CPLP acordo ortográfico da língua portuguesa

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« Responder #15 em: Setembro 18, 2007, 05:01:51 pm »
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A produção de biocombustíveis cria uma "janela de oportunidades" para uma actuação conjunta entre Portugal e o Brasil no mercado internacional, disse segunda-feira o embaixador português em Brasília.
 


Francisco Seixas da Costa salientou, no programa "Roda Viva", um dos mais importantes da televisão brasileira, que a produção de bicombustíveis "é uma das áreas mais promissoras" para o futuro do relacionamento dos dois países.

"Já existe uma parceria entre a Galp e a Petrobrás e que julgo trará importantes resultados no futuro", disse o diplomata, referindo-se às empresas estatais de energia dos dois países.

Durante uma hora e meia, o embaixador respondeu a perguntas sobre reforma ortográfica da língua portuguesa, negociações comerciais entre Brasil e União Europeia e as comemorações dos 200 anos da vinda de D. João VI, assinalados em 2008.

Segundo o diplomata, Brasil e Portugal fazem um "jogo de soma positiva" e o governo português vê com bons olhos o aumento da influência brasileira nos fóruns internacionais.

"Todos nós gostaríamos de ver o Brasil a ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, afinal o país tem o direito de formalizar o seu empenhamento em missões de paz ou na discussão sobre mudanças climáticas", disse.

Seixas da Costa salientou que o Brasil "deve ter o seu lugar reconhecido" e que não há estratégia internacional brasileira que seja conflituosa com Portugal.

Em relação à reforma ortográfica, Seixas da Costa negou que Portugal tenha uma visão "patrimonialista" sobre a língua portuguesa e que o governo português está de acordo com a necessidade de se caminhar num processo de harmonização da ortografia.

Seixas da Costa salientou que, pela parte portuguesa, o acordo assinado em 1990, e ratificado por Portugal um ano depois, poderia ter entrado em vigor em 1994.

Dois protocolos modificativos foram, entretanto, assinados, sendo que o primeiro, em 1998, eliminou a data de 1994 como limite para a entrada em vigor do acordo.

Um segundo protocolo consagrou a entrada de Timor-Leste e determinou que o texto do acordo pudesse entrar em vigor com a ratificação por parte de apenas três países, vigor.

No fim de 2006, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe haviam ratificado o segundo protocolo, o que tecnicamente já possibilita que o acordo seja aplicado.

Seixas da Costa afirmou que o governo português não pode deixar de ser sensível a este debate, nomeadamente porque as alterações atingiriam a norma de Portugal de forma mais significativa que no Brasil.

Pela aplicação das novas normas ortográficas, 1,6 por cento do total do vocabulário usado em Portugal (e nos restantes países que seguem a norma portuguesa) deverá sofrer adaptações.

No Brasil, por seu turno, essas mudanças abrangem apenas 0,5 por cento do total das palavras.


Seixas da Costa salientou que as negociações comerciais no âmbito da Ronda de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), poderão sofrer alguma influência diante do novo cenário da economia mundial, com uma possível recessão nos Estados Unidos.

O diplomata disse que poderá haver uma influência, na medida que cenários económicos negativos favorecem o fortalecimento "da praga do proteccionismo", em detrimento de negociações para a liberalização do comércio.

O "Roda Viva" é transmitido há 21 anos em directo para todo o Brasil pela TV Cultura de São Paulo e tem como convidado, todas as segundas-feiras, uma personalidade de destaque em diferentes sectores.

 
 

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André

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« Responder #16 em: Setembro 25, 2007, 04:01:54 pm »
CPLP urge unificação Português Portugal e Português do Brasil

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A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) defendeu hoje a existência de uma única forma de escrever o Português, deixando implicitamente críticas às dificuldades de implementação do acordo ortográfico, assinado pelos Estados-membros em 1990.
Numa entrevista à Agência Lusa, o português José Tadeu Soares, secretário-executivo adjunto da CPLP, escusou-se a comentar a «parte política» da questão em Portugal, país que ainda não ratificou o acordo.

Nesse sentido, alegou que todas as perguntas nesse sentido devem ser feitas ao poder político, defendendo que, do ponto de vista da CPLP, há o desejo de que haja «uma única forma de escrever Português» e lembrando que apenas três países - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - ratificaram o documento.

«Só assim se facilita a promoção, de uma forma sistemática, da Língua Portuguesa no exterior, que é um dos nossos três pilares. Desejamos que, o mais rapidamente possível, os sete Estados da CPLP, mais Timor-Leste, que não estava presente na altura em que se chegou a um consenso, ratifiquem o acordo», afirmou.

Embaixador de carreira, Tadeu Soares sublinhou que o «único conhecimento oficial» que tem das autoridades portuguesas em relação à não ratificação do acordo tem a ver com os «elevados custos» da sua implementação no país.

«O Brasil, ao ratificar o documento, permitiu a entrada em vigor do acordo. O único conhecimento que eu tenho, e essa pergunta deve ser feita às autoridades portuguesas, é que a entrada em vigor do acordo tem custos elevados, como a elaboração de manuais, etc, e que isso vai demorar no tempo», afirmou.

Insistindo frequentemente na «separação das águas», designadamente entre o conteúdo e a parte política do acordo, Tadeu Soares defendeu que existe, sobretudo em Portugal, «uma grande mistura entre os dois».

«As pessoas escrevem muito para a CPLP e para os jornais sobre dois aspectos do acordo ortográfico que estão muito misturados. Um é o conteúdo do acordo, as regras de como se deve escrever Português. Se «cor-de-rosa» deve ou não levar hífenes, se se usa o trema no Brasil, se a palavra facto vai escrever-se sem «c». Isso é o conteúdo».

«Não sou gramático e duvido que a maioria das pessoas tenha conhecimentos suficientes para dar uma opinião abalizada. Nesse aspecto não posso dar opinião. Mas foram professores de gramática e professores de Língua Portuguesa dos sete países que se reuniram para chegar a este acordo, assinado por todos», enfatizou.

«Se acharem que está mal, reúnam-se outra vez e mudem. Não tenho uma opinião abalizada para dizer se está bem ou mal feito. Mas muita gente baralha as coisas com a parte política, que é completamente diferente», acentuou.

No seu entender, o que existe é que um dos principais idiomas do mundo, o Português, tem «duas versões legais e válidas de forma escrita».

«Temos, assim, o Português de Portugal, com uma grafia, e o Português do Brasil, que é igualmente válido e tem o mesmo valor internacional. Na perspectiva da CPLP, e de quem se preocupa com a unidade da língua e com a projecção da língua no mundo, isso é um erro que causa problemas», justificou.

Tal situação, sustentou, só poderá ser ultrapassada com um acordo ortográfico - assinado por sete Estados e ratificado por três - e se se criar uma regra em que o Português comece a ter legalmente uma única forma de se escrever no mundo inteiro.

«O que tem sido difícil é a entrada em vigor do acordo. Porque isso implica, num país mais ou menos sério, alterações da gramática, na forma de escrever nos jornais», disse.

Até 1911, lembrou, o Português escrevia-se da mesma forma no mundo inteiro. E foi nesse ano que o parlamento da altura aprovou numa reforma da ortografia portuguesa.

«Mas esqueceram-se de um pequeno detalhe: é que já havia um país, maior que Portugal, que também falava Português. Fizeram uma reforma ortográfica em Portugal e esqueceram-se de avisar o Brasil», gracejou.

«Desde aí, houve diversas tentativas para se chegar a um consenso. Chegava-se a um consenso sobre os termos e sobre o conteúdo, mas não se chegava a um político. Em 1990, ultrapassou-se essa fase», insistiu.

Agora, defendeu, cada país tem de aplicar internamente as normas do acordo e, para as aplicar, implica introduzi-las nas escolas, o que quer dizer que só daqui a 20, 30 ou 40 anos as crianças estarão todas a escrever da mesma maneira.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #17 em: Outubro 03, 2007, 03:56:32 pm »
Lusofonia/Português: Linguista acusa Portugal de travar acordo ortográfico por "medo estúpido" do Brasil


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Corrige segundo parágrafo: Substitui "sisma" por "cisma".

Versão corrigida do segundo parágrafo:

O linguista, que tem participado nas tentativas de acordo da unificação ortográfica nos países de língua oficial portuguesa, fala mesmo num "cisma" entre Portugal e Brasil que "se arrasta há mais de um século e que prejudica a difusão da língua portuguesa".

Versão integral da notícia:

Bragança, 03 Out (Lusa) - Um dos mais conceituados linguistas portugueses, Malaca Casteleiro, acusou hoje Portugal de estar a entravar o acordo ortográfico com os países lusófonos por um "medo estúpido" do domínio do Brasil.

O linguista, que tem participado nas tentativas de acordo da unificação ortográfica nos países de língua oficial portuguesa, fala mesmo num "sisma" entre Portugal e Brasil que "se arrasta há mais de um século e que prejudica a difusão da língua portuguesa".

"É maior do que a guerra dos cem anos", ironizou, à margem do VI Congresso da Lusofonia, que começou hoje em Bragança, e que tem como tema central o acordo ortográfico e a variante brasileira da língua portuguesa.

Segundo o linguista português, o Brasil - o maior falante da língua portuguesa - "tem muita vontade de implementar o acordo e Portugal não diz nada"

"Eu creio que há aqui um medo estúpido de que o Brasil, através da ortografia, reconquiste os países africanos de língua portuguesa e os leve para o seu lado, o que é completamente descabido e mau para a língua portuguesa", afirmou.

Malaca Casteleiro entende que Portugal está a desperdiçar um potencial de quase duzentos milhões de falantes para a difusão da língua portuguesa no mundo, através de um país que, além do elevado número de habitantes, "tem uma literatura potentíssima, é um potentado económico e tem uma capacidade de difusão cultural magnífica".

Em vez do " receio deste domínio", o linguista entende que Portugal devia aproveitar esta potencialidade e implementar, de uma vez por todas, um projecto de que há muito se fala no seio da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).

O projecto, de acordo com Malaca Casteleiro, consiste no intercâmbio de alunos e professores, conferências e outras iniciativas culturais, um programa algo semelhante ao europeu Erasmus, mas que ainda não foi avante por "falta de recursos financeiros".

Malaca Casteleiro lembrou que Portugal ainda não ratificou a mais recente decisão sobre a escrita comum da língua, que permitiria a entrada em vigor do acordo ortográfico com apenas a ratificação de três países.

Apenas o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram essa norma.

O impasse mantém-se e arrastou-se por todo o século XX, conforme recordou o linguista, lembrando que desde a reforma ortográfica da implantação da República, em 1911 que Portugal e Brasil tentam um acordo.

Depois de várias tentativas em 1931, 1943, 1945, 1973 e 1986 para a convenção ortográfica Luso-Brasileira, em 1990 foi negociado e aprovado por todos os países de língua portuguesa, a nível político, um acordo que só foi ratificado pelos respectivos parlamentos de Portugal, Brasil e Cabo Verde.

Em 2004, foi proposta uma norma que permitia que a entrada em vigor, desde que ratificado por apenas três países, mas a referida norma ainda não foi aprovada por Portugal, tendo apenas o aval do Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"Falta de vontade política" é também o que entende o linguista brasileiro Evanildo Bechara, outro dos convidados do Congresso da Lusofonia em Bragança.

Apesar de tudo, Bechara não acredita que "haja uma desvinculação da variante brasileira do português, que a futurologia prevê para o século XXI".

Esta possibilidade foi levantada no congresso e surpreendeu o especialista porque - diz "não é essa a visão do brasileiro".

Acredita e defende uma unificação ortográfica da língua, em que cada país falante mantenha as suas variantes.

Chegou o momento, disse, de Portugal e o Brasil se sentarem numa mesa e discutirem um futuro comum da língua portuguesa".

Sustentou ainda que o português "só não corre riscos perante a globalização se os países se consciencializarem da sua importância".

"Cada país continuará com os seus particularismos linguísticos, mas na hora de escrever, escreverão de uma só maneira, como acontece com o francês, o espanhol ou o árabe", frisou.

 

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André

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« Responder #18 em: Outubro 31, 2007, 04:01:39 pm »
Fórum das Letras reúne em Ouro Preto escritores da língua portuguesa para discutir hibridismo

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O Fórum das Letras 2007 vai reunir em Ouro Preto, de quinta-feira a domingo, cerca de 100 autores de língua portuguesa, sendo quatro portugueses, dois angolanos e um luso-sueco, informaram hoje à Lusa os organizadores.

Além de autores brasileiros consagrados, como Luís Fernando Veríssimo, Afonso Romano de Sant' Anna e Marina Colasanti, participam os portugueses Rui Tavares, Francisco José Viegas, Inês Pedrosa, Patrícia Reis, os angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki e o luso-escandinavo Miguel Gullander.

Esta terceira edição do evento, organizado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), terá como tema "Escritas Híbridas".

"Nós percebemos que esta é uma tónica dos escritores contemporâneos. Na literatura portuguesa, os autores têm explorado muito especialmente esta tendência", disse à Lusa a coordenadora do evento, Guiomar de Grammont.

A escritora e professora da UFOP citou como exemplo a obra de Guimarães Rosa, o maior escritor brasileiro de ficção da segunda metade do século XX, que trabalhou com o hibridismo entre formas cultas da língua e populares ou arcaicas, além de mesclar palavras de diferentes línguas.

Outra forma que pode ser entendida como escrita híbrida é a junção de literatura e artes plásticas, música, cinema.

O hibridismo vai nortear também as actividades da programação paralela ao Fórum das Letras, com oficinas de arte, cortejos, shows e saraus literários.

Segundo Guiomar de Grammont, a polémica sobre o acordo ortográfico, apesar de não estar na agenda do evento, certamente fará parte das discussões.

Em princípio, a ortografia comum da língua portuguesa já pode entrar em vigor, porque três dos oito países lusófonos - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - já ratificaram o acordo e também o protocolo modificativo ao acordo, aprovado em Julho de 2004, em São Tomé, durante a cimeira dos chefes de Estado e de governo da CPLP.

O protocolo modificativo permite que o acordo vigore com a ratificação de apenas três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, sem a necessidade de aguardar que todos os outros membros da organização adoptem o mesmo procedimento.

Portugal já ratificou o acordo, mas não o protocolo modificativo.

Na avaliação do governo brasileiro, o acordo só ganhará sentido se Portugal também adoptar a ortografia comum.

As autoridades brasileiras consideram importante, entretanto, que o acordo seja colocado em vigor num prazo razoável e não em dez anos, como tem defendido o Ministério da Cultura de Portugal.

Lusa

 

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« Responder #19 em: Novembro 02, 2007, 04:44:11 pm »
Portugal vai ratificar protocolo modificativo do acordo ortográfico até ao fim do ano, garante MNE

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Portugal vai aprovar o protocolo modificativo do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa até ao final deste ano, garantiu hoje o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português.

Luís Amado, que falava aos jornalistas no intervalo da XII Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre hoje em Lisboa, adiantou que os restantes países que também ainda não o fizeram se comprometeram a ratificá-lo "rapidamente".

Apenas três dos oito Estados membros da CPLP - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - aprovaram quer o Acordo Ortográfico quer o Protocolo Modificativo ao Acordo, enquanto Portugal só havia ratificado o primeiro.

Segundo Luís Amado, nas discussões efectuadas de manhã no Conselho de Ministros da organização lusófona, os representantes de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique - Timor-Leste ainda não solicitou formalmente a adesão ao acordo - também garantiram que os dois documentos serão ratificados em breve.

Tecnicamente, segundo o secretário-executivo da CPLP, Luís Fonseca, o Acordo Ortográfico já está em vigor, uma vez que bastava, para tal, a ratificação de apenas três países.

Luís Fonseca e Luís Amado, ladeados pela presidente do Conselho de Ministros da organização, a chefe da diplomacia guineense, Maria Filomena Nobre Cabral, afirmaram também que o reforço da expansão do uso da Língua Portuguesa é uma das prioridades da CPLP ao longo do próximo ano.

Nesse sentido, e reconhecendo as críticas feitas pela presidente do Instituto Internacional de Língua portuguesa (IILP), Amélia Mingas, também presente na reunião, os três responsáveis salientaram ser necessário dotar aquela entidade de mais meios financeiros e humanos, mas dentro de uma estratégia comum aos "oito".

Os chefes da diplomacia da CPLP vão hoje aprovar e votar sete projectos de resolução, duas declarações e ainda um voto de homenagem póstuma ao "pai" da organização lusófona, José Aparecido de Oliveira, recentemente falecido.

Segundo a agenda aprovada, no encontro será também assinado o acordo de concessão de visto para estudantes nacionais dos oito Estados-membros.

Na reunião, organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, foram apresentados e aprovados dois relatórios sobre o biénio 2006/07, apresentados pelo secretário-executivo da CPLP e pela presidente do IILP.

Dois outros documentos, igualmente aprovados, foram apresentados pelo coordenador do Comité de Concertação Permanente (CCP), o diplomata guineense Apolinário Mendes de Carvalho, e pela presidente do Conselho de Ministros da CPLP.

Entre os projectos de resolução que estarão em discussão destacam-se os sobre o Estabelecimento da Assembleia Parlamentar da CPLP, sobre a Acreditação de Embaixadores na organização e sobre as Novas Instalações do Secretariado Executivo.

Os restantes dizem respeito à Concessão do Estatuto de Observador Consultivo dos "oito", ao Desenvolvimento de uma Política de Oceanos no organização, no Programa Indicativo de Cooperação da CPLP a Médio Prazo e Energias Renováveis e Protecção do Meio Ambiente.

Entre os projectos de declaração figuram os relativos ao Tratado sobre Comércio de Armas das Nações Unidas e sobre o apoio do Conselho de Ministros da organização à realização da II Cimeira União Europeia/África e à aprovação de uma estratégia conjunta EU/África.

Na reunião será também prestada homenagem a José Aparecido de Oliveira, o antigo embaixador do Brasil em Lisboa, ex-ministro da Cultura e ex-governador, que idealizou a comunidade lusófona e que faleceu a 20 de Outubro último, aos 78 anos, em Belo Horizonte, devido a uma insuficiência respiratória.

Os projectos de resolução e as respectivas declarações serão aprovadas da parte da tarde, bem como o acordo e o comunicado final da reunião, que será apresentado aos jornalistas após a sessão de encerramento dos trabalhos.

De todas as delegações, que incluem também as dos membros associados da CPLP - Guiné Equatorial e as ilhas Maurício - Moçambique faz-se representar pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Eduardo Koloma, e São Tomé e Príncipe pela embaixadora do país em Lisboa, Alda Espírito Santo.

João Miranda (Angola), Celso Amorim (Brasil), Vítor Borges (Cabo Verde) e Zacarias Albano da Costa (Timor-Leste), além do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, compõem as restantes delegações.

Lusa

 

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André

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« Responder #20 em: Novembro 11, 2007, 05:47:03 pm »
O que vai mudar quando estiver em vigor

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Os efeitos não serão imediatos - mas a disposição recentemente anunciada pelo governo português de aprovar até ao final do ano o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa poderá ter desfeito algumas dúvidas, atenuado reticências, dissipado mesmo suspeições de «bloqueio».

O processo, de um momento para o outro, parece ter ganho um novo ímpeto. Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, disposição idêntica à de Portugal foi entretanto manifestada por Angola, Moçambique e Guiné-Bissau: os três comprometeram-se a ratificar «rapidamente» o Acordo e o Protocolo Modificativo. Falta agora converter «rapidamente» em medida de tempo...

A pergunta tem sido e continuará a ser feita: quando todo o processo - legal e diplomático - estiver concluído, quantos mais anos serão necessários para que todos os países falantes de Português o escrevam da mesma maneira?

Malaca Casteleiro, um linguista na primeira linha da defesa do Acordo, disse à Lusa que, entrando o documento em vigor, será necessário um período de adaptação «que não deve ser inferior a quatro anos, para permitir as alterações em dicionários, manuais escolares e para a aprendizagem das alterações ortográficas».

Quatro anos em Portugal, o Brasil não deverá levar mais tempo a consegui-lo, mas quantos anos em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau,São Tomé e Príncipe ou em Timor-Leste, que não solicitou ainda a adesão ao Acordo?

O futuro - o que é dizer também a real vontade política dos intervenientes - o dirá.

Pretende-se com o Acordo «a unidade da Língua» - na escrita e só na escrita, naturalmente. Acreditam os especialistas, e não apenas eles, que, unificada, a Língua portuguesa terá outra força, ganhará em «poder de afirmação» nas instâncias internacionais.

Para que a unidade se efective há cedências a fazer de um lado e do outro do Atlântico. Quem cede mais?

Os especialistas deitaram-se ao estudo e fizeram balanços: as modificações propostas no Acordo devem alterar 1,6% do vocabulário de Portugal.

Os portugueses deixarão, por exemplo, de escrever «húmido» para usar a nova ortografia - «úmido».

Desaparecem também da actual grafia em Portugal o «c» e o «p» nas palavras em que estas letras não são pronunciadas, como em «acção», «acto», «baptismo» e «óptimo».

Diz Malaca Casteleiro que as alterações a introduzir, «importantes para unificar e dar força» à língua portuguesa, «não são dramáticas, não vão assustar as pessoas».

No Brasil, a mudança será menor, porquanto apenas 0,45% das palavras terão a escrita alterada.

O trema utilizado pelos brasileiros desaparece completamente e ao hífen acontece o mesmo quando o segundo elemento da palavra comece com «s» ou «r», casos em que estas consoantes devem ser dobradas, como em «antirreligioso» e «contrarregra».

Apenas quando os prefixos terminam em «r» se mantém o hífen. Exemplos: hiper-realista, super-resistente.

O acento circunflexo sai também de cena nas paroxítonas (palavras com acento tónico na penúltima sílaba) terminadas em «o» duplo («vôo» e «enjôo»), usado na ortografia do Brasil, mas não na de Portugal, e da terceira pessoa do presente do indicativo ou do conjuntivo de «crer», «ler», «dar», «ver» e os seus derivados. Passará a escrever-se: creem, leem, deem e veem.

No Brasil, o acento agudo deixará de usar-se nos ditongos abertos «ei» e «oi» de palavras paroxítonas como «assembleia» e «ideia».

Com a incorporação do «k», «w» e «y», o alfabeto deixará de ter 23 letras para ter 26.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #21 em: Novembro 13, 2007, 07:41:15 pm »
Portugal vai pedir moratória de 10 anos

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Portugal vai pedir um prazo de dez anos para a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, que unifica a escrita da Língua Portuguesa, anunciou hoje a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.

Questionada no Parlamento pelo CDS-PP, na apresentação do orçamento da Cultura para 2008, Isabel Pires de Lima disse que os ministérios da Cultura e da Educação vão pedir uma moratória de dez anos para que Portugal tenha tempo de se adaptar ao novo Acordo Ortográfico.

É que o novo acordo, que unifica a escrita em língua portuguesa no países da CPLP, obriga a muitas adaptações e alterações, incluindo nos manuais escolares.

Portugal já ratificou o Acordo Ortográfico, mas tem ainda de ratificar o segundo protocolo modificativo do documento, o que, segundo Isabel Pires de Lima, deverá acontecer até ao final do ano.

O Acordo Ortográfico foi assinado em Dezembro de 1990, há quase 17 anos, com o objectivo de unificar a escrita da língua portuguesa.

Deveria entrar em vigor a 1 de Janeiro de 1994, mas isso não aconteceu porque só Portugal, Brasil e Cabo Verde o ratificaram.

Desde então foram aprovados dois protocolos modificativos, o primeiro dos quais, em Julho de 1998, previa a entrada em vigor do acordo depois do depósito de ratificação por parte de todos os Estados signatários, sem apontar qualquer data.

Em Julho de 2004 foi assinado um novo protocolo modificativo numa cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) realizada em São Tomé.

Este segundo protocolo prescindiu da aplicação unânime do acordo, prevendo a sua entrada em vigor desde que fosse ratificado (o protocolo) por três países, mas a sua aplicação vigoraria apenas nestes.

Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já o ratificaram.

Portugal também deverá aprovar esse segundo protocolo modificativo até ao final do ano, embora Isabel Pires de Lima não tenha adiantado hoje qualquer data específica.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #22 em: Novembro 15, 2007, 11:40:26 am »
Acordo Ortográfico: Editores e Livreiros contestam ratificação de Protocolo Modificativo sem "debate sério"


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Lisboa, 15 Nov (Lusa) - A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, APEL, manifestou hoje "profunda preocupação" pelo recente anúncio oficial de que até ao final do ano será ratificado o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico e exigiu que se realize "um debate sério" sobre a matéria.

Num comunicado à imprensa, a associação considera "precipitada e estranha a forma como este processo tem sido conduzido".

Lembrando os mais de 15 anos de "quase silêncio" decorridos desde a aprovação do Acordo Ortográfico, a APEL observa que a decisão de ratificar o Protocolo, anunciada recentemente pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, ocorre por "pressão" do Brasil e "sem qualquer discussão pública nem intervenção dos ministérios da Cultura e da Educação e da própria Assembleia da República".

O Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe assinaram este ano o Protocolo Modificativo, tendo sido os três primeiros países da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - a fazê-lo.

"É fundamental - declara a APEL - que todos os sectores da sociedade portuguesa, sem excepção, tenham consciência das implicações da eventual assinatura do Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico, quer a nível interno, quer a nível externo".

Na óptica da associação, não há, por um lado, "uma avaliação rigorosa do impacto que tal medida terá na Educação(...)" e, por outro, "numa altura em que Portugal beneficia do sucesso alcançado pelas editoras portuguesas em Angola e Moçambique, essa posição poderá ser posta em causa com a ratificação do Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico".

No caso concreto do impacto da medida na Educação, a APEL precisa que não é "apenas" o ensino da Língua Portuguesa que está em causa, na medida em que "toda a edição escolar e para-escolar, incluindo livros auxiliares de várias disciplinas, gramáticas e dicionários, terá de ser rapidamente actualizada".

Também a edição generalista e os catálogos das bibliotecas serão abrangidos, assim se "destruindo grande parte do esforço desenvolvido pela iniciativa do Plano Nacional de Leitura", adverte o comunicado.

Posição semelhante à da APEL foi tornada pública pela Sociedade Portuguesa de Autores, SPA, que contesta a ratificação do Protocolo sem o "indispensável debate público e institucional sobre a matéria".

 

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André

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« Responder #23 em: Novembro 16, 2007, 04:45:00 pm »
Governo vai alterar ensino de português no estrangeiro

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O governo está a preparar alterações no ensino de português no estrangeiro para adaptar a língua portuguesa às novas realidades e afirmar-se como uma das mais faladas no mundo, disse hoje o secretário de Estado da Educação.
«Está a ser preparada uma resolução do Conselho de Ministros para a criação de um grupo de trabalho técnico para repensar a estratégia do ensino de português no estrangeiro», disse Jorge Pedreira à agência Lusa.

À margem de uma reunião com o vice-ministro da Educação de Timor-Leste, o secretário de Estado defendeu que essa mudança de estratégia é necessária para «promover o ensino do português como instrumento de afirmação de Portugal no mundo».

«É preciso fazer sair o ensino de português dos meios onde tem estado integrado - universidades e em algumas comunidades -, apostar na consolidação da certificação da aprendizagem do português e fazer valer o português como uma das línguas mãos faladas no mundo. É a terceira língua ocidental mais falada no mundo», afirmou.

Lembrando que o ensino de português resume-se a «leiturados, colocação de professores na Europa e algum apoio fora da Europa», o secretário de Estado sublinhou que «já não estamos nos anos 70».

«As coisas estão diferentes. Temos de pensar na livre circulação de pessoas e na mobilidade. Hoje é possível que de um ano para o outro apareça uma comunidade de 30 mil portugueses» em qualquer país da Europa.

Jorge Pedreira defendeu ainda uma «estratégia comum no âmbito da CPLP» como mais uma via para dar visibilidade à língua portuguesa.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #24 em: Novembro 18, 2007, 01:37:21 pm »
Achei curiosa a opinião de um brasileiro sobre tal acordo.Trata-se de um ponto de vista diferente e por isso considero que enriquece o tema.

Agência FAPESP Divulgando a cultura científica
 18/11/2007
 
 
 
Para Luiz Carlos Cagliari, da Unesp, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que deverá padronizar o idioma em oito países a partir de 2008, não tem base científica e trará mais transtornos do que benefícios (foto: arq.pessoal)
Entrevistas  

Ruídos lingüísticos (com trema, por enquanto)

29/08/2007

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 para uniformizar o registro escrito nos oito países que falam o idioma: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe.

A implementação do acordo, adiada diversas vezes desde 1994, poderá ocorrer a partir de janeiro de 2008 nos três países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que já ratificaram o protocolo: Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e garantir a divulgação mais ampla do idioma são os principais objetivos da unificação ortográfica que, entre outras decisões, elimina o acento circunflexo em palavras paroxítonas terminadas em “o” duplo (como “vôo” e “enjôo”), extingue o trema e inclui as letras K, Y e W no alfabeto.

Para o Ministério da Educação brasileiro, a divergência de ortografias do português prejudicaria sua divulgação e prática em eventos internacionais. As mudanças necessárias em livros escolares e arquivos de editoras seriam compensadas pela atenuação do alto custo da produção de diferentes versões de dicionários e livros.

Mas a resistência é grande em alguns meios, principalmente em Portugal, onde haveria o maior impacto na língua – com o acordo, desaparecem o “c” e o “p” não pronunciados, como em “acção” e “baptismo”. Os portugueses precisarão também trocar a grafia de “húmido” por “úmido”.

Para alguns especialistas, a reforma traria benefícios desproporcionalmente pequenos em relação às dificuldades que representaria. “Em uma reforma, ninguém ganha e muitos perdem”, afirmou Luiz Carlos Cagliari, professor do departamento de Lingüística da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara.

Para o professor, a reforma é desnecessária e se fundamenta em um grande desconhecimento da natureza, das funções e dos usos da ortografia. Especialista em fonética e fonologia, Cagliari publicou 11 livros e atua na pesquisa em sistemas de escrita, prosódia, ortografia e na história da ortografia da língua portuguesa.


Agência FAPESP – Há base científica para as modificações contempladas pelo acordo?
Luiz Carlos Cagliari – As reformas ortográficas têm sido feitas sem o conhecimento científico do que vem a ser a ortografia. Desse erro original deriva uma série de equívocos. Mas a questão fundamental não é se as mudanças serão feitas em determinadas regras. O fundamental é saber se há necessidade de mudança. Os argumentos dados para justificar uma reforma como essa são, em geral, falhos.

Agência FAPESP – Poderia dar exemplo desses argumentos?
Cagliari – Um deles é “facilitar o uso da língua”. Mudar a ortografia não facilita a vida de ninguém, porque a ortografia não representa a fala de ninguém. É simplesmente uma representação gráfica que permite a leitura. Não vou ler Camões na pronúncia dele, mas na minha. Como todos fazem isso, a ortografia não representa a pronúncia de ninguém.

Agência FAPESP – A unificação não facilitaria a comunicação diplomática entre os países?
Cagliari – Unificar a ortografia é um equívoco. Apesar de seguir regras de uso, tiradas de uma tradição, a ortografia, como a linguagem em geral, sofre transformações no tempo e no espaço. A história da ortografia mostra que a escrita se transforma continuamente. Veja, por exemplo, os corretores ortográficos dos computadores, que apresentam variação de opções de ortografias regionais para línguas como o inglês e o francês, ambas tradicionais. O inglês tem uma ortografia britânica e outra americana, ambas tradicionais. Então, por que precisamos ter apenas um modelo? O problema diplomático atinge somente a língua portuguesa? Ou é um falso problema?

Agência FAPESP – Alguns críticos dizem que a reforma forçará uma mudança em todos os livros didáticos, dicionários e arquivos de editoras, mas que seria uma reforma superficial, que não chegaria a cumprir o objetivo de padronizar a língua.
Cagliari – A idéia de simplificar a ortografia é uma ilusão desse tipo de reforma ortográfica. Talvez a única simplificação seja a abolição do trema – que ainda terá exceção. Isso não representa grande coisa. Na realidade, não precisaríamos de sinal algum além das letras. Nem acento, nem trema. O inglês não tem sinais diacríticos e não cria problemas aos usuários.

Agência FAPESP – A reforma só faria sentido, então, se fosse mais profunda?
Cagliari – Há grandes confusões nas bases ou regras da língua, com relação ao hífen, por exemplo. Poderia haver apenas uma regra que dissesse que as palavras compostas por composição levam hífen e as compostas por derivação não levam. O uso de acento gráfico em português também gera confusão. Há um número enorme de regras, todas desnecessárias, porque o falante sabe onde cai o acento nas palavras e quais vogais são abertas ou fechadas. Tirar uma regra ou outra não muda muito.

Agência FAPESP – As dificuldades de implantação da reforma são grandes demais comparadas aos benefícios?
Cagliari – Venho dizendo há décadas: o melhor é não mexer na ortografia, não fazer leis, deixar a tradição – recomendada pelos dicionários, gramáticas, vocabulários ortográficos – fazer sua história. Hoje, temos que lidar com e ler muitos documentos antigos, escritos em outras ortografias, e nada disso perturba, nem mesmo os juristas, que precisam desses documentos para se pronunciar em processos.

Agência FAPESP – A ortografia deveria se basear na tradição e não em leis?
Cagliari – Seria melhor. Os usuários agem da seguinte forma: ou sabem escrever – e o fazem com certeza – ou têm dúvidas. Nesse caso, não adianta pensar, a solução é olhar no dicionário e não ficar procurando regras nas gramáticas. As regras, estudadas apenas em alguns momentos da escola, ajudam. Mas, na hora da dúvida ortográfica, o que salva os usuários comuns não são as regras, mas o conhecimento de outros fatores, como a etimologia e a comparação.

Agência FAPESP – Entre as mudanças propostas, quais o senhor considera mais impactantes? Nenhuma delas é imprescindível?
Cagliari – Em uma reforma, ninguém ganha e muitos perdem. No caso desse acordo, nenhuma mudança sugerida é necessária. Poderíamos ficar com o que tínhamos e nada mudaria. A grande confusão veio quando resolveram transformar a ortografia em lei, um absurdo tão grande quanto o fato de terem tornado oficial uma nomenclatura gramatical brasileira. Uma aberração sem tamanho.

Agência FAPESP – A maior resistência à reforma vem de Portugal. Por que isso ocorre? O senhor vê, como alguns, uma “brasilificação” da língua com essa reforma?
Cagliari – Estive em reuniões em Portugal com acadêmicos e escritores que discutiam a unificação. Eles acham a reforma totalmente desnecessária. De fato, esta reforma, ao contrário da feita na década de 1910, representa um gesto brasileiro contra a tradição da língua. Para uma pessoa culta, a escrita traz as marcas da pátria, da história, e isso fica prejudicado por leis que pretendem que todos sejam iguais.

Agência FAPESP – A padronização tornará os livros atuais obsoletos?
Cagliari – Isso é um problema que decorre, como todos os outros, de transformar a ortografia em lei e não da reforma ortográfica em si mesma. Alguém poderia propor alterações na grafia das palavras e, se os usuários passassem a aderir, com o tempo viraria tradição, como sempre ocorreu. Se não for oficial, a ortografia pode aparecer de modos diferentes e os livreiros não precisam jogar nada no lixo. Nem precisaríamos jogar fora os livros escolares de nossas bibliotecas escolares porque estão com a ortografia errada.

Agência FAPESP – Quem sofrerá maior impacto com a reforma?
Cagliari – Os literatos sofrerão mais, porque a ortografia também pode ter valor estilístico, como vemos em autores como Saramago. Por outro lado, em um país em que grande parte da população não lê, uma reforma ortográfica vem perturbar apenas os letrados.

Agência FAPESP – Tivemos reformas em 1919, 1943 e 1971. O português muda demais?
Cagliari – Poderíamos ter seguido o exemplo das línguas francesa e inglesa que, apesar da longa tradição de brigas por reformas ortográficas, se mantêm há séculos sem grandes mudanças. Mas entramos em um caminho errado. Isso ocorre porque, para entender a ortografia, precisamos saber que a leitura não é transcrição fonética nem semântica, portanto basta reconhecer na escrita o que o usuário fala. A ortografia foi criada para neutralizar a variação lingüística: não interessa se você fala “tia” ou “tchia”. A escrita é uma só: tia. A letra “A” representa o som de todos os “As” falados em todos os dialetos em todas as palavras da língua. Assim, na palavra “acharam”, que se pronuncia “acharu”, o “A” tem o som de “U”.

Agência FAPESP – Quanto tempo uma reforma dessas deve levar para ser assimilada pelas populações?
Cagliari – Em relação à reforma de 1919, constatamos que somente na segunda metade do século 20 as pessoas aderiram de fato. E nem todas. As publicações só adotaram a reforma 50 anos depois. Nas reformas posteriores, a intervenção do Ministério da Educação nas escolas, nos livros e nas editoras foi ameaçadora, como é hoje: ou tudo ou nada. Com relação às pessoas cultas, a reforma começa logo, por força social. Na escola, é um grande problema para os professores e menor para os alunos, que não precisam modificar o que sabiam antes. Para o povo, pouco interessa. Muitos continuarão escrevendo fora de qualquer padrão tradicional ou imposto por lei, mas de acordo com hipóteses que fazem de como podem escrever para alguém ler e entender o que eles querem dizer.


Abraços,
zocuni
 

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comanche

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« Responder #25 em: Novembro 18, 2007, 04:33:01 pm »
Por que unificar a escrita?


LÍNGUA PORTUGUESA

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Em menos de dois meses, deveríamos estar iniciando a reforma ortográfica na língua portuguesa. Isso mesmo, “deveríamos”. Postergada mais uma vez, já que não entrará mais em vigor em janeiro de 2008, o acordo ortográfico agora não tem mais data prevista. Esse fato, diga-se de passagem, é para o alívio de alguns e o incômodo de outros.

Que o tema é polêmico não é novidade. Tanto é que, desde 1990, ano de sua última assinatura, o acordo está engavetado. Na tentativa de acelerar o processo de implantação, a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa, por exemplo, concordaram, no último dia 30, na cidade do Rio de Janeiro, sobre a urgência de unificar a ortografia da língua portuguesa.

Na opinião das professoras de Lingüística da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Letícia Pires e Claudiana Nogueira de Alencar, as discussões acerca do tema não devem se restringir às categorias de “a favor” ou “contra”. Para elas, o que precisa ser discutido é se as mudanças não continuarão a servir como pretexto para excluir os que não dominam a norma culta do idioma.

Segundo a mestre em Lingüística e coordenadora do Centro de Estudos em Linguagem (CEL) da Uece, Letícia Pires, a reforma apresenta-se como “um mal necessário”. Como afirma, a língua é predominantemente oral e, por isso mesmo, passível de modificações ao longo dos anos. Porém, mesmo assim, os desvios do padrão adotados pela grande maioria da população não devem ser considerados errados.

De acordo com Claudiana Nogueira, doutora em Lingüística, “a língua é dinâmica, ela varia no espaço e muda no tempo. É também um conjunto de variações, um conjunto de diferenças”. Por conter variações, comenta Claudiana, ela não pode ser “cristalizada” ou, até mesmo, “congelada”.

O problema, como destacam, é que em geral as modificações no padrão da “língua culta” realizadas pelas classes mais populares são consideradas erros. Quando, na verdade, para tornarem-se aceitas socialmente basta começarem a ser utilizadas pelas classes dominantes. “As mudanças vão acontecendo primeiro nas variedades menos cultas, aquelas que não sofrem pressão da norma padrão, por serem faladas por pessoas que não têm acesso à escolarização formal”.

Inclusive, para ela, o próprio termo “culta” é questionável. Afinal, “quando se diz que existe um língua culta é porque há uma inculta”. Dessa forma, como estabelece a doutora em Lingüística, as mudanças, que ocorrem primeiro nas formas não-padrão, vão subindo na escala social e lentamente vão sendo assimiladas pelos falantes mais “cultos”.

Assim, como comenta a professora de Lingüística Claudiana Nogueira, as diversificações sofridas pelo Português vão deixando de ser estigmatizadas, até que, plenamente aceita pelos falantes tidos como “mais cultos”, deixam de ser encaradas como erros.

ENTRE PAÍSES - A língua como bandeira política

Segundo Claudiana Nogueira, doutora em Lingüística, a não aplicação da reforma ortográfica ocorre por a língua ser “uma bandeira política”, como estabelece o titular de Lingüística da Unicamp, Kanavillil Rajagopalan. Como comenta, por ser uma construção, a língua sofre pressões externas relacionadas aos processos históricos, sociais e políticos da sociedade. A exemplo, a lingüista cita a França, logo após a Revolução Francesa de 1789.

“Com a Revolução, a burguesia chegou ao poder e a língua deles, tida como marginalizada, passou a ser a língua da elite”, pontua. Com base no conceito de Rajagopalan, a professora reforça que “a reforma da língua também é uma bandeira política”. Para se ter uma idéia, Claudiana Nogueira remete à colonização.

“A língua sempre foi um palco de relações de poder. Desde o colonialismo, quando um povo chegava para dominar outro. Eles impunham primeiro a língua. A linguagem é a grande cerca que separa as pessoas do poder”, afirma.

Para a mestre em Lingüística Letícia Pires, de fato, a reforma ortográfica apresenta-se como uma forma de “promover o Português”. Afinal, como defende, por se tratar um jogo de poder, a língua unificada seria uma forma de resistência ao “imperialismo” de outras línguas.

“A reforma facilita o uso coletivo de pessoas de Portugal e Brasil, por exemplo, mas o que não se pode é ter preconceito”, pondera Letícia.

Como ressalta Claudiana Nogueira, a predominância das línguas maioritárias sobre as menoritárias é questão de política. “A tentativa de uniformizar a língua sempre existiu, na intenção de sobrepor uma sobre outra e de usá-la para interesses econômicos”. Para ela, o acordo apresenta-se como uma forma de resistência da língua ao processo de globalização.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA - MYRSON LIMA
Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, autor do livro ´O essencial do português´, prof. inativo da Uece e do Cefet, Prof. de Redação e instrutor de empresa.

Acordo ortográfico

O novo Acordo Ortográfico, aprovado pelos integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 1990, pretende criar uma ortografia unificada entre Brasil, Portugal e as antigas ex-colônias Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Para entrar em vigor, precisa da ratificação de, pelo menos, três dos oito países acima. O Brasil já fez a sua parte em 2005 e, no ano passado, também confirmaram sua adesão a República de Cabo Verde e a de São Tomé e Príncipe.

A fim de disciplinar sua execução, ficou acertada a publicação de um Vocabulário Ortográfico Comum, que se constituiria o documento normalizador, que precederia a vigência do novo sistema. Em Portugal, existem muitas resistências. Há, por causa disso, um evidente desinteresse dos países da CPLP para implantar as novas regras sem a adesão dos portugueses. Seria um desgaste muito grande para tão poucos resultados, especialmente no campo editorial.

É preciso superar essas dificuldades, pois urge promover a unificação ortográfica, como já o fizeram o espanhol, o inglês, o francês, o italiano e o alemão.

Entre as mudanças anunciadas, destacam-se a eliminação do trema, a oficialização das letras K, Y e W, com o conseqüente aumento ao alfabeto para 26 letras, a eliminação das consoantes não pronunciadas, freqüentes em Portugal, a eliminação do acento agudo nos ditongos abertos éi, ói, nas palavras paroxítonas, a supressão do acento em palavras terminadas em dois oo e dois ee, e o reconhecimento da dupla grafia em algumas palavras, como fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.

Para nós, brasileiros, que constituímos quase oitenta por cento dos falantes lusofônicos, as mudanças não atingirão tanto a nossa ortografia quanto a portuguesa.

Na linguagem usada pelos jovens e adolescentes na internet, vem o novo sistema oficializar a eliminação do trema e consagrar o emprego das letras K, Y e W, mas não afetará o uso livre e criativo de muitos vocábulos, que sempre ficarão à margem do sistema oficial, seja ele qual for, pois a velocidade da comunicação leva o usuário da internet a simplificar a grafia, como em axo, pq, xau, hj, kd tu, brigado vei, ja ta add, poxa, fds, karamba, bixo, ktraca, cê, bju, bjim, bjs, bjaum, vixe, sds de tu, blz xapa, naum, ksa, kerer, ow,w,w,w,w, intééé, viw, kkkk, xêro pra vc !!!

ENTREVISTA - EVANILDO BECHARA
*Filólogo e gramático da Academia Brasileira de Letras (ABL)

Ortografia uniforme significa uniformidade da língua?

Não. Os que falam a mesma língua podem ter usos e pronúncias diferentes. A ortografia é apenas uma convenção para a escrita, não altera a pronúncia tradicional de cada região. A unificação não significa que os brasileiros vão ter que falar como os portugueses, nem os portugueses como os brasileiros. Unificar a ortografia não significa a unificação da língua. Cada continente continuará a usar o idioma como sempre usou.

Se não haverá grandes interferências, por que há tanta relutância?

O Brasil tem 180 milhões de falantes. Ao somar Portugal e as nações de língua oficial portuguesa terá uns 30 milhões. Portanto, acontecerá que o livro brasileiro terá uma circulação maior e muitos livreiros acham que prejudicará a divulgação dos seus livros. O Brasil exercerá, sem querer, uma concorrência com as editoras portuguesas. E, naturalmente, elas ficam preocupadas com essa ação avassaladora. A relutância é do ponto de vista econômico, não do ponto de vista lingüístico.

A ABL se posiciona a favor da reforma?

Sim, mas isso não significa que a ABL esteja totalmente de acordo com a reforma apresentada. Fizemos concessões porque vimos, em primeiro lugar, a utilidade da unificação. Traz vantagens na difusão da língua portuguesa e para o ensino. Embora a reforma tenha exigido dos hábitos de grafia brasileiros uma cedência maior, vimos o futuro mais do que “casos” que poderemos resolver com o tempo. O acordo não é o “melhor dos mundos”, mas é o que se pode fazer agora.

Como fica a reforma diante da internet, não criará confusão para os jovens?

Não, porque a linguagem da internet se circunscreve à internet. Ninguém, no uso de uma carta, um romance, usará as abreviaturas que a internet usa. É o caso da taquigrafia. Muito mais revolucionária do que a língua da internet, a taquigrafia não usa letras, são sinais. Nem por isso a taquigrafia mexeu no Português. Ela tem seu espaço, assim como a internet.

Há previsão para o início?

Não. O ideal é que cheguemos a um acordo. Há 100 anos estamos tentando. O francês, o espanhol, o italiano, o russo, o árabe já têm um sistema unificado. O empecilho agora é Portugal, mas ele está interessado em uma unificação. O país só acha que em 2008 /2009 é um prazo pequeno para que as editoras se preparem.

Então, por que é preciso unificar a ortografia?

Não podemos perder o trem da história. Fica a língua portuguesa com duas ortografias e isso é um prejuízo cultural. Mandamos para um país africano 500 livros que não chegaram aos alunos porque estavam na ortografia brasileira e eles usam a portuguesa. Se estiver numa só ortografia, os livros circularão livremente entre a América, a África, a Ásia e a Europa.

ALGUMAS MUDANÇAS

 O trema deixa de existir. Isto é, não há mais o acento em palavras como lingüiça, tranqüilidade, conseqüência
Os ditongos ´ei´ e ´oi´ em sílaba tônica da palavra paroxítona não serão mais acentuados.
Tira-se o circunflexo presente na sílaba tônica fechada de certas formas verbais paroxítonas, nas quais há duas letras. Exemplos: lêem, crêem
Desaparece, ainda, o circunflexo de paroxítonas como ´oo´ no final, como vôos e enjôos
As paroxítonas com ´u´ e ´i´ tônicos precedidos de ditongo deixam de ser acentuadas, tais como feiúra
O acento deixará de ser usado para diferenciar ´pára´ (verbo) de ´para´ (preposição)
O alfabeto português deixa de ser composto de 23 letras para contar com 26, com a incorporação das letras ´k´, ´w´ e ´y´
FIQUE POR DENTRO - Uma breve história da ortografia portuguesa

Ao longo dos anos, a ortografia portuguesa dividiu-se em três períodos: o fonético, o pseudo-etimológico e o simplificado. O fonético, inicia-se com os primeiros documentos em Português e termina no século XVI. As palavras eram escritas como eram pronunciadas.

O seguinte, o pseudo-etimológico, dura até o ano de 1904. Aqui, as palavras eram escritas conforme a gramática de origem, reproduzindo todas as letras, embora não pronunciadas. O simplificado inicia com a publicação da Ortografia Nacional. Por ela, havia a proscrição absoluta de todos os símbolos da etimologia grega; a redução das consoantes dobradas a singelas (rr,ss); eliminação das consoantes nulas e regularização da acentuação gráfica.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=488393
 

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FinkenHeinle

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« Responder #26 em: Novembro 23, 2007, 12:13:29 pm »
Não sei o que pensam os amigos, mas tentar homogeneizar o que é de fato heterogêneo é um exercício de ilusão...

O fato é que a língua portuguesa ganhou no Brasil contornos próprios, que agora estão sendo, à base da força, retirados, em nome de comunalidade não só com Portugal, mas com outros países pequenos.

Não é parece inteligente, realmente. Estamos retirando a grande riqueza que a língua portuguesa ganhou no Brasil, e o fez de forma totalmente automática, pela dinâmica social que é da natureza das sociedades.

Para mim, é uma pena as mudanças que foram aventadas.

Novamente as "múmias" da ABL se arrogam no direito de mudar à seu bel prazer a língua Portuguesa.

Uma lástima.
Um Forte Abraço.
André Finken Heinle
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« Responder #27 em: Novembro 23, 2007, 01:45:43 pm »
Citação de: "FinkenHeinle"
Novamente as "múmias" da ABL se arrogam no direito de mudar à seu bel prazer a língua Portuguesa.


Mas essa é uma das funções da ABL. :?
As pessoas te pesam? Não as carregue nos ombros. Leva-as no coração. (Dom Hélder Câmara)
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« Responder #28 em: Novembro 23, 2007, 02:58:46 pm »
Se alguém estiver interessado:

Citar
Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado.
Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo. Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora.
E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.


http://www.petitiononline.com/naoacord/petition.html

Visto que é obrigatório inserir o numero de BI, apenas Portugueses podem assinar.
 

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André

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« Responder #29 em: Novembro 23, 2007, 06:51:34 pm »
Já assinei.  :G-Ok:

 

 

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