sem falar do precedente internacional explosivo que isso constituiria para múltiplas entidades tentadas a proclamar — elas também unilateralmente — sua independência. A saber: Palestina (em relação a Israel), Saara Ocidental (ao Marrocos), Transdniestria (à Moldávia), Curdistão (à Turquia), Tchetchnia (à Rússia), Abakhazia (à Geórgia), Nagorno-Karabakh (ao Azerbaijão), Taiwan (à China), ou mesmo na própria Europa, o País Basco e a Catalunha (à Espanha e França), para citar apenas esses casos.

Bush está pronto para garantir tais independências como declara querer fazer para o Kosovo?

Temos diante dos olhos os incríveis estragos causados no Oriente Médio pelas iniciativas irresponsáveis do atual presidente dos Estados Unidos. Sua pesada incursão agora, num teatro tão explosivo como o dos Bálcãs — um dos mais perigosos do mundo — consterna e espanta.

http://vimaraperesporto.blogspot.com/20 ... disto.html
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« Responder #32 em: Dezembro 15, 2007, 08:22:33 pm »
Kosovo: Grécia considera "um erro" ligar a questão do território ao futuro da Sérvia na UE


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Atenas, 15 Dez (Lusa) - A ministra dos Negócios Estrangeiros da Grécia, Dora Bakoyannis, disse hoje que será "um erro" ligar a perspectiva de adesão da Sérvia à União Europeia (UE) à questão do "estatuto futuro" do Kosovo.

"Nestes momentos críticos qualquer tentativa de ligar a perspectiva europeia da Sérvia à questão do Kosovo será contraproducente", declarou Bakoyannis interrogada sobre esta questão.

"Será um erro fazer a ligação entre estas duas questões", sublinhou.

O Presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou sexta-feira em Bruxelas que a Sérvia "tem um futuro" na UE "se respeitar os Direitos do Homem e a independência do Kosovo".

O Primeiro-Ministro sérvio Vojislav Kostunica qualificou como "inaceitável" e "ofensivo " a proposta da UE de acelerar a adesão de Belgrado à Europa caso renuncie ao Kosovo.

A UE decidiu, sexta-feira, enviar uma missão de agentes policiais e judiciais ao Kosovo.

 

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comanche

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« Responder #33 em: Dezembro 21, 2007, 06:44:45 pm »
Kosovo: UE deverá ter em conta interesses da Sérvia - eurodeputado alemão


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Moscovo, 21 Dez (Lusa) - Os interesses sérvios deverão ser tidos em conta na solução a dar ao estatuto da sua província meridional do Kosovo, que, inicialmente, não poderá gozar de uma soberania ilimitada, declarou hoje um destacado eurodeputado alemão, em Moscovo.

O alemão Elmar Brok, democrata-cristão do CDU da chanceler Ângela Merkel e membro da Comissão das Relações Externas do Parlamento Europeu, declarou aos jornalistas que, apesar de concluídas as negociações entre as delegações sérvia e albanesa, sobre o futuro estatuto do Kosovo, têm de ser tidos em conta os interesses de Belgrado.

"A comunidade internacional, em geral, e a União Europeia (UE), em particular, deverão assumir todas as responsabilidades e deixar claro que o Kosovo não poderá gozar logo de início de uma soberania ilimitada", frisou.

Brok disse que na capital russa viu confirmada a sua percepção de que "a Sérvia, um país orgulhoso, nunca poderá ser negligenciada".

Moscovo opõe-se frontalmente à independência da província sérvia sob administração da ONU (MINUK) desde o fim dos bombardeamentos da Aliança Atlântica (NATO), em 1999, enquanto Washington apoia os separatistas da maioria albanesa no território (90 por cento dos cerca de dois milhões de habitantes).

Depois de uma moratória de 120 dias - entre Agosto e 10 de Dezembro -, o Conselho de Segurança das Nações Unidas ficou quarta-feira num impasse quando se debruçou sobre o relatório da troika de mediadores para o Kosovo (Estados Unidos, Rússia e UE).

Belgrado está disposta a ir até à concessão de uma ampla autonomia ao Kosovo, mas Pristina não abre mão da reivindicação da independência.

O texto dava conta do fracasso das negociações devido à intransigência das partes na defesa das suas posições antagónicas, reiteradas no Conselho de Segurança por altos responsáveis sérvios e albaneses.

Face ao impasse na ONU, os cinco países europeus com assento no Conselho de Segurança - Reino Unido, França, Bélgica, Eslováquia e Itália (este mês com a presidência rotativa) - anuíram em passar o dossier kosovar para as esferas da UE e da NATO, que mantém uma força internacional no território (KFOR).

O chefe da delegação russa na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Konstantin Kosatchev, indignou-se com o facto de "pela primeira vez na história da ONU duas organizações (UE e NATO) poderem vir a decidir o destino de um país (Sérvia) que não as integra".

Kosatchev concluiu recordando que em Abril houve um debate na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa bem esclarecedor sobre as clivagens existentes na UE relativamente ao futuro estatuto do Kosovo.
 

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« Responder #34 em: Dezembro 25, 2007, 08:11:44 pm »
Sérvia: Belgardo ameaça retaliação contra Ocidente caso Kosovo se torne independente
25 de Dezembro de 2007, 16:27

Belgrado, 25 Dez (Lusa) - A Sérvia planeia adoptar uma série de medidas de retaliação contra o Ocidente se for reconhecida a independência do Kosovo e admite o corte de relações diplomáticas com os Estados Unidos e países da UE, anunciaram hoje as autoridades de Belgrado.

As autoridades sérvias também rejeitam a ideia de uma missão da União Europeia (UE) no Kosovo até que se resolva o impasse sobre o futuro daquela região.

Na quarta-feira, o parlamento sérvio vai debater uma resolução proposta pelo governo que força as autoridades sérvias a nunca aceitarem a independência do Kosovo.

Os albaneses do Kosovo ameaçam proclamar a independência no próximo ano, e os Estados Unidos e vários países europeus indicaram que poderiam reconhecer o novo Estado. A Sérvia, apoiada pela Rússia, insiste que o Kosovo, uma província de dois milhões de habitantes, com 90 por cento de albaneses, deve continuar no seu território.

A UE concordou em enviar uma missão com 1.800 membros para o Kosovo para substituir o actual sistema na província, que está sob administração das Nações Unidas e da NATO desde que começou o conflito em 1999 entre sérvios e separatistas albaneses.

A resolução do governo sérvio, que deverá será aprovada pelos nacionalistas que dominam o parlamento, afirma que a missão da UE não é bem vinda antes de o Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde a Rússia tem poder de veto, determinar o futuro estatuto do território.

"O envio de uma missão da UE seria vista como um acto que despreza a soberania territorial e a constituição da República Sérvia", segundo uma cópia do documento divulgada pela Associated Press. A Rússia também se opõe ao envio da missão europeia sem o consentimento de Belgrado.

O documento afirma que a Sérvia deve "reconsiderar" as suas relações diplomáticas com países ocidentais que reconheçam a independência do Kosovo. Acrescenta que dado o apoio da NATO à independência do Kosovo, Belgrado permanecerá fora desta aliança militar.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Vuk Jeremic, afirmou que a resolução "representa a continuação das políticas do governo para com o Kosovo".

Mas o líder do Partido Liberal, Cedomir Jovanovic - um dos poucos políticos sérvios que não se opõe à independência do Kosovo - considera que a resolução proposta "representa o fim da Sérvia e o fim das suas políticas pró-europeias".

"Não apoiaremos a resolução porque significa o regresso ao isolacionismo anti-ocidental do antigo líder sérvio Slobodan Milosevic," disse Jovanovic, acrescentando que uma resolução semelhante foi adoptada pela assembleia, em 1999, na véspera dos bombardeamentos da NATO contra a Sérvia para que esta terminasse as suas acções militares contra os separatistas albaneses do Kosovo.

O projecto de resolução também afirma que a Sérvia deve "agir eficientemente para proteger as vidas e propriedade" dos não albaneses do Kosovo no caso de ser proclamada a independência, mas não especifica se isto inclui uma intervenção armada advogada pelos ultranacionalistas sérvios.

O texto da resolução, que se presume ter sido redigida pelo primeiro-ministro conservador, Vojislav Kostunica, também afirmava que a planeada assinatura de um acordo de pre-adesão com a União europeia "devia estar em conformidade com a preservação da integridade territorial e soberania do país".

O partido no poder, de Kostunica, exigiu anteriormente que a assinatura do chamado acordo de estabilização e associação com a UE fosse condicionado pela aceitação pelo bloco europeu de que o Kosovo faz parte integrante da Sérvia.

Mas o Presidente pro-ocidental Boris Tadic conseguiu remover essa parte da resolução, afirmando que a Sérvia deve continuar empenhada na futura adesão à UE seja qual for o futuro estatuto do Kosovo no futuro.

SRS.

Lusa/fim
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ricardonunes

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« Responder #35 em: Janeiro 26, 2008, 12:25:17 pm »
O parto do Kosovo e a parteira de Bruxelas

Depois do interregno de êxitos da presidência portuguesa - cimeiras várias, Tratado de Lisboa - a realidade plausível cai de novo sobre a União Europeia, obrigando os seus dirigentes a abordar a sério uma questão que desejariam adiar indefinidamente: a independência do Kosovo.

Pelo rumo que as coisas foram tomando e o ritmo das declarações que as iam comentando, já se percebeu a inevitabilidade da separação territorial. A lógica dos acontecimentos determinou que, mais do que apoiar com entusiasmo uma nova nação, a União Europeia se prepara para encerrar (até ver...) o capítulo jugoslavo tendo como grande preocupação evitar o reacender de um conflito que não teria meios (nem vontade política unida) para resolver.

De tudo isto sairia a Sérvia como a única grande culpada de toda uma série de guerras que conduziram à fragmentação da Jugoslávia.

Os dirigentes de Belgrado tentam evitar esta machadada final, com maior importância simbólica já que se trata agora da separação da província onde historicamente está o berço da sua nacionalidade. O Presidente Tadic esteve, ontem mesmo, em Moscovo para receber de novo o apoio de Putin às suas pretensões e, de caminho, assinar importantes acordos no domínio de fornecimento de gás e petróleo. Tomislav Nikolic, o opositor de Tadic na segunda volta das presidenciais sérvias de 3 de Fevereiro, parte já a seguir para Moscovo, sendo recebido na segunda-feira pelo Parlamento russo.

Os europeus só na aparência estão unidos num processo cujas etapas lhe escapam, como escaparam nos precedentes episódios (Croácia, Bósnia, Kosovo). Para piorar as coisas, um jornal esloveno divulgou um "documento interno" da Administração americana no qual os EUA sugerem directivas à presidência eslovena da UE. O documento prevê o reconhecimento da independência do Kosovo "por todos os países da UE" e realça a importância da missão policial e de juristas a enviar, apesar da oposição de Belgrado e Moscovo.

A missão deve já ser destacada em Fevereiro. A pressa tem razão de ser. O primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaçi, já disse que a independência será declarada "nos próximos dias" e há quem garanta que só falta saber (a 3 de Fevereiro) o nome do próximo Presidente da Sérvia. A UE, que navegou sem rumo durante as crises precedentes nos Balcãs, prepara-se para constatar o facto consumado e rezar para que a violência não volte.

DN
Potius mori quam foedari
 

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Lancero

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« Responder #36 em: Janeiro 29, 2008, 04:41:36 pm »
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RÚSSIA Kosovo: Rússia manifesta-se contra envio de missão da UE para o território

Moscovo. 29 Jan (Lusa) - O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros  da Rússia, Mikhail Kaminin, advertiu hoje o Secretário-Geral da ONU e a  União Europeia para que não tomem medidas unilaterais face ao problema do  Kosovo, considerando que podem ser um "precedente destruidor".  

     

   "Esperamos que o Secretário-Geral da ONU e os nossos parceiros tenham  consciência das consequências funestas dos cenários e acções unilaterais  ao arrepio da Carta da ONU e se abstenham de passos que podem constituir  um precedente destruidor para o sistema de relações internacionais", lê-se  num comunicado assinado por Kaminin.  

     

   Estas declarações foram feitas no dia em que Moscovo recebe Tomislav  Nicolic, candidato nacionalista à presidência da Sérvia na segunda volta  das eleições, marcada para 03 de Fevereiro.  

     

   As autoridades russas apoiam o adversário de Nicolic, Boris Tadic, mas  decidiram "acertar os relógios" com ele, escreve o diário electrónico newsru.com.  

     

   "Nicolic é um político que tem posições pró-russas, é verdade, mas a  sua eleição poderá desestabilizar ainda mais a situação nos Balcãs, o que  não interessa nem à Rússia, nem à União Europeia", declarou à Lusa uma fonte  diplomática ocidental na capital russa.  

     

   Segundo Kaminin, as autoridades russas compreendem "o desejo da União  Europeia de desempenhar um papel mais activo nos assuntos do Kosovo, mas  qualquer mudança do carácter, da constituição ou do plano operativo de acções  da presença civil internacional no Kosovo exige uma nova resolução do Conselho  de Segurança da ONU".  

     

   "Isso só será possível com o acordo de Belgrado e Pristina. Os mandatos  das presenças internacionais na região foram definidos na resolução 1244  do Conselho de Segurança da ONU", sublinha o comunicado.  

     

   Mikhail Kaminin considera preocupante que "nos últimos tempos, tenham  chegado ao conhecimento público medidas preparatórias de bastidores dos  países ocidentais, incluindo pressão directa sobre o Secretário-Geral da  ONU e sobre a Presidência da União Europeia, a fim de se organizar, à revelia  do Conselho de Segurança da ONU, o envio de uma missão da UE para o Kosovo".  
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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comanche

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« Responder #37 em: Janeiro 31, 2008, 10:53:22 pm »
Kosovo: Roménia recusa reconhecer a independência- Basescu

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Bruxelas, 31 Jan (Lusa) - O presidente romeno reafirmou hoje a recusa do seu país de reconhecer o Kosovo quando a província sérvia declarar a independência, considerando que o reconhecimento daria uma "mensagem" errada às minorias e constituiria um desvio ao direito internacional.

"O meu país não poderá reconhecer uma declaração de independência do Kosovo, qualquer que seja o nível..., seja uma independência coordenada ou unilateralmente declarada", indicou Traian Basescu durante uma conferência em Bruxelas.

"Que mensagem estamos nós a enviar às sociedades multi-étnicas ou outros Estados confrontados com problemas étnicos ou conflitos congelados", questionou ainda Basescu, cujo país será o anfitrião da cimeira da NATO do início de Abril.

"Poderíamos atentar contra a Carta das Nações Unidas e a Acta final de Helsínquia", textos que "garantiram à Europa 60 anos de paz", acrescentou.

A Roménia faz parte, com a Espanha, Grécia, Bulgária, Eslováquia e Chipre, dos países da União Europeia (UE) que recusam reconhecer a declaração de independência do Kosovo esperada para Fevereiro, talvez na sessão inaugural do Parlamento kosovar a 06 de Fevereiro.

Tal como os Estados Unidos, a maioria dos 27 está disposta a reconhecer uma declaração de independência que considera inelutável depois do fracasso das negociações entre sérvios e kosovares em Dezembro.

Os diplomatas da UE esforçam-se desde então para "coordenar" esta declaração com o primeiro-ministro kosovar Hashim Thaçi.

Apesar de oficialmente ainda fazer parte da Sérvia, o Kosovo é administrado pela ONU e patrulhado pelas tropas da NATO desde 1999.

 

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« Responder #38 em: Fevereiro 01, 2008, 10:15:41 am »
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Tal como os Estados Unidos, a maioria dos 27 está disposta a reconhecer uma declaração de independência que considera inelutável depois do fracasso das negociações entre sérvios e kosovares em Dezembro.

Os diplomatas da UE esforçam-se desde então para "coordenar" esta declaração com o primeiro-ministro kosovar Hashim Thaçi.


a UE refém de um bando de terroristas...está bonito isto, e ainda vai ficar "melhor".... :roll:
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
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Lancero

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« Responder #39 em: Fevereiro 01, 2008, 12:32:33 pm »
Mudado para uma área mais adequada do Fórum.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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ricardonunes

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« Responder #40 em: Fevereiro 07, 2008, 07:00:08 pm »
Citação de: "P44"
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Tal como os Estados Unidos, a maioria dos 27 está disposta a reconhecer uma declaração de independência que considera inelutável depois do fracasso das negociações entre sérvios e kosovares em Dezembro.

Os diplomatas da UE esforçam-se desde então para "coordenar" esta declaração com o primeiro-ministro kosovar Hashim Thaçi.

a UE refém de um bando de terroristas...está bonito isto, e ainda vai ficar "melhor".... :idea:  :roll:
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« Responder #41 em: Fevereiro 09, 2008, 04:53:52 pm »
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Diário de Notícias
Entrevista.

A eurodeputada socialista Ana Gomes dirigiu uma missão da UE ao Kosovo para avaliar a situação no território, que está a poucos dias de uma independência "inevitável".

Que conclusões tira da visita ao Kosovo?
Saio mais preocupada do Kosovo do que ao chegar. Não por temer violência, embora possam ocorrer retaliações à independência, mas pelas condições de segurança a médio e longo prazo.
A questão é garantir que o Kosovo tem condições para ser um país economicamente viável, que hoje não tem. A única actividade económica que existe é o crime organizado e a UE tem responsabilidades grandes nesta matéria.
A UNMIK falhou na revitalização económica do Kosovo?Claro que sim. E no quadro da UNMIK, a responsabilidade é inteiramente da UE. Não há condições para atrair investimento privado, logo esse investimento tem de vir da UE. Isso é vital para desmantelar o crime organizado. Até aqui, não houve um esforço sério para combater esta realidade.
Os representantes do crime estão no poder e são eles que vão receber o poder com a independência.
Fala do primeiro-ministro Hashim Thaçi?
Isto não é uma crítica apenas dirigida ao primeiro-ministro. Há muitos mais envolvidos no crime organizado e em crimes de guerra com posições de destaque no Kosovo.
Quais vão ser os maiores problemas a seguir à declaração de independência?
Por exemplo, o abastecimento eléctrico vai falhar. A única central do Kosovo não chega para as necessidades e há uma parte do abastecimento que é feito pela Sérvia… Se a UE quer determinar uma evolução positiva, então vai ter de investir. O Kosovo está no coração da Europa e o que se passa aqui vai afectar todos os europeus. Não sei se os ministros europeus têm noção disto. É por isso que vamos exigir discussões no Parlamento Europeu.
Quais são as recomendações que faz à missão da UE?
Os Estados membros estão em condições de enviar as pessoas mais indicadas.
Foi-lhes pedido, por exemplo, que enviassem mais mulheres e isso é muito importante, porque mais de metade da população são mulheres e trata-se de um país muçulmano. Depois, porque é importante que haja uma relação de confiança com essa mesma população e as mulheres têm capacidades importantes
.Acha que Portugal vai reconhecer a independência do Kosovo numa primeira linha de países europeus?
Não sei se será em primeira linha, mas vai reconhecer com certeza. A independência do Kosovo é inevitável. Há é que garantir que o Kosovo pode ter sustentabilidade como país, que agora não tem
.É a favor da independência do Kosovo?
Acho que é inevitável. Não vale a pena dizer agora se se é a favor ou contra. Quando é que Kosovo declara independência?É uma questão de dias. DN

Não é viável.
Reconhecem que é mais uma “democracia” corrupta.
A União Europeia tem de ajudar?
Afinal os crimes não foram só cometidos pelos Sérvios, no entanto só eles foram demonizados.
A ONU prova que é uma organização onde a corrupção e o tráfico de influências é lei. Existe sem razão.
A independência é inevitável porque sim.
Porque vai ser uma república islâmica no seio da Europa, com um governo corrupto em que a fonte de rendimento do país vai ser a corrupção e o crime.
O governo de Portugal vai reconhecer porque sim.
Porque é inevitável e portanto não se previne o desastre.
Não vale a pena dizer se é a favor ou contra?
Vamos ver:
A Turquia é um governo laico, faz parte da NATO, defendeu e defende o flanco leste/sul e grita-se: cuidado que vêm aí os turcos!
Pergunta, que não vale a pena fazer, porque estamos na NATO?
Porque continuamos na NATO?
Para satisfazer uma organização militar que no nosso sítio tem oficiais generais suficientes para todas as forças armadas em Espanha?
È porque não vejo mais nenhuma razão, num país que tem dificuldades económicas e graves problemas internos de segurança, está a fazer em Timor, o que deveria ser feito aqui.
O mesmo para o Afeganistão, porque vamos ter um Afeganistão aqui no centro da Europa.
A senhora julga que depois da independência as mulheres vão ter um papel importante, num país muçulmano?
Finalmente:
Porque é que o Kosovo deve ser independente? Porque sim?
Os Espanhóis tremem, mas Zapatero deleita-se como Catalão.
O norte rico de Itália deleita-se.
A Bélgica vai deixar de o ser, pela ordem de ideias que levam a esta independência.
A GB que se acautele, porque os Escoceses, têm o petróleo.
É claro que a armadilha foi montada, mas numa altura em que as coisas estavam bem a nível económico, ou pelo menos com o lixo debaixo do tapete.
Deveríamos como pequeno Estado que perdeu da forma como perdeu as colónias ajudados pelos nossos aliados da NATO, sair da NATO.
O tempo certo passou. Se a Espanha se partir, vamos ser engolidos militarmente.
Vivem-se tempo perigosos, porque é inevitável, porque não vale a pena, porque sim e pronto…
Pessimismo?
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posted by Toupeira

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« Responder #42 em: Fevereiro 09, 2008, 05:22:09 pm »
Kosovo: Missão UE coloca Governo Belgrado à beira da ruptura

A decisão de enviar uma missão da UE para o Kosovo está a dividir o Governo de Belgrado e a criar novos embaraços à assinatura do «acordo político» entre a Sérvia e a União Europeia anunciado há uma semana.
O «acordo político», uma figura sem precedentes, resultou de uma solução de compromisso depois de goradas, face à oposição da Holanda, as expectativas de conclusão de um Acordo de Associação e Estabilização (ASA) entre Belgrado e a UE.

A questão complicou-se porém na terça-feira, quando, dois dias antes da data aprazada para a assinatura, Bruxelas trouxe de novo a lume uma proposta aprovada a 14 de Dezembro último prevendo o envio de uma importante missão europeia para implementar o plano Ahtisaari de independência supervisionada do Kosovo.

A proposta europeia gerou de imediato divisões no Governo sérvio e observadores da cena política de Belgrado colocam já mesmo o cenário de uma possível ruptura na coligação governamental entre as formações do primeiro-ministro Vojislav Kostunica e do reeleito presidente Boris Tadic.

Kostunica reagiu de imediato denunciando a proposta europeia de assinatura de um «acordo político» e o envio de uma missão para o Kosovo como «uma armadilha destinada a levar a Sérvia a assinar efectivamente o seu acordo com a independência do Kosovo».

O presidente Boris Tadic empenhou-se pessoalmente na conclusão do acordo com Bruxelas e fez da aproximação à Europa o »leit-motif« da sua campanha, recusando-se porém a condicionar essa aproximação a cedências na questão do Kosovo.

Tadic, reeleito no domingo com 50,5 por cento dos votos, contra 47,7 por cento do líder radical Tomislav Nikolic, dispõe tecnicamente de maioria no Governo para ultrapassar a oposição do primeiro-ministro e assinar o acordo. Mas a escassa margem da sua vitória sobre Nikolic e os limitados poderes da presidência deixam-lhe escassa margem da manobra política.

Vojislav Kostunica pode convocar o Parlamento, onde reunirá facilmente uma maioria de resistência ao acordo com Bruxelas. O primeiro-ministro sérvio pode ainda optar por fazer cair o Governo e formar uma nova coligação com o Partido Radical de Kikolic.

A anuência de Belgrado permitiria ultrapassar alguns obstáculos diplomáticos e jurídicos que têm protelado a anunciada missão europeia no Kosovo.

A missão deverá envolver 1 800 elementos, incluindo componentes policiais, jurídicas e administrativas, e destina-se a substituir a UNMIK, a administração das Nações Unidas que gere o Kosovo desde 1999. Ora, a transição entre as duas administrações coloca problemas políticos e jurídicos delicados.

As dificuldades prendem-se antes de mais com as resistências da Rússia (e, ao que tudo indica, da China). Moscovo voltou a endurecer posições na questão do Kosovo depois da assinatura de importantes acordos energéticos com a Sérvia a 21 de Janeiro. E a maioria dos membros do Conselho de Segurança opõe-se a uma proclamação unilateral da independência.

Chipre e a Roménia opõem-se abertamente ao reconhecimento de uma eventual proclamação de independência do Kosovo nas condições actuais, a Grécia, a Eslováquia e a Bulgária manifestaram publicamente reservas ao processo e a Espanha já deu sinais de que prefere esperar pelas eleições de 8 de Março.

Diário Digital / Lusa

07-02-2008 9:30:00
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André

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« Responder #43 em: Fevereiro 13, 2008, 09:17:39 pm »
A Independência do Kosovo: uma perda estratégica para a Europa
Alexandre Reis Rodrigues
 
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A satisfação com que os europeus acolheram o desfecho das eleições presidenciais na Sérvia, com a vitória de Boris Tadic, representante da linha pró-Ocidente, de aproximação à União Europeia, foi sol de pouca dura. Logo no dia seguinte ao da contagem dos votos, o primeiro-ministro Kostunica, um nacionalista moderado, para contrabalançar a vitória de Tadic, relançava a campanha contra um acordo com a União Europeia, lembrando que esta quereria, em troca, a “compreensão” sérvia para a “inevitabilidade” (no entendimento do Ocidente) da independência do Kosovo.

Dois dias depois, Kostunica decidia que não haveria qualquer acordo no curto prazo. Isso mesmo já foi reconhecido pela União Europeia, que diz que o assunto está adiado indefinidamente. Note-se que nem sequer seria o Acordo de Estabilização e de Associação que em condições normais a União Europeia proporia; seria um acordo mais simples e de âmbito mais restrito para ter em conta a oposição da Holanda e a Bélgica que condiciona a aceitação do Acordo normal a uma prévia demonstração de vontade da Sérvia em entregar ao Tribunal Internacional de Haia os criminosos de guerra que andam fugidos (nomeadamente, Ratko Mladic).

A Rússia, de início, pareceu ter sido o grande perdedor; ficara sem a possibilidade de ver na presidência da Sérvia alguém que defendia a sua colocação na órbita russa (Tomislav Nikolic, o candidato derrotado). No entanto, a vitória de Tadic, contra o seu protegido, pode ser mais vantajosa para Moscovo.

Parece estranho mas há uma explicação: entre os dois, Boris Tadic é o que tem menor margem de manobra para negociar a situação do Kosovo; além de não poder renegar o compromisso assumido de ser contra a independência do Kosovo, sob pena de criar uma situação política insustentável para o Governo, para o seu partido e coligação, tem a pressão cerrada de Nikolic e do Partido Radical Sérvio que vão lutar abertamente contra qualquer sinal de cedência. Aliás, foi sob a presidência de Tadic que Moscovo conseguiu um novo negócio para a Gazprom, o que junto a anteriores acordos, dá à Rússia 90% de controlo sobre o mercado de produtos refinados na Sérvia. Nikolic, pelo contrário, tendo a confiança dos nacionalistas e não estando sujeito à sua marcação cerrada, teria alguma margem de manobra para negociar o estatuo do Kosovo sem pôr em causa a sua posição; até onde poderia deixar-se ir perante novas promessas do Ocidente era uma incógnita desconfortável para Moscovo.

Até há pouco tempo atrás, pelo menos no âmbito da NATO, os europeus mostravam ter uma posição muito clara; a 14 de Junho, reunidos em Bruxelas, no quartel-general da Aliança, não hesitaram em aceitar a inclusão de uma declaração de apoio à independência supervisionada do Kosovo, no comunicado da reunião (“We continue to support the comprehensive poposal for the Kosovo status settlement presented by President Ahtissari”). No entanto, que a União está dividida, quer quanto a apoio ao plano Ahtissari, quer quanto ao acenar de facilidades de adesão da Sérvia à União. Esta situação e o contexto resultante das eleições bem justificam tentar ganhar mais tempo, apostar no adiamento da clarificação da situação, procurar manter o statuo quo.

Só não se sabe se isso ainda é possível. Vai ser difícil convencer o primeiro-ministro do Kosovo a esperar quando já está agendada uma reunião do parlamento a 16/17 de Fevereiro para preparar (talvez mesmo formalizar) a declaração de independência. A União Europeia, que tem prevista uma reunião de ministros de negócios estrangeiros no dia 18 de Fevereiro, terá que se antecipar se não quiser limitar-se a reagir depois de tudo consumado! Ainda tem a possibilidade de tentar tirar partido da psicologia de dependência em que a província tem vivido desde 1999 e tem sido generosamente alimentada pela UE, ONU e NATO.

Será preciso insistir na necessidade de mais paciência e no apelo ao bom senso; os riscos e custos do outro desfecho serão muito sérios. Boris Tadic ficará numa posição quase impossível; dividido entre as suas simpatias pela adesão à UE que não gostará de abandonar e o compromisso de não aceitar a independência. Vojislav Kostunica, primeiro-ministro da Sérvia, ficará também em situação complicada. O seu partido é apenas o 4º maior no Parlamento sérvio; para sobreviver, Kostunica tem que jogar permanentemente e sobretudo prestar atenção ao Partido Radical Sérvio que é o que tem maior representação parlamentar e é decididamente pró-Moscovo. Foi devido a estas circunstâncias que Kostunica alterou, como se disse acima, a sua anterior disponibilidade de assinar um acordo com a UE. Com o Presidente e o primeiro-ministro em sérias dificuldades, o risco de colapso da frágil democracia sérvia aumentará consideravelmente.

É verdade que ao tentar manter o satuo quo a UE corre o risco de dar uma imagem de recuo perante a Rússia. Mas o dar apoio à independência tem o risco, que é com certeza bem maior, de lançar a Sérvia num processo de entrada inequívoca na esfera de influência russa, o que seria uma perda estratégica considerável para a Europa.

Jornal de Defesa

 

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Bundes

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« Responder #44 em: Fevereiro 13, 2008, 09:26:24 pm »
Citação de: "P44"
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